1ª apostila introdução.

A BÍBLIA

PARTE I   

INTRODUÇÃO
(DESCUBRA O VERDADEIRO NOME DE “DEUS…”):

Que é a Bíblia? Um simples olhar lançado sobre o índice basta para ver que ela é uma “biblioteca”, uma coleção de livros muito diversos. Quando se consultam as introduções a esses livros, a primeira impressão se confirma: distribuindo-se por mais de dez séculos, os livros provém de dezenas de autores diferentes; uns estão escritos em hebraico (com certas passagens em aramaico), outros em grego; apresentam gêneros literários tão diversos quanto a narrativa histórica, o código de leis, a pregação, a oração, a poesia, a carta, o romance.
O nome desta coleção, “os livros” (em grego, ta bíblia), tornou-se um singular, “a Bíblia” (em grego, hê biblia). “Os livros” chegaram a ser considerados como um único livro e até mesmo o Livro por excelência. Por quê?

De quem provém a Bíblia? Todos estes livros provêm de homens com uma convicção comum: Deus os destinou a formar um povo que toma lugar na história com legislação própria e normas de vida pessoal e coletiva. Foram todos testemunhas daquilo que Deus fez por esse povo e com ele. Relatam os apelos de Deus e as reações dos homens (indagações, queixas, louvor, ações de graça).
Este povo posto a caminho por Deus foi primeiramente Israel, que apareceu na história por volta de 1200 a.C., envolvido – como todos os povos vizinhos – nos movimentos que agitaram o Oriente Próximo até os inícios da nossa era. No entanto, sua religião o tornava um povo à parte. Israel conhecia um único Deus, invisível e transcendente; o Senhor. Exprimia a relação que o unia ao seu Deus com um termo jurídico: a Aliança. Submetia toda a existência à Aliança e à Lei que dela decorria, e seu modo de vida se tornava cada vez mais contrastante com o das outras nações. Toda a parte hebraica da Bíblia se refere à Aliança, tal como foi vivida e pensada por Israel até o século II a.C.
O antigo povo judaico, cuja dispersão se acelerou com a destruição de seu centro religioso, Jerusalém, em 70 e 135 d.C., prolonga-se na comunidade judaica, cuja história movimentada e frequentemente trágica se desenvolve na maior parte de tempo em terra de exílio. As diversas tendências que o animam, todas têm por fundamento a Escritura e notadamente a Lei, venerada como a própria palavra do Senhor. Os judeus a leem e sobre ela fundamentam sua prática ao quadro de tradições que, lançando raízes na vida do antigo Israel, foram redigidas após a ruína da nação e inseridas na literatura rabínica.
Ao mesmo tempo que viu a desaparição da nação judaica, o século I assistiu ao nascimento da comunidade cristã, que se afastou progressivamente. Para os cristãos, a história do povo de Deus tinha encontrado cumprimento em Jesus de Nazaré; foi por ele que Deus reuniu as pessoas de todas as origens para formar um povo regido por uma nova Aliança, um novo Testamento. Era uma Aliança definitiva; em contra partida, fazia da Aliança que regia Israel uma etapa que, embora indispensável, estava destinada a ser superada. Os cristãos denominaram-na de antiga Aliança e deram ao conjunto dos livros bíblicos recebidos de Israel o nome de Antigo Testamento (cf. 2Co 3,14), enquanto os livros que falavam da pessoa e da mensagem de Jesus formaram o Novo Testamento.
Os discípulos de Jesus e seus sucessores imediatos que redigiram o Novo Testamento viam em jesus aquele que concretizaria a esperança de Israel e responderia à expectativa universal tal qual expressa no seio desse próprio povo. Com toda naturalidade, utilizaram a linguagem dos livros santos de Israel com toda a sua densidade histórica e experiência religiosa acumulada no decorrer dos séculos. Consequentemente, a comunidade cristã reconheceu no Antigo Testamento a palavra de Deus. As Escrituras judaicas vieram a ser, então, a primeira Bíblia dos cristãos. Mas, iluminado pela fé em Jesus Cristo, o Antigo Testamento tomou um sentido novo para eles, tornou-se como que um novo livro.
Assim, judeus e cristãos se vinculam à Bíblia, mas não a leem com os mesmos olhos. Não obstante, ela continua a convidar os homens e mulheres de todos os países e de todos os tempos a ingressar no povo dos que buscam a Deus no seguimento dos patriarcas, dos profetas, de Jesus e de seus discípulos. Livro do povo de Deus, a Bíblia é o livro de um povo ainda a caminho.

Ler a Bíblia. Os livros da Bíblia são a obra de autores ou de redatores reconhecidos como portadores da palavra de Deus no meio de seu povo. Muitos dentre eles quedaram no anonimato. De qualquer modo, não estavam isolados: eram conduzidos pelo povo cujas vidas, preocupações, esperanças partilhavam, mesmo quando se erguiam contra ele. Boa parte de sua obra se inspira nas tradições da comunidade. Antes de receber forma definitiva, estes livros circularam durante muito tempo entre o público e apresentam os vestígios das reações suscitadas em seus leitores, sob a forma de retoques, anotações e até de reformulações mais ou menos importantes. Os livros mais recentes são por vezes reinterpretação e atualização de livros mais antigos (como, por exemplo, as Crônicas, com relação a Samuel e Reis).
A Bíblia está profundamente marcada pela cultura de Israel, povo que teve, como todos os outros, um modo próprio de compreender a existência, o mundo que o circundava, a condição humana. Exprime sua concepção do mundo, não numa filosofia sistemática, mas em costumes e instituições, em reações espontâneas dos indivíduos e do povo, através das características originais de sua língua. A cultura hebraica evoluiu no decorrer dos séculos, conservando, porém, determinadas constantes.
A civilização de Israel tem muitos pontos em comum com as civilizações dos outros povos do antigo Oriente. Apesar disso, o antigo Oriente não explica tudo na Bíblia; a linguagem dos livros foi modelada pela história própria de Israel, única em seu gênero. Muitas das palavras da Bíblia – particularmente no Novo Testamento – estão carregadas de uma experiência religiosa milenar. Para detectar toda sua riqueza, é preciso levar em consideração o contexto de toda a Bíblia e da vida das comunidades que prolongam a existência do antigo Israel.
Isto explica por que, muitas vezes, é difícil para o homem de hoje compreender plenamente a Bíblia. Entre ela e ele se interpõe uma distância considerável: o afastamento no tempo, a diferença de cultura e, mais profundamente, a distância que um texto escrito sempre introduz entre a mensagem original e o leitor.
Para reduzir a distância, recorre-se à exegese, isto é, a uma explicação do texto. Cada época teve seus métodos. De dois ou três séculos para cá, o Ocidente viu desenvolver-se uma exegese histórica, à qual a civilização técnica forneceu instrumentos (especialmente a arqueologia científica). Sua intenção é estabelecer com exatidão o texto bíblico, compreender exatamente o sentido das palavras, situar o texto em seu ambiente original. É o resultado deste vasto trabalho que as introduções e as notas de A Bíblia – Tradução Ecumênica resumem.

A Bíblia, Palavra de Deus. O leitor constata que a Bíblia não constitui simplesmente um antigo tesouro literário ou uma mina de documentação sobre a história das ideias morais e religiosas de um povo. A Bíblia não é somente um livro no qual se fala de Deus; ela se apresenta como um livro no qual Deus fala ao homem, como atestam os autores bíblicos.
NÃO se trata de uma palavra sem importância para vós: é uma vida (Dt 32,47). Estes sinais foram escritos neste livro para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20,30-31).
Nenhuma leitura poderá desconhecer essa função do texto bíblico; essa interpelação constante, essa vontade de transmitir uma mensagem vital e de atrair a adesão do leitor. O leitor é livre para resistir e pode apreciar a Bíblia apenas como um literato ou um apreciador da história antiga. Mas se ele aceitar entrar em diálogo com os autores que dão testemunho da própria fé e suscitam a necessidade de uma decisão, a questão fundamental, o sentido da vida, não deixará de ser enfrentada por ele. Pois a Bíblia e a fé – à qual ela convida de modo tão premente -, embora estejam profundamente enraizadas numa história numa história particular e bastante longa, ultrapassam a história. Os autores bíblicos querem ser os porta-vozes de uma Palavra que se dirige a todo homem, em todo tempo e lugar.
Através dos séculos, as comunidades cristãs de todas as línguas e de todas as culturas encontraram alimento neste livro, cuja mensagem meditam e atualizam. Não é sem razão que nos cultos ou ofícios se leem ou se cantam os Salmos, o Antigo Testamento, as Epístolas, com o Evangelho; sua unidade é a unidade da fé. Fundada nesse testemunho da Bíblia, a fé não deixa de encontrar ali vida e força. O leitor (mesmo não crente) sabe que esta fé existe hoje, que ela é – nas comunidades e algumas vezes fora delas – um certo modo de o homem viver a relação com os outros homens e de agir no meio deles, uma modalidade particular de existir que é fermento da história humana.
Assim, a Bíblia sempre remete o leitor à fé vivenciada, como também a vivência da fé sempre remete à Bíblia, na qual a fé lança suas raízes.

ORDEM DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO:

1. As edições protestantes correntes apresentam a seguinte ordem (p. ex., J. F. de Almeida ):
 O Pentateuco, Gn, Êx, Lv, Nm, Dt
 Os Livros históricos: Js, Jz, Rt, 1 e 2Sm, 1 e 2Rs, 1 e 2Cr, Ed, Ne, Et
 Os Livros poéticos: Jó, Sl, Pr, Ec, Ct
 Os Profetas: Is, Jr, Lm, Ez, Dn, os Doze (Oseias; Joel; Amós; Obadias; Jonas; Miqueias; Naum; Habacuque; Sofonias; Ageu; Zacarias; Malaquias).

As edições católicas (p. ex., a Bíblia de Jerusalém) seguem a mesma ordem, mas inserem: Tb e Jt após Ne; 1 e 2Mc depois de Est; Sb e Sr (Sirácida Eclesiástico) depois de Ct; Br depois de Lm.
Esta classificação apareceu no Concílio de Florença (1442), com a diferença de que o Concílio situa 1 e 2Mc no fim do Antigo Testamento.
As edições da Bíblia hebraica agrupam os livros sob três títulos: A “Lei”, os “Profetas”, os “Escritos”. Esse uso é anterior à era cristã.
As listas gregas (grandes manuscritos dos séculos IV e V, fornecidas pelos Padres e Concílios) apresentam grande diversidade. O Pentateuco está sempre no começo; mas os outros livros são classificados conforme variáveis, levando em consideração o gênero literário, o conteúdo, e autor suposto ou os costumes locais.
Esta variedade se explica, aliás, pela forma dos livros na antiguidade. Antes da aparição da forma códex (= páginas encadernadas em sequência como nos livros atuais), os livros eram rolos; sendo necessários uns vinte rolos para escrever todo o Antigo Testamento. Os bibliotecários os ordenavam em cofres, para protegê-los. O caráter iminentemente sagrado do Pentateuco vetava guardar outra coisa no cofre que lhe era reservado, mas quanto à disposição dos outros rolos não havia nenhuma ordem rigorosa.

ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO

O Antigo Testamento é uma coletânea de escritos que os judeus chamam “a Lei, os Profetas e os Escritos” (abreviado conforme o hebraico, a Tanak), ou simplesmente “ a Escritura”. Quando os cristãos consideraram que suas próprias escrituras “apostólicas” expressavam as disposições de uma “Nova Aliança” (ou “Novo Testamento”) entre Deus e seu povo, denominaram as escrituras anteriores de Antigo Testamento, ou seja, a Antiga Aliança.
A presente Introdução quer apresentar o ambiente geográfico e histórico no qual nasceu o Antigo Testamento, explicar como foram reunidos os livros que o constituem, como nos foram transmitidos e qual seu significado para o crente de hoje.

A) A TERRA DA BÍBLIA

1. O “Crescente e Fértil”. A terra de Israel, chamada na Bíblia terra de Canaã e pelos geógrafos antigos e modernos, “Palestina” (Isto é, “terra dos filisteus”), é um pequeno setor de um vasto conjunto geográfico em forma de meia-lua denominado o “Crescente Fértil”. Essa região tem, de fato, a forma de um arco cujo centro se situaria no deserto da Síria e ao norte do deserto da Arábia, regiões quase impenetráveis na Antiguidade. O próprio Crescente é uma zona irrigada por rios mais ou menos importantes: Tigre, Eufrates, Oronte, Litâni, Jordão. A essa região é preciso acrescentar o importante vale do Nilo, uma espécie de prolongamento, embora os geógrafos não o situem no “Crescente” propriamente dito. A margem interna do Crescente é formada por regiões semidesérticas que fazem a transição com o deserto, enquanto no exterior se estendem maciços montanhosos: Planalto Iraniano, Armênia, Tauro. Deste Crescente, a Síria e a Palestina formam a parte mais estreita: entre o Mediterrâneo e o deserto, ocupam um corredor de menos de 100 quilômetros de largura, que faz a ligação entre a Mesopotâmia e o Vale do Nilo.
Esse conjunto abrigou desde cedo uma importante população e viu desenvolverem-se vários grandes focos de civilização. As mais importantes concentrações foram feitas no Vale e no Delta do Nilo e nos cursos inferiores do Tigre e do Eufrates. Entre estas duas extremidades, a circulação era intensa. A parte principal seguiu o Eufrates, atravessava a Síria por Palmira e Damasco, a Palestina por Meguido e Jafa, para atingir o Egito por Gaza e Rafia. Em Damasco, podia-se tomar, margeando o deserto, a rota trans-jordaniana, que permitia chegar à Arábia por Eliat, e no Egito pela península do Sinai. Um último itinerário, mais frequentado pelos transportadores, ia diretamente do Eufrates aos portos fenícios (Tiro, Sídon, Bíblos), de onde estava assegurado a ligação por mar com o Egito. Por essas grandes vias de comunicação, circulavam as mercadorias, os exércitos e também as ideias.
O Crescente Fértil não era um mundo fechado. Comunicava-se diretamente com a Arábia, com a África através do Egito e da Etiópia, com a Índia através do Irã, e também com o Ocidente: Chipre, Creta, Ilhas Gregas, Jônica, mais tarde Grécia continental e Itália. Sempre houve intercâmbio comerciais entre o Crescente Fértil e a bacia mediterrânea, o que deu aos países do Mediterrâneo e do Oriente Próximo certa unidade cultural.

2. Estrutura da Palestina. Neste conjunto, a Palestina ocupa uma posição bastante marginal, embora se encontre inserida num importante corredor. Com efeito, o coração do país se encontra bem próximo dos grandes eixos de comunicação , mas a região está tão compartimentada que seus habitantes se veem constrangidos a um certo isolamento.
De modo bastante sumário, podem-se distinguir quatro faixas orientadas no sentido norte-sul:
a) uma faixa costeira: o litoral mediterrâneo, estreito e pouco favorável ao estabelecimento de portos, prolonga-se numa cadeia de colinas (chamada Shefelá – Baixada – no sul), cortada por pequenas planícies;
b) uma cadeia central: bastante elevada ao sul, na Judeia (mais de 1.000 m), abaixa-se à medida que se vai para o norte, mas acaba por levantar-se na extremidade setentrional do país, antes de se prolongar no maciço do Líbano. Depressões transversais delimitam nitidamente três regiões: Judeia, Samaria, Galileia. A mais importante dessas depressões é a planície de Jezreel, ou Esdrelon. Limitada a oeste pelo monte Carmelo;
c) uma grande depressão ocupada pelo vale do Jordão, o lago da Galileia e o mar Morto; prolonga-se ao sul pelo vale da Arabá, que termina no Golfo de Ácaba. Esta depressão, que prolonga as falhas geológicas dos grandes lagos africanos, é o fosso continental mais profundo de toda a terra: o mar Morto está 390m abaixo do nível do Mediterrâneo;
d) o planalto trans-jordaniano, cuja margem ocidental sobreolha a depressão central. Sua parte sul é recortada pelas gargantas dos afluentes de Jordão e do mar Morto (Arnon, Jaboc). A parte norte, menos abrupta, forma uma cadeia mais elevada do que a cadeia central, o Hermon e o Antilíbano são seus prolongamentos.

3. Condições de vida na Palestina. Apesar de variar com as regiões, o clima da Palestina apresenta alguns traços comuns: bastante ensolarado, chuvas distribuídas em poucos dias, estação seca de maio a outubro, grande irregularidade da quantidade de chuva (que pode diminuir ou duplicar de um ano para outro).
O índice pluviométrico decresce rapidamente de oeste para leste e de norte a sul. Desse modo, podem-se distinguir três regiões climáticas:
 entre a costa e as colinas centrais, uma região razoavelmente irrigada por chuvas, que permite as culturas mediterrâneas: trigo, cevada, vinho, oliveira, frutas e legumes;
 na vertente leste do maciço da Judeia e no Négueb, uma região semidesértica apta para algumas culturas periódicas e criação de ovelhas;
 uma região desértica, uma estepe , que fornece algumas pastagens periódicas.
Nas duas últimas regiões, encontram-se alguns oásis férteis, mas de superfície bastante reduzida.
Se, em comparação com as regiões semiáridas, as regiões irrigadas podiam passar por “terra boa”, uma “terra que mana leite e mel”, a vida nelas era sempre precária e a terra não podia alimentar uma população numerosa, que não parece ter ultrapassado um milhão de pessoas nos tempos bíblicos. As duas maiores cidades, Jerusalém e Samaria, não chegaram a contar mais de 30.000 habitantes. As outras cidades eram simples cidades fortificadas. O resto da população habitava povoados agrupados ao redor das nascentes.

B) ISRAEL NO MEIO DAS NAÇOES

1. As grandes etapas da história de Israel
a) As origens de Israel, como as da maioria dos povos, são muito difíceis de estabelecer. A entrada de Israel história, por volta de 1200 a.C., foi precedida por um longo período de formação (8 ou 9 séculos), que escapa em grande parte aos historiadores. No entanto, Israel guardou desse período lembranças de acontecimentos e de personagens marcantes, lembranças que se conservaram na tradição oral, narrativas que se transmitiam de uma geração a outra. Esses relatos podem conservar muitas informações úteis ao historiador. Confrontando essas tradições com o que sabemos da história do Oriente Primitivo e com os documentos fornecidos pela arqueologia, pode-se chegar a certo conhecimento desse período decisivo.
Os antepassados dos israelitas devem ser procurados entre os semitas seminômades, criadores de ovelhas, que circularam durante todo o segundo milênio pelas margens semidesérticas do Crescente Fértil. Pouco a pouco, esses grupos acabaram por se fixar; por vezes chegaram até a dominar uma região já ocupada por outras populações. Entre as seminômades, dois grupos são mais conhecidos: os amorreus (emoritas), que se fixam na Mesopotâmia, na Síria e na Palestina por volta de 2000 a.C., e os arameus, que se fixam na Síria no século XIII a.C. Mas os documentos egípcios e mesopotâmicos assinalam muitos outros grupos que se infiltravam continuamente na Mesopotâmia, na Palestina e no Egito.
Desse período pouco conhecido, a tradição bíblica faz emergir algumas grande figuras. Abraão, Isaac, Jacó-Israel e os ancestrais das tribos israelitas. É difícil avaliar o valor histórico dos dados sobre os patriarcas fornecidos pela tradição. Confrontando-se com os dados da história e de arqueologia, pode-se presumir que os patriarcas se fixaram na Palestina no século XIX ou XVI a.C. – segundo outras estimativas entre os séculos XVIII e XVI a.C. – e que vinham da Mesopotâmia (Abraão vinha de Ur na Siméria, Jacó de Harran no Médio-Eufrates). Os autores bíblicos se preocupam muito menos em situá-los na história de seu tempo do que em mostrar como eles se tornaram os pais espirituais do povo de Deus: adoradores e confidentes do único verdadeiro Deus, receberam dele ricas promessas para sua posteridade (Gn 15; 17).
Uma parte de seus descendentes se estabeleceu no Egito, em companhia de outros grupos semíticos. É impossível fixar uma data para a implantação, que se processou lentamente, no decorrer de quatro ou cinco séculos. Há, pelo menos, dois períodos que podem ter tornado esta instalação mais fácil:
 A denominação dos hicsos, vindos da Palestina e que governaram o Egito de 1700 a 1550 aproximadamente;
 O enfraquecimento do poder egípcio, que marcou o reino do faraó Akhenaton (1364-1347).
b) O nascimento do povo foi um processo complexo, que começou provavelmente em 1250, sob o faraó Ramsés II. Grupos semitas estabelecidos no Egito, submetidos a duras corvéias, conseguiram fugir sob a direção de Moisés, que os reagrupou ao redor do Sinai, depois no oásis de Qadesh (Cades), ensinando-os a servir ao Senhor, a quem devem a libertação, e dando-lhes um início de organização.
A Bíblia dá grande destaque a esses acontecimentos fundamentais, que apresenta como ato de nascimento de Israel, o ponto de partida de sua história. Três fatos são especialmente destacados: a partida do Egito depois de uma série de catástrofes, sinais da intervenção do Senhor (Êx 7-12), a passagem do mar (Êx 14-15) e o encontro entre Israel e seu Deus no Sinai ou no Horeb Êx 19-24).
As tribos que escaparam do Egito penetram em seguida na Palestina. Umas pelo sul, outras pelo leste. Trata-se em geral de movimentos dispersos, de infiltrações pacíficas em regiões pouco habitadas. Mas em vários lugares, os recém-chegados devem guerrear contra as cidades cananeias, que tentam detê-las. As vitórias israelitas são compreendidas como novas provas da intervenção do Senhor, que dá a seu povo a “boa terra” prometida a seus antepassados. Entre os chefes de tribos que se destacaram nas batalhas, a Bíblia conservou sobretudo Josué, chefe de Efraim, que parece ter desempenhado um papel importante no reagrupamento das tribos, tanto das que vinham do Egito como das que já estavam instaladas na Transjordânia e na Galileia. Israel é, de agora em diante, um povo constituído, embora sua estrutura política ainda seja muito maleável.
A “federação” das tribos pouco a pouco toma consistência no decorrer dos séculos XII e XI a.C., porque devia resistir a diversas ameaças: assaltantes nômades, reinos da Transjordânia, cidades cananeias. O perigo principal vinha dos filisteus, desembarcados nas costas da Palestina no início do século XII a.C., que se apresentavam como os concorrentes mais sérios de Israel na posse da Palestina. Durante muito tempo, as tribos se contentam com alianças defensivas, limitadas e temporárias, sob a conduta de chefes inspirados aos quais se dava o título de “Juízes”. Mas tendo a ofensiva filisteia se tornado mais ameaçadora, as tribos decidem reforçar a coesão pondo à sua frente um rei, conforme o modelo dos povos vizinhos.
c) A monarquia. Após o fracasso do reinado de Saul, o judeu David é reconhecido como rei por todas as tribos, pouco antes do ano 1000 a.C. (2Sm 5). David repele os filisteus para a costa e empreende uma série de guerras ofensivas contra os arameus; chegará a impor sua dominação a todos os estados vizinhos até o norte da Síria. Ao mesmo tempo, começa a organizar o Estado. Instala a capital em Jerusalém e para lá transfere a arca da aliança, centro do culto comum às tribos.
É a seu filho Salomão que compete concluir a organização do reino com a criação de um aparelho administrativo e de um exército permanente bem-equipado. Salomão desenvolve o tráfego comercial, que propicia ao país um rápido enriquecimento e enseja ao jovem reino um lugar invejável em meio às nações. Ele multiplica as construções em Jerusalém e em todo o reino. Sua obra mais importante é a construção do templo de Jerusalém (1Rs 6-8), centro de reunião das tribos, no qual Israel vê o sinal da presença permanente do Senhor no meio de seu povo, a prova de que o povo de Deus está constituído e estabelecido em solo próprio. O fim do reinado de Salomão foi, contudo, marcado por séries reveses (1Rs 11).
O filho de salomão, Roboão, não era capaz de governar o estado, apenas aparentemente unificado. Revoltadas por um despotismo oneroso, as tribos do centro e do norte provocam a secessão, em 933 a.C., e se constituem em estado independente, o reino de Israel. Isoladas no sul, as tribos de Judá e de Benjamin continuam fiéis ao descendente de David no reino de Judá. Durante dois séculos, o povo de Israel estará dividido em dois estados mais ou menos rivais.
Constituído pelas regiões mais ricas e mais povoadas do pais, o reino do Norte conheceu períodos brilhantes, especialmente sob Omri (886-875), o fundador de Samaria, sob Acab, sob Jeroboão II. Mas, minado por uma instabilidade dinástica crônica, não teve meios para se opor à expansão assíria. Foi varrido pela ofensiva de Tiglat-Piléser em 738 a.C.; a última resistência foi quebrada em 722-721 a.C., entre a tomada de Samaria. Parte da população foi deportada, e o território do reino tornou-se província assíria.
O reino do Sul, pobre, cercado por vizinhos hostis, não podia desempenhar um papel importante e parece ter sido bastante influenciado pela política egípcia. Logrou, no entanto, conservar seu lugar no meio das nações sob reis como Asá, Josafat, Ezequias, que teve de recolher o que restou do reino do norte, e Josias, a quem Judá deve seu último surto de independência. Mas após um prazo de pouco mais de um século, foi a vez de o pequeno reino ruir: os babilônios de Nabucodonosor arrasam Jerusalém e deportam parte de seus habitantes (587 a.C.).
Dispersos por toda a Mesopotâmia ou refugiados no Egito, os israelitas muitas vezes se assimilaram aos povos que os acolheram. Mas alguns grupos de origem judaísta souberam manter a coesão e preservaram uma vida religiosa própria: a organização que deram a suas comunidades foi a origem das sinagogas. Para esses grupos, o exílio foi a ocasião de refletir profundamente sobre a vida de seu povo e de fazer o balanço da História de Israel, vários livros da Bíblia são fruto dessa meditação.
Mas os profetas não esperaram o fim do reino de Judá para expressar um juízo de valor sobre os fatos que estavam ocorrendo. Ensinaram o povo de Deus a ver a obra do Senhor em todos os acontecimentos, tanto os mais gloriosos como os mais trágicos. Nas catástrofes que, a partir do século VIII a.C., se abateram sobre os dois reinos, reconheceram as consequências das infidelidades cometidas pelo povo contra Deus: culto aos deuses estrangeiros e injustiça social. Mas deixaram entrever igualmente o retorno do povo infiel à graça e delinearam perspectivas de esperança.
d) A comunidade judaica. Com efeito, menos de 50 anos após a queda do reino de Judá, a situação se inverte: o império babilônico desmorona sob os golpes dos persas. Um decreto de Ciro, em 538 a.C., autoriza a reconstrução do Templo de Jerusalém, ao redor do qual se reagrupam os judeus que retornaram do exílio. É apenas uma pequena comunidade, que cresce lentamente em meio a numerosas dificuldades. Ela deve enfrentar especialmente a hostilidade dos que ficaram na região e ocuparam a terra. Neemias e Esdras, no século V a.C., dão-lhe uma organização definitiva. Sem influência no domínio político, ela deixou profundas marcas no âmbito religioso. Foi no decorrer desse período que a maior parte dos livros do Antigo Testamento recebeu a foma final.
Em 333 a.C., Alexandre Magno pôs fim à dominação persa e assegurou, no terreno político, a vitória do helenismo. Incorporada ao Império Macedônico, a terra de Israel terá de sofrer muitas vezes por causa das lutas entre os sucessores de Alexandre. Durante um século e meio, a comunidade judaica viverá em paz geral com o mundo grego. Mas em 167 a.C., o conflito explode: Antíoco IV quer abolir o estatuto particular de Jerusalém e lança o interdito sobre as práticas judaicas na Palestina. Os irmãos macabeus desencadeiam uma insurreição armada, que acaba por ser vitoriosa. Simão Macabeu, reconhecido como sumo sacerdote, obtém a independência para a Judeia (141 a.C.). Durante quase um século, seus descendentes, os hasmoneus, que se tinham arrogado o título de reis, mantiveram a situação, à qual os romanos puseram fim em 63 a.C., quando Pompeu se apoderou de Jerusalém e fez da Judeia uma província romana (cf. Introdução ao Novo Testamento).
No decorrer desse período, a comunidade judaica se separa progressivamente dos samaritanos que, vivendo em redor do santuário de Siquém, herdaram das tribos do centro algumas tradições opostas às de Jerusalém.
As invasões assírias, no século VIII a.C., dispersaram bom número de israelitas na Mesopotâmia, no Egito e em outros países. Muitos não retornaram à Judeia, depois de 538 a.C. A unificação de numerosos povos sob a dominação grega favoreceu um movimento de emigração através de todo o Oriente Próximo e em torno da bacia do Mediterrâneo, especialmente no Egito. Desde o século II a.C., Alexandria conta mais judeus do que a Judeia. Ao mesmo tempo, desenvolve-se um intenso esforço de propaganda, que levará ao judaísmo muitos convertidos, os “prosélitos”. Todos esses judeus residentes no estrangeiro constituem a diáspora (dispersão), muito mais numerosa do que a população da Palestina, metade da qual, aliás, não era judaica. Agrupados ao redor de sinagogas e, apesar da distância, muito apegados a Jerusalém e ao Templo, esses judeus partilham ao mesmo tempo a vida dos povos em meio aos quais residem. Eles contribuíram para dar ao judaísmo um semblante novo e o prepararam para superar a grande provação que foi, em 70 d.C., a guerra contra os romanos, que terminou com a ruína do Templo e, após uma derradeira resistência com Bar-kokbá (em 135), com a supressão da nação judaica.

2. As nações em torno de Israel. No decorrer dos séculos, o Crescente Fértil foi o lugar de migração de numerosos povos de proveniência, cultura e religião diversas. Israel esteve em contato mais ou menos estreito com muitos dentre eles.
a) Vizinhos imediatos. Eram pequenos estados, cujos habitantes tinham mais ou menos a mesma origem que os israelitas.
No sudeste, os edomitas ocupavam o maciço de Seir, o vale da Arabá e a região de Petra. Mais ao norte, encontrava-se o reino de Moab (a leste do mar Morto), depois o reino de Amon (cf. A atual Amã). Na fronteira norte, Israel encontrava os reinos arameus (Damasco, Hamar). Apesar de os conflitos com esses países terem sido crônicos, Israel considerava que seus povos tinham com ele um parentesco, expresso nas genealogias: Amon e Moab eram os sobrinhos-netos de Abraão, Edom (Esaú) era o irmão de Jacó, o arameu Labão era tio e sogro de Jacó.
No noroeste se encontravam os fenícios, marinheiros e comerciantes que, durante toda a Antiguidade, sulcaram os mares, estabelecendo feitorias e colônias às margens do Mediterrâneo. Biblos, Sidom e Tiro foram periodicamente as capitais deste pequeno reino, derradeiro resto dos estados cananeus vencidos pelos israelitas e os filisteus. Com população muito mesclada, Canaã tinha, no entanto, certa unidade cultural e religiosa, contrastando com o esfacelamento político da região. Falava-se aí uma única língua, o cananeu, cuja forma antiga só se pode perceber graças a algumas glosas de tabuletas babilônias de Tell el-Amarna. A civilização e a religião de Canaã não são conhecidas pelo testemunho direto dos textos. Mas se admite que elas se assemelhavam, no essencial, com as que revelaram os documentos de Ras Shamra, na Síria do Norte, redigidas no século XVI a.C., numa língua chamada ugarítica.
No sudeste, enfim, residiam os filisteus, chegados à costa pouco depois da época da instalação das tribos de Israel. Sua religião e costumes diferiam nitidamente das religiões e costumes dos povos do Crescente Fértil, enquanto se assemelhavam aos de Creta e da Grécia. Para Israel, eram os estrangeiros por excelência.
b) Grandes potências. Israel tinha problemas não só com esses pequenos estados, mas também com as grandes potências que periodicamente dominavam o Oriente Próximo. Em raros períodos, a fraqueza dessas potências permitia à Palestina dispor de si mesma; David aproveitou-se de uma situação dessas para fundar seu reino. Mas, na maior parte do tempo, a Síria e a Palestina estavam submetidas à pressão de seus grandes vizinhos.
Primeiramente o Egito, que, por volta de 3000 a.C., já era um grande estado, com civilização bastante evoluída. Estendido ao longo do Nilo, estava voltado para a África (a Núbia, ou Etiópia), mas mais ainda para a Europa e a Ásia. Todo o tempo, os faraós procuraram dominar a Palestina que, durante longos séculos, foi província egípcia ou protetorado: quase todos os reis de Judá foram aliados ou satélites do Egito. Isso explica uma influência cultural prolongada que deixou na Bíblia traços importantes (em particular aos livros sapienciais).
Depois, a Mesopotâmia: Ela foi sempre um mundo complexo: todas as raças se entrecruzavam aí, os impérios se sucediam combatendo-se. O primeiro império mesopotâmico a dominar a Palestina foi o reino assírio, que começou sua expansão para o oeste no século IX a.C. Assolou o reino de Israel entre 735 e 721 a.C., enquanto o reino de Judá devia prestar-lhe vassalagem. A potência assíria, definitivamente vencida em 608 a.C., deu lugar a um reino babilônico governado pelos caldeus (arameus orientais). Nabucodonosor impôs sua dominação a quase todo o antigo império assírio e esmagou definitivamente o reino de Judá em 587 a.C. Em 539 a.C., o rei da Pérsia, Ciro, pôs fim a esse império, cujas província incorporou a um império muito mais vasto, que se manterá por mais de dois séculos. O governo persa se mostrará tolerante para com as culturas e as religiões das etnias que dominava. Neste quadro, a comunidade judaica pôde se reconstituir e prosperar.
Mas, muito antes de confrontar-se com as potências políticas da Mesopotâmia, a Palestina já tinha relações prolongadas com esse foco de civilização. Desde 3000 a.C., pelo menos, a Baixa Mesopotâmia fazia sentir sua influência em toda a extensão do Crescente Fértil. Dominada sucessivamente pelos sumérios (Ur, Lagash), os acádios (Acad), os amorreus (Babilônia, Mári), os hurritas (Nuzi), os assírios (Nínive), os caldeus, os persas e outros ainda, a Mesopotâmia teve uma tradição constante e bastante homogênea. A criação do império persa acrescentou a essa influência a contribuição dos povos indo-europeus do Irã.
Vem, por fim, o mundo grego. Desde o ano 2000 a.C., Canaã sofria a influência da civilização egéia, influência que cresceu ainda mais a partir da época da dominação persa. Ela se torna particularmente forte no século IV a.C.: em alguns anos, o macedônio Alexandre construíra um império que ia do Adriático ao Indo. Com sua morte, em 323 a.C., o império foi dividido entre seus generais. A Palestina pertenceu primeiramente ao estado dos ptolomeus, que dominava o Egito (Alexandria), depois ao estado dos selêucidas (Antioquia), que recobria a Síria e a Mesopotâmia. Embora pertencessem à mesma civilização, chamada helenística, esses dois estados estavam em perpétuo conflito, e a Palestina mudou várias vezes de senhorio. Mas não foi apenas porque os gregos ocupavam o território que Israel se deparou com essa cultura: uma população numerosa helenizada se tinha instalado na Palestina no curso do século III a.C. No entanto, nessa época, o judaísmo, havia muito tempo, afirmara sua personalidade, e a influência grega só o tocou talvez bastante superficialmente. E não sem lutas Obs.: “Para efeito de história – registro – sito os apócrifos (1 e 2Mc), somente”. A influência helenística atingiu mais os judeus da diáspora, embora neles também as referências fundamentais fossem sempre as da cultura e da religião de Israel.

C) O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento não é a totalidade da literatura produzida pelo povo hebreu. É o resultado de uma seleção de livros aos quais se reconhece autoridade e que são, por isso, chamados canônicos (a palavra Kanôn em grego significa “Regra”).
Sobre a formação do cânon do Antigo Testamento, remetemos o leitor à introdução aos livros deuterocanônicos. (OBS.: “sendo o meu entender, somente para estudo histórico. Sendo que nesse sentido, entra os livros apócrifos – NÃO INSPIRADOS POR DEUS!”).

D) O TEXTO DO ANTIGO TESTAMENTO E SUA TRANSMISSÃO

I – A língua do Antigo Testamento
Os livros do Antigo Testamento foram escritos essencialmente em hebraico. Essa língua semítica – apresentada, portanto, com o árabe e o babilônico – é bastante diferente das línguas europeias. Para compreender certas notas, talvez seja útil conhecer algumas de suas características, que são as mesmas para o aramaico, língua de alguns textos do Antigo Testamento.
– A maior parte das palavras (verbos e substantivos, por exemplo) é formada a partir de “raízes” caracterizadas por consoantes (habitualmente três, o único elemento a ser escrito, ao menos no princípio). As vogais (variáveis) e um certo número de prefixos e sufixos servem para indicar as funções gramaticais: gênero e número dos nomes, modos dos verbos etc. Assim, a raiz brk, que exprime a ideia de benção, pode tomar formas tais como: barek = abençoar, berak = ele abençoou, beraku = eles abençoaram, yebarek = ele abençoará, baruk = abençoado, beruká = abençoada, beraká = bênção.
Como o contexto é que determina o sentido das palavras, geralmente é fácil constatar na leitura quais vogais devem figurar em cada palavra: por isso, essa escrita abreviada (sem vogais) foi suficiente para o hebraico durante o tempo em que permaneceu uma língua viva. Quando deixou de ser falada pelo povo, foram criados diversos sistemas para a notação das vogais.
 Nos verbos, o hebraico exprime sobretudo o aspecto da ação: as noções temporais de passado, presente, futuro nas quais se desenrola a ação são indicadas pelo contexto. A forma verbal descreve a ação como realizada ou não-realizada. A ação realizada corresponde geralmente ao passado (perfeito ou mais-que-perfeito), mas pode também ter valor para o futuro, se se olhar a ação em sua totalidade como uma realidade acabada. A ação não-realizada vale sobretudo para o futuro, mas também para o presente e o passado, quando a ação continua ou se repete (imperfeito). De fato, só o contexto permite saber se ação está no passado ou no futuro, mais o próprio sentido do contexto nem sempre é evidente, o que explica numerosas divergências entre as diversa traduções da BÍBLIA.
 Como toda língua, o hebraico possui certo número de expressões idiomáticas: para falar do santo Templo de Deus, o hebraico diz “o Templo de sua santidade”; para descrever alguém que empreende uma viagem, o hebraico diz: “levantou-se e foi”; para apresentar-se diante de Deus o hebraico diz: “vir ante a face de Deus”.
As primeiras traduções gregas da Bíblia transpuseram numerosas expressões desse gênero, bem como outros hebraísmo. Desse modo criaram uma língua particular: o grego bíblico, utilizado no Antigo Tesamento grego e ao Novo Testamento. A escritura é quase a mesma do grego que se falava em toda a bacia do Mediterrâneo entre o século II a.C., e o século I de nossa era; mas muitas palavras tomaram um sentido especial, e esse idioma utiliza figuras próprias ao hebraico ou aramaico.

II – A TRANSMISSÃO DO TEXTO

1. Os livros transmitidos em hebraico (ou em aramaico)
a) O texto massorético. Os livros que o povo judeu, no fim do século I d.C., considerou como livros santos (Bíblia judaica, Antigo Testamento dos protestantes, livros protocanônicos do Antigo Testamento para a Igreja católica) foram conservados em sua língua original (aramaico para uma grande parte de Daniel e algumas passagens de Esdras, hebraico para todo o resto).
Chama-se texto massorético a forma textual oficial definitivamente fixada no judaísmo por volta do século X d.C., época na qual floresciam em Tiberíades, na família dos bem Asher, os mais celebres massoretas (= transmissores e fixadores da tradição textual). O mais antigo manuscrito “massorético” que possuímos foi copiado entre 820-850 d.C., e contém apenas o Pentateuco. O mais antigo manuscrito completo, o códice de Alepo – hoje, infelizmente amputado -, foi copiado nos primeiros anos do século X d.C. Nossas Bíblias hebraicas modernas reproduzem esse texto tal como foi copiado no manuscrito B 19a (L), de Leningrado (c. 1800).
O fato de a escrita hebraica anotar de modo preciso apenas as consoantes tornou ambíguos certos textos bíblico. Por volta do século VII d.C., encontrou-se um meio preciso para anotar as vogais e para indicar a vocalização tradicional das frases e membros de frases, graças a um sistema complexo de pontos e de traços que acompanham o texto consonântico. Assim se fixou por escrito uma tradição de leitura e de exegese desenvolvida no judaísmo no curso da primeiro milênio de nossa era e da qual os targumin (traduções aramaicas da Bíblia hebraica) são as testemunhas fiéis. Resquícios de algumas traduções gregas realizadas sob a influência do rabinato no curso dos dois primeiros séculos (as de Teodocião, de Áquila e de Símaco) permite remontar ainda mais longe na história desta tradição de exegese.
b) O texto protomassorético e as formas textuais não-massoréticas. O texto consonântico que serviu de base para a atividade das massoretas (= texto protomassorético) já suplantado no judaísmo todas as outras formas textuais rivais pelo fim do século I d.C.
A partir de 1947, foram descobertas, às margens do mar Morto, em grutas ao redor da ruína de khirbet Qumran, alguns rolos de livros bíblicos quase completos e de milhares de fragmentos abandonados no século I de nossa era. Isso permitiu constatar que, na época de Jesus, circulavam na Palestina certo número de livros bíblicos em formas textuais por vezes divergentes do texto protomassorético. Conheciam-se já, antes da descoberta dos manuscritos de Qumran e do Deserto de Judá, algumas formas não-massoréticas do texto do Antigo Testamento: por exemplo, aquele que a comunidade dos samaritanos conservou para o Pentateuco, ou então o que serviu de base para a antiga tradução grega dos Setenta (Septuaginta). Estas duas últimas formas textuais, apesar de conservadas em manuscritos mais recentes que os manuscritos do Deserto de Judá, remontam aos três últimos séculos antes de Cristo.
Em todas essas formas do texto pré-massorético podemos encontrar por vezes um texto mais claro e inteligível do que o massorético. Daí a tentação de muitos exegetas, sobretudo entre 1850 e 1950, de a elas apelar para corrigir o texto massorético nos trechos considerados alterados. c) Alterações textuais. É certo que determinado número de alterações diferenciam o texto proto-massorético do texto original.
 Por exemplo, o olho do copista saltou de uma palavra a outra semelhante, situada algumas linhas abaixo, omitindo tudo aquilo que as separava.
 Do mesmo modo, certas letras, sobretudo quando mal-escritas, muitas vezes foram mal-lidas e mal-reproduzidas, pelo copista seguinte.
 Ou então um escriba inseriu ao texto que ele copiava, e às vezes num lugar inadequado, uma ou várias palavras que encontrara à margem: termos esquecidos, variantes, glosas explicativas, anotações etc.
 Ou ainda alguns escribas piedosos pretenderam melhorar por meio de correção teológicas uma ou outra expressão que lhes parecesse suscetível de interpretação doutrinalmente perigosa.
Algumas dessas alterações podem ser detectadas e corrigidas graças às formas textuais não-massoréticas, quando estas se verificam isentas de alterações.
d) Crítica textual. Que forma de texto escolher? Noutras palavras, como chegar a um texto hebraico o mais próximo possível do original? Alguns críticos não hesitam em “corrigir” o texto massorético cada vez que ele não lhes agrada, seja por motivo literário, seja por motivo teológico. Por reação, outros se atém ao texto massorético, mas quando ele é manifestamente insustentável, procuram encontrar numa ou noutra das versões antigas uma variante que lhes pareça preferível. Esses métodos não são científicos, sobretudo o primeiro. São perigosamente subjetivos.
Atualmente, um melhor conhecimento da exegese targúmica e das literaturas antigas do Oriente Próximo permite explicar certas passagens até hoje obscuras.
Mas a solução verdadeiramente científica consistiria em fazer com a Bíblia hebraica o que se faz com o Novo Testamento e com todas as obras da Antiguidade: um estudo bastante minucioso do conjunto das variantes, estabelecendo “a árvore genealógica” dos testemunhos que possuímos – texto massorético, múltiplos textos de Qumran, Pentateuco samaritano, versões gregas da Septuaginta (com suas três revisões sucessivas), da Quinta (de Orígenes), de Áquila, de Símaco, de Teodocião, versões aramaicas dos targumin, versões siríacas peshitto, filoxeniana, siro-hexaplar, versões latinas antigas e Vulgata de Jerônimo, versões coptas, armênias etc. – e assim, sem nenhuma conjetura subjetiva, restabelecer o arquétipo à base de todas as testemunhas. Geralmente esse arquétipo remonta ao século IV a.C. Em alguns casos privilegiados (certas passagens das Crônicas), pode-se provar que o arquétipo assim obtido é o próprio original. Quase sempre o arquétipo está separado do original por um período mais ou menos longo, e então se está obrigado, para passar do arquétipo ao original, a recorrer a algumas conjeturas, com a aplicação prudente de princípios críticos bem estabelecidos.
Infelizmente, os textos de Qumran ainda não estão todos publicados, e o trabalho crítico exige tanta competência e pesquisa que ele levará ainda várias décadas.

2. Os livros transmitidos em grego. Fiel nesse ponto mais a Orígenes do que a Jerônimo, a presente tradução não quis manter o apego à tradição rabínica a ponto de eliminar os livros que, desde a fundação, as Igrejas herdaram do judaísmo de língua grega (classificados como deuterocanônicos na tradição “católica”). Pelo fato de os judeus de língua hebraica não os terem conservado na lista oficial de seus livros santos e de o judaísmo ter cessado de assegurar-lhes a tradição textual no curso do século I de nossa era, eles nos oferecem tradições textuais geralmente menos unificadas que, por vezes, perderam o enraizamento semítico de onde a maior parte deles surgira. As introduções a cada um deles justificam as escolhas textuais realizadas pelos colaboradores desta tradução. LIVROS APÓCRIFOS!

E) O SENTIDO DO ANTIGO TESTAMENTO

1. Para os judeus. Para ler a Bíblia (= “Lei escrita “), o judaísmo elaborou sua própria tradição interpretativa durante o período rabínico clássico, do século II a.C. Ao século VIII da nossa era. Primeiramente “Lei oral” ou “tradição dos antigos” (porque transmitida de mestre a discípulo sem a mediação escrita), essa tradição foi codificada e posta por escrito na Mishná (que, com o seu comentário, a Guemará, forma o Talmud) e nas diversas coletâneas midráshicas. Ela se desenvolve essencialmente sobre dois pontos: a interpretação livre e homilética, visando alimentar a reflexão religiosa (Hagadá) e a definição das regras de conduta cotidiana (Halaká). “Lei escrita” e “Lei oral”, texto de referência e interpretação ininterrupta, constituem a tradição religiosa viva do judaísmo.
Deixemos a palavra a dois autores judeus contemporâneos:
“Se existe uma coisa no mundo que mereça o atributo de divino, é a Bíblia. Há inúmeros livros sobre Deus. A Bíblia é o livro de Deus. Revelando o amor de Deus pelo homem, ela nos abriu os olhos, a fim de que pudéssemos ver que aquilo que tem um sentido para a humanidade é, ao mesmo tempo, o que é sagrado para Deus. Ela mostra como a vida de um indivíduo pode se tornar sagrada, e sobretudo, a vida de uma nação. Oferece sempre uma promessa às almas honestas quando perdem o ânimo, enquanto os que a abandonam vão de encontro ao desastre” (A. Heschel, Dieu em quête de I’ homme, Paris, Seuil, 1968, p. 263 [port: Deus em busca do homem, São Paulo, Paulinas, 1975]).
“A teologia judaica, ligando o universalismo da criação ao particularismo de Israel, confirma aquilo que toda a Bíblia ensina, a saber, que Deus se revela ao homem e que Israel está no centro da humanidade, criada à imagem espiritual de Deus: “Vós sereis para mim um povo de eleição entre todos os povos, um reino de sacerdotes, uma nação santa” (Êx 19,5-6); “Santos vos tornareis, pois Eu sou Santo, Eu, o SENHOR, vosso Deus” (Lv 19,2). {está, é uma das passagens mais bela que, no meu entender, acho mais linda e importante – Anselmo Estevan.}”.
“Compreende-se então que o judaísmo conceda a Bíblia o lugar mais eminente no ensinamento sinagogal, visto que ela é o “Livro da Aliança” que une Deus a seu povo (Êx 24,7), a carta que, em Abraão, tornou todo Israel bênção para todas as nações (Gn 12,3), de sorte que “a terra inteira reconheça um dia e proclame a Realeza e a Unidade de Deus” (Zc 14,9)” (A. Zaoui, Catholiques, juifs, orthodoxes à la Bíble, t. I, Paris, cerf, 1970, p. 76).

2. Para os cristãos. O Antigo Testamento só é antigo em relação ao Novo, isto é, a nova aliança instaurada por Jesus Cristo. Mas não se deve exagerar a diferença entre ambos, como se a antiga aliança e a literatura que dela dá testemunho tivessem caducado. Essa visão das coisas, que foi a de Marcião no século II, reaparece periodicamente na história da teologia. Ora, ela atinge mortalmente o próprio Novo Testamento.
a) O Antigo Testamento foi a única Bíblia de Jesus e da Igreja primitiva. Como livro da educação judaica, de algum modo, moldou a alma de Jesus. Este assumiu os valores do AT como fundamentos do seu evangelho: não veio para “ab-rogar” a Lei e os profetas, mas “para cumpri-los”. Cumpri-los era primeiramente levá-los a um ponto de perfeição no qual o sentido primitivo dos textos se superasse a si mesmo, para traduzir em sua plenitude o mistério do Reino de Deus. Cumpri-los era também fazer entrar na experiência humana o conteúdo real da promessa que polarizavam a esperança de Israel. Era desvendar o sentido definitivo de uma história ligada a uma educação espiritual, mostrando sua relação com o mistério da salvação, consumado pela cruz e ressurreição de Jesus. Era enfim dar à oração que aí se expressava uma riqueza de conteúdo que ultrapassasse os seus limites provisórios. Sob todos estes aspectos, Jesus cumpriu em sua pessoa as Escrituras que estruturavam a fé de Israel.
b) Por isso a Igreja apostólica encontrou nas Escrituras o ponto de partida necessário para anunciar Jesus Cristo. À luz da Pascoa, ela não somente rememorou os feitos e gestos de Jesus, a fim de compreender o seu sentido profundo; também releu todos os textos antigos que lhe recordavam a história preparatória, com suas peripécias contrastantes, suas instituições provisórias, seus sucessos e fracassos, seus pecadores e santos. Não se encontravam esboçados, anunciados e prefigurados já no Primeiro Testamento a mensagem de Jesus, sua missão redentora, a constituição e o mandato da Igreja? Por isso os livros do Novo Testamento, sem perder de vista as lições positivas contidas nos preceitos do Antigo, habitualmente reinterpretam os textos do AT para fazer emergir neles a presença antecipada do Evangelho. Dessa forma o Antigo Testamento pôde tornar-se a Bíblia Cristã, sem nada perder de sua consistência própria, antes adquirindo o estatuto de Escritura “consumada”.
c) Tal é a perspectiva na qual a primitiva teologia cristã foi construída, para explicitar o conteúdo do Evangelho e explicar que é Jesus, Messias judeu e Filho de Deus. As imagens de Adão e de Moisés, de David e do Servo sofredor, do Emanuel e do Filho do Homem vindo sobre as nuvens permitiram elaborar a linguagem fundamental da fé cristã. Certamente a linguagem do Novo Testamento apresenta diversidade notável. Mas, embora não despreze os recursos do universo cultural no qual viviam sem autores e leitores, foi tecido com as palavras e as frases da Escritura, as quais lhe conferem densidade. A relação entre Deus e seu povo, manifestação de sua graça e fidelidade , tomou assim sua verdadeira dimensão: tudo aconteceu a nossos pais “para servir de exemplo” e Deus quis que isso fosse consignado por escrito “para nos instruir, a nós a quem coube o fim do tempos” (1Co 10,11).
O Novo Testamento, que conseguinte, pôs as bases de uma leitura cristã do Antigo. Descoberta do Espírito sob o véu da letra. Revelação do sentido definitivo sob invólucros provisórios. Tal trabalho não se realizou, no decorrer dos séculos da história cristã, sem suscitar problemas complexos, que cada época formulou de modo novo. Herdeiros dessa tradição interpretativa, sempre orientada por uma visão de fé, vemos esses problemas se apresentarem a nós. Que pode haver de extraordinário nisso, uma vez que a Palavra de Deus veio até nós no meio de uma história verdadeiramente humana e sob a forma de palavras verdadeiramente humanas? Para além dessa história e desses textos, a Igreja se esforça por perceber a Palavra de Deus da qual é portadora, a fim de lhe responder na “obediência da fé”. Por isso é importante que a Escritura inteira se tenha transformando no tesouro comum das Igrejas, divididas por tantos dramas históricos. A obediência comum à única Palavra de Deus não é o indício mais seguro de uma unidade que se procura construir? É vivendo da mensagem bíblica, do modo como dela viveram os apóstolos, que os cristãos de hoje re-encontrarão o caminho da reunificação em Jesus Cristo.

O PENTATEUCO

INTRODUÇÃO

Unidade e diversidade do Pentateuco. Os primeiros livros da Bíblia formam o que se chama, na tradição cristão – grega, depois latina – o Pentateuco. É uma palavra grega que designava os “cinco estojos” que encerravam os volumes ou rolos, as cinco partes daquilo que se chama em hebraico a Torá, palavra habitualmente traduzida por “Lei”; por isso dizia-se também para designar esse livros “os cinco quintos da Lei”. Fala-se ainda dos “cinco livros de Moisés”, pois, conforme a tradição, Moisés é o legislador, o intermediário pelo qual o povo de Israel recebeu a Lei.
A Torá de Moisés é composta de várias coletâneas de leis, cada qual com sua estrutura literária, histórica e social, e enquadrando grandes ciclos de narrativas que evocam os atos de Deus na constituição do povo.
Os títulos dos cinco livros do Pentateuco vêm do grego. Procuram dar uma ideia esquemática do conteúdo: as origens, Gênesis; a saída do Egito, Êxodo. O nome do Levítico corresponde ao papel dos filhos de Levi na legislação cultural, e dos Números provém do recenseamento das tribos; o Deuteronômio (em grego, a “segunda lei”) é como uma retomada, uma repetição da lei. A tradição judaica se contenta com designar cada um dos cinco livros pela sua primeira palavra hebraica.
A divisão em cinco partes não quebra a unidade do conjunto, manifestada pela continuidade de um livro noutro. Dessa forma, o livro do Êxodo, inicia por uma breve recapitulação da genealogia de Jacó desenvolvida no cap. 46 do Gênesis e por uma retomada do último versículo do livro das origens. O Levítico prolonga a revelação da Lei a Moisés no Sinai, que principia em Êx 20 e não será concluído antes de Nm 10. Quanto ao Deuteronômio, é um discurso de Moisés, no qual ele renova o código de Êx 20-23, prevendo o tempo em que o povo, recém-instalado na Terra prometida, estará defronte ao risco de esquecer as exigências do seu Deus.
A atual divisão em capítulos, que data da Idade Média, pretende dar ao conjunto uma divisão mais ou menos regular para a comodidade da leitura e do estudo. As seções da leitura litúrgica judaica conheceram variações. Tampouco elas correspondem ao que se poderia considerar divisões naturais do texto, pois estas constituem seções de extensão muito variável. Por exemplo, a história de José ocupa vários de nossos capítulos (Gn 37 e 39-50); em compensação, o episódio da união dos anjos com as filhas dos homens ocupa apenas alguns versículos (Gn 6,1-4). Não se deve procurar no Pentateuco a composição rigorosa de um código moderno de leis ou de um tratado de teologia, e, apesar de seguir uma ordem cronológica, também não é um manual de história.

A lei e a história. Muitos textos narrativos do Pentateuco têm por finalidade valorizar uma lei: é assim que o episódio do bezerro de ouro (Êx 32,34) liga a ordem de partida do Sinai para a Terra prometida e a formulação da aliança com o preceito: “Não farás para ti deuses em forma de estátua” (Êx 34,17). Outros relatos justificam uma instituição: p. ex., a revolta de Qôrah, Datan e Abirâm (Nm 16,17) explica a escolha da família de Aarão para desempenhar as funções sacerdotais. Embora o Gênesis seja mais narrativa e o Levítico mais legislativo, é no Gênesis que se encontra a lei-instituição da circuncisão, não relatada alhures (Gn 17,9-14), e é no Levítico que se lê a narrativa da investidura sacerdotal de Aarão (Lv 8 e 9). A tradição judaica é mais sensível ao aspecto legislativo da Torá; a tradição cristã muitas vezes conservou mais os aspectos narrativos, a ponto de ver neles uma história da humanidade salva por Deus. A análise literária permite, em certa medida, distinguir diferentes “gêneros”, e o conhecimento dos documentos do Oriente Próximo antigo ajuda a caracterizá-los (código penal, legislação matrimonial, genealogia etc). Mas o trabalho de análise, por si só, não daria conta da perspectiva de conjunto, a imbricação de textos de gêneros tão diferentes é deliberada, significativa; não há leis e narrativas, mas uma lei que é, ao mesmo tempo, história e a lei do povo escolhido constituído por Deus.

Uma composição por etapas. Sem perder de vista a unidade de conjunto do Pentateuco, o leitor atento se surpreenderá com certos aspectos literários que traem uma composição complexa. Longe de empobrecer a leitura, essa atenção dispensada à diversidade de estilos e testemunhos contribui para desvelar os cinco livros como uma suma na qual se fixaram as confissões de fé de Israel, cada qual à sua maneira, no decorrer dos séculos.
Dessa forma, certos textos legislativos se repetem em contextos diferentes: O Decálogo é dado duas vezes (Êx 20; Dt 5); o ciclo das festas, quatro vezes (Êx 23; 34; Lv 23; Dt 16). O mesmo vale para as narrações: uma dupla narrativa da criação (Gn 1,1-2.4a; 2,4b-25), da expulsão de Hagar (Gn 16 e 21), da vocação de Moisés (Êx 3-4 e 6,2ss.) etc. Não se trata de simples repetições. Cada um dos textos paralelos possui uma marca original. O mandamento do shabbat, por exemplo, se funda tanto na evocação da criação (Êx 20,9-11), como na da saída do Egito (Dt 5,12-15); essas duas motivações para um mesmo mandamento possuem a mesma autoridade, mais decorrem de intenções diversas, que merecem ser resgatadas. O fenômeno é particularmente nítido na história do patriarca que faz a própria mulher passar por sua irmã aos olhos de um rei. Ela aparece três vezes. Em Gn 12 e 20, é aplicada a Abraão e Sara; em Gn 26, a Isaac e Rebeca. Também pode acontecer que uma narrativa desdobrada desse modo se apresente não só sob a forma de duas narrações distintas, mas como uma única narração na qual duas tradições se mesclam a narrativa do dilúvio (Gn 6,5-9.17). O caráter compósito desse texto é evidente, pois as diferenças de estilo saltam aos olhos. Bastaria perceber as diferenças nas indicações numéricas: dois animais de cada espécie (6.19) ou sete (7,2); quarenta dias de inundação (7,17) ou cento e cinquenta (7,24).
Diversidade literária aparece também no nível do estilo e das peculiaridades de vocabulário. A mais evidente é o emprego de diversos nomes divinos, particularmente óbvia nas narrativas paralelas. Uma das duas narrativas da expulsão de Hagar, por exemplo, fala do Senhor (YHWH, Gn 16,3-14), enquanto a outra emprega o nome comum para designar Deus (Elohim, Gn 21,9-19). A esse primeiro critério – que serviu de chave para que a análise literária identificasse a origem diversa das tradições – acrescentou-se outras divergências: a montanha da revelação ora é o Sinaí (Êx 19,1; Nm 10,12), ora o Horeb (como sempre em Dt, mas já citado em Êx 3,1; cf. Nota); os antigos abitantes da região são os cananeus (Gn 12,6) ou os emoritas (Dt 1,19, nota). Essas diferenças, entre muitas outras, sobretudo as que se combinam, evidenciam hábitos de linguagem próprias e certos grupos religiosos por meio dos quais os dados da tradição foram transmitidos. O estilo caloroso das exortações do Deuteronômio contrasta com o caráter técnico das prescrições rituais de Lv 1-7, assim como se choca com a forma lapidar dos mandamentos de Lv 19, onde o próprio Deus exige obediência, pois, é ele que diz: “Eu sou o Senhor, vosso Deus”. Tantas particularidades de estilo não se explicam apenas pela diferença de objetos tratados, mas também pelas maneiras distintas de confessar e de viver a fé no Deus único.
Num plano mais artístico, enfim, pode-se comparar a extrema sobriedade de uma narrativa como a da vocação de Abraão (Gn 12,1-4) com o romance pitoresco do casamento de Isaac e Rebeca (Gn 24) ou as aventuras de José (Gn 37; 39-50).
Todos esses fenômenos literários deixam transparecer um longo processo de composição, até se chegar ao conjunto acabado e definitivamente fixado. Na origem, os santuários, os lugares de peregrinação constituíam núcleos em redor dos quais se perpetuavam as tradições orais de tribos ou de grupos de tribos. Todos vinham a eles para celebrar os grandes feitos da história da salvação a Páscoa com a recordação do Êxodo, as Tendas com a recordação da estada no deserto. Os sacerdotes, guardiães e interpretes das leis da aliança herdeiros da tradição mosaica, velavam pela salvaguarda e transmissão das tradições particulares que, pouco a pouco, se agruparam em ciclos ou conjuntos mais vastos, à medida que se estreitavam os laços entre as tribos. À medida que se afirmava a unidade religiosa de Israel, esta supunha a formação de uma síntese ainda mais ampla, que traçasse o destino inteiro do povo a serviço de seu Deus. Tradições religiosas e tradições literárias resultaram assim na formação do nosso Pentateuco: deixaram traços ainda visíveis, graças aos quais se pode ter uma ideia das etapas dessa história, e que dão testemunho da fidelidade da redação final a essas tradições venerandas.
Pode-se comparar o Pentateuco em sua redação final a um terreno de aluvião criado por um rio provindo de uma vasta bacia hidrológica, cujas camadas sucessivas conservam vestígios de sua origem particular. É incumbência da análise literária identificar essas contribuições diversas e ensaiar hipóteses sobre o meio de origem das camadas no seio do povo de Israel, assim como as circunstâncias de sua fixação literária.
Hoje se concorda em reconhecer que quatro correntes principais contribuíram para a formação do conjunto, cada uma das quais projetando sua própria perspectiva sobre a história da aliança e de suas instituições.

A tradição sacerdotal (P). A camada literária mais facilmente identificável é a que dá ao Pentateuco sua atual estrutura geral. Estende se da narrativa da criação do mundo em sete dias (Gn 1,1-2,4a) à morte de Moisés (Dt 34,7-9) e organiza a história em torno a uma sequência de genealogias (Gn 5,1 e notas). Ela passa pelo dilúvio e a aliança com Noé (Gn 9) para alcançar a aliança com Abraão (Gn 17). Além dos patriarcas e da revelação do nome divino a Moisés (Êx 6), ela narra a saída do Egito, depois se detém demoradamente na revelação da lei e das instituições culturais por intermédio de Moisés no Sinai (Êx 25 a Nm 10). As características mais marcantes de seu estilo são as repetições, genealogias, listas, e a predileção por tudo o que concerne ao culto e à liturgia. O interesse dessa tradição pelo santuário (Êx 25-31 e 35-40), pelos sacrifícios (Lv 1-7) e pelo clero constituído por Abraão e seus filhos (Lv 8-10) permite reconhecer nela o testemunho próprio do círculo dos sacerdotes, de onde a denominação de tradição sacerdotal que lhe foi dada, simbolizada pela inicial P (de Priestercodex, código sacerdotal). Por muito tempo considerada proveniente da corrente mais antiga da tradição – notadamente porque é ela que serve de fio condutor a todo o Pentateuco –, sabe-se hoje que essa camada é a de fixação mais recente, embora transmita certo número de materiais antigos. Com efeito, a imagem que ela reproduz das instituições culturais corresponde à organização da comunidade pós-exílica. Na verdade, foi de acordo com essa forma da tradição que a comunidade judaica se reconstituiu depois da grande ruptura do exílio. Foi esse texto que certamente serviu de fundamento para a reforma de Esdras (Ne 8; comparar Ne 8,18 a Lv 23,36). Baseando-se em uma longa tradição oral, ela pode ter sido redigida pelos sacerdotes de Jerusalém durante o exílio na Babilônia, em vista da restauração do culto no templo reconstruído. Ela dá testemunho de que Deus é senhor do universo inteiro, que todo homem foi criado a sua imagem para servi-lo e adorá-lo. Deus firmou aliança com toda a humanidade por meio de Noé, depois escolheu Abraão para que ele viesse a ser o pai de uma multidão de nações e fez aliança com ele. No seio de sua descendência, Deus separou os levitas, e dentre eles Aarão e sua linhagem, para oferecer o culto em nome de todo o povo. É no santuário sobre o qual repousa a graça divina que se realiza o encontro salvífico entre Deus e os homens, graças à mediação de Moisés e do sumo sacerdote Aarão.
Esta sucessão de alianças concêntricas confere ao conjunto do Pentateuco sua majestosa ordenação, mas não se deve perder de vista que se trata de uma visão super elaborada e relativamente tardia da história das origens. Não é de causar surpresa que um documento-programa desses tenha sido utilizado para o arremate redacional de todo o Pentateuco, com o enquadramento e reorganização dos materiais mais antigos da tradição.

A tradição deuteronômica (D). Uma segunda camada é facilmente resgatável – porque não se mescla facilmente com as outras e se caracteriza por um estilo muito particular. É a tradição compilada no Deuteronômio, designada pela letra D. Centrada no ensinamento da lei, renuncia ao plano cronológico da uma história das origens. Seu gênero literário é o da pregação, com a conclamação à obediência, as exortações, ameaças e as promessas. As múltiplas prescrições da lei são articuladas com o mandamento central do amor a Deus (Dt 6,5 e notas). Mas a catequese da lei se refere constantemente aos eventos da história, dos quais ela ressalta a atualidade (Dt 1,10 e nota): a saída do Egito (Dt 16,3), a promessa de uma boa terra feita aos pais (Dt 4,31 e nota) e mesmo a criação do mundo (Dt 4,32 e nota). Ela evoca também o bezerro de ouro e as infidelidades do povo no deserto (Dt 9,7ss.), a fim de advertir Israel e de levá-lo a escolher entre a vida e a morte (Dt 30,15ss.).
A exigência de um santuário único (Dt 12) permite pôr essa obra literária em relação com a reforma do culto realizada pelo rei Josias em 622 a.C. (2Rs 22-23), ainda que o “livro da lei” – que é a sua base – seja provavelmente uma versão breve e primitiva do livro do Deuteronômio. A atenção reservada aos levitas (Dt 18,1-8) e seu papel de detentores da lei (Dt 33,8-11; 17,18) e de pregadores juntamente com Moisés (Dt 27,9) indicam que essa tradição é a mesma que se transmitia no círculo dos levitas dos antigos santuários do interior, porta-vozes do ensinamento de Moisés. Pode ser que ela tenha recebido sua primeira fixação escrita após a queda do reino do Norte (em 722 a.C.), entre os levitas do Norte refugiados em Judá, ou, de acordo com outra hipótese, entre os sábios agregados à corte de Jerusalém. Mas foi submetida a numerosos desenvolvimentos ulteriores, até o tempo do exílio (Dt 4,25ss.).
O longo trabalho de redação deuteronomista não atingiu apenas o Deuteronômio. Enriqueceu visivelmente várias passagens mais antigas do Êxodo (por exemplo. Êx 12-13; 32-33) e até do Gêneses (Gn 18,17-19), onde se podem reconhecer seu estilo e vocabulário. Alias, é nessa perspectiva que também se organizou a grande síntese da história subsequente, da entrada na terra à queda de Jerusalém, tal como registrada nos livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis, cujo prefácio se encontra nos três primeiros capítulos do Deuteronômio. Essa forma deuteronômica da tradição marcou profundamente o testemunho de todo o Antigo Testamento, com sua insistência no Deus único, na fidelidade à promessa, na eleição gratuita de um povo a quem ele dá terra e instituições, e cuja lei é para aqueles que a praticam fonte de vida e alegria.

Tradições mais antigas. Se agora lançarmos o olhar para os trechos mais antigos, veremos que o Pentateuco toma proporções mais modestas, traindo, embora, sua origem diversificada. As camadas aqui são mais difíceis de identificar, pois a redação definitiva deslocou-se parcialmente para integrá-las como peças que dão autoridade ao escrito. Suas características literárias levam a crítica a reconhecer aqui duas formas primitivas da tradição, uma das quais relativamente bem-conservada, enquanto a outra subsiste apenas em fragmentos esparsos.

A tradição javista (J). A primeira camada decorre da tradição que chama Deus por seu nome pessoal “YHWH” desde as origens (Gn 4,26). Por isso, ela se chama javista e é designada pela inicial J. A exemplo da camada sacerdotal, narra a história das origens a partir da criação do homem (Gn 2,4b-25) até a morte de Moisés (Dt 34,5-6). Suas primeiras páginas registram a história de Israel no quadro da humanidade criada para a vida (Gn 2), mas marcada pela recusa a escutar Deus (Gn 3) e pela violência (Gn 4). A paciência de Deus para com os homens pecadores é assegurada a Noé e a sua descendência (Gn 6-8), em vista de uma bênção que Deus promete a Abraão para todas as nações (Gn 12,1-4a). Os ciclos narrativos de Abraão e Jacó demonstram como a promessa se cumpre para aqueles que creem. A partir da missão de Moisés ante a sarça ardente (Êx 3), a camada literária J narra de maneira particular o enfrentamento entre Deus e Faraó, a saída do Egito, a travessia do mar (Êx 14) e alguns episódios da caminhada no deserto rumo ao Sinai, onde Moisés e os anciãos celebram com Deus uma refeição de aliança e recebem a lei, talvez sob a forma sintética do ritual de Êx 34,14-26. Essa camada se encontra ainda nas últimas narrativas da caminhada no deserto, do Sinai à Terra prometida (Nm 11ss.), e na história de Bilêam (4º oráculo Nm 24,15-19).
A narração javista conservou o caráter pitoresco e a variedade das tradições orais relacionadas a certos santuários e ao folclore do clã. Ela se caracteriza pelo estilo concreto, colorido cheio de margens, quase ingênuo de um contador de histórias (os filhos de Noé, Gn 9,18-27; a torre de Babel, Gn 11,1-9), que não hesita em falar de Deus em termos muito expressivos, como se estivesse falando de um homem: “Eles ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim ao sopro do dia”(Gn 3,8); “O Senhor fechou a porta atrás de Noé” (Gn 7,16); “Abraão percebeu três homens de pé perto dele” (Gn 18,2). A originalidade de J consiste em que suas múltiplas narrativas foram organizadas em uma história que vai da promessa a seu cumprimento. Não ocultando nenhum dos pecados do homem, nem sua condenação por Deus, essa narrativa dá testemunho dos atos de salvação de um Deus que dispersa sua bênção a Abraão e sua descendência, a fim de fazê-la atingir todas as nações da terra.
A origem e a data de fixação por escrito dessa corrente da tradição são muito discutidas. A redação pode até ter sido processada em várias fases. A dominação prometida para sempre a Judá sobre seus irmãos (Gn 49,10; cf. Gn 37,26) poderia indicar que a origem dessa tradição deve ser procurada em Judá, em meio próximo à monarquia davídica. O “dominador que surge de Jacó” (Nm 24,19) seria uma alusão a David ou a um de seus sucessores? A tradição “J” teria a intenção de fazer o Estado davídico recordar que, se ele se tornou uma nação inumerável (Gn 12,2; Sm 7,23; 1Rs 3,8), foi por favor de uma promessa divina, da qual agora ele deve ser portador em benefício dos outros povos da terra.

A tradição eloísta (E). Vários fragmentos narrativos, quase sempre combinados com a camada J, distinguem-se pela utilização do nome genérico “Elohim” para falar de Deus nas narrativas que precedem a revelação do nome YHWH. Daí o nome eloísta dado a essa camada, com a inicial E. Outras características literárias acompanham esta feição e permitem detectar importantes vestígios dessa corrente: a passagem de Abraão e Abimélek (Gn 20), o sacrifício de Abraão (Gn 22), provavelmente uma grande parte da história de José (cf. Gn 50,20), mas também a infância de Moisés (Êx 2), a revelação do Nome (Êx 3,14), e a visita de Iitrô (Êx 18). Aparentemente, é dessa camada que deriva a mais primitiva coletânea das leis do Pentateuco, o “Código da aliança” (Êx 10,23-23.33). A partir daí, o rastreamento se complica, a ponto de ser necessário renunciar a isolar E da camada J.
Algumas narrativas trazem uma perspectiva particular: insistem na distância entre Deus e o homem. É necessário que um anjo intervenha, ou mesmo um homem (Gn 22,11-18; 32,23-33), para evitar que o próprio Deus se imiscua em uma atividade exclusivamente humana, o que às vezes confere a Deus um aspecto temível. A atitude justa do homem perante Deus é aqui frequentemente expressa pelo termo “temor”, que significa, ao mesmo tempo, a relação de intimidade e de obediência (Gn 20,11; 22,12). Ora esse termo é característico da piedade dos círculos próximos aos profetas Elias e Eliseu (Rs 18,3; 2Rs 4,1). A figura do profeta serve de modelo para descrever o papel de Moisés (Nm 11,25), ou mesmo o de Abraão (Gn 20,7). Alguns também atribuem a origem dessa corrente tradicional ao reino do Norte. Pode-se supor que a tradição E tenha sido compilada em Judá após a destruição do reino do Norte em 722 a.C. O último redator da narrativa J (que à vezes é chamado de jeovista = JE) teria integrado à redação elementos eloístas, sem que se possa afirmar se se tratava de passagens isoladas ou de uma obra coerente da qual ele sacrificara grande parte.

A composição definitiva do Pentateuco. A unidade do povo de Deus, fundada sobre a unicidade do próprio Deus, tornou indispensável a conjunção gradativa dessas diversas formas de tradição. Várias gerações de redatores se dedicaram a isso: eles remanejaram e retocaram o conjunto, mas a preocupação de nada desperdiçar da herança dos pais levou-os a respeitar, o mais possível, a especificidade dos testemunhos antigos.
Outras hipóteses foram elaboradas para explicar a composição do Pentateuco. Se alguns crentes defendem a opinião dos antigos, segundo a qual Moisés redigiu o Pentateuco inteiro, outros autores afirmam que a maior parte das coletâneas de lei se explicam sobretudo pela combinação de partes inicialmente independentes (a hipótese dos “fragmentos”). Outros ainda pensam que a coesão do conjunto como um todo postula a existência de um escrito fundamental, longamente ampliado depois (hipótese “dos complementos”). Não obstante, postas em debate todas essas perspectivas, a redação por camadas sucessivas parece ser hoje a hipótese mais pertinente, por explicar, ao mesmo tempo, a unidade e a diversidade do Pentateuco. Ela proporciona uma leitura em profundidade dessa vasta obra, põe em foco sua mensagem como abordagens diversas do mesmo mistério: J, mais psicológica; E, e mais preocupada em atentar a transcendência; P, mais atenta às realidades jurídicas e cultuais; D, valorizando a eleição e o amor.

Sentido religioso. A religião do Antigo Testamento, como a do Novo, é uma religião histórica: funda-se na revelação feita por Deus a determinados homens, em determinados lugares e circunstâncias, e nas intervenções de Deus em determinados momentos da evolução humana. O Pentateuco, que reproduz a história dessas relações de Deus com o mundo, é o fundamento da religião judaica e tornou-se seu livro canônico por excelência, sua lei.
Ali encontrava o israelita a explicação do seu destino. Não apenas tinha, no começo do Gênesis, a resposta às interrogações que todo homem se faz sobre o mundo e a vida, sobre o sofrimento e a morte, mas encontrava também resposta para seu problema particular: Por que (Yaohu) – YHWH, o Único, é o Deus de Israel? Por que Israel é seu povo entre todas as nações da terra? É porque Israel recebeu a promessa. O Pentateuco é o livro das promessas: a Adão e Eva após a queda, o anúncio da salvação longínqua; o Protoevangelho, a Noé depois do dilúvio, a certeza de uma nova ordem do mundo; e a Abraão principalmente. A promessa que lhe é feita é renovada a Isaac e a Jacó e interessa a todo o povo deles nascido. Essa promessa se refere imediatamente à posse do país em que viveram os Patriarcas, a Terra Prometida, mas implica outras coisas mais: significa que existem entre Israel e o Deus dos Pais relações especiais, únicas.
Pois Yaohu chamou Abraão e nessa vocação já se prefigurava a eleição de Israel. Foi Yaohu que fez dele um povo e deste povo seu povo, por uma eleição gratuita, por um desígnio amorável, concebido desde a criação e continuada através de todas as infidelidades dos homens.
Essa promessa e essa eleição são garantidas por uma aliança. O pentateuco é também o livro das alianças. Uma já é feita, embora tácita, com Adão; ela é explícita com Noé, com Abraão, com todo o povo, enfim, pelo ministério de Moisés. Não se trata de um pacto entre iguais, pois Deus não o necessita e é ele quem toma a iniciativa. No entanto, ele se compromete, se obriga de uma certa maneira pelas promessas que faz. Mas exige, em contrapartida, a fidelidade de seu povo: a recusa de Israel, seu pecado, pode romper o vínculo que o amor de Deus formou.
As condições dessa fidelidade estão reguladas pelo próprio Deus. Deus dá sua lei ao povo que escolheu para si. A lei ensina-lhe seus deveres, regula sua conduta conforme a vontade de Deus, e, mantendo a aliança, prepara o cumprimento das promessas.
Esses temas da Promessa, da Eleição, da Aliança e da Lei são os fios de ouro que se entrecruzam na trama do Pentateuco e continuam seu curso por todo o Antigo Testamento. Pois o Pentateuco não é completo em si mesmo: Menciona a promessa mas não a realização, já que termina antes da entrada na Terra Santa. Devia permanecer aberto como uma esperança e uma exigência: esperança nas promessas, que a conquista de Canaã parecerá cumprir (Js 23), mas que os pecados do povo comprometerão e que os exilados recordarão em Babilônia, exigência de uma lei sempre premente, que permanecia em Israel como uma testemunha contra ele (Dt 31,26).
Isso durou até Cristo, que é o termo para o qual tendia obscuramente essa história da salvação e que lhe dá todo o seu sentido. Paulo salienta o significado deste fato, sobre tudo em Gl 3,15-29. Cristo concluiu a Nova Aliança, prefigurada pelos pactos antigos e nela faz entrar os cristão, herdeiros de Abraão pela fé. Quanto à Lei, ela foi dada para guardar as promessas, como um pedagogo que conduz a Cristo, em que estas promessas se realizam.
O cristão não está mais sob o pedagogo, está libertado das observâncias da Lei, mas não de seu ensinamento moral e religioso. Pois Cristo não veio ab-rogar e sim levar à perfeição (Mt 5,17), o Novo Testamento não se opõe ao Antigo, prolonga-o. A Igreja não apenas reconheceu nos grandes eventos da época patriarcal e mosaica, nas festas e ritos do deserto (sacrifício de Isaac, passagem do mar Vermelho. Páscoa. Etc), As realidades da Nova Lei (sacrifício de Cristo, batismo, Páscoa cristã), mas a fé cristã exige a mesma atitude fundamental que os relatos e os preceitos do Pentateuco prescreviam aos israelitas. Mais ainda: em seu itinerário para Deus, toda alma atravessa as mesmas etapas de desapego, provação e purificação pelas quais passou o povo eleito, e encontra sua instrução nas lições que foram dadas a este.
Uma leitura cristão do Pentateuco deve seguir antes de tudo a ordem dos relatos: O Gênesis, depois de haver oposto às bondades de Deus Criador as infidelidades do homem pecador, mostra, nos Patriarcas, a recompensa concedida à fé; o Êxodo é o esboço de nossa redenção; Números representa o tempo de provação em que Deus instrui e castiga seus filhos, preparando a consagração dos eleitos. O Levítico poderá ser lido com mais proveito em conexão com os últimos capítulos de Ezequiel ou depois dos livros de Esdras e Neemias; o sacrifico único de Cristo tornou caduco o cerimonial do antigo Templo, mas suas exigências de pureza e de santidade no serviço de Deus continuam sendo uma lição sempre válida. A leitura do Deuteronômio acompanhará bem o de Jeremias, o profeta de que ele está mais próximo pelo tempo e pelo espírito.

A leitura cristã do Pentateuco. Com a dispersão do povo de Israel, o livro da Lei apareceu como fundamento de sua unidade, como aquilo que fazia dele um povo. A insistência recaiu sobre os aspectos jurídicos: é a fidelidade à Torá, a uma Lei reguladora da vida cotidiana, que permite aos judeus dispersos serem ainda um povo. Esta interpretação farisaica e rabínica não está fechada ao universalismo, mas seu universalismo centra-se no povo judeu e supõe a fidelidade à Lei. Nessa perspectiva, a atualidade da Lei é posta em evidência.
Ao lado da perenidade do judaísmo, a interpretação cristã abre-se o outro tipo de universalismo. Para o cristianismo, as promessas do Antigo Testamento já se realizaram, seu cumprimento deu-se em Jesus Cristo e a nova aliança consumou a antiga. A lei da primeira aliança aparece então como momento de uma história, e, com a abertura da Igreja aos pagãos, insiste-se na ideia de que a palavra de Deus se dirige ao mundo atravessando a continuidade da história. É uma etapa da constituição do povo de Deus, na qual não se deve parar, mas que se deve assumir até o pleno cumprimento.
Os dons de Deus não têm retorno. Por isso o povo judeu conserva aquilo que dele recebeu, mas não é o único a ouvir na Torá uma palavra de Deus. Os cristãos reconhecem a palavra de Deus encarnada em Jesus de Nazaré, que não veio abolir a lei, mas consumá-la (Mt 5,17). Na Lei, descobrem sua própria história. Eles também constituem uma comunidade a caminho, que vise da libertação realizada por Cristo no dia da Pascoa e da espera do reino de Deus. Eles sabem que sua vida está determinada por uma aliança, a aliança que Cristo selou para eles. Eles se alimentam da palavra de Deus e dos sinais de sua misericórdia e fidelidade. Os acontecimentos atestados pelo Pentateuco anunciam e prefiguram a obra que Deus realizou por Cristo na Igreja, do mesmo modo que as instituições da antiga aliança preparam e delineiam as instituições da nova. Para o cristão, o que se diz do Templo e da liturgia aplica-se ao corpo de Cristo, novo santuário sobre o qual resplandece a glória de Deus (Jo 2,21). É assim que o Pentateuco continua a ser uma fonte de vida para os homens de hoje, para aqueles que partilham a fé de Abraão e saúdam ao Cristo a consumação da promessa feita ao patriarca em favor da humanidade.

GÊNESIS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Moisés.
Propósito: Ensinar aos israelitas o propósito de Deus para eles como uma nação, tendo como pano de fundo o início do mundo e a vida de seus patriarcas.
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
 Embora o pecado tenha corrompido o mundo ideal que o Deus de Israel tinha criado, a redenção víria por meio do povo escolhido por ele.
 As vidas de Abraâo, de Isaque e de Jacó fornecem muitos vislumbres da natureza da aliança de Deus com o seu povo, bem como das esperanças deles quanto ao futuro.
 A vida de José e a de seus irmãos revelam como o povo de Deus deve se relacionar entre si e com o mundo.

Público original
O livro de Gênesis foi escrito para encorajar os israelitas enquanto estes enfrentavam inúmeros desafios ao deixar o seu passado de escravidão no Egito e seguiam para conquistar a Terra Prometida. As narrativas fornecem um prólogo para as responsabilidades que a nação enfrentaria nos dias de Moisés. Por exemplo, Gênesis enfoca, explicitamente, o ritual da circuncisão (17,9-14) e a observância do sábado (2,2-3). E, o mais importante, Gênesis relata as origens de Israel, remontando ao início da história da humanidade e ao conflito entre o reino de Deus e o reino da serpente – conflito no qual a nação de Israel teve um papel crucial. Gênesis também relata a escolha de Israel para uma aliança de relacionamento exclusivo com o único Deus. De acordo com essa aliança, os descendentes dos patriarcas se tornariam uma grande nação na Terra Prometida, por meio dos quais os gentios seriam abençoados.

Propósito e características
Segundo o antigo costume de nomear livros de acordo com sua(s) primeira(s) palavra(s), a título hebraico é bereshith, “no princípio”. Com base no conteúdo do livro, o título grego é geneseos que significa “origens”. Os dois títulos são apropriados, uma vez que o livro versa sobre a origem da história sagrada.

CRISTO EM GÊNESIS
O que começou em Gênesis é cumprido em Cristo. A genealogia iniciada no cap. 5 prosseguiu no cap. 11 e termina com o nascimento de Jesus Cristo (Mt 1; Lc 3,23-38). Ele é o legítimo descendente prometido a Abraão (17,15-16; Gl 3,16). Os eleitos são abençoados nele porque somente ele, pela sua obediência ativa, satisfez as exigências da lei, e por sua disposição em desistir de seus direitos de igualdade com Deus, morreu no lugar deles. Todos os que são batizados em Cristo são descendentes de Abraão (Gl 3,26-29). As ousadas profecias e os sutis tipos em Gênesis mostram que Deus estava escrevendo uma história que se completaria com Jesus. No limiar da profecia bíblica, Noé predisse que os jafetitas encontrariam salvação por meio dos semitas (9,27), uma profecia que se cumpriu no Novo Testamento (Rm 11, cf. Nota sobre 9,27); e o próprio Deus proclamou que o descendente da mulher destruiria Satanás (3,15). Esse descendente é Cristo e sua igreja (Rm 16,20). A apresentação da noiva a Adão tipificou a apresentação da Igreja a Cristo (2,18-25; Ef 5,22-32); o sacerdócio de Melquisedeque é semelhante ao do Filho de Deus (14,18-20; Hb 7). O paraíso perdido pelo primeiro Adão é restaurado pelo último Adão. Essa história sagrada maravilhosamente unificada certifica que o foco de Gênesis é, em última análise, Cristo.

O Gênesis é o primeiro livro do Pentateuco (ver introdução ao Pentateuco); o livro conta, como seu próprio nome indica (gênese = começo), as origens do mundo e o início da ação de Deus entre os homens. Embora faça parte da Torá (ou lei de Moisés), contém essencialmente relatos que dizem respeito aos ancestrais do povo de Israel, reconhecidos como seus Pais por todos os que creem. O Gênesis inaugura uma história que se prolonga até os dias de hoje e diz respeito, juntamente com o povo judaico e a Igreja de Cristo, à humanidade inteira.
O Gênesis relata diversos episódios da vida dos patriarcas, agrupados de modo a mostrar que Deus intervém constantemente junto a Abraão e sua família com vistas a preparar a salvação do mundo. É por isso que os relatos patriarcas são precedidos de um prólogo que situa Abraão e seus descendentes no quadro dos povos da terra e contém alguns dos capítulos mais celebres da Bíblia: a criação, Adão e Eva, o Dilúvio, a torre de Babel… capítulos que constituem como que um resumo impressionante da caminhada da humanidade na terra, dos seus empreendimentos e dos seus fracassos…
Para bem compreender este livro e o sentido dos relatos nele contidos, é preciso considerá-lo no seu dinamismo e não dissecá-lo em pedaços destituídos de relação uns com os outros. Mesmo que o leitor se atenha especificamente a algumas das páginas célebres que o livro contém, há de se lembrar – como já o sublinhou a Introdução ao Pentateuco – que o Gênesis não constitui uma abra independente, uma espécie de história da época dos patriarcas, mas que ele representa o começo de um vasto conjunto que narra como Deus, no meio das nações, forma para si um povo sobre a terra para dar testemunho dele. Há que lembrar também que o Gênesis não foi composto de uma só vez, mas resulta de um trabalho literário que se prolongou durante várias gerações; o livro reflete, portanto, as experiências, por vezes dolorosas, dos filhos de Abraão, que nos contam a vida dos seus antepassados, pressupondo assim uma tradição viva que foi constantemente relida em função das vicissitudes da história de Israel. O texto atual só se compreende levando em conta as retomadas necessárias da obra divina dentro do povo de Israel. Temos reflexo disso nas sucessivas redações do texto sagrado, mas elas nunca anularam os primeiros esboços nos quais se baseiam. Elas enriqueceram os primeiros esboços com revelações novas.

A composição do livro. Costuma-se dividir o Gênesis em duas partes: Gn 1-11, que trata dos primórdios da humanidade no universo criado por Deus, e Gn 12-50, que apresenta a vida dos patriarcas e se subdivide em três ciclos de relatos, referentes a Abraão (12-25), a Isaac e sobretudo a Jacó (26-36), e, enfim, a José (37-50). A esta divisão “vertical” e cômoda – já que põe em evidência o conteúdo do Gênesis – pode-se preferir outra, “horizontal”, que destaca o fato de o primeiro livro da Bíblia constar de vários estratos ou camadas, que, aliás, vão além de Gn 50. Com efeito, o Gênesis, na sua forma atual, é formado por diversas tradições, denominadas, “javista”, “eloísta” e “sacerdotal” (ver introdução ao Pentateuco). Essas camadas foram se sobrepondo umas às outras no decurso dos séculos e voltam a se encontrar no conjunto do Pentateuco.
Efetivamente, aquilo que poderíamos qualificar como o Gênesis mais antigo, a narração “javista”, já fornece a estrutura do livro atual; segundo o “Javista”, Deus formou o homem da terra e o colocou no meio das plantas e dos animais. Mas o ser humano deu ouvido a vozes diferentes da de Deus e acabou sendo excluído do jardim do Éden, devendo viver a sua vida no sofrimento, na confusão e na divisão (2-4). A humanidade tenta constituir a própria unidade; fracassa (11), mas Deus preparará e realizará o verdadeiro congraçamento dos homens. Por isso salva Noé do diluvio (6-9) e chama Abraão, para que nele a bênção divina atinja todas as nações (12). O patriarca vai de uma localidade a outra e, de santuário em santuário, recebe as promessas de Deus, cujas garantias são o nascimento de Ismael (16) e o de Isaac (18-20). O ciclo de Abraão encerra-se com o casamento de Isaac com uma parenta da terra de Arâm, na Mesopotâmia (24).
As tradições relativas ao herdeiro de Abraão são pouco numerosas; têm menos relevo, embora estejam melhor enraizadas na terra e na história do que as relativas a seu pai (26). Desde o começo, a figura de Isaac é dominada pela de Jacó, o antepassado das doze tribos e referência da unidade delas sob a designação de Israel, Jacó, o homem que ao longo de toda a sua existência deveria lutar com Deus e com os homens (32), viveu sobretudo fora da Terra Prometida. Com efeito, ele tem brigas constantes tanto com os arameus – povo de origem das suas esposas – como Esaú, ancestral de Edom – o povo irmão de Israel – ou com os habitantes de Canaã (34). Jacó morrerá no Egito.
O Gênesis termina com a história dos filhos de Jacó, na qual, ao lado de Judá, José ocupa o papel principal. Ele salva os irmãos da fome acolhendo-os no Egito, apesar de os irmãos terem tentado liquidá-lo.
Antes de morrer, Jacó abençoa seus filhos, designando Judá como rei deles (49); sua morte precede de pouco a de José (50), que deixa os seus numa terra em que, breve, passarão por dura escrevidão.
A libertação dos descendentes dos patriarcas será o tema do livro subsequente ao Gênesis, o Êxodo.
A versão “javista”, composta sem dúvida no tempo da realeza, foi a primeira redação literária de tradições locais e tribais. Ela recorda às tribos de Israel as promessas do Deus de Abraão e as dificuldades com que as tribos deparam no caminho da realização dessas promessas.
A ruptura da unidade do povo de Deus e o período difícil que se seguiu causaram a Israel novos problemas, que exigiram, senão uma revisão, pelo menos uma complementação da história dos patriarcas. A tradição “eloísta” constitui um segundo estrato literário, cuja extensão e importância são difíceis de discernir: seu tom é mais sóbrio e menos otimista que o da tradição javista. Na eloísta, Deus intervém menos diretamente nos assuntos humanos e espera dos seus servos, antes de tudo, a obediência. Por vezes reconhece-se nesta tradição a influência do profetismo: Abraão, por exemplo, é saudado como um profeta (20,7), cuja fé é submetida à prova (22).
A dolorosa queda de Jerusalém em 587 a.C., exigiu uma nova revisão da gesta patriarcal. Ela foi obra dos círculos de sacerdotes exilados na Mesopotâmia. A versão “sacerdotal”, de tom geralmente abstrato, interessa-se pelos aspectos cultuais e legislativos da obra divina. Ela insiste na aliança de Deus com Abraão (17), que vem depois da aliança com Noé (9) e prepara a do Sinai.
A tradição “sacerdotal dá ao relato do Gênesis a estrutura definitiva: fazendo a História Sagrada começar com a criação do universo (1), ela mostra a continuidade do destino da humanidade através das indicações genealógicas e cronológicas, ao mesmo tempo que revela as diversas etapas deste destino, marcado pela instauração de alianças ou de estatutos particulares que, da criação a Noé e de Noé a Abraão, possibilizam a Israel torna-se, no meio das nações, o povo que prestará ao Deus único um culto verdadeiro.

As fontes do Gênesis. Ao contarem as origens do mundo e da humanidade, os autores bíblicos não hesitaram em haurir, direta ou indiretamente, das tradições do antigo Oriente Próximo, em particular da Mesopotâmia, do Egito e da região fenício-cananeia. As descobertas arqueológicas feitas de aproximadamente um século para cá mostram, com efeito, que existem muitos pontos comuns entre as primeiras páginas do Gênesis e determinados textos líricos, sapienciais ou litúrgicos da Suméria, da Babilônia, de Tebas ou de Ugarit. Este fato nada tem de estranho quando se sabe que a terra em que Israel se instalou estava amplamente aberta às influências estrangeiras: além disso, o próprio povo de Deus, pela sua história, manteve relações com os diversos povos do Oriente. Próximo. Mas os progressos da arqueologia revelam igualmente que os escritores que estruturaram e revisaram os relatos dos primeiros capítulos do Gênesis não foram imitadores servis. Souberam retrabalhar as suas fontes, repensá-las em função das tradições especificas do seu povo. Não se limitaram a salvaguardar a originalidade da fé javista: enfatizaram-na.
O fato é que a comparação entre o texto bíblico e os relatos concernentes à origem do mundo ou aos heróis da Antiguidade não está destituída de interesse para o leitor da Sagrada Escritura. Entre muitas outras testemunhas do passado literário do antigo Oriente Próximo, limitamo-nos a assinalar aqui a história babilônica “Enuma Elish”, as aventuras do herói Guilgamesh, que contêm uma versão babilônia do Dilúvio, ou ainda as grandes torres – construídas pelas cidades mesopotâmicas em honra das suas divindades – que lembram a história da torre de Babel.
Os relatos sobre os patriarcas, embora redigidos muito tempo depois dos acontecimentos aos quais se referem, atestam um enraizamento real no ambiente em que viveram os antepassados de Israel. Mais uma vez, os arqueólogos, sobretudo pelas descobertas relativamente recentes de Ugarit e de Mári, possibilitam reconhecer ao mesmo tempo a complexidade das tradições e sua integração na vida do segundo milênio antes da era cristã, tal como é conhecida hoje.
Os costumes de Abraão e dos seus descendentes lembram os de clãs de seminômades, proprietários de ovelhas e de cabras, que circulam ao longo do “Crescente Fértil”. Vivem mais ou menos em contato com populações sedentárias, com as quais mantêm relações ora pacíficas, ora belicosas. Os diversos grupos constituídos pelas famílias dos patriarcas – cujas relações exatas nos são desconhecidas – estão em vias de sedentarização na terra de Canaã, que se tornará a terra dos seus sucessores.
Não é possível escrever uma história contínua dos patriarcas, não só por causa do tempo que os separa dos documentos que deles falam, mas sobretudo porque viveram com os seus grupos à margem da história política, isto é, da “grande história”. As tradições a seu respeito refletem, antes de tudo, preocupações essenciais, como a de garantir a sobrevivência das famílias em uma região ameaçada pela fome, ou a de assegurar terras férteis para os rebanhos; finalmente, o que se conservou foram apenas certos episódios da sua existência.
Os relatos do Gênesis acerca dos antepassados de Israel são, pois, de origem popular e familiar, e guardam os traços da cultura do seu tempo. Exprimem também as crenças dos patriarcas em um Deus que caminha com eles quando dos seus constantes deslocamentos e lhes promete tudo o que lhes é necessário à vida.

Temas e figuras do Gênesis. O livro do Gênesis é rico em temas e figuras que se re-encontram em outras passagens da Bíblia e que a tradição – tanto judaica como cristã – não cessará de meditar. Ele se abre com o relato da criação decantada nos Salmos (Sl 8; 104), evocada pelo autor de Jó (Jó 38ss.) e pelo Dêutero-Isaías (Is 40ss.); a atitude de Adão no jardim do Éden será confrontada com a de Cristo, novo Adão, nas epístolas paulinas (Rm 5; 1Co 15); a história do Dilúvio servirá de pano de fundo para o drama do fim dos tempos (Mt 25) ou de figura do batismo (2Pd 3). O destino de Abraão começa com uma promessa, incessantemente confirmada por Deus, que explica e determina a sorte dos seus descendentes próximos e remotos, promessa cujo cumprimento os patriarcas aguardam, da mesma forma que Israel no tempo de Josué ou Davi, e cuja realização em Cristo é saudada pelo apóstolo Paulo (Gl 3). O sacrifício (ou o “amarramento”) de Isaac retém a atenção dos rabinos que celebram os méritos dos seus Pais; ele se tornará na Igreja dos primeiros séculos uma prefiguração do drama da Sexta-feira Santa.
A teologia, judaica ou cristã, irá reler, século após século, o primeiro livro da Bíblia, para aprender o mistério da origem do mundo e o sentido do seu destino, para descobrir as primeiras etapas da obra de Deus em favor dos homens. Com efeito, o Gênesis possibilita à teologia enraizar a vida dos indivíduos e das nações na vontade amorosa do Deus que se revelou a Abraão.
Alguns personagens chamam particularmente a atenção: o casal Adão e Eva, que o “Javista” pinta com tanta delicadeza e profundidade, no qual nos convida a reconhecer-nos a nós mesmos; Noé, que achou graça aos olhos do Senhor e obedeceu às suas ordens; e sobretudo os patriarcas: Abraão, pai dos crentes – ao qual se reportam ao mesmo tempo judeus, cristãos e muçulmanos – testemunha de uma fé e de uma esperança que o comprometem até o fim; Isaac, tão esperado, tão ameaçado e finalmente tão indefeso diante das intrigas dos seus; Jacó, em luta constante com os seus parentes próximos, enganador e enganado, disposto a tudo para usurpar a bênção divina e que permanecerá para sempre marcado, na sua carne, pelo encontro com Deus; José, a criança sábia, o inocente esquecido em sua prisão, o grande personagem da corte egípcia, cujo destino revela a sabedoria do Senhor capaz de fazer tudo concorrer para o bem dos seus eleitos.
Ao lado dessas figuras masculinas, não se deve negligenciar o papel da mulher ou da mãe na tradição patriarcal: Eva, seduzida pela serpente, mas apesar disso chamada a ser a mãe de todos os viventes (cap, 3); Sara, que ri ao saber que será mãe de Isaac, o filho da promessa (18); Rebeca, que trama intrigas em favor do seu filho preferido, Jacó; as brigas de Leá e de Raquel (29ss.); a mulher de Potifar (39)… umas e outras introduzidas, com Adão, Abraão, Isaac, no plano de Deus, tal como o apresenta a tradição bíblica.
A riqueza do Gênesis em temas e figuras é uma abertura para o mundo da Bíblia, diante do qual os crentes nunca cessarão de ficar maravilhados.

Bem, como estamos falando do “Principio…”. Gostaria de colocar um assunto, que se refere ao: “NOME DE DEUS”. – Como no “Principio”! (Que por tradições, etc. Foi esquecido…!). Ou seja, Seu Nome PESSOAL: (“Só que aqui, começaram os “erros” traduzindo o TETRAGRAMA como “senhor”. Veja só”):

YHWH

[Yahweh] (o Senhor). O vocábulo Yahweh, que geralmente é traduzido como “Senhor”, em nossas versões da Bíblia em Português, tem sido corretamente chamado de “o nome da aliança de Deus”. Foi por este título que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó escolheu revelar-se a Moisés (Êx 6,3). Sem dúvida, os seguidores fiéis do Senhor já o conheciam por este nome antes da revelação da sarça ardente, mas com Moisés há mais revelações da fidelidade de [Yahweh] à aliança e de sua comunhão intima com seu povo. O nome em si é derivado do verbo hebraico “ser”. Moisés imaginou pessoas que lhe perguntariam pelo nome de Deus que lhe apareceu, quando voltasse para seu povo. O Senhor lhe respondeu: ‘EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel : EU SOU me enviou a vós’ (Êx 3,14). Yahweh, portanto, significa algo como “Ele é” ou talvez “Ele traz à existência”.
Como o nome revelado de Deus, o título “[Yahweh]” trazia uma declaração da existência contínua do Senhor e sua presença permanente com seu povo. Foi Ele quem se apresentou a Moisés e ao povo de Israel através das gerações como o Deus da aliança, o que sempre seria fiel às suas promessas em favor de seu povo. Foi sob este nome que o povo da aliança adorou a Deus. No NT, os cristãos entenderam que o Senhor da aliança era Jesus Cristo e, assim, ideias e atributos do AT que pertenciam a Yahweh foram trazidos e aplicados a Jesus.

Senhor E SENHOR

Os nomes e o Nome

O antigo Testamento usa dois substantivos para “Deus”: um expressa “o Deus único e transcendente” (Heb. “El”: Is 40,18) e o outro “Deus na plenitude dos seus atributos divinos” (Heb. “Elohim”). De qualquer maneira, contudo, “Deus é um nome genérico para definir um certo Ser”, assim como o termo “homem” (Heb. Adam, Ish). O vocábulo “Senhor” tem dois significados: traduz o hebraico “Adonai”, que significa “soberano” (Is 6,1; cf. v. 5), e descreve uma certa qualidade do Ser divino, ou seja, Ele reina e governa como um “diretor executivo”, absoluto em sua supremacia sobre as pessoas e os eventos. Por outro lado, Senhor (em algumas versões com letras Maiúsculas – SENHOR) traduz o nome próprio [Yahweh]. É como se Deus fosse seu sobrenome. Senhor representa sua posição ou status na ordem das coisas e “[Yahweh]” é seu nome pessoal ou próprio. À medida que o relacionamento entre o grande Deus e o seu povo desenvolvia-se, Ele esperava ser reconhecido com [Yahweh].

[Yahweh] e Senhor

Mesmo no próprio texto do Antigo Testamento, claramente percebemos as hesitações quanto ao uso do nome divino. No Salmo 14,2 aparece o termo “o Senhor e no 53,2 utiliza-se o nome “Deus”! Geralmente isso é entendido como uma tendência dos escribas de evitar o uso do vocábulo “[Yahweh]”, considerado muito sagrado. Entre os testamentos, quando o judaísmo cresceu, esse processo se fortaleceu; quando os sinais massoréticos (sinais de vocalização) foram acrescentados aos textos hebraicos (século V d.C. Em diante), tornou-se impossível. Mesmo por acidente, pronunciar esse nome, [pois as consoantes YHWH receberam as vogais apropriadas para serem pronunciar-se “Adonai”]. Desta maneira, os leitores nas sinagogas, por exemplo, quando chegavam ao nome de Deus, na verdade substituíam o termo por “Senhor”; os tradutores da Bíblia em geral seguiram esta prática e distinguiram Yahweh (SENHOR) de Adonai (Senhor). Para acrescentar mais um elemento nesta questão complicada, se tentarmos pronunciar as consoantes YHWH com as vogais da palavra Adonai (em hebraico), surgirá algo semelhante a “Jeová” – um termo que na verdade NUNCA EXISTIU!

Nomes compostos

[Yahweh] (“Senhor”) é largamente utilizado em combinações com os nomes de Deus e outros termos divinos. Em Gênesis 2,4 a 3,23 encontramos “o Senhor Deus” 20 vezes. “Deus” aqui é o plural “Elohim”, ou seja, Deus na plenitude de seus atributos eternos. Desta maneira, a composição significa “[Yahweh] em toda sua plenitude como Deus”. Isaías 50,4.5.7.9 e muitas outras referências falam sobre “o Senhor Deus”, que no hebraico é “[Adonai Yahweh]” e quer dizer [Yahweh] em sua soberania. O salmo 50,1 tem uma composição tripla: “O Senhor Deus Todo-poderoso”, “[El Elohim Yahweh]”, e significa [Yahweh], o único Deus transcendente e pleno de divindade. A composição tripla em Isaías 1,24: “O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Poderoso”, às vezes simplesmente usada como “o Senhor dos Exércitos”, é abundante em todo o Antigo Testamento. É bem provável que “dos exércitos” tenha um significado de substantivo usado como oposto junto com [Yahweh], “[Yahweh], que é Exército”. Certamente este é o seu significado conforme aparece nos profetas: [Yahweh], que não simplesmente possui, mas Ele próprio é a fonte de todo poder concebível. Embora a maioria das versões traduza como “SENHOR Poderoso”, a expressão “o SENHOR Onipotente”, levemente mais enfática, seria preferível.

Desenhando o mapa

Emergindo das páginas da Bíblia, percebemos um padrão distinto concernente ao nome divino.

As bases

Êxodo 6,2.3 é uma linha divisória do nosso mapa. Neste ponto, Deus disse a Moisés: “Mas pelo meu nome, o SENHOR, não lhes fui conhecido”. O livro de Gênesis está repleto de referências ao “SENHOR”, e alguns tentam resolver o problema propondo que existem duas correntes diferentes de tradições em nossas Bíblias: de acordo com uma delas, o nome divino era conhecido desde os tempos remotos (Gn 4,26); de acordo com a outra corrente, o nome só foi revelado nos dias de Moisés. A solução, entretanto, é mais simples e nasce a partir de uma leitura mais cuidadosa de Gênesis. Em Êxodo 6,2.3 a ênfase é a revelação do caráter de Deus. “Apareci (me revelei) a Abraão…como (no caráter de ) o Deus Todo-poderoso (El Shaddai), mas (no caráter expresso) pelo meu nome, o SENHOR [(Yahweh)], não lhes fui conhecido…”. Isto é precisamente o que encontramos em Gênesis: o Nome é conhecido como uma designação de Deus, mas onde quer que haja uma revelação do caráter divino exista uma substituição de [Yahweh por El Shaddai] ou algum dos outros títulos patriarcais (veja a seguir). Gênesis 17,1 é um exemplo desses: “Apareceu-lhe o SENHOR e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-poderoso (El Shaddai)”.
Moisés, então, teve o privilégio de apresentar o significado do nome divino. [Yahweh], para Israel, e o fundamento foi estabelecido em Êxodo 3,13-15. Ele era um homem cheio de escusas. Não desejava retornar ao Egito e tentou esquivar-se de todas as maneiras. Sua segunda desculpa foi a ignorância. Visualizou que, quando chegasse ao Egito, seria confrontado com a pergunta: “Qual é o nome do Deus que enviou você?” O próprio Moisés não perguntou “ao Deus dos pais” qual era seu nome, mas sabia que de alguma maneira os hebreus lhe fariam esta pergunta. Será que a interrogação: “Qual é o seu nome?” poderia significar: “Que revelação você traz do nosso Deus?”. O nome de uma pessoa na Bíblia muitas vezes é uma expressão de seu caráter (1Sm 25,25!). Porventura, Moisés sabia que os hebreus guardavam um nome secreto para seu Deus, o qual eles precisavam conhecer, se desejassem ser ouvidos? Sua escusa é tão fascinante quanto misteriosa; mas, de qualquer maneira, é uma súplica por informação, à qual Deus respondeu: “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU ME ENVIOU A VÓS”. “Eu sou” é a primeira pessoa do verbo “ser”e “[Yahweh]” é a terceira do singular. Deus refere-se a si mesmo como “Eu Sou”; nós olhamos para Ele e dizemos: “Ele é”. Alguns eruditos entendem o verbo aqui como a forma “causativa” no hebraico: “Eu faço acontecer/Ele faz acontecer” e, como veremos, isso deve estar correto e não altera o sentido básico do nome. No hebraico, o verbo “ser”, embora expresse também existência (Eu sou/Eu existo), com mais frequência expressa uma presença ativa: Eu sou/Eu estou ativamente presente. Em si mesma, essa ideia não nos diz muito sobre o possuidor do nome, mas em Êxodo a ideia está ligada primeiro à revelação de Deus a Moisés (Êx 3 e 4) e depois à atividade pessoal do Senhor, que conduz seu povo para fora do Egito (Êx 5 a 12). É por meio desta “presença ativa” nos eventos do Êxodo que o SENHOR revela quem e o que Ele é. Por esta razão, mesmo que a expressão signifique “Eu faço acontecer”, a situação essencial não é alterada, pois ainda são eventos do Êxodo imediatamente “ocasionados”, nos quais a revelação de Deus dada a Moisés em palavras claras é confirmada na ação. Numa palavra, portanto, [Yahweh] é o Redentor (Êx 6,6.7).

Antecedentes: o Deus de Abraão , Isaque e Jacó

Abraão, Isaque e Jacó certamente chamaram Deus de [“El”], e adicionaram outra palavra descritiva para formar um nome composto. Assim, aprendemos sobre “El Elyon” (“Deus Altíssimo”: Gn 14,18); “El Roi” (“o Deus que me vê”: Gn 16,13): “El Shaddai” (“Deus Todo-poderoso”: Gn 17,1; 28,3; 35,11; 48,3; cf. 49,25); “El Olam” “o Deus Eterno”; Gn 21,33); e “El, Elohe Israel” (“Deus, o Deus de Israel”: Gn 33,20). Esses, porém, não são “muitos deuses e muitos senhores”. O Deus que se revelou em Betel, por exemplo, anunciou a si mesmo como [Yahweh], o Deus dos antepassados (Gn 28,13), chamado de [Yahweh] (v. 16) e Elohim (vv. 17,20) e, em Gênesis 48,3, identificado como “El Shaddai”. Existem muitas outras identificações cruzadas semelhantes.
Fundamentalmente, os patriarcas receberam o conhecimento de Deus por meio da revelação. Às vezes era por meio de uma palavra direta do SENHOR (Gn 16,13; 17,1; 31,13); em outras ocasiões, o conhecimento de Deus era adquirido por meio da experiência: quando Abraão se encontrou com Melquisedeque, imediatamente reconheceu o “Deus Altíssimo” com [Yahweh] (Gn 14,22); ou quando Abraão foi chamado por Abimeleque, rei de Gerar, para estabelecer uma aliança perpétua com ele, parece que a experiência abriu os olhos do patriarca para a natureza imutável de seu Deus (Gn 21,22.23.31.33). O texto de Êxodo 6,2, entretanto, certamente está certo em destacar El Shaddai como a revelação preeminente de Yahweh para os patriarcas. Infelizmente o significado de “Shaddai” permanece incerto; entretanto, onde as traduções falham, o uso prático proporciona tudo o que precisamos (veja Abraão). As referências dadas acima revelam El Shaddai como o Deus que faz as promessas (especialmente a concessão de terra e descendentes, centrais na aliança patriarcal), o Deus que intervém nas situações onde as forças humanas estão exauridas (cf. Gn 17,1 – “Abraão tinha noventa e nove anos de idade”) e age com poder e um propósito transformador (Gn 17,5 – não mais…Abrão, mas Abraão”). É o Deus que é capaz, quando nós somos incapazes. Era desta maneira que os patriarcas conheciam Yahweh. O nome divino não tinha ainda, em si mesmo, nenhum significado para eles. Porventura houve uma preparação mais adequada da revelação vindoura do que esta rica teologia em torno de El Shaddai?

Revelação Posterior

A seção acima, intitulada “Antecedentes”, explorou os fundamentos mosaicos apenas para afirmar que no Êxodo, por meio de palavras e obras, [Yahweh] revelou-se como o Redentor. Agora, avançaremos sobre esta base.
O título “Redentor” (Êx 6,6) é extremamente importante e estava destinado a tornar-se o elemento principal no conhecimento que Israel tinha do Senhor (Sl 74,2; 106,10; 107,2; Is 41,14; 43,14; 44,6; 47,4; 49,7.26; 54,5.8; 59,20; 63,16; etc.), Basicamente, a palavra tem o sentido de relacionamento e de pagamento de um preço. O “remidor” (heb. Go’el) era o parente mais próximo que tinha o direito de se levantar em favor de um parente desamparado, assumia todas as suas necessidades sobre si, como se fossem dele próprio, e pagava, dos seus próprios recursos, qualquer despesa que fosse requerida pela situação. O vigor e o dinamismo deste termo são ilustrados pelo seu uso da expressão “vingador do sangue” (Dt 19,6.12; etc.); sua dimensão de pagar um preço é vista em Levítico 25,25; 27,13.19.31; etc.;

O Êxodo e a Bíblia

Conforme vimos, há uma progressão através de Gênesis e Êxodo, à medida que a revelação de [Yahweh com El Shaddai] preparou o caminho para a revelação plena do nome divino, por meio de Moisés. Conforme revermos mais claramente, o clima da revelação mosaica foi a Páscoa; de maneira que, em Êxodo, duas grandes verdades são reunidas: a revelação do nome divino e a provisão do Cordeiro de Deus. É precisamente neste ponto que o Novo Testamento também começa. Cada um dos três primeiros evangelhos move-se através dessas preliminares essenciais e coloca o foco no batismo do Senhor Jesus. Em Mateus 3,13-17, quando Cristo se aproximou do Batista nas águas do rio Jordão, a primeira reação foi reverter seus papéis: “Eu preciso ser batizado por ti, e vens tu a mim?” Até aquele momento, o Batista não sabia que o Senhor Jesus era o Messias (Jo 1,31.33); suas palavras eram apenas um elogio ao caráter do primo – ou seja, ali estava um ser humano que não precisava submeter-se ao batismo de arrependimento. O Senhor Jesus, entretanto, o corrigiu: “Pois assim nos convém cumprir toda a justiça” – quer dizer, “Somente desta maneira cumpriremos toda a vontade justa de Deus”.
Foi neste ponto que o céu (de acordo com a vívida expressão de Marcos) foi aberto (Mc 1,10; cf. 15,38) como se o próprio Deus não pudesse mais se conter, mas tivesse de, naquele momento de identificação com o homem pecador em sua carência, não apenas autenticar a identidade de Jesus como seu único Filho e revesti-lo com o Espírito Santo, mas revelar pela primeira vez o significado pleno do nome divino – a Santa Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Foi em consequência do que viu e ouviu naquele momento que João Batista, mais tarde, apontou Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
Quando olhamos para trás, para o Antigo Testamento, vemos que o Deus revelado ali como [Yahweh], o SENHOR, não é o “Deus Pai”, mas sim a Trindade incógnita. O que foi concedido a Moisés para declarar aos israelitas era uma verdade eterna (Êx 3,15): [Yahweh] é o Redentor. Mas esta não é toda a verdade: o pleno significado do nome e a obra completa da redenção pertencem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Nenhuma pesquisa, por mais exaustiva que seja, descobriria no Antigo Testamento que Yahweh é a Trindade. Ele não é um único “Um” mas uma unidade diversificada; é o “[Yahweh] dos Exércitos” em quem podemos ver a Palavra ativa (Sl 33,6), o Espírito Santo vivo (Is 63,10.14).

“[BEM, DEVIDO A TODAS ESSAS ‘MUDANÇAS’ NO NOME DE “DEUS” – O TETRAGRAMA {YHWH} – FOI COMPLETAMENTE “ALTERADO EM SUA FORMA ORIGIANAL”. (PROCURAR EM: “DEUS”, “NOMES BÍBLICOS DE”. -, A FORMA CORRETA DE SE ESCREVER O SEU NOME PESSOAL; E, O PORQUE DE TUDO ISSO – YHWH – YAOHUH – UL). “TODAS AS FORMAS QUE ESTIVEREM COMO:YAHWEH – ESTÁ ERRÔNEAMENTE COLOCADA”; CONFORME OS DESCRITOS ACIMA]”.{“MESSIAS, CRISTO = YAOHUSHUA!!”}.
Bem, agora, vamos a um breve resumo das: “Principais personagens de Gênesis”:

ADÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro zoólogo – conferiu nome aos animais.
• Primeiro arquiteto de paisagens, designado para cuidar do jardim.
• Primeira pessoa feita a imagem de Deus (Yaohu), e o primeiro homem a partilhar um relacionamento íntimo e pessoal com Deus (Yaohu).

Fraquezas e erros:
• Fugiu à responsabilidade e culpou a outros; preferiu esconder-se a confrontar; inventou desculpas ao invés de admitir a verdade.
• Maior falta: juntamente com Eva trouxe pecado ao mundo.

Lições de vida:
• Como descendente de Adão, todos refletimos em algum grau a imagem de Deus (Yaohu).
• Deus (Yaohu) está à procura de pessoas que, embora sejam livres para fazer o mal, escolham amá-lo.
• Não devemos culpar outros por nossas falhas.
• Não podemos nos esconder de Deus (Yaohu).

Informações essenciais:

• Local: Jardim do Éden.
• Ocupações: Zelador, jardineiro e fazendeiro.
• Familiares: Esposa – Eva: filhos – Caim, Abel. Sete, e inúmeros outros. Único homem que nunca teve pai ou mãe terrenos.
Versículos-chave:

• “Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3,12). “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15,22).

A história de Adão pode ser encontrada em Gênesis 1,26 – 5,5. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,1; Lucas 3,38; Romanos 5,14; 1 Coríntios 15,22.45; 1 Timóteo 2,13.14.

EVA
Pontos fortes e êxitos:
• Primeira mulher e mãe.
• Primeira fêmea. Ao compartilhar um relacionamento especial com Deus (Yaohu), foi co-responsável com Adão pela criação, e demonstrou certas características de Deus (Yaohu).

Fraquezas e erros:
• Permitiu que sua satisfação fosse minada por Satanás.
• Agiu impulsivamente, sem consultar a Deus (Yaohu) ou a seu marido.
• Não apenas pecou, mas também partilhou seu pecado com Adão.
• Quando confrontada, culpou a outros.

Lições de vida:
• A mulher também foi feita à imagem de Deus (Yaohu).
• Os ingredientes necessários para um casamento sólido são o compromisso mútuo, o companheirismo, a unidade e a pureza (2,24.25).
• A tendência humana básica para o pecado remonta ao início da raça humana.

Informações essenciais:
• Local: Jardim do Éden.
• Ocupações: Esposa, ajudadora, companheira e co-gerenciadora do Éden.
• Familiares: Marido – Adão; filhos – Caim, Abel, Sete e inúmeros outros filhos.

Versículo-chave:
• “E disse o Messias Deus (Yaohu): Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2,18).

A história de Eva pode ser encontrada em Gênesis 2,18 – 4,26. Sua morte não é mencionada nas Escrituras.

ABEL
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro membro da Galeria da Fé em Hebreus 11.
• Primeiro pastor.
• Primeiro mártir pela verdade (Mt 23,35).

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) ouve os que se achegam a Ele.
• Deus reconhece a pessoa inocente e, cedo ou tarde, Ele pune o culpado.

Informações essenciais:
• Local: Fora do Éden.
• Ocupação: pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Adão e Eva; irmão – Caim.

Versículo-chave:
• “Pela fé, Abel ofereceu a Deus (Yaohu) maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus (Yaohu) testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb 11,4).

A história de Abel pode ser encontrada em Gênesis 4,1-8. Ele também é mencionado em Mateus 23,35; Lucas 11,51; Hebreus 11,4 e 12,24.

CAIM
Pontos fortes e êxitos:
• Primeira criança humana.
• Primeiro a seguir a profissão do pai, fazendeiro.

Fraquezas e erros:
• Quando contrariado, reagia com fúria.
• Assumiu uma posição negativa mesmo quando uma possibilidade positiva lhe foi oferecida.
• Foi o primeiro assassino.

Lições de vida:
• A raiva não é necessariamente um pecado, mas as atitudes motivadas por elas podem ser pecaminosas. A raiva deveria ser a energia por trás de uma boa ação, não uma ação maligna.
• O que oferecemos a Deus (Yaohu) precisa ser de coração – o melhor do que somos e possuímos.
• As consequências do pecado podem durar toda a vida.

Informações essenciais:
• Local: Próximo ao Éden, provavelmente onde se encontram hoje o Iraque ou Irã.
• Ocupação: Agricultor, depois peregrino.
• Familiares: Pais – Adão e Eva; irmãos – Abel, sete e outros não mencionados.

Versículo-chave:
• “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4,7).

A história de Caim encontra-se em Gênesis 4,1-17. Ele é também mencionado em Hebreus 11,4; 1 João 3,12 e Judas 1,1.

NOÉ
Pontos fortes e êxitos:
• Único seguidor de Deus (Yaohu) que restou de sua geração.
• Segundo pai da raça humana.
• Homem de paciência, consistência e obediência.
• Primeiro e mais importante construtor de barcos.

Fraquezas e erros:
• Ficou bêbado e desconcertado diante dos filhos.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) é fiel para com os que lhe obedecem.
• Deus(Yaohu) não nos protege sempre do problema, mas cuida de nós a despeito do problema.
• A obediência é um compromisso em longo prazo.
• O homem pode ser fiel, mas sua natureza pecaminosa sempre o acompanha.

Informações essenciais:
• Local: Não sabemos a que distância do jardim do Éden as pessoas se estabeleceram.
• Ocupações: Fazendeiro, construtor de barcos, pregador.
• Familiares: Avô – Metusalém; pai – Lameque; filhos – Sem, Caim e jafé.

Versículo-chave:
• “Assim fez Noé; conforme tudo o que Deus (Yaohu) lhe mandou, assim o fez” (Gn 6,22).

A história de Noé pode ser encontrada em Gênesis 5,28 – 10,32. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,3.4; Isaías 54,9; Ezequiel 14,14.20; Mateus 24,37.38; Lucas 3,36; 17,26.27; Hebreus 11,7; 1 Pedro 3,20; 2 Pedro 2,5.


Pontos fortes e êxitos:
• Foi um homem de negócios bem-sucedido.
• Pedro o chama de “justo” (2Pe 2,7.8).

Fraquezas e erros:
• Costumava fugir às decisões, e depois escolhia a saída mais fácil.
• Ao receber opção de escolha, sua primeira reação era pensar em si mesmo.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) requer de nós mais do que simplesmente seguir a vida; Ele deseja que sejamos uma influência para Ele.

Informações essenciais:
• Locais: A princípio morou em Ur dos Caldeus e depois mudou-se para Canaã com Abraão. Por fim, mudou-se para a perversa cidade de Sodoma.
• Ocupação: Rico fazendeiro de ovelhas e gado; uma autoridade na cidade.
• Familiares: Pai – Harã. Adotado por Abraão quando seu pai morreu. O nome de sua esposa, que foi transformada em estátua de sal, não é mencionado.

Versículo-chave:
• “Ele, porém, demorava-se, e aqueles varões lhe pegavam pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o senhor misericordioso, e tiraram-no e puseram-no fora da cidade” (Gn 19,16).

A história de Ló encontra-se em Gênesis 11 – 14; 19. Ele também é mencionado em Deuteronômio 2,9; Lucas 17,28-32; 2 Pedro 2,7.8.

MELQUISEDEQUE
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro sacerdote das Escrituras – um líder com o coração voltado para Deus (Yaohu).
• Hábil para encorajar as pessoas a servir a Deus (Yaohu) de todo o coração.
• Um homem cujo caráter refletia seu amor por Deus (Yaohu).
• Uma pessoa no Antigo Testamento que nos lembra Cristo, e a qual alguns realmente acreditam que era Cristo.

Lições de vida:
• Viva para Deus (Yaohu) e você provavelmente estará no lugar certo e no momento certo. Examine seu coração: Para quem ou para que é a sua maior fidelidade? Caso sua resposta honesta seja Deus (Yaohu), você está vivendo para Ele.

Informações essenciais:
• Local: Reinou em Salém, Local da futura Jerusalém.
• Ocupações: Rei de Salém e sacerdote do Deus (Yaohu) Altíssimo.

Versículo-chave:
• “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus (Yaohu) Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis; e o abençoou {…}. Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dos despojos” (Hb 7,1.4).

A história de Melquisedeque pode ser encontrada em Gênesis 14,17-20. Ele é também mencionado em Salmos 110,4 e Hebreus 5 – 7.

ISMAEL
Pontos fortes e êxitos:
• Um dos primeiros a experimentar o sinal físico do pacto de Deus (Yaohu), a circuncisão.
• Conhecido por sua habilidade como arqueiro e caçador.
• Pai de 12 filhos que se tornaram líderes de tribos guerreiras.

Fraquezas e erros:
• Não reconheceu o lugar de seu meio-irmão Isaque, e zombou dele.

Lições de vida:
• Os planos de Deus (Yaohu) incorporam os erros das pessoas.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Caçador, arqueiro e guerreiro.
• Familiares: Pais – Agar e Abraão; meio-irmão – Isaque.

Versículo-chave:
• “E ouviu Deus (Yaohu) a voz do menino, e bradou o Anjo de Deus (Yaohu) a Agar desde os céus e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus (Yaohu) ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o moço e pega-lhe pela mão, porque eu dele farei uma grande nação” (Gn 21,17.18).

A história de Ismael pode ser encontrada em Gênesis 16 – 17; 21,8-20; 25,12-18; 28,8.9; 36,1-3. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,28-31; Romanos 9,7-9; Gálatas 4,21-31.

ABRAÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Sua fé agradou a Deus (Yaohu).
• Tornou-se o fundador da nação judaica.
• Foi respeitado pelos outros e corajoso ao defender a família a qualquer preço.
• Foi um pai cuidadoso não apenas para a sua família, mas praticou a hospitalidade para com outras pessoas.
• Foi um fazendeiro bem-sucedido.
• Tinha o costume de evitar conflitos, mas, quando estes eram inevitáveis, permitia que seu oponente estabelecesse as regras para a disputa.

Fraqueza e erros:
• Quando sob pressão, ele destorcia a verdade.

Lições de vida:
• Deus requer dependência, confiança e fé nEle, não fé em nossa habilidade de agradá-lo.
• Desde o princípio, o plano de Deus (Yaohu) tem sido permitir que todas as pessoas o conheçam.

Informações essenciais:
• Locais: Nascido em Ur dos Caldeus, passou a maior parte da vida na terra de Canaã.
• Ocupação: Rico e bem-sucedido criador de gado.
• Familiares: Irmãos – Naor e Harã; pai – Tera; esposa – Sara; sobrinho – Ló; filhos – Ismael e Isaque.
• Contemporâneos: Abimeleque e Melquisedeque.

Versículo-chave:
• “E creu ele no Messias, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15,6).

A história de Abraão pode ser encontrada em Gênesis 11 – 25. Ele é também mencionado em Êxodo 2,24; Mateus 1,1; Lucas 3,34; Atos7,2-8; Romanos 4; Gálatas 3; Hebreus 2,6.7.11.

SARA
Pontos fortes e êxitos:
• Foi intensamente leal ao seu único filho.
• Tornou-se mãe de uma nação e uma antecessora de Cristo.
• Foi uma mulher de fé, a primeira citada na Galeria da Fé, em Hebreus 11.

Fraquezas e erros:
• Teve dificuldade em crer nas promessas de Deus (Yaohu) para a sua vida.
• Tentou resolver os problemas por si mesma, sem consultar a Deus (Yaohu).
• Tentou encobrir sua falhas culpando a outros.
Lições de vida:
• Deus (Yaohu) responde à fé, mesmo em meio às falhas.
• Deus (Yaohu) não se limita aos acontecimentos comuns; Ele pode alargar os limites e realizar proezas nunca antes vistas.

Informações essenciais:
• Locais: Casou-se com Abraão em Ur dos Caldeus, e depois mudou-se com ele para Canaã.
• Ocupações: Esposa, mãe e administradora do lar.
• Familiares: Pai – Tera; marido – Abraão; Meios-irmãos – Naor e Harã; sobrinho – Ló; filho – Isaque.

Versículo-chave:
• “Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora de idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido”.

A história de Sara pode ser encontrada em Gênesis 11 – 25. Ela é também mencionada em Isaías 51,2; Romanos 4,19; 9,9; Hebreus 11,11; 1 Pedro 3,6.

ISAQUE
Pontos fortes e êxitos:
• Nasceu miraculosamente da união de Abraão e Sara, quando estes tinham 100 e 90 anos respectivamente.
• Foi o primeiro descendente no cumprimento da promessa de Deus (Yaohu) a Abraão.
• Parece ter sido um marido cuidadoso e consistente, pelo menos até o nascimento de seus filhos.
• Demonstrou grande paciência.

Fraqueza e erros:
• Costumava mentir quando era pressionado.
• Praticou o favoritismo entre os filhos e alienou a esposa.

Lições de vida:
• A paciência sempre produz recompensas.
• As promessas e os planos de Deus (Yaohu) são maiores que os das pessoas.
• Deus (Yaohu) cumpre suas promessas! Ele permanece fiel embora nossa fé seja pequena.
• Exercer favoritismo certamente produz conflitos familiares.

Informações essenciais:
• Locais: Vários lugares ao sul da Palestina, incluindo Berseba (Gn 26,23).
• Ocupação: Rico criador de gado.
• Familiares: Pais – Abraão e Sara; meio-irmão – Ismael; esposa – Rebeca; filhos – Jacó e Esaú.

Versículo-chave:
• “E disse Deus (Yaohu): Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele” (Gn 17,19).

A história de Isaque pode ser encontrada em Gênesis 17,15 – 35,29. Ele também é mencionado em Romanos 9,7 – 10; Hebreus 11,17 – 20 e Tiago 2,21.

AGAR
Pontos fortes e êxitos:
• Mãe do primeiro filho de Abraão, Ismael, que tornou-se o fundador das nações árabes.

Fraquezas e erros:
• Ao deparar-se com problemas, Agar costumava fugir deles.
• Sua gravidez suscitou fortes sentimentos de orgulho e arrogância.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) é fiel a seus planos e promessas, mesmo quando as pessoas complicam o processo.
• Deus (Yaohu) se revela como aquEle que nos conhece e deseja ser conhecido de nós.
• O Novo Testamento utiliza Agar como símbolo dos que procuram o favor de Deus (Yaohu) através dos próprios esforços, ao invés de confiar em sua misericórdia e perdão.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Serva e mãe.
• Familiares: Filho – Ismael.

Versículo-chave:
• “Então, lhe disse o Anjo do Messias: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos” (Gn 16,9).

A história de Agar pode ser encontrada em Gênesis 16,21. Ela também é mencionada em Gálatas 4,24.

REBECA
Pontos fortes e êxitos:
• Ao enfrentar qualquer necessidade, imediatamente tomava uma atitude.
• Orientava-se pelas realizações.

Fraquezas e erros:
• Sua iniciativa nem sempre era equilibrada pela sabedoria.
• Favoreceu um de seus filhos.
• Enganou o marido.

Lições de vida:
• Nossas ações precisam se guiadas pela Palavra de Deus (Yaohu).
• Deus (Yaohu) usa até os nossos erros ao cumprir seu plano.
• O favoritismo paterno ou materno fere a família.

Informações essenciais:
• Locais: Harã e Canaã.
• Ocupações: Esposa, mãe e administradora do lar.
• Familiares: Avós – Naor e Milca; pai – Betuel; marido – Isaque, irmão – Labão; filhos gêmeos – Esaú e Jacó.

Versículos-chave:
• “E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe, Sara, e tomou a Rebeca, e esta foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim, Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24,67). “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto: mas Rebeca amava a Jacó” (Gn 25,28).

A história de Rebeca pode ser encontrada em Gênesis 24 – 27. Ela é também mencionada em Romanos 9,10.

ESAÚ
Pontos fortes e êxitos:
• Ancestral dos edomitas.
• Conhecido por suas habilidades como arqueiro.
• Apto a perdoar após uma explosão de fúria.

Fraquezas e erros:
• Ao enfrentar importantes decisões, costumava escolher baseado nas necessidades imediatas e não nos efeitos em longo prazo.
• Endureceu os pais com as más escolhas de casamento.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) permite certos acontecimentos em nossas vidas para que seus propósitos sejam cumpridos, mas ainda assim somos responsáveis por nossos atos.
• É importante considerar as consequências.
• É possível sentir muita raiva e não pecar.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupação: Habilidoso caçador.
• Familiares: Pais – Isaque e Rebeca; irmão – Jacó, esposas – Judite, Basemate e Maalate.

Versículo-chave:
• “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Yaohu, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus (Yaohu), e de que nenhuma raiz da amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrima, o buscou” (Hb 12,14-17).

A história de Esaú pode ser encontrada em Gênesis 25 – 36. Ele também é mencionado em Malaquias 1,2.3; Romanos 9,13; Hebreus 12,16.17.

JACÓ
Pontos fortes e êxitos:
• Pai das 12 tribos de Israel.
• Terceiro na linhagem abraâmica do plano de Deus (Yaohu).
• Determinado, era disposto a trabalhar muito pelo que desejava.
• Bom homem de negócios.

Fraquezas e erros:
• Ao enfrentar conflitos, confiava em seus próprios recursos ao invés de buscar ajuda em Deus (Yaohu).
• Tendia a acumular riquezas para seu próprio bem.

Lições de vida:
• A segurança não está no acúmulo de bens.
• Todas as atitudes e intenções humanas – para o bem ou para o mal – são tecidas por Deus (Yaohu) no decurso de seu plano.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupações: Pastor e proprietário de gado.
• Familiares: Pais – Isaque e Rebeca; irmão – Esaú; sogro – Labão; esposas – Raquel e Léia; doze filhos e uma filha são mencionados na Bíblia.

Versículo-chave:
• “E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito” (Gn 28,15).

A história de Jacó pode ser encontrada em Gênesis 25 – 50. Ele é também mencionado em Oséias 12,2-5; Mateus 1,2; 22.32; Atos 7,8-16; Romanos 9,11-13; Hebreus 11,9.20.21.

RAQUEL
Pontos fortes e êxitos:
• Demonstrou grande lealdade a sua família.
• Deu à luz José e Benjamim após anos de infertilidade.

Fraquezas e erros:
• Sua inveja e competitividade atrapalharam o relacionamento com sua irmã, Léia.
• Era capaz de ser desonesta quando sua lealdade ia muito longe.
• Não reconheceu que o amor de Jacó era independente de sua capacidade de ter filhos.

Lições de vida:
• A fidelidade deve ser controlada pelo que é justo e certo.
• O amor é aceitado, não merecido.

Informações essenciais:
• Local: Harã.
• Ocupações: Pastora de ovelhas, esposa, mãe e dona de casa.
• Familiares: Pai – Labão; tia – Rebeca; irmã – Léia; marido – Jacó; filhos – José e Benjamim.

Versículo-chave:
• “Assim, serviu Jacó sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava” (Gn 29,20).

A história de Raquel pode ser lida em Gênesis 29 – 35.20. Ela é também mencionada em Rute 4,11.

LABÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Controlou duas gerações de casamentos na família abraâmica (Rebeca, Léia e Raquel).
• Esperto.

Fraquezas e erros:
• Manipulava as pessoas em benefício próprio.
• Não conseguia admitir os erros.
• Beneficiou-se financeiramente ao usar Jacó, mas nunca foi beneficiado espiritualmente de modo completo ao conhecer e adorar o Deus (Yaohu) de Jacó.

Lições de vida:
• Os que costumam usar as pessoas acabam sendo usados por outros.
• O plano de Deus (Yaohu) não pode ser impedido.
Informações essenciais:
• Local: Harã.
• Ocupação: Rico criador de ovelhas.
• Familiares: Pai – Betuel; irmã – Rebeca; cunhado – Isaque; filhas Raquel e Léia; genro – Jacó.

Versículo-chave:
• “Se o Deus de Meu pai, o Deus (Yaohu) de Abraão e o Temor de Isaque, não fora comigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus (Yaohu) atendeu à minha aflição e ao trabalho das minhas mãos e repreendeu-te ontem à noite” (Gn 31,42).

A história de Labão pode ser encontrada em Gênesis 24,1 – 31.55.

JOSÉ
Pontos fortes e êxitos:
• Saiu com poder da escravidão para governar o Egito.
• Ficou conhecido por sua integridade pessoal.
• Foi um homem de sensibilidade espiritual.
• Preparou uma nação para sobreviver a fome.

Fraquezas e erros:
• O orgulho juvenil provocou o atrito com seus irmãos.

Lições de vida:
• O importante não são apenas os acontecimentos ou as circunstâncias da vida, mas é a atitude com relação a eles.
• Com a ajuda de Deus (Yaohu), qualquer situação pode ser usada para o bem, mesmo quando as pessoas deseja utilizá-la para o mal.
Informações gerais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Pastor de ovelhas, escravo, prisioneiro e governador.
• Familiares: Pais – Jacó e Raquel; onze irmãos e uma irmã; esposa – Asenate; filhos – Manassés e Efraim.

Versículo-chave:
• “E disse Faraó aos seus servos: Acharemos um varão como este em quem haja o Espírito de Deus (Yaohu)” (Gn 41,38).

A história de José pode ser encontrada em Gênesis 30 – 50. Ele é também mencionado em Hebreus 11,22.

RUBÉN
Pontos fortes e êxitos:
• Salvou a vida de José conversando com os outros irmãos sobre assassinato.
• Demonstrou grande amor por seu pai ao oferecer os próprios filhos como garantia de que a vida de Benjamim estaria a salvo.
Fraquezas e erros:
• Cedia rapidamente a pressões de grupo.
• Não protegeu José de seus irmãos diretamente, embora tivesse autoridade para fazê-lo, como filho mais velho.
• Dormiu com uma das esposas de seu pai.

Lições de vida:
• A integridade em público ou em particular precisa ser a mesma, se não uma destruirá a outra.
• A punição para o pecado pode não ser imediata, mas é certa.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupação: Pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Jacó e Léia; sete irmãos e uma irmã.

Versículo-chave:
• “Rubén, tu é meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. Inconstante como a água, não serás o mais excelente, porquanto subsiste ao leito de teu pai. Então, o contaminaste; subiste à minha cama” (Gn 49,3.4).

A história de Rubén pode ser encontrada em Gênesis 29 – 50.

JUDÁ
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um líder natural, franco e decidido.
• Pensou com clareza e agiu em meio a situações de grande pressão.
• Mantinha a palavra e permanecia firme.
• Era o quarto de 12 filhos, e através dele Deus (Yaohu) traria Davi e Cristo, o Messias.

Fraquezas e erros:
• Sugeriu a seus irmão que vendessem José como escravo.
• Não manteve sua promessa para com a nora, Tamar.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) está no controle, muito além da situação imediata.
• A procrastinação costuma agravar os problemas.
• A atitude de Judá de oferecer a sua vida em troca de Benjamim é um exemplo do que seu descendente, o Messias, faria por todas as pessoas.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupação: Pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Jacó e Léia; esposa – A filha de Sua (1Cr 2,3); nora – Tamar. Onze irmãos, pelo menos uma irmã e cinco filhos.

Versículo-chave:
• “Judá, a ti te louvarão os teus irmãos, a tua mão estará sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como um leão e como um leão velho; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos” (Gn 49,8-10).

A história de Judá pode ser encontrada em Gênesis 29,35 – 50.26. Ele é também mencionado em 1 Crônicas 2 – 4.

ÊXODO

INTRODUÇÃO

Visão Geral

Autor: Moisés.
Propósito: Confirmar a autoridade divina da liderança de Moisés e da aliança da lei, bem como das regras para a adoração.
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
 O Messias deu autoridade a Moisés como líder de Israel para trazer a bênção da libertação do Egito.
 As leis da aliança dadas por meio de Moisés foram divinamente autorizadas para levar bênçãos ao povo de Deus (Yaohu).
 As regulamentações de Moisés para a adoração no tabernáculo foram divinamente ordenadas para trazer bênçãos ao povo de Deus (Yaohu).

Propósito e características

O livro de êxodo tem vários temas importantes. O primeiro conta como o Messias libertou o povo de Israel do Egito para cumprir a aliança com os patriarcas. O segundo tema importante do livro é a revelação da aliança no Sinai. O terceiro é um resultado dos dois primeiros: o estabelecimento do tabernáculo com a morada de Deus (Yaohu) com os israelitas. Cada um desses temas apresenta um triunfo da graça de Deus (Yaohu). Ao libertar o seu povo, o verdadeiro Deus (Yaohu) julgou os deuses e os governantes do Egito, falou aos homens no Sinai e manifestou a sua presença no tabernáculo, o qual ele havia instruído o povo a construir. O desdobramento desses temas também revela a santidade e a graça do Messias na sua lei da aliança e no simbolismo cerimonial da vida e do culto de Israel.

Cristo em Êxodo:

Os cristãos podem aprender a respeito de Cristo ao longo de todo o livro de Êxodo de várias maneiras. Em primeiro lugar, numa escala maior, a maneira pela qual os israelitas foram libertos da dura escrevidão no Egito para a Terra Prometida de bênçãos divinas apresenta uma importante metáfora da obra da salvação de Deus (Yaohu) através da História. Deus (Yaohu) redimiu o seu povo escolhido dos poderes do mal do qual eles haviam se tornado escravos, julgou esses poderes e reivindicou o seu povo como o seu primogênito, a nação santa de sacerdotes em meio à qual ele habitou pelo seu Espírito. O modelo da divina vitória sobre os inimigos, o estabelecimento de um lugar para habitação divina e a abundância de bênçãos encontram a sua maior realização na primeira e na segunda vindas de Cristo (p. ex., 1Co 10,1-13; Ef 2,14-22; Ap 20,11 – 22,5).
Em segundo lugar, o tabernáculo e seus serviços apontavam para Cristo. Em termos gerais, assim como o tabernáculo era o local da presença acessível de Deus (Yaohu) na terra, o Messias “habitou” (lit., “tabernaculou”) entre nós (Jo 1,14.17). Além disso, a provisão de animais sacrificiais como solução temporária para o pecado de Israel antecipou o sacrifício da morte de Cristo no qual o pecado foi punido de uma vez para sempre (24,8; Mt 26,27-28; Jo 1,29; Hb 12,24; 1Pe 1,2). Assim, o importante acontecimento da Páscoa é cumprido em Cristo (1Co 5,7).
O papel principal que Moisés representou nesse livro também aponta para Cristo. Assim como os israelitas foram “batizados… com respeito a Moisés” (1Co 10,2), quando conduzidos através do mar Vermelho, os cristãos são batizados em Cristo. Moisés foi o grande servo do Messias que recebeu as palavras de Deus (Yaohu) diretamente dele. O Evangelho de Mateus, em especial, apresenta o Messias como aquele que enfrentou o seu próprio êxodo (Mt 2,14-15), ensinou a lei de Deus (Yaohu) num monte (Mt 5,1) e ficou lado a lado com Moisés no monte da transfiguração (Mt 17). Assim como Moisés estava disposto a morrer pelo bem de seu povo (32,10), Cristo serviu de substituto para o seu povo. A glória de Deus (Yaohu) que se refletiu na face de Moisés (34,29; 2Co 3,7) é agora refletida naqueles transformados pelo Espírito de Cristo (2Co 3,18).

Êxodo. A introdução ao Pentateuco mostrou como foram compostos os cinco livros da Torá e o que eles representavam para a fé de Israel. O Êxodo, segundo livro do Pentateuco, é, por vezes, chamado “Evangelho do Antigo Testamento”: como um evangelho, o Êxodo anuncia a “boa nova” fundamental da intervenção de Deus (Yaohu) na existência de um grupo de pessoas (4,31), a fim de fazê-las nascer para a liberdade e congregá-las em uma nação santa (19,4-6).
Para entrar no pensamento do livro, é preciso lembrar o que a saída do Egito significava para Israel.
1. A saída do Egito sempre foi considerada por Israel como um momento singular de sua história, acontecimento situado num plano diferente dos outros. É, na verdade, o evento criador de Israel, do qual dependerá toda a vida subsequente e ao qual inúmeras instituições, ritos e crenças deverão se referir; é também o evento ao qual, por sua vez, se reportarão as grandes esperanças nacionais. De fato, a rememoração da saída do Egito foi tão decisiva que passou o predominar sobre outros acontecimentos que, no plano estritamente histórico, tiveram a mesma influência sobre a vida do povo: a entrada em Canaã sob Josué e a progressiva tomada de consciência da unidade das doze tribos (Js 24), a instauração da realeza e a constituição de um Estado palestino sob Davi, bem como o exílio e a transformação de Israel em comunidade dispersa. Por mais importantes que tenham sido, esses fatos da história de Israel nunca suplantaram o acontecimento da saída do Egito e do tempo passado no deserto. Muito ao contrário, toda a reflexão teológica e histórica de Israel tem sido iluminada pelo “êxodo”. Foi, de fato, a época da juventude de um povo que Deus (Yaohu) tomou sob seus cuidados (Os 11,1-4; Dt 8,11-16), mas que logo manifestou suas primeiras revoltas (Êx 14 – 17). A quem procurasse compreender o sentido desta ou daquela instituição, o ponto de referência era muitas vezes oferecido pelos acontecimentos do Êxodo. Qual a razão de ser da Páscoa (12,26), da festa dos Pães sem fermento (13,8 e 12,39) ou da apresentação do primogênito (13,14-15)? A resposta não é: trata-se de um costume da terra onde moramos, mas: é uma recordação do que aconteceu por ocasião da saída do Egito. Outro exemplo: por que respeitar e ajudar os “imigrantes?”. Não é justamente porque nossa experiência em terra egípcia nos ensinou o que é a vida deles (22,20; 23,9)? Em suma, esse acontecimento tão importante, capaz de animar, através dos séculos, as instituições, ritos e leis de um povo, deve realmente ser considerado como o nascimento deste povo.
2. Além de ser o nascimento, o êxodo também foi para Israel o tempo privilegiado do encontro com Deus (Yaohu). A linguagem “miraculosa” do livro do Êxodo (cf. As “pragas” ou a “passagem do mar”) não deve enganar o leitor moderno, dando-lhe a impressão de estar diante de uma teologia ingênua, isto é, diante de uma teologia que concebesse a intervenção de Deus (Yaohu) como um evento necessariamente estrondoso e de adesão obrigatória. Lendo o livro com atenção, percebemos que é perpassado por uma série de questões essenciais, ou seja, de contestações. Será que vão acreditar (4,1; 6,9; 14,31)? O Messias está ou não no meio de nós (17,7)? Qual é seu nome (3,13-15)? [“Neste parágrafo, em:”Glossário resumido,” colocarei mais informações do nome PRÓPRIO – PESSOAL DE DEUS – YHWH”.]. É possível vê-lo (33,18-23)? Por que Moisés nos arrasta a esta aventura perigosa e fatal (14,11; 16,3; 17,3; 32,1)? A essas questões e dúvidas, o livro dá a resposta da fé do povo de Israel. Esta fé amadureceu incessantemente no decurso dos séculos, até a elaboração final do livro do Êxodo (cf. A Introdução ao Pentateuco). Desde o dia em que Moisés deu a conhecer ao seu povo o Deus (YAOHU) único a ser cultuado, o Deus (YAOHU) da Aliança, Israel meditou longamente sobre o evento primeiro de sua existência nacional: este êxodo e esta aliança. Compreendeu que Deus (YAOHU) interveio na história (cf. As pequenas “confissões de fé” em 13,9.16). Compreendeu quem era esse Deus (YAOHU), que havia suscitado e guiado a caminhada do povo, e qual era o seu nome. O MESSIAS, o Deus (YAOHU) de Moisés e de Israel, é aquele que, sendo fiel a uma esperança por ele mesmo suscitada, respondeu ao grito de homens insatisfeitos e reduzidos à servidão (2,2-25). É aquele que, ao final, foi capaz de vencer todas as resistência (cf. 7-11), encaminhando o seu povo para a liberdade (a tal ponto que a expressão Aquele que nos fez sair da terra do Egito tornou-se um de seus títulos principais, QUASE O SEU NOME). Desejando reunir a humanidade num povo que fosse o seu povo, ofereceu-lhe uma aliança e pediu-lhe que agisse de acordo com ela (19 – 24). Revelou sua paciência e sua misericórdia a um povo pecador (32 – 34). Tornou-se, enfim, presente junto ao povo pela mediação de Moisés, o profeta (33,7-11; 34,29-35), e mediante a liturgia celebrada pelo sacerdote Aarão no santuário legítimo (25,8; 40,34-35).
3. Assim, a saída do Egito não é apenas um acontecimento de outrora, mas uma realidade sempre viva. Tanto o Sl 114 como Js 4,22-24 reuniam na mesma celebração a passagem do mar realizada com Moisés e a do Jordão com Josué. O Sl 81 convidava a comunidade reunida “no dia da festa” a ouvir melhor do que os seus antepassados a voz que tinha ressoado por ocasião dos acontecimentos do Êxodo, e o Sl 95 acentuava que esta vós estava falando hoje. Na verdade, conforme o Sl 111,4, o Messias (Yaohushua). [BEM, COMO ESTAMOS EM “ÊXODO” – E, FOI ISSO QUE O MESSIAS FEZ POR NÓS – NOS LIBERTAR; DECIDI EM MINHA APOSTILA – DE QUE QUANDO VIR O NOME ‘SENHOR’ – QUE É UMA FORMA TRANSLITERADA “ERRÔNEAMENTE” DO TETRAGRAMA {“YHWH”}, PARA O PORTUGUÊS, QUANDO ENTRARAM AS VOGAIS {A,E}; VOU SIMPLESMENTE COLOCAR A FORMA CERTA, OU SEJA : “LÊ-SE” – YAOHU. ‘VERIFICAR: GLOSSÁRIO’ – PARA “INFORMAÇÕES ADICIONAIS!”.]. ANSELMO ESTEVAN. [Sl 114,4] – “Yaohu benevolente e misericordioso (cf. Êx 34,6) quis que seus milagres fossem lembrados”. Com suas festas litúrgicas, Israel tem, por conseguinte, o ensejo de participar plenamente da libertação pascal e de entrar incessantemente na aliança inaugurada no Sinai. Desse modo, a liturgia dava a cada um a possibilidade de reviver periodicamente os acontecimentos da saída do Egito. Além disso, Israel olhou para o passado de modo ainda mais intenso por ocasião das grandes crises que abalaram a comunidade. Lembremos, por exemplo, a peregrinação feita pelo profeta Elias ao monte Horeb, às fontes da fé israelita (1Rs 19), na época da crise cananéia, que, no tempo de Acab, conseguiu levar o reino do norte à apostasia. Da mesma forma, depois de Jeremias (Jr 31,31-34) e de Ezequiel (Ez 16,59-63; 37,20-28), que haviam anunciado uma nova aliança, o Segundo Isaías proclamava que tinha chegado o tempo de um novo Êxodo (Is 43,16-21): a libertação maravilhosa de uma terra de cativeiro (Is 48,20-22; 49) viria ainda mais maravilhosamente acompanhada por uma libertação dos pecados (Is 40,2; 44,21-22) e por um apelo a que todas as nações se voltassem para aquele que, tendo salvado Israel, é capaz de salvar a todos (Is 45,4-25). Portanto, para ler o livro de Êxodo, é preciso estar lembrado de que, na elaboração progressiva do texto, Israel foi guiado por sua fé. “Em cada geração, cada qual deve considerar-se como tendo ele mesmo saído do Egito”, dirá mais tarde o ritual judaico da Páscoa (cf. 13,8 nota).
4. Como livro de um povo a caminho, o Êxodo não é um livro acabado. Sendo um testemunho prestado à intervenção salvífica de Deus (Yaohu) na história dos homens, alimenta a esperança de uma liberdade mais fundamental e mais definitiva. Nessa perspectiva, os autores do Novo Testamento consideravam a salvação trazida por Cristo como um cumprimento do êxodo de Israel. E para exprimir a novidade da experiência cristã foi justamente utilizado a linguagem do Êxodo, aliás, tal como ele era reinterpretado pelo judaísmo na era cristã. A última ceia de Cristo, sua morte e sua glorificação foram compreendidas como sendo a sua Páscoa (Lc 22,14-20; Jo 13,1-3; 19,36). Outros textos (Jo 6; 1Co 5,7; 10,2-4) utilizam os conceitos maná, nuvem, travessia do mar, água do rochedo, páscoa, pão sem fermento para falar do batismo. O Apocalipse celebra Cristo como o Cordeiro pascal (Ap 5,6); no mesmo livro, os flagelos que se abatem sobre os adoradores da Besta são retomados das pragas do Egito (Ap 15,5-21); e os que participavam do triunfo de Cristo sobre a Besta cantam novamente o cântico de Moisés (Ap 15,3); enfim, para descrever o surgimento do mundo novo, alude-se a um desaparecimento do mar (Ap 21,1). Todos os temas de uma leitura cristã do Êxodo foram abundantemente explorados pelos Pais da Igreja – aliás, menos em comentários contínuos do que em homilias pascais. Tudo isso explica a presença difusa dos temas do Êxodo na liturgia cristã. Sem pretender fazer um levantamento completo, mencionamos apenas a leitura da travessia do mar e o canto do hino de Moisés (Êx 14-15), retomados na noite da Páscoa tanto na liturgia bizantina como na liturgia romana; ou então o lugar do decálogo no culto e na catequese das Igrejas.
5. O fato de o livro do Êxodo ter sido escrito para exprimir a fé do povo de Israel não significa que ele esteja baseado em fatos imaginários. Confrontando os dados da tradição bíblica com os dados agora melhor conhecidos da história do antigo Oriente Médio, percebemos que os estudos históricos não foram feitos em vão. Quanto a Moisés, hesitava-se em situá-lo entre o século XV (18º dinastia, especialmente no reinado de Tutmés/Tutmósis III) e o século XIII (19º dinastia: nos reinados de Seti I, Ramsés II ou Merneptá). Embora admitindo que a dominação egípcia da 18º dinastia pode ter deixado vestígios na narração “javista”, historiadores geralmente mantêm a assim chamada cronologia “curta” (Êxodo no século XIII). No contexto político da região e da época, podemos representar-nos os fatos da seguinte maneira:
No século XVI, o Novo Império egípcio expulsa os invasores hicsos, que cento e cinquenta anos antes vieram da Ásia. No século XV, especialmente com Tutmés III, o Egito fortaleceu a sua dominação sobre os países cananeus. O século XIV foi marcado por um enfraquecimento do Egito, que passa pela crise religiosa dita de El-Amarna (Amenófis IV, Tutankamon); seus vassalos cananeus estão sob a ameaça do crescente poderio hitita e da agitação fomentada por uma população de migrantes turbulentos chamados habiru pelos textos antigos. Par restabelecer a ordem, um general, Horemheb, funda a 19ª dinastia (século XIII), que instala sua capital no delta do Nilo, empreende a fortificação da costa do Mediterrâneo e, com Ramsés II, vê-se obrigado a enfrentar o poderio hitita. Foi nessa época – supõe-se – que os egípcios utilizarem mão-de-obra semita, encontrada na região e cujas intenções, aliás, deixaram preocupada a administração. No entanto, Moisés (que talvez tenha sido formado, como outros semitas, para o serviço da política asiática de Faraó) conseguiu levar seus irmãos de raça para o deserto e organizar sua vida religiosa, esperando que esta gente, pertencente sobretudo à “casa de José” (tribos de Efraim e de Manassés) e à “casa de Levi”, entrasse em Canaã sob Josué. Aí, outras tribos vão se unir a eles e ao “Deus (Yaohu) que fez subir o seu povo da casa da escravidão”.
Foi este o quadro humano em que Deus (Yaohu) interveio para revelar a um povo de migrantes o desígnio de fazer deles a sua propriedade pessoal, um reino de sacerdotes e uma nação santa (19,5-6). Enfim, é aí que se inicia o congraçamento de todos os homens na aliança de Yaohu.

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DO “ÊXODO”:

MOISÉS
Pontos fortes e êxitos:
• Educação egípcia; treinamento no deserto.
• Maior líder judeu. Promoveu o êxodo.
• Profeta e legislador; entregou os Dez Mandamentos ao povo.
• Autor do Pentateuco.

Fraquezas e erros:
• Não entrou na Terra Prometida em razão de sua desobediência a Deus (Yaohu).
• Nem sempre reconheceu e usou os talentos de outros.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) prepara, e então usa. Seu tempo oportuno dura por toda a vida.
• Deus (Yaohu) realiza seu maior trabalho através de pessoas frágeis.

Informações essenciais:
• Locais: Egito, Midiã, deserto do Sinai.
• Ocupação: Príncipe, pastor de ovelhas, líder dos israelitas.
• Familiares: irmã – Miriã; irmão – Arão; esposa – Zipora; filhos – Gérson e Eliézer.

Versículos-chave:
• “Pela fé, Moisés, sendo já grande recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado” (Hb 11,24.25).

A história de Moisés pode ser encontrada nos livros de Êxodo a Deuteronômio. Ele também é mencionado em Atos 7,20-44; Hebreus 11,23-29.

JETRO
Pontos fortes:
• Como sogro de Moisés, reconheceu o verdadeiro e único Deus (YHWH).
• Era um apaziguador e organizador prático.

Lições de vida:
• Supervisão e administração são esforços de equipe.
• O plano de Deus (Yaohu) inclui todas as nações.
Informações essenciais:
• Locais: Terra de Midiã e deserto do Sinai.
• Ocupações: Pastor de ovelhas e sacerdote.
• Familiares: Filha – Zipora; genro – Moisés; filho – Hobabe.

Versículo-chave:
• “E alegrou-se Jetro de todo o bem que Yaohu tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egípcios” (Êx 18,9).

ARÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro sumo sacerdote de Deus (Yaohu) em Israel.
• Comunicador eficiente; porta-voz de Moisés.

Fraquezas e erros:
• Personalidade flexível, cedeu ao pedido do povo e fez um bezerro de ouro.
• Uniu-se a Moisés em desobedecer à ordem de Deus (Yaohu) quanto a tirar água da rocha.
• Juntamente com Miriã, reclamou contra Moisés.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) concede às pessoas habilidades especiais e as usa em conjunto para fazer a sua vontade.
• As mesmas habilidades que fazem do individuo um bom membro de equipe podem torná-lo um mau líder.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e deserto do Sinai.
• Ocupação: Pastor; o segundo no comando depois de Moisés.
• Familiares: Irmão – Moisés; irmã – Miriã; filhos – Nadabe, abiú, Eleazar e Itamar.

Versículos-chave:
• “Então, se acendeu a ira de Yaohu contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem; e eis que ele também sai ao teu encontro, e, vendo-te alegrará em seu coração. E tu lhe falarás e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca e com a sua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca e tu lhe serás por Deus (Yaohu)” (Êx 4,14-16).

A história de Arão é encontrada nos livros do Êxodo a Deuteronômio 10,6. Ele também é mencionado em Hebreus 7,11.

LEVÍTICO

INTRODUÇÃO

Visão Geral

Autor: Moisés.
Propósito: Conduzir os israelitas nos caminhos da santidade para que eles se mantivessem separados do mundo e recebessem bênçãos em vez de julgamento, enquanto vivessem nas proximidades da presença especial de seu Deus santo. (Yaohu).
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Deus (Yaohu) é santo e exige santidade do seu povo.
• O povo de Deus (Yaohu) não conseguia cumprir perfeitamente as exigências de santidade, mas podia obter expiação temporária por meio do sistema sacrificial.
• Deus (Yaohu) chamou o seu povo para buscar a santidade em todos os aspectos da vida em gratidão pela misericórdia que ele havia demonstrado para com eles.
• Deus (Yaohu) ofereceu bênçãos maravilhosas e ameaçou trazer julgamento caso o seu povo não se arrependesse e se comprometesse com ele.

Público original
Levítico, a forma latina do título grego do livro, significa “acerca dos levitas”. Levi era a tribo de origem dos sacerdotes e cabia aos levitas manter o culto em Israel. O título é apropriado, uma vez que o livro trata principalmente do culto e do que era próprio para ele. No entanto, não é dirigido apenas aos levitas, mas também aos israelitas leigos, dizendo-lhes como oferecer sacrifícios e como ser puro, um requisito para entrar na presença de Deus (Yaohu) em adoração.

Propósito e características
Talvez nenhum outro livro do Antigo Testamento seja tão desafiador para o leitor moderno quanto Levítico, sendo necessário exercitar a imaginação para visualizar as cerimônias e os ritos que constituem grande parte do livro. No entanto, é importante entender os rituais de Levítico por dois motivos. Em primeiro lugar, de modo geral, os rituais preservam, expressam e ensinam os valores e os ideais mais preciosos de uma sociedade. Embora os vários aspectos dos rituais de Levítico pareçam obscuros para os leitores modernos, os israelitas do Antigo Testamento sabiam o motivo pelo qual determinados sacrifícios eram oferecidos em ocasiões específicas e que certos gestos significavam.

Cristo em Levítico:
Por meio de seus símbolos e ritos, Levítico apresenta uma descrição do caráter de Deus (Yaohu) que é pressuposta e aprofundada na mensagem do Novo Testamento sobre Cristo. Esse livro ensina que Deus (Yaohu) é a fonte da vida perfeita, que ele ama o seu povo e quer habitar no meio dele. Vemos nisso uma prefiguração da encarnação, na qual “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Levítico também mostra claramente a pecaminosidade humana: Tão logo os filhos de Arão haviam sido ordenados, eles profanaram o seu ofício sacerdotal e morreram, numa demonstração terrível de julgamento divino (cap,10). Aqueles que sofriam de doença de pele e fluxo, bem como aqueles que possuíam imperfeições morais, eram proibidos de participar do culto, pois suas imperfeições eram incompatíveis com o Deus (Yaohu) santo e perfeito (cap, 12 – 15). Por meio desse simbolo, Levítico ensina a universalidade do pecado humano, uma doutrina afirmada também por Cristo (Mc 7,21-23) e Paulo (Rm 3,23). Preso entre a santidade divina e a pecaminosidade humana, a maior necessidade do ser humano é receber expiação. É nesse ponto que o livro mostra mais instrutivo para o cristão, pois seus conceitos se cumprem na obra expiatória de Cristo. Ele é o Cordeiro sacrifical perfeito que tira o pecado do mundo (1,10; 4,32; Jo 1,29). Sua morte é o resgate por muitos (Mc 10,45) e o seu sangue purifica de todo pecado (4; Hb 9,13-14; 1Jo 1,7). Acima de tudo, Cristo é o sumo sacerdote perfeito que entra, não no tabernáculo terreno uma vez por ano no Dia da Expiação (Lv 16), mas no templo celestial para sempre. Cristo não ofereceu um mero bode pelos pecados de seu povo, mas sim, a sua própria vida (Hb 9 – 10). Quando o véu do templo se rasgou na crucificação de Cristo, ficou claro que sua morte ABRIU O CAMINHO PARA DEUS – YAOHU DE MODO QUE TODOS QUE CRESSEM TIVESSEM UM ACESSO MAIS PLENO (Mt 27,51; Hb 10,20). [POR ISSO, QUE É MUITO IMPORTANTE, SABER O NOME DESSE “DEUS” – NÃO UM TÍTULO SOMENTE OU PIOR, QUALQUER “deus”? MAS SIM O ÚNICO QUE SALVA YAOHU]. Além do mais, enquanto Levítico se concentra na importância de manter Israel separado dos povos vizinhos, o Novo Testamento abre o reino PARA TODAS AS NAÇÕES e desse modo, revoga a observância das leis alimentares (Mc 7; At 10) sem, no enanto, abrir mão dos princípios morais simbolizados nas mesmas (Jo 17,16; 2Co 6,14 – 7,1). O Deus (Yaohwh) santo de Levítico é mostrado nos Evangelhos como sendo CRISTO, que oferece vida, saúde e santidade a todos os que estão dispostos a segui-lo.
Sito as palavras de Paulo:
“Atos 17,23”: Porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. (YHWH – “Yaohu” – o Nome pessoal de “EL-ULHIM” = DEUS NO PLURAL = YAOHU UL.).

Levítico. (LUGAR E FUNÇÃO DO LIVRO):

O livro de Êxodo termina com a construção da Tenda do Encontro (40,16-33), que Yaohu imediatamente legitima, vindo instalar-se nela na nuvem (40,34-38).
As primeiras palavras do Levítico exprimem a seu modo esta legitimação: enquanto no Êxodo Yaohu falava a Moisés sobretudo no cume do Sinai, agora é “da tenda da reunião” que o faz (1,1).
Nos 27 capítulos deste livro, Deus (Yaohu) transmite a seu povo “suas leis e seus costumes”, pois “é pondo-os em prática que o homem tem a vida” (18,5). Em suma, vai explicar-lhes o bom uso dessa “tenda”, para que seja verdadeiramente um lugar de “encontro”: não aconteça que um erro ritual (1 – 10), uma impureza física (11 – 16) ou uma infidelidade moral (17 – 26) cause obstáculo a essa comunhão. Por isso tudo é descrito com tanta minucia.
Contudo, o Levítico não apresenta senão certos aspectos do culto israelita. É talvez no saltério que se devam procurar as orações e os cantos que acompanhavam os ritos. São sobretudo os profetas (p. ex. Jr 7,3-11; Os 6,6) que lembra a Israel que a execução dos ritos não basta para proporcionar a salvação. Mas o que o Levítico quer fazer penetrar na consciência dos fiéis, e isto com uma insistência incansável, é que a comunhão com o Deus (Yahu) vivo é a verdade última do homem!

Levítico. (DATAÇÃO, ORIGEM E CONTEÚDO DO LIVRO):

O texto, no seu estado atual e canônico, é de redação pós-exílica, embora reúna em um todo relativamente coerente elementos de origens diversas, alguns dos quais podem remontar a uma alta antiguidade. Na época em que o poder político do sacerdócio vai aumentando, já que não existe mais rei, e o profetismo está em vias de desaparecimento, os sacerdotes de Jerusalém reuniram e completaram, para as necessidades do Segundo Templo, diversas coleções de leis e de rituais.
Numa primeira seção (1 – 7), apresentam-se as diversas categorias de sacrifícios que o israelita pode (ou deve) oferecer a Deus (Yaohu), em certas circunstâncias. Não se trata de uma iniciação para o uso dos profanos, mas da codificação, para os iniciados, dos rituais, numa espécie de livro de referência. Em particular, nada se diz sobre a origem ou a significação dos sacrifícios e dos rituais. Só se pode constatar, por alusões ou comparações, que Israel hauriu o princípio dos sacrifícios das religiões do Antigo Oriente e que soube encher este quadro ritual com um conteúdo novo, correspondente a sua visão do mundo e ao seu conhecimento de Deus (Yaohu)
A segunda seção (8 – 10) descreve as cerimônias que se desenrolam por ocasião da investidura sacerdotal de Aarão e de seus filhos. Esses três capítulos talvez tenham constituído, na origem, a continuação direta do Êxodo, respondendo às prescrições do capítulo 29. Os sacerdotes aparecem ali com toda clareza na sua função de mediação, que implica uma exigência particular de santidade, já que devem servir de intermediários entre o povo de Deus (Yaohu) santo.
A terceira seção (11 – 16) elenca diversas categorias de impurezas que impedem o homem de entrar em contato com Deus (Yaohu) [praticamente: que o impedem de aproximar-se do santuário]: o consumo se alimentos impuros, a impureza da mulher depois do parto, a lepra, a impureza sexual do homem ou da mulher. O capítulo 16, de certo modo, constitui o coração do livro: descreve a majestosa liturgia do Yom Kippur, o Dia do Grande Perdão, que chegou a ser chamado de “Sexta feira Santa no Antigo Testamento”.
A quarta seção engloba os capítulos 17 – 26, que geralmente são agrupados sob o título de Lei (ou Código de Santidade. Uma vez que Yaohu é um Deus vivo e santo (qadosh, 11,44-45; 19,2; 20,26; 21,8), o povo que escolheu, que reservou para si, que lhe é consagrado (qadosh, 11,44-45; 19,2; 20,7.26; 21,6-8), deve procurar tudo o que facilita a comunhão com Deus [Yaohu] e evitar tudo o que, física ou moralmente, pôr obstáculo a essa comunhão vital: não consumir o sangue, que é a sede da vida dada por Deus [Yaohu]; recusar quaisquer relações sexuais anormais; respeitar a Yaohu entre único DEUS, e o homem enquanto criatura de Deus (Yaohu); garantir a dignidade do sacerdócio e dos sacrifícios e celebrar fielmente as festas e os anos santos.
O capítulo 27, apêndice ao conjunto do livro, trata dos problemas de tarifação dos votos e dos resgates.

PEQUENO LÉXICO DO LEVÍTICO

A leitura do Levítico não é fácil. O estilo é muitas vezes monótono e bastante árido. Encontra-se nele certo número de termos técnicos, cujo valor é importante conhecer. Também é preciso ter consciência de certos traços da mentalidade hebraica e de certas instituições do povo de Israel. Não se deve, por exemplo, imaginar os sacerdotes de Israel à semelhança dos sacerdotes nas Igrejas cristãs de hoje: embora a palavra seja a mesma, ela não designa duas realidades idênticas. O pequeno léxico que se segue quer agilizar a compreensão do livro. {As seções são tratadas na ordem das quatro seções do livro: sacrificais,sacerdócio, puro e impuro, santidade. Na primeira parte, os termos técnicos sacrificais estão classificados por ordem alfabética}.

1. Os sacrifícios. Em todas as religiões, o sacrifício é uma tentativa de entrar em relação mais íntima com a divindade; por isso a história das religiões o estudou essencialmente sob três pontos de vista: o sacrifício enquanto “dom” oferecido à divindade; o sacrifício operando uma “comunhão” com a divindade; o sacrifício visando a uma “expiação” dos pecados e ao perdão por parte da divindade. Os sacrifícios israelitas dividem-se com bastante facilidade entre essas três categorias; dom: holocausto, oferenda vegetal, primícias; comunhão: sacrifício de paz; expiação: sacrifício pelo pecado, sacrifício de reparação.
No decorrer dos séculos e sob o peso das circunstâncias, desenhou-se uma evolução: refletindo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o Exílio, Israel adquiriu uma consciência mais viva da força do pecado e da necessidade de perdão. Eis por que o Levítico enfatiza o papel reconciliador dos sacrifícios, dando grande importância à absolvição pelo sangue e reduzindo as oferendas vegetais a complemento dos sacrifícios sangrentos.
a) Aceitar: o verbo (sempre no passivo no Lv) e o substantivo correspondente (sempre em um sentido passivo) designam o escolhimento benévolo que Deus (Yaohu) dá a um ofertante sincero, aceitando e aprovando o seu presente, quando o oferente obedece às regras rituais.
b) Holocausto: sacrifício de uma vítima totalmente consumida pelo fogo sobre o altar (excetuada a pele, cf. 7,8). É o sacrifício que exprime por excelência a doação: o oferente não recebe nada da vítima sacrificada. Encontra-se o seu equivalente entre os gregos e em Ugarit, mas não entre os demais semitas.
c) Memorial: termo técnico que designa a parte de uma oferenda vegetal (com ou sem incensos) consumida sobre o altar. Quanto à significação da palavra, cf. 2,2 nota.
d) Oferenda consumida: termo geral que engloba tudo o que é queimado sobre o altar para Deus (Yaohu) e, por extensão, a vítima toda inteira de tais sacrifícios. Parece, todavia, que o termo nunca é utilizado explicitamente para as partes queimadas do sacrifício pelo pecado. A etimologia da palavra é desconhecida, mas evoca por assonância a palavra hebraica para “fogo”, donde a tradução: oferenda consumida. i.é. Pelo fogo.
e) Oferenda vegetal: a palavra minhá designava originalmente o conjunto dos sacrifícios da categoria do dom e da comunhão (Gn 4,3-5; Sm 2,17). Mais tarde, o termo especializou-se no sentido de oferenda não-sangrenta e foi substituído na acepção geral pelo termo presente (cf. Tópico J).
f) Paz (sacrifício de -): por vezes é chamado também de sacrifico de “comunhão”, ou sacrifício de “aliança”. As partes gordas da vítima são queimadas sobre o altar para Deus (Yaohu), uma parte da carne é reservada aos sacerdotes e o resto é consumido pelo oferente, sua família e seu amigos. O Levítico distingue três formas específicas desse sacrifício, que correspondem a disposições internas dos oferentes, mais do que a rituais próprios: o sacrifício de louvor (7,12-15), o sacrifício votivo (7,16) e o sacrifício espontâneo (7,16). O sacrifício de paz, assim como o holocausto, tem o seu equivalente em Ugarit e entre os gregos, mas não entre os demais semitas.
g) Pecado (sacrifício pelo -): ele é difícil de ser distinguido do sacrifício de reparação (cf. Tópico K): não se sabe se na origem se trata de dois sacrifícios diferentes, que pouco a pouco se teriam confundido, ou de um único sacrifício conhecido sob duas designações sinônimos, que os redatores teriam artificialmente distinguido no ritual ulterior.
A vítima varia segundo a qualidade ou os meios do delinquente; o sangue desempenha o papel mais importante, pois é ele que proporciona a absolvição; as gorduras são queimadas sobre o altar, como sacrifício de paz; as carnes são consumidas pelos sacerdotes, salvo no caso em que o delinquente é um sacerdote ou o povo no seu conjunto, pois não se pode ao mesmo tempo oferecer um sacrifício pelo pecado e tirar proveito dele.
Este sacrifício não serve para obter o perdão de um pecado deliberado, mas visa restabelecer uma relação com Deus (Yaohu) comprometida pelos pecados involuntários (cf. 4,2 nota) ou por um estado de impureza (cf. 14,19).
h) Perfume: no interior da tenda da reunião (e em Lugar santo do Templo) encontrava-se o altar dos perfumes (4,7), onde se queimava um perfume especialmente composto para este efeito (cf. Êx 30,34 e nota).
À mesma raiz está ligado o termo frequente no Lv e traduzido por “fazer fumegar” (1,9 etc.), que designa toda combustão de sacrifício sobre o altar dos holocaustos. O emprego deste verbo mostra como se entendia que Deus (Yahu) se beneficiava (na forma de “fumaça perfumada”) da doação que lhe era feita.
i) Perfume aplacador: esta expressão está o mais das vezes em estrito paralelo com a expressão oferenda consumida (cf. Tópico d) e, com exceção de um caso (4,31, qualificando o sacrifício pelo pecado), ela se refere a um sacrifício que se pode qualificar de oferenda consumida. Talvez na origem se trate do decalque hebraico de uma expressão acádica que aparece no relato babilônico do dilúvio, por ocasião do sacrifício oferecido pelo resgatado (cf. Gn 8,21). Ela exprime o desejo que o oferente sente de manter uma relação pacífica com um Deus (Yaohu) benevolente.
j) Presente (cf. Tópico e: oferenda vegetal): no “Código Sacerdotal” a palavra qorban designa qualquer espécie de sacrifício, e até oferendas não sacrificais (Nm 7). Significa literalmente aquilo que a gente “aproxima” de Deus (Yaohu) {ou do altar}, mas pouco a pouco a palavra adquiriu o sentido de “oferenda sagrada” ou de “objeto consagrado”, sentido que o termo tem na boca de Cristo – MESSIAS – (Mc 7,11).
k) Reparação (sacrifício de -): (cf. Tópico g: sacrifícios pelo pecado). Na época do Segundo Templo, apesar da identidade dos ritos, o sacrifício de reparação parece ter-se distinguido do sacrifício pelo pecado, essencialmente pelo fato de vir acompanhado de uma reparação do mal causado (restituição ou re-embolso com majoração de um quinto). Talvez ele diga respeito também a casos particulares e mais individuais que o sacrifício pelo pecado. Finalmente, ele não faz parte do ritual de nenhuma grande festa de Israel. Estes dois sacrifícios parecem constituir uma peculiaridade de Israel: não se encontra atestação certa de sacrifício deste tipo em nenhum dos povos vizinhos ou contemporâneos.
l) Santíssimo (ou coisa santíssima): enquanto a expressão qôdesh qodashim (lit. Santo dos santos ) tem muitas vezes um sentido local, designando especialmente a segunda parte do santuário (tenda ou templo), conhecida também sob o nome de debir (quarto sagrado, cf. 1Rs 6,16), o redator do Levítico só a emprega para designar uma coisa consagrada a Deus (Yaohu) e do qual, por conseguinte, não se pode fazer nenhum uso profano. Pare ele, são essencialmente as partes dos sacrifícios “expiatórios” e das oferendas vegetais, reservados exclusivamente aos sacerdotes, que são coisas ou oferendas santíssimas.
M ) Santo: a palavra qôdesh designa ou qualifica uma grande variedade de coisas: pessoas,lugares, tempos, objetos, oferendas. Cf. Abaixo §4.
2. O sacerdócio. A origem que o Levítico oferece do sacerdócio é o resultado de uma evolução de vários séculos, no qual se manifestaram influências diversas, religiosas, morais, sociais, políticas.
Na época mais antiga, as funções sacerdotais (garante a mediação entre o homem e Deus [Yaohu] pela execução dos ritos e pela comunicação da vontade divina) não parecem ser exercidas exclusivamente por uma classe de especialistas. Os patriarcas, na qualidade de chefes de família, oferecem eles mesmos os sacrifícios (Gn 8,20; 15,9-10; 22,1-14).
Contudo, em torno dos lugares de culto (p. ex. Shilô, 1Sm 1 – 3; Dan, Jz 18,19-20.27-31) estabelecem-se famílias sacerdotais que garantiam o serviço do santuário e conservavam as tradições e os ritos. Em Jerusalém, Davi encontrou uma família sacerdotal (a de Sadoq) que talvez tivesse ligações com Malki-Sédeq, o rei sacerdote da época patriarcal (Gn 14,17-20). A importância adquirida por Jerusalém atraiu muitos sacerdotes dos outros lugares de culto; foram, aliás, obrigados a se reagrupar ali quando Josias decidiu centralizar todo o culto israelita em Jerusalém: mas este aporte de pessoal não deixou de criar litígios entre o pessoal ali instalado e os recém-chegados (2Rs 23,8-9).
Já no reinado de Salomão, havia-se assistido a lutas de influência entre duas famílias sacerdotais, a de Ebiatar e o de Sadoq, cujas origens não são claramente conhecidas. Os sadoquitas teriam acabado excluindo quase completamente os seus rivais do exercício do sacerdócio hierosolimitano (1Rs 2,26-27). O Exílio pôs fim a essas rixas, quando os dois grupos foram genealogicamente ligados a Aarão, fazendo deste último, membro da tribo de Levi, o primeiro sumo sacerdote, no ponto de partida de todo sacerdócio (1Cr 24,1-6).
Depois da volta do Exílio (538 a.C.), não sendo restaurado a realeza, é o clero que assume as rédeas do destino do povo. Aquele que se acabará chamando ‘sumo sacerdote’ vai pouco a pouco ocupando uma função equivalente à do rei: traz insignias régias (8,9) e, como o rei pré-exílico, recebe a unção (8,12). A partir de Aristóbulo I (104-103 a.C.). tornou-se explícito o que era implícito: o sumo sacerdote assume o título de rei.
O que importa é o que permaneceu imutável ao longo de toda esta evolução, a saber o caráter mediador do sacerdote, o qual, introduzido pela sua consagração na esfera do sacro, pode desempenhar o papel de intermediário autorizado.
3. O puro e impuro. A noção de impureza é bem próxima à de “tabu”, tal como os historiadores das religiões a encontram nos povos mais diversos. Ela supõe que o homem deseja viver uma vida enquadrada por regras estáveis, protegida da angústia do desconhecido. Consequentemente, tudo o que é excepcional, anormal, insólito, tudo o que é mudança, passagem de um estado a outro, aparece como uma ameaça, como a manifestação de um poder que zomba das regras conhecidas, como uma mancha contagiosa da qual é preciso proteger-se, afastando-se dela, ou do qual é preciso libertar-se, purificando-se.
A Impureza não é um ato culpável: com efeito, as obrigações da vida (maternidade, toalete dos mortos, etc.) implicam necessariamente o homem num estado de impureza que o impede de entrar, pelo culto, em relação com o Deus (Yaohu) santo, estado do qual ele tem de se purificar. O ato culpável acontece quando, estando em impureza, a pessoa age como se estivesse em estado de pureza (Lv 15,31). Ezequiel utilizará o vocabulário da impureza para qualificar os pecados de Jerusalém, incluídos os que eram cometidos contra a moral propriamente dita (cf. Ez 22,7). O pecado é com efeito a grande impureza que compromete a relação entra o homem e Deus (Yaohu).
O fato de as proibições de Lv 11 – 15 serem codificadas é o sinal de que quase não são mais vividas espontaneamente; o Levítico as coloca em relação com o Deus (Yaohu) da aliança (11,44-45), o Yaohu da vida, para quem devemos manter-nos puros.
O Novo Testamento é testemunho de vários debates sobre o valor dessas proibições (Mc 7,1-23; At 10; 1Co 6,12-20).
4. A santidade. A santidade é uma das noções capitais do Levítico, e de todo o Antigo Testamento. Ela tem parentesco com a noção de pureza.
Fundal-mente, a santidade designa todo o mistério insondável do Deus (Yaohu) transcendente, do Deus (Yaohu) absolutamente diferente, incomparável, inapreensível, inefável, do Totalmente-Outro inacessível ao homem. Dizer que o Yaohu é santo é, pois, não tanto dar a Deus (Yaohu) uma qualificação moral, mas antes afirmar que ele é radicalmente dessemelhante de tudo o que o homem conhece ou imagina.
No entanto – e isto também é um elemento constitutivo da sua santidade – este Deus (Yaohu) transcendente permite ao homem aproximar-se dele (cap. 23); este Deus (Yaohu) incompreensível dá-se conhecer e comunica a sua vontade (cap. 19); ele faz irradiar a sua santidade e quer fazer a humanidade participar dela: “Sede santos, pois eu sou santo…” (19,2). Ao escolher o povo de Israel, Deus (Yaohu) o quer diferente dos demais; reserva-o para si, distinguindo-o e separando-o dos povos profanos, para que possa entrar em comunhão com o Deus (Yaohu) santo. Esta eleição traz consigo uma exigência moral, consequência da santidade do povo eleito, mas que o levou a santificar-se constantemente, para permanecer nessa COMUNHÃO vital e manifestar assim aos olhos das outras nações a santidade do seu Deus (Yaohu).
Os homens não são os únicos a ser chamados de santos: TUDO O QUE EXPRIME A PRESENÇA DE DEUS (YAOHU) PODE SER QUALIFICADO DE SANTO:
• Pessoas (p. ex. Os sacerdotes, que penetram mais profundamente na esfera de Deus (Yaohu) e que devem abster-se de diversas práticas legítimas, porém profanas, cap, 21 – 22);
• Tempos (p. ex. O sábado, dia do Yaohu, no decurso do qual se deve renunciar às ocupações profanas, Êx 20,8-11);
• Lugares (p. ex. O santuário, no qual não têm direito de penetrar nem os profanos nem os estrangeiros, Hb 9,7-8; At 21,28);
• Objetos (p. ex. O óleo de unção santa, que serve aos ritos de consagração e é proibido para qualquer uso profano, Êx 30,23-33).
Em suma, a noção de santidade comporta três ideias-força: Separação de tudo o que é profano, consagração para entrar em comunhão com Deus (Yaohu), compromisso para fazer a vontade Dele.

O LEVÍTICO NA BÍBLIA E NA VIDA DO CRENTE

O Levítico apareceu tarde demais na vida de Israel para poder influenciar de maneira sensível os demais livros do Antigo Testamento. Por outro lado, apresenta com exclusividade excessiva a “técnica” dos sacrifícios israelitas para ser citado com frequência no NT. As passagens citadas com maior frequência são tiradas sobretudo das leis morais do “Código da Santidade”. Mas a influência de um livro não se mede somente pelo número de citações que dele se fazem. Daí por que a influência do Levítico não é desprezível, embora indireta; com efeito, o culto praticado em Jerusalém consoante as regras codificadas no Levítico é o pano de fundo das reflexões do NT sobre o sacerdócio e o sacrifício de Cristo. Sem o Levítico, falta-nos iam muitos elementos para compreender como Paulo ou a epístola aos Hebreus (cf. Hebreus, Introdução § 8) interpretam teologicamente a morte de Cristo – Messias.
Hoje o Levítico é talvez, entre os livros do AT, o menos lido pelos cristãos. Com efeito, ele não é de acesso fácil, e parece só falar de práticas que caducaram em virtude da nova Aliança. Mas é preciso entender bem esta “caducidade”. Ao aproveitar gestos religiosos dos seus vizinhos ou ao criar novos para elaborar o seu ritual, Israel procurou fazer o culto que celebrava concordar com a fé que professava; o culto tinha a função de exprimir e realizar a reconciliação e a comunhão do povo santo com o Deus (Yaohu) santo, em nome do qual pelejavam os profetas e todos os que zelavam pela pureza da fé em Israel. As festas, os ritos, os gestos variam com os tempos e os lugares, de acordo com o que se quer expressar e de acordo com os meios de que se dispõe para fazer isso. Mas permanece o desejo de exprimir a fé pela festa comunitária e pela linguagem do corpo. Nem as investidas proféticas contra um culto mal celebrado, nem o abandono dos ritos levíticos por parte do judaísmo, privado do seu Templo, e por parte do cristianismo, que reconheceu o valor único e definitivo do sacrifício de Cristo, nada disso abole o fato de que o Levítico está presente na Bíblia. A presença dele responde à necessidade humana de exprimir a fé por gestos religiosos, ao mesmo tempo em que anuncia e prepara a vinda daquele que traz nas suas palavras e realiza na sua vida a reconciliação e a comunhão dos homens com Deus (Yaohu).

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DO “LEVÍTICO”

Nadabe/Abiú
Pontos fortes e êxitos:
• Filhos mais velhos de Arão.
• Primeiros candidatos a serem sumo sacerdote após seu pai.
• Envolvidos na consagração do Tabernáculo.
• Elogiados por fazerem “todas as coisas que Yaohu ordenara” (Lv 8,36).

Fraquezas e erros:
• Trataram as ordens diretas de Deus (Yaohu) de forma indiferente.

Lições de vida:
• O pecado traz consequências mortais.

Informações essenciais:
• Local: Península do Sinai.
• Ocupação: Aprendizes de sacerdote.
• Familiares: Pai – Arão; tios – Moisés e Miriã; irmãos – Eleazar e Itamar.
Versículos-chave:
• “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e puseram incenso sobre ele, e trouxeram fogo estranho perante a face de Yaohu, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante de Yaohu e os consumiu e morreram perante Yaohu” (Lv 10,1.2).
A história de Nadabe e Abiú pode ser encontrada em Levítico 8 – 10. Eles são também mencionados em Êxodo 24,1.9; 28,1; Números 3,2-4; 16,60.61.

NÚMEROS

INTRODUÇÃO

Visão geral

Autor: Moisés.
Propósito: Conclamar a segunda geração do êxodo a servir a Deus (Yaohu) como seu exército santo na conquista da Terra Prometida, evitando os erros do passado e permanecendo fiéis aos preceitos de Deus (Yaohu).
Data: c. 1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Deus (Yaohu) preparou o seu povo plenamente para servi-lo e ser bem-sucedido na conquista da Terra Prometida. Os membros da primeira geração fracassaram porque foram ingratos para com a graça que Deus (Yaohu) havia lhes demonstrado e temeram o poder dos cananeus.
• Deus (Yaohu) levantou outra geração para conquistar a Terra Prometida; mas, para que fossem bem-sucedidos, eles também teriam de ser fiéis a Yaohu.

Propósito e características

Na Bíblia hebraica, o título do livro é derivado da quinta palavra hebraica do primeiro versículo, que pode ser traduzida como “no deserto” – uma descrição apropriada do conteúdo do livro. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego (a Septuaginta), seus livros receberam títulos gregos. Nesse caso, foi adotada uma palavra grega que descreve apenas as listas dos homens de guerra: arithmoi ou “NÚMEROS”.
Pelo menos três temas são fundamentais na mensagem de Números. Em primeiro lugar, o livro descreve vividamente a misericórdia e a fidelidade de Deus (Yaohu) para com o seu povo. Ele mostra Deus (Yaohu) dirigindo o seu povo enquanto este se preparava para a jornada pelo deserto, consolando-o nas suas dificuldades, tratando de seus medos e castigando-o apenas depois de se mostrar extremamente paciente. Os erros dos isralitas – até mesmos dos melhores dentre eles, inclusive Arão, Miriã e Moisés – são contrastados com a perfeição do Deus (Yaohu) sempre fiel à sua aliança.
O segundo tema mais importante em Números é o poder soberano de Deus (Yaohu) de realizar os seus propósitos. O livro mostra o fracasso total da primeira geração e o julgamento severo de Deus (Yaohu) sobre ela. No entanto, também oferece esperança para a segunda geração do êxodo: Deus (Yaohu) continuava conduzindo a História rumo ao seu objetivo de levar Israel à Terra Prometida. Os propósitos de Deus não falharão, mesmo quando o seu povo fracassa.
O terceiro tema fundamental é a responsabilidade do povo de Deus (Yaohu) de ser fiel ao chamado que ele lhe fez. O livro termina de modo repentino, mostrando a segunda geração se preparando para entrar na terra, e não registra nenhuma das batalhas travadas do outro lado do Jordão. Ele foi escrito para chamar a segunda geração a avançar na conquista como o exército santo de Deus (Yaohu).

Cristo em Números:

Números apresenta um retrato histórico que aponta para Cristo de cinco modos principais. Em primeiro lugar, em termos gerais, à medida que o livro descreve Israel se preparando, fracassando e se preparando novamente para guerra santa em Canaã, os leitores cristãos são lembrados dos últimos estágios da guerra santa por meio da qual Cristo conquistará os novos céus e a nova terra. Cristo começou a última batalha contra os inimigos de Deus (Yaohu) quando morreu e ressuscitou dentre os mortos (Cl 2,15; Hb 2,14-15). Essa guerra tem continuidade por meio da pregação do evangelho pela igreja de hoje (At 15,15-17; Ef 6,10-18). Por fim, quando Cristo voltar, a batalha pelo mundo será concluída (Ap 19,11-21; 21,1-5). Em segundo lugar, o livro volta o seu foco repetidamente para a fidelidade do povo de Deus (Yaohu), lembrando aos cristãos não apenas da salvação que se dá por meio da obediência perfeita de Cristo (2Co 5,19), mas também do seu chamado para que seus seguidores busquem a santidade (Hb 12,14). Em terceiro lugar, Cristo também é revelado em alguns tipos específicos em Números. A obra de Cristo, por exemplo, é prefigurada pela tipologia da novilha vermelha (cap. 19; Hb 9,13), pela água que jorrou da rocha (20,11; 1Co 10,4) e pela serpente erguida, que da morte trouxe vida (21,4-9; Jo 3,14-15), Em quarto lugar, a profecia especifica sobre as conquistas de Davi, que derrotaria os inimigos de Israel (24,15-19), prefigura Cristo que, como o grande filho de Davi, um dia será reconhecido como o maior Rei de todos. Por fim, a centralidade do tabernáculo também prefigura Cristo. Em sua primeira vinda, Cristo veio habitar (lit. “tabernacular”) no meio da humanidade (Jo 1,14) e, por meio de sua morte e ressurreição, abriu caminho para que todo àquele que crê entre na presença de Deus (Yaohu) [Mc 15,38; Hb 6,19; 10,20]. O apóstolo Paulo ensinou que a igreja é o templo de Deus (Yaohu) e que o mesmo pode ser dito de cada cristão 1Co 3,16; 6,19-20; Ef 2,19-22). Na segunda vinda, a habitação de Deus (Yaohu) com a humanidade será plena e os cristãos não precisarão mais de um templo para Deus (Yaohu), pois o Cordeiro será o templo (Ap 21,3.22).

Números. O livro dos Números, assim chamado pelos tradutores gregos por causa dos recenseamentos que constituem o objeto dos primeiros capítulos, é o mais complexo dos livros do Pentateuco.

Plano do livro. Se nos ativermos às grandes linhas, descobriremos três partes:
 a primeira prolonga e completa a apresentação das instituições descritas no Êxodo e no Levítico: recenseamentos (cap. 1 – 4), dedicação do santuário (7), consagração dos levitas (8);
 na segunda, Israel deixa o Sinai (10) para atravessar o deserto, onde deverá andar errante durante quarenta anos (11 – 14; 16 – 17; 20). Finalmente, ele chega á Transjordânia, aos limites da terra de Moab (21); é lá que se situam os episódios das bênçãos de Bileâm (22- 24) e a apostasia de Bet-Peor (25);
 a terceira começa com um novo recenseamento (26) e contém sobretudo as disposições tomadas por Moisés para a partilha dos territórios conquistados (32) ou a conquistar (27; 34 – 36). Encontra-se ali também o relato de uma expedição contra a tribo de Midian (31) e o resumo das etapas da marcha de Israel do Egito às margens do Jordão (33).
Portanto, o livro tem a forma de um relato, mas o seu movimento de conjunto com frequência é encoberto pela complexidade dos detalhes. Além disso, contém numerosos elementos legislativos: alguns estão incorporados ao relato (17, 3-5; 31, 21-47); outros, de redação mais recente, são intercalados em diversos lugares sem que se veja qual a sua relação com o contexto (caps.5; 6; 15; 19; 28 – 30).
É possível esclarecer muitos detalhes e reconstituir em parte a história do texto com a ajuda das teorias modernas da pesquisa do Pentateuco (cf. Introdução ao Pentateuco). Elas não permitem, porém, explicar a unidade do livro. O princípio desta unidade deve ser buscado no tema tratado, resumido com muita exatidão pelo título hebraico do livro: Bamidbar, esto é, No deserto.

Israel no deserto. A maior parte dos textos reunidos em Números referem-se, efetivamente, ao período durante o qual Israel permaneceu nos desertos que margeiam a Palestina a sul e sudeste.
Os acontecimentos deste período não são facilmente compreensíveis para o historiador. O mais certo é que diversas tribos seminômades se encontraram na península do Sinai e ao sul da Transjordânia e foram se associando progressivamente para formar um povo. Algumas tribos haviam fugido do Egito (por volta de 1230), outras vinham de outras paragens. Se é impossível determinar a duração exata deste processo, é possível, com a Bíblia, relacioná-lo com lugares em torno dos quais gravitam os relatos das três artes dos Números: o lugar santo do Sinai (1 – 10), o grupo de oásis de Qadesh (13 – 14; 20), as planícies de Moab, no vale inferior do Jordão (21 – 36).
Quando um povo nasce dessa maneira, sobretudo numa região muito isolada, sua formação geralmente não deixa vestígio nos documentos dos povos vizinhos; os textos egípcios e os vestígios arqueológicos permitem apenas situar os movimentos das tribos israelitas no conjunto das migrações seminômades que se desenvolveram ao longo de todo o 2º milênio em direção à Palestina. Mas as origens de Israel deixaram lembranças duradouras na memória das próprias tribos: vitórias (21; 31), derrotas (20, 21; 21,1), incidentes diversos (11,1-3; 25,1-6), conflitos entre as tribos (que se podem adivinhar em 14, 23-24; 16,1; 32, 6) e mesmo aos pormenores dos itinerários percorridos (21,10-20; 33,1-49), que, aliás, coincidem com as rotas seguidas pelos nômades até época recente.
Quanto a este período, em que Israel começou a adquirir consistência, a Bíblia procura sobretudo dar-lhe o significado global. A estada no deserto foi para Israel ocasião de uma experiência religiosa privilegiada, que conserva valor para todas as gerações seguintes. Com frequência este período será apresentado com um ideal ao qual se deveria procurar voltar, ao menos parcialmente. A Bíblia dá muitas interpretações desta época excepcional: a de Oséias (tempo dos esponsais: Os 2,16-25; da mesma forma Jr 2, 2-3), a do Deuteronômio (período de educação: Dt 8, 2-6); a de Ezequiel (tempo de infidelidade: Ez 20). Números, único livro inteiramente consagrado a este tema, conserva sobretudo três aspectos: Israel era então um povo em que marcha, não estabelecido de modo permanente; era um povo isolado, subtraído a toda influência estrangeira; era um povo em formação, no qual subsistiam ainda muitos problemas fundamentais por resolver.

Um povo em formação. O livro consiste em uma série de relatos que continuam os do Êxodo. E aqui, como no Êxodo, podem-se distinguir três tramas narrativas: as tradições “sacerdotal” (P), “javista” (J) e “eloísta” (E). Mas elas estão melhor amalgamadas e, no conjunto, o relato é coerente e livre de repetições inúteis. É sobretudo por suas intenções teológicas que as três tradições se distinguem. Para J e E, trata-se de expor a história da primeira geração de Israel, deixando aos leitores a responsabilidade de extrair lições para a sua época. P, pelo contrário (da mesma forma que E em alguns casos), procura justificar as instituições que recomenda, narrando sua origem e descrevendo seu funcionamento.
As três tradições estão de acordo quanto aos acontecimentos essenciais da travessia do deserto, que aparece como um período de ajustamento, cujos fatos mais salientes são crises, frequentemente dramáticas. As duas primeiras crises figuram no Êxodo (17 e 32) e Números conta ao menos mais dez: duas no cap. 11, uma no cap. 12, uma em 13 -14, duas ou três em 16 – 17, uma em 20,2-13, uma em 21,4-9, uma ou duas em 25. O povo frequentemente se nega a caminhar, a persistir numa aventura que o amedronta e na qual não acredita mais; contesta a autoridade de seus chefes, suas decisões e até mesmo o plano de Deus (Yaohu). Os chefes, e sobretudo o próprio Yaohu, terão de tomar medidas drásticas com esse povo recalcitrante: uma geração inteira será condenada. Mas o desígnio de Deus (Yaohu) se realizará, ainda que seja na geração seguinte: o povo chegará à terra que Yaohu lhe destinou.
Este objetivo polariza todo o relato. Apesar das tentativas malograda (14, 39-45; 20,14-21), apesar dos cadáveres que juncam o deserto (14, 29; 26, 65), o povo avança para a Terra prometida (33); e a ocupação da Transjordânia (21, 21-35) é o prelúdio da entrada vitoriosa em Canaã.
Moisés. Impossível seria esta longa caminhada sem a presença do chefe, cuja importância as três tradições timbram em sublinhar: Moisés. Mas sua importância é enfatizada de maneira diferente em cada uma delas. A tradição “eloísta” (e em certa medida a “javista”) oferece-nos um retrato particularmente vivo e rico: o Moisés que ela apresenta é de uma grande verdade humana, com suas fraquezas (16,15; 20,10-12) e seus desalentos (11,11-15). Não há dúvida de que o traço dominante nele é sua fidelidade total a uma missão complexa e ingrata: Sua oração várias vezes salvará o povo em revolta contra ele (12,13; 14,13-19; 16, 22; 17,10-13). É homem de oração que vive com Yaohu numa intimidade excepcional (12, 6-8), o que o situa acima de todos os profetas, dos quais ele é protótipo.
Completamente diferente é a imagem que dele apresentam os textos “sacerdotais”. Nestes, com frequência. Moisés não passa de um porta-voz impessoal dos desígnios de Yaohu. Afinal de contas, seu nome não passa de um carimbo de autenticação oposto a uma regulamentação, sobretudo se ela é tarifada. Os textos “sacerdotais” põem-lhe ao lado a figura de seu irmão Aarão, o sumo sacerdote, cuja função muitas vezes consiste apenas em permanecer ao lado de Moisés, quando este comunica a Israel as ordens de seu Deus (Yaohu). O fato de que se faça questão de colocar o nome de Aarão ao lado do de Moisés, às vezes mesmo sem levar em consideração a correção gramatical (9,7; 20,10), indica claramente qual é o objetivo desses textos: Justificar a situação que os relatos mostram estabelecida desde a morte de Moisés: O sumo sacerdote (Eleazar, filho de Aarão) tem o monopólio da revelação divina a mais alta autoridade sobre o povo (27, 21).

A visão “sacerdotal” do povo de Deus (Yaohu). Esta maneira de escrever a história é característica dos textos “sacerdotais”. Sua intenção é descrever as instituições do povo de Deus (Yaohu) que corresponderão exatamente à sua teologia. Regulamentos, recenseamentos (1,4; 26), ordens de caminhada (10,13-32) ou de acampamento (2), relatos, tudo concorre para esboçar da maneira mais viva o quadro ideal do povo de Deus (Yaohu). O fato de que os textos P suponham a organização das instituições acabada antes da partida do Sinai (ao passo que para J e E quase tudo ainda está por criar) mostra bem que para eles a existência de Israel é impensável fora deste quadro, descrito frequentemente com minúcia impressionante.
A teologia que justifica estas instituições é particularmente rica, e aqui só podemos citar alguns de seus elementos:
1. Israel, em P, não é um povo em armas, uma nação engajada na vida política internacional, mas uma comunidade dedicada ao culto de Yaohu.
2. Nesta sociedade tudo é regulamentado, diretamente e nos menores detalhes, pelas decisões de Yaohu. Israel é literalmente governado pela palavra de Deus (Yaohu).
3. É um povo em marcha, ao menos até sua instalação em Canaã e nenhum texto prevê a fixação do santuário, concebido em visa da vida nômade. Nenhum lugar santo, nenhum templo fixo poderia monopolizar a presença de Yaohu. A única localização que o Deus (Yaohu) de Israel permite é habitar no meio de seu povo, numa tenda situada no centro do acampamento ou no centro da comunidade em marcha.
4. Esta presença permanente é, ao mesmo tempo, tranquilizadora e temível. Como é possível que o Deus (Yaohu) santo possa morar no meio de uma comunidade de pecadores, sem que eles, a cada instante, corram o risco de ser fulminados (17, 28)? A instituição dos sacerdotes e levitas permite contornar este perigo. Estes homens, especialmente escolhidos, são a parede entre o povo e a presença divina (1, 53; 17, 11); somente eles podem obter a absolvição dos pecados, que fazem pesar sobre a comunidade a ameaça da cólera divina (8, 19; 17, 12). São estas duas funções, sem as quais a comunidade não poderia sobreviver, que justificam seus privilégios (16, 3-8; 18, 8-19).

O povo de Deus (Yaohu) nas outras tradições. Mais difícil seria encontrar uma síntese tão acabada nos textos derivados das tradições “javista” e “eloísta”. Nelas se encontram muitos elementos importantes que completam o quadro do Israel ideal apresentado por P e iluminam o conjunto da história do povo.
Os textos “javista”, que seguem sobretudo as tradições das tribos do sul, estão mais atentos aos aspectos humanos da história. Como no Gênesis, insistem no alcance universal do destino do povo abençoado (Nm 22 e 24). E fixam balizas importantes para a introdução da monarquia davídica (24,7.17-19), que será a correção da história das origens de Israel.
Nos textos “eloístas”, mais fragmentários, pode-se notar um sentido mais claro da unidade do povo, a condenação de toda tendência separatista (16,12-34; 32) e, sobretudo, os primeiros esboços da instituição profética (11, 25-29; 12,1-6).

Atualidade dos Números. O livro de Números é, ao mesmo tempo, o quadro idealizado do povo santo e a história muito realista da primeira fase de sua existência. Esse duplo título confere-lhe um interesse permanente. Na descrição idealizada, o povo de Deus (Yaohu) poderá encontrar sempre um modelo. Não que deva imitar servilmente as instituições que foram a expressão concreta do ideal de Israel; mas pode ler ali alguns dos princípios aos quais deve adaptar sua vida. Assim a Igreja terá sempre necessidade de Números para lembrar-lhe que ela é um povo em marcha, um povo de profetas, regido pela palavra de Deus (Yaohu), dedicado ao culto de Yaohu.
No relato das revoltas do povo em formação, o povo de Deus (Yaohu) encontra uma advertência permanente. É neste capítulo que os profetas e os Salmos apelam para os acontecimentos do período do deserto (Mq 6, 3-5; Ez 16; 20; 23; Sl 78, 17-40; 81, 12-17; 95 ,8; 106, 14-33 etc.). É também o que faz Paulo quando remete os coríntios aos relatos do Êxodo e de Números: “Estes fatos lhes aconteciam para servir de exemplo e foram postos por escrito para instruir a nós” (1Co 10,11). É claro que a Igreja de hoje não deve procurar reconhecer sua própria história nos relatos de Números. Mas as múltiplas crises atravessadas por Israel no deserto são o efeito de leis que parecem valer para toda comunidade de crentes reunidos pela palavra de Deus (Yaohu); a reflexão de Números sobre estas crises poderia ajudar a Igreja a enfrentar melhor as que ela, por sua vez, deve atravessar.
O sistema de instituições dos textos “sacerdotais” baseia-se numa consciência aguda do pecado do povo; as revoltas ilustram este estudo de pecado, mas é uma realidade permanente, um mal crônico. Uma das mensagens mais notáveis de Números é a escolha deste povo de pecadores, separado para levar a bênção à humanidade inteira e para permitir que Deus (Yaohu) esteja presente no meio dos homens. É uma mensagem que a Igreja sempre deverá voltar a escutar para permanecer fiel à sua vocação à santidade, sem perder de vista a realidade dos homens que ela reúne.

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DE “NÙMEROS”

MIRIÃ
Pontos fortes e êxitos:
• Pensava rápido sob pressão.
• Era uma líder bem disposta.
• Era compositora.
• Era uma profetisa.

Fraquezas e erros:
• Teve inveja da autoridade de Moisés.
• Criticou abertamente a liderança de Moisés.

Lição de vida:
• As motivações por trás da critica costumam ser mais graves do que a própria critica.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e Sinai.
• Familiares: Irmãos – Arão e Moisés.

Versículos-chave:
• “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Yaohu, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro” (Êx 15, 20.21).

A história de Miriã pode ser encontrada em Êxodo 2,15 e em Números 12, 20. Ela também é mencionada em Deuteronômio 24, 9; 1 Crônicas 6, 3; Miquéias 6,4.

CALEBE
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um dos espias enviados por Moisés para averiguar Canaã.
• Foi um dos únicos israelitas que saiu do Egito e entrou na Terra Prometida.
• Foi a minoria que se posicionou a favor de conquistar Canaã.
• Expressou fé nas promessas de Deus (Yaohu), a despeito dos aparentes obstáculos.

Lições de vida:
• A opinião da maioria não representa a medida exata do certo e do errado.
• A coragem baseada na fé em Deus (Yaohu) é apropriada.
• Para que a coragem e a fé sejam eficientes, é preciso combinar palavras e ações.

Informações essenciais:
• Locais: Do Egito para o Sinai, depois para Canaã, especificamente Hebrom.
• Ocupações: Espia, soldado e pastor.

Versículo-chave:
• “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança” (Nm 14,24).

A história de Calebe pode ser encontrada em Números 13,14 e Josué 14,15. Ele também é mencionado em Juízes 1 e 1 Crônicas 4,15.

CORÁ
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um líder popular, uma figura influente durante o êxodo.
• Foi mencionado entre os chefes de Israel (Êx 6).
• Foi um dos primeiros levitas a serem chamados para o serviço especial no Tabernáculo.

Fraquezas e erros:
• Não reconheceu a importante posição em que Deus (Yaohu) o havia colocado.
• Esqueceu-se que sua luta era contra alguém ainda maior do que Moisés.
• Permitiu que a ganância cegasse seu bom senso.

Lições de vida:
• Algumas vezes, existe uma linha tênue entre objetivos e ganância.
• Ao ficarmos descontentes com o que temos, em vez da ganhar algo a mais, podemos perder tudo.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e Sinai.
• Ocupação: Levita (assistente no Tabernáculo).

Versículos-chave:
• “Disse mais Moisés a Corá: Ouvi, agora, filhos de Levi, porventura, pouco para vós é que Deus (Yaohu) de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a administrar o ministério do tabernáculo de Yaohu e estar perante a congregação para ministrar-lhe; e te fez chegar e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, contigo; ainda também procurais o sacerdócio?” (Nm 16, 8-10).

A história de Corá pode ser encontrada em Números 16,1-40. Ele também é mencionado em Números 26,9; Judas 1,11.

ELEAZAR
Pontos fortes e êxitos:
• Sucedeu seu pai, Arão, como sumo sacerdote.
• Completou a obra de seu pai, ajudando a guiar o povo até a Terra Prometida.
• Foi amigo de Josué.
• Agiu como porta-voz de Deus (Yaohu) para o povo.

Lições de vida:
• Concentração nos desafios presentes e responsabilidades é a melhor forma de preparar-se para assumir o que Deus (Yaohu) designou para nós no futuro.
• O desejo de Deus (Yaohu) é que obedeçamos a Ele em toda a nossa vida.

Informações essenciais:
• Locais: Deserto do Sinai e Terra Prometida.
• Ocupações: Sacerdote e sumo sacerdote.
• Familiares: Pai – Arão; irmãos – Nadabe, Abiú e Itamar; tios – Miriã e Moisés.
• Contemporâneos: Josué e Calebe.

Versículos-chave:
• “E falou Yaohu a Moisés e a Arão no monte Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo: Arão recolhido será a seu povo, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebeldes fostes à minha palavra, nas águas de Meribá. Toma a Arão e Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte Hor; e despe a Arão as suas vestes e veste-as a Eleazar, seu filho; porque Arão será recolhido e morrerá ali” (Nm 20,23-26).

Eleazar é mencionado em Êxodo 6, 23; Levítico 10,16-20; Números 3,1-4; 4,16; 16, 36-40; 20, 25-29; 26,1-4.63; 27, 2.15-23; 32, 2; 34,17; Deuteronômio 10,6; Josué 14,1; 17,4; 24, 33.

BALAÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Muito conhecido por suas eficientes bênçãos e maldições.
• Obedeceu a Deus (Yaohu) e abençoou a Israel, a despeito do suborno de Balaque.

Fraquezas e erros:
• Ajudou a levar os israelitas a adorarem ídolos (Nm 31,16).
• Retornou para Moabe e foi morto durante a guerra.

Lições de vida:
• As motivações são tão importantes quanto às ações.
• Onde está seu tesouro também está o seu coração.

Informações essenciais:
• Locais: Viveu próximo ao rio Eufrates e viajou para Moabe.
• Ocupações: Feiticeiro e profeta.
• Familiares: Pai – Beor.
• Contemporâneos: Balaque (rei de Moabe); Moisés e Arão.

Versículos-chave:
• “Os quais [os homens carnais], deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça. Mas teve a repreensão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta” (2Pe 2,15.16).

A história de Balaão é relatada em Números 22,1 – 24.25. Ele é também mencionado em Números 31,7.8.16; Deuteronômio 23,4.5; Josué 24,9.10; Neemias 13, 2; Miquéias 6,5; 2 Pedro 2,15.16; Judas 11, Apocalipse 2,14.

DEUTERONÔMIO

INTRODUÇÃO

Visão geral

Autor: Moisés.
Propósito: Estimular uma renovação da aliança mediada por Moisés, quando Israel estava prestes a entrar na Terra Prometida sob a liderança de Josué.
Data: c. 1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Os israelitas que se encontravam nas campinas de Moabe deveriam aprender, a partir das experiências da geração anterior, a importância da fidelidade à aliança.
• As leis de Moisés foram estabelecidas com a finalidade de beneficiar o povo de Deus (Yaohu) em sua entrada na Terra Prometida sob a liderança de Josué.
• A fidelidade à aliança seria recompensada com bênçãos, enquanto a desobediência seria castigada com maldições.
• Os israelitas deveriam renovar o compromisso com a aliança enquanto esperavam nas campinas de Moabe e depois de entrar na Terra Prometida.

Propósito e características

Uma vez que a primeira geração do êxodo já não existia mais, Moisés precisou exortar a nova geração a evitar os pecados de seus pais e se sujeitar à lei a fim de receber bênçãos no futuro. Deuteronômio é constituído, em sua maior parte, de três grandes discursos e um compêndio legal fornecido por Moisés no final de sua vida.

Cristo em Deuteronômio:

Moisés, o fundador da teocracia de Israel, foi o mediador da antiga aliança e, como tal, prefigurou Cristo, o Filho de Deus (Yaohu) e o mediador da nova aliança (Jr 31 – 34). O conteúdo moral das alianças é o mesmo, mas os modos como são administradas apresentam diferenças significativas. Sua semelhança principal fica evidente na maneira como Paulo associou a mensagem do evangelho ao apelo de Moisés para que Israel renovasse a aliança (veja a nota sobre 30,11-14). Em deuteronômio, a graça precede a obrigação humana de exercitar a fé, e a obediência humana é a prova da fé autêntica. Essas mesmas verdades podem ser vistas nos ensinamentos do Novo Testamento.
Ainda assim, Deuteronômio representou um estágio da relação pactual de Deus (Yaohu) com seu povo que prefigurou as realidades mais exaltadas da aliança de Cristo (veja as notas sobre Hb 8,6-13). A antiga aliança foi selada com o sangue de animais; a nova aliança eterna foi selada com O SANGUE EFICAZ DE CRISTO (Jr 32,40; Hb 9,11-28). Moisés conclamou o povo para uma religião de coração (6,6; 30,6), mas ela falhou por causa da fraqueza humana e se tornou OBSOLETA (Rm 8, 3; Hb 8,13). Cristo por meio do Espírito Santo, transformou o coração humano (veja a nota sobre 10,16; cf. Jo 3,1-15).
Cristo também é antevisto em Deuteronômio em vários de seus temas específicos. Ele é o Cordeiro Pascal (veja 16,1-17 e suas notas) e o Profeta que havia de vir (veja a nota sobre 18,15-22). A preocupação de Deuteronômio com o estabelecimento do um único santuário (Cap. 12) antevê o conceito neotestamentário de Cristo como o único que PODE SALVAR. Os detalhes do sistema sacrificial prefiguram o sacrifício de (Jesus). “Aqui, eu quero abrir um [Parenteses] devido a ‘transliteração’ do nome {Jesus} das outras línguas…para a língua portuguesa em si. O qual, por esse mesmo motivo, evito a colocação desse nome! Bem vamos lá”:
JESUA:
(No hebraico, ou {transliterado erroneamente}. Esse foi o nome de muitos homens ou lugares, nas páginas do Antigo Testamento, a saber):
1. Uma cidade onde alguns descendentes de Judá vieram habitar, após retornarem do cativeiro babilônico (Ne 11,26). Talvez fosse a mesma Sema de Js 15,26, ou Seba, em Js 19,2. Tem sido identificada com o Tell Es-sa’weh.
2. Um sacerdote da época de Davi, que foi o chefe do nono curso de sacerdotes (1Cr 24,11) Ele viveu por volta de 1015 a.C. Etc.

JESUS (NÃO O CRISTO)
O Nome. Nas modernas línguas europeias, como em português, a palavra Jesus deriva-se da transliteração desse nome de origem hebraica para o grego, Ieosous. O nome hebraico é Jehoshua, cuja forma contraída é Josué ou Jesua (vide). Esse nome significa ou (Nm 13,17; Mt 1,21). A sua transliteração para o grego reflete a contração do nome, no aramaico, Yesu. Ver Ne 3,19. {“YAOHU” – forma correta do filho = [shua].
Há quatro personagens na Bíblia que são chamadas por esse nome, além do próprio MESSIAS – “Jesus”, que naturalmente, o imortalizou. [ESSE NOME “JESUS” – FOI INVENÇÃO DO POVO ROMANO. PORQUE, ESSE NOME NUNCA EXISTIU, E, SIM JOSUÉ – QUE TRANSLITERARAM PARA O NOME DE JESUS!].
Mateus 1,21; um anjo apareceu a José para anunciar o nascimento e disse: “E lhe porás o nome de (Jesus), porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. Pode parecer, entretanto, que as pessoas raramente se dirigiam a (Jesus) como “Salvador”. Em sua canção de gratidão pelo nascimento de (Jesus), Maria disse: “E o meu espírito se alegra em Deus (Yaohu) meu Salvador” (Lc 1,47); mas, com essas palavras, provavelmente referia-se de maneira geral à obra de Deus (Yaohu), que o enviou (Jesus) para salvar. Os anjos disseram especificamente aos pastores: “NA CIDADE DE DAVI VOS NASCEU HOJE O SALVADOR, O YAOHUSHUA” (Lc 2,11); os samaritanos, os quais creram que (Jesus) era o Messias, reconheceram: “ESTE É VERDADEIRAMENTE O SALVADOR DO MUNDO” (Jo 4,42).
Então pelos motivos da “transliteração”, e do verdadeiro significado do nome (Jesus) – SALVADOR – QUE NINGUÉM SE REFERE A ELE POR ESSE NOME “SALVADOR”. E NÃO JESUS = Josué – QUE SIGNIFICA OUTROS NOMES…..COMO É DESCRITO ACIMA… PREFIRO ME REFERIR AO NOME DELE COMO: “MESSIAS’! Jo 14,8. (Sendo que: aonde estiver o nome (Jesus) – estou colocando: “Messias”, ou “Salvador!!” = Yaohushua). Vide mais informações no final da apostila §

(Voltando ao texto). A ênfase de Deuteronômio sobre a vida na Terra Prometida antevê a esperança de novos céus e nova terra que Cristo oferece a todos os que creem nele. Assim como Moisés chamou os israelitas à fidelidade para que pudessem entrar na terra e tomar posse dela, Cristo também nos chama à fidelidade a ele para que possamos entrar no mundo vindouro e desfrutar de suas bênçãos eternas.

Deuteronômio. Um livro à parte no Pentateuco: O Deuteronômio constitui uma unidade de um gênero particular, pelo fato de conter a quase totalidade de uma das quatro grandes tradições do Pentateuco, a tradição D (ver a Introdução ao Pentateuco): traços das outras tradições aparecem no fim do livro, a partir do cap. 31.
Entre a primeira e a última página do livro, os acontecimentos históricos não progridem: desde o começo, situam-se além do Jordão, na terra de Moab (1,5), e é lá que Moisés morre (34,5). O conteúdo é, contudo, muito mais coerente do que no restante do Pentateuco: apesar de algumas rupturas ou retomadas, os caps. 1 – 30 se apresentam como um discurso de Moisés ao povo, uma espécie de testamento espiritual pronunciado antes de sua morte, no limiar da Terra Prometida. Enfim e principalmente, o estilo dessas exortações didáticas impressiona por sua unidade e originalidade. Expressões características retornam seguidamente, muito semelhantes, em todo o livro, embora nunca absolutamente idênticas. Por exemplo: entrar na posse da terra que Yaohwh jurou dar a vossos pais…; procurar Yaohu no lugar que Yaohu, vosso DEUS, escolherá entre todas as vossas tribos para ali estabelecer o seu nome…; guardar o mandamento, as leis e os costumes que eu vos dou para pô-los em prática…; amar e servir a Yaohu, teu DEUS, de todo o teu coração, de todo o teu ser…etc. Ora, muitas dessas expressões estilísticas reaparecem nos discursos e reflexões que pontuam os livros de Josué, dos Juízes, de Samuel e dos Reis. O parentesco literário com estes livros leva a duvidar da unidade entre o Deuteronômio e o restante do Pentateuco, ao qual, no entanto, a tradição ligou a Deuteronômio, para formar um grande conjunto literário dominado pela pessoa de Moisés.

Uma pregação da Aliança. O Deuteronômio se caracteriza por sua forma retórica. Os caps 12 – 26 contêm, é verdade, uma espécie de código de leis e costumes para pôr em prática, o que explica o título, “Deuteronômio”, isto é, “segunda lei”, que lhe deram os tradutores da Septuaginta (cf. 17,18). Mas este título não se ajusta bem à obra; pois nem mesmo a parte central tem a ordenação e a forma literária de um código de leis. Os diversos temas abordados, dos quais muitos são uma retomada do “Código da Aliança” de Êx 20 – 21, constituem antes o objeto de um ensino acompanhado de exortações, de apelos e de advertências. Assim, por exemplo, o ensinamento sobre a libertação dos escravos hebreus (15,12-18) retoma e desenvolve a lei de Êx 21, 2-6 numa linguagem de catequista ou de pregador, e não tanto de legislador.
O ensino se dirige a todo Israel (1,1; 34,12). Observa-se, entretanto, uma curiosa oscilação do discurso entre a interpelação em tu e em vós, frequentemente dentro de um mesmo desenvolvimento, até dentro de uma mesma frase, e isto sem razão aparente. Por exemplo, em 6,1-3, o discurso que começa em vós (v.1) passa ao tu (v. 2-3a) para cair no vós (v. 3c), atritos que a tradução não pensou dever atenuar. Eles seriam o resultado da combinação de duas tradições paralelas, do mesmo modo que se produziu entre as diversas tradições do livro do Gênesis? É pouco provável, porque, isoladas as passagens em tu, as passagens em vós não formam um conjunto contínuo. Parecem antes constituir uma camada secundária que reforça e desenvolve o texto em tu. Este fenômeno é um primeiro sinal que trai uma composição literária em etapas sucessivas.
E mais importante é que o discurso em tu não visa ao israelita individualmente, mas ao povo inteiro, interpelado como o parceiro pessoal de Yaohu (cf. Por exemplo, 6,4-5 ou 9,1). Esta interpelação coletiva poderia não ser mais do que uma forma estilística de ensinamento. É, porém, mais verossímil que ela tenha origem em certas cerimônias litúrgicas, nas quais Israel inteiro efetivamente se reunia em assembleia para escutar, como um só homem, a lei de seu Deus Yaohu. As alusões às celebrações litúrgicas do santuário de Siquém, ao pé dos montes Ebal e Garizim (27,11-14), e a ordem de ler esta Lei diante de todo Israel, no final dos sete anos, precisamente no ano da Remissão, durante a festa das Tendas, quando todo Israel virá ver a face de Yaohu, teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido (31,10-11), parecem conservar a lembrança de uma festa periódica, durante a qual o povo todo, reunido em Siquém, renova sua aliança com Yaohu, escutando a proclamação de sua lei e comprometendo-se a pô-la em prática. Js 24, que narra a assembleia de Siquém como um acontecimento único, talvez seja, de fato, a lembrança de uma celebração periodicamente renovada, cuja liturgia comportasse os seguintes elementos: Recordação da história do povo (vv. 2-13), exortação a servir apenas a Yaohu (vv. 14-15), compromisso do povo (vv. 16-24), e conclusão da aliança, acompanhada da proclamação da Lei (vv. 25-26a) e da citação de testemunhas (vv. 26b-27). Ora, o plano do Deuteronômio segue uma ordem muito semelhante: Recordação do passado e exortação (12,1 – 26,15), compromisso mútuo (26,16-19), promessas e ameaças (27,1 – 30,18), citação de testemunhas (30,19-20). Se, entretanto, os discursos do Deuteronômio não são situados em Siquém, é porque não se podia contradizer a tradição segundo a qual Moisés não atravessou o Jordão. Mas esta vasta pregação, situada antes da entrada na Terra Prometida, parece mesmo ser o eco das cerimônias celebradas em Siquém, antes do período real.
Com o surgimento da realeza, esta festa da aliança perdeu sua importância em proveito de outras celebrações, sobretudo em Jerusalém. Mas o ensino da lei da aliança se perpetuou. Provavelmente quando saiu de seu quadro litúrgico primitivo, abandonou o tu comunitário e começou a interpretar os israelitas usando o vós, como a indivíduos pessoalmente responsáveis.
Quanto ao portador deste ensino, sua maneira de falar mostra que seu papel não é exatamente o de um profeta. O profeta transmite uma palavra direta de Yaohu a seu povo; o Próprio Deus (Yaohu) se lhe apresenta num discurso em primeira pessoa. Aqui, pelo contrário, Moisés se serve da primeira pessoa para designar a si mesmo, enquanto evoca a Yaohu usando a terceira pessoa (por exemplo 9,9s.). Os textos insistem de bom grado no papel mediador de Moisés: É a ele que Yaohu se dirige para revelar sua lei, e é ele quem recebe a ordem de a transmitir e explicar ao povo (5, 5; 6, 1; 9, 9 – 10,5). Ora, essa atividade mediadora de Moisés parece ter sido mantida em Israel pelos levitas: A “bênção da doze tribos” lhes reconhece a tarefa de ensinar os costumes a Jacó e a lei a Israel (33,10): É a eles que Moisés encarrega da aliança (31,10-11); são eles os associados a Moisés na grande liturgia de Siquém (27,9). Moisés desempenhou, sem nenhuma dúvida, o papel de fundador no ensinamento da lei da aliança: Depois dele, os levitas prolongaram o seu ministério, velando ativamente pela transmissão desta tradição. Eles continuaram pondo o seu ensino na boca de Moisés, para conferir-lhe continuidade e autoridade. Mas as alusões às circunstâncias de épocas ulteriores mostram que os levitas desenvolvem e atualizam sempre de novo a tradição em função das tentações diversas que se apresentam: O orgulho que espreita o povo instalado na Terra Prometida (8, 11-20), a atração dos cultos cananeus (12, 2-3), o absolutismo dos reis (17, 14-20), a resignação passiva do Exílio (4, 25-31). Não se trata apenas de repetir uma lei que continua válida, mas de fazer compreender o seu fundamento e exigência central. Os recursos do ensino da sabedoria são postos em ação (cf. Dt 4,5-8 e Pr 2,6; Dt 4,40 e Pr 3,2; Dt 8,5 e Pr 3,11-12; Dt 16,19 e Pr 17,23 etc.) para abrir a mente e o coração dos israelitas e convencê-los a adotar um estilo de vida conforme a aliança que Yaohu concluiu com eles.
Assim o Deuteronômio é a vasta coletânea na qual se fixou progressivamente por escrito a pregação levítica, cuja fonte era Moisés, e que acompanhou Israel com suas exortações, admoestações e promessas desde o limiar da Terra Prometida até a hora do Exílio na Babilônia.

Um documento reformador. Quais são as etapas principais desta longa elaboração literária? Um importante acontecimento, já entrevisto pelos Pais da Igreja, permite precisar a época na qual o Deuteronômio conheceu sua primeira fixação. O livro dos Reis narra, em 2Rs 22, que no 18º ano do reinado de Josias, isto é, em 622, foi descoberto em Jerusalém o livro da lei (2Rs 22,8.11) ou livro da aliança (2Rs 23,2.21). Impressionado pelas ameaças contidas neste livro, o rei reuniu todo o povo, renovou solenemente a aliança e proclamou uma reforma do culto. Ora, o programa desta reforma (2Rs 23,4-20) corresponde à exigência básica do deuteronômio: A destruição de todos os santuários de província e a centralização do culto em Jerusalém (Dt 12). O documento publicado por Josias parece ser, pois, o Deuteronômio, muito certamente numa forma primitiva mais breve.
De onde vinha este livro? A surpresa provocada por sua descoberta mostra que ele não podia ser muito recente. Pensou-se na purificação do culto por Ezequias, menos de um século antes, que já tendia a centralizar o culto em Jerusalém (2Rs 18,4.22), mas tal hipótese não se funda ainda sobre nenhum documento escrito. A coletânea primitiva poderia então ter sido composta após o malogro desta primeira reforma, quando, sob o funesto reinado de Manassés, refloresceram os cultos idolátricos (2Rs 21), portanto, durante a primeira metade do século VII. A coletânea primitiva exprime as tendências reformadoras dos meios levíticos, que lutam contra o sincretismo religioso e o relaxamento social, apoiando-se nas tradições mais autênticas do antigo Israel.
Estes levitas eram, em sua maioria, refugiados que tinham escapado do reino de Israel do Norte, quando das invasões assírias, antes da queda de Samaria em 722. Eles levavam para Judá e Jerusalém uma tradição que havia sido singularmente negligenciada e que demorou quase um século para se fazer ouvir e, depois, ser oficialmente reconhecida. Fazendo do culto centralizado em Jerusalém uma retomada das primitivas cerimônias de aliança em Siquém, o Deuteronômio restaurou, em pleno período real, uma ética da aliança surgida da revelação a Moisés.

A obra acabada e seu plano. O documento que servira de base à reforma de Josias continuou a se enriquecer. Reforçaram-se as exortações em apoio a este ou àquele mandamento (cf. 28,45-68), intercalaram-se pregações (cf. 4,15-31 ou 9,7 – 10,11), acrescentaram-se peças antigas referentes aos mesmos temas (cf. 5,6-22 ou 27,11-26). Um redator deuteronomista, aparentado àqueles que deram forma aos “Profetas anteriores” (cf. Introd. Aos Livros Proféticos: Os profetas e a história), adicionou ao início do livro um discurso profético (caps. 1 – 3) e o muniu de uma nova conclusão (caps. 31 – 34), que garante a transição com a sequência da história do povo eleito, de Moisés ao Exílio, vasto afresco que se estende até os livros dos Reis (cf. As Introduções a Josué e a Reis).
Assim acabado, o Deuteronômio apresenta um plano geral em três partes, seguidas de uma conclusão, que serve simultaneamente de conclusão ao Pentateuco.
1ª parte: Dois discursos de introdução, um de estilo mais narrativo (1, 6 – 4,44), e o outro, mais exortativo (4,45 – 11, 32);
2ª parte: As leis (12 – 28), acompanhadas de alguns fragmentos litúrgicos (27 e 28);
3ª parte: As exortações finais (29 e 30);
Conclusão do livro e do Pentateuco: As tradições sobre a morte de Moisés (31 – 34).

Os grandes temas do livro. Se bem que tenha sido elaborado no decurso de um longo período com materiais muito variados, o Deuteronômio representa a reflexão e a pregação de um grupo coerente e muito apegado às tradições. É, então, possível ensaiar uma síntese do conjunto das ideias do livro, acima da diversidade dos elementos que o compõem. Pode-se encontrar como que a chave de sua mensagem na declaração muito densa de 29, 28:
As coisas ocultas pertencem a Yaohu, nosso Deus, e as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, a fim de que sejam postas em prática todas as palavras desta Lei.
Aí se encontra como que o resumo dos temas centrais do Deuteronômio: Mistério de Deus (Yaohu), eleição de um povo na continuidade de sua história, exigência da ação englobando todos os níveis da vida.

a) O Deus (Yaohu) de Israel. Escuta, Israel, a Yaohu, nosso Deus, é Yaohu que é Um (6,4). Eis a referência fundamental para Israel, o ponto de partida e de convergência de todo o pensamento e de toda ação. Israel pode dizer nosso Deus (Yaohu). Com efeito, enquanto Yaohu é apresentado só uma vez como o criador da humanidade (4, 32), ele é reconhecido antes de tudo como aquele que se manifestou ao longo da história de seu povo. Desta história o Deuteronômio narra apenas alguns poucos episódios, mas sua pregação é continuamente sustentada por uma referência às etapas fundamentais: A promessa feita aos “pais” (4,31), a saída do Egito (7,19), o dom da lei no Horeb (5,5), a travessia do deserto (8,2), a entrada, para uma longa vida de felicidade (4,40), na boa terra (1,25) outrora prometida. Para o autor, esta última etapa, apresentada como futura no quadro do discurso de Moisés, evidentemente faz parte das ações de Deus (Yaohu) cuja memória é preciso guardar sem cessar (4,9). Através destes acontecimentos, é o poder de seu Deus (Yaohu) que Israel viu com seus olhos – aliás, a Yaohu foi quem lhe deu um olhar capaz de o reconhecer nos seus atos (29,3). De acordo com isso, encontra-se ao coração do Deuteronômio o “credo” de Israel, que desde os tempos mais antigos consiste na recordação dos feitos grandiosos de Yaohu na vida do seu povo; às vezes formulado explicitamente (6,21-23; 11,2-6; 26,5-9), ele subjaz ao texto todo.
Os acontecimentos do passado são assim o grande sinal da fidelidade de Deus (Yaohu) a seu povo. Outro sinal consiste na presença dos porta-vozes de Yaohu. A este título, Moisés desempenhou outrora um papel único (34,10.11), que se perpetua na Lei que ele promulgou; entretanto, ao longo da vida de Israel, os profetas (18,15) e – de outro modo – os levitas (33,8) são testemunhas e intérpretes de Yaohu, mediadores entre ele e os homens. Graças a tantos sinais, Israel pode reconhecer que seu Deus (Yaohu) é um Deus (Yaohu) próximo (4,7), que se comprometeu com ele numa aliança (26,17) porque o ama (6,5).
Para Israel, Yaohu é único: Os pretensos OUTROS deuses NÃO PASSAM DE MADEIRA OU PEDRA (4,28). E este caráter único deve ser manifestado de modo deslumbrante: É nesta perspectiva que o Deuteronômio, por primeiro, introduz o princípio do santuário único (12,5), onde a assembleia de Israel (5,22) se deve encontrar unânime como no Horeb. Elimina-se, assim, tudo o que pode dividir o culto prestado a Yaohu (6,4). A própria Lei é um sinal da unidade: É impressionante constatar que, mesmo quando se apresenta a longa série de leis e costumes, fala-se com amor da Lei, do mandamento (1,5; 5,31; 6,1); a Lei constitui o caminho único por onde o povo inteiro deve seguir. O monoteísmo do Deuteronômio alcança desse modo uma concepção unitária de toda a vida: Um só Deus (Yaohu), um só santuário, uma só Lei, em um só povo.

b) O povo de Deus (Yaohu). Israel sabe, portanto, que o único Yaohu fez dele sua porção pessoal (7,6; 28,10), seu povo santo (7,6), cumulado gratuitamente (9,5), apesar de sua pequenez (7,8), e tratado como um filho (1,31). Esta escolha de Deus (Yaohu), cuja fonte está nos acontecimentos do passado, renova-se em cada geração (11,2; 29,14), tão bem que, de século em século, o povo deve reconhecer que seu Deus (Yaohu) o interpela hoje (1,10).
O que supõe, evidentemente, uma resposta ativa que comprometa todo o povo. Trata-se de circuncidar o coração (10,16), de entrar na aliança com o mais profundo do próprio ser. É preciso rejeitar todo comprometimento com os povos pagãos e seus deuses (4,19; 17,3), para viver da Palavra (6,8), escutá-la, guarda-lá e ser fiel à Lei em todos os seus detalhes: Em resumo, é preciso amar a Yaohu como todo o coração, com todas as forças (6,5). É assim que se pode ser justo (6,25) e fazer da vida inteira um testemunho de fé: Mesmo a guerra não está excluída deste âmbito (20,1.4).
Além disso, por esta fidelidade à Lei, Israel acede aos eventos de salvação, pois sua obediência consiste finalmente em ir à consequências de seus encontros com Deus (Yaohu) [5,15]. Porque Yaohu conduziu seu povo até a terra de Canaã, é preciso oferecer-lhe as primícias desta terra (26,5): Em memória dos tempos do Êxodo, é necessário celebrar as festas (16,1.3.12) e o sábado (5,15); porque Israel foi oprimido no Egito, deve agora respeitar os pobres (10,18) e evitar oprimir quem quer que seja (24,18-22), até mesmo o egípcio (23,8). É na evocação do Êxodo que o Deuteronômio encontra a ocasião de superar a estreiteza de visão que habitualmente o faz excluir o estrangeiro do âmbito da solidariedade (14,21; 15,3; 23,21; 28,12). E toda a vida do povo, incluindo os pormenores da existência, torna-se um memorial dos acontecimentos de sua salvação.
A lei do repeito aos pobres ocupa neste conjunto um lugar capital. Isto se percebe pela leitura, por exemplo, das prescrições relativas ao dízimo trienal (14,28), à remissão das dívidas (15,1), à libertação dos escravos (15,12-18), à respiga das plantações e ao rebusco das vinhas (23,25-26). O próprio rei deve, quanto possível, viver como um pobre (17,15). Tal insistência impunha-se particularmente no tempo da redação da parte mais antiga do livro; a unidade do povo estava então comprometida pelo desequilíbrio social: Uma classe rica, cada vez mais poderosa, se opunha ao povo, cada vez mais miserável: Era urgente recordar que, em nome de um passado comum, todos os filhos de Israel eram irmãos, e trazer à ordem do dia a luta em favor dos pobres (15,4). Os pregadores deste termo eram otimistas: Eles acreditavam num Israel capaz de responder ao apelo de Deus (Yaohu) e de fazer realmente de sua vida um memorial dos eventos de salvação (12,28; 16-19).
Entretanto, não se pode deixar de sentir que ali, na verdade, se desenvolve um drama. A vida assim concebida é uma ocasião constante de encontro com Deus (Yaohu). Ela supõe para o homem uma fidelidade de todos os instantes, e esta fidelidade está, em princípio, a seu alcance (30,14). Dois caminhos se abrem: O da fidelidade e da felicidade, e o da revolta e infelicidade (11,27-28). É preciso escolher, comprometendo assim todo o futuro (30,15-20). Mas que sucede de fato? Também aqui, a história responde, mas sua resposta não é tranquilizadora. Desde o tempo do Êxodo, o povo se revolta sem cessar, e foram necessárias a intercessão sempre renovada de Moisés e a fidelidade incansável de Deus (Yaohwh) para que Israel não perecesse sob o merecido golpe da cólera (9,7). O que acontecerá nas subsequentes épocas da história da salvação, isto é, neste HOJE, no qual cada um É CHAMADO A SE DECIDIR? Esse caráter dramático da situação tinha sido pressentido pelos primeiros pregadores. Mas chega uma hora em que toda ilusão deve desaparecer; Israel não se mostra, de modo algum, capaz de escolher a Yaohu e de chegar, assim, à vida; o povo está voltado à catástrofe. Os últimos autores do Deuteronômio, contemporâneo do Exílio, não podem deixar de dizê-lo claramente (28,15; 29,21).
O pensamento do Deuteronômio, porém, não leva ao desespero. O pecado do homem não terá a última palavra: Dia virá em que Deus (Yaohu) agirá de modo a que o povo se converta e obtenha o perdão (30,3). Mas, nesse ínterim, será necessário aceitar a prova e o sofrimento, e deles tirar a lição, decidindo-se, enfim, a mudar o coração.

O Deuteronômio na Bíblia. O Deuteronômio detêm, nas Escrituras, um lugar importante. Não apenas porque a tradição judaica nele encontra o seu credo fundamental, o “Shemá Israel”: Escuta, Israel, Yaohu, nosso Deus, é o Yaohu que é Um (6,4); nem mesmo porque Cristo dele extrai o maior dos mandamentos: AMARÁS A YAOHU TEU DEUS COM TODO O TEU CORAÇÃO, COM TODO O TEU SER, COM TODAS AS TUAS FORÇAS (6,5). A tradição deuteronômica, pelo Espírito particular que a anima, influencia profundamente outras correntes do Antigo Testamento. Frequentemente se têm apontado as afinidades de vocabulário e temas entre o Deuteronômio e a mensagem de Jeremias, cujo ministério segue de perto a reforma de Josias: O esquecimento dos benefícios de Yaohu (Jr 2,4-7; Dt 6,10-13), a circuncisão do coração (Jr 4,4; cf. Dt 10,16), a nova aliança (Jr 31,31-34; cf. Dt 30,1-10). Estes são temas tipicamente deuteronomistas. A convergência de estilo entre o Deuteronômio e os discursos e reflexões que marca as grandes etapas da história, através dos livros de Josué (Js 1 e 23), dos Juízes (Jz 2,6 – 3,6), de Samuel (1Sm 12) e dos Reis (1Rs 8; 2Rs 17), revela a influência do Deuteronômio sobre o autor deste vasto afresco historiográfico: Como o Deuteronômio, este autor se interessa sobretudo pelo templo de Jerusalém e pela obediência aos mandamentos da lei; ele considera a lei do Deuteronômio como a chave de compreensão da história. O tema da escolha entre os dois caminhos, um que leva à vida e outro, à morte (cf.Dt 30), prolonga-se amplamente no ensino ético do judaísmo ulterior, bem como no evangelho (Mt 7,13-14). E sabe-se como a solidariedade ativa para com os irmão mais pobres, cuidado constante do Deuteronômio e fermento da vida comunitária judia, inscrever-se-á no coração do evangelho.

O Deuteronômio hoje. O Deuteronômio pode trazer alguma contribuição ao cristão do século XX? A maior parte dos seus preceitos se refere a um estudo social e cultural bem diverso do nosso. Além disso, a própria Lei não caducou desde que o Cristo instaurou o regime da graça e do Espírito (cf. Rm 3,28; 6,14; Gl 3,23; 5,18)?
Aqui é mister repetir que o Deuteronômio, antes de ser uma coletânea de preceitos, é uma reflexão sobre os fundamentos de toda a nova obediência a Deus (Yaohu), a saber sua ação na vida e na história de seu povo. O que determina a existência dos crentes é, então, o reconhecimento, no duplo sentido de descoberta de uma presença e de resposta a um dom.
Por outro lado, os próprios preceitos, se não requerem como tais nossa adesão, são formulados de maneira a poder nos iluminar. Com efeito, todo este ensino é dominado pela vontade de encontrar uma fidelidade autêntica no coração de um mundo que se transforma (cf. 15,1 e nota).
Na hora presente, quando todos os crentes de todas as confissões se interrogam sobre o fundamento da moral, o Deuteronômio oferece o exemplo muito significativo de uma lei que não quer se impor do exterior, mas que procura enraizar-se na reflexão e na decisão do coração. É uma moral raciocinada, lúcida, adulta, verdadeira sabedoria (4,5-8). Pois se é na história que se encontra a Deus (Yaohwh), é em função dos acontecimentos salvíficos que se deve orientar a conduta de cada dia.
Este livro ensina também a moral do amor em atos: O amor de Yaohu compromete todos os âmbitos da existência humana, da política à higiene, da vida social ou familiar ao re-encontro do irmão, até mesmo ao respeito pelo animal (22,7) ou pela árvore (20,19). Cada situação nos põe ante uma escolha pró ou contra a Yaohushua o (Cristo), na qual se decide nosso futuro, pois seremos julgados pelos NOSSOS ATOS, E, MUITO PARTICULARMENTE, PELA NOSSA ATITUDE PARA COM OS POBRES.
O Deuteronômio nos fala ainda pela insistência em ressaltar o caráter gratuito e empenhadíssimo da obediência exigida do povo de Deus (Yaohu). Com efeito, a lei não indica ao povo as condições a preencher para poder entrar na Terra Prometida, mas as consequências que decorrem da eleição e da herança recebida em Canaã. Ao mesmo tempo, porém, o pregador deuteronomista enfatiza o caráter comprometedor desta observância: Ele faz derivar, da lei, promessas de felicidade para aqueles que a praticam e ameaças de infelicidade para aqueles que a transgridem: Pois a lei da aliança põe o povo diante de uma questão de vida ou de morte (30,15-20). O Deuteronômio mantém o equilíbrio entre estes dois traços característicos da obediência: Gratuidade e compromisso. Equilíbrio difícil a conservar e que, já no judaísmo ulterior – mas também em diversas confissões cristãs –, se esvairá frequentemente numa ética de méritos ou no moralismo. Entre todos os testemunhos bíblicos, o Deuteronômio representa uma das bases mais fecundas para a redescoberta de uma moral adulta, equilibrada e vivencial.

Bem, aqui, terminamos a “Introdução” – aos cinco livros da Bíblia – o “Pentateuco”!
Caro Irmão; Irmã. Se você, gostou desta introdução, que já está “Firmada”. E, esta “Introdução” serve apenas para um breve entendimento da Palavra de Yaohu; se você gostou deste “Alicerce”, espere pelo “Edifício”, (que já está construído); mas, ainda falta em fazer a “Introdução…”! Acredito piamente que o: Irmão, a Irmã, vão adorar!! Somente, vai demorar um pouco pois são: “à Introduções de 61 livros…”.Espero em Yaohu, de quem ler está apostila, pegue cada vez mais o gosto pela leitura e entendimento da palavra de Yaohu! (2Tm 3,16).

Vamos, agora para: INFORMAÇÕES GERAIS. E O TÃO ESPERADO (“BREVE/GLOSSÁRIO”).

INFORMAÇÕES GERAIS:

Os 27 livros que compõem o Novo Testamento chegaram até nós em grego.
O antigo Testamento, tal como foi aceito pela igreja católica, se compõe de 46 livros.
A língua original de 39 destes livros do AT é o hebraico, com trechos aramaicos em ESDRAS (4,8 – 6,18; 7,12-26) e em DANIEL (2,4b – 7,28).
Os outros 7 livros do AT, bem como trechos de ESTER e DANIEL – chegaram até nós em grego na tradução chamada dos Setenta (LXX), destinada aos judeus da Dispersão.
As edições protestantes, que se atêm à Bíblia hebraica – dos judeus da Palestina – para o AT, habitualmente não trazem os seguintes livros e fragmentos, chamados deuterocanônicos:
Tobias, Judite, 1-2 Macabeus, Baruc, Sabedoria, Eclesiástico, Ester (Vulg. 10,4-16,24), Daniel 3,24-90; cap. 13 e 14.

Referências Bíblicas:

Nas citações, a vírgula separa capítulo de versículo (Ex.: Gn 3,1 = Livro do Gênesis, capítulo terceiro, versículo primeiro).
O Ponto e vírgula separa capítulos e livros (Ex.: Gn 5,1-7; 6,8; Êx 2,3 = Livro do Gênesis, capítulo quinto, versículo e 1 a 7; capitulo sexto, versículo oitavo; livro de Êxodo, capítulo segundo, versículo terceiro).
O Ponto separa os versículos não seguidos (Ex.: 2Mc 3,2.5.8 – {desculpem pelo exemplo de um livro apócrifo. É só para exemplo.}. = Segundo livro dos Macabeus, capítulo terceiro, versículos 2, 5 e 8).
O Hífen indica sequência de capítulo (s) ou versículo (s) (Ex.: Jo 3-5; Mt 1,5 – 12,9* = Evangelho de João, capítulo terceiro ao quinto; evangelho de Mateus, capítulo primeiro, versículo quinto ao capítulo doze, versículo nono). *Sendo que o “travessão”[ – ] Indica a continuação de um capitulo há outro. (Ex.: 1Cr 16,1 – 17,4. = Do capítulo de 1 Crônicas 16,1 ao capítulo 17,4. Ou seja de capítulo à capítulo, incluindo os versículos de houver. (Aqui, lemos todo o texto de: 1Cr 16,1 à 17,4.).

Algumas abreviações:
AT = Antigo Testamento.
NT = Novo Testamento.
v. = versículo.
vs. =versículos.
Aram. = aramaico.
Hebr. = hebraico.
TM = texto massorético.
Sam = texto samaritano do pentateuco.
Ketib = texto escrito, fixado pelas consoantes.
Qerê = texto lido pelos massoretas (pela modificação de vogais).
LXX = versão grega dos Setenta.
grec. Luc.= grego, conforme a recensão de Luciano.
Sim. = grego, conforme a recensão de Simaco.
Teod. = grego, conforme a recensão de Teodocião.
Texto oc. = texto ocidental.
Sir. = versão siríaca.
Sir. Hex. = siro-hexaplar.
Vulg. = Vulgata.
Vet. Lat. = antiga versão latina.
Versões = traduções antigas (gregas, latinas siríacas) do texto original.
Ms, mss = manuscrito, manuscritos.
Corr. = correção.
Conj. = conjectura.
Lit. = tradução literal.

([Var]. [AD]. [Om]. = variante adição omissão. { Estes três últimos sinais precedem a indicação de palavras substituídas, acrescentadas ou omitidas por leituras que não foram adotadas na tradução}).

1QIsa: um dos manuscritos de Isaías descobertos em Qumrã em 1947.
1QpHab: comentário de Habacuc descoberto em Qumrã em 1947.
4QpNaum: comentário de Naum descoberto em Qumrá em 1947.

BREVE – GLOSSÁRIO.

APÓCRIFO: Este termo designa os escritos que, redigidos no desenrolar do Antigo e do Novo Testamentos, não foram considerados como fazendo parte da Bíblia. No Antigo Testamento pode-se citar, por exemplo, o terceiro e o quarto livros dos Macabeus, as Odes de Salomão; no Novo Testamento pode-se citar “Proto-evangelho de Tiago” ou o “Evangelho de Tomé”.
Apócrifos Livros que o Concílio de Trento, em 1546, declarou inspirados, embora não fizessem parte do CÂNON DO AT estabelecido pelos judeus da Palestina, Os católicos chamam esses livros de “deuterocanônicos”, isto é, pertencem ao “segundo cânon”. “Protocanônicos” (pertencem ao primeiro cânon) são os livros do AT que os judeus da Palestina consideravam inspirados, e esses são aceitos tanto pelos católicos como pelos evangélicos. Os livros apócrifos aceitos pelos católicos são os seguintes: TOBIAS, JUDITE, SABEDORIA DE SALOMÃO, ECLESIÁSTICO ou SIRÁCIDA, BARUQUE, EPÍSTOLA de JEREMIAS, PRIMEIRO e SEGUNDO MACABEUS e os acréscimos a Ester (ESTER EM GREGO) e a Daniel (A ORAÇÃO de AZARIAS, A CANÇÃO dos TRÊS JOVENS e as HISTÓRIAS DE SUZANA e de BEL e do DRAGÃO).
Além desses existem outros livros que não são considerados inspirados, os quais os evangélicos chamam de PSEUDEPÍGRAFOS, e os católicos, de “APÓCRIFOS”. Veja que interessante: Deste termo (Apócrifo) nos leva a SEPTUAGINTA. Veja só:

SEPTUAGINTA. [LXX] Versão do AT para o grego, feita entre 285 e 150 a.C. Em Alexandria, no Egito, para os muitos judeus que ali moravam e que não conheciam o HEBRAICO. O nome “Septuaginta” vem, segundo a lenda, dos setenta ou setenta e dois tradutores que o produziram. A Bíblia de (Jesus) [Yaohushua – Messias] e dos seus discípulos foi a Bíblia Hebraica, mas a LXX foi a Bíblia de Paulo e das igrejas da DISPERSÃO. A maioria das citações do AT no NT é tirada da LXX. Os LIVROS APÓCRIFOS FAZIAM PARTE DO CÂNON DA LXX.

(Peço desculpas por não estar seguindo a “Ordem Alfabética do Glossário” mas, têm que ser dessa forma para quem ler esta apostila, ter um melhor entendimento dos fatos). No meu ver, é aqui que tudo começa veja só:

Bem, VIDE MAIS PRA FRENTE QUE ESTE TERMO, NADA SIGNIFICA PARA O POVO HEBRAICO A PALAVRA “SENHOR”. [Javé], não existe!!! {JEOVÀ}, também não!

SENHOR: (Propriamente dito: Hebr. ADON; gr. KYRIOS) Título de Deus como dono de tudo o que existe, especialmente daqueles que são seus servos ou escravos (Sl 97,5; Rm 14,4-8). No NT, “Senhor” é usado tanto para Deus, o Pai, como para Deus, o Filho, sendo às vezes impossível afirmar com certeza de qual dos dois se está falando. (Hebr. YHVH, JAVÉ). Nome de Deus, cuja tradução mais provável é “o Eterno” ou “o Deus Eterno”. Javé é o Deus que existe por si mesmo, que não tem princípios nem fim (Êx 3,14; 6,3). Segundo o costume que começou com a SEPTUAGINTA, a grande maioria das TRADUÇÕES modernas usa “Senhor” como equivalente de YHVH (JAVÈ). A RA e a NTLH escrevem “SENHOR”. A forma JAVÈ é a mais aceita entre os eruditos. A forma JEOVÁ (JEHOVAH), que só aparece a partir de 1518, não é recomendável por ser híbrida, isto é, consta da mistura das consoantes de YHVH (o Eterno) com as vogais de ADONAI (senhor).
Às abreviações (Hebr. Lê-se – “Hebraico”); (gr. Lê-se – “grego”).

VEJA, AGORA, O SIGNIFICADO DE “SENHOR”:

(Tirado do estudo da Bíblia de Genebra – edição revista e ampliada Baal – senhor [1Rs 16,32 – Baal.]).

BAAL: Essa designação significa “senhor” ou “marido”. Baal era adorado como o deus da tempestade e era a principal divindade da religião cananéia. Como o deus que controlava as condições do tempo; Baal era considerado o agente das chuvas vivificantes e da fertilidade que evitavam a fome e esterilidade da terra, dos rebanhos e do povo.

(Bem, vamos agora a um “Dicionário-enciclopédico do Autor: R. N. Champlin, Pn. D. Da Editora: HAGNOS.):

BAAL (BAALISMO): A palavra e seu uso. Essa é a palavra hebraica que significa “proprietário”, “senhor” ou “marido”. É usada em 1Cr 5,5; 8,20 e 9,36 como um nome pessoal; e de modo geral, designa a divindade cananéia desse nome. As identificações incluem aquelas com restrições a algum mero lugar de adoração como Baal-Peor (Nm 25,3), Baal-Gade (Js 11,7), Baal-Hermom (Jz 3,3), etc. Algumas vezes, tais combinações indicam uma característica da divindade, e não algum lugar com o qual estaria associada, como Baal-Berite (Baal do pacto, em Jz 8,33). Baal-Zebube, talvez uma corruptela de Baal-Zebul (que significa “príncipe”, em 2Reis 1,2). O próprio termo sugere que a divindade era considerada proprietário de um determinado lugar, pelo que exerceria controle ali, no tocante a certos aspectos da vida humana, mas, sobretudo, no tocante à fertilidade.
Baalísmo. A adoração a Baal era, essencialmente uma religião da natureza, cuja ênfase principal era a fertilidade. O Oriente Próximo exibiu várias formas de religião da fertilidade, e essa religião dos cananeus era a mais desenvolvida entre elas, quanto a esse aspecto. Israel deixou-se arrastar pela influência do baalismo por meio de sincretismo (os hebreus incorporaram-no, ou ao menos aspectos seus, à sua fé), tendo havido uma reação profética (os profetas que reagiram contra esses elementos corruptores).
Ideias. El seria o pai dos deuses, mas não teria muito contato com os homens. Aserá era a deusa-mãe. Um filho (ou neto) de destaque deles seria Baal. Sua consorte, Astarte (que no AT aparece como Astarote), era a deusa da fertilidade. Nos tabletes de Ras Shamra, Anate aparece como a consorte de Baal. Seu maior inimigo era Mote (a morte). O clima da Síria e da Palestina contribuía para a elaboração dessa religião. As chuvas cessam em março-abril. Só começa a chover novamente em outubro-novembro, e, durante o intervalo, pouca vegetação pode crescer. A menos que as chuvas voltem, a fome é inevitável. Assim os cananeus personificaram as forças que fazem a vegetação voltar à vida. A razão pela qual as chuvas cessariam é que Baal seria morto em uma luta feroz contra Mote. E as chuvas retornariam porque os amigos de Baal (como o Sol – Shapsh ou Shemsh) e Astarte (fertilidade), devolveriam-lhe a vida (princípio da ressurreição). Assim temos nisso uma forma de religião que é, essencialmente, a adoração à natureza. Quando os homens perturbam os deuses ou deixam de agradá-los, há perturbações nas condições atmosféricas, ou nas vidas das famílias e das tribos.
Festividades. A fim de promover o sentimento religioso do povo e honrar os deuses, foram instituídas festas que apelavam ao impulso procriador e a licenciosidade, incluindo a prostituição masculina e feminina, que se tornou um acompanhamento indispensável nesses cultos de fertilidade. Isso prosseguia durante os períodos da festividade e fora dos mesmos.
Influência sobre Israel. Essa religião exerceu grande influência sobre Israel, especialmente no norte (Israel, em contraste com Judá), onde as ideias e as culturas pagãs tornaram-se parte, mais rapidamente da perceptiva religiosa dos israelitas. Isso provocou os protestos dos profetas. Sob tais circunstâncias foi que Elias e seus sucessores postularam a pergunta se o Deus de Israel era Yaohu ou Baal (ver Reis 18). Os símbolos dessa adoração foram condenados pelos profetas, incluindo a árvore ou bosque sagrado, a coluna e os terafins (imagens, que incluíam figurinhas da deusa da fertilidade, que se tornaram populares e numerosas entre os israelitas). O protesto levantado pelos profetas contra esse tipo de religião pode ter sido um dos fatores que raramente permitia que Deus fosse chamado de Pai e o AT não tem palavra que corresponde a deusa. Além disso, a expressão filho de Deus, aplicada ao homem, é rara no AT. Taís termos poderiam ser erroneamente entendidos, em termos pagãos. No judaísmo havia o cuidado de se evitar a terminologia sexual no seio da família, porquanto isso era por demais comum nas religiões politeístas e de fertilidade, entre os vizinhos de Israel.
Fatores do vigor da religião de fertilidade. 1. Israel não expulsou os cananeus de suas terras, mas antes misturou-se com eles em casamento. 2. Aqueles que tinham acabado de entrar na Terra Prometida tinham acabado de sair das experiências no deserto. Formas religiosas que fomentavam festividades e os prazeres sensuais eram altamente tentadoras. Ou, pelo menos elementos tomados por empréstimo dessas atividades que sem dúvida eram muito atrativos. 3. A lei de Israel era austera. Sempre será mais fácil seguir o curso de menor resistência. Assim, persistia por um lado a fé em Yaohu, e esta ia-se misturando com elementos cananeus. Esse processo sincretista é ilustrado em passagens como Jz 2,1-5; 2,11 – 13,17; 19; 3,5-7; 6,25. A mesma coisa se dava com combinações de palavras, como Jerubaal (ver Jz 7,1), Beeliada (ver 1Cr 14,7), Es-Baal e Meribe-Baal (ver 1Cr 8,33.34), que surgiram de outros nomes próprios. As ostraca de Samaria (cerca de 780 a.C. O demonstram que para cada dois nomes que envolviam o nome de Yaohu, um era uma forma qualquer composta de Baal. O trecho de 1 Reis 18 mostra nos que o baalismo tornou-se tão forte em Israel que somente sete mil deles permaneceram fieis à antiga fé. Elias conseguiu evitar o colapso total da fé judaica. Embora continuassem havendo reformas e o protesto dos profetas (ver Os 2,16.17), parece que foi necessário o cativeiro para impor a purificação necessária.
Dois grande mitos de Baal. Os textos de Ras Shamra contém esses mitos, a saber: 1. O conflito com o Príncipe do Mar e Juiz do Rio (o deus das águas obtém a ascendência e, arrogantemente, intimida os outros deuses). Baal, com a ajuda de alguns outros deuses, é capaz de derrotá-lo, confiando-o à sua devida esfera de atividade. Talvez essa luta seja simbolizada pelo leviatã da Bíblia, que poderia ser o mesmo Iotan, a serpente enroscada, e que possivelmente seja idêntica ao Príncipe do Mar, – Alguns supõem que o Dia do Senhor (segundo originalmente concebido no judaísmo) poderia referir-se a vitória de “Yahweh” sobre as forças do caos. E esse conceito poderia depender do mito cananeu, acima descrito. 2. Outrossim, havia o deus que morria e ressuscitava; Baal, morto por Mote, era então ressuscitado pelo deus Sol e por Astarte. Tal suposta ressurreição era acompanhada por grande festividades de sensualismo. Apesar de que o judaísmo, como é óbvio, nunca desenvolvesse qualquer coisa similar, excetuando casos de empréstimos diretos extraídos das religiões de seus vizinhos pagãos, alguns estudiosos supõem que o próprio conceito de ressurreição pode ter sido provocado, pelo menos em parte, por essa antiga crença. Não há como determinar até que ponto isso pode ter sido verdade. Mas a verdade do conceito da ressurreição em nada é prejudicada ainda que os povos pagãos, de maneira crua, tivessem antecipado e expressado essa ideia à sua maneira ímpia.

BAAL-BERITE
No hebraico, Senhor do pacto. Era um deus cananeu, adorado pelo povo de Siquém, após a morte de Gideão (ver. Jz 8,33 e 9,4). Essa adoração era promovida mediante o ídolo do deus. Abimeleque, neto de Gideão, tomou setenta peças de prata da casa desse deus a fim de contratar homens para o ajudarem em sua rebelião (ver Jz 9,4). Não se sabe como interpretar a palavra pacto, associada a esse deus. 1. Poderia ser um pacto geral: a aliança entre o povo e essa divindade; ou 2. Poderia ser um pacto particular: a divindade chamada como testemunha do pacto de Siquém como Israel. Provavelmente devemos pensar nessa segunda alternativa.

BAAL-GADE
No hebraico, Senhor da sorte. Nome de uma cidade no vale do Líbano, sob o monte Hermom (ver Js 11,17; 12,7 e 13,5). Ficava localizada no extremo norte das conquistas de Josué. A localização precisa é desconhecida, mas ficava entre o monte Líbano e o monte Hermom, talvez perto da moderna aldeia de Hasbeiya. Tell Haush, a doze quilômetros ao norte de Hasbeiya, tem sido identificado como o lugar, por alguns estudiosos. Esse lugar, de fato “todo o Líbano, na direção do pôr-do-sol, de Baal-Gade, sob o monte Hermom, até à entrada em Hamate”, não foi conquistado por Israel antes da morte de Josué. Alguns têm identificado esse lugar com Baalbeque mas tal identificação não tem resistido à investigação.

BAAL-HAMOM
No hebraico significa “Baal das Multidões”. Seja como for, era uma localidade nos montes de Efraim, perto de Samaria. Entre essa localidade e Dotã, foi sepultado o marido de Judite (ver Judite 8,3). Apócrifo. No Antigo Testamento, o local é mencionado exclusivamente em Ct. 8,11, onde se lê que ali Salomão tinha uma vinha.

BAAL-HANÃ
No hebraico, Baal é gracioso. Foi nome de duas pessoas, no AT.

1. Um rei de Moabe que reinou após Saul (ver Gn 36,38). Talvez fosse filho de Acbor, sucessor de Saul. Foi sucedido por Hadar ou Hadade (ver Gn 37,39.Ver também 1Cr 1,49.50).
2. Um gederita, superintendente real das oliveiras e sicômoros nas planícies baixas, sob Davi (ver 1Cr 27,28), em cerca de 1015 a.C.

BAAL-HAZOR
No hebraico, Vila de Baal. Lugar onde Absalão guardava seus rebanhos e realizou sua festa de tosquia (ver 2Sm 13,23). Não é a mesma Hazor (ver Ne 11,33), atualmente Tell ‘Asar. Por longo tempo, Absalão vinha planejando vingar-se de Amom, por haver desvirginado sua irmã. Tamar, A festa foi apenas um pretexto para que pudesse pôr as mãos sobre Amom. O plano deu certo. Absalão conseguiu matar Amom, e então foi esconder-se, durante algum tempo. É provável que o lugar onde a festa foi realizada fosse uma casa nas montanhas, sendo um lugar cerca de 1200m acima do nível do mar. O lugar tem sido identificado com Jebel el-‘Asur, a nordeste de el-Tayibeh, a pequena distância, e a leste da estrada para Siquém.

BAAL-HERMOM
No hebraico, Senhor de Hermom. Tem sido identificado por alguns com Baal-Gade, mas não há certeza quanto a isso. Seja como for, era um lugar onde Baal era adorado, e estava localizado na Transjordânia, nas vertentes do monte Hermom. Ficava de frente da entrada para Hamate, onde habitavam os heveus (ver Jz 3,3). Essa referência nos dá a ideia de que era uma montanha a leste do Líbano, chamada por esse nome. A atual Banjas mui provavelmente assinala o locar (ver Js 13,5). [Os “cultos pagãos”- também eram adorados em montanhas…! Por isso, Yaohu – quando trouxe seu povo para a terra de Canaã, “pediu primeiro para que seu povo”, aguardasse um LUGAR, que, Seria escolhido para ADORÁ-LO. E não junto com esses deuses todos! Mas o povo, não obedeceu como sempre. Tornado a adoração a Yaohu um culto pagão também. Adorando nos ALTOS.{Dt 33,29; Nm 33,52; Dt 7,5; 12,1ss; 1Rs 3,2; 2Rs 16,4; 1Rs 12,21-33 (Jeroboão seguiu o culto dos cananeus – idolatria nos altos)}. Anselmo Estevan.].*

BAAL-MEOM
No hebraico, Senhor da Habitação (ver Nm 32,38 e 1Cr 5,8). Foi uma cidade construída pelos descendentes de Rubén. Era uma das mais importantes cidades da fronteira de Moabe, juntamente com Bete-Jesimote e Quiriataim (ver Ez 25,9). Fazia parte das possessões moabitas, ao tempo de Ezequiel (ver Ez 25,9). Também era chamada pelo nome de Bete-Baal-Meom (ver Js 13,17), Bete-Meom (ver Jr 48,23), e Beom (Nm 32,3). Há uma inscrição na Pedra Moabita que diz que Mesa, rei de Moabe, edificou-a ali construiu um reservatório. É provável que o lugar tivesse mudado de mãos com frequência, entre Israel e Moabe, por diversas vezes. Ficava localizado em Ma’in, a quase quinze quilômetros a leste do mar Morto, segundo têm descoberto os arqueólogos.

BAAL-MEU
No hebraico, Meu Senhor. Um nome usado para indicar Deus (ver Os 2,16), embora o termo fosse tipicamente pagão, e naturalmente, trouxesse tal conotação. O povo recebeu ordem para não usar o nome, por esse motivo. Mas a referência pode significar apenas que Deus agora seria chamado Ishi (marido), e não Baal, porquanto essa mudança em nome estava ensinando uma lição espiritual. Israel deveria manter um correto relacionamento com Deus, como se fosse uma esposa para com seu esposo, e não meramente o relacionamento de um servo para com o seu senhor. Todavia, o desuso do nome Baal provavelmente também serviria de medida contra o paganismo.

BAAL-PEOR
No hebraico, Senhor de Peor. Era uma divindade adorada em Moabe, quando Balaão provocou a apostasia em Israel. Isso sucedeu quando Israel estava acampado em Sitim (ver Nm 25,3 ss.) Todos os adoradores foram mortos, mediante o julgamento divino (ver Dt 4,3). Essa apostasia particular prosseguiu, sendo relembrada muito tempo mais tarde (ver Sl 106,28 e Os 9,10). Nesta última referência a adoração ao ídolo é chamada de “vergonhosa idolatria”, e seus adoradores de “abomináveis”. Alguns supõem que essa forma de adoração incluía excessos sexuais e perversões. Esse deus era a divindade local do monte Peor (daí o nome), e provavelmente estava vinculado ao Baal dos fenícios.

BAAL-PERAZIM
No hebraico, Senhor dos calções. Davi dera esse nome a um lugar, onde obteve a vitória em uma batalha contra os filisteus (ver 2Sm 5,20; 1Cr 14,11 e Is 28,21). Esse nome é curioso por ser o único que se compõe com o nome Baal, acerca do qual temos informações específicas sobre como o nome foi dado. O local é atualmente desconhecido, embora dois locais, próximos de Jerusalém, tenham sido sugeridos: a moderna Sheikh Bedr, a noroeste de Jerusalém, e um lugar no vale dos Gigantes, a sudoeste de Jerusalém. No trecho de Isaías 28,21, o lugar é chamado Monte Perazim.

BAAL-SALISA
No hebraico, Senhor de Salisa. (ver 2Rs 4,42), Era um lugar no distrito de Salisa (ver Sm 9,4). Eusébio e Jerônimo disseram que era uma cidade a quinze milhas romanas de Dióspolis, perto do Monte Efraim. Era o lugar de nascimento do homem, de nome desconhecido, que, em tempo de fome, trouxe a Eliseu vinte pães de cevada e espigas de trigo que alimentaram cem homens. A quantidade de alimento era minúscula, para tanta gente. Mas houve um milagre de multiplicação, tornando o alimento suficiente a todos, pois ainda sobrou muito alimento após todos já estarem satisfeitos. O paralelo miraculoso de Cristo, na multiplicação dos pães e dos peixes, em Mateus 14,16e ss., é óbvio. Ambos os eventos ilustram como a provisão de Yaohushua é surpreendente, podendo derrotar tanto a fome física quanto a fome espiritual. As pessoas se surpreendem lhes é conferida uma provisão inesperada, e elas dizem: “Louvado” seja o “Senhor” – Baal. Porém em breve esquecem-se da providência divina, e tornam a surpreender-se, em futuras ocasiões. [MAS SÓ QUE O NOME “SENHOR” – ESTÁ SE REFERINDO A UMA DIVINDADE PAGÃ! E, NÃO AO SEU VERDADEIRO NOME COMO ELE QUER SER RECONHECIDO – YHWH – YAOHU – YAOHU-UL – YAOHU – YAOHUSHUA. (Anselmo Estevan.)].*

BAAL-TAMAR
No hebraico, Senhor da palma. Era um lugar perto de Gibeá, na tribo de Benjamim, onde as outras tribos lutaram com os benjamitas (ver Jz 20,33). Eusébio chamava-a de Betamar, o que é um intercâmbio verbal com Bete e Baal. O lugar estava associado à palmeira de Débora (ver Jz 4,5), que ficava entre Betel e Ramã, uma posição que talvez explique o nome. Israel fora à batalha para castigar o pecado de Benjamim (ver Jz 20,33). O local atualmente é desconhecido, mas ficava perto de Gibeá, que dista seis quilômetros e meio de Jerusalém. Alguns identificam as ruínas em Erhah como o local.
BAAL-ZEBUBE
No hebraico, Senhor das moscas. Belzebul, segundo se pensa, significa deus do monturo, que expressa repulsa ao príncipe de toda impureza moral. Todavia, alguns supõem que a palavra significa “senhor da habitação”, onde se ocultariam maus espíritos. As variantes textuais nos manuscritos confundem o quadro. Baal-Zebube aparece no AT, e Belzebul no NT. (Ver 2Rs 1,2; 1,3.6; 1,16; Mt 10,25; 27; Mc 3,33; Lc 11,15ss.). Originalmente, Baal-Zebube era um deus filisteu, ao qual Acazias, filho de Acabe, rei de Israel, mandou consultar, após ter caído de seu quarto elevado, em Samaria (ver 2Rs 1,2). Acazias esperava receber algum bom preságio da parte dessa divindade, acerca de sua condição, mas foi repreendido por Elias, por tal lapso. A morte foi declarada como certa, como castigo. Não se sabe porque essa divindade era chamada das moscas. Alguns têm sugerido que isso se deve ao fato de que ele protegia seus adoradores das moscas. Outros pensam que significa que a sua mensagem e provisões eram rápidas, como moscas. Ou então, a quase onipresença das moscas poderia sugerir uma divindade que está em todos os lugares. A forma neotestamentária varia nos manuscritos, e muita discussão se concentra em torno de seu significado e uso.

BAAL-ZEFOM
No hebraico, Senhor do Inverno, ou Senhor do norte. Uma cidade pertencente ao Egito localizada na fronteira do mar Vermelho. (Ver Êx 14,2 e Nm 33,7). Ali acamparam os filhos de Israel antes de atravessar o mar. Ao que parece, foram apanhados em uma armadilha, pelo que devia ser uma espécie de península. Ali postados, viram os exércitos egípcios que se aproximavam. Os filhos de Israel ficaram aterrorizados, queixando-se diante de Moisés por qual razão tinham sido apanhados em uma armadilha. Porém, Moisés exortou-os a que confiassem em Deus (Yaohu). Foi então que o povo de Israel atravessou o mar por terra seca. E os exércitos egípcios, tentando fazer a mesma coisa, foram afogados nas águas do mar, que retornaram ao seu devido lugar.
O próprio nome fala de um bem conhecido deus da literatura de Ugarite. Há evidências de que essa divindade estava associada ao porto egípcio de Tapanes. Posteriormente, Jeremias foi levado para esse porto, pelos judeus que fugiam de Jerusalém, pois recusavam-se a render-se a Nabucodonosor.
Não se sabe qual a localização exata de Baal-Zefom, mas supõem-se que ficava ou perto do mar Mediterrâneo, em Tapanes, a 35km a suleste de Rameses, ou para o suleste daquele lugar. Tapanes é a atual Tell Defneh, na extremidade norte do istmo.

BAALÃ
No hebraico, senhora. Há variações desse nome como Quiriate-Jearim (ver Js 15,9). Baalim de Judá (ver 2Sm 6,2), Quiriate-Baal, em Judá (ver Js 15,60 e 18,4).
1. A cidade de Quiriate-jearim, a quase quinze quilômetros a oeste de Jerusalém, talvez a moderna Tell-el-Azhar. Ela é mencionada em conexão com as fronteiras do território de Judá (ver Js 15,9.10.11.29; 1Cr 13,6).
2. Uma cidade ao sul de Judá, talvez a Baalá de Js 19,3, ou a Bealote de Js 15,24. Ficava na Sefelá, anteriormente parte do território de Simeão, tendo sido identificada com Khirbet el-Meshash, cidade no extremo sul de Judá (ver Js 15,29).
3. Uma cadeia montanhosa de Ecrom a Jabneel, na fronteira norte de Judá, talvez na colina atualmente conhecida como Mughar e associada a Khirbet el-Meshash (ver Js 15,11).
4. Baalá, uma cidade de Dã, na fronteira (ver Js 19,44), associada a Bel ‘ain.
5. Uma cidade a oeste de Gezer, talvez a mesma mencionada no número anterior. O lugar foi construído por Salomão, para servir de cidade-armazém (ver 1Rs 9,18 e 2Cr 8,6).
6. BaaL, devendo ser identificada com Baalate-Beer (1Cr 4,33).
BAALATE
(Ver Baalá, números 4 e 5.).

BAALATE-BEER
No hebraico, poço santo, ou Baal do poço. Era uma cidade do território de Simeão, evidentemente o santuário de uma deusa. Deve ser identificada com “Ramá do Sul” (ver Js 19,8; 1Cr 4,33), a qual muitos pensam ser a mesma que a de números 6, sob o título Baalá. Não se sabe o local exato, mas pensa-se que fica no extremo sul de Neguebe, e próximo um poço.

BAALE-JUDÁ
No hebraico, Senhores de Judá. Uma cidade de Judá, de onde Davi trouxe a arca para Jerusalém (ver 2Sm 6,2), provavelmente a mesma Baalá de Js 15,9 e 1Cr 13,5,6. Ver o número 1 do artigo sobre Baalá.

BAALINS
No hebraico, grande Senhor, sendo o plural de Baal. O termo encontra-se em Jz 2,11; 3,7; 1Rs 18,18; Jr 2,23; Os 11,2 e outros trechos.

TETRAGRAMA
Esse é o nome que se dá às quatro letras que representam o inefável nome de Deus, YAHWEH,[A FORMA “ERRÔNEA” DE SE ESCREVER O NOME DE DEUS PELOS MOTIVOS DAS LETRAS “EMPRESTADAS” – {“A” e “E” – DE: ADONAI; ELOHIM]; ou seja, YHWH. Esse nome nunca foi e nunca é pronunciado pelos judeus, embora suas vogais tenham sido emprestadas dos nomes Adonai ou Elohim. Uma corruptela de criação gentílica é Jeová, QUE NADA SIGNIFICA PARA O POVO HEBREU! (Palavras do autor): “Quando estudei o hebraico, na Universidade de Chicago, os estudantes judeus sempre distorciam o som do nome (Yaohushua), O NOME CORRETO DO MESSIAS, quando liam o texto bíblico em voz alta, a fim de não se tornarem culpados de pronunciá-lo”. Ver o artigo geral sobre Deus, Nomes Bíblicos de, que inclui maiores informações sobre esse nome divino.

DEUS, NOMES BÍBLICOS DE

Esboço:
I Caracterização Geral
II Lista dos Nomes Divinos
III Comentário sobre os Principais Nomes

I Característica Geral

(Com a “ajuda do querido, Irmão – José de Camargo [um estudioso da palavra, como eu, que estudamos a mesma há mais de 9 anos; esta apostila, tomou um caminho correto! Graças a sua ajuda. Obrigado irmão. Que o MESSIAS, guarde os seus caminhos]. {“CAÇANDO PISTAS . TSOFEHATALAIA@BOL.COM.BR Luís Cláudio – estudos Hebraicos.}. PESQUISAS FEITAS PELO: (Sr. José de Camargo.):
NOME SAGRADO DO CRIADOR DAS ESCRITURAS SAGRADAS.

Muitas pessoas chamam o “Criador de Deus”. Porem Deus não é nome próprio!
Deus é um substantivo comum como é a palavra “Senhor”; “Médico”; “Advogado”; etc. Se Deus é um substantivo e não um “nome” próprio, qual é o nome divino e sagrado do Criador?

O TETRAGRAMA sagrado encontrado mais de 6.800 vezes nos mais arcaicos dos manuscritos, contém as quatro consoantes hebraicas Yod – He -Vav – He.
TETRAGRAMA transliterado = YHWH. As quatro consoantes hebraicas do nome sagrado, escrito da direta para esquerda (no Hebraico) He – Vav – He – Yod = Transliterado YHWH.
Conhecer o nome original do Criador é fundamental para aqueles que querem o servir em espírito e em verdade.

Conheça a grafia e a pronúncia do nome sagrado – tetragrama:
YOD = têm o som de I ou E transliterado como “Y”.
HE = têm o som de H aspirado no meio da palavra: no final da palavra é “mudo”.
VAV = têm o som de W Quando é consoante. E pode ter o som de “O” ou de “U” – quando recebe uma vogal MASSORÉTICA! (Sendo assim: “Vav” = O; “He” = HU).

YHWH – tomou a forma (YAHWEH) – errada! Pois, as vogais “a” e “e” – foram emprestadas (tomadas de Adonai, elohim). Dando a forma errada ao tetragrama por motivos do texto massorético essas vogais não são corretas no “hebraico”. Ou seja: O texto massorético, trouxe as letras (QAMETZ ; OU HOLAM = “T”. ESSE “A”, SE TORNOU UM DITONGO – “AO” – “YAOWH” (SEM O “E”). ONDE, NO FINAL DO TETRAGRAMA – O “H” NÃO SE PRONÚNCIA – “É MUDO” – FICANCO O SOM “YAOHU” – YAOHU-UL.

(Recapitulando: “Depois que entrou o sinal massorético “T” – qametz ou holam, o “A”, se tornou um DITONGO – “AO” – E, POR SER UM DITONGO, CAMINHAM JUNTOS.).
(UL = “ETERNO”).
O HODSHUA de UAOSHORUL – o ALTISSÍMO. YAO UL 2,32(Joel) At 2,21.
“UL” de ULHIM denominação de YAOHU – “DO ETERNO” = YHWH se pronuncia “UL” – Significa = “SUPREMO” – Pv 30,4.
“UL” – AQUELE QUE VAI ADIANTE.
(“Vem de forma acadiana “ILHU” do verbo “UL” Hebraico “ULHIM” BERISHIT.”).
Romanos 10,13: PORQUE TODO AQUELE QUE INVOCAR O NOME DE YAOHU SERÁ SALVO!
* (VEJA, NO FINAL DA APOSTILA: MAIS EXPECIFICAÇÕES DO “NOME DE DEUS”)§. IRMÃO – JOSÉ DE CAMARGO.

1. Nomes Pagãos.
A fértil imaginação dos homens tem atribuído inúmeras funções ao Ser divino, e, ao enfatizar muitas delas, tem-lhe conferido grande variedade de nomes. Essa atividade é universal, não se circunscrevendo à Bíblia. Nas religiões politeístas, vemos os deuses realizando muitos tipos de serviço, e os nomes a eles atribuídos refletem as atividades específicas de cada divindade em questão Cronos (tempo, e eterno) era um dos principais deuses da mitologia grega. Zeus, um de seus filhos, finalmente o derrubou. Sob Zeus, os deuses organizaram-se, com seus muitos tipos de autoridade e funções. – O nome de Zeus significa “céu brilhante”, tendo sido assim chamado porque a princípio foi identificado com o céu e seus fenômenos. Os raios sempre foram suas armas principais, por meio dos quais ele preservava a disciplina entre os deuses e os homens. Gaea (terra) era a deusa da vida, a mãe de todos. Os homens reconhecem a sua dependência de terra, quanto à sua vida física, o que explica o nome e as funções dessa deusa. Na angelologia judaica posterior, anjos com nomes apropriados assumiram funções atribuídas a muitos dos deuses pagãos. Haveria até mesmo anjos controladores dos elementos da natureza, como o vento, a chuva, a saraiva, o calor e o frio.
A) Os nomes de Deus na Bíblia, embora provenientes de um processo mais elevado e mais nobre do que aquele que produziu os nomes dos deuses pagãos, refletem o mesmo tipo de atividade. Os nomes de Deus refletem suas qualidades e atividades, coisas às quais os homens dão atenção especial. Na verdade, a leitura de uma lista dos nomes divinos encontra paralelo parcial na leitura da lista dos atributos e atividades de Deus.
C) Empréstimos. Como já seria de se esperar, nem todos os nomes divinos, dados no AT, pertenciam originalmente à cultura hebreia, mas foram tomados por empréstimo de um fundo comum de nomes que havia na cultura mesopotâmica. El, nome básico de Deus, que se encontra em diversas combinações, é uma das mais antigas designações da deidade no mundo antigo. Forma o componente básico dos nomes de Deus na Babilônia e na Arábia, e, naturalmente, na cultura israelita. O sentido original de El parece ser “forte”, dando a entender as capacidades de controlar, de obrigar, pelo que é evidente, um poder que os homens julgavam ser uma necessidade aos atributos da divindade, tornou-se o próprio nome divino. Quase todos os outros nomes divinos originaram-se desse modo.
D) Instrumentos da Revelação. Embora houvesse a atividade humana por detrás do desenvolvimento dos nomes divinos, podemos dizer, igualmente, que esses nomes foram discernimentos quanto à natureza de Deus, pelo que esses nomes também fazem parte da revelação, tanto a natural quanto a sobrenatural. O nome de uma pessoa revela algo de distintivo sobre essa pessoa, de acordo com os costumes dos hebreus. Quanto mais isso deve ser verdade, quando falamos a respeito de Deus.

E) Respeito pelo Nome Divino. Acima de todos os outros povos, os hebreus respeitavam e temiam a Deus. Por essa razão, não usavam o nome de Deus frivolamente. Eles pronunciavam os nomes de Deus como alterações que lhes permitiam não terem de verbalizar os sons exatos desses nomes. Os escribas registravam os nomes de Deus lavando frequentemente as mãos. Um dos mandamentos mosaicos, o terceiro, proibia o uso frívolo do nome divino (Êx 20,7). Sabemos que as culturas antigas acreditavam no poder mágico dos nomes. Saber qual nome de uma divindade ou de um demônio, supostamente dava à pessoa certo poder sobre essa divindade ou demônio, em momentos de necessidade. No caso dos demônios, o conhecimento dos nomes deles poderia ser um meio de expeli-los. Esses fatos demonstram o respeito que algumas pessoas tinham pelos nomes e talvez esse fosse um dos motivos pelo extremo respeito que os judeus tinham pelo nome divino. No judaísmo posterior, encontramos o uso mágico de nomes; mas não temos evidências a esse respeito quanto à primitiva cultura judica, embora isso deva ter existido em algum grau e de alguma maneira.

2. Lista dos nomes divinos. (Aqui que começou toda confusão de traduções da Septuaginta com as línguas: Hebraico, Aramaico, Grego e as alterações gentílicas): Para o inglês, francês, e o português – {sendo que a primeira tradução foi para o “grego”}; observação minha (Anselmo Estevan).
Apresentamos abaixo certa variedade de nomes de Deus, a fim de dar ao leitor uma ideia sobre a extensa natureza dos nomes divinos. Deus. El, Elohim, Eloah. Esses nomes são de ocorrência muito frequente, aparecendo em muitas combinações, o que comentamos na seção (3).
(Nomes tomados erroneamente) Anselmo.
Yahweh. As consoantes desse nome foram combinadas com as vogais de Adonai, aparecendo de modo frequente e em muitas combinações.
Rocha. Tradução da palavra hebraica tsur, “rocha” (Is 44,8). Correto.
Adonai. No hebraico, Adonai; no grego, Théos, usualmente traduzidos em português por Deus. (Não acho correto, pois o significado é tomado por “senhor”).
Senhor. No hebraico, Adonai; no grego, Kúrios. (TOTALMENTE ERRADO).
Divindade. No grego, Theótes (Cl 2,9), ou Theios (At 17,29).
Deus Altíssimo. No hebraico, Elyon (Sl 18,13).
Santo (de Israel). No hebraico, Qadosh (Sl 71,22).
Poderoso. No hebraico, El (Sl 50,1); ou Gibbor (Dt 10,17). [forma errada – transliterada].
Deus dos Deuses. Dt 10,17. (Estranho. Parece blasfemar do nome, não concordo…).
Senhor dos Senhores. Dt 10,17; no grego, Kúrios (Ap 17,14). (Não Concordo com o “Senhor”).
Doador da Luz. No hebraico, Maor (Gn 1,16). Ok!
Pai. No hebraico, Aba (Sl 89,26); transliteração grega do aramaico abba (Rm 8,15).
Juiz. No hebraico, Shaphat (Gn 18,25).
Redentor. No hebraico, Gaal (Jó 19,25).
Salvador. No hebraico, Yasha (Is 43,3); no grego, Soter (Lc 1,47).
Libertador. No hebraico, Palat ) (Sl 18,2).
Escudo. No hebraico, Magen (Sl 3,3).
Força. No hebraico, Eyaluth (Sl 22,29).
Todo-Poderoso. No hebraico, Shaddai (Gn 17,1).
Deus que Vê. No hebraico, El Roi (Gn 16,13).
Justo. No hebraico, Tsaddiq (Sl 7,9).
Senhor dos Exércitos. No hebraico, Elohim Sabaoth (Jr 11,20); no grego Kúrios (Rm 9,29; Tg 5,4). (Não acho correto o título de ‘senhor’, novamente!).
Rei dos Reis. No grego, basileus basiléon (Ap 17,14).
Deus Vivo. No hebraico, Elohim (Dt 5,26).
Pai das Luzes. No grego, Pater (Tg 1,17).
Eu sou. No hebraico, Hayah, no grego, Ego eimi (Jo 8,58).
{Veja: a mistura de “nomes divinos corretos” com “títulos” – corretos e não corretos – que por muitas vezes representam divindades pagãs! Daí a total confusão das “línguas”, e suas traduções com a mistura da vontade humana.}. Observação: Anselmo Estevan. Ps. E, acredito que há um só nome divino = YAOHU-UL. – ÚNICO!!!
3. Comentário sobre os Principais Nomes
– El, um termo para indicar Deus (deus), ou seja, a deidade verdadeira ou falsa, ou mesmo um ídolo que os homens chamem de “deus” (Gn 35,2), como o Deus de Betel (Gn 31,13). El era o nome do deus supremo da religião cananeia, cujo filho era Baal. O plural de El é Elohim, palavra que também pode significar deuses, ou que pode ser usada como um aumentativo para referir-se a um elevado poder, o Deus supremo. (Ver sobre a palavra seguinte). O sentido básico de El, é “força”.
– Elyon, El Elyon, o Deus Altíssimo, título usado em conexão com a adoração de Melquisedeque (Nm 24,16). Em salmos 7,17 a palavra aparece composta com Yahweh. Em Daniel 7,22.25 há um plural aramaico dessa palavra.
– Elohim, embora seja plural, podendo ser traduzida por “deuses”, essa palavra pode indicar o Ser supremo, sendo usado o plural para enobrecer a palavra, e não para que pensemos no verdadeiro plural. A própria palavra é um plural de El e retém, por isso mesmo, o sentido básico de “força”, “poder”. A presença desse nome, na narrativa da criação (no plural), tem dado origem à interpretação trinitariana da palavra, ali; mas isso é uma cristianização da passagem, e não uma verdadeira interpretação. Gênesis 1-1 faz com que esse seja o primeiro nome de Deus na Bíblia.
– Eloah, uma forma singular de Elohim, e com o mesmo sentido de El. Essa forma variante encontra-se principalmente na linguagem poética, pelo que aparece, com mais frequência, no livro de Jó.
– El ‘Olam, com base na forma original, El dhu-‘Olami, que significa Deus da Eternidade. Em Gênesis 21,33 aparece em combinação com (Yahweh) = Senhor.
– ‘El-Elahe-Israel, que significa “Deus é o Deus de Israel”. Foi nome usado por Jacó em Siquém (Gn 32,20), comemorando o seu encontro com o Anjo de (Yahweh). Foi ai que ele, e, portanto, Israel, dedicou-se a Deus usando a forma (Senhor). Errado!
Jeová. Esse nome foi artificialmente criado: O tetragrama YHWH (Yahweh) era considerado sagrado demais para ser pronunciado. As vogais de Adonai (meu Senhor) foram combinadas com as consoantes yhwh, e o resultado foi a forma Jeová. Não se trata, realmente, de um nome de Deus, mas de uma corruptela do nome, a fim de que pudesse ser proferido, sem nenhum temor pelos judeus. Mas nunca aparece, com essa forma , no século XII D.C. Antes disso, – cada vez que aparecia YHWH, os judeus pronunciavam “Adonai”.[VEJA, O QUE ISSO PROVOCOU ATÉ HOJE, OS ERROS E A BRASFÊMIA DO NOME PESSOAL “YAOHU-UL”. O NOME DE DEUS, {SENDO “DEUS” – SOMENTE UM “TÍTULO”, – NÃO SEU NOME}]. VEJAMOS:
-Yahweh, com formas mais breves com Yah (Êx 15,2, etc), Yahu e (Yeho – que não existe, “somente na forma errada”). Entre os nomes sagrados dos documentos de Ras Shamra, no norte da Mesopotâmia, da época do século XV A.C., temos a forma Yaw. Esse nome era pré-mosaico, o que fica implícito no fato de que aparece com uma nova revelação feita a Moisés (Êx 3,13-15; 6,4). Que não era um nome originalmente israelita fica patenteado em Gênesis 4,26. É questão contestada exatamente sob quais circunstâncias ocorreu a adoração a (Yahweh), ou a incorporação desse nome na teologia judaica. YHWH, a forma hebraica mais longa, é confirmada desde o século IX a.C., em fontes extrabíblicas. – Assim aparece na pedra moabita. Vem do verbo ser, dando a entender o Deus vivo e eterno. Êx 3,14, onde temos o nome de Deus “EU sou”. (Yahweh) tornou-se o nome predominante de Deus, por demais sagrado para ser pronunciado, Notemos o que diz Êxodo 3,15: “O Senhor (no hebraico, Yahweh), o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó…”, onde Deus é qualificado com Yahweh, como Seu nome especial. Portanto, tornou-se um nome próprio, em contrante com Elohim, que pode ser o simples abstrato para “deus” ou “deuses”.
-Yahweh Elohim (Gn 2,4 e cap. 3). Uma combinação comum.
-Várias combinações com Yahweh:

• Yahweh yireh, que significa “Senhor que provê” (Gn 22,8.14).
• Yahweh nissi, “o Senhor é a minha bandeira” (Êx 17,5), usado pela primeira vez para comemorar a vitória de Israel sobre os amalequitas.
• Yahweh shalon, “o Senhor é paz” (Jz 6,24).
• Yahweh tsdquenu, “o Senhor é a nossa justiça” (Jr 23,6; 33,16),
• Yahweh samma, “o Senhor está alí” (Ez 48,35).
• Estritamente falando, esses nomes não são nomes divinos, mas apenas combinações com frases, para aludir a eventos especiais. Só que pra piorar, devido a confusão com o nome próprio de “Deus”, blasfemam o seu nome com a de uma divindade – pagã – Baal.(colocação minha – Anselmo Estevan.).
• Yahweh Sabaoth, Esse é um verdadeiro nome divino, que significa “Senhor dos Exércitos”. Não se acha no Pentateuco, aparecendo no Antigo Testamento somente em 1Sm 1,3. Deus era adorado por esse título em Silo. Foi usado por Davi, quando desafiou os filisteus (1Sm 17,45), e em seu cântico de vitória (Sl 24,10). Tornou-se comum nos livros proféticos, sendo usado por oitenta e oito vezes somente no livro de Jeremias. Esse título refere-se a Deus como Capitão dos Exércitos, protetor de seu povo, aquele que obtém qualquer tipo de vitória que se possa imaginar (Sl 46,7.11). Os “exércitos”, nesse caso, são os poderes celestiais, sempre prontos a cumprir a vontade de Deus e a produzir qualquer tipo de vitória de que o povo de Deus precise.
• Yahweh Elohe Yisrael, “o Senhor Deus de Israel”, uma forma composta encontrada, pela primeira vez no cântico de Débora (Jz 5,3), mas frequente depois disso (Is 17,6; Sf 2,9; Sl 59,5), em outras combinações.
• Quedosh Ysrael, “o Senhor de Israel”, usada por vinte e nove vezes em Isaías (Is 1,4 etc.). Também encontrada em Jeremias e em Salmos.
• Abir Ysrael, “o Poderoso de Israel” (Is 1,24)
• Nesah Yisrael “a Força de Israel” (Sm 15,29).
• ‘Attiq Yomin, expressão aramaica que significa “o Antigo de Dias” (Dn 7,9.13.22).
• ‘IIIya, ‘Elyonin, “O Altíssimo”, expressão aramaica que aparece em (Dn 7,18.22.25.26, alternada no texto com a expressão de número dezesseis, acima.

A GERAÇÃO DOS DEUSES

Hesíodo forneceu uma tentativa interessante e explicar como os deuses surgiram. A sua Teogonia (a geração dos deuses) explana a geração e a descendência dos deuses, quem era o principal deles, quem veio em seguida, e então como os deuses foram surgindo ordem após ordem. Ele tentou criar um sistema com base na teologia pagã, o que não foi tarefa pequena e fácil. Outras noções sobre isso emergem de obras como o Timeu, de Platão e a De Natura Deorum, de Cícero. Vários dos pais da Igreja antiga, como Justino Mártir, Tertuliano, Amóbio, Eusébio, Agostinho e Teodoreto expressaram seu espanto diante da extensão da idolatria pagã. Havia divindades superiores, inferiores, nobres, vis, no céu, na terra, nos prados, nas águas, no ar, no céu distante e no hades, debaixo da terra. Cada lugar existente simplesmente estaria repleto de deuses.
Marcus Terentius Varro Reatinus, o mais erudito dos romanos (cerca de 116 a.C.), teria escrito mais de seiscentos livros! Ele contou nada menos de trinta mil deuses pagãos. Mas, na realidade, seu número é incalculável.

Como o artigo é muito extenso, vou citar só os nomes para efeito de pesquisa e registro:
ADRAMELEQUE; ANAMELEQUE; ASIMA; ASERÁ; ASTARTE; BAAL; BAAL-BERITA; BAALINS; BAAL-PEOR; BAAL-ZEBUBE; BEL; ADORAÇÃO AO BEZERRO DE OURO; CASTOR E PÓLUX, (FILHOS DE JÚPTER); CAMOS; QUIUM; DAGOM; DEUS. LAT. PARA O GREGO ZEUS, deus DOS CÉUS; DIANA; GADE; JÚPTER; MALCÃ; MENI (NO HEBRAICO SIGNIFICA = DESTINO); MERCÚRIO; MERODAQUE; MILCOM; NEBO; NEUSTÃ = COBRE NO HEBRAICO; NERGAL = DEUS SOL BABILÔNICO; NIBAZ; NISROQUE. SENAQUERIBE – REI DA ASSÍRIA, ADORAVA ESSA DIVINDADE; PÓLUX – VER CASTOR E PÓLUX.; REFÃ – CORPOS CELESTIAIS (ADORADA PELO ISRAEL NO DESERTO ATOS 7,43; RIMON; SÁTIRO = PELUDO; SICUTE; SUCOTE-BENOTE; TAMUZ; TARTAQUE.

NOMES E SUAS CURIOSIDADES:

Os nomes dos poderes divinos e dos seres humanos são mais fáceis de entender quanto ao modo como surgiram. Assim, El é o nome de Deus que destaca o seu “poder”; Yaohu é o nome do Deus que existe eternamente; Adão significa “homem”; Hodes nasceu na época da “lua nova”; Benori quer dizer “filho da minha dor”; um nome que lhe foi dado quando nasceu; Lia significa “cansada”; Edon quer dizer “vermelho”; Corá indica “calvo”. As meninas davam-se nomes de flores ou de animais. Assim, Raquel quer dizer “ovelha”; e Susana significa “lírio”. Motivos religiosos também foram usados na outorga de nomes às crianças, como Maalalel, “louvor a El”; Elionai, “meus olhos voltam-se para Yaohu”; Israel significa “príncipe de El”; Josué, “Yaohushua é salvação”. Nomes assim eram dados a pessoas piedosas, na esperança de que as pessoas assim chamadas deixar-se-iam influenciar pelos mesmos, e que suas vidas fossem espiritualizadas. Certos nomes pessoais exprimiam esperanças secundárias, como José, que parece significar “Deus me dê outro filho”. Nomes como Nabal são mais difíceis de explicar. Pois qual pai daria a seu filho um nome que significa “estúpido”? Mais compreensível é um nome como João, cuja forma original, em hebraico, Johanan, significa “Yah é gracioso “. É provável que certos nomes próprios sejam dados complemente à revelia de seus significados originais. Quantos pais chamariam uma filha de Margarida, se soubessem que esse nome quer dizer “pérola”?; ou um filho, de Lucas, que significa “luz”?; ou Mateus, “presente de Deus”?; ou Hortência, “jardim”? Os nomes de família também têm seus respectivos sentidos. Damos alguns exemplos: Melo, “plenitude”; Peres, “rompimento”; Almeida, “unitário”; Silva, “silvestre”; Valverde, “vale verde”; Castro “fortaleza”; Bentes, “vento”; Souza, “se susã (Pérsia)”.
No antigo Israel, muitos pais davam a seus filhos nomes alicerçados em apelativos de divindades, como Baal-Hanã, Isabaal, Zorobabel, etc. Todavia, nesses casos, não é muito provável que houvessem a tentativa consciente de honrar as divindades estrangeiras. Simplesmente os pais israelitas apreciavam o som de tais nomes, tal e qual sucede entre todos os demais povos do mundo.

CAUÍSTICA. É a arte de examinar os diferentes “casos” de aplicação de uma lei. Em sentido pejorativo, entenda-se como a arte de contornar a lei. Em sentido positivo, é a arte de aplicar de maneira inteligente a lei em função dos dados da realidade.

CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO. Conjunto dos livros do AT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. No cânon aceito pelos evangélicos há 39 livros. O cânon católico tem a mais 7 livros e algumas porções (v. APÓCRIFOS). O cânon do AT é o mesmo para os judeus e os evangélicos.

CÂNON DO NOVO TESTAMENTO. Conjunto de 27 livros do NT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. O cânon do NT é igual para evangélicos e católicos. No princípio alguns livros foram aceitos com certa reserva, mas no final do quarto século o cânon atual já era aceito em quase toda parte (v. ANTILEGÔMENA).

ANTILEGÔMENA. Designação dada a sete livros que só no final do quinto século foram aceitos por todas as igrejas cristãs como fazendo parte do CÂNON DO NT. São eles Hb, Tg, 2Pe, Jd , 2Jo, 3Jo, e Ap.

CISMA. Na linguagem bíblica, a palavra serve para designar a separação dos dois reinos do Norte e do Sul, ou de Israel e de Judá, após a morte de Salomão e em consequência da revolta de um de seus oficiais, Jeroboão, isto é, em 931; cf. 1Rs 12, o cisma perdurará até a queda do Norte em 721.

DIASPORA. Por esse termo designam-se as comunidades judias dispersas em torno do Mediterrâneo. Não implica necessariamente a ideia de deportação ou exílio, mas define uma forma de viver o Judaísmo diferente da que existe em Jerusalém ou nas proximidades de Jerusalém. A prática se concentra sobretudo em torno da sinagoga, casa de reunião e ao mesmo tempo de culto, onde se ensina a Lei.

DECÁLOGO – DEZ MANDAMENTOS.

DEZ MANDAMENTOS. Preceitos dados por Deus (Yaohu) a Moisés, em duas placas de pedra, para orientar a vida das pessoas (Êx 20,1-17; 34,28; Dt 5,6-21). Na primeira placa há quatro mandamentos, os quais tratam dos deveres das pessoas para com Deus (Yaohu); na segunda há seis mandamentos, que tratam dos deveres que temos para com as outras pessoas. Todo os mandamentos se repetem no NT, menos o quarto, que trata do dia de descanso, Cristo resumiu os dez mandamentos em dois (Mt 22,34-40).

EXÍLIO. É a palavra, por excelência, utilizada para falar da provação passada pelo reino de Judá, que em 587 a.C., após a queda de Jerusalém pelo ataque da Babilônia, foi levado ao exílio. Ele durará cerca de cinquenta anos, até que em 538 a.C., Ciro autorizará os judeus a retornarem à sua pátria. Os termos “pré-exílico” e “pós-exílico” são utilizados para situar a literatura de Israel, a época e o estado de sua composição e de suas reformulações.

ESSÊNIOS Seita religiosa existente no tempo de Cristo. Eram mais ou menos quatro mil homens que seguiam com muito rigor a lei de Moisés. Alguns moravam em cidade, mas a maioria vivia em comunidades, no deserto de En-Gedi. Os essênios não são mencionados na Bíblia.

LEI. Vontade de Deus (Yaohu) reveladas aos seres humanos em palavras, julgamentos, preceitos, atos, etc. (Êx 16,28; Sl 119). PENTATEUCO (Lc 24,44). O AT (Jo 10,34; 12,34). Os DEZ MANDAMENTOS (Êx 20,2-17; Dt 5,6-21), que são o resumo da vontade de Deus (Yaohu) para o ser humano. Cumprindo a lei, os israelitas mostravam sua fé em Deus (Yaohu). Cristo respeitou e cumpriu a lei e mostrou seu significado profundo (Mt 5,17-48). Ele resumiu toda a lei no amor a Deus (Yaohu) e ao próximo (Mt 22,37-39). A lei mostra a maldade do ser humano, mas não lhe pode dar a vitória sobre o pecado (Rm 3 – 7), o propósito da lei é preparar o caminho para o evangelho (Gl 3,24).

LIVROS. O uso desse termo para designar os diferentes “livros” que compõem a biblioteca do Antigo Testamento não deve trazer ilusões. É preciso observar que ele não representa o que atualmente evoca para nós. Um “livro” do Antigo Testamento pode cobrir algumas páginas apenas. É preciso não se esquecer de que na Antiguidade escrevia-se em rolos de papiro, e mesmo o pergaminho e o pergaminho mais fino de pele de vitela só surgiriam por volta do século III a.C.

MESSIAS. Literalmente a palavra significa “ungido” e designa aquele que recebeu a unção real. Assim, todo rei em Israel era “messias”. Porém, com o tempo, por causa da decepção sempre provocada por reis que não correspondiam ao ideal religioso, os profetas, começando por Isaías, no século VIII a.C., passaram a depositar sua esperança num “messias” a chegar. Tratava-se de início do próprio filho do rei que decepcionara. Depois, progressivamente, passou-se a esperar uma personagem especialmente enviada por Deus (Yaohushua) e investida, portanto, de qualidades especiais e de uma missão de salvação e de regeneração de Israel. A Igreja deverá reconhecer em Cristo esse Messias anunciado.

MASSORETAS Estudiosos judeus que foram responsáveis pela transmissão do texto hebraico do AT e desenvolveram os sinais vocálicos e outros comentários críticos para esse texto, conhecido como texto massorético (TM). O TM é o texto hebraico básico para todas as versões modernas do AT. Vide. MANUSCRITOS.

MANUSCRITOS Textos escritos à mão. Os livros do AT foram escritos sobre folhas de PAPIRO, usado no Egito, e depois na Palestina e em outras regiões. Aí por 200 a.C., começou-se a escrever sobre peles de animais, os PERGAMINHOS. Assim, um aparte dos livros do NT pode ter sido escrita sobre pergaminhos. Tanto os livros escritos em papiro como os escritos em pergaminho tinham a forma de ROLO (Sl 40,7; 2Tm 4,13). O LIVRO com páginas, chamado de códice, surgiu no séc. II d.C. Todos os manuscritos originais do AT e do NT se perderam. O texto bíblico nas línguas originais que possuímos hoje está baseado em cópias. A comparação das cópias existentes demonstra que Deus (Yaohu) fez com que os livros bíblicos fossem copiados com grande fidelidade. Até bem pouco tempo atrás, o manuscrito completo do AT mais antigo era de 916 d.C. Em 1946, começou a aparecer uma série de manuscritos de livros do AT encontrados em várias cavernas de QUMRAN. Na maior parte esses manuscritos são do primeiro século a.C., e do primeiro século d.C. Encontraram-se em Qumran manuscritos quase inteiros, sendo os de Isaías os mais famosos, e/ou partes de todos os livros do AT, menos de Ester. Além dos livros bíblicos, foram descobertos fragmentos de livros APÓCRIFOS e de outros livros da seita dos ESSÊNIOS, que ali os escondeu. Esses manuscritos são muito importantes para o estudo do texto original do AT, como também para se recompor o panorama histórico da época de João Batista e de Cristo. Os manuscritos completos mais importantes do NT são os seguintes: O Sinaítico e o Vaticano, do séc. IV d.C., e o Alexandrino, do séc. V d.C. No entanto, há um grande número de manuscritos de partes do NT que são do séc.III d.C., e posteriores.

PATRIARCAS A consonância bíblica deste termo está ligada aos ancestrais por excelência do povo de Israel. Em seu sentido próprio, o termo designa Abraão, Isaac e Jacó, porém, é também aplicado a todas as personagens colocadas em cena ou nomeadas nos onze primeiros capítulos do Gênesis, cobrindo não só os ancestrais de Israel, mas também os da humanidade. É por isso que se falará de patriarcas “pré-diluvianos”, isto é, antes do Dilúvio, e patriarcas “pós-diluvianos”.

PSEUDEPÍGRAFO Livro religioso, judeu ou cristão, não-pertencente ao CÂNON, escrito entre 200 a.C., por autor anônimo ou por autor que, para ver a obra aceita, usava como pseudônimo (nome falso) o nome de algum personagem bíblico. A literatura pseudepigráfica é abundante. Títulos de pseudepígrafos do AT: Apocalipse de Baruque, Assunção de Moisés, Carta de Aristéias, 3 e 4Esdras, Livro de Enoque, Livro dos Jubileus, 3 e 4Macabeus, Oração de Manassés, Oráculos Sibilinos, Salmos de Salomão, Testamento dos Doze Patriarcas, Vida de Adão e Eva, etc. Pseudepígrafos do NT: Apocalipse de Maria, Atos de Pedro e Paulo, Carta aos Laodicenses, Evangelho dos Doze Apóstolos, Evangelho de Infância de Jesus, Evangelho de Pedro, Pseudo-evangelho de Mateus, etc. Os católicos chamam os pseudepígrafos de apócrifos.

PENTATEUCO Nome dado ao grupo dos primeiros cinco livros do AT. A palavra “Pentateuco”, de origem grega, quer dizer “cinco volumes”. Os judeus chamam de “A Lei” (Torá). O Pentateuco começa com a criação do mundo e vai até a morte de Moisés.

PENTATEUCO SAMARITANO Os primeiros cinco livros do AT copiados em letras hebraicas antigas (fenícias). Esse texto começou a ser usado em Samaria a partir de mais ou menos 500 a.C.

PROFETA Pessoa que profetiza, isto é, que anuncia a mensagem de Deus (Yaohu). No AT, os profetas não eram intérpretes, mas sim porta-vozes da mensagem divina (Jr 27,4), No NT o profeta falava baseado na revelação do AT e no testemunho dos apóstolos, edificando e fortalecendo assim a comunidade cristã (At 13,1; 1Co 12,28-29; 14,3; Ef 4,11). A mensagem anunciada pelo profeta hoje deve estar sempre de acordo com a revelação contida na Bíblia. João Batista (Mt 14,5; Lc 1,76) e Cristo (Mt 21,11.46; Lc 7,16; 24,19; Jo 9,17) também foram chamados de profetas. Havia falsos profetas que mentiam, afirmando que as mensagens deles vinham de Deus (Yaohu) (Dt 18,20-22; At 13,6-12; 1Jo 4,1).

QUMRAN Local antigamente habitado pelos ESSÊNIOS, situado dois Km a oeste do extremo norte do mar Morto. Em 1947 foram encontrados MANUSCRITOS do AT em onze cavernas de Qumran.

QADOSH Santo.

SALTÉRIO HARPA de dez cordas (Sl 33,2). NOME DADO AO LIVRO DOS SALMOS.

TALMUDE Coleção de escritos dos judeus, contendo explicações e tradições referentes à Lei de Moisés. Foi escrito entre o terceiro e o sexto século da era cristã.

TORÁ O mesmo que LEI. V. PENTATEUCO.

REDATORES Em exegese bíblica, o termo possui uma acepção um pouco particular. Embora o vocábulo seja às vezes usado em seu sentido etimológico para designar aqueles que “redigiram” determinado livro, sendo aí a palavra sinônima de “autor”, o mais comum é que esse termo designe aquele ou aqueles que intervieram num texto, do qual não são rigorosamente os autores, seja para colocar por escrito tradições orais, seja para retocar, de uma maneira ou de outra, um texto já existente.

TRADIÇÕES Na linguagem literária, uma tradição designa um texto recebido ou considerado num estado particular, num determinado momento, antes de entrar para uma nova redação em que será ao mesmo tempo retomado e transformado. Fala-se assim das “diferentes tradições” de um livro ou de um tema.

A BÍBLIA:

Conjunto de 66 livros, escritos por cerca de 40 pessoas, durante 1.100 anos: O Antigo Testamento entre 1500 e 500 a.C., o Novo Testamento, entre 50 e 95 d.C.

O Antigo Testamento, levou quase mil anos para ser escrito. Enquanto o Novo Testamento, levou quase cem anos para ser escrito.

Best seller mundial de todos os tempos, é um livro único por sua fascinante beleza, sua perene atualidade, no plano da experiência pessoal e até vai adiante do tempo no plano cientifico (3.200 anos antes de Galileu), apresenta a Terra suspensa no espaço: (Jó 26,7), sua inegável autenticidade, seus escritores transmitem suas próprias experiências com Deus (Yaohu) e nunca duvidam dos fatos que narram.

Algumas “contradições” lhe são atribuídas, mas são apenas aparentes contradições. Por exemplo, quando Josué ordena que o sol e não a Terra pare por quase um dia inteiro, apenas usou linguagem comum, para ser compreendido em qualquer tempo.

DIVISÃO DO ANTIGO TESTAMENTO
1. Criação e história: 17 livros (de Gênesis a Ester);
2. Poesia: 5 livros (de Jó a Cântico dos Cânticos);
3. Profecias: 17 livros (de Isaías a Malaquias).

Essa divisão por natureza literária não é assim tão rigorosa. Encontramos a Lei na História, a Poesia na Profecia, a Profecia na Poesia (muitos Salmos trazem profecias do ministério de Cristo, tais como 2; 16; 22; 31; 34; 40; 41; 68; 69 e outros).

DIVISÃO DO NOVO TESTAMENTO
1. História do Novo Testamento: 5 livros;
2. Cartas de Paulo de Tarso: 13 livros;
3. Cartas aos Cristãos hebreus: 9 livros.

PASSAGENS MAIS FAMOSAS

• Criação do mundo. Gênesis caps. 1 e 2.
• Paraíso perdido. Gênesis cap. 3.
• Caim e Abel. Gênesis caps. 4,1-17.
• Dilúvio. Gênesis caps. 6 a 9.
• Torre de Babel. Gênesis cpa. 11,1-9.
• Sodoma e Gomorra. Gênesis caps. 18 e 19.
• Sacrifício de Abraão. Gênesis cap. 22.
• Jacó e Esaú. Gênesis caps. 25,19 a 33,20 e cap. 35.
• José no Egito. Gênesis cap. 37 e 39 a 50.
• Travessia do mar Vermelho. Êxodo caps. 14 e 15.
• Dez Mandamentos. Êxodo cap. 20,1-21.
• Sansão e Dalila. Juízes caps. 13 a 16.
• Davi e Golias. 1 Samuel cap. 17,31-49.
• Salmo 23 (o Messias é o meu Pastor, Nada me faltará…).
• Jonas no ventre de um grande peixe. Jonas 1 e 2.
• Daniel lançado na cova dos leões. Daniel cap. 6.
• Natal de Cristo. Mateus caps. 1 e 2 e Lucas cap. 2
• Água em Vinho. João 2,1-12.
• Nem só de pão vive o homem. Mateus 4,4 e Lucas 4,4.
• Sermão da Montanha. Mt 5 a 7 e Lucas 6,17-49.
• Pai Nosso. Mateus 6,9-15 e Lucas 11.1-4.
• Primeira Pedra. João 8,1-11.
• Joio e Trigo. Mateus 13,24-31 e 36-43 e Lucas 20,19-26.
• Cabeça de João Batista. Mateus 14,1-12; Marcos 6,14-29; Lucas 3,19-20 e 9,7-9.
• Multiplicação dos pães. Mateus 14,13-21, Marcos 6,30-44; Lucas 9,10-17; João 6,1-15.
• Filho Pródigo. Lucas 15,11-32.
• Ressurreição de Lázaro. João 11,1-44.
• Cristo expulsa os cambistas do templo. Mateus 21,12-16; Marcos 11,15-19; Lucas 19,45-48.
• A Deus (Yaohu) o que é de Deus (Yaohu) e a César o que é de César. Mateus 22,15-22 e Marcos 12,13-17.
• Ceia do Messias. Mateus 26,17-30; Marcos 14,12-26 e Lucas 22,7-23.
• Crucificação. Mateus 26,31 a 27,66; Marcos 14,27 a 15,47; Lucas 22,31 a 23,56; João 18,1 a 19,42.
• Ressurreição de Cristo. Mateus 28; Marcos 16; Lucas 24 e João 20 e 21.
• Volta do Messias ao Céu. Lucas 24,50-53 e Atos 11,1-14.
• Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos… 1 Coríntios 13.
• Cavaleiros do Apocalipse. Apocalipse 6,1-8.

O DEUS (YAOHU) DA BÍBLIA

1. O Deus (Yaohu) único, onisciente, onipotente e onipresente. Gênesis 1,1 e 28,16-17. Êxodo 3,13-15 e 20,1-6; Deuteronômio 3,23-24; Salmos 8 e 139.
2. O Deus (Yaohu) Pai. Mateus 6,32; Lucas 11,2; João 1,11-14; Gálatas 4,4-4.
3. O Deus (Yaohu) Salvador. Gênesis 3,15; Isaías 53; João 1,1-14 e 3,16; Atos 4,12 ; Romanos 5,7-8; 1 Timóteo 2,5-6; 2 Pedro 2,21-25.
4. O Deus (Yaohu) que volta, promove o fim do mundo e o juízo final. Mateus 24 e 25 e referências, 1 Tessalonicenses 4,13 a 5,3; 2 Pedro 3.

Aqui, termino a “apostila” (PARTE I) sobre a “BÍBLIA”. Espero que venha à ajudar o Irmão, a Irmã, que se interessar a ler está pesquisa, feita sobre a introdução dos cincos primeiros livros da bíblia; feita com carinho sobre a Palavra de Yaohu. “Não se trata de colocar um alicerce sobre o que já está posto”. Mas, sim, em fazer “as pessoas” terem um contato melhor com a Palavra de Yaohu, com um gosto a mais e o “entender o do por quê disto? ou aquilo? e etc”. E, assim procurar se aprofundar cada vez mais nesse infindável conhecimento que é a Palavra de Yaohu – a Bíblia em si. Cito: 2 Timóteo 2,16; João 14,8. Esta é a primeira parte referente ao “Pentateuco”. Os cinco primeiros livros da BÍBLIA. Se você gostou, espere então pelos outros comentários (“INTRODUÇÕES”) – dos outros “61” livros! AGRADEÇO AO MESSIAS POR ME DAR ESSA OPORTUNIDADE DE FALAR DA SUA PALAVRA. Anselmo Estevan.

“REFERÊNCIAS”

A Bíblia de Jerusalém.
Edições paulinas. Edição de 1973.
publicada sob a direção da “Ecole Biblique de Jerusalém”.

Bíblia tradução ecumênica.
Edições Loyola.
Ano de 1994.
D. Luciano Mendes de Almeida. Presidente da CNBB.
Arcebispo de Maiana.

Bíblia de estudo de Genebra 3º edição. R.A.
Sociedade Bíblica do Brasil. Ano de 2.009.
(Edição: Revista e Ampliada).

Bíblia de Estudo: Aplicação Pessoal.
Almeida R.C. CPAD.
Edição de 1.995.

Enciclopédia Bíblica do AT e NT. “INTERPRETADO – VERSÍCULO POR VERSÍCULO”.
Autor: “R.N. Champlin, Ph, D”.
Editora: HAGNOS.
2ª Edição. Ano de 2.001.

Dicionário Bíblico de Almeida – SBB.
Werner Kaschel
e Rudi Zimmer
2ª Edição. Ano de 2.005.

Livro: “Como a Bíblia foi escrita”.
Autor: Pierre Gibert.
Edições Paulinas. 3ª Edição.
Ano de 2.004.

Livro: “A História de Todas as Personagens da Bíblia”. Quem é Quem na Bíblia Sagrada.
Editora: Vida, 11ª impressão.
Ano de 2.009.
Autor. Paul Gardner.

Livro: De Todos os Livros da Bíblia.
Editora: Pendão Real.
1ª Edição. Ano de 2008.
Autor: Naur do Valle Martins.

Pesquisa efetuada por: ANSELMO ESTEVAN.
Formação: Curso bíblico “igreja Adventista do Sétimo Dia”. Friburgo. 22 de Janeiro de 2.004. Duração de 5 meses.
Formação: (Pela Faculdade Ibetel – centro de Suzano): “Curso Básico em Teologia”. [Aproximadamente 2 anos]. Término do curso em 07 de Agosto de 2.007.
Formação: (Pela Faculdade Ibetel – centro de Suzano): “Curso Bacharel em Teologia”. [Aproximadamente 3 anos]. Término do curso em 08 de Julho de 2.010.

Atualmente, dou aulas particulares de ESTUDO BÍBLICO. TELEFONE: 73000454. Marcar hora.

São Paulo, 19 de Agosto de 2.010.

Anselmo Estevan.

PS. §. MAIS EXPECIFICAÇÕES DO NOME DE DEUS: (Irmão Camargo).

Ul Shua (El – só no grego e latim, usa essa forma.) para “Deus”. Isus – Iesus – “Jesus”. SHUA = SALVA. [Shua = Cristo].
YOHU DIM = “POVO DE DEUS!” (A PALAVRA “JUDEU”, NÃO EXISTE). UL-LHIM = MUDARAM PARA ELOHIM. UM – HIM = NA FORMA “PORTUGUESADA!”. = “DEUS”. (“YAOHU” = “DEUS” – “DIM” = “POVO”. = POVO DA PROMESSA. [UL LHIM = O ETERNO].
YAOHU = YAOSHORUL = (ISRAEL = POVO DE DEUS). ISRAEL = UM NOME POLÍTICO! {“NO HEBREICO” – NÃO EXISTE A LETRA “J”.}. [Então, não existe o nome: Israel; e nem tão pouco o nome: Judeu!]. (SE DIZ: POVO DA PROMESSA, POVO DE YAOHU).
YAOHUH = “DEUS”.
YAOHUSHUA = “JESUS CRISTO”.
Bíblia TOMPSOM: mostra o verdadeiro nome de “Jesus” = Veja um trecho: Finalmente, em 1681 surgiu o primeiro Novo Testamento em português, trazendo no frontispício os seguintes dizeres, que transcrevem ipsis litteris: “O Novo Testamento, isto he, Todos os Sacro Sanctos Livros e Escritos Evangélicos e Apostólicos do Novo Concerto de Nosso Fiel Salvador e Redentor Iesus Cristo, agora traduzido em português por João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Santo Evangelho”. (pag. 1378).

“Jesus”, (forma errada de se escrever – inventado pelo Latim). “Jesus” uma terceira interpretação do hebraico. (Messias forma correta) – YAOHUSHUA ANO 3760. ANO 1 DE ROMA YAOSHORUL = ISRAEL.
Nome de Maria = MOROEM.
Ai vem nome Yeshua sem o tetragrama.
Ye, é um nome aramaico; ai veio no ano 200 adaptando o nome do Messias para Iesous – nome adaptado para grego. Aí veio a impressão de J. F. De Almeida para Iesu – nome adaptado para o Latin. Português 3º impressão sociedade Bíblica do Brasil e virou Jesus!
SHUA = SALVA.
UL HIM = ETERNO.

Recapitulando:
Yaohu = Deus – Pai.
Yaohushua = Deus – Filho.
Yaoshurul = Israel. (Povo de Yaohu.).
Dim = Povo.
Ul lhim = O Eterno.

O povo de Cristo, o chamava: de “Maor amo!”. Um Ser supremo – Ul Ulhim – EU SOU O QUE SOU YHWH.

Governante – EDMORUL.
Supremo Todo Poderoso – (composto de Ul) – UL SHUAODAI.
Supremo Altíssimo – UL ULION.
Supremo Eterno – UL OLMAD.
Supremo Valente – UL CABOR.
Yhwh – (Supremo composto) – YAOHU ULHIM.
Governante (YHWH) – ODMORUL YHWH.
Yhwh dos Exércitos – YHWH TZAVULIÃO.

O “intuito” desta “apostila” – NÃO É EM DESACREDITAR NA “BÍBLIA” – MAS SIM: EM MOSTRAR QUE “ALGUMAS PALAVRAS” – FORAM transliteradas de forma errada!! – E, foram “copiadas assim até o dia de HOJE”, {A BABILÔNIA – A GRANDE MÃE} – Vindo À BLASFEMAREM O NOME DE “DEUS” – ETERNO !!
O nome do Filho, é igual ao nome do Pai. Por isso, leia a Bíblia: “CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”. Jo 8,32.

Anselmo Estevan.

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