PORQUE ESTE “NOME” É TÃO IMPORTANTE…!

O sentido da crise: a escolha diante do único Evangelho. Influenciados pelos adversários de Paulo, os gálatas não vêem que a sua fé esteja comprometida, se a circuncisão for condição de salvação. O apóstolo os faz tomar consciência de que uma opção se impõe, e é importante. Não se trata de uma questão pessoal: Paulo não se queixa de um dano que lhe tivesse sido causado ao darem preferência a outros pregadores (4,12). Trata-se da verdade do único Evangelho, da liberdade anunciada por este Evangelho, da cruz do Christós que é a fonte desta liberdade, característica da vida nova dos filhos de Yaohu.
O Evangelho é o anúncio de uma salvação gratuita e universal, que instaura um mundo novo. [Infelizmente, muitos, hoje em dia, não vêem desse modo. PRINCIPALMENTE QUEM PREGA O “EVANGELHO!?”. Por isso devemos ter muitos cuidados. Pois a SALVAÇÃO nos foi dada de GRAÇA! Nada mais há que precisamos fazer ou pagar, comprar para a mesma. Só uma coisa é necessária: O ARREPENDIMENTO SINCERO DE CORAÇÃO, O CRER SOMENTE NO FILHO SABENDO O SEU NOME CORRETO PARA MOSTRAR QUE SEMPRE PROCURAMOS A “VERDADE”, SOMENTE. E, O POR EM PRÁTICA O QUÊ APRENDEMOS DAS SAGRADAS ESCRITURAS (BÍBLIAS). Sendo desta forma – nos tornando em novas criaturas… deixando a velha “criatura” para trás PORQUE JÁ SOMOS SALVOS EM SEU NOME: YAOHUSHUA!]. (Anselmo Estevan.).Os judaizantes seguem vivendo no mundo antigo e querem a ele reconduzir os gálatas; assim, eles pervertem o Evangelho, baseando-se no Antigo Testamento. Paulo, ao invés, mostra que o Antigo Testamento só alcança o seu sentido autêntico quando Christós cumpre o que ele prometeu. A sua argumentação, cujo desenvolvimento é por vezes difícil de acompanhar, põe em evidência a oposição entre o mundo antigo e o novo sob três pontos de vista.
O primeiro ponto de vista é o da fonte da salvação. Cumpre escolher entre a carne e o Rúkha. No mundo antigo, o homem pretendia bastar-se a si mesmo e salvar-se por suas próprias obras; tal atitude é o que Paulo chama de “carne”. Entrar no mundo novo é esperar a salvação do Rúkha, acolhe-la como graça que o Pai concede por Christós.
O segundo ponto de vista é o da história da salvação. A escolha impõe-se entre a lei e a fé. A lei é uma etapa preparatória da vinda do Salvador ; ela isola o povo que a recebeu, com uma finalidade pedagógica, para que ele seja testemunha da salvação prometida por Yaohu a todos os crentes. É a fé que dá acesso ao mundo novo, abrindo o homem à salvação efetuada por Yaohushua e GRATUITAMENTE oferecida a todos os homens.
Finalmente, o terceiro ponto de vista: no mundo antigo, os homens estavam escravizados ao pecado, cuja raiz é a carne; no mundo novo, são libertados pelo Rúkha que lhes possibilita cumprir amorosamente à vontade do Pai. São livres por ser filhos de Deus Yaohu e viver da vida do Filho de Deus. Esta liberdade, fruto do Evangelho único, seria arruinada pelos judaizantes.

“Caro leitor”, gostaria de colocar um estudo que acho lindo e, para não me esquecer, vou interromper um pouco a seqüência normal dessa apostila ok. Vamos lá:

Filipenses 2,9-11.

2,9 Pelo que também Deus. O ato do Pai foi uma resposta direta à obediência do Filho, o exaltou sobremaneira. O verbo “exaltou” aqui não significa que Deus Yaohu proporcionou a Christós uma situação mais elevada do que antes, mas que Yaohu deu a ele a máxima exaltação possível. Christós foi restaurado à glória que ele tinha no início – a glória a que ele voluntariamente renunciou para que pudesse se tornar um ser humano, o nome que está acima de todo nome. Veja o v. 11. Veja também CM54.

Catecismo Maior de Westminster: Pergunta 54. Como Christós é exaltado ao sentar-se à destra de Deus?
Resposta: Christós é exaltado, ao sentar-se à destra de Deus, sendo ele, como Deus-homem, elevado ao mais alto favor de Deus o Pai, tendo toda a plenitude de alegria, glória e poder sobre todas as coisas, no céu e na terra, reunindo e defendendo a sua Igreja, e subjugando os seus inimigos; dando aos seus ministros e ao seu povo dons e graças e fazendo intercessão por eles. (Referências bíblicas: Fp 2,9; At 2,28; Jo 17,5; Ef 1,22; Mt 28,18; Ef 4,11.12; Rm 8,34).

2,11 E toda língua confesse. A ação que deveria acompanhar o dobrar dos joelhos, que Yaohushua Christós é YHWH – Yaohu. A segunda pessoa da Trindade tomou o nome “Yeshua” em sua encarnação. Conseqüentemente, nesse contexto o nome enfatiza a sua humildade. “Christós”, é um título advindo de sua tarefa humana como Messias ou rei de Israel. (Há bem da verdade Christós, não é bem um título! Mas sim a tradução ou transliteração para a língua portuguesa igual a “UNGIDO”! É que traduziram errado e assim ficou… Como também o nome “Jesus”, que, aqui estou usando a forma em hebraico igual a Yeshua – somente para não alterar a linha de raciocínio do texto em si. Mas, continua valendo o nome correto Yaohushua! Ok.). Além disso, é como alguém humilde que Christós é exaltado; a sua humildade é a sua glória (cf. Mt 23,10). O “nome que está acima de todo nome” (v. 9) é “YHWH”. Na Septuaginta (a tradução grega do AT), Deus é representado pelo título de “Senhor” (grego Kyrios). Em Is 45,23, YHWH diante de quem “se dobrará todo joelho” e por quem “jurará toda língua”. Em filipenses, Christós é então aclamado por ser quem ele sempre foi o próprio Deus. Ao confessar que “Yaohushua Christós é Yaohu”, as criaturas reconhecem tanto o fato quanto o caráter de sua deidade. A atribuição de adoração enfatiza a humanidade (“Yaohushua Christós”) e também a deidade (“YHWH”) de Christós, ele é adorado como o Deus-homem. Para glória de Deus Pai. Yaohushua Christós é, por implicação, o filho do Pai. Tanto Christós como o Pai podem receber adoção. Os membros da Trindade são tão unidos que o próprio ato de adorar o Filho glorifica o Pai. Veja CB 10.

Confissão Belga: Artigo 10 Yaohushua Christós é Deus.
Cremos que Yaohushua Christós – O UNGIDO, segundo sua natureza divina, é o único Filho de Deus – Yaohu, gerado desde a eternidade. Ele não foi feito nem criado, pois assim seria uma criatura; mas é de igual substância do Pai, coeterno, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1,3), igual a ele em tudo.
Ele é o Filho de Deus Yaohu não somente desde que assumiu nossa natureza, mas desde a eternidade, como os seguintes testemunhos nos ensinam, ao serem comparados uns aos outros:
Moisés diz que Yaohu criou o mundo, e o apóstolo João diz que todas as coisas foram feitas por intermédio do Verbo que ele chama de Deus-Yaohu. O apóstolo diz que Yaohu fez o universo por seu Filho e, também, que criou todas as coisas por meio de Yaohushua (Christós) O UNGIDO.
Segue-se, necessariamente, que aquele que é chamado de Yaohu, o Verbo, o Filho e Yaohushua O UNGIDO, já existia quando todas as coisas foram criadas por ele. O profeta Miquéias [referindo-se ao Messias] diz: “Cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5,2); a carta aos Hebreus testemunha {que ele} “não teve princípio de dias, nem fim de existência” (Hb 7,3).
Assim, ele é o verdadeiro e eterno Deus, o Todo-Poderoso, a quem invocamos, adoramos e servimos ao Deus com nome – Yaohu [grifo meu].
Mt 17,5; Jo 1,14.18; Jo 3,16; 14,1-14; 20,17.31; Rm 1,4; Gl 4,4; Hb 1,1.2; 1Jo 5,5.9-12; Jo 5,18.23; 10,30; 14,9; 20,28; Rm 9,5; Fp 2,6; Cl 1,15; Tt 2,13; Hb 1,3; Ap 5,13; Jo 8,58; 17,5; Hb 13,8; Gn 1,1; Jo 1,1-3; Hb 1,2; 1Co 8,6; Cl 1,16.

Isaías 45,23

Por mim mesmo tenho jurado. As promessas de Yaohu foram ratificadas por esse juramento (veja 62,8; Gn 22,16; Êx 32,13; Hb 6,13-18). Veja nota sobre 14,24. Boca.Veja a nota sobre 1,20. Saiu o que é justo.Ou “justiça”, Veja a nota sobre 1,21. Palavra. A promessa de plena restauração, incluindo julgamento e defesa (40,8; 55,10-11). Todo joelho…toda língua. O objetivo da história da redenção (Rm 14,11; 1Co 15,25; Fp 2,10-11). Veja CM 104.

Catecismo Maior de Westminster: Pergunta 104. Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento?
Resposta: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Yaohu como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; adora-lo e glorifica-lo como tal; pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente aprecia-lo, honra-lo, adora-lo, escolhe-lo, amá-lo, deseja-lo e teme-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invoca-lo, dando-lhe louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de lhe agradar em tudo e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa, andar humildemente com ele. (Referências bíblicas: 1Cr 28,9; Dt 26,17; Is 43,10; Sl 95,6.7; Mt 4,10; Sl 29,2; Ml 3,16; Sl 63,6; Ec 12,1; Sl 71,19; Ml 1,6; Is 45,23; Js 24,22; Dt 6,5; Sl 73,25; Is 8,13; Êx 14,31; Is 26,4; Sl 130,7; 37,4; 32,11; Rm 12,11; Fp 4,6; Jr 7,23; Tg 4,7; 1Jo 3,22; Sl 119,136; Jr 31,18; Mq 6,8.).

E aí; viu o que um Nome leva…!! E olha que não é um nome qualquer como fizeram lhe dando subtítulos parecendo um filme ou algo qualquer… Mas é o NOME! SEU NOME PESSOAL E INTRANSFERÍVEL DADO PELOS ANJOS… POR ISSO A MINHA APOSTILA ENFATIZA ESSE NOME (YAOHU, YAOHUSHUA, RÚKHA hol – RODSHUA – A TRINDADE! SE FOR UMA TRINDADE, NÃO PODE HAVER NOMES DIFERENTES COMO O HOMEM O QUIS A SEU BEL PRAZER…).
Mashiach (Messias, Christós). Literalmente, “O UNGIDO”. Em português, é transliterado em “Messias”. Equivalente ao termo grego Christós, que também significa “ungido”. No Tanakh, reis e Kohamim (sacerdote do templo ou tabernáculo) eram ordenados ao serem ungidos com azeite (Sh’mot [Êx] 30,30; Sh’um’el Alef [1Sm] 15,1; Tehillim [Sl] 133). O novo Testamento judaico usa mashiach para verter as ocorrências da transliteração grega messias, que aparecem apenas duas vezes em todo o texto no NT (Yn 1,41; 4,25), e em quatro passagens dramáticas para verter christós (Mt 16,16; Mc 8,29; 14,61; Lc 9,20). [Yn = Jo].
Anselmo Estevan.

Publicado em RELIGIÃO... | Deixe um comentário

DE JOSUÉ À MALAQUIAS! INTROD. AT.

JOSUÉ; JUÍZES; RUTE; 1 e 2 SAMUEL; 1 e 2 REIS; 1 e 2 CRÔNICAS; ESDRAS/NEEMIAS; ESTER. 

INTRODUÇÃO AO: “ANTIGO TESTAMENTO”.

(Livros Históricos):

A Bíblia em português é organizada com base na Septuaginta (a tradução grega do AT). Dentro desse arranjo, os livros do Josué a Ester são considerados livros históricos. A maior parte desses livros pode ser divida em dois grupos:
1. A história deuteronômica: de Josué a Reis (exceto Rute).
2. A história cronística: Crônicas, Esdras e Neemias.

Esta forma de organização difere da ordem da Bíblia hebraica, que chama a história deuteronômica de Profetas Anteriores e inclui Esdras, Neemias e Crônicas nos “outros livros” dos Escritos. Rute e Ester se destacam dessas duas histórias editadas tanto nas discussões acadêmicas modernas quanto na Bíblia hebraica, onde são incluídas nos cinco Rolos. Tendo em vista ser mais apropriado estudá-los separados dos outros livros, não trataremos deles aqui (veja as suas respectivas introduções).
A história deuteronômica é assim chamada porque Deuteronômio introduz a compilação. Embora as obras dessa história tenham sido escritas por autores diferentes (veja a introdução a cada um dos livros), tudo indica que a coleção foi editada de modo a formar uma unidade pouco depois de 562 a.C., a data mais recente de Reis. Essa obra editorial tratou de uma crise de fé entre os exilados de Judá que, na época, estavam vivendo no cativeiro babilônico sob o domínio de Nabucodonosor. Eles tinham a impressão de que Yaohu havia se esquecido das promessas que havia feito de uma terra eterna para Israel e um trono permanente para Davi e seus descendentes.
A compilação posterior – Crônicas, Esdras e Neemias – foi organizada como uma unidade para o povo de Judá que havia sido restaurado à Terra Prometida depois do exílio na Babilônia. Embora estivessem de volta na terra e de a linhagem de Davi ter sobrevivido, Judá era então apenas uma das muitas províncias do império persa. Esses livros ofereceram esperança e orientações práticas para essa comunidade de ex-cativos desanimados.
As duas compilações contêm relatos históricos verídicos escritos por autores inspirados e finalizados subseqüentemente por editores inspirados. Nem os autores nem os editores criaram os acontecimentos relatados nesses livros. Eles citam às fontes (Js 10,13; 1Rs 11,41; 2Rs 16,19; 1Cr 4,22; 5,17; 2Cr 9,29; Ed 6,1.2) e seguem uma ordem cronológica rigorosa. Ao mesmo tempo, fica evidente que os livros e as compilações foram escritos e organizados com propósitos teológicos, e não apenas para preservar um registro histórico.

A história deuteronômica
(Josué, Juízes, Samuel e Reis)

Unidade literária. A junção de Josué com Deuteronômio é especialmente convincente. As promessas e exortações de YHWH no início de Josué (1,1-9), por exemplo, consistem inteiramente de expressões dos discursos de Moisés em Deuteronômio, Js 1,2 corresponde a Dt 10,13; Js 1,3-5a é praticamente uma citação de Dt 11,23-25; Js 1,5b -7a e 9 repete, em grande parte, Dt 31,6-8 e 23; Js 1,7b-8 faz lembrar uma série de textos em Deuteronômio que identificam esse livro como “Livro da Lei” e enfatizam a importância da meditação e da obediência (Dt 5,32-33; 17,18-19; 30,10).
Juízes também possuí ligações com Josué. Depois da introdução de Juízes (1,2 – 2, 5), o corpo do livro (2,6 – 16,31) é apresentado com uma referência a Josué (Jz 2,6-10). Além disso, todos os episódios e seções de Juízes empregam repetições verbais, paralelos históricos e citações de Josué.
Samuel, por sua vez, é relacionado a Juízes, um livro que prepara o seu público para a instituição da monarquia davídica levantando a questão da liderança apropriada e afirmando energicamente que Yaohu escolheu Judá, e não Benjamim, para liderar a sua nação. Samuel registra o fracasso da monarquia benjamita representada por Saul e a instituição bem-sucedida da monarquia judaica, representada por Davi. Até mesmo o refrão de Juízes – “naqueles dias, não havia rei em Israel” – pode ser aplicado aos primeiros capítulos de 1 Samuel antes do reinado de Saul. Por fim, a síntese que Samuel faz da história dos juízes (lSm 12,9-11) parece uma aplicação da síntese do editor dessa mesma história (Jz 2,6-19).
Reis é estreitamente relacionado a Samuel e alguns estudiosos acreditam que haja uma fonte comum por trás da passagem que se estende de 2Sm 9 – 20 a 1Rs 2. Nesses capítulos, pode-se observar uma narrativa que discorre, entre outros assuntos, sobre a sucessão do trono de Davi, começando com o nascimento de Salomão e culminando com a sua coroação.
Unidade temática. A fim de tratar da crise de fé dos exilados, vários temas enfatizados em Deuteronômio aparecem ao longo do restante da história deuteronômica.
Em primeiro lugar, Deuteronômio lança um alicerce firme para ofício profético e apresenta o teste do verdadeiro profeta, ou seja, o cumprimento de suas palavras (Dt 18,14-22). O ofício específico de profeta é instituído em 1Sm 9. Como foi observado acima, a tradição judaica se impressionou de tal modo com o papel dos profetas na história deuteronômica que a chamou de Profetas Anteriores. Além disso, os livros dessa história são ligados por vários elementos proféticos. Por exemplo, a profecia de Josué segundo a qual quem tentasse reconstruir a cidade de Jericó perderia o seu primogênito (Js 6,26) é cumprida em 1Rs 16,34. Salomão interpreta o seu reinado e a construção do templo (1Rs 8,20) como cumprimento das promessas de YHWH a Davi (2Sm 7,12-13). Reis reafirma para os exilados a veracidade das palavras proféticas de que Yaohu daria ao seu povo uma terra e um trono eternos.
Em segundo lugar, o conceito de “aliança”, tão importante em Deuteronômio, também norteia toda essa história. Do lado divino, o enfoque é sobre a promessa. Yaohu jurou aos patriarcas e seus descendentes que seria o seu Deus – Yaohu e jamais os abandonaria (Dt 4,31; 29,12-13; Js 1,6; Jz 2,1; 2Rs 13,23). Em seu amor inescrutável, Yaohu escolheu Israel e assumiu o compromisso de lhes dar a terra que havia prometido aos patriarcas. Essa promessa, repetida cerca de trinta vezes em Deuteronômio (p. ex., Dt 1,8; 34,4), é lembrada no restante da história (p. ex., Js 1,2; 24,13; Jz 1,2; 1Rs 4,21; 8,34). Do lado humano, o enfoque é sobre a confiança e a obediência. O relato histórico declara repetidamente que a posse da terra depende da fidelidade de Israel à aliança. As promessas de Yaohu e as obrigações de Israel fazem parte dos sermões de heróis como Moisés (Dt 1 – 4; 5 – 11; 27 – 28), Josué (Js 24,1-27). Samuel (1Sm 12) e Davi (1Rs 2,1-4). YHWH anuncia claramente a Salomão as condições para o seu reinado (1Rs 9,1-9).
As obrigações de Israel se concentram nas duas prescrições iniciais dos Dez Mandamentos: Não adorar a outros deuses e não fazer ídolos para si. Ou, na linguagem desse relato histórico, “amar”. “temer” a YHWH, “andar perante” ele ou “segui-lo” e “não esquece-lo” (Dt 6,5; Js 1,7-8; 24,14-15; Jz 2,6-10; 1Sm 12,20.24; 1Rs 2,4; 3,6; 8,23-25; 11,4-5). Essa ordem é, fundamentalmente, uma questão de fé, e não de obediência rigorosa a um código externo. Por exemplo, as prescrições específicas, como a ordem para adorar apenas em Jerusalém, não visavam alimentar um legalismo burocrático, mas evitar a tentação da idolatria. Essa história se preocupa mais com a fidelidade a Yaohu do que com as prescrições individuais. A desobediência a essas prescrições indicava um problema mais amplo, ou seja, a infidelidade a Yaohu. O relacionamento era constituído da eleição de Israel por Yaohu e dois atos salvíficos da graça divina em favor do seu povo. A confiança em Yaohu era proveniente da ligação que Yaohu já havia estabelecido com Israel Js 1 mostra essa ligação. YHWH havia assumido um compromisso com Israel e lhe entregado a terra para que os israelitas se apropriassem dela. Para isso, precisavam apenas confiar nele (Js 1,1-9). Por outro lado, se não confiassem em Yaohu e se desobedecessem ao mandamento de amá-lo e não adorar outros deuses seriam considerados culpados e sofreriam o julgamento (Dt 28; Js 24,19-20; Jz 2,10-15; 1Sm 12,5-15; 2Rs 17,7-20). A pergunta-chave levantada pelos exilados na Babilônia é articulada em Dt 29,24 e 1Rs 9,8: “Por que precedeu YHWH assim com esta terra e esta casa?”. Esse relato histórico responde de modo inequívoco: “Não foi Yaohu que falhou, mas sim, Israel”. Mas, ainda, as promessas de Yaohu são eternas (Dt 30,1-9; Jz 2,1; 1Sm 12,22; 2Sm 7,16).
Em terceiro lugar, Deuteronômio também lança um alicerce firme para a monarquia e suas prescrições (Dt 17,14-20). Apesar da infidelidade do povo, Yaohu misericordioso e fiel de Israel é uma fonte inesgotável de bênção (Dt 9,4-6). Apesar do pecado de Israel, Yaohu compassivo toma nova iniciativa e levanta líderes em tempos de crise: Josué, os juízes, Saul e por fim, a casa de Davi. Sua aliança com a casa de Davi, como todas as alianças com Israel, representa inevitavelmente um avanço do reino de Yaohu, mas estabelece condições que regulam a participação nesse reino. Yaohu continuará a levantar um “filho” da casa de Davi, mas disciplinará os infiéis (2Sm 7,14-16). A história termina com Joaquim, um dos reis infiéis, no exílio, não obstante, ele é elevado a um lugar de honra entre os reis cativos da Babilônia. Essa pequena chama de esperança não se apagará, mas se tornará cada vez mais reluzente até a vinda do mais exaltado Filho de Davi, o verdadeiro Filho de Yaohu – Cristo.
Por fim, nesse relato o histórico, o tema do arrependimento se baseia nas promessas eternas de Yaohu (Dt 4,29-31; Js 7; Jz 2,18; 2Sm 12,13; 1Rs 8,46-51). A esperança de alívio do julgamento e até mesmo de volta às bênçãos de Yaohu uma vez que o julgamento do exílio tivesse ocorrido, é uma expressão de arrependimento (Dt 30,1-10; 1Rs 8,58). Assim, João Batista e Cristo ofereceram o reino de Yaohu a todos que se arrependessem (Mt 3,2; 4,17; Mc 1,15).

A história cronística
(Crônicas, Esdras e Neemias)

Como observado na introdução a Esdras, Esdras-Neemias era, originalmente, um só livro. Crônicas e Esdras-Neemias são ligados como conjunto literário pelo uso da conclusão de Crônicas na introdução de Esdras-Neemias (2Cr 36,22-23; Ed 1,1-3). Além disso, as duas obras apresentam os mesmos interesses religiosos e ideologia. Descrevem, por exemplo, os preparativos para a construção do primeiro e do segundo templo de modos paralelos (1Cr 22,2.4.15; 2Cr 2,9.15-16; Ed 3,7), mostrando que ambos foram edificados com recursos doados por chefes de famílias antigas (1Cr 26,26; Ed 2,68). Os dois livros demonstram grande interesse pelos utensílios sagrados (1Cr 28,13-19; 2Cr 5,1; Ed 1,7; 7,19; 8,25-30.33-34); e apresentam a ordem dos sacrifícios (2Cr 2,4; 8,13; Ed 3,4-6) e a enumeração dos elementos sacrificais (1Cr 29,21; 2Cr 29,21.32; Ed 6,9.17; 7,17.22; 8,35-36) de maneiras praticamente idênticas. Assim como a história deuteronômica é constituída de livros distintos, organizados de modo a formarem uma só história, esse relato histórico pós-exílio também é formado pela união de obras díspares.
Esse conjunto posterior de obras abrange boa parte do conteúdo da história deuteronômica, mas continua além do ponto em que esta termina de modo a incluir a constituição de Israel depois do exílio. Enquanto o primeiro conjunto é baseado principalmente em Deuteronômio, essa história se baseia em todo o Pentateuco, voltando até Adão. No entanto, o seu eixo central é a história de Israel no período entre o primeiro e o segundo templo, sendo que este último é prenunciado nos últimos versículos de Crônicas e descrito em detalhes em Ed 1 – 6.
Crônicas, Esdras e Neemias foram escritos para encorajar os ex-cativos desanimados depois do exílio. Esses livros lembram o povo de sua herança gloriosa na dinastia davídica e no templo. A História ensinou àqueles que voltaram do exílio que deviam guardar a aliança e se arrepender dos seus pecados (2Cr 7,14). Não obstante, não se concentrou no fracasso; antes, mostrou a grandeza da dinastia de Davi e a glória do templo. Davi é retratado como fundador do programa litúrgico de Israel, e os reis que restauraram a liturgia depois de períodos sombrios de desordem e negligência recebem destaque: Ezequias depois de Acaz e Josias depois de Manassés e Amom servem de modelos para os judeus que sobreviveram ao caos do exílio na Babilônia. Seguindo essas ênfases, o Novo Testamento apresenta Cristo como herdeiro legítimo e perfeito da aliança de Davi (Mt 1,1; 22,42; Lc 1,31-33) e Aquele em quem o templo é cumprido (Jo 2,19-22; Ap 21,22). §. (Complemento).

§ VIDE OBS. NAS PÁGINAS: 300 à 306.

§ “SOBE A PALAVRA” {CRISTO} – VEJA O TERMO CORRETO NAS PÁGINAS DE Nº 174, 175 DE ISAÍAS. [CHRISTÓS – “O UNGIDO”]. Anselmo Estevan.
Veja, também, nas páginas: 205 – 207 – O TERMO CRISTÃO, E O TERMO REMANESCENTE – ACOMPANHADO DE “DANIEL” E “OSEIAS”…!!!
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

JOSUÉ

INTRODUÇÃO

Visão Geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Apresentar o cumprimento das promessas de Yaohu nos dias de Josué e ensinar às gerações futuras de Israel como servir ao YHWH – nas batalhas, na distribuição da Terra Prometida entre as tribos e na renovação de sua aliança com Yaohu.
Data: c.1000-561 a.C.
Verdades fundamentais:
Por intermédio de Josué, Yaohu abençoou Israel com muitas vitórias na Terra Prometida, mas ainda havia inúmeras batalhas a serem travadas.
Por intermédio de Josué, Yaohu distribuiu a terra do modo em que deveria ser mantida no futuro.
A renovação da aliança realizada nos dias de Josué serve de modelo para a renovação em gerações futuras.

Propósito e características
A principal idéia teológica do livro de Josué é que, assim como Israel devia servir a YHWH sob a liderança de Josué com gratidão por Yaohu haver cumprido as suas promessas, também os leitores deviam continuar a servir com gratidão diante do cumprimento das promessas divinas.

Cristo em Josué.
O livro de Josué aponta para Cristo de várias maneiras. Do mesmo modo que a primeira parte do livro apresenta Josué como um guerreiro liderando a conquista de Canaã, o Novo Testamento fala de Cristo como o grande Guerreiro que conduz o seu povo a tomar posse dos novos céus e da nova terra. O que Josué apenas começou, Cristo cumpriu na sua primeira vinda ao derrotar Satanás (Ef 4,8-9; Cl 2,15; Hb 2,14-15), continua a cumprir na guerra santa espiritual que a Igreja enfrenta (At 15,15-17; Ef 6,10-18) e cumprirá de modo definitivo na sua segunda vinda (Ap 19,11-21; 21,1-5).
Assim como a segunda parte do livro mostra a divisão da herança de Israel entre todas as tribos segundo Yaohu havia determinado, o Novo Testamento explica que Cristo dá ao seu povo a herança que lhe cabe. Em sua ressurreição e ascensão, Cristo recebeu muitas bênçãos de Yaohu, bênçãos estas que ele distribui ao seu povo por meio dos dons do Espírito (Ef 4,4-13). Assim, o Espírito é o penhor que garante a nossa herança vindoura (Ef 1,13-14). Quando Cristo voltar em glória, concederá ao seu povo a herança plena e eterna que consistirá em reinar com ele para sempre sobre os novos céus e a nova terra (Ap 5,10; 22,5).
Do mesmo modo que a terceira parte do livro se concentra na necessidade de uma vida fiel à aliança, o Novo Testamento ensina que Cristo preencheu todos os requisitos da aliança para aqueles que crêem nele, tornando-se justiça de Yaohu (2Co 5,21). Cristo cumpriu perfeitamente toda a lei santa de Yaohu e sua justiça é imputada àqueles que crêem (Rm 3,21-24; 4,3-13; Gl 2,16). Ao mesmo tempo, porém, a vida em aliança com Yaohu continua a ser um período de teste, pois provamos a fé que professamos ao conformar a nossa vida aos requisitos da aliança de Yaohu conosco (Mt 24,12-14; Fp 2,12-13; Hb 3,14; 10,15-39; Ap 2,7.11.17.26.28.; 3,21).

JOSUÉ: Seguindo-se ao Pentateuco, o livro de Josué inicia a narrativa de uma etapa – e não a menor – da história de Israel. Conforme a tradição judaica, ele faz parte do grupo dos “Profetas anteriores” (Josué, Juízes, Samuel e Reis).
O Livro de Josué pode facilmente ser dividido em duas partes, seguidas de três conclusões (caps. 22; 23 e 24).
1. A conquista da terra prometida (1 – 12). Após um capítulo de introdução (1), Josué envia espiões a Jericó; eles são acolhidos com hospitalidade por Rahab. Os israelitas atravessam o Jordão e acampam em Guilgal (3-4), onde se efetua uma circuncisão e uma primeira celebração da Páscoa em terra canaanita (5). Na Palestina central, a conquista principia com a tomada de Jericó (6), depois com a de Ai (8), no decorrer da qual é descoberto o pecado de Akan (7). A seguir, Josué faz uma aliança com os guibeonitas (9), e isto provoca uma coalizão dirigida pelo rei de Jerusalém contra Israel, resultando na batalha de Guibeon (10). Na Palestina do norte, Israel tem de enfrentar uma nova coalizão dirigida pelo rei de Hasor, cuja cidade foi incendiada pelos israelitas (11). No cap. 12, um quadro recapitula a lista das cidades conquistadas.
2. A repartição territorial entre as doze tribos (13 – 19), à qual se pode, juntar as enumerações das cidades de refúgio (20) e das cidades levíticas (21).
3. Conclusões: as tribos transjordanianas que participaram da conquista (1,12-16) são remetidas por Josué para seu patrimônio além do Jordão (22,1-6). Nesta primeira conclusão, enxerta-se o episódio da construção de um altar por estas tribos, ocasião de um pacto solene entre as doze tribos (22,7-34).
O cap. 23 constitui o testamento de Josué, sucessor de Moisés.
O cap. 24 nos apresenta, em aparente paralelismo com o precedente, a aliança firmada por Josué em Siquém.
Deste rápido resumo depreende-se que um só personagem domina o conjunto das narrativas: Josué, filho de Nun, pertencente à tribo de Efraim (Nm 13,8.16). O seu nome é, por si só, todo um programa. Josué significa: “O YHWH salva”. Narra uma tradição bíblica que Moisés lhe mudou o nome de Hoshea (Oséias) para Iehoshua (Josué); [AQUI, O NOME DE CRISTO QUANDO TRANSLITERADO PARA “j” =JESUS SENDO ERRADAMENTE CHAMADO. POR ISSO YHWH – SALVA. OU SEJA, “IEOSHUA” – SALVA = Josué CRISTO.], [Anselmo Estevan], (Nm 13,16), definindo-lhe um novo destino.
Outras personagens bíblicas também receberam este nome que, na época do Novo Testamento, RESULTOU EM “JESUS” – PALAVRAS DO AUTOR – para um judeu de língua grega (cf. Hb 4,8). Para os primeiros cristãos, isto facilitaria a aproximação entre a atividade de Jesus como salvador e a de Josué como condutor do povo rumo à terra do repouso. (Página 323 – da Bíblia tradição ecumênica TCB – edições: Loyola. {SÓ QUE NO YHWH – A TRANSLITERAÇÃO ESTÀ COMO SENHOR = YAHWEH = FORMA ERRADA – SENDO SENHOR = BAAL. Anselmo Estevan}).
No Pentateuco, Josué vive à “sombra” de Moisés: com ele sobe à montanha de Yaohu, segundo Êx 24,13; vela pela Tenda do Encontro (Êx 33,11); por vezes, desempenha um papel militar de destaque (Êx 17,8-16). Ao saber que não atravessaria o Jordão para conduzir o povo à Terra Prometida, Moisés confiou esta missão a Josué (Nm 27,18-23; Dt 31,7-8).
O Livro de Josué não pode ser lido com um registro que referisse ponto por ponto as etapas da conquista e instalação de Israel em Canaã. Sem dúvida, a crítica moderna cada vez mais reconhece o valor das tradições em que ele se funda. Mas, entre os acontecimentos que ele refere (fim do século XIII) e a data da redação final do livro, medeiam vários séculos. Por outro lado, a imagem – que este documento propõe – de uma conquista total de Canaã pelo conjunto da liga das tribos não resiste à crítica histórica. Canaã só foi efetivamente conquistada no tempo de Davi (século X). Antes disso, como o próprio livro repetidas vezes sugere, os canaanitas, ao invés de serem todos exterminados, mantiveram-se nas planícies e não raro houve coexistência entre eles e os israelitas (cf. 15,63; 16,10; 17,12.18). Por ocasião da morte de Josué, somos informados de que um amplo território ainda ficava por conquistar, embora já houvesse sido repartido pelas tribos (13 – 23).
Qual a perspectiva em que se deve ler este livro? Como é que ele, aos poucos, se formou? Uma leitura atenta mostra que, em Js 2 – 10, estamos diante de tradições particulares das tribos de Benjamim e Efraim, ou seja, unicamente das tribos do centro, vinculadas ao santuário de Guilgal e mesmo ao de Betel. Este primeiro conjunto foi compilado no fim do século X. A esta altura, Josué conduzia todo o povo, entidade maldefinida no livro, mas que de fato representa os guerreiros de algumas tribos que participaram da saída do Egito. Todavia, bem mais que ao aspecto militar – que não deixa de ter importância -, deve-se ser sensível à dimensão cultual e à apresentação litúrgica dos materiais. A travessia do Jordão (3 – 4) com a presença da Arca, réplica da travessia do mar dos Juncos, constitui uma entrada processional na Terra Prometida. Em Js 5, a menção à circuncisão seguida da primeira Páscoa celebrada com os produtos da região representa uma seqüência eminentemente litúrgica.
Nesta base, uma releitura foi feita por um redator pertencente à escola que produziu o Deuteronômio e que nele se baseou para meditar a história passada de Israel à luz das experiências recentes (séculos VII – VI). Esta meditação é particularmente perceptível nos grandes discursos dos caps. 1 e 23, sem contar inúmeros retoques com relação à obra anterior. A conquista é apresentada como obra de “todo Israel” (cf. 10,28-39). A menção reiterada às tribos transjordanianas frisa o propósito de manter a unidade do povo numa época em que ela estava em perigo (cf. 1,12-16; 12,1-6; 13,8-32; 22,1-6).
Paralelamente, exprime-se uma preocupação muito viva com a fidelidade de Israel ao seu Deus – Yaohu, que a convivência com as demais nações pode comprometer a todo momento; pois a Aliança supõe um compromisso incondicional. Só nesta perspectiva é que se torna compreensível a insistência no extermínio dos povos que habitam Canaã e na necessidade de vota-los ao interdito (6,17.21; 11,12.14). Esta medida, que, a uma simples leitura das narrativas, poderia nos chocar, é mais teórica do que real. Ela foi imaginada posteriormente, por causa da experiência do perigo de idolatria, do qual Israel não escapou.
Mais positivamente, o interesse dos redatores tem em mira a terra que Yaohu prometeu aos antepassados do povo. Por isso, a segunda parte do livro (13 – 19), muito menos influenciada pelo trabalho deuteronomista, comporta uma demarcação de fronteiras e listas de cidades para cada uma das doze tribos de Israel. Temos aí documentos muito preciosos sobre a divisão tradicional da terra entre os membros da liga israelita. Alguns deles podem remontar ao período que precede a realeza de Davi, mas não se podem excluir complementos mais tardios, em função da respectiva evolução da situação em Judá e Israel durante o período monárquico.
Além da redação deuteronômica, pode-se reconhecer na elaboração do Livro de Josué uma influência dos meios sacerdotais. Em certos capítulos, o papel do sacerdote Eleazar ou do seu filho Pinhas chega a suplantar o de Josué (14,1; 19,51; 21,1; 30,32), e a maioria desses relatos está vinculada ao santuário de Shilô.
Se levarmos em conta esse extenso trabalho redacional, teremos uma noção mais exata daquilo que, do ponto de vista histórico, se deve esperar do Livro de Josué. Não há dúvida de que a apresentação da conquista sob a guia exclusiva de Josué procede de uma sistematização que não nos deve impedir de perceber a complexidade dos fatos. Por exemplo, nada se diz da conquista de Betel, que, entretanto é referida em Jz 1,22-26. A tomada de Siquém não aparece em nenhum relato, sinal provável de que houve uma instalação pacífica, por um acordo com os habitantes desta cidade. A conquista de Hebron e Debir é atribuída a Josué (Js 10,36-39), ao passo que ficamos sabendo em outro lugar que o verdadeiro conquistador de Hebron foi Daleb, e o de Debir, Otniel (15,13-14; 15,17 e Jz 1,11-13).
Para restabelecer a verdade histórica deste período, freqüentemente se invocou o testemunho da arqueologia. De fato, as escavações empreendidas em cidades antigas não raro atestam violentas destruições, ocorridas na passagem da Idade do Bronze Recente – que termina por volta de 1200 – para a Idade do Ferro. Já que a entrada dos israelitas em Canaã é dotada por volta de 1230, houve a tentação de atribuir a eles essas destruições. Mas não se podem descartar, por um lado, rivalidades entre as cidades-estados canaanitas, por outro, a presença nesta época de invasores de outra origem. O argumento arqueológico perde então sua força. Todavia, uma cidade como Hasor, cuja destruição é situada pelos arqueólogos no fim do século XIII, pode efetivamente ter sido incendiada pelos israelitas, conforme atesta Js 11,10-11. No caso de Jericó, os indícios arqueológicos revelaram-se decepcionantes quanto a este período, e a narrativa de Js 6 tem mais a aparência de uma liturgia guerreira do que um relato circunstanciado do cerco contra a cidade. Não se pode deixar de admitir que o texto bíblico nem sempre dá resposta às perguntas que nós lhe fazemos.
Muito mais do que Josué, a personagem central do livro é a Terra Prometida. O que era objeto da promessa no Pentateuco encontra aqui cumprimento. Por isso, houve quem chegasse a falar de um Hexateuco, acrescentando Josué ao Pentateuco. A Terra é o lugar da fidelidade de Yaohu para com seu povo e do povo para com seu Deus – Yaohu. Penhor da aliança entre Yaohu e Israel, ela não é um símbolo inanimado, mas um convite vivo e insistente ao homem de assumir a realidade criada para santifica-la. A ocupação de Canaã e sua divisão cadastral entre os filhos de Israel cumprem a promessa patriarcal renovada por Yaohu a Moisés. Não devemos nos deter ante a aridez das enumerações topográficas, mas partilhar a alegria do redator que pormenoriza a herança dada por Yaohu às tribos.
O Livro de Josué afirma que a Terra é simultaneamente dom e constante objeto de conquista. Há nisto uma nunca resolvida tensão entre o presente e o futuro, constitutiva da existência do povo de Yaohu.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JOSUÉ:

JOSUÉ
Pontos fortes e êxitos:
Assistente e sucessor de Moisés.
Um dos dois com mais de 20 anos de idade que saíram do Egito e viveram para entrar na Terra Prometida.
Guiou os israelitas para entrarem na terra que Yaohu lhes prometera.
Brilhante estrategista militar.
Tinha fé para pedir a Yaohu orientação nos desafios que enfrentava.

Lições de vida:
A liderança efetiva costuma ser produto da boa preparação e encorajamento.
As pessoas nas quais nos espelhamos exercerão influência sobre nós.
A pessoa comprometida com Yaohu nos proporciona o melhor exemplo.

Informações essenciais:
Localidades: Egito, o deserto do Sinai e Canaã (a Terra Prometida).
Ocupações: Assistente especial de Moisés, guerreiro e líder.
Familiares: Pai – Num.
Contemporâneos: Moisés, Calébe, Miriã e Arão.

Versículos-chave: “E fez Moisés como YHWH lhe ordenara; porque tomou a Josué e apresentou-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação; e sobre ele pôs as mãos e lhe deu mandamentos, como YHWH ordenara pela mão de Moisés” (Nm 27,22.23).

Josué é também mencionado em Êxodo 17,9-14; 24,13; 32,17; 33,11; Números 11,28; 13; 14; 26,65; 27,18-23; 32,11.12.28; 34,17; Deuteronômio 1,38; 3,21.28; 31,3.7.14.23; 34,9; e todo o livro de Josué; Juízes 2,6-9 e 1 Reis 16,34.

RAABE
Pontos fortes e êxitos:
Mãe de Boaz, e também ancestral de Davi e Cristo (Mt 1,5).
Uma das duas únicas mulheres citadas na galeria dos heróis da fé em Hebreus 11.
Habilidosa, disposta a ajudar as outras pessoas a qualquer custo para si própria.

Fraquezas e erros:
Foi uma prostituta.

Lições de vida:
Não permitiu que o medo afetasse sua fé na confiança de ser salva por Yaohu.

Informações essenciais:
Local: Jericó.
Ocupações: Prostituta/hospedeira, mais tarde tornou-se esposa.
Familiares: Esposo – Salmom; filho – Boaz.
Contemporâneo: Josué.

Versículo-chave: “Pela fé, Raabe a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias” (Hb 11,31).

A história de Raabe encontra-se em Josué 2 e 6,22.23. Ela também é mencionada em Mateus 1,5; Hebreus 11,31 e Tiago 2,25.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

JUÍZES

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Demonstrar a necessidade que Israel tinha de um rei piedoso da linhagem de Davi.
Data: c. 1000-538 a.C.
Verdades fundamentais:
As tribos de Israel não conseguiram completar a conquista da terra e sofreram as conseqüências desse fracasso.
Na melhor das hipóteses, a provisão de juízes por Yaohu poderia abençoar o seu povo apenas temporariamente.
A provisão de levitas por Yaohu também não deu ao povo uma liderança eficaz.
O povo de Yaohu deveria ter um rei piedoso de Judá, não de Benjamim, para exercer a liderança.

Propósito e características
O título do livro se refere aos doze homens que Yaohu levantou antes do tempo de Samuel para libertar Israel de diversos opressores. Esses líderes são chamados de “juízes” em 2,11-19 ou de “libertadores”.

CRISTO EM JUÍZES.
A ênfase do livro de Juízes sobre a necessidade de um rei justo da linhagem de Davi aponta para o papel que Cristo cumpriu como Rei. Ele era da família de Davi e herdeiro legítimo do trono davídico (Mt 1,1-17; Lc 3,1-37). Ao contrário de todos os outros filhos de Davi, Cristo sempre guardou a lei de Yaohu perfeitamente (Mt 5,17). Assim, Yaohu ressuscitou Cristo dentre os mortos e os fez assentar no seu trono celestial (1Co 15,25), estabelecendo um reino que nunca terá fim (Is 9,6-9). Apesar de Cristo já ser Rei, todos o reconhecerão como tal quando ele voltar em glória e governar sobre os novos céus e a nova terra (Ap 22,1-3). O sucesso do reinado de Cristo contrasta nitidamente com o fracasso de outros líderes do povo de Yaohu. Como os juízes e os levitas de Israel, os líderes pecadores não são capazes de suprir a necessidade de um rei perfeitamente justo. Somente Cristo pode fazer isso.

JUÍZES: Dando a continuidade ao livro de Josué e pertencendo, como ele, ao grupo dos “Primeiros Profetas”, o livro dos Juízes nos dá um resumo da vida das tribos durante um dos períodos mais obscuros da história do povo de Israel, aquele que se segue à conquista e precede o aparecimento da instituição da monarquia.

O plano do Livro. O plano do Livro se descobre facilmente. Uma primeira introdução (cap. 1) apresenta a instalação das tribos em Canaã com seus sucessos e fracassos. A situação das tribos, cuja ação não parece concertado, é a de uma existência ameaçada pela presença das cidades cananéias no território designado para cada tribo. Essa situação, que está em contradição com a promessa de Yaohu, recebe uma primeira explicação (2,1-5). Após essa exposição preliminar, que nos remete ao período da conquista, abre-se o período dos Juízes propriamente dito (2,6 – 16,31), introduzido por um prólogo que dá o sentido religioso dessa etapa da história das tribos (2,6 – 3,6). Ao passo que a época de Josué era de fidelidade, a dos Juízes nos é apresentada como a da infidelidade. Em seguida, dá-se uma história fragmentária das ações dos Juízes, que são doze, mas cujas notícias são de amplidão variada: Oséias (3,7-11). Ehud (3,12-30), Shamgar (3,31), Débora e Baraq (4 – 5), Guideon e Abimélek (6,1 – 9,57), Tolá (10,1-2), Iair (10,3-5), Jefté (10,6 – 12,7), Ibsan (12,8 – 10), Elon (12,11-12), Abdon (12,13-15), Sansão (13,1 – 16,31).
A compilação termina com dois apêndices que mostram a anarquia reinante em Israel antes da instauração da monarquia. Um narra a migração dos danitas e as origens do santuário de Dan (17 – 18), o outro narra o crime cometido pelos habitantes de Guibeá e a guerra empreendida pelas tribos contra Benjamin, que se recusava a punir os culpados (19 – 21).

Juízes e salvadores. Os personagens apresentados por este livro são genericamente chamados “Juízes”, mas convém examinar a abrangência deste título. No plural, designando aqueles que Yaohu escolheu para salvar seu povo, o termo aparece, neste livro apenas em 2,16-18; mas se este emprego é raro no texto, a designação do período pré-monárquico como “tempo dos Juízes” é conhecido pela tradição bíblica (2Sm 7,11; 2Rs 23,22; Rt 1,1). No entanto, se o título “juiz” está praticamente ausente das narrações, encontra-se com freqüência o verbo “julgar” para descrever a ação dos heróis do livro (3,10; 4,4; 10,1-5; 12,7.8-15; 15,20; 16,31). Observar-se-á, todavia que este verbo se encontra mais freqüentemente nas informações que enquadram as narrativas, o que pode indicar um emprego redacional. Mesmo neste caso, o verbo não adquire simplesmente o sentido de “fazer justiça”, mas de “comandar, governar”. A esse respeito, o uso português do verbo “julgar” não deixa perceber essa acepção, porque a língua hebraica concorda com as línguas vizinhas para designar por este verbo uma verdadeira função de autoridade. Para citar apenas um exemplo, o termo “juiz” nos textos de Mári designa altos funcionários dotados de amplos poderes.
Se alguns personagens julgaram Israel, não é certo que todos aqueles cujos grandes feitos são reportados tenham tido essa função, porque um outro verbo qualifica a ação daqueles que chamamos os Juízes: “salvar” (3,31; 6,15; 10,1). Nessa perspectiva, Otniel e Ehud são qualificados como “salvadores” (3,9.15). Mais geralmente Yaohu é aquele que salva seu povo pela escolha de um homem que realiza concretamente a salvação (3,9; 6,36-37; 7,7; 10,13). Encontramo-nos, então, diante de uma dualidade de expressões que remete muito provavelmente a uma dualidade de perspectivas, que a leitura do livro dos Juízes deixa entrever.
Mesmo que não se tenha certeza quanto à composição do livro, podem-se descobrir tradições ou ciclos de relatos que tiveram uma existência anterior e independente. Assim as notícias sobre os Juízes menores (10,1-5; 12,8-15) devem provir de uma lista antiga que não fornecia mais que informações sucintas. Aliás, a história de Jefté, que separa em duas essa lista, permite averiguar como foi possível passar da personagem do juiz à do salvador, pois Jefté foi um e outro. Os relatos sobre os outros Juízes se apóiam sobre tradições antigas que foram ampliadas, completadas e fundidas. Esses relatos foram reunidos em uma coletânea que poderia ser chamado de “livro dos salvadores?” É uma hipótese que ainda exige verificação, mas que não deixa de ser provável.

O quadro teológico. Mas além dessas tradições e dessas coletâneas, o livro dos Juízes oferece um quadro teológico que chama a atenção, porque fornece o ensinamento religioso dos acontecimentos relatados. Essa perspectiva teológica encontra-se particularmente no prólogo (2,6 – 3,6), no início do capítulo 6 (vv. 7-10) e na introdução à história de Jefté (10,6-16).
Ela se caracteriza por uma série de fórmulas estereotipadas: os filhos de Israel fizeram o que é mau aos olhos de YHWH (2,11; 3,7.12; 4,1; 6,1; 10,6; 13,1), fórmula que pode ser esclarecida por outra: eles abandonaram YHWH e serviram a Baal e as Astartes (2,11.13; 3,7; 10,6). A conseqüência dessa infidelidade é então indicada: YHWH os entregou às mãos de tal ou tal inimigo (2,14; 3,8; 4,2; 6,1; 10,7). A seguir, vem a fórmula, os filhos de Israel clamaram a YHWH (3,9.15; 4,3; 6,6; 10,10). À súplica de seu povo, YHWH responde suscitando Juízes (2,16) ou um salvador (3,9.15). Enfim, na conclusão dos relatos, aparecem outras fórmulas: o inimigo foi humilhado sob a mão de Israel (3,30; 8,28; cf. 4,23.24) ou ainda: a terra esteve em repouso durante tantos anos (3,11.30; 5,31; 8,28).
Dessas fórmulas se depreende uma lógica religiosa de quatro termos: o pecado acarreta a castigo, mas o arrependimento do povo conduz ao envio de um salvador. Encontramo-nos assim em face de uma teologia da história que posteriormente foi adicionada a esses relatos e que se aplica a todo Israel; contudo este quadro nem sempre corresponde ao que sabemos da história dos Juízes.
Se, agora, se procurar atribuir essa teologia a um ou a mais redatores, pode-se pensar nos deuteronomistas, mas ainda assim se trata de uma hipótese que não se impõe sem restrição. A mencionada tese teológica, com seus quatro momentos sucessivos (pecado, castigo, arrependimento e salvação), não se encontra com esta mesma precisão nos outros livros que compõem a “história deuteronomista”, que vai do Deuteronômio ao livro dos Reis. Por outro lado, a multiplicidade de introduções, as diferentes explicações dadas para o retardamento da conquista (2,6 – 3,6), a vontade de atingir o número de doze Juízes, segundo o número das tribos, indicam uma redação escalonada ao longo do tempo. A perspectiva teológica deve ter sido influenciada pelos redatores deuteronomistas, mas não se pode afirmar que a tenham inventado, ainda que a tenham reforçado.
Os apêndices do livro (17 – 21), que recolhem igualmente tradições antigas, foram acrescentadas durante ou após o Exílio, pois fazem uso de um vocabulário que se encontra nos escritos sacerdotais. Mais difícil é situar a época em que foi acrescentada a introdução de Jz, que contém informações antigas, bastante marcadas pela tendência de fazer a apologia da tribo de Judá.

O livro dos Juízes e a história. Malgrado todas as incertezas que pairam sobre a redação do livro dos Juízes, ele continua a ser para o historiador a única fonte de informações sobre o período que vai da morte de Josué à instauração da monarquia, mas sua utilização suscita numerosos problemas. Os relatos permitem fazer uma idéia do período dos Juízes; oferecem-nos um quadro da história de certas tribos em que nada nos autoriza a afirmar uma unidade política, nem mesmo sob a forma de uma liga de doze tribos. Trata-se de histórias de grupos que revelam afinidades ou hostilidades entre certas tribos, de relatos de combates para conservar o território já adquirido, mas tudo isso é fragmentário e se nos oferece sem o cuidado de uma ordem cronológica.
Com efeito, o livro dos Juízes não contém nenhuma data; apenas a duração de cada judicatura é indicada, mas se forem somados os números fornecidos para cada juiz obtêm-se uma duração de 410 anos, o que não é compatível com os outros dados cronológicos da história de Israel. A maior parte dos números provém dos redatores, e, se é certo que cada um tem sua própria lógica, é quase impossível restabelece-la e compreende-la. Aliás, o uso freqüente do número 40, que indica o tempo de vida ativa de um individuo, manifesta o caráter aproximado dos dados do livro dos Juízes. Na verdade, a cronologia do período dos Juízes deve ser obtida considerando tanto os inícios do período da realeza como a data da entrada em Canaã. Com efeito, o conjunto das tradições relatadas deve situar-se entre 1200 e 1020 a.C., sendo esta segunda data a do estabelecimento da monarquia.

Um livro da fé de Israel. Documento instigante e difícil para o historiador, o livro dos Juízes é antes de tudo uma obra suscitada pela fé de Israel. Desde os mais antigos textos que o compõem, tal como o Cântico de Débora (Jz 5), descobre-se esta convicção: o Deus – Yaohu de Israel é aquele que sustentou seu povo nas horas difíceis. Essa experiência teologal foi estendida a todo Israel, e o quadro teológico do livro ainda reforçou a intuição original, insistindo na fraqueza de Israel e na paciência de Yaohu, que, incansavelmente, envia homens para libertar as tribos da opressão.
É certo que os heróis do livro dos Juízes estão enraizados num tempo em que os costumes eram rudes e as idéias morais não correspondiam às nossas. A astúcia de um Ehud, o assassinato de Siserá por Iael, o sacrifício da filha de Iftah, os amores de Sansão podem nos chocar, mas, através desses relatos, que não procuram edulcorar a realidade, é necessário aprender a descobrir a ação de Yaohu, que conduz um povo dando-lhe chefes animados pelo Espírito (3,10; 6,34; 11,29; 13,25; 14,6.19; 15,14). Esses homens prefiguravam o rei que devia receber o Espírito de YHWH para dirigir o povo com justiça, e o próprio rei era o presságio do Messias, sobre quem repousaria o Espírito de Múltiplos dons (Is 11,2).

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JUÍZES:

EÚDE
Pontos fortes e êxitos:
Segundo juiz de Israel.
Um homem de ação direta, um líder de primeira categoria.
Utilizou uma visível fraqueza (era canhoto) para realizar um grande trabalho para Yaohu.
Encabeçou a revolta contra o domínio moabita e concedeu a Israel 80 anos de paz.

Lições de vida:
Alguns problemas pedem uma atitude radical.
Yaohu responde ao choro de arrependimento.
Yaohu está pronto para usar nossas qualidades únicas a fim de completar seu trabalho.

Informações essenciais:
Nasceu durante os últimos anos de peregrinação pelo deserto ou nos primeiros anos de Israel na Terra Prometida.
Ocupações: Mensageiro e juiz.
Familiares: Pai – Gera.
Contemporâneo: de Eglom, rei de Moabe.

Versículo-chave: “Então, os filhos de Israel clamaram a YHWH, e YHWH lhes levantou um libertador. Eúde, filho de Gera, benjamita, homem canhoto. E os filhos de Israel enviaram pela sua mão um presente a Eglom, rei dos moabitas” (Jz 3,15).

Sua história encontra-se em Juízes 3,12-30.

DÉBORA
Pontos fortes e êxitos:
Quarta e única juíza mulher de Israel.
Habilidades especiais como mediadora, conselheira e consultora.
Quando chamada para liderar, dispôs-se a planejar, dirigir e delegar.
Conhecida como profetisa.
Compositora de hinos.

Lições de vida:
Yaohu escolhe os líderes pelos seus padrões, não pelos nossos.
Os líderes sábios escolhem ajudantes tementes a Yaohu.

Informações essenciais:
Local: Canaã.
Ocupações: Profetisa e juíza.
Familiares: Esposo – Lapidote.
Contemporâneos: Baraque, Jael, Sísera e Jabim, rei de Hazor.

Versículo-chave: “E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo” (Jz 4,4).

Sua história encontra-se em Juízes 4 e 5.

GIDEÃO
Pontos fortes e êxitos:
Quinto juiz de Israel. Estrategista militar especialista em surpreender.
Um dos heróis da fé, citado em Hebreus 11.
Derrotou o exército midianita.
Foi proclamado rei pelos homens de Israel.
Embora difícil de ser convencido, agiu segundo suas convicções.

Fraquezas e erros:
Temeu que suas próprias limitações impedissem o trabalho de Yaohu.
Reuniu o ouro midianita e fez um éfode que se tornou um perigoso objeto de adoração.
Com uma concubina, teve um filho que traria grande desgosto e tragédia tanto para a sua família como para a nação de Israel.
Falhou em estabelecer os caminhos de Yaohu para a nação de Israel; após a sua morte, ela voltou à adoração de ídolos.

Lições de vida:
Yaohu nos chama em meio à nossa presente obediência. Ao sermos fiéis. Ele nos dá mais responsabilidades.
Yaohu expande e usa as habilidades que Ele mesmo colocou em nós.
Yaohu nos usa a despeito de nossas limitações e falhas.
Mesmo aqueles que fazem grande progresso espiritual podem facilmente cair em pecado, caso não sigam a Yaohu com fidelidade.

Informações essenciais:
Locais: Ofra, vale de Jezreel e fonte de Harode.
Ocupações: Fazendeiro, guerreiro e juiz.
Familiares: Pai – Joás; filho – Abimeleque.
Contemporâneos: Zeba e Salmuna.

Versículos-chave: “E ele disse: Ai, YHWH meu, com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. E YHWH lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (Jz 6,15.16).

Sua história encontra-se em Juízes 6 – 8. Ele é também mencionado em Hebreus 11,32.

ABIMELEQUE
Pontos fortes e êxitos:
Autoproclamou-se rei de Israel.
Planejador e organizador tático qualificado.

Fraquezas e erros:
Implacável e faminto pelo poder.
Autoconfiante.
Tirou vantagem da posição de seu pai sem imitar seu caráter.
Matou 69 de seus 70 meio-irmãos.

Informações essenciais:
Locais: Siquém, Arumá e Tebes.
Ocupações: Autoproclamou-se rei e juiz e criou muitos problemas.
Familiares: Pai – Gideão; único irmão sobrevivente – Jotão.

Versículos-chave: “Assim, Yaohu fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando os seus setenta irmãos. Como também todo o mal dos homens de Siquém fez tornar sobre a cabeça deles; e a maldição de Jotão, filho de Jerubaal, veio sobre eles” (Jz 9,56.57).

Sua história encontra-se em Juízes 8,31 – 9,57. Ele é também mencionado em 2 Samuel 11,21.

JEFTÉ
Pontos fortes e êxitos:
Citado na Galeria dos Heróis da Fé em Hebreus 11.
Controlado pelo Espírito de Yaohu.
Brilhante estrategista militar que negociava antes de lutar.

Fraquezas e erros:
Guardou rancor pelo tratamento recebido de seus meio-irmãos.
Fez um tolo e precipitado voto que lhe custou caro.

Lições de vida:
O passado da pessoa não impede o poderoso trabalho de Yaohu em sua vida.

Informações essenciais:
Local: Gileade.
Ocupações: Guerreiro e Juiz.
Familiares: Pai – Gileade.

Versículo-chave: “Assim, Jefté passou aos filhos de Amom, a combater contra eles; e YHWH os deu na sua mão” (Jz 11,32).

Sua história encontra-se em Juízes 11,1 – 12,7. Ele é também mencionado em 1 Samuel 12,11 e Hebreus 11,32.

SANSÃO
Pontos fortes e êxitos:
Dedicado a Yaohu desde seu nascimento como narizeu.
Conhecido por suas demonstrações de força.
Listado na galeria dos Heróis da Fé em Hebreus 11.
Deu início à libertação de Israel da opressão filistéia.

Fraquezas e erros:
Violou seu voto e as leis de Yaohu em muitas ocasiões.
Era controlado pela sensualidade.
Confiava nas pessoas erradas.
Usava seus dons e habilidade imprudentemente.

Lições de vida:
Excepcional força em determinada área da vida não compensa as grandes fraquezas em outras atividades.
A presença de Yaohu não oprime a vontade da pessoa.
Yaohu pode usar a pessoa de fé a despeito de seus erros.

Informações essenciais:
Locais: Zorá, Timna, Asquelon, Gaza e vale de Soreque.
Ocupação: Juiz.
Familiares: Pai – Manoá.
Contemporâneos: Dalila e Samuel (que nasceu provavelmente enquanto Sansão era o juiz).

Versículo-chave: “Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Yaohu desde o ventre e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus” (Jz 13,5).

Sua história encontra-se em Juízes 13 – 16. Ele é também mencionado em Hebreus 11,32.

DALILA
Pontos fortes e êxitos:
Persistente ao enfrentar obstáculos.

Fraquezas e erros:
Valorizava mais o dinheiro do que as amizades.
Traiu o homem que confiava nela.

Lições de vida:
Precisamos ser cuidadosos para confiarmos apenas nas pessoas que merecem confiança.

Informações essenciais:
Local: Vale de Soreque.
Contemporâneo: Sansão.

Versículos-chave: “E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras e molestando-o, a sua alma se angustiou até à morte. E descobriu-lhe todo o seu coração e disse-lhe. Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Yaohu, desde o ventre de minha mãe, se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria e seria como todos os mais homens” (Jz 16,16.17).

Sua história encontra-se em Juízes 16.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

RUTE

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Demonstrar a legitimidade do reinado de Davi apesar de sua ancestral moabita, Rute.
Data: Cerca de 1000 a.C.
Verdades fundamentais:
A providência de Yaohu algumas vezes é severa, mas ele sempre opera pelo bem do seu povo.
O amor e a devoção familiar que são orientados pela lei de Yaohu trazem alegria e felicidade.
A família de Davi foi a nobre linhagem real escolhida por Yaohu.

Propósito e características
Vários estudiosos propuseram diferentes temas centrais para o livro. Dentre outros propósitos possíveis, o livro de Rute é considerado como a explicação de que: (1) uma pessoa convertida (até mesmo uma moabita) poderia ser verdadeiramente fiel ao ETERNO e ser totalmente aceita em Israel; (2) as qualidades de lealdade e fidelidade à aliança demonstrada por uma estrangeira poderiam servir de modelo para a resposta de Israel ao ETERNO; e (3) o ETERNO como Redentor redimiria e restauraria a família exilada de Israel às suas terras.

CRISTO EM RUTE.
Cristo é revelado no livro de Rute, antes de tudo, no modo como o livro testemunha à legitimidade do reinado de Davi. Primeiro, ao legitimar Davi, o livro legitima Cristo como o grande Messias, Yaohushua obteve o trono de Israel porque era o filho totalmente fiel de Davi (Mc 10,47-48; At 2,22-36; Rm 1,2-4). Por causa do interesse pela genealogia de Yaohushua por parte dos escritores dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, os seguidores de Cristo podem ter a certeza da afirmação no Novo Testamento de que ele é o Messias. Yaohushua inaugurou o reino de Davi em seu ministério na terra. Hoje, ele reina e expande o seu reinado e um dia retornará para trazer o domínio mundial para a linhagem de Davi (Am 9,11; At 15,14-19).
Segundo, o interesse que o livro mostra na inclusão de Rute, uma gentia, antecipa a expansão do reino de Yaohu aos gentios durante o período do Novo Testamento. E Rute, ao exibir uma fé como a de Abraão e ao deixar seu país e parentes para viajar sob os cuidados de YHWH para uma terra estrangeira, encontrou a bênção prometida para todas as nações na descendência de Abraão (Gn 12,3). Assim como ela se tornou parte de Israel, gentios e judeus estão agora reconciliados com Yaohu num só corpo, por meio de sua união com Cristo (Ef 2,16; 3,6).
Terceiro, o retrato ideal de Boaz, o resgatador de Rute, fornece consistência à declaração do Novo Testamento de que a Igreja é a noiva de Cristo (Ef 5,25-27; Ap 19,1-8; 22,17). Boaz demonstrou amor intenso e abnegado por duas viúvas desamparadas, Rute e Noemi. Essa caracterização de Boaz dá uma visão do quanto Cristo ama intensa e abnegadamente a sua dependente noiva, a Igreja.

RUTE: O livro de Rute, cujo nome se deve à principal heroína do relato, narra a história de uma família de Bet-Lehem que emigrou para a terra de Moab. Lá chegando, Elimélek, esposo de Noemi, morre, assim com seus dois filhos, Mahlon e Kilion, que haviam desposado duas moabitas, Rute e Orpá. Ao cabo de dez anos, Noemi retorna a Bet-Lehem, acompanhada de Rute, enquanto Orpá volta para junto de seu povo. Rute vai recolher espigas no campo de Boaz, que a acolhe com benevolência. Noemi, sabendo que Boaz tem sobre Rute um direito de resgate, aconselha a nora a incitar Boaz a desposa-la. Ele acede ao pedido e, após a desistência de um resgatador mais próximo, toma Rute por mulher. Ela lhe dá um filho; Obed, pai de Jessé, pai de Davi.
Na Bíblia hebraica, a história de Rute se situa entre os “Ketubim” ou Escritos. A Bíblia grega e a Bíblia latina inserem-na depois dos Juízes, certamente por causa da indicação cronológica que está no primeiro versículo.
A data do texto ainda é bastante discutida. Para uma data pré-exilica, levantaram-se várias razões.
Os costumes jurídicos aduzidos no livro (direito de resgate, matrimonial; cf. nota a 4,5) refletiram uma legislação anterior ao Deuteronômio. O estilo do livro se aproximaria da prosa clássica do AT. O estudo dos nomes próprios sugeriria uma origem antiga. Entretanto, uma data pós-exílica parece preferível. O autor considera muito distanciada a época dos Juízes. Deve explicar um velho costume caído em desuso. Algumas particularidades lingüísticas sugerem uma época tardia. A teologia do livro (universalismo, concepção da retribuição e sentido do sofrimento) pode ser mais bem entendida num clima pós-exílico. A época de Esdras e de Neemias conviria muito bem ao relato, favorável à causa dos matrimônios com estrangeiras, contra as reformas rigorosas de Ed 9 e Ne 13.
Mas o livro de Rute não é uma polêmica. O autor evoca o exemplo da avó de Davi, uma estrangeira, modelo de piedade que, por um casamento levirático providencialmente conduzido pelo YHWH, introduziu-se legalmente numa família israelita e, ainda por cima, davídica.1Sm 22,3-4 aponta os vínculos entre David e Moab.
Com exceção da genealogia, 4,18-22, que se reencontra em 1Cr 2,5-15 e que parece ser uma adição, a unidade literária do livro revela-se sem falhas. O relato se desenvolve em perfeita harmonia: quatro quadros (1,6-18; 2,1-17; 3,1-15; 4,1-12) precedidos de uma introdução (1,1-5), seguidos de uma conclusão (4,13-17), com intermédios que servem de transições (1,19-22; 2,18-23; 3,16-23; 3,16-18). Paralelismo numerosos, passagens ritmadas, assonâncias e aliterações atravessam todo o livro, tornando-o uma obra-prima da literatura. Acrescentemos ainda trocadilhos contidos nos nomes próprios: Elimélek (Meu-Deus-é-rei), Noemi (Minha Graciosa) contrastam singularmente com Mahlon (Doença) e Kilion (Fragilidade), cujos nomes anunciam morte próxima. Orpá poderia evocar a “nuca”, que se vira ao partir, e simbolizar a defecção, enquanto Rute, provavelmente aparentada a “amiga”, ou mais certamente a “reconfortada”, anuncia a afeição ou o reconforto. O nome de Boaz (Força-nele) engendra a esperança, o de Mara (Amarga) traduz a miséria. Quando a Obed, significa “servidor”, “servo” (subentendido: de um deus particular; aqui: do Senhor). A mudança de Noemi para Mara em 1,20 sugere claramente que o autor dá a estes nomes próprios um valor simbólico.
O livro de Rute faz parte dos cinco Rolos lidos nas principais festas judaicas. Ele é utilizado para a festa de Pentecostes. Será que foi escolhido para tal por situar-se no começo da colheita da cevada? Ou mais profundamente porque, se a festa judaica de Pentecostes celebra o dom da Lei a Israel, o livro de Rute estende este dom às nações pagãs, e a genealogia final chega a fazer de uma estrangeira a antepassada de Davi e, em conseqüência, do futuro Messias? Seria difícil dize-lo com exatidão. A tradição rabínica viu em Rute o modelo de prosélito, e a expressão “vir sob as asas de YHWH” (cf. 2,12) veio designar a conversão ao judaísmo.
Rute figura na genealogia de Cristo, segundo o evangelho de Mateus 1,5. Este último traço enfatiza o universalismo e o messianismo do nosso relato.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE RUTE:

RUTE & NOEMI
Pontos fortes e êxitos:
Uma relação onde o maior laço era fé em Yaohu.
Uma relação de forte compromisso mútuo.
Uma relação na qual cada pessoa tentava fazer o melhor pela outra.
Lições de vida:
A presença viva de Yaohu em uma relação supera as diferenças que poderiam de outro forma criar divisão e desarmonia.

Informações essenciais:
Locais: Moabe e Belém.
Ocupações: Esposas e viúvas.
Familiares: Elimeleque, Malom, Quiliom, Orfa e Boaz.

Versículo-chave: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti, porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus – Yaohu é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; me faça assim YHWH e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 16,17).

Sua história encontra-se no livro de Rute. Ela também é mencionada em Mateus 1,5.

BOAZ
Pontos fortes e êxitos:
Um homem de palavra.
Sensível aos necessitados, atencioso para com seus empregados.
Um agudo senso de responsabilidade e integridade.
Um homem de negócios, inteligente e bem-sucedido.

Lições de vida:
Pode ser heróico realizar o que deve ser feito e faze-lo corretamente.
Yaohu freqüentemente usa pequenas decisões para executar seu grande plano.

Informações essenciais:
Local: Belém.
Ocupação: Rico fazendeiro.
Familiares: Elimeleque, Noemi e Rute.

Versículo-chave: “E de que também tomou por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da parta do seu lugar; disto sois hoje testemunhas” (Rt 4,10).

Sua história encontra-se no livro de Rute. Ele é também mencionado em Mateus 1,5.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

SAMUEL

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Explicar que a dinastia de Davi continuava a ser a esperança para o futuro de Israel apesar das maldições que Davi e sua casa trouxeram sobre a nação.
Data: 930-538 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu queria que o seu povo tivesse um rei escolhido por ele.
Yaohu cuidadosamente preparou o caminho para o rei de sua escolha.
Yaohu escolheu a casa de Davi para ser a família real eterna.
Apesar da fraqueza do reino de Davi, a esperança para o povo de Yaohu ainda permanecia na sua família.

Propósito e características
O título do livro tem variado ao longo dos séculos. A Septuaginta (a tradução grega do AT) junta 1 e 2Samuel com 1 e 2Reis como o “Primeiro, Segundo, Terceiro e Quarto Livros dos Reinos” (ou “Reinados”). Do mesmo modo, a Vulgata (a tradução da Bíblia para o latim) refere-se a esses livros como “Primeiro, Segundo, Terceiro e Quarto Reis”. As versões mais modernas refletem a tradição hebraica de fazer a distinção entre os livros de Samuel e os de Reis. Até o século 15, a tradição hebraica tratava 1 e 2Samuel como um único livro.
Foi durante a segunda metade do século 11 a.C., uma época em que os impérios do antigo Oriente Próximo ainda não estavam plenamente fortalecidos, que Yaohu transformou Israel, de uma confederação tribal dispersa numa monarquia unida. Ainda que a instituição da monarquia tenha marcado um importante desenvolvimento religioso e político, a idéia não era nova em Israel. Um princípio fundamental de fé israelita era de que o próprio YHWH era o soberano de Israel, o grande Rei (p. ex., 8,7; 12,12; Nm 23,21; Sl 5,2; Ml 1,14). Todavia, os primeiros livros da Bíblia contêm várias indicações de que Israel, em concordância com a vontade divina, teria um monarca humano (Gn 49,10; Nm 24,7.17-19; cf. Gn 17,6.16; 35,11). Em Dt 17,14, Moisés previu uma época em que Israel estaria estabelecido na Terra Prometida e desejaria um rei, tendo deixado instruções para regularizar o reino nesse momento em que a monarquia seria instituída (vs. 15-20; cf. 28,36). Esse período de tempo é o assunto do livro de Samuel.

CRISTO EM 1 E 2SAMUEL.
Cristo permanece como um contraste aos muitos exemplos de líderes pecadores de Israel que aparecem no livro. Todavia, mais do que isso, Yaohushua é o herdeiro do trono de Davi, e a carreira de Davi antecipa a pessoa e obra de Cristo. Tanto Davi como Yaohushua tiveram uma confirmação profética; Davi, por Samuel (3,20; 16,13) e Yaohushua, por João Batista (Mt 14,5; Jo 1,29-31; 5,31-35). O Espírito de YHWH desceu sobre ambos (1Sm 16,13; Mc 1,9-11), os dois realizaram prodígios (cap. 17; Mt 11,4-5), envolveram-se na guerra santa (cap. 17; Cl 1,20), foram rejeitados por rei invejosos (18,9; Mt 2,16) e alertados para fugir a fim de salvar a própria vida (cap. 20; Mt 2,13-15). Rejeitados pelo seu próprio povo sem uma justa causa (23,12; Jô 19,15), ambos aprenderam no exílio a depender de Yaohu. Eles intercederam em favor do povo de Yaohu (2Sm 21,24; Jo 17) e foram grandemente exaltados pelo YHWH (2Sm 23,1-8; Js 52,13; Fp 2,9). Nesses e em muitos outros exemplos, a vida de Davi prefigurou as realizações de Cristo, seu filho.

SAMUEL: (O título dos Livros). A divisão de Samuel em dois livros é muito recente. Uma nota masorética a 1Sm 28,24 indica que o “centro do livro” se encontrava neste lugar. Os tradutores gregos devem ter copiado a tradução em dois rolos, que intitularam 1º e 2º livro dos Reinados. Tal divisão, seguida pela Vulgata (que os chamava 1º e 2º livro dos Reis), se impôs às bíblias hebraicas a partir dos séculos XV/XVI.
A comparação do texto hebraico com o da versão grega revela importantes divergências. É pouco provável que os Setenta tenham agido por conta própria nas adições e omissões constatáveis no texto grego. Os escassos vestígios já publicados do texto hebraico encontrado em Qumran mostram um texto hebraico às vezes mais próximo daquele que parece ter servido de base à Septuaginta. Por outro lado, a antiguidade destas testemunhas não basta para provar que estejam fornecendo o “texto autêntico”. A versão grega, ou antes, seu substrato hebraico, pode ter procurado eliminar algumas duplicatas ou contradições e representa provavelmente uma recensão menos espinhosa que a transmitida pelos masoretas. As duas recensões deviam ainda coexistir no início da era cristã.
O título Samuel reflete uma antiga tradição rabínica que dava o profeta Samuel por autor destes livros (Baba Batra 14b). Rabinos posteriores, tomando ao pé da letra 1Cr 29,29-30, supuseram que a obra de Samuel, depois de sua morte, fora continuada pelos profetas Natan e Gad (Baba Batra 15 a).
Por mais antiga que seja, a própria definição dos livros de Samuel tem algo de artificial. Percebe-se particularmente que os caps. 21 – 24 de 2Sm interrompem uma narrativa relativamente homogênea quanto ao estilo e argumento, relatando as vicissitudes internas do reino de Davi e conduzindo à ascensão de Salomão. Os dois primeiros capítulos de 1Rs pertencem a esse conjunto antigo, cuja unidade foi rompida pela inserção de 2Sm 21 – 24. Esta inserção é comparável à de Jz 17 – 21, constituída de apêndices que interrompem a série de histórias de juízes-salvadores que 1Sm parece conter.

O conteúdo dos livros. Na sua disposição atual, as diversas partes dos livros de Samuel parecem encadeadas segundo uma ordem cronológica, desconsiderados os “Suplementos” de 2Sm 21 – 24. A primeira parte (1Sm 1 – 7) narra a carreira de Samuel desde seu nascimento e vocação profética, até o momento em que se tornou um grande juiz, salvador de Israel. O ambiente é o das guerras contra os filisteus, das quais se retêm sobretudo os episódios referentes ao destino da arca de Shilô.
Quando Samuel envelhece, o povo, sob a pressão do perigo externo, vem pedir-lhe um rei. Esta iniciativa provoca objeções do profeta, defensor da teocracia. Não obstante, ele acede ao desejo dos anciãos de Israel e confere a investidura a Saul. Instalado o rei, Samuel se retira. A discussão em torno à realeza e os relatos da ascensão de Saul ocupam os capítulos 8 – 12 de 1Sm, constituindo a 2ª parte deste livro.
A 3ª parte (1Sm 13 – 15) focaliza as guerras de Saul contra os filisteus e os amalequitas. Estas guerras são vitoriosas, mas já se acumulam sombras sobre o rei: ele se torna culpado de dois atos de desobediência à vontade divina, e Samuel lhe revela sua destituição, anunciando-lhe, em termos explícitos, que Davi o vai substituir.
A carreira de Davi, desde sua apresentação a Saul até o momento de sua sagração como rei, é narrado no conjunto complexo que se chama “história da ascensão” de Davi (1Sm 16 – 2Sm 5). Sagrado, ainda criança, por Samuel, Davi entra para o serviço de Saul e se distingue pela vitória gloriosa sobre um gigante filisteu. Torna-se grande chefe de guerra e conquista a afeição de todos, particularmente de Jônatan, o filho de Saul. Mas ele inspira a Saul um ciúme mórbido, que tenta por várias vezes, sem êxito, desembaraçar-se de seu rival. Davi deve fugir e, perseguido por Saul, começa uma vida errante que o conduz a pôr-se a serviço dos filisteus, sem contudo empunhar armas contra seu próprio povo. Quando Saul e Jônatan tombam diante dos filisteus na batalha de Guilboa, Davi continua a luta contra os sucessores de Saul e anda de vitória em vitória, enquanto a casa de Saul vai enfraquecendo.
A 5ª parte (2Sm 6 – 8) é a dobradiça do díptico que constitui a história de Davi nos livros de Samuel. A instalação da arca de Shilô em Jerusalém consagra a cidade conquistada por Davi como capital de seu reinado, e a profecia de Natan estabelece em favor da dinastia davídica o princípio de hereditariedade monárquica. A notícia do cap. 8 lembra que o fundador da monarquia de Jerusalém foi também o conquistador de um verdadeiro império.
O segundo painel do díptico é representado pelos caps. 9 – 20 de 2Sm (aos quais convém acrescentar 1Rs 1 – 2). É a relação dos acontecimentos que deságuam na entronização de Salomão. Muito espaço ocupa o relato do nascimento de Salomão e as circunstâncias que o acompanham. Depois se relata como foram eliminados da sucessão os filhos de Davi que poderiam representar obstáculo ao destino de Salomão: Amon, Absalão (e Adonias).
Introduzidos por ocasião de uma pausa no relato da “sucessão de Davi”, os apêndices de 2Sm 21 – 24 agrupam, em torno a duas composições líricas e notícias referentes a diversas pessoas, as relações de duas catástrofes naturais e de seu esconjuro, relatos que não conseguiram lugar nos capítulos precedentes, a despeito de seu significado histórico e religioso.

Os livros de Samuel e a história de Israel. Os livros de Samuel abrangem um longo período da história israelita, sendo possível determinar-lhe ao menos o termo final. Levam-nos até a velhice de Davi, alguns anos, ao que parece, antes da ascensão de Salomão em 970 a.C. Não é tão fácil situar na história os episódios iniciais, mergulhados na mesma indefinição cronológica que as histórias dos Juízes. Desta época remota, subsistem em Samuel tradições contendo elementos com incontestável sabor de autenticidade: as informações a respeito da dominação filistéia, particularmente o monopólio do ferro conservado pelos filisteus (1Sm 13,19-21), os relatos de guerras, ricos em indicações topográficas precisas e verificáveis (1Sm 13; 17; 31), os das peregrinações de Davi fugitivo. A tensão entre “Israel” e “Judá”, que se percebe nas histórias dos conflitos entre Davi e a casa de Saul e da rebelião de Absalão, é um dado de valor sólido. Malgrado a ausência de fontes externas, não podemos desmerecer o que nos ensina 2Sm 8 sobre as guerras de Davi: somente a constituição de um Império davídico, bem no começo do 1º milênio, quando tanto o Egito como a Assíria estão na defensiva, pode explicar a prosperidade do reinado de Salomão, tendo Israel então acesso ao Mediterrâneo e ao Mar Vermelho. As notícias sobre os funcionários de Davi (2Sm 8,15-18; 20,23-26) e o recenseamento de que fala 2Sm 24 atestam uma vontade decidida de organizar o território e marcam uma mudança significativa em relação ao tempo de Saul, cujo aparato de defesa não passava de um embrião de exército permanente. Em compensação, não se devem perguntar a Samuel informações seguras quanto ao início da realeza. O perigo filisteu certamente pode explicar a iniciativa dos anciãos que vêm pedir um rei a Samuel, mas, quando e onde acontecem isso? A tradição de 1Sm 11, mostrando em Saul o vencedor dos amonitas e o salvador de Iabesh de Guilead, tem para si as melhores garantias, segundo o estudo interno; mas será historicamente compatível com os outros relatos de sua entronização? Saul foi coroado em Rama, em Mispá, em Guilgal ou, sucessivamente, nestes diversos lugares? A cronologia do reino de Saul continua totalmente desconhecida. A notícia de 1Sm 13,1 indica que dela não se tem lembrança.

Elementos de uma compilação. Os livros de Samuel não são uma crônica que acompanhe os acontecimentos passo a passo. São uma obra literária que reúne materiais heterogêneos, às vezes muito antigos. Reúne tradições orais que devem remontar aos próprios dias de Saul e Davi, mas cujo estudo original já não se distingue com clareza por trás da forma escrita, páginas escritas provavelmente no reinado de Salomão e complementações introduzidas depois da ruína do Estado em 587, quando os livros de Samuel receberam seu lugar na obra atribuída à escola histórica chamada “deuteronomista” (Josué-Juízes-Samuel-Reis), tão facilmente reconhecida por sua fraseologia e estilo.
Há certo consenso quanto a ver na “história da secessão de Davi” (2Sm 9 – 20 + 1Rs 1 – 2) um relato relativamente homogêneo, cujas características literárias lembram às tão perto o autor “javista” do Pentateuco que se chegou a ver essa página como o vestígio de uma antiga história nacional que iniciava pelo relato da criação do homem (Gn 2). O relato da revolta de Absalão, rico em observações precisas, como registradas ao vivo, deve ser obra de uma testemunha dos acontecimentos e não pode ter sido publicado muito tempo depois. Constitui o núcleo da “história de sucessão”, e recebeu como prefácio à história do nascimento de Salomão (2Sm 9 – 12) e como conclusão, a do fracasso de Adonias (1Rs 1 – 12); de modo que estes capítulos poderiam chamar-se também a “história da ascensão de Salomão”. Não obstante a objetividade de tom, percebe-se nitidamente a tendência do autor.
A composição do conjunto precedente (1Sm 16 – 2Sm 5), à qual se podem acrescentar elementos antigos da profecia de Natan (2Sm 7) e a história da arca (2Sm 6), é bem mais difícil de ser rastreada. Se a história da ascensão ou do advento ao trono de Davi é melhor estruturada do que geralmente se acredita (vê-se que narradores e redatores procuraram construir), a presença de duplicatas chama a atenção: a entrada de Davi no serviço de Saul, o atentado malogrado de Saul contra Davi, a intervenção de Jônatan a favor de Davi, a aproximação de Davi aos filisteus, a denúncia da gente de Zif, o episódio em que Davi poupa Saul, tudo isso é narrado duas vezes. Por isso, vários exegetas acreditaram que estes capítulos continuavam os “documentos do Pentateuco”. Contudo, parece antes que na maioria dos casos estamos diante de tradições diferentes (já fixadas, quer oralmente, quer por escrito), que os narradores e redatores decidiram conservar e que tentaram organizar balizando sua coleção por fórmulas de moldura e sublinhando por palavras-chave os temas dominantes de cada parte. “Apesar destas duplicatas, a história da ascensão de Davi apresenta tanta afinidade com a da sucessão que se é inclinado a pensar que os autores pertenciam ao mesmo ambiente: escribas da corte de Jerusalém, selecionando e codificando tradições orais já elogiosas ao rei”. O processo de idealização de Davi, nitidamente perceptível nesta parte, prolonga-se a uma etapa ulterior da redação: 1Sm 16, narrando a unção de Davi por Samuel, serve evidentemente para pôr o segundo rei no mesmo nível que o primeiro e encontra-se intimamente ligado ao cap. 15, de incontestável caráter secundário.
Os capítulos consagrados às guerras de Saul são uma compilação. Encontram-se aí tradições antigas sobre as guerras do tempo de Saul contra os filisteus e das quais o verdadeiro herói é Jônatan, o amigo de Davi; a tendência é claramente hostil a Saul (1Sm 13 – 14). A narrativa da campanha contra Amaleq (1Sm 15) tem bases bem menos seguras nas tradições antigas. É um enfeite literário introduzido talvez para marcar a falência da realeza de Saul, culpado por infringir um mandamento divino. A destruição de Saul é a introdução necessária da história de Davi, que a segue de imediato.
À parte de 1Sm onde são tratadas as origens da realeza (8 – 12) não tem uma história menos complexa atrás de si. Também aí encontram-se compilados elementos de origem diversa. Alguns são antigos, apesar de retoques secundários. Assim a história das jumentas, certamente adaptação de uma lenda benjaminita (9 – 10,16), uma tradição acerca da escolha do rei por sorteio, em Mispá (10,17-27), a narração do cap. 11, onde Saul aparece favoravelmente, sob os traços de um juiz carismático vitorioso sobre o inimigo amonita. O cap. 8 expõe desde o início o problema teológico levantado pela própria instituição da monarquia. Condena o desejo do povo que pede um rei, embora indique também que YHWH acaba consentindo. Hoje tende-se a ver nos “costumes do rei”, contra os quais Samuel adverte seus compatriotas, a lembrança de práticas características dos reis “como as nações os possuíam” por volta do fim do 2º milênio, antes do que uma condenação antecipada de práticas iníquas dos reis de Israel. A base do cap. 8 seria então mais antiga do que se acreditou durante longo tempo. Contudo, convém reconhecer que o discurso de Samuel no cap. 8 foi retocado por um redator deuteronomista, bem como diversos outros discursos que figuram nos livros de Samuel (é o gênero literário que mais se presta a ampliações). E é ao deuteronomista só que se deve atribuir o sermão de despedida de Samuel no cap. 12. Em toda esta parte não aparece um juízo acerca de Saul. Ele é simplesmente apresentado, e de diversas maneiras, como eleito de YHWH. Parece haver aqui maior interesse pela instituição monárquica do que pelo primeiro detentor da dignidade real.
A primeira parte do livro (1Sm 1 – 7) é dominada pela figura de Samuel. É apresentado como espécie de tipo ideal do homem religioso; ele é, ao mesmo tempo, associado ao santuário e investido com uma missão profética. Procura-se também mostrar nele o verdadeiro salvador de sua época (talvez com uma ponta polêmica contra Saul, cf. 1,27-28). Insiste-se na eleição de Samuel, para evidenciar naquele que consagrou os reis o agente credenciado por Yaohu. Outros elementos dos caps. 1 – 7 tomam sentido quando se levam em consideração as preocupações principais do conjunto dos livros de Samuel: as aventuras da arca são relatadas com tantos detalhes, porque contribuem para glorificar o móvel sagrado do qual Davi fez o “palácio” de sua capital; o anúncio do “sacerdote fiel”, em 2,27-36, serve para a glória de uma instituição da era salomônica, o sacerdócio sadoquita; a antítese elevação/queda (lembrada de modo lapidar em 2,7) domina a história de Samuel, oposto a Eli e seus filhos, mas também a de Davi oposto a Saul e sua casa. A lenda de Samuel não carece de nexos com o que se segue a ela. Pode-se atribuir a um doutrinário regalista a compilação de tradições antigas que constitui os capítulos 1 – 6. O cap. 7, onde se reconhecem a preocupação e o estilo do historiador deuteronomista, foi recomposto por este autor no intuito de fazer dele a conclusão da história dos Juízes.

Lições acerca da realeza. A descoberta das tendências político-religiosas dos narradores e escritores permite formular algumas hipóteses quanto à composição dos livros de Samuel. Com efeito, mais que um longo capítulo da história antiga de Israel, estes livros são um ensinamento do qual convém perceber os pontos principais.
O tema dominante é o da realeza. Não se procura encobrir a ambigüidade de sua instituição. Israel tem por rei YHWH. O que representa então um soberano humano? O problema é resolvido em favor da instituição monárquica, já que, afinal, YHWH e seu intermediário, Samuel, presidem à designação de Saul. Se, contudo a iniciativa do povo é condenada sem cerimônia, talvez seja para significar que a realeza de um homem, por direito, não procede da vontade humana e sim, da autoridade divina, e que a monarquia israelita não é nem democrática, nem autocrática, mas permanece subordinada à teocracia. Talvez procure-se sugerir que Saul pessoalmente tenha sofrido por ter sido “pedido” (o sentido de seu nome em hebraico). O nimbo legendário que envolve a figura de Samuel realça a supremacia do homem religioso mediador da vontade divina. Insiste-se na natureza religiosa das faltas que provocam a queda de Saul, para indicar que o rei não deve invadir um domínio que não é seu. A isso associa-se o interesse dos livros de Samuel pelos objetos, práticas e pessoas do culto (particularmente quanto à arca, intocável segundo 2Sm 6,7, e quanto ao altar de Jerusalém, 2Sm 24).
O rei por excelência é Davi. Ele é fortemente idealizado, sobretudo na história de seus inícios, pelos relatos de suas façanhas, da afeição que ele inspira, de sua magnanimidade e modéstia, embora não se esconda que sua carreira foi a de um soldado que teve sorte. Não falta a observação da submissão que este rei ideal demonstra em relação a YHWH e suas instâncias e o seu cuidado em consultar a vontade divina. Assim, ele aceita a reprimenda do profeta Natan, em conseqüência de seu pecado de adultério, o que mostra que, em Israel, o rei não está acima da lei. Mas, à diferença de Saul, Davi não é punido na sua descendência; ele recebe a segurança de ver reinar no seu lugar um de seus filhos. Este filho é Salomão, cujo advento se vê preparado pelo amor que Yaohu lhe tem desde o nascimento. Nossos livros são, portanto uma apologia da dinastia judaíta. Segundo a profecia de Natan (2Sm 7), cujo teor essencial não foi modificado pela redação deuteronomista, a casa de Davi deve ocupar para sempre o trono de Jerusalém, pouco importa quais sejam as faltas pessoais dos que exercem nela a monarquia.
Esta idéia religiosa expressa provavelmente num tempo em que a monarquia judaíta se considerava segura de um longo porvir, teve uma sorte extraordinária, que valeu aos livros de Samuel seu lugar na história da salvação. Virá um dia em que os reis se terão culpabilizado de tantas faltas que a própria realeza parecerá condenada; o veredicto definitivo será pronunciado sobre ela em 587. Não obstante, não se deixará de acreditar na garantia eterna concedida por Yaohu à casa de Davi, e esperar-se-á com confiança o advento de um filho de Davi digno das promessas feitas ao seu antepassado. Trata-se do Messias, por um lado, rei ideal, mas, por outro, descendente carnal daquele que YHWH tinha elegido por volta do ano 1000 antes de nossa era.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE 1 e 2 SAMUEL:

(1Sm).

ANA
Pontos fortes e êxitos:
Mãe de Samuel, maior juiz de Israel.
Fervente em adoração, efetiva em oração.
Disposta a cumprir até mesmo um penoso compromisso.

Fraquezas e erros:
Lutou com seu senso de auto-estima por ser incapaz de ter filhos.

Lições de vida:
Yaohu ouve e responde as orações.
Nossos filhos são presentes de Yaohu.
Yaohu está preocupado com o aflito e o oprimido.

Informações essenciais:
Local: Efraim.
Ocupação: Dona de casa.
Familiares: Marido – Elcana; filho – Samuel. Mais tarde, três outros filhos e duas filhas.
Contemporâneo: Eli, o sumo sacerdote.

Versículos-chave: “E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao YHWH. Por este menino, orava eu; e o YHWH me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao YHWH eu o entrego, por todos os dias que viver; pois ao YHWH foi pedido. E ele adorou ali a YHWH” (1Sm 1,26-28).

*Aqui, você, pode ver o contraste em (“senhor”, Senhor, e, “SENHOR”) –, POIS TODAS ESSAS FORMAS DE FALAR SE REFERE AO HOMEM QUE CUIDARIA DE SAMUEL. INSTRUINDO-O COMO SACERDOTE DE DEUS-YAOHU-UL. E, NÃO AO “NOME DE DEUS” NEM, AO MENOS, A UM TÍTULO DIVINO, POIS REPRESENTA UMA ENTIDADE PAGÃ COMO BAAL. E, SENHOR; ESCRITO DE QUALQUER FORMA, REPRESENTA UMA EXPRESSÃO AO SER HUMANO COMO RESPEITO E NÃO A UMA ENTIDADE DIVINA. POR ISSO TEM QUE SER O TETRAGRAMA – “YHWH”. (ANSELMO ESTEVAN).

Sua história encontra-se em 1 Samuel 1 e 2.

ELI
Pontos fortes e êxitos:
Julgou Israel por 40 anos.
Falou com Ana, a mãe de Samuel, e assegurou-lhe a bênção de Yaohu.
Criou e treinou Samuel, o maior juiz de Israel.

Fraquezas e erros:
Falhou em disciplinar seus filhos ou corrigi-los quando pecaram.
Tendia em reagir a situações ao invés de tomar uma atitude decisiva.
Viu a Arca da Aliança como uma relíquia a ser cuidada e não como um símbolo da presença de Yaohu para Israel.

Lições de vida:
Os pais precisam disciplinar seus filhos com responsabilidade.
A vida é mais do que simplesmente reagir, ela requer iniciativa.
As vitórias passadas não podem substituir a confiança presente.

Informações essenciais:
Local: Siló.
Ocupações: Sumo sacerdote e juiz de Israel.
Familiares: Filhos – Hofni e Finéias.
Contemporâneo: Samuel.

Versículos-chave: “E disse YHWH a Samuel: Eis aqui vou eu a fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir lhe tinirão ambas as orelhas. Naquele mesmo dia, suscitei contra Eli tudo quanto tenho falado contra a sua casa, começa-lo-ei e acaba-lo-ei. Porque já eu lhe fiz saber que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque, fazendo-se seus filhos execráveis, não os repreendeu. Portanto, jurei a casa de Eli que nunca jamais será expiada à iniqüidade da casa de Eli com sacrifícios com oferta de manjares” (1Sm 3,11-14).

Sua história encontra-se em 1 Samuel 1 – 4. Ele é também mencionado em 1 Reis 2,26.27.

SAMUEL
Pontos fortes e êxitos:
Usado por Yaohu para ajudar na transição de Israel de um livre governo tribal para uma monarquia.
Ungiu os dois primeiros reis de Israel.
Foi o último, porém mais eficiente juiz de Israel.
Citado na Galeria dos Heróis da Fé em Hebreus 11.

Fraquezas e erros:
Foi incapaz de levar seus dois filhos a uma intima comunhão com Yaohu.

Lições de vida:
O significado das realizações do povo está diretamente relacionado à sua relação com Yaohu.
O tipo de pessoa que somos é mais importante do que qualquer coisa que possamos realizar.

Informações essenciais:
Local: Efraim.
Ocupações: Juiz, profeta e sacerdote.
Familiares: Mãe – Ana; pai – Elcana; filhos – Joel e Abias.
Contemporâneos: Eli, Saul e Davi.

Versículos-chave: “E crescia Samuel, e YHWH era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta de YHWH” (1Sm 3,19,20).

Sua história encontra-se em 1 Samuel 1 – 28. Ele é também mencionado em Salmos 99,6; Jeremias 15,1; Atos 3,24; 13,20; Hebreus 11,32.

SAUL
Pontos fortes e êxitos:
Primeiro rei de Israel designado por Yaohu.
Conhecido por sua coragem e generosidade pessoais.
Extremamente alto, com uma notável aparência.

Fraquezas e erros:
Suas habilidades de liderança não combinavam com as expectativas criadas por sua aparência.
Impulsivo por natureza tendia a ultrapassar seus limites. Com inveja de Davi, tentou mata-lo.
Ele especificamente desobedeceu a Yaohu em várias ocasiões.

Lições de vida:
Yaohu quer obediência do coração, não meros atos de cerimônia religiosa.
A obediência sempre envolve sacrifícios, mas sacrifícios nem sempre envolve obediência.
Yaohu quer fazer uso de nossas forças e debilidades.
As fraquezas deveriam nos ajudar a lembrar as nossas necessidades da direção e ajuda de Yaohu.

Informações essenciais:
Local: Terra de Benjamim.
Ocupação: Rei de Israel.
Familiares: Pai – Quis; filhos – Jônatas e Isbosete; esposa – Ainoã, filha de Aimaás; filhas – Merabe e Mical.

Versículos-chave: “Porém Samuel disse: Tem, porventura, YHWH tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra de YHWH? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra de YHWH, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Sm 15,22.23).

Sua história encontra-se em 1 Samuel 9 a 31. Ele é também mencionado em Atos 13,21.

DAVI
Pontos fortes e êxitos:
Maior rei de Israel.
Antepassado de Yaohushua – Cristo.{Forma correta – Christós – O UNGIDO}.
Citado na Galeria dos Heróis da Fé em Hebreus 11.
Descrito por Yaohu como o homem segundo seu próprio coração.

Fraquezas e erros:
Adulterou com Bate-Seba..
Planejou o assassinato de Urias, marido de Bate-Seba.
Desobedeceu a Yaohu ao realizar a contagem do povo.
Não lidou decisivamente com os pecados de seus filhos.

Lições de vida:
A disposição para admitir honestamente os nossos erros é o primeiro passo para lidar com eles.
O perdão não remove as conseqüências do pecado.
Yaohu deseja a nossa total confiança e adoração.

Informações essenciais:
Local: Belém e Jerusalém.
Ocupações: Pastor, músico, poeta, soldado e rei.
Familiares: Pai – Jessé: esposas – Mical, Ainoã, Abigail e Bate-Seba; filhos – Absalão, Amom, Adonias, e Salomão; filhas – Tamar e outras; irmãos – sete.
Contemporâneos: Saul, Jônatas, Samuel e Natã.

Versículos-chave: “Agora, pois, YHWH – Yaohu, tu és mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem. Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó YHWH – Yaohu, o disseste; e com a tua bênção será sempre bendita a casa de teu servo” (2Sm 7,28.29).

Sua história encontra-se em 1 Samuel 16 a 1 Reis 2. Seu nome também é mencionado em Amós 6,5; Mateus 1,1.6; 22,43-45; Lucas 1,32; Atos 13,22; Romanos 1,3; Hebreus 11,32.

JÔNATAS
Pontos fortes e êxitos:
Corajoso, leal e um líder nato.
O amigo mais intimo que Davi teve.
Jamais colocou o seu próprio bem-estar à frente do bem-estar daqueles a quem amava.
Dependeu sempre de Yaohu.

Lições de vida:
A lealdade é um dos elementos mais fortes da coragem.
A lealdade a Yaohu orienta todos os demais relacionamentos.
As grandes amizades têm sempre um custo elevado.

Informações essenciais:
Ocupação: Líder militar.
Familiares: Pai – Saul, mãe – Ainoã; irmãos – Abinadabe e Malquisua; irmãs – Merabe e Mical; filho – Mefibosete.

Versículo-chave: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres” (2Sm 1,26).

A história de Jônatas é relatada em 1 Samuel 13 – 31. Ele também é mencionado em 2 Samuel 9.

ABGAIL
Pontos fortes e êxitos:
Sensível e capaz.
Uma oradora persuasiva, capaz de enxergar além de si mesma.

Lições de vida:
As difíceis situações de sua vida podem fazer com que as pessoas dêem o melhor de si.
Não é necessário ter um título de prestígio para desempenhar um importante papel.

Informações essenciais:
Local: Carmelo.
Ocupação: Dona de casa.
Familiares: Primeiro marido – Nabal; segundo marido – Davi; filho – Quileabe (Daniel).
Contemporâneos: Saul, Mical e Ainoã.

Versículos-chave: “Então, Davi disse a Abigail: Bendito YHWH, Yaohu de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue e de que a minha mão me salvasse” (1Sm 25,32.33).

A história de Abigail é relatada em 1 Samuel 25 – 2 Samuel 2. Ela também é mencionada em 1 Crônicas 3,1.

(2Sm).
ABNER
Pontos fortes e êxitos:
Comandante-chefe do exército de Saul e competente líder militar.
Por muitos anos manteve a unidade de Israel, durante o frágil reinado de Isbosete.
Reconheceu e aceitou o plano de Yaohu, que consistia em fazer de Davi o rei de todo o reino de Israel e Judá.

Fraquezas e erros:
Seus esforços para unificar Judá e Israel eram motivados por razões egoístas, e não por uma convicção divina.
Após a morte de Saul, coabitou com uma das concubinas reais.

Lições de vida:
Yaohu exige mais que uma simples e indiferente cooperação condicional.

Informações essenciais:
Local: Comandante dos exércitos de Saul e de Isbosete.
Familiares: Pai – Ner; primo – Saul, filho – Jaasiel.
Contemporâneos: Davi, Asael, Joabe e Abisai.

Versículo-chave: “Então, disse o rei aos seus servos: Não sabeis que, hoje, caiu em Israel um príncipe e um grande?” (2 Sm 3,38).

A história de Abner encontra-se em 1 Samuel 14,50 a 2 Samuel 4,12. Ele também é mencionado em 1 Reis 2,5.32; 1 Crônicas 26,28; 27,16-22.

MICAL
Pontos fortes e êxitos:
Amava Davi e tornou-se sua primeira esposa.
Salvou a vida de Davi.
Conseguia raciocinar e agir com rapidez quando necessário.

Fraquezas e erros:
Mentia quando pressionada.
Deixou-se dominar pela amargura nos momentos mais difíceis.
Em sua tristeza, odiou Davi pelo amor que ele demonstrava a Yaohu.

Lições de vida:
Somos mais responsáveis pela maneira como respondemos às circunstâncias, do que pelo que nos acontece.
Desobedecer a Yaohu quase sempre prejudica tanto a pessoa que lhe desobedece, quanto aos seus semelhantes.

Informações essenciais:
Ocupação: Filha de um rei, Saul, e esposa de outro, Davi.
Familiares: Pais – Saul e Ainoã; irmãos – Jônatas, Abinadabe e Malquisua; irmã – Merabe; marido – Davi e Palti.

Versículo-chave: “E sucedeu que entrando a arca de YHWH na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo o rei Davi, que ia bailando e saltando diante de YHWH, o desprezou no seu coração” (2Sm 6,16).

A história de Mical encontra-se em 1 Samuel 14 – 2 Samuel 6. Ela também é mencionada em 1 Crônicas 15,29.

NATÃ
Pontos fortes e êxitos:
Um confiável conselheiro de Davi.
Um profeta de Yaohu.
Confrontava com coragem; porém, de modo cuidadoso.
Um dos controles de Yaohu na vida de Davi.
Fraquezas e erros:
Sua ansiedade de ver Davi construir um templo para Yaohu em Jerusalém fez com que falasse sem ter recebido instruções divinas.

Lições de vida:
Não devemos ter medo de falar a verdade àqueles que amamos.
Um companheiro em quem podermos confiar representa uma das maiores dádivas de Yaohu.
Yaohu se preocupa em descobrir uma forma de se comunicar conosco quando agimos de modo errado.

Informações essenciais:
Ocupações: Profeta de Yaohu e conselheiro do rei.
Contemporâneos: Davi, Bate-Seba, Salomão, Zadoque e Adonias.

Versículo-chave: “Conforme todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi” (2Sm 7,17).

A história de Natã encontra-se em 2 Samuel 7 – 1 Reis 1. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 17,15 e 2 Crônicas 9,29; 29,25.

ABSALÃO
Pontos fortes e êxitos:
Era belo e tão carismático quanto seu pai, Davi.

Fraquezas e erros:
Vingou o estupro de sua irmã Tamar, ao matar seu meio irmão, Amnom.
Conspirou contra seu pai, para usurpar-lhe o trono.
Atentava constantemente para conselhos errados.

Lições de vida:
Muitas vezes os pecados dos pais são repetidos e ampliados em seus filhos.
Um homem perspicaz recebe muitos conselhos; mas o prudente analisa os conselhos que recebe.
Todos os atos que contrariam os planos de Yaohu estão, mais cedo ou mais tarde, condenados ao fracasso.

Informações essenciais:
Local: Hebrom.
Ocupação: Príncipe.
Familiares: Pai – Davi; mãe – Maaca; irmãos – Amnom; Salomão e outros; irmã – Tamar.
Contemporâneos: Natã; Jonadabe; Joabe; Aitofel e Husai.

Versículos-chave: “E enviou Absalão espias por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão reina em Hebrom” 2 Samuel 3,3; 13 – 19.

JOABE
Pontos fortes e êxitos:
Brilhante planejador e estrategista.
Combatente corajoso e comandante experiente.
Líder confiante que não hesitou em confrontar até mesmo o rei.
Procurou colaborar na reconciliação entre Davi e Absalão.
Planejou a conquista de Jerusalém.

Fraquezas e erros:
Era constantemente cruel violento e vingativo.
Executou o plano de Davi para matar Urias, marido de Bate-Seba.
Matou Abner para vingar o assassinato de seu irmão.
Matou Absalão contra as ordens de Davi.
Conspirou com Adonias contra Davi e Salomão.

Lições de vida:
Aqueles que vivem pela violência, freqüentemente morrem como vitimas da própria violência.
Até mesmo os lideres mais brilhantes precisam de orientação.

Informações essenciais:
Ocupação: Comandante-chefe do exército de Davi.
Familiares: Mãe – Zeruia; irmãos – Abisai e Asael; tio – Davi.
Contemporâneos: Saul, Abner e Absalão.

Versículo-chave: “E disse-lhe o rei: Faze como ele disse, e dá sobre ele, e sepulta-o, para que tires de mim e da casa de meu pai o sangue que Joabe sem causa derramou” (1Rs 2,31).

A história de Joabe encontra-se em 2 Samuel 2 a 1 Reis 2. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 2,16; 11,5-9.20.26; 19,8-15; 20,1; 21,2-6; 26,28 e no título do Salmo 60.

ABISAI
Pontos fortes e êxitos:
Reconhecido como herói dentre os combatentes de Davi.
Um voluntário destemido e disposto, fervorosamente leal a Davi.
Salvou a vida de Davi.

Fraquezas e erros:
Inclinado a agir sem pensar.
Ajudou Joabe e assassinou Abner e Amassa.

Lições de vida:
Os seguidores mais eficientes associam um cuidadoso juízo à ação.
A lealdade cega pode causar um grande mal.
Informações essenciais:
Ocupação: Soldado.
Familiares: Mãe – Zeruia; irmãos – Joabe e Asael; tio – Davi.

Versículos-chave: “Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça de três; e este alçou a sua lança contra trezentos, e os feriu, e tinha nome entre os três. Porventura, este não era o mais nobre dentre estes três? Pois era o primeiro deles; porém aos primeiros três não chegou” (2Sm 23,18.19).

A história de Absai encontra-se em 2 Samuel 2,18 – 23,19. Ele também é mencionado em 1 Samuel 26,1-13; 1 Crônicas 2,16; 11,20; 18,12; 19,11.15.

OS VALENTES DE DAVI
Pontos fortes e êxitos:
Soldados hábeis e líderes militares.
Compartilhavam inúmeras habilidades especiais.
Embora freqüentemente em menor número, eram sempre vitoriosos.
Eram leais a Davi.

Fraquezas e erros:
Geralmente tinham pouco em comum, além de sua lealdade a Davi e à sua competência militar.

Lições de vida:
A grandeza é freqüentemente inspirada pela qualidade e pelo caráter da liderança.
Até mesmo um pequeno exército, de homens capazes e leais, pode realizar grandes proezas.

Informações essenciais:
Locais: Vieram de todas as tribos de Israel (principalmente de Judá e Benjamim) e também de algumas nações vizinhas.
Ocupações: Vários antecedentes – quase todos eram fugitivos.

Versículos-chave: “Então, Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão, e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele. E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles, e eram com ele uns quatrocentos homens” (1Sm 22,1.2).

Suas histórias encontram-se em 1 Samuel 22 – 2 Samuel 23,39. Também são mencionados em 1 Crônicas 11 e 12.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

REIS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Mostrar a justiça do exílio, assegurar a permanência da esperança na dinastia de Davi e chamar ao arrependimento para que Israel pudesse regressar do exílio.
Data: c. 560-550 a.C.
Verdades fundamentais:
Apesar da severidade do exílio de Israel e Judá, a ira de Yaohu era plenamente justificada tendo em vista a apostasia repetida e grave do seu povo.
As promessas de Yaohu à família de Davi continuavam em vigor apesar dos erros de seus filhos.
Yaohu conclamou o seu povo exilado a se arrepender de seus pecados.
A volta do exílio foi oferecida a Israel mediante o arrependimento.

Propósito e características
O livro de Reis trata da história e do final da monarquia em Israel, dos últimos dias de Davi (c. 970 a.C.) até o exílio na Babilônia, quase quatro séculos depois (c.586 a.C.). Os livros de 1 e 2 Reis constituem uma unidade dentro de um grupo maior de livros – Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel – chamada tradicionalmente de Profetas Anteriores e, mais recentemente, de História Deuteronomística (ou Deuteronômica). Uma vez que esses livros apresentam uma seqüência natural, o reconhecimento de uma unidade essencial é justificado.
Os livros de 1 e 2 Reis constituíam, a princípio, um só livro. Conquanto nos manuscritos hebraicos mais antigos 1 e 2 Reis sejam uma única obra literária (como 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Crônicas, na Septuaginta [a tradução grega do AT], na Vulgata {a tradução latina} e na maioria das outras versões, a obra é dividida em dois livros). A divisão é artificial, ocasionada mais pelo números de papiros que cabiam num rolo antigo do que por algum ditame do conteúdo. Os reinados de Acazias (1Rs 22,51-53; 2Rs 1,1-18) e Josafá (1Rs 22,41-50; 2Rs 3,1-27) se sobrepõem nos dois livros. O ministério profético de Elias também aparece nos dois volumes (1Rs 17 – 19; 2Rs 1 – 2).

CRISTO EM 1 e 2 REIS.
O relato histórico de Reis aponta para Cristo de várias maneiras. Pelo menos duas questões aparecem em primeiro plano. Em primeiro lugar, a família de Davi é destacada como elemento central de Israel. Todas as esperanças de vitória e salvação – e até mesmo de regresso do exílio – estavam baseadas na misericórdia de Yaohu demonstrada para com a casa real de Davi e por meio dela. O Novo Testamento ensina que Cristo é o grande Filho de Davi, por meio do qual Yaohu cumpriu todas as promessas que havia feito a Davi e a seus filhos (Mt 1,1-17; At 2,22-36).
Em segundo lugar, a monarquia e o culto no templo também ocupam uma posição central no relato. Na verdade, os reis de Israel e Judá são avaliados quase inteiramente de acordo com sua lealdade ou deslealdade para com o templo em Jerusalém e com a pureza do culto naquele local. Esse tema também se cumpriu em Cristo. O Novo Testamento ensina que ele é o sumo sacerdote eterno do povo de Yaohu (Hb 3,1; 4,14-15, cujo sangue expiou os seus pecados (Hb 2,17; 9,25-28). Ele reúne seu povo num santuário na terra (1Pe 2,4-5.9), e ministra no átrio celestial de Yaohu (Hb 6,19-20; 8,1-2; 9,24). A importância da fidelidade exclusiva ao culto no templo de Salomão corresponde ao chamado de Cristo para seus seguidores confiarem em sua mediação sacerdotal para receberem a salvação (Jo 14,6; At 4,12) durante o seu ministério presente no santuário celestial e, por fim, ao substituir o santuário terreno na nova terra (Ap 21,22).

REIS: Os livros dos Reis cobrem um longo período da história de Israel. Os acontecimentos mais antigos, os últimos dias de Davi (1Rs 1,1 – 2,10), remontam a 972 a.C. aproximadamente, ao passo que a reabilitação do rei Ioiakin (2Rs 25,27-30) data de 561 a.C. Ora, como o indica a lista dos livros bíblicos, os Livros dos Reis fazem parte dos Profetas Anteriores. Isto deve alertar o leitor para o fato de que, conquanto esses livros sejam ricos em dados históricos, não devem ser considerados primordialmente como livros históricos. Por seu conteúdo podem, de referência, ser definidos como uma reflexão teológica sobre um período da história de Israel em que este povo era governado por reis.

Conteúdo dos Livros dos Reis
A. Fim do reinado de Davi e reinado de Salomão (1Rs 1 – 11).
Davi e a shunamita – Pretensões de Adonias à realeza – Reação do partido de Salomão e sua sagração em Guibon: 1Rs 1,1-40.
Fracasso da conspiração de Adonias: 1Rs 1,41-53. Recomendações de Davi a Salomão: 1Rs 2,1-11. Sorte reservada a Adonias, a seus dois principais cúmplices e a Shimeí: 1Rs 2,12-46.
Aparição de YHWH a Salomão – Julgamento de Salomão: 1Rs 3.
Os grandes do reino – Administração de Salomão – Sabedoria de Salomão: 1Rs 4,1-5,14. Aliança com Hirâm, rei de Tiro, e preparativos para a construção do Templo: 1Rs 5,15-32.
Construção do Templo e dos edifícios reais – Fabricação dos objetos de metal destinados ao Templo: 1Rs 6 – 7.
Transferência da arca e dedicação do Templo – Nova aparição de YHWH a Salomão: 1Rs 9,10-28.
Visita da rainha de Shebá – Riquezas de Salomão: 1Rs 10.
Pecado de Salomão – Revolta no exterior – Anúncios do cisma a Jeroboão pelo profeta Ahiá: 1Rs 11.

B. Do cisma ao fim do reino de Israel (1Rs 12 – 2Rs 17).
Cisma político e religioso – Jeroboão, rei de Israel 1Rs 12.
Profecia contra Betel: 1Rs 13.
Abiá anuncia a morte do filho de Jeroboão: 1Rs 14,1-20.
Roboão, Abitâm e Asa, reis de Judá: 1Rs 14, 21-15,24.
Ciclo de Elias – A grande seca: Elias no Darit, depois em Serepta; ressureição do filho da viúva; o sacrifício do Carmelo; Elias no Horeb 1Rs 17-19.
Duas campanhas de Aram contra Israel; cerco de Samaria e campanha de Afeq; intervenção de um profeta: 1Rs 20.
Ciclo de Elias (continuação) – A vinha de Nabot: 1Rs 21.
Campanha de Acab e de Josafat contra Aram; intervenção de Miquéias; morte de Acab: 1Rs 22,1-40. Josafat, rei de Judá: 1Rs 22,41-51.
Acazias, rei de Israel: 1Rs 22,52-54.
Ciclo de Elias (fim) – A morte de Acazias – Ascensão do profeta; Eliseu, o herdeiro do espírito de Elias: 2Rs 1 – 2.
Jorâm, rei de Israel: 2Rs 3,1-3.
Ciclo de Eliseu – Expedição contra Moab – Alguns milagres: o milagre do óleo; ressurreição do filho da shunamita; saneamento da sopa envenenada; multiplicação dos pães; cura do leproso Naaman; o ferro que flutua; um destacamento arameu afetado de cegueira – Segundo cerco de Samaria pelos arameus – Os bens da shunamita – Escolha de Hazael como rei de Aram: 2Rs 3,4 – 8,15. Iorâm e Acazias, reis de Judá: 2Rs 8,16-29.
Ciclo de Elizeu (continuação): unção real sobe Iehu; rei de Israel – A repressão ao baalismo: assassinato de Iorâm, de Acazias e de Izébel; exterminação da família real de Israel e dos irmãos de Acazías; exterminação de todos os servos de Baal: 2Rs 9,14 – 10,36.
Reino de Ataliá em Judá – O sacerdote Ioiadá escolhe Joás para rei de Judá: 2Rs 11
Restauração do Templo – Ameaça dos arameus a Jerusalém: 2Rs 12.
Joacaz e Joás, reis de Israel: 2Rs 13,1-13.
Ciclo de Elizeu (fim): morte do profeta, seguida de dois milagres: 2Rs 13,14-25.
Amasias, rei de Judá: 2Rs 14,1-22.
Jeroboão II, rei de Israel: 2Rs 14,23-29.
Azarias, rei de Judá: 2Rs 15,1-7.
Zacarias, Shalum, Menahêm, Peqahiá e Péqah. Reis de Israel: 2Rs 15,8-31.
Iotâm e Acaz, reis de Judá – Coalizão siro-efraimita; apela à Assíria: 2Rs 16.
Oséias, último rei de Israel – Tomada de Samaria e deportação – Reflexões sobre a causa da ruína do reino de Israel – Deportação de populações estrangeiras para Samaria; sincretismo religioso: 2Rs 17.

C. Do fim do reino de Israel ao fim do reino de Judá (2Rs 18-25).
Ezequias, rei de Judá – Invasão assíria e intervenção de Isaías: 2Rs 18 – 19.
Cura de Ezequias e embaixada babilônica; intervenções de Isaías: 2Rs 20.
Manassés e Amon, reis de Judá: 2Rs 21.
Josias, rei de Judá – Descoberta do livro da Lei – Reforma em Judá: 2Rs 22,1-23,30. Joacaz, Joaquim, Ioiakin, reis de Judá – Primeira deportação: 2Rs 23,31 – 24,17.
Sedecias, último rei de Judá – Ruína de Jerusalém e deportação: 2Rs 24,18 – 25,21.
Godolias, governador de Judá; seu assassinato; parte da população foge para o Egito: 2Rs 25,22-26. Ioiakin é agraciado: 2Rs 25,27-30.

Origem dos Livros dos Reis. Os livros dos Reis, atualmente, nos são apresentados sob a forma de dois livros bem distintos. Na realidade, porém, os manuscritos da Bíblia hebraica constituem uma única obra. A divisão em dois livros deve ser atribuída a escritores gregos do século III a.C. Esta divisão, que paulatinamente acabou por prevalecer, cortou em dois – e de modo pouco hábil – o reino de Acazias (iniciado em 1Rs 22,52-54 e terminado em 2Rs 1), bem como o “ciclo de Elias” (iniciado em 1Rs 17 e terminado em 2Rs 1).
Considerados em si mesmo, os Livros dos Reis não constituem uma unidade fechada, vale dizer, não foram concebidos independentemente de outros livros bíblicos. Já se emitiu a hipótese de que, primeiramente, fizessem parte de um conjunto histórico abrangendo os livros de Josué (talvez até mesmo o Deuteronômio), dos Juízes, de Samuel e dos Reis. Poder-se-ia até identificar um sinal dessa possibilidade no fato de 1Rs 1,1 – 2,11 ser a continuação imediata de 2Sm, que relatava o reino de Davi. Tal unidade é pressuposta para explicar a ulterior separação entre os dois livros (Sm e Rs).
A análise dos Livros dos Reis acima apresentada permite avaliar a diversidade de conteúdo desses livros, bem como as diferenciações entre os elementos que os compõem. O próprio autor menciona a utilização de elementos anteriores e cita algumas fontes às quais recorreu. Tal formação indica que a obra não nasceu de uma só feita, mas foi executado em diversas etapas. De fato, 1Rs 11,41; 14,19.29 etc. Falam respectivamente de um livro dos “Atos de Salomão”, de “Anais dos reis de Israel” e de “Anais dos reis de Judá”, que serviram de ponto de partida para a redação do texto que atualmente possuímos.
Mas os trechos que se referem a esses Atos ou a esses Anais representam tão somente uma parte de nossos livros. O autor, para sua obra, serviu-se ainda de outras fontes: parece, por exemplo, que teve conhecimento de arquivo provenientes do Templo (cf. 1Rs 4,1-6.7-19; 5,7-8). Em que proporções essas outras informações se constituíam em textos já escritos, ou será que provinham de meras tradições orais? A história da rainha de Shebá (1Rs 10,1-13) origina-se de uma tradição à parte. Os relatos concernentes ao rei Acab advêm de duas procedências muito diferentes: de um lado há textos que o condenam com o maior rigor, do outro, há textos que mostram como um rei valoroso (1Rs 22,9.35). O que nos foi relatado sobre o rei Josias (2Rs 22,1 23.30) provém talvez em parte de outra fonte que não os Anais oficiais.
Ao lado dos relatos concernentes aos reis, há outras passagens mais peculiarmente dedicadas aos profetas e que constituem reminiscências conservadas por seus discípulos. Tais relatos foram anexados aos que se referem aos reis, de um lado, porque pertencem à mesma época e, de outro, porque narram as intervenções desses profetas junto aos reis. Assim compreendida, a obra contêm os três grandes “ciclos” ou seqüências de relatos sobre os profetas Elias. Eliseu e Isaías, sem falar de trechos mais abreviados sobre Ahiá, Miquéias, filho de Iimla, ou a respeito de algum profeta que tenha permanecido no anonimato (1R 13; 2Rs 21,10-15).
Como foi possível reunir em um todo esses diferentes elementos? Abordar-se aqui um dos problemas mais difíceis da obra. É evidente que o autor que escreveu 2Rs 25,27-30 não é o mesmo que, falando na condição de contemporâneo dos acontecimentos relatados, descreveu a arca do Templo em 1Rs 8,7, ou narrou os fatos de 1Rs 9,21: deveria ter vivido mais de quatrocentos anos! A quem atribuir, então, a composição de Reis? Aventam-se várias hipóteses; a que aqui se propõe reúne a aprovação de grande número de exegetas.
Com os livros de Josué (alguns sábios incluiriam até mesmo o Deuteronômio), dos Juízes e de Samuel, os Livros dos Reis constituiriam uma só e mesma obra.
Um primeiro redator teria composto os capítulos que abrangem de 1Rs 12 a 2Rs 20. Para essa elaboração, ter-se-ia baseado, de um lado, em uma cronologia dos reis de Judá e de Israel, e de outro lado, em textos de que faziam parte, em todo caso, os Atos de Salomão e os Anais dos Reis de Judá e de Israel. Provavelmente, utilizou também elementos da tradição oral, sem falar do que lhe tenha sido possível descrever como testemunha, pois ele parece ter presenciado a ruína de Jerusalém em 587 a.C. Pensou-se até que esse autor fosse um sacerdote que teria escrito por volta de 580 a.C. na própria Palestina.
Ainda na própria Palestina, uma geração mais tarde, em 550 a.C., aproximadamente, e antes do regresso dos exilados de Babilônia, um segundo redator teria retomado o trabalho de seu antecessor, completando-o com outros relatos e tradições de que dispunha. Assim, as lembranças que encontrara sobre Davi e a história de sua sucessão (as passagens de 2Sm que têm sua seqüência em 1Rs 1,1-2.11) e textos sobre o cerco de Jerusalém (2Rs 18 – 19, paralelos a Is 36 – 39). Em sua obra teria também introduzido o que a tradição narrava sobre a visita da rainha de Shebá. Em vista da importância que os profetas e a Lei de Moisés desempenham em sua obra (que abrange de Js a 2Rs), chegou-se a pensar que esse segundo redator fosse oriundo do âmbito dos profetas e que, talvez, ele pessoalmente fosse um discípulo do profeta Jeremias.
Finalmente, por volta do final do século VI a.C., alguns acréscimos menores teriam sido incorporados ao livro, por escribas provenientes do âmbito dos levitas.

A cronologia dos Livros dos Reis. A cronologia dos Livros dos Reis apresenta problemas intrincados. Só foi possível determina-la, partindo-se de uns raros pontos de referência que estabeleciam um contato seguro entre a História de Israel e a do Oriente Próximo. Alguns textos egípcios, os Anais e os documentos provenientes dos reis da Assiro-Babilônia foram especialmente valiosos para indicar com precisão a data de alguns acontecimentos.
Excetuando-se esses pontos fixos, os dados fornecidos pelos Livros dos Reis são muitas vezes difíceis de interpretar. Em primeiro lugar, as datas dos reinos de Judá são contadas com base nos reinados dos reis de Israel, e vice-versa, o que acarreta sempre certo número de imprecisões. Além disso, alguns erros de copistas (interversões ou confusões de números) introduziram aqui e ali certa desordem cronológica. Mais ainda, se sabemos com precisão que Salomão (1Rs 1) e Iotâm (2Rs 15,5) foram um e outro co-regentes de seus pais, podemos admitir que também tenham existido outros casos de co-regência, provocando assim certas defasagens de difícil avaliação, quando se trata de fixar uma escola cronológica para os diferentes reinos.
Descobriu-se, enfim, que não existe, para os Livros dos Reis, apenas uma ordem cronológica, mas diversos sistemas cronológicos, que se atropelam uns aos outros e cujas origens remontam às próprias fontes desses livros. Obtêm-se, assim, três resultados diferentes, conforme o critério adotado: para determinado período, somar-se ou os dados bíblicos concernentes aos reinos de Judá, ou ao reino de Israel, ou os dados fornecidos pelos sincronismos. Por exemplo, para o período que estende do cisma até o término do reino de Acab (933-853), isto é, 80 anos de cronologia tal como a reconstituímos, o total dos reinos é de 84 anos para Judá, de 78 anos para o reino do Norte e, para os dados conseguidos pelos sincronismos, de 75 anos.
A cronologia aqui utilizada tenta levar em conta as mais recentes descobertas arqueológicas.

Teologia dos Livros dos Reis. Estes livros são, primordialmente, uma reflexão teológica sobre a história do povo e dos reis. A história como tal são às vezes tratadas de maneira muito sucinta: por exemplo, o reino de Omri, um dos grandes reis de Israel, é narrado com extrema superficialidade (1Rs 16,23-26); o cerco de Samaria, que se estendeu por três anos, e o desmoronamento do reino do Norte são resumidos em poucos versículos (2Rs 17,3-6; 18,9-12). Como se viu acima, os Livros dos Reis fazem realmente parte de uma grande obra histórica impregnada pela teologia deuteronomista (e, mediante esta, pela teologia dos profetas), como podem revelar seu vocabulário e a multiplicidade de expressões deuteronomistas (quanto à teologia do Deuteronômio, veja-se a Introdução a esse livro). Apenas alguns temas particulares importantes dos Livros dos Reis são aqui ressaltados.

A) A realeza. A obra contém toda uma teologia da realeza, tal como a concebiam o autor deuteronomista e o profetismo. Um verdadeiro rei é aquele que guarda os preceitos de YHWH… (O ETERNO) anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, suas normas e exigências, conforme está escrito na Lei de Moisés (1Rs 2,3). A função real consiste em governar o povo com sabedoria e justiça, inclusive em “servi-lo” (1Rs 12,7), pois esse povo é propriedade de Yaohu (cf. 1Rs 3,8-9). A fidelidade ao ETERNO e a dedicação em celebrar-lhe corretamente o culto em Jerusalém constituem exigências imperiosas, e para cada reinado é feito uma rápida avaliação a esse respeito. Ora, raros são os reis que recebem aprovação! Em sua grande maioria são julgados severamente. Trinta e quatro vezes ressoa o refrão: Ele fez o mal aos olhos do ETERNO. E não faltarão exemplos, Múltiplos são, com efeito, as infidelidades ao ETERNO: cultos idólatras, construção de templos e altares dedicados a falsos deuses, consulta a deuses estrangeiros, opressões e violências de toda sorte contra o povo, perseguições aos profetas do ETERNO, guerras empreendidas sem a aprovação de Yaohu, sacrifícios de crianças.
Uma das grandes acusações que o autor lança contra os reis (principalmente contra os do reino do Norte), é a de terem levado Israel a pecar, isto é, de o terem arrastado às celebrações contrárias à Lei. Conquanto alguns reis se tenham arrependido e se tenham considerado perdoados, o quadro é tão sombrio que a ruína dos reinos de Israel e, depois de Judá é vista como a conseqüência justa e necessária dos pecados cometidos pelos reis e dos que eles induziram seus súditos a cometer.

B) Davi e sua dinastia. Acima da série dos reis de Judá paira a figura do fundador da dinastia, Davi, chamado por vezes o “servo” de Yaohu (p. ex. 1Rs 3,6; 8,24; 11,13). Sua fidelidade ao ETERNO, sua piedade – idealizada – vão servir de parâmetro para que se avalie o procedimento de seus sucessores. Assim é que Salomão caminha segundo as prescrições de Davi, seu pai (1Rs 3,3) ou que Asa fez o que é reto aos olhos do ETERNO, como Davi, seu pai (1Rs 15,11). Ou que Josias seguiu exatamente o caminho de seu pai Davi (2Rs 22,2). Em 13,2, dir-se-á explicitamente que é na condição de filho de Davi que esse Josias porá termos à impiedade de Israel. Mas tal certificado de conformidade a Davi é conferido muito parcimoniosamente; o profeta Ahiá, ao contrário, especifica que Jeroboão não foi como Davi (1Rs 14,8).
Para o autor dos Reis, a desobediência dos sucessores de Davi foi à coisa direta tanto do cisma entre os reinos de Israel e de Judá (1Rs 11,9-11), como da ruína deste último (cf. 2Rs 23,26s). Todavia, apesar da ameaça contida em 1Rs 2,4: se teus filhos procederem bem… Jamais algum dos teus descendentes deixará de ocupar o trono de Israel (cf. 2Sm 7,12-16), esse autor vê perpetuar-se a promessa do ETERNO à dinastia davídica. Yaohu conserva “uma lâmpada” (um príncipe da dinastia) em Jerusalém “por causa de Davi” e da promessa que lhe fizera (1Rs 15,11; 2Rs 8,19).
Enfim, os Livros dos Reis terminam com uma mensagem de esperança: o último descendente da dinastia davídica, apesar de deportado para a Caldéia, vê sua situação transformar-se. O rei de Babilônia manda-o “trocar suas vestes de prisioneiro” e concede-lhe a graça de comer todos os dias à mesa real.

C) Jerusalém e o Templo. Profundamente imbuídos do pensamento deuteronomista, os Livros dos Reis atribuem importância considerável a Jerusalém e ao culto celebrado no Templo. Acima de tudo, Jerusalém é a cidade “escolhida” por Yaohu (1Rs 8,12). Em seguida, é a cidade do Templo, e 1Rs 8,15-19 recorda que esse Templo tem como origem o desejo de Davi de construir uma Casa “PARA O NOME DO: ETERNO – YAOHU-UL (cf. 2Sm 7,1-16)”. A importância do santuário é claramente definida na oração de Salomão (1Rs 8,23-53), por ocasião da dedicação do Templo: este é na verdade o lugar do “encontro” (cf. a Tenda do Encontro, Êx 33,7) de Israel com seu Deus Yaohu em todas as circunstâncias da vida nacional. Também o relato da reforma de Josias (2Rs 22 – 23) é dominado pelo Templo: no Templo se encontra o rolo da Lei, é em primeiro lugar o Templo que é purificado, e é o Templo que, doravante, deverá centralizar toda a vida sacrifical de Israel. Essa reforma marcou a tal ponto o autor bíblico que ele mencionará como que se desculpando a antiga prática de oferecer sacrifício fora de Jerusalém (1Rs 3,2; 22,44; 2Rs 12,4; 14,4; 15,4.35), conquanto, historicamente falando, o fato fosse perfeitamente legítimo (cf. Elias no Carmelo, 1Rs 18).
Graças à importância central atribuída ao Templo, os sacerdotes desempenhavam uma função preponderante na celebração do culto. Segundo a reforma de Josias, somente aos sacerdotes, e especificamente os de origem levítica, será reservado o direito de oferecer sacrifícios. 1Rs 8,1-6 já evoca o papel que desempenharam por ocasião da dedicação do Templo de Salomão. Enfim, aos sacerdotes é atribuído à preservação da dinastia davídica no momento em que Ataliá tentava extingui-la (2Rs 11). O autor chega a enfatizar que Joás fez o que é reto aos olhos do ETERNO porque o sacerdote Ioiadá o educara (2Rs 12,3). E já fora um sacerdote que ungira Salomão (1Rs 1,39).
Em face da ordenação rigorosa de um culto centralizado em Jerusalém e dirigido por sacerdotes levitas, o autor dos Livros dos Reis manifesta total desaprovação à iniciativa tomada por Jeroboão de organizar o culto em outros santuários, como em Dan e em Betel. Seria esse o “pecado de Jeroboão” ou o “caminho de Jeroboão” (expressões que se repetem umas vinte vezes) e que ele condena radicalmente, como vinte vezes ainda acusará o mesmo rei de ter “levado Israel a pecar”, e seus sucessores, de o terem imitado. Para o autor, a desobediência à ordem de não oferecer sacrifícios senão em Jerusalém é tão grave que bastaria tão somente essa inobservância para acarretar um julgamento global de condenação para o reinado de um rei, mesmo que este, em outras situações, houvesse testemunhado sua fidelidade ao ETERNO, derrubando os altares de Baal (cf. 2Rs 3,1-3). Tais práticas cismáticas serão deploradas ainda após a ruína de Samaria (2Rs 17,32).
[Imagine o termo: houvesse testemunhado sua fidelidade ao Senhor, derrubando os altares de Baal, ou seja: O “Senhor” – derrubando os altares do “Senhor – Baal” RIDÍCULO!]. ANSELMO ESTEVAN. Por isso, mudei o termo SENHOR = Baal. Para o correto “UL” = ETERNO.

D). O profetismo. Nos Livros dos Reis, lugar de destaque é reservado aos profetas e às suas intervenções, quer em atos, quer em palavras. Não apenas Elias e Eliseu deram origem a tradições muito extensas, mas também outros profetas se vêem revestidos de grande autoridade: Natan, Shemaiá, Ahiá, Miquéias, Isaías, a profetisa Huldá. Ao lado dos milagres que lhes são atribuídos (principalmente a Elias e a Eliseu), a ação política que desenvolveu é considerada essencial. Assim, é Natan quem induz Davi a escolher Salomão como seu sucessor (1Rs 1,11-17), é Elias quem recebe a missão de ungir Hazael como rei de Arâm e Iehu como rei de Israel (1Rs 19,15s.; cf 2Rs 9,1-3; 8,11-13). São os profetas que destroem reis e dinastias, pronunciando sobre os mesmos oráculos mortais: assim procedeu Ahiá com Jeroboão (1Rs 14,10-11). Elias com Acab (1Rs 21,21-24). Em outra passagem, Isaías prediz a vitória do rei da Babilônia (2Rs 20,14-19). Em outras circunstâncias, porém, são eles que anunciam a vitória dos reis de Israel sobre seus inimigos (Eliseu: 2Rs 7,1; 13,17-19; Isaías: 2Rs 19), ou que intervêm por ocasião das operações militares (um profeta anônimo: 1Rs 20,13-14; Miquéias: 1Rs 22,19-28; Eliseu: 2Rs 3,9-19; 6,8 –7,20). No relato da ruptura entre Israel e Judá, aparece um profeta com o objetivo de impedir uma guerra civil (Shemaiá: 1Rs 12,22-24). Enfim, Elias intervém junto a Acab para acusa-lo de ter violado – e de que maneira – o direito ancestral de propriedade (1Rs 21,3-17s.).
Em todas essas situações, os profetas falam em nome do ETERNO, proclamando seus apelos à obediência e suas promessas de proteção. É evidente a intenção que os move: fazer respeitar a Lei e o direito em Israel, como é possível observar ainda no papel que desempenha a profetisa Huldá por ocasião da descoberta do texto legislativo que irá acarretar a reforma de Josias (2Rs 22,14-20). Os profetas também atuam tanto no terreno religioso como no da moral ou da política, pois tudo deve ser submetido ao único “rei” de Israel (Is 6,5; 44,6; Zc 14,16; cf. Introdução aos Salmos: os cânticos do “Reino”).

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE 1 e 2 REIS:

(1Rs).

BATE-SEBA
Pontos fortes e êxitos:
Tornou-se influente no palácio ao lado de seu filho Salomão.
Era a mãe do mais sábio de Israel e ancestral do Messias – o Cristo.

Fraquezas e erros:
Cometeu adultério.

Lições de vida:
Embora possamos nos sentir presos em uma cadeia de eventos, ainda somos responsáveis pelo modo como participamos deles.
Um pecado pode parecer uma semente pequena, mas a colheita de conseqüências será além da medida.
Nas piores situações possíveis, Yaohu ainda é capaz de realizar o bem, quando as pessoas verdadeiramente se voltam para Ele.
Embora devamos viver com as conseqüências naturais de nossos pecados, o perdão de Yaohu é total.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupações: Rainha e rainha-mãe.
Familiares: Pai – Eliã; marido – Urias e Davi, filhos – Siméia, Sobabe, Natã e Salomão (1Cr 3,5).
Contemporâneos: Natã, Joabae e Adonias.

Versículos-chave: “Ouvindo, pois, a mulher de Urias que Urias, seu marido, era morto, lamentou a seu Senhor – Davi. E, passando o luto, enviou Davi e a recolheu em sua casa; e lhe foi por mulher e ela lhe deu um filho. Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do ETERNO” (2 Sm 11,26.27).

Sua história encontra-se em 2 Samuel 11 – 12 e 1 Reis 1 – 2. O Salmo 51 é uma passagem relacionada à vida de Davi e Bate-Seba.

SALOMÃO
Pontos fortes e êxitos:
Terceiro rei de Israel, herdeiro escolhido de Davi.
O homem mais sábio que já viveu em Israel, com exceção do Messias – o Cristo, o filho de Yaohu.
Autor de Eclesiastes e Cantares, como também de muitos provérbios e alguns salmos.
Construiu o Templo de Deus – Yaohu em Jerusalém.
Diplomata, comerciante, colecionador e patrono das artes.

Fraquezas e erros:
Selou muitos acordos estrangeiros ao casar-se com mulheres pagãs.
Permitiu que suas esposas afetassem sua lealdade a Yaohu.
Tributou excessivamente seu povo e o recrutou para o trabalho e o serviço militar.

Lições de vida:
Uma liderança eficaz pode ser invalidada por uma vida pessoal ineficaz.
Salomão falhou em obedecer a Yaohu, mas não aprendeu a lição do arrependimento até o final de sua vida.
Saber quais ações são exigidas de nós significará pouco, caso não tenhamos vontade de realizá-las.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Israel.
Familiares: Pai – Davi, mãe – Bate-Seba; irmãos – Absalão, Adonias, etc.; irmã – Tamar; filhos – Roboão, etc.

Versículo-chave: “Porventura, não pecou nosso Salomão rei de Israel, não havendo entre muitas nações rei semelhante a ele. E sendo amado de seu Deus Yaohu, e pondo-o Deus – Yaohu, rei sobre todo o Israel? E, contudo, as mulheres estranhas o fizeram pecar” (Ne 13,26).

A história de Salomão encontra-se em 2 Samuel 12,24 até 1 Reis 11,43. Seu nome também é mencionado em 1 Crônicas 28 e 29; 2 Crônicas 1 – 10; Neemias 13,26; Salmos 72; Mateus 6,29 e 12,42.
JEROBOÃO
Pontos fortes e êxitos:
Um eficiente líder e organizador.
Primeiro rei das dez tribos de Israel no reino dividido.
Um líder carismático com muito apoio popular.

Fraquezas e erros:
Erigiu altares em Israel para manter o povo longe do Templo em Jerusalém.
Designou sacerdotes que não eram da tribo de Levi.
Dependeu mais de sua própria habilidade do que das promessas de Yaohu.

Lições de vida:
Grandes oportunidades são freqüentemente destruídas por pequenas decisões.
Os esforços imprudentes para corrigir os erros de outros levam freqüentemente aos mesmos erros.
Os erros sempre acontecem quando tentamos assumir o papel de Deus-Yaohu em qualquer situação.

Informações essenciais:
Local: Reino do Norte.
Ocupação: Encarregado de projeto e rei de Israel.
Familiares: Pai – Nebate; mão – Zerua; filha – Abias e Nadabe.
Contemporâneos: Salomão, Natã; Aías e Roboão.

Versículos-chave: “Depois dessas coisas, Jeroboão não deixou o seu mau caminho, antes, dos mais baixos do povo tornou a fazer sacerdotes dos lugares altos, a quem queria, lhe enchia a mão, e assim era um dos sacerdotes dos lugares altos. E isso foi causa de pecado à casa de Jeroboão, para destruí-la e extingui-la da terra” (1Rs 13,33.34).

A história de Jeroboão encontra-se em 1 Reis 11,26 – 14,20. Ele é também mencionado em 2 Crônicas 10 – 13.

ELIAS
Pontos fortes e êxitos:
Foi o mais famoso e dramático dos profetas de Israel.
Predisse o início e o fim de uma seca de três anos e meio.
Foi usado por Yaohu para ressuscitar uma criança.
Representou Yaohu em uma demonstração contra os sacerdotes de Baal e Asera.
Apareceu com Moisés e o Messias – Cristo no episódio da transfiguração no Novo Testamento.

Fraquezas e erros:
Escolheu trabalhar sozinho e pagou por isso com o isolamento e a solidão.
Fugiu com medo de Jezabel quando esta ameaçou sua vida.

Lições de vida:
Nunca estamos mais próximos da derrota do que nos momentos de maior vitória.
Nunca estamos tão sós quanto podemos pensar ou nos sentir, Yaohu está sempre presente em nossa vida.
Yaohu fala mais freqüentemente com sussurros persistentes do que com gritos.

Informações essenciais:
Local: Gileade.
Ocupação: Profeta.
Contemporâneos: Acabe, Jezabel, Acazias, Obadias, Jeú e Hazael.

Versículos-chave: “Sucedeu, pois, que oferecendo-se a oferta de manjares, o profeta Elias se chegou e disse: O ETERNO, Deus-Yaohu de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra fiz todas estas coisas. Reponde-me, ETERNO, responde-me, para que este povo conheça que tu, ETERNO, és Deus – Yaohu e que tu fizeste tornar o seu coração para trás. Então, caiu fogo do ETERNO, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego” (1Rs 18,36-38).

A história de Elias encontra-se em 1Reis 17,1 até 2 Reis 2,11. Ele também é mencionado em 2 Crônicas 21,12-15; Malaquias 4,5.6; Mateus 11,14; 16,14; 17,3-13; 27,47-49; Lucas 1,17; 4,25.26; João 1,19-25; Romanos 11,2-4; Tiago 5,17.18.

ACABE
Pontos fortes e êxitos:
Oitavo rei de Israel.
Um líder e estrategista militar de grande capacidade.

Fraquezas e erros:
Foi o rei mais ímpio de Israel.
Casou-se com Jezabel, mulher pagã, e permitiu que esta promovesse a adoração a BAAL.
Remoeu-se por não ter conseguido um pedaço de terra. Então sua esposa mandou matar o proprietário da vinha, Nabote.
Estava acostumada a fazer a própria vontade e ficava deprimido quando isso não acontecia.

Lições de vida:
A escolha de um cônjuge terá um efeito significativo na vida – física, espiritual e emocionalmente.
O egoísmo, se não for reprimido, pode levar a um grande mal.

Informações essenciais:
Local: Reino do Norte de Israel.
Ocupação: Rei.
Familiares; Esposa – Jezabel; pai – Onri; filhos – Acazias, Jorão, etc.
Contemporâneos: Elias, Nabote, Jeú, Bem-Hadade e Josafá.

Versículos-chave: “E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do ETERNO, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao ETERNO, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele” (1Rs 16,30-33).

A história de Acabe encontra-se em 1 Reis 16,28 – 22,40. Ele também é mencionado em 2 Crônicas 18 – 22 e Miquèias 6,16.

JEZABEL
Fraquezas e erros:
Eliminou sistematicamente os representantes de Deus Yaohu em Israel.
Promoveu e patrocinou a adoração a Baal.
Ameaçou matar Elias.
Acreditava que reis e rainhas podiam legalmente fazer ou ter qualquer coisa que desejassem.
Usou suas fortes convicções para fazer a sua própria vontade.

Lições de vida:
Não é suficiente estar comprometido ou ser sincero. A questão sobre onde reside o nosso comprometimento faz uma grande diferença.
Rejeitar a Yaohu sempre conduz ao desastre.

Informações essenciais:
Locais: Sidon e Samaria.
Ocupação: Rainha de Israel.
Familiares: Marido – Acabe; pai – Etbaal; filhos – Jorão, Acazias, etc.
Contemporâneos: Elias e Jeú.

Versículo-chave: “Porém ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do ETERNO, porque Jezabel, sua mulher, o incitava” (1Rs 21,25).

A história de Jezabel encontra-se em 1 Reis 16,31 a 2 Reis 9,37. Seu nome é usado como um sinônimo para a grande iniqüidade em Apocalipse 2,20.

(2Rs).

ELISEU
Pontos fortes e êxitos:
Foi sucessor de Elias como profeta de Deus Yaohu.
Teve um ministério que durou mais de 50 anos.
Teve um grande impacto sobre quatro nações: Israel, Judá, Moabe e Síria.
Foi um homem integro que não tentou enriquecer-se à custa dos outros.
Fez muitos milagres para ajudar aqueles que estavam sofrendo necessidades.

Lições de vida:
Aos olhos de Deus Yaohu, uma medida de grandeza é a disposição para servir aos pobres como também aos poderosos.
Um substituto eficaz não só aprende com o seu mestre; também constrói sobre as realizações de seu mestre.

Informações essenciais:
Local: Reino do Norte.
Ocupações: Lavrador e profeta.
Familiares: Pai – Safate.
Contemporâneos: Elias, Acabe, Jezabel e Jeú.

Versículo-chave: “Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pedi-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2Rs 2,9).

A história de Eliseu encontra-se em 1 Reis 19,16 – 2 Reis 13,20. Ele também é mencionado em Lucas 4,27.

JEÚ
Pontos fortes e êxitos:
Tomou o trono da família de Acabe e destruiu sua má influência.
Fundou a mais longa dinastia do Reino do Norte.
Foi ungido por Elias e confirmado por Eliseu.
Destruiu a adoração a Baal.

Fraquezas e erros:
Teve uma perspectiva negligente em relação à vida, e isto o tornou ousado e propenso ao erro.
Adorou os bezerros de ouro de Jeroboão.
Foi dedicado a Yaohu somente até o ponto em que a obediência serviu para seus próprios interesses.

Lições de vida:
O forte comprometimento precisa de controle porque pode resultar em imprudência.
A obediência envolve tanto a ação quanto a direção.

Informações essenciais:
Local: O Reino do Norte de Israel.
Ocupações: Chefe do exército de Jorão, rei de Israel.
Familiares: Avô – Ninsi; pai – Josafá; filho – Jeoacaz.
Contemporâneos: Elias, Eliseu, Acabe, Jezabel, Jorão e Acazias.

Versículo-chave: “Mas Jeú não teve cuidado de andar com todo o seu coração na lei do ETERNO, Deus de Israel, nem se apartou dos pecados de Jeroboão, que fez pecar a Israel” (2Rs 10,31).

A história de Jeú encontra-se em 1 Reis 19,16 – 2 Reis 10,36. Ele também é mencionado em 2 Reis 15,12; 2 Crônicas 22,7-9; Oséias 1,4.5.

EZEQUIAS
Pontos fortes e êxitos:
Foi o rei de Judá que instigou reformas civis e religiosas.
Teve um relacionamento pessoal crescente com Yaohu.
Desenvolveu uma poderosa vida de oração.
Mencionado como o patrono de vários capítulos do livro de Provérbios (Pv 25,1).

Fraquezas e erros:
Mostrou pouco interesse ou sabedoria em relação a planejar para o futuro e a proteger a herança espiritual que desfrutou em beneficio das futuras gerações.
Imprudentemente mostrou toda a sua riqueza aos mensageiros da Babilônia.

Lições de vida:
As reformas de limpeza têm vida curta quando poucas atitudes são tomadas para preserva-las para o futuro.
A obediência a Yaohu no passado não remove a possibilidade de desobediência no presente.
A completa dependência de Yaohu produz resultados surpreendentes.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Foi o 13º rei de Judá, o Reino do Sul.
Familiares: Pai – Acaz; mãe – Abia; filho – Manassés.
Contemporâneos: Isaías, Oséias, Miquéias e Senaqueribe.

Versículos-chave: “No ETERNO, Deus de Israel, confiou, de maneira que, depois dele, não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele. Porque se chegou ao ETERNO, não se apartou de após ele e guardou os mandamentos que o ETERNO tinha dado a Moisés” (2Rs 18,5.6).

A história de Ezequias encontra-se em 2 Reis 16,20 – 20,21; 2 Crônicas 28,27 – 32,33; Isaías 36,1 – 39,8. Ele também é mencionado em Provérbios 25,1; Isaías 1,1; Jeremias 15,4; 26,18.19; Oséias 1,1; Miquéias 1,1.

JOSIAS
Pontos fortes e êxitos:
Foi rei de Judá.
Buscou a Yaohu e se mostrou verdadeiramente aberto a Ele.
Foi um reformador como seu bisavô Ezequias.
Limpou totalmente o templo e reavivou a obediência à lei de Yaohu.

Fraquezas e erros:
Envolveu-se em um conflito militar contra o qual fora advertido.

Lições de vida:
Yaohu responde constantemente àqueles que têm corações arrependidos e humildes.
Até mesmo as reformas de limpeza exterior têm pouco valor duradouro se não houver mudança na vida das pessoas.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Foi o 16º rei de Judá, o Reino do Sul.
Familiares: Pai – Amom; mãe – Jedida; filho – Jeoacaz,
Contemporâneos: Jeremias, Hulda, Hilquias e Sofonias.

Versículo-chave: “E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao ETERNO com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal” (2Rs 23,25).

A história de Josias encontra-se em 2 Reis 21,24 – 23,30; 2 Crônicas 33,25 – 35,27. Ele também é mencionado em Jeremias 1,1-3; 22,11.18.
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

CRÔNICAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Orientar a restauração do reino depois do exílio, enfatizando especialmente a unidade de Israel, o rei, o templo e as bênçãos e maldições imediatas.
Data: c. 520-400 a.C.
Verdades fundamentais:
O povo de Yaohu tem nos reinos unidos de Davi e Salomão o modelo sobre como buscar as bênçãos divinas.
O destino de cada geração de Israel era determinado pela sua fidelidade aos ideais de Yaohu quanto à monarquia, ao templo e à unidade do seu povo.
As gerações futuras do povo de Yaohu devem aprender, por meio da história de Israel, as prioridades e os padrões de fidelidade esperados delas.

Propósito e características
A princípio, o livro de Crônicas não possuía um título. Seu nome hebraico tradicional pode ser traduzido como “os anais (acontecimentos do dias [tempos])”. Essa expressão aparece com freqüência no livro de Reis com certas especificações (p. ex., 1Rs 14,29). Também ocorre dessa maneira em outras passagens, porém sem especificações (Ne 12,23; Et 2,23; 6,1). Alguns textos da Septuaginta (a tradução grega do AT) se referem a Crônicas como “as coisas omitidas”; isto é, um complemento da história de Samuel e Reis. Jerônimo (e Lutero; segundo o seu exemplo) chamou o livro de “a crônica de toda a história sagrada”. Nosso título moderno tem origem nessa tradição.

CRISTO EM 1 e 2 CRÔNICAS.
Ao se concentrar no seu interesse pelo povo de Yaohu, pelo rei e pelo templo, bem como pela bênção e pelo julgamento divino, o cronista redigiu a sua história visando estimular a esperança de Israel na vinda do Messias. Seu foco imediato é a restauração da comunidade pós-exílio, mas o Novo Testamento revela que o Ideal do reino restaurado expressado pelo cronista se cumpriu em Cristo.
A esperança do cronista para o povo de Yaohu se realizou em Cristo. Aqueles que seguem a Cristo são os herdeiros das promessas feitas a Israel (Gl 3,14.29; 4,28; Ef 2,11-22; 3,6), como também o eram os fiéis da comunidade pós-exílio. A igreja de Cristo se estende além de Israel de modo a incluir os gentios (Lc 2,32; At 9,15; 11,1.18). Na volta de Cristo, todos os eleitos serão reunidos sob a Eternidade de Cristo (Ef 2,11-22).
O interesse do cronista pela restauração do trono de Davi também se cumpriu em Cristo. Ele é o Filho de Davi, o herdeiro legítimo do trono davídico (Lc 1,32; Rm 1,3; Ap 22,16). O SALVADOR cumpriu todos os requisitos de obediência impostos à linhagem de Davi (Rm 5,19; Fp 2,8; Hb 5,7-10). Na ressurreição, Cristo se assentou no seu trono celestial (At 2,33-35; Ef 1,20-23; Fp 2,9; Ap 3,21). Ele conduz o seu povo à bênção e à vitória (Rm 8,37; Ef 4,7-13) e reinará até que todos os seus inimigos tenham sido derrotados (1Co 15,24-26).
A ênfase do cronista sobre o templo também se cumpriu em Cristo. Ele se entregou na cruz como expiação perfeita pelo pecado (Hb 9,11-28; 1Pe 3,18a; 1Jo 2,2), e intercede pelo seu povo no átrio celestial de Yaohu (Hb 3,1; 4,14-16; 6,20; 7,16; 8,1). Quando Cristo voltar, levará todo o seu povo à presença santa de Yaohu (Jo 14,1-4; 1Ts 4,16-17).
O enfoque do cronista sobre a bênção e o julgamento divino também antevê a obra de Cristo. O SALVADOR advertiu a sua Igreja acerca da necessidade de fidelidade a Yaohu (Mt 5,17-20). Ele sofreu a morte na cruz para que o seu povo pudesse ser livrado do julgamento (Rm 3,21-26). Ele lhes concede nova vida para que tenham certeza da recompensa da bênção eterna (Jo 3,16; 2Pe 3,13; 1Jo 2,25).
O cronista escreveu para encorajar seus leitores pós-exílio a renovarem o reino em sua época. No entanto, a sua história também aponta para o futuro, para o início do reino da primeira vinda de Cristo e sua consumação gloriosa quando ele voltar.

CRÔNICAS: Os dois livros de Crônicas trazem, na Bíblia hebraica, um título que se poderia traduzir por Palavras (ou Atos) dos dias, isto é: livro dos atos diários referentes a uma história ou ainda, segundo São Jerônimo: Crônicas de toda a história divina, nome que se perpetuaria sob a forma de livros das Crônicas. Segundo a tradução grega, o nome, longamente conservado na tradição da Igreja, foi: Paralipômenos, palavra grega que significa: coisas deixadas de lado, ou ainda: coisas transmitidas à parte, termo aplicável ao conteúdo destes livros, considerados como complementos aos livros de Samuel e dos Reis. Com efeito, veremos que os relatos dos livros das Crônicas retomam em grande parte os relatos dos livros de Samuel e dos Reis, com outros elementos complementares, numa perspectiva histórica e teológica diferente.
A divisão em dois livros é artificial, visto que não existe corte entre eles. Em sua origem, constituem um único livro, da mesma forma que os dois livros de Esdras e de Neemias. Aliás, este conjunto Crônicas-Esdras-Neemias forma um todo, como mostram os últimos versículos das Crônicas (2Cr 36,22-23), reproduzidos textualmente nos primeiros versículos de Esdras (1,1-3). Em conseqüência de circunstâncias desconhecidas, o lugar desses livros foi modificado no cânon da Bíblia hebraica, no qual as Crônicas são os últimos da coletânea, depois de Esdras-Neemias, quando na realidade deveriam precede-los. É possível que os livros das Crônicas tenham sido recebidos no cânon judaico depois de Esdras-Neemias, porque repetiam Samuel-Reis. A ordem lógica foi restabelecida nas versões antigas e com freqüência também nas traduções modernas.

Plano. Os livros das Crônicas constituem um vasto panorama histórico que remonta à criação da humanidade e que se prolonga até o séc. V a.C., depois da volta do exílio da Babilônia. É a mais longa seqüência historiográfica da Bíblia, dado que o relato histórico contido nos livros que vão do Deuteronômio ao final dos livros dos Reis (freqüentemente chamado: história deuteronomista) só cobre o período cujo ponto de partida é a conquista de Canaã, e o ponto de chegada, o exílio de Babilônia.
O conteúdo desta história é dividido em quatro seções:
1) 1Cr 1 – 9: Listas genealógicas desde Adão até David, passando pelas 12 tribos de Israel. Algumas destas listas se prolongam até depois da época de David.
2) 1Cr 10 – 29: Reinado de David, desde a morte de Saul até a morte de David.
3) 2Cr 1 – 9: Reinado de Salomão.
4) 2Cr 10 – 36: História do reino de Judá, desde a morte de Salomão até o exílio da Babilônia, pouco antes da época do retorno a Jerusalém. A continuação deste relato, referente ao retorno e à restauração do judaísmo depois do Exílio, encontra-se nos livros de Esdras e Neemias.

Autor e data. Geralmente atribui-se o conjunto Crônicas-Esdras-Neemias a um mesmo autor, cujo nome é desconhecido e que é chamado o Cronista. A opinião que vê nesses livros a obra de vários autores não é seguida, e as diferenças que aparecem na composição das várias partes desta obra explicam-se naturalmente pela maneira como o autor utiliza os elementos diversificados que lhe serviram de fontes.
A data da redação final da obra é delimitada pelos acontecimentos que aí se narram. A atividade de Esdras e Neemias situa-se essencialmente no séc. IV a.C. (ver a Introdução aos livros de Esdras e Neemias). Por isso não é possível fazer a redação remontar a uma época anterior a meados do séc. IV, ou seja, 350-330 a.C.
Por outro lado, não parece que se possa descer a uma época muito posterior da história do judaísmo, como seja o período em que os judeus conheceram as provas da perseguição e da guerra, sob os Macabeus, no século II a.C. Parece mais indicado situar a obra do Cronista no período relativamente calmo e tranqüilo que precede o tempo das provações, ou seja, entre 330 e 250 a.C. Ainda que existam algumas adições redacionais de data ulterior à obra do Cronista, parece difícil atribuir ao conjunto dos livros uma data mais recente do que 200 a.C., embora nenhum indício preciso permita chegar com certeza a uma conclusão mais satisfatória.

Composição e método de redação. Se ignoramos o autor das Crônicas e a data precisa da conclusão de sua obra, conhecemos bem a maneira pela qual ele realizou seu trabalho de redação e de composição literária. Este é o único livro do Antigo Testamento que mostra claramente a maneira pela qual foi composto.
Na realidade, o autor não redigiu um relato que lhe tivesse sido inspirado por seus conhecimentos da história antiga do seu povo. Ele reproduz fielmente certo número de documentos que tem diante de si, reordenando-os às vezes em função do objetivo de sua obra e modificando-os de acordo com outros documentos que conhece ou de acordo com a idéia que tinha da história e de seu significado. Além disso, toma o cuidado – o que era raro em sua época – de citar suas fontes, dando-nos assim informações preciosas, ainda que incompletas e por vezes difíceis de precisar.
Ele menciona:
– O livro dos reis de Judá e de Israel (2Cr 16,11).
– O livro dos reis de Israel (1Cr 9,1).
– Os atos dos reis de Israel (2Cr 33,18).
– O comentário (ou midrash) ao livro dos Reis (2Cr 24,27).
– Os anais do rei David (1Cr 27,24).
– As palavras (ou atos) do vidente Samuel (1Cr 29,29), do profeta Natan (1Cr 29,29), do vidente Gad (1Cr 29,29), do profeta Shemaiá e do vidente Idô (2Cr 12,15), de Iehu, filho de Hanani (2Cr 20,34), de Hozai (2cr 33,19).
– A profecia de Ahiá de Shilô (2Cr 9,29).
– A visão do vidente Iedô (2Cr 9,29), do profeta Isaías, filho de Amôs (2Cr 32,32). {No livro, “Amós”, está escrito com acento “circunflexo” ok. Anselmo}.
– Um documento escrito do profeta Isaías, filho de Amôs (2Cr 26,22).
É provável que vários destes títulos designem documentos idênticos, com algumas variantes na formulação de seus títulos. Apesar da variedade de opiniões dos comentadores, é possível identificar pelo menos três grupos de documentos de que o Cronista se serviu; antes de mais nada, os livros de Samuel e dos Reis, dos quais às vezes reproduz textualmente relatos inteiros; em seguida, outro documento histórico, hoje perdido, que continha elementos que o Cronista utilizou para completar os livros anteriores (talvez seja aquele designado com o termo midrash ou comentário ao livro dos Reis); por fim, um grupo de documentos que contêm diversas tradições proféticas, que o Cronista menciona de maneira pouco precisa, e que provêm ou dos livros de Samuel e dos Reis (tradições sobre Samuel), os dos livros proféticos (Isaías), ou de outras fontes que hoje desconhecemos.
A todos estes materiais, que constituem o essencial dos relatos, é mister acrescentar outros elementos utilizados pelo Cronista sem indicação de origem e sem referências precisas. Em geral, são textos que provêm de outros livros do Antigo Testamento, que o autor conhecia muito bem e aos quais freqüentemente se reportava. Suas listas genealógicas são tiradas, em grande parte, dos dados da mesma natureza fornecidos pelo Gênesis, Êxodo, Números, Josué, Rute. Há capítulos que reproduzem total ou parcialmente textos litúrgicos tirados do Saltério (1Cr cita os Salmos 105; 96; 106).
Levando em consideração a contribuição pessoal do Cronista a sua obra, pois não se trata de simples compilação de documentos anteriores, e admitindo, como é possível, que algumas adições mais tardias tenham sido juntadas à obra já acabada, constata-se que os livros das crônicas representam, na literatura bíblica, a única obra em que se pode analisar tão de perto a composição e o método de redação.
Que método? Sem entrar em detalhes dos relatos, mas estabelecendo uma comparação geral entre os livros de Samuel e Reis e os livros das Crônicas, é possível explicitar alguns princípios diretores seguidos pelo Cronista na composição da obra. Em primeiro lugar, ele procedeu por eliminação, conservando de suas fontes apenas o que queria narrar, de acordo com a idéia que fazia de sua obra. A história do reinado de David e de sua dinastia foi para ele a verdadeira história do povo de Yaohu e de seus destinos. Conseqüentemente, tudo o que se referia à história do reino de Israel depois do cisma não lhe interessava; relegou ao silêncio toda esta parte e só narrou a história do reino de Judá e de sua capital, Jerusalém. De modo análogo, deixou de lado certo número de acontecimentos e fatos que não lhe pareciam muito importantes para evidenciar a glória dos reinados de David e de Salomão, ou que lhes fossem desfavoráveis (o adultério de David, a revolta de Absalão, o luxo e a idolatria do fim do reinado de Salomão). Tal método explica, em parte, as lacunas que não se pode deixar de constatar nesta obra histórica (não se alude ao exílio de Babilônia; períodos bastante longos da história entre o Exílio e a restauração de Esdras e Neemias – mais de um século – não mencionados).
Vem o seguir a tarefa de adaptação que o Cronista levou a cabo, utilizando materiais que lhe serviam de fontes. Em razão quer de sua falta de interesse pela cronologia exata, quer das opiniões teológicas que o guiaram em seu relato, apresentou os fatos como o faria uma testemunha que os apresentasse à luz de sua própria personalidade e de sua época.
As desgraças dos reis e dos povos são sempre explicadas por uma desobediência a Yaohu; pelo contrário, as bênçãos concedidas por Yaohu são sempre fruto do zelo e da fidelidade dos personagens com relação ao Templo e ao culto. As modificações de ordem cronológica são sempre difíceis de explicar, mas parecem obedecer a razões mais teológicas do que históricas (particularmente nos livros de Esdras e Neemias). Pode-se falar das Crônicas, como à vezes se faz, como escritos “tendenciosos”? Isto equivaleria a fazer um julgamento pejorativo e injusto do autor, que se preocupou mais em apresentar uma “teologia da história” do que em fazer uma exposição histórica objetiva e completa. Sua obra é menos a de um historiador, em sentido moderno, e mais a de um crente ou teólogo que vê na história o testemunho da ação permanente de Deus e a imagem, certamente ainda imperfeita, mas real, do Reino de Deus – Yaohu.
Por fim, o método de composição comporta um trabalho destinado a completar os dados fornecidos pelas fontes principais, isto é, os livros de Samuel e dos Reis. Graças a outros documentos, a tradições escritas, ou mesmo orais, o Cronista dá detalhes complementares sobre certos aspectos da história do povo que não se encontram nos outros livros do cânon bíblico e que, desta forma, são muito preciosos para um melhor conhecimento dessa história. Mesmo se algumas passagens de seu texto exprimem suas reflexões pessoais e sua concepção das coisas, o mesmo não se pode dizer de numerosos pormenores que não podem ser obra de sua imaginação criadora, mas que ele encontrou em fontes que não mais conhecemos.
Além disso, podemos saber como ele tratava suas fontes, comparando as passagens de sua obra com seus paralelos em Samuel-Reis. Embora certos retoques teológicos ou literários sejam perceptíveis aqui e ali as variantes geralmente são de ordem ocidental: o Cronista conheceu o texto hebraico de Samuel-Reis num estado mais antigo que nosso texto atual, e tanto Samuel-Reis como as Crônicas sofreram inevitáveis falhas de copistas. A comparação desses textos em seu estado presente nos dá preciosas informações sobre os acidentes de transmissão possíveis nos outros livros da Bíblia. Ela nos mostra, ao mesmo tempo, que o Cronista geralmente copiava de suas fontes com grande fidelidade. Mas orientava o conjunto do relato por meio de hábeis incisões ou por judiciosos empréstimos a outras fontes complementares.
Em última análise, o método de composição literária do Cronista está estreitamente ligado à sua concepção da história e às suas convicções teológicas que expomos a seguir.

Teologia do autor das Crônicas. A análise do conteúdo dos dois livros das Crônicas permite explicitar e sublinhar os aspectos teológicos mais importantes desta obra, ainda que não se possa pretender conhecer a teologia do Cronista em sua totalidade.
Há uma evidência que se impõe logo de saída: a importância davídica. Tudo o que antecedeu a história de David é reduzido a um conjunto de listas genealógicas que retrocedem até Adão (caps. 1 – 9). E a ligação com David se faz apenas por um breve capítulo (cap. 10) sobre a morte de Saul, cuja realeza foi rejeitada por Yaohu em benefício da de David. Todo o fim do primeiro livro é consagrado a esta (caps. 11 – 29). Mas, se comparam estes relatos, com outros paralelos dos livros de Samuel e dos Reis, não se pode deixar de constatar as diferenças. Tudo o que se refere à infância, à juventude e aos anos da vida errante de David em conflito com Saul é deixado de lado, da mesma forma que seus sete anos e meio de reinado sobre Judá em Hebron, enquanto as outras tribos de Israel conheciam o reinado movimentado de um filho de Saul, Ishbôshet. Além disso, todos os acontecimentos à corte do rei, o comportamento do próprio rei no caso de Bat-Sheba, mulher de Uriá, as rivalidades de seus filhos por causa de sua sucessão, a revolta de Absalão, em resumo de tudo aquilo que dá aos caps. 9 – 23 de 2Sm o caráter vivo e realista de um relato sobre a vida de uma corte real oriental não se encontra nas Crônicas. Sem dúvida, a figura do rei David continua muito humana, mas idealizada. Tudo contribui para mostrar nele o rei segundo a vontade de Yaohu, o rei que permanecerá à testa de uma dinastia sem fim, sobretudo o rei que consagrou sua vida a fazer de Jerusalém uma capital e uma Cidade Santa e o preparar, até nos mínimos detalhes, a construção do Templo e a organização do culto, que doravante será ali celebrado. Às vezes, chegou-se a estabelecer uma espécie de paralelos entre a figura de Moisés na tradição “sacerdotal” do Pentateuco e a de David nas Crônicas. Com efeito, há certa semelhança entre estes dois homens que são apresentados – em épocas muito diferentes – como chefes e legisladores do povo, em Nome de YAOHU.
Na seqüência dos relatos, o rei Salomão aparece como uma figura idealizada, a exemplo de David. A seu respeito, nada se conserva de desfavorável, nem a eliminação brutal de seus rivais no início de seu reinado, nem o luxo, a idolatria e a vida dissoluta da corte real no fim de seu reinado. Salomão é o rei que construiu o Templo seguindo as indicações e os preparativos minuciosos de seu pai, David. A dedicação do Templo assume uma solenidade e amplidão que não se encontra no livro dos Reis.
O Templo e o culto estão no centro das preocupações do Cronista, e pode-se até perguntar se o principal objetivo de sua obra não é precisamente o de apresentar uma história do Templo de Jerusalém, a Cidade santa, e do culto que aí deve ser celebrado. Nas genealogias do início, as listas referentes à Judá e Benjamin são as mais desenvolvidas; é que são as da família de David e do território de Jerusalém. A história dos sucessores de David e Salomão está centrada no Templo, e os desenvolvimentos mais importantes são os que se referem aos reis cuja maior preocupação foi a de restaurar o Templo ou reformar o culto: Asá (2Cr 14 – 16), Josafat (caps. 17 – 20), e sobretudo Ezequias (caps. 29 – 32) e Josias (caps. 34 – 35). Logo depois da volta do Exílio, encontra-se a mesma preocupação que aparece nos livros de Esdras e Neemias: restauração do altar sobre as ruínas do Templo (Ed 3), reconstrução do Templo (Ed 4 – 6), da Cidade Santa (Ne 1 – 4) e restauração do culto (Ne 8 – 9).
Da mesma forma, o Cronista cerca de especial predileção os ministros do culto, todos membros da tribo de Levi, sejam eles sacerdotes, descendentes de Aarão, sejam levitas, descendentes de outros clãs da mesma tribo. Enquanto todo o Pentateuco mencionava os sacerdotes 27 vezes, alcançam-se o recorde de 53 vezes para Esdras-
-Neemias e de 76 vezes para as Crônicas. Aplicando o que se estabelece em Lv 1,5 e em Nm 10,8, são os sacerdotes os encarregados de fazer soar as trombetas (1Cr 15,24; 2Cr 13,12) e de verter sobre o altar o sangue das vítimas imoladas (2Cr 30,16). Mas os levitas não são simples empregados subalternos: Transportam a arca, são porteiros e guardiões do Templo, desempenham as funções de cantores e músicos; em certas circunstâncias, chegam a participar, juntamente com os sacerdotes, da preparação (não da oferenda) dos sacrifícios (2Cr 29,34; 30,16-17).
As cerimônias exprimem, nos relatos que as expõem, acentos de alegria, louvor e reconhecimento, e isto se faz supor que o próprio Cronista pode ter sido um levita ou tenha querido restabelecer suas funções às vezes depreciadas.
Outra hipótese a considerar: O autor das Crônicas teria querido, com sua obra, enfatizar a legitimidade exclusiva do Templo e do culto em Jerusalém diante das tentativas feitas por alguns de estabelecer outros santuários e justificar outras cerimônias cultuais no passado, mas também na época do Cronista. Seu relato teria uma perspectiva polêmica, particularmente contra os samaritanos ou os que estiveram na origem deste cisma, cuja data exata é ignorada. Assim se explicaria o silêncio sistemático do Cronista sobre toda a história do reino de Israel depois do Cisma que se seguiu à morte de Salomão. Só o reino de Judá, com a dinastia davídica era legítimo; e os soberanos do reino do Norte, com Samaria, sua capital, e suas cerimônias cultuais contaminados pelo culto dos baalim, eram cismáticos, que não podiam pretender representar o verdadeiro povo de Yaohu. Por estas mesmas razões se explicariam também os conflitos, no tempo de Esdras e Neemias, como o “povo da terra”, que queria ajudar na reconstrução de Jerusalém e que foi impedido pelos descendentes dos exilados, os quais se consideravam os verdadeiros representantes do povo de Yaohu (Ed 4; Ne 2,19-20; 4; 6).
Estes diferentes aspectos da obra do Cronista conduzem, do ponto de vista teológico, a uma visão sintética que bem pode ser expressa pelo termo teocracia. Para o autor, a história do povo de Yaohu, na comunidade judaica em que ele vive, é como que a imagem ideal do reino teocrático estabelecido por Yaohu, à testa do qual foi posto David. Na realidade, Yaohu é o único rei verdadeiro, e David assenta-se no trono de Yaohu. Através da realidade terrestre da história passada, o Cronista descreve o reino de Yaohu tal como podia ser representado na sua época: o culto no Templo único de Jerusalém, a Cidade Santa, exprimia a fidelidade, o júbilo, o louvor do povo a seu Rei, sobretudo graças aos sacerdotes e aos levitas; a obediência à Lei de Yaohu era a primeira obrigação do povo na vida diária; a relação constante entre Yaohu e seu povo traduzem-se por uma noção de retribuição levada ao grau mais absoluto. A justiça de Yaohu quer que toda fidelidade – sobre tudo da parte dos reis no trono de Jerusalém – receba sua bênção, mas também que toda falta e toda desobediência, particularmente no que se refere ao Templo e ao culto, acarretem a punição divina. Doutrina não rigorosa aparece ao longo de toda a história dos reis, sucessor de David, e enquanto os livros dos Reis nada dizem dos motivos da felicidade ou desgraça do povo, os livros das Crônicas se esforçam por dar uma justificação teológica segundo sua noção de justiça retributiva de Yaohu. Se Manasses gozou de um longo reinado, apesar das suas faltas, é porque se arrependeu e porque, voltando a Yaohu, purificou dos seus ídolos o Templo (2Cr 33). Se, pelo contrário, Josias, apesar de sua grande fidelidade, encontrou uma morte prematura, é porque se opusera à vontade de Yaohu por ocasião da passagem dos exércitos egípcios que iam combater na Assíria (2Cr 35).
Ao contrário da literatura apocalíptica, que projeta para o futuro uma imagem da realidade terrestre para anunciar o que será o reino de Yaohu, a obra do Cronista idealiza o passado para mostrar o que deve ser a vida do povo no presente. Assim a realeza teocrática da época de David deve lembrar constantemente aos judeus contemporâneos do autor o que devem ser a celebração de seu culto, a obediência à Lei de Yaohu e a esperança na justa retribuição divina.
Talvez seja por causa dessa perspectiva teológica voltada preferentemente para o passado que a obra do Cronista não está apoiada numa esperança messiânica explicitamente formulada. As perspectivas de futuro não prendem muito sua atenção. Meditando sobre a história passada, o Cronista parece querer fornecer ao presente uma lição de fidelidade a Yaohu, à sua Lei e ao seu Culto.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE CRÔNICAS (2Cr):

ROBOÃO
Pontos fortes e êxitos:
O quarto e último rei de Israel, após o reino se dividir, governou Judá.
Fortaleceu seu reino e alcançou uma certa popularidade.

Fraquezas e erros:
Seguiu conselhos insensatos, o que levou à divisão do reino.
Casou-se com mulheres estrangeiras, como fez seu pai, Salomão.
Abandonou a adoração a Yaohu e permitiu que a idolatria se estabelecesse.

Lições de vida:
Decisões impensadas freqüentemente nos levam a trocar o que é mais valioso por algo de valor muito menor.
Toda escolha que fazemos tem conseqüências reais e duradouras.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Israel; mais tarde, do Reino do Sul, Judá.
Familiares: Pai – Salomão; mãe – Naamá; filho – Abias; esposa – Maaca.
Contemporâneos: Jeroboão, Sisaque e Semaías.

Versículo-chave: “Sucedeu, pois, que, havendo Roboão confirmado o reino e havendo-se fortalecido, deixou a lei do ETERNO, e, com ele, todo o Israel” (2Cr 12,1).

A história de Roboão é contada em 1 Reis 11,43 – 14,31 e 2 Crônicas 9,31 – 13,7. Ele também é mencionado em Mateus 1,7.

ASA
Pontos fortes e êxitos:
Obedeceu a Yaohu durante os primeiros dez anos de seu reinado.
Empreendeu um esforço para abolir a idolatria.
Depôs sua avó idólatra, Maaca.
Derrotou o poderoso exército da Etiópia.

Fraquezas e erros:
Respondeu com ira quando confrontado sobre seu pecado.
Fez alianças com nações estrangeiras e pessoas ímpias.

Lições de vida:
Yaohu não só consolida o bem. Ele confronta o mal.
Os esforços para seguir os planos e as regras de Yaohu trazem resultados positivos.
O bom funcionamento de um plano não significa necessariamente que este esteja correto ou aprovado por Yaohu.

Informações gerais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Judá.
Familiares: Avó – Maaca; pai – Abias; filho – Josafá.
Contemporâneos: Hanani; Bem-Hadade; Zerá; Azarias e Baasa.

Versículo-chave: “Porque, quanto ao ETERNO, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele, nisso, pois, procedeste loucamente, porque, desde agora, haverá guerras contra ti” (2Cr 16,9).

A história de Asa é contada em 1 Reis 15,8-24 e 2 Crônicas 14 – 16. Ele também é mencionado em Jeremias 41,9; Mateus 1,7.

JOSAFÁ
Pontos fortes e êxitos:
Como um corajoso seguidor de Yaohu, lembrou ao povo os primeiros anos de seu pai, Asa.
Executou um programa nacional de educação religiosa.
Alcançou muitas vitórias militares.
Difundiu a lei de Yaohu por todo o reino.

Fraquezas e erros:
Falhou em reconhecer os resultados de suas decisões em longo prazo.
Não destruiu completamente a idolatria.
Envolveu-se com o ímpio rei Acabe, e fez com ele alianças.
Permitiu que seu filho, Jorão, se casasse com Atalia, filha de Acabe.
Tornou-se parceiro de Acazias em um malfadado empreendimento náutico.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Judá.
Familiares: Pai – Asa; mãe – Azuba; filho – Jorão; nora – Atalia.

Versículos-chave: “E andou nos caminhos de Asa, seu pai, e não se desviou dele, fazendo o que era reto aos olhos do ETERNO. Contudo, os altos se não tiraram, porque o povo não tinha ainda preparado o coração para com o Deus-Yaohu de seus pais” (2Cr 20,32.33).{ALTOS – RITUAIS PAGÃOS IDÓLATRAS A BAAL…}. A. E.

A história de Josafá é contada em 1 Reis 15,24 – 22,50 e 2 Crônicas 17,1 – 21,1. Ele também é mencionado em 2 Reis 3,1-14 e Joel 3,2.12.

JOÁS
Pontos fortes e êxitos:
Empreendeu grandes reformas no Templo.
Foi fiel a Yaohu enquanto Joiada viveu.

Fraquezas erros:
Permitiu que a idolatria continuasse a ser praticada por seu povo.
Usou os tesouros do Templo para subornar o rei Hazael, da Síria.
Matou Zacarias, filho de Joiada.
Permitiu que seus conselheiros desviassem o povo de Yaohu.

Lições de vida:
Um bom e esperançoso início pode ser anunciado por um final voltado para a impiedade.
O melhor conselho é ineficaz se não nos ajudar a tomar decisões sábias.
Por mais úteis ou nocivos que os outros possam ser, somos individualmente responsáveis pelo que fazemos.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Judá.
Familiares: Pai – Acazias; mãe – Zíbia; avó – Atalia; tia – Jeoseba; tio – Joiada. Filho – Amazias; primo – Zacarias.
Contemporâneos: Jeú e Hazael.

Versículos-chave: “Porém, depois da morte de Joiada, vieram os príncipes de Judá e prostraram-se perante o rei; e o rei os ouviu. E deixaram a Casa do ETERNO, Deus – Yaohu – de seus pais, e serviam a imagens do bosque e aos ídolos; então, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém por causa desta sua culpa” (2Cr 24,17.18).

A história de Joás é contada em 2 Reis 11,1 – 12,21 e 2 Crônicas 22,11 – 24,27.

UZIAS
Pontos fortes e êxitos:
Agradou a Yaohu durante seus primeiros anos como rei.
Guerreiro bem sucedido e administrador competente que edificou cidades.
Hábil em organizar e delegar.
Reinou por 52 anos.

Fraquezas e erros:
Desenvolveu uma atitude orgulhosa devido ao seu grande sucesso.
Tentou cumprir os deveres dos sacerdotes, em desobediência direta a Yaohu.
Falhou em remover muitos dos símbolos da idolatria na terra.

Lições de vida:
A falta de gratidão a Yaohu pode levar ao orgulho.
Até as pessoas bem-sucedidas devem reconhecer o papel que Yaohu designa a outros.

Informações essências:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Judá.
Familiares: Pai – Amazias; mãe – Jecolias; filho – Jotão.
Contemporâneos: Isaías; Amós; Oséias; Jeroboão; Zacarias e Azarias.

Versículos-chave: “Também fez em Jerusalém máquinas da invenção de engenheiros, que estivessem nas torres e nos cantos, para atirarem flechas e grandes pedras; e voou a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado até que se tornou forte. Mas, havendo-se fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o ETERNO, seu Deus-Yaohu, porque entrou no templo do ETERNO para queimar incenso no altar do incenso” (2Cr 26,15.16).

A história de Uzias é contada em 2 Reis 15,1-7 e em 2 Crônicas 26,1-23. Ele também é mencionado em Isaías 1,1; 6,1; 7,1; Oséias 1,1; Amós 1,1; Zacarias 14,5.

MANASSÉS
Pontos fortes e êxitos:
Embora as conseqüências de seus pecados tenham sido amargas.Manassés aprendeu com elas.
Humildemente arrependeu dos seus pecados diante de Yaohu.

Fraquezas e erros:
Desafiou a autoridade de Yaohu e foi derrotado.
Inverteu muito dos efeitos positivo do governo de seu pai, Ezequias.
Sacrificou seus filhos aos ídolos.

Lições de vida:
Yaohu percorrerá um longo caminho par conseguir a atenção de alguém.
O perdão é limitado não pela quantidade de pecados, mas por nossa disposição ao arrependimento.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupação: Rei de Judá.
Familiares: Pai – Ezequias; mãe – Hefzibá; filho – Amom.

Versículos-chave: “E ele, angustiado, orou deveras ao ETERNO, seu Deus-Yaohu, e humilhou-se muito perante a Yaohu – Deus de seus pais, e lhe fez oração, e Yaohu se aplacou para com ele e ouviu a sua súplica, e o tornou a trazer a Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o ETERNO é Deus-Yaohu” (2Cr 33,12.13).

A história de Manassés é contada em 2 Reis 21,1-18 e 2 Crônicas 32,33 – 33,20. Ele também é mencionado em Jeremias 15,4.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

ESDRAS-NEEMIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Incentivar aqueles que haviam regressado à Terra Prometida a continuar o trabalho que Zorobabel, Esdras e Neemias haviam iniciado.
Data: c. 430-400 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu apoiou e abençoou Zorobabel, Esdras e Neemias no trabalho de incrementar a restauração depois do exílio.
Quando a restauração de Israel perdeu o seu vigor, Esdras e Neemias forneceram liderança fiel.
O templo e Jerusalém eram de suma importância para que Yaohu abençoasse o seu povo.
Para que possa receber a bênção de Yaohu, o seu povo deve ser conduzido ao arrependimento e à santidade.

Propósito e características
Esdras-Neemias é uma narrativa histórica que apresenta o trabalho de Zorobabel, Esdras e Neemias sob uma ótica bastante positiva. Ao mostrar apenas o lado positivo de sua liderança, o livro incentiva aqueles que haviam regressado do exílio a dar continuidade ao trabalho iniciado por esses líderes.

CRISTO EM ESDRAS-NEEMIAS.
A revelação de Cristo é uma característica importante do Livro de Esdras-Neemias. O livro revela Cristo de pelo menos cinco maneiras.
1. O trabalho de Esdras e Neemias teve como base à iniciativa de Zorobabel, o descendente de Davi que representou a família real no início da restauração final do povo de Yaohu à bênção (Ag 1 – 2; Zc 1 – 8). O trabalho de Zorobabel ficou aquém das expectativas, mas, posteriormente, O SALVADOR viria da linhagem de Zorobabel (Mt 1,12-16) e receberia as promessas dadas à casa de Davi depois do exílio.
2. Os retratos idealistas de Zorobabel, Esdras e Neemias como líderes prenunciam a obra de Cristo. Do mesmo modo que esses homens dedicaram a própria vida a conduzir o povo de Yaohu às bênçãos divinas, Cristo conduz os seus às bênçãos supremas e eternas. Como Cristo (Mt 23,1-39), Esdras e Neemias confrontaram e corrigiram o pecado em Israel (9,1-15; 10,10-14; Ne 1,6-7; 9,1-3.26-38; 13,15-27). Como Cristo (Jo 17,6-26), eles se identificaram como o povo pecador e oraram por ele (9,6-15; Ne 1,4-11).
3. O enfoque sobre a reconstrução e o funcionamento correto do templo em Jerusalém prefigura Cristo. O templo é um elemento central da fé cristã. Cristo não apenas purificou o templo (Mt 21,12-13; Jo 2,13-17) como também se tornou o templo (Jo 2,19-22). Cristo instituiu a igreja como templo de Yaohu (1Co 3,16-17; 2Co 6,16) e hoje, ministra no templo celestial (Hb 9,11-12.24). Quando voltar, Cristo trará a nova Jerusalém do céu para a terra a fim de tornar o novo céu e nova terra a cidade santa de Yaohu, com ele próprio e o Pai como o seu templo (Ap 21,22). Os temas de santidade, sacrifícios, orações, perdão, sacerdócio e da presença de Yaohu, associados com o templo em Esdras-Neemias, são cumpridos em Cristo.
4. As reformas morais que Esdras e Neemias realizaram no âmbito nacional se cumpriram, igualmente, de modo supremo em Cristo. Ele também conclamou o povo da aliança de Yaohu a voltar para o ETERNO e à sua Lei (Mt 5,17-19). Na verdade, por meio de sua morte e ressurreição e do poder do seu Espírito (Ruach HaKodesh), Cristo purifica da injustiça e conduz à vida de fé (1Jo 1,7-9) todos os que crêem nele para que possam herdar as bênçãos de Yaohu (Mt 25,34-40; Rm 6,1-23; 1Pe 3,9-12).
5. Durante a breve estadia de Esdras em Jerusalém, ele reconstituiu Israel e deu à sua fé uma forma que permitiria que ela sobrevivesse ao longo dos séculos. Esdras organizou a comunidade judaica em torno da Lei, a Torá. Dessa época em diante, a marca distintiva de um judeu não seria geográfica ou nacional, mas sim, referente à aceitação da Lei. A Lei abriu um caminho para a superação das limitações étnicas e geográficas de outros tempos. Essa mudança na fé judaica lançou os alicerces para muitas das características da fé cristã. O culto cristão, a organização eclesiástica, a vida em comunidade, os empreendimentos missionários e outros elementos da fé cristã se firmaram em grande parte, nessas mudanças resultantes do ministério de Esdras. {ver + pra frente o termo “cristão”(…). E o REMANESCENTE […]. A. E.}.

ESDRAS-NEEMIAS: Os livros de Esdras e de Neemias constituíam, na origem, um único livro. Pertencem ao período subseqüente ao retorno dos judeus do cativeiro babilônico, período que se prolongou durante mais de um século. A atividade dos dois personagens principais, Esdras e Neemias, não é mencionada em nenhum outro livro do Antigo Testamento hebraico. Sem os dois livros que levam os nomes deles, seria muito difícil, senão impossível, conhecer os eventos que marcaram a restauração do judaísmo após a provação do Exílio.

Conteúdo do livro. Distinguem-se com facilidade as diversas partes destes dois livros:
O livro de Esdras conta inicialmente (caps. 1 – 6) a volta dos primeiros cativos autorizados a retornar a Jerusalém por permissão de Ciro, rei dos persas, que acabava de conquistar a Babilônia. Esses primeiros repatriados restabeleceram o altar sobre as ruínas do Templo de Jerusalém, antes de reconstruir o próprio santuário, e apesar, de graves dificuldades advindas dos dirigentes regionais e dos adversários do judaísmo. O Templo só foi inteiramente reconstruído vários anos depois, na época dos profetas Ageu e Zacarias, sob o reinado de Dario (5,1-2).
Segundo os capítulos 7 – 10, após um intervalo de várias dezenas de anos, Esdras, sacerdote e escriba, encarregado de uma missão oficial pelo rei da Pérsia, Artaxerxes, chega a Jerusalém, onde se aflige por ver um estado de coisas bem pouco fiel à tradição judaica, em especial por causa dos numerosos casamentos entre judeus e pagãos. Empreende uma reforma radical neste ponto e, respaldado pelo povo, manda os estrangeiros para fora das fronteiras da terra judaica, provavelmente bastante restrita naquela época.
No início do livro de Neemias (caps. 1 – 7) o relato explica de que maneira Neemias, alto funcionário do rei Artaxerxes, entristecido com as notícias recebidas de seus compatriotas de Jerusalém, obtêm do rei a autorização para inspecionar a capital judaica e empreender a reconstrução da mesma, começando pela muralha. Essa será reconstruída em cinqüenta e dois dias, graças ao zelo de Neemias, obrigado ao mesmo tempo a lutar contra inimigos e a estimular a coragem e a disciplina de todos os habitantes.
Nos capítulos 8 – 9, Esdras volta ao primeiro plano dos acontecimentos e restaura o culto e a celebração das festas em conformidade com a Lei de Moisés, que trouxera de Babilônia.
Após diversos trechos relatando compromissos do povo, listas e a festa de inauguração da muralha, o livro termina com uma série de reformas efetuadas por Neemias em Jerusalém por ocasião de uma segunda estada, mais ou menos doze anos mais tarde (caps. 10 – 13).
Eis, portanto, como se apresenta o plano dos dois livros:

Esdras
1: O edito de Ciro.
2: Lista dos deportados repatriados.
3: Restabelecimento do culto.
4,1-5: Obstrução por parte dos inimigos de Judá.
4,6-24: Troca de correspondência durante o reinado de Xerxes e Ataxerxes.
5,1 – 6,18: Construção da Casa de Yaohu.
6,19-22: A Páscoa.
7,1-10: O escriba Esdras.
7,11-28: A carta de Artaxerxes.
8,1-14: Os companheiros de Esdras.
8,15-36: Viagem de Esdras a Jerusalém.
9: Oração de humilhação de Esdras.
10,1-17: Despedida das mulheres estrangeiras.
10,18-44: Lista dos culpados.

Neemias
1: Oração de Neemias.
2: Viagem de Neemias a Jerusalém.
3,1-32: Restauração dos muros de Jerusalém.
3,33 – 4,17: Obstáculos e dificuldades.
5: Injustiças sociais. Intervenção de Neemias.
6: Término da reconstrução das muralhas.
7: Recenseamento dos israelitas.
8: Leitura pública da Lei.
9: Oração de confissão dos pecados.
10: Resoluções diversas.
11: Repartição dos habitantes de Jerusalém.
12: Sacerdotes e levitas.
13: Reformas diversas, realizadas por Neemias.

A história literária dos dois livros é bastante complexa. As antigas traduções gregas do Antigo Testamento abrangem, além de uma tradução dos dois livros reunidos em um só, um outro livro de Esdras, bem diferente destes últimos e com muita freqüência designado sob o termo: Esdras grego, ou então 1 Esdras (sendo que 2 Esdras designa a tradução dos dois livros hebraicos de Esdras-Neemias). O Esdras grego contém certas passagens das Crônicas e de Esdras, mas também relatos apócrifos (os três jovens pajens de Dario etc.). Quanto à tradição latina: ela conhece 4 livros de Esdras, sendo que o 1º corresponde ao livro bíblico de Esdras, o 2º ao livro de Neemias, o 3º ao Esdras grego, e o 4º é um apocalipse tardio atribuído a Esdras, mas que já não tem mais nada em comum com os dois livros do Antigo Testamento. A maior parte das edições modernas da Bíblia contém apenas os dois livros de Esdras e de Neemias, e deixam de lado o Esdras grego (1 ou 3Esd) e o Apocalipse de Esdras (4Esd), que nunca fizeram parte do cânon judaico.

Problemas literários. Não há indicação quanto ao autor destes dois livros, mas é comum admitir-se que foi um e mesmo autor que redigiu e compôs a vasta síntese histórica dos dois livros das Crônicas, seguidos dos livros de Esdras e de Neemias. Um dos indícios mais significantes é a identidade entre os últimos versículos de 2 Crônicas (36,22-23) e os primeiros versículos de Esdras (1,1-3), o que demonstra a continuidade do relato. No entanto, os métodos de composição diferem sensivelmente.
Para os livros de Esdras e Neemias, o autor utilizou como fontes diversos documentos antigos, que reproduziu e sistematizou entre si de modo a articula-los e incorpora-los no mesmo conjunto. Assim, é possível descobrir:
a) documentos oficiais em hebraico (listas, estatísticas, etc., tais como Esd 2 e Ne 7; 10,3-30; 11,3-36; 12,1-26) e em aramaico (correspondência diplomática, decretos oficiais, Esd 4,9 – 6,18; 7,11-26);
b) memórias de Esdras (Esd 7 – 10) contendo trechos redigidos na primeira pessoa, com Esd 7,27 – 9,15, e trechos na terceira pessoa, com Esd 7,1-10; Ne 8 – 9;
c) memórias de Neemias (Ne 1 – 7; 10; 12,27 – 13,31).
A utilização desses diversos documentos explica também a dualidade de idioma constatado no livro de Esdras, já que certos trechos foram conservados em aramaico (Esd 4,8 – 6,18 e 7,12-26), ao passo que o restante está em hebraico. Esta particularidade encontra-se também no livro de Daniel (2,4 – 7,28).
Contudo, a redação dos dois livros a partir dessas fontes levanta alguns problemas de solução nada fácil. É o que ocorre com a lista dos judeus que voltaram do cativeiro, a qual figura ao mesmo tempo no cap. 2 de Esdras e no cap. 7 de Neemias, isto é, em duas situações históricas bem diversas. No primeiro caso (Esd 2), esta lista aplica-se às primeiras caravanas de deportados retornados a Jerusalém em decorrência do edito de Ciro em 538, totalizando mais de 50.000 pessoas. No segundo caso (Ne 7), trata-se de uma enumeração feita na época de Neemias, após a reconstrução das muralhas de Jerusalém pelo ano de 445, ou seja, cerca de um século mais tarde. É provável que esta lista, reproduzida nesses dois contextos, não represente com exatidão nem a situação no início do retorno, nem o da época de Neemias, mas uma época intermediária, que poderia ser a de Zorobabel e de Josué, que aliás figuram encabeçando a lista. Pode-se pensar em um recenseamento do povo que regressou a Jerusalém desde uns vinte anos antes, no mínimo, após a reconstrução do segundo Templo (520-515).
Quanto à data da redação dos dois livros, é difícil precisa-los, uma vez que é necessário levar em conta o conjunto da obra de Crônicas-Esdras-Neemias. A julgar pelo conteúdo histórico desta obra, pelas idéias religiosas nela expressas e pelo ambiente do qual parece provir o autor, o período de acabamento da sua vasta obra historiográfica poderia situar-se entre o final do séc. IV e meados do séc. III a.C. Esse período corresponderia apenas à redação final dos livros, já que as fontes literárias utilizadas remontam certamente a épocas bem anteriores.

Problemas históricos. A análise dos livros Esdras-Neemias levanta problemas relativos aos próprios eventos históricos. Dentre estes destacam-se dois, que têm originado hipóteses diversas, das quais nenhuma se impõe como solução certa e definitiva.
O primeiro problema refere-se à interrupção da reconstrução do Templo de Jerusalém (Esd 4). Segundo o texto, esta interrupção foi ordenada pelo rei persa Artaxerxes (465-424) em conseqüência das queixas de habitantes da região que se opunham aos judeus (Esd 4,6-24). Ocorre que a cronologia torna tal acontecimento impossível. Com efeito, a construção do Templo foi terminada no 6º ano do reinado de Dario, isto é, por volta de 515 (Esd 6,15), após ter sido retomada no segundo ano do mesmo reinado, em 520 (Esd 4,24; Ag 1,15). A passagem Esd 4,6-23 refere-se a acontecimentos da época de Artaxerxes, ou seja, no mínimo 50 ou 60 anos mais tarde. A hipótese mais provável para resolver este problema consiste em ver, nesta última passagem, documentos relativos à interrupção de outros trabalhos, diferentes dos de reconstrução do Templo: talvez uma tentativa de reconstrução das muralhas da cidade na época de Artaxerxes, o que, aliás, explicaria bastante bem a ulterior iniciativa de Neemias para retomar esses trabalhos e leva-los a bom termo, sempre sob o reinado de Artaxerxes (Ne 1 – 4 e 6). O próprio conteúdo da correspondência diplomática de Esd 4,6-23 fala explicitamente de uma reconstrução da cidade e das muralhas, e não do Templo (vv. 12,13.16). Como explicar que este documento tenha sido inserido no meio do relato referente ao Templo em uma época bem anterior? Não o sabemos. Como se tratasse de trabalhos interrompidos por ordem de um rei da Pérsia, talvez tenha havido confusão, no momento da redação do livro, entre os trabalhos do Templo, na época de Artaxerxes.
Mais complexo é o segundo problema: o da cronologia da atividade de Esdras e de Neemias em Jerusalém. A ordem cronológica atual do relato fala da chegada de Esdras no 7º ano de Artaxerxes (Esd 7,7) e da sua atividade reformadora (Esd 8 – 10), e em seguida, da chegada de Neemias no 20º ano de Artaxerxes (Ne 2,1) e da sua atividade em prol da reconstrução das muralhas (Ne 1 – 7). A seguir vê-se Esdras reaparecer – quando não se fizera mais menção a ele em Ne 1 – 7 – para a leitura solene da Lei (Ne 8 – 9); e por fim, Neemias exerce sua atividade sozinho, no decurso de outra estada em Jerusalém no 32º ano de Artaxerxes (Ne 13,6). Tem-se, pois, a impressão de que Esdras e Neemias exerceram sua atividade em Jerusalém simultaneamente, mas independentemente um do outro, ignorando-se quase totalmente, o que parece surpreendente, dado que aos dois receberam uma missão oficial do rei Artaxerxes (Esd 7,11; Ne 2,7-8). Têm-se buscado diversas explicações para resolver esta dificuldade: pensou-se que Esdras ficou por pouco tempo em Jerusalém e voltou ao rei da Pérsia enquanto Neemias estava em Jerusalém. Mas neste caso seria preciso supor uma verdadeira dança alternada dos dois, pois em Ne 8 – 9 Esdras está novamente em Jerusalém, e Neemias teria então partido novamente para junto do rei, antes de voltar a Jerusalém cerca de doze anos mais tarde (Ne 13,6). Pretendeu-se resolver a questão situando Esdras quando da segunda vinda de Neemias a Jerusalém (o que explicaria a presença simultânea dos dois, segundo Ne 8,9), mas neste caso é preciso modificar a data indicada em Esd 7,8: Não se trataria mais do 7º ano de Artaxerxes, mas do 27º ou do 37º ano desse rei (ou seja, pelo ano de 438 ou 428).
Finalmente, tem-se proposto – e esta hipótese é quiçá a mais plausível – considerar toda a atividade de Neemias como anterior à de Esdras: Ne 1 – 7 e 10 – 13 relataram esta atividade de reconstrutor e de reformador. Mais tarde, em uma época que poderia ser o 7º ano do rei Artaxerxes II (e não de Artaxerxes I), por volta de 398-397, Esdras teria chegado a Jerusalém (Esd 7,7). Teria então realizado suas reformas (Esd 7 – 10) e restaurado o culto em seqüência à leitura solene da Lei (Ne 8 – 9). Esta hipótese, porém, não soluciona todas as dificuldades e não explica a presença de Neemias no momento da leitura da Lei (Ne 8,9). É verdade que este último dado poderia provir do redator final, que apresentou como contemporâneas as atividades de Esdras e de Neemias. O redator não teria levado em conta as datas respectivas das estadas e das reformas efetuadas pelos dois. O que queria era sobretudo dar a prioridade ao sacerdote-escriba Esdras em relação ao leigo Neemias. Esta razão teológica teria desorganizado a cronologia real dos acontecimentos. Mas estamos apenas diante de uma hipótese; o problema ainda não encontrou solução plenamente satisfatória.

Perspectivas religiosas. Os livros de Esdras e de Neemias certamente não pertencem à categoria daqueles que se volta a reler freqüentemente. Muitos leitores da Bíblia pouco os conhecem e acreditam encontrar neles nada mais do que alguns documentos úteis para a história bíblica, porém destinados de maior interesse para os dias de hoje. Esta opinião não é exata e estriba-se num preconceito. Sem dúvida, estes dois livros não são comparáveis a outros cujo conteúdo religioso é muito mais rico, como ocorre com os Salmos, Jó ou os Profetas. Mas revelaria desconhece-los quem deixasse de enfatizar sua importância religiosa e seu valor permanente no conjunto dos livros bíblicos, tão ricos e tão variados. Em uma orquestra, os instrumentos não desempenham todos o mesmo papel, nem têm a mesma sonoridade. No entanto, são todos necessários para se poder ouvir a sinfonia na sua plenitude.
Esses dois livros não apresentam uma exposição teológica propriamente dita, mas nos eventos bem concretos que relatam é possível descobrir as idéias mestras que guiaram os seus heróis.
Os três centros de preocupação claramente evidenciados nesses textos são: o Templo, a cidade de Jerusalém, a comunidade do povo de Yaohu.
A reconstrução do Templo é a primeira tarefa do povo que retorna do cativeiro. Aliás, o próprio objetivo da volta do Exílio é a reconstrução do santuário, já ordenada, segundo Esd 1,2, pelo rei Ciro em seu edito. A Casa de Yaohu é o sinal real e material da presença de Yaohu no meio do seu povo. É também o lugar em que se pode celebrar o culto; daí a importância de tudo o que concerne ao sacerdócio (2,36-39), aos levitas e a todo o pessoal ligado ao lugar santo (2,40-63), assim como de tudo o que diz a respeito aos objetos cultuais, às oferendas (1,9-11; 2,68-69) e, sobretudo ao altar, que é o primeiro a ser restabelecido para nele se oferecerem os sacrifícios, antes da própria edificação do novo Templo (3,1-7). Se ocorre um atraso na reconstrução do Templo, é sobretudo em razão da hostilidade dos adversários que procuram impedir os judeus de restabelecerem sua influência (cap. 4), [OS ADORADORES DE BAAL É QUE ERAM CONTRA A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO, E ETC. ANSELMO ESTEVAN], ao passo que nada se diz , nestes dois livros, da negligência, da indiferença e do desânimo dos próprios judeus nesta tarefa – como o atesta, porém, a profecia de Ageu (Ag 1,2-5). Pelo contrário, em Esd 6, a alegria explode por ocasião da Dedicação do Templo terminado, o qual é a obra de Yaohu mais que dos homens (v. 22).
A presença do Templo é inseparável da cidade mesma; aliás, a preocupação por Jerusalém, cidade santa no presente e no futuro, faz parte dos objetivos que levaram Neemias a pedir a autorização do rei Artaxerxes para vir à capital judaica a fim de restaura-la e restituir-lhe a importância que lhe cabe. Esta preocupação por Jerusalém explica o zelo patriótico e religioso que ele demonstrou na reconstrução das muralhas em ruínas, com o concurso de toda a população (Ne 2 – 6). Para ele, tratava-se de uma missão profundamente religiosa, que Yaohu lhe havia confiado e que cumpriu, a despeito das dificuldades e das lutas, com a certeza de que Yaohu estava com ele e combatia em favor do seu povo. As medidas que Neemias adotou a seguir, com o fim de repovoar a cidade por muitos trocada pelo campo (Ne 11), ou com o fim de fazer respeitar o sábado (Ne 13,15-22), mostram que, para ele, Jerusalém devia voltar a assumir seu papel de cidade santa. Tratava-se do prolongamento de toda a história passada, interrompida pela ruína e pelo cativeiro.
Todavia, o Templo e a cidade só têm significado real em função do povo que vive neste lugar e que constitui a comunidade do povo de Yaohu. Pois bem, esta comunidade, sacudida pelo Exílio, precisa ser restaurada sobre o seu verdadeiro fundamento, que é a obediência à Lei de Yaohu. É, sobretudo aqui que aparece a importância da obra de Esdras e de Neemias. O povo judeu não desfruta mais da sua independência nacional; só tem razão de ser porque é uma comunidade religiosa que reata a tradição antiga com as exigências da situação presente. Tal obra de restauração precisava manifestar-se em setores diversos. Primeiramente no do culto: A leitura solene da Lei de Moisés, trazida por Esdras (Ne 8) e explicada ao povo antes da festa dos Tabernáculos, fornece os elementos principais daquilo que será mais tarde o serviço da sinagoga. A Lei é o fundamento da vida do judaísmo, e permanecerá tal através dos séculos.
A obediência à Lei de Yaohu explica também as medidas muitas vezes severas ordenadas por Esdras e Neemias para reconduzir o povo à observância das festas, dos sábados, das obrigações referentes às ofertas e aos dízimos destinados ao culto e aos sacerdotes (Ne 10; 12; 13,1-22), e também para reagir contra os casamentos com pagãos (Esd 10; Ne 13,23-29). É ainda por fidelidade à Lei que Neemias, com suas palavras e exemplo pessoal, soube equacionar o problema de ordem social, que dividia a população em conseqüência das diferenças de renda e da escandalosa desigualdade de condição social (Ne 5).
E, no entanto, apesar dessas exigências, não nos deparamos na religião de Esdras e de Neemias com um legalismo tacanho que desfiguraria as perspectivas da verdadeira religião, como ocorre com freqüência neste campo. A Lei é sempre a do Deus Yaohu vivo, que fala e age, e para o qual o povo pode voltar-se através de um culto sincero e de uma oração espontânea. A cada instante vemos Esdras e Neemias dirigirem-se a Yaohu para pedir seu conselho, sua ajuda, sua proteção, ou para exprimir-lhe seu reconhecimento cheio de alegria (Esd 3,11; 6,21-22; 7,27-28; Ne 1,4-11; 4,4-5; 5,19 etc.). As duas grandes orações conservadas em Esd 9 e Ne 9 encerram com probabilidade elementos litúrgicos em uso no culto judaico (arrependimento, confissão dos pecados, imploração do perdão de Deus Yaohu, rememoração da história do povo no passado e de suas infidelidades, ato de confiança no Deus Yaohu – Deus de Israel, etc.). Esses textos revelam quanto a pregação dos profetas anteriores ao Exílio havia finalmente produzido seus frutos e conduzido o povo a esses sentimentos de humilhação e de fé no Yaohu que perdoa.
Importa notar ainda um aspecto – secundário decerto, mas não sem valor – da vida religiosa dos judeus dessa época em Jerusalém: é a polêmica contra uma concepção excessivamente frouxa e liberal da vida religiosa, que acaba por admitir envolvimento com o paganismo. Mostram-no as medidas contra os casamentos com pagãos, mas também a recusa formal de toda colaboração com habitantes locais que se oferecem para trabalhar na reconstrução das muralhas (Ne 2,19-20; 4; 6 etc.), mas que na realidade são inimigos dos judeus. Percebe-se aqui o prelúdio da oposição entre judeus e samaritanos, cujo cisma se operará em época posterior (sem dúvida por volta de 328).
Os livros de Esdras e de Neemias põem em relevo, sobretudo a personalidade desses dois homens tão diferentes, e, no entanto animados do mesmo desejo de trabalhar na restauração do seu povo e da vida religiosa: Esdras, sacerdote e escriba, erudito no campo da Lei, inspirador da renovação do culto, rigorista no tocante aos comprometimentos com os povos pagãos, e Neemias, leigo enérgico e de coragem indomável, a pregar pelo exemplo através do seu desinteresse, homem de oração e de fé. E, no entanto, por maior que seja o valor desses dois homens, sua personalidade nunca é priorizada em relação à sua obra. Cumprem a missão que Yaohu lhes confiou, e afora esta missão nada mais sabemos a respeito da vida deles, a respeito do término da sua atividade e da sua morte. A pessoa deles apaga-se por trás da ação, deixando na sombra o que aconteceu antes e depois do ministério que exerceram. Este é também um traço característico da vida religiosa do judaísmo de sua época.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ESDRAS e NEEMIAS:

(Ed)

ZOROBABEL
Pontos fortes e êxitos:
Liderou o primeiro grupo de exilados judeus que viviam na Babilônia de volta a Jerusalém.
Completou a reconstrução do Templo de Yaohu.
Demonstrou sabedoria tanto ao aceitar ajuda como ao recusa-la.
Começou o projeto de reconstrução estabelecendo a adoração. Como algo primordial.

Fraquezas e erros:
Precisava de constante encorajamento.
Permitiu que os problemas e a oposição detivessem o trabalho de reconstrução.

Lições de vida:
Uma líder precisa fornecer não só a motivação inicial para um projeto, mas também o encorajamento continuo necessário para manter o projeto em andamento.
Um líder deve encontrar sua própria fonte segura de encorajamento.
A fidelidade de Yaohu é demonstrada pelo modo como preservou a linhagem de Davi.

Informações essenciais:
Local: Babilônia e Jerusalém.
Ocupação: Reconhecido líder dos exilados.
Familiares: Pai – Sealtiel; avô – Joaquim.
Contemporâneos: Ciro, Dario, Zacarias e Ageu.

Versículos-chave: “E respondeu e me falou, dizendo: Esta é a palavra do ETERNO a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o ETERNO dos Exércitos. Quem é tu, ó monte grande? Diante de Zorobabel, serás uma campina; porque ele trará a primeira pedra com aclamações: Graça, graça a ela” (Zc 4,6.7).

A história de Zorobabel é contada em Esdras 2,2 – 5,2. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 3,19; Neemias 7,7; 12,1.47; Ageu 1,1.12,14; 2,4.21.23; Zacarias 4,6-10; Mateus 1,12.13; Lucas 3,27.

ESDRAS
Pontos fortes e êxitos:
Comprometeu-se a estudar, seguir e ensinar a Palavra de Yaohu.
Liderou o segundo grupo de Judeus exilados na Babilônia da volta a Jerusalém.
Pode ter escrito 1 e 2 Crônicas.
Preocupou-se em manter os detalhes dos mandamentos de Yaohu.
Enviado pelo rei Artaxerxes a Jerusalém para avaliar a situação, implantou um sistema de ensino religioso, e retornou com um relatório em primeira mão.
Trabalhou ao lado de Neemias durante o último despertamento espiritual registrado no Antigo Testamento.

Lições de vida:
A disposição de uma pessoa em conhecer e praticar a Palavra de Yaohu terá um efeito direto no modo como Yaohu usará sua vida.
O ponto de partida para servir a Yaohu é comprometer-se a servi-lo hoje, antes mesmo de saber detalhes do serviço.

Informações essenciais:
Local: Babilônia e Jerusalém.
Ocupações: Escriba, emissário real e ensinador da Lei.
Familiares: Pai – Seraías.
Contemporâneos: Neemias e Artaxerxes.

Versículo-chave: “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do ETERNO, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (Ed 7,10).

A história de Esdras está registrada em Esdras 7,1 – 10,16 e Neemias 8,1 – 12,36.

(Ne)

NEEMIAS
Pontos fortes e êxitos:
Um homem de caráter, persistência e oração.
Extraordinário planejador organizador e motivador.
Sob sua liderança, os muros ao redor de Jerusalém foram reconstruídos em 52 dias.
Como líder político, conduziu a nação à reforma religiosa e ao despertamento espiritual.
Agiu com calma diante da oposição.
Foi capaz de ser honesto e objetivo com o seu povo, quando estavam em pecado.

Lições de vida:
O primeiro passo em qualquer empreendimento é orar.
Pessoas sob a direção de Yaohu podem realizar tarefas impossíveis.
Há duas partes importantes no verdadeiro serviço a Yaohu; falar com Ele e andar com Ele.

Informações essenciais:
Local: Pérsia e Jerusalém.
Ocupações: Copeiro do rei, construtor de cidades e governador de Judá.
Familiares: Pai – Hacalias.
Contemporâneos: Esdras, Artaxerxes, Tobias e Sambalate.

Versículo-chave: “Então, lhes declarei como a mão do meu Deus – Yaohu me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito. Então, disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem” (Ne 2,18).

A história deste servo de Yaohu é contada no livro de Neemias.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

ESTER

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Estabelecer a Festa de Purim como um memorial pelo livramento que Yaohu concedeu ao seu povo e como um lembrete para que permanecessem fiéis a ele mesmo quando estivessem vivendo sobre opressão.
Data: c. 460-350 a.C.
Verdades fundamentais:
Por vezes, o povo de Yaohu sofrerá intensamente nas mãos dos inimigos de Yaohu.
Yaohu preservará o seu povo nos seus períodos de opressão.
O ETERNO derrotará aqueles que oprimem o seu povo, tirará o povo de seu estado de humilhação e o exaltará.
O povo de Yaohu deve buscar a ajuda de Yaohu e permanecer fiel a ele apesar das provações nos sofrimentos.
O povo de Yaohu deve celebrar com fidelidade as maravilhas dos livramentos que Yaohu operou no passado a fim de ter ânimo para enfrentar as provações do presente.

Propósito e características
Claramente, a intenção do escritor de Ester é explicar a origem da celebração de Purim e de institucionalizá-lo como uma comemoração pelo grande livramento dos judeus durante o período persa (9,20-32).

CRISTO EM ESTER.
O estilo teológico sutil de Ester não diminui a importância de os cristãos considerarem os acontecimentos narrados nesse livro à luz de Cristo e da salvação nele obtida. O povo de Yaohu estava no exílio, separado da sede de sua fé, Jerusalém, com seu templo e rei. Mesmo assim, o ETERNO cuidou de seus filhos, dando-lhes segurança e livramento que têm sido comemorados com a Festa de Purim desde aquela data.
Essas características da narrativa apontam, em primeiro lugar, à vida do próprio Cristo. Em seu estado de humilhação, ele também sofreu sob a ação dos inimigos de Yaohu. Seu serviço fiel até a morte trouxe salvação para todos que o seguem (At 2,36).
Além disso, a narrativa lembra aos leitores cristãos que, no momento atual, em que estão separados de seu Rei e templo, o Messias (Jo 16,7; At 1,7-9), eles devem esperar sofrer por causa de sua identificação com Cristo (At 14,22; Rm 8,35; 1Pe 4,16). Todavia, enquanto os seguidores de Cristo inocentemente suportam a dor até que a nova Jerusalém desça do céu, eles não estão sozinhos. O Messias prometeu que estaria presente, por meio da habitação do Espírito Santo, até o fim da era da Igreja (Mt 28,20; Ef 1,13-14). Os cristãos de hoje não devem travar conflito religioso ou espiritual usando poder político ou armas. Em vez disso, devem contar com a armadura espiritual para a sua proteção enquanto levam o evangelho a um mundo hostil (Ef 6,10-20). A coragem e a fé manifestadas por Ester, por Mordecai e pelos judeus revelam aos cristãos de hoje como devem seguir a Cristo até que ele retorne em glória. {Ver mais adiante a palavra, “Cristão”. E a palavra REMANESCENTE – JUNTAMENTE COM O TERMO CORRETO DE Cristo…”}. A.

ESTER: Esta história conta como Ester, uma jovem judia dentre os deportados, se torna a rainha da Pérsia: como seu primo e tutor, Mordekai (Mardoquei), descobriu um complô contra a vida do rei; como o grão-vizir Haman procurou liquidar os judeus; como Ester interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi enforcado, e os judeus foram autorizados pelo Estado a fazer um contrapogrom, cujo aniversário celebram com a festa dos Purim, isto é, das “Sortes”, lembrando que Haman mandou tirar à sorte, para marcar a data do extermínio.
Nem Esdras, nem Neemias, nem o Sirácida mencionam esta história. Em Qumran não se encontraram fragmentos deste livro – é o único que falta. Em compensação, 2Mc 15,36 alude ao “dia de Mardoqueu”, o que mostra que, na primeira metade do séc. I a.C., a festa existia na Palestina. Se for verdade que 3,8 se harmoniza menos com a tolerância persa do que com a intransigência persecutória de Antíoco IV Epífanes, pode-se pensar que o autor escreveu por volta do fim do séc. II, isto é, três séculos depois de Xerses I, provavelmente na Mesopotâmia, que ele parece conhecer um pouco, ao passo que se cala sobre a Palestina. O estilo diferente e as contradições de 9,20-32 sugerem tratar-se de uma adição, assim como em 10,1-3. Mas a adição mais importante é a da Septuaginta (93 versículos a mais dos 167 do texto hebraico), cujo fim confirma que o livro hebraico é anterior ao Ptolomeu aí mencionado (Est gr. F. 10 -11).
As adições de Ester grego tendem a tornar mais religioso este livro, que nunca fala de Yaohu, no qual tudo parece se resolver somente pela força e pela astúcia e que encontrou dificuldades de “canonização”. Entretanto, 4,14, é suficiente para lembrar que o ETERNO da história não é este ou aquele grande poder humano, e sim aquele que escolheu o povo judeu: todavia ele age na história não ex-machista, mas mediante as ações de suas testemunhas.
Embora o livro reflita o conhecimento da topografia, da cronologia e da administração de Susa, o relato não é histórico no sentido moderno. Exceto o rei, os personagens são desconhecidos. A rainha sempre foi persa e a da época se chamava Amestris. Nunca houve semelhante antipogrom, que não passa de um sonho de desforra jamais realizado. Em compensação, os muitos pogroms que houve na história dos judeus poderiam bem explicar esta narrativa, que, talvez tendo um deles por ponto de partida, procura legitimar a festa dos Purim – cuja liturgia tem até hoje um ar de carnaval. Esse nome estrangeiro de “Purim”, explicado em 9,24-26, mostra que a festa judaica é a reprodução de uma festa pagã. Pensou-se na festa babilônica do Ano Novo em que Marduk, vencedor do caos, tem os Destinos em suas mãos; pensou-se também na luta dos deuses babilônicos Marduk e Ishtar contra os deuses elamitas Human e Vashti; ou ainda no massacre dos magos por Dario; ou no carnaval persa… Nenhuma hipótese se é plenamente satisfatória. Pode-se considerar que não se deve excluir esta ou aquela influência, e que os judeus, de um lado, diante dessas festas pagãs com sua mitologia e, de outro, diante das perseguições que sofriam, tenham se perguntado que significação teriam essas festas para eles, e como poderiam ser um meio de comunicar a sua própria mensagem. Como aconteceu com outras festas judaicas, eles retomaram o mito e o inseriram na história, pois não há, para o Antigo Testamento, conhecimento de Yaohu senão através da história dos homens no meio da qual ele escolheu e fez viver o seu povo. Dessa forma, a festa pagã foi adotada e legitimada pela lenda judaica que, fundada sobre experiências históricas, desmistificou a festa pagã. A mesma coisa fez também a Igreja cristã com o culto do Sol, no Natal. {§. Vide Obs:}. Anselmo Estevan.
A história e a experiência cotidiana mostram que os homens não concedem facilmente aos outros o direito de serem diferentes (ver Est 3,8). Desde que o povo judeu vive disperso entre as nações, ele é – como as outras minorias que procuram conservar a sua identidade – objetivo de perseguições. O massacre dos judeus por ocasião da “Grande Peste” no séc. XIV ou a “solução final” adotada pelo nazismo e seus cúmplices são exemplo trágico disso.
Se Israel sobrevive apesar de todas as tentativas de extermínio levadas a cabo contra ele, tal fato mostra que Yaohu cuida do povo que ele escolheu para se dar a conhecer ao mundo. [Por isso, é importante conhecer o seu verdadeiro e {PRÓPRIO} NOME. ANSELMO ESTEVAN].
Mas, nem o extermínio dos judeus, programado por Haman, nem o contrapogrom organizado por Mordekai resolvem coisa alguma. Toda violência cega causa apenas nova revanche. A reconciliação não se produz junto ao patíbulo onde sucessivamente o inimigo enforca o judeu e o judeu, o inimigo, mas ao pé de uma cruz onde Ie(ho)shua = Cristo, crucificado por não-judeus e judeus juntos, morre por uns e outros. “É ele que é a nossa paz…. Em sua carne destruiu o muro de separação… ele matou o ódio” (Ef 2,14-16). {O correto é Yao[hu]shua = O UNGIDO = CHRISTÓS!}. Anselmo Estevan.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ESTER:

MARDOQUEU
Pontos fortes e êxitos:
Denunciou uma conspiração de assassinato contra o rei.
Atencioso o suficiente para adotar sua prima.
Recusou-se a curvar-se diante de qualquer pessoa, exceto Yaohu.
Ocupou o lugar de Hamã como segunda pessoa no comando do reino de Assuero.

Lições de vida:
As oportunidades que temos são mais importantes do que aquelas que desejaríamos ter tido.
Podemos confiar em Yaohu para tecer os acontecimentos da vida para o nosso bem, embora possamos não estar aptos a enxergar a totalidade da sua atuação.
As recompensas pelas atitudes corretas são algumas vezes adiadas, mas são garantidas pelo próprio Yaohu.

Informações essenciais:
Local: Susã, uma das várias capitais da Pérsia.
Ocupação: Oficial judeu que se tornou o segundo de Assuero.
Familiares: Filha adotiva – Ester; pai – Jair.
Contemporâneos: Assuero e Hamã.

Versículo-chave: “Por que o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação” (Et 10,8).

A história de Mardoqueu é contada no livro de Ester.

ESTER
Pontos fortes e êxitos:
Sua beleza e seu caráter conquistaram o coração do rei da Pérsia.
Combinou a coragem com um cuidadoso planejamento.
Estava aberta a conselhos e disposta a agir.
Preocupava-se mais com os outros do que com a sua própria segurança.

Lições de vida:
Servir a Yaohu freqüentemente exige que arrisquemos a nossa própria segurança.
Yaohu tem sempre um propósito para as situações em que nos coloca.
Embora a coragem seja sempre uma qualidade vital, ela não substitui o cuidadoso planejamento.

Informações essenciais:
Local: Império Persa.
Ocupação: Mulher de Assuero (Xerxes), rainha da Pérsia.
Familiares: Primo – Mardoqueu; esposo – Assuero; pai – Abiail.

Versículo-chave: “Vai, e ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e Jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos, e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço” (Et 4,16).

A história de Ester é relatada no livro de Ester.

HAMÃ
Pontos fortes e êxitos:
Alcançou grande poder, e foi o segundo no comando do reino da Pérsia.

Franquezas e erros:
O desejo de controlar as pessoas e receber honra era seu maior objetivo.
Foi cegado pela arrogância e presunção.
Planejou matar Mardoqueu e construiu para ele uma forca.
Orquestrou o plano para exterminar o povo de Yaohu espalhado por todo o império.

Lições de vida:
O ódio será punido.
Yaohu possui um incrível registro para fazer com que os planos malignos se voltem contra os seus planejadores.
O orgulho e a presunção serão punidos.
Uma insaciável sede de poder e prestígio é autodestrutiva.

Informações essenciais:
Local: Susã, a capital da Pérsia.
Ocupação: Segundo no comando do império.
Familiares: Esposa – Zeres.
Contemporâneos: Assuero, Mardoqueu e Ester.

Versículos-chave: “Vendo, pois, Hamã que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. Porém, em seus olhos, teve em pouco o pôr as mãos só sobre Mardoqueu (porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueu); Hamã, pois, procurou destruir todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero, ao povo de Mardoqueu” (Et 3,5.6).

A história de Hamã está relatada no livro de Ester.

§. Sobre o autor; discordo das festas dos judeus que sejam um tipo de “Carnaval”. Pois todas as festas eram por ordem de Yaohu – para que o “seu povo” se divertisse (…). O que, hoje em dia não há mais… Só aquele foco em pregar mas o pregar com interesses alheios a VERDADEIRA SALVAÇÃO. Bem quanto ao texto em si, se houve algo “estranho”, foi a mistura com povos de outras raças que pregavam a ADORAÇÃO À “BAAL” – SENDO O SEU NOME PRÓPRIO = SENHOR! Quanto às festas pagãs do “Cristianismo” – seguidores de “Cristo” – a palavra traduzida erroneamente…! Concordo plenamente pois os Padres, mudaram as datas para puramente uma festa pagã como descreve o texto… Sendo a palavra SALVADOR = O UNGIDO = DA PALAVRA = CHRISTÓS = FOI TOTALMENTE ESQUECIDO… Era isso que queria colocar. Anselmo Estevan!

INTRODUÇÃO

LIVROS POÉTICOS E DE SABEDORIA:

(JÓ; SALMOS; PROVÉRBIOS; ECLESIASTES; CÂNTICO).

A POESIA DO ANTIGO TESTAMENTO.
A Bíblia hebraica considera como livros poéticos apenas Jó, Salmos e Provérbios, enquanto na Bíblia cristã essa categoria inclui também os livros de Eclesiastes e Cantares dos Cânticos, Nenhum desses arranjos é inteiramente satisfatório. Por um lado, Cântico dos Cânticos, que é escrito em forma poética, foi excluído dessa sessão da Bíblia hebraica. Por outro lado, Eclesiastes, que é uma mistura de prosa e poesia, foi incluído nessa sessão da Bíblia cristã. A única coisa que os cinco livros têm em comum é o fato de não serem, estritamente falando, nem históricos nem proféticos. No entanto, uma vez que quatro deles foram redigidos inteiramente e um parcialmente em forma poética, tornou-se habitual chamá-los de livros poéticos. A poesia é extremamente comum em todo o Antigo Testamento, e os conceitos discutidos abaixo se aplicam a todas as passagens nessa forma literária.
A poesia bíblica pode ser distinguida da prosa de pelo menos quatro maneiras importantes: a regularidade das estruturas rítmicas, o uso freqüente de figuras de linguagem, forte dependência de imagens, e expressão emocional intensa. A concisão na fraseologia é também muito comum. Até certo ponto, a prosa também apresenta essas características, mas elas são mais freqüentes e perceptíveis na poesia.
Estrutura rítmica: Além de características como assonância e consonância, a estrutura rítmica formal da poesia hebraica pode ser vista de maneira mais clara no paralelismo, ou seja, a coordenação bastante próxima ou associação de um verso poético com outro. Os versos paralelos são constituídos de pelo menos dois versetos que formam um verso. O segundo verseto expande, enfatiza ou contrasta com uma ou mais dimensões do primeiro verseto. A ideia básica é “A, e, além disso, B” (ou, “A, mas, por outro lado, B”).
A importância dessa característica da poesia do Antigo Testamento pode ser ilustrada pela comparação de dois registros da maneira como Jael tratou Sísera no livro de Juízes. No relato em prosa de Jz 4,19 lemos: “Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu”. Porém, no relato poético de Jz 5,25 temos:
Verseto A: Água pediu ele, leite lhe deu ela;
Verseto B: em taça de príncipes lhe ofereceu nata.
No relato poético, pode-se observar claramente o ritmo do paralelismo entre os versetos. O segundo verseto enriquece “lhe deu ela” de forma estereofônica com “em taça de príncipes” e “leite” com “nata”. Chama a atenção para a nata e para a taça requintada na qual Jael serviu a iguaria de modo que o público possa ver e sentir a astúcia de Jael. Ela tratou seu hóspede exausto da batalha como se fosse um membro da realeza a fim de deixa-lo à vontade e torna-lo vulnerável. Nesse sentido, o relato em prosa se concentra mais nos fatos objetivos, enquanto o paralelismo do poema cria uma impressão mais vívida.
Figuras de linguagem: A poesia também lança mão das figuras de linguagem com mais freqüência do que a prosa. Uma figura pode ser definida simplesmente como uma maneira indireta de dizer alguma coisa, ou como dizer algo intentando outro significado, de acordo com as convenções compartilhadas pelo escritor e o leitor. É comum os poetas recorrerem a figuras como a hipérbole ou exagero, simbolismo, metáforas, símiles, metonímias, sinédoques, sarcasmos, ironia e várias outras técnicas conhecidas de comunicação indireta.
O Salmo 1,3, por exemplo, emprega a símile de uma árvore frutífera para descrever a condição favorável daqueles que meditam sobre a Lei de Yaohu.
Ele é como árvore plantada
Junto a corrente de águas,
Que, no devido tempo, dá o seu fruto.
O Salmo 34,10 usa uma hipérbole, afirmando a ausência absoluta de necessidades físicas a fim de transmitir a satisfação de Davi com a resposta de Yaohu às suas orações.
Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome,
Porém aos que buscam o ETERNO
Bem nenhum lhes faltará.
Os leitores de poesia devem ficar atentos para a freqüência das figuras de linguagem e para o modo como elas funcionam. Uma leitura rígida e literal dos textos poéticos pode resultar em interpretações enganosas.
O uso de imagens: Pode ser definido como a forma de expressão de pensamentos que visa evocar a experiência mental de impressões sensoriais. É evidente que a prosa se vale da imaginação para comunicar os pensamentos do escritor, mas a poesia se apóia muito mais no poder imaginativo da linguagem. Em vez de falar claramente sobre uma questão, os poetas bíblicos muitas vezes conduzem seus leitores a experiências sensoriais dos temas tratados.
O Salmo 42,7, por exemplo, retrata as dificuldades do Salmista numa linguagem forte com os sons e sensações experimentados por alguém que está sendo dominado pelas águas impetuosas de uma cachoeira.
Um abismo chama outro abismo,
ao fragor das tuas catadupas;
todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.
O Salmo 23,2 retrata a proteção de Yaohu numa expressão pitoresca de refrigério, conforto, cor e quietude.
Ele me faz repousar em pastos verdejantes.
Leva-me junto das águas de descanso.
Os intérpretes da poesia bíblica devem permanecer atentos ao uso freqüente de imagens. Os recursos poéticos muitas vezes oferecem aos leitores a oportunidade de fazer reflexões profundas e transformadoras.
Expressão emocional: A poesia bíblica também é particularmente eficaz na expressão e evocação de uma ampla gama de emoções apropriadas para os fiéis. Tratada da alegria e da dor, do louvor e do lamento, do amor e do ódio; praticamente nenhuma emoção é omitida.
No Salmo 130,1.2, por exemplo, encontramos um lamento desesperado:
Das profundezas clamo a ti, ETERNO.
Escuta, ETERNO, a minha voz;
Estejam alertas os teus ouvidos
às minhas súplicas.
Ao mesmo tempo, descobrimos louvor jubiloso no Salmo 57,7.8:
Firme está o meu coração, ó Yaohu,
o meu coração está firme;
cantarei e entoarei louvores.
Desperta, ó minha alma!
Despertai, lira e harpa!
Quero acordar a alva.
O enfoque emocional da poesia bíblica exige que os intérpretes atentem para suas próprias reações emocionais a essas Escrituras. Ao depararmos com os sentimentos intensos expressados nesses textos, somos desafiados a submeter à Palavra de Yaohu até as nossas paixões mais profundas.

A SABEDORIA DO ANTIGO TESTAMENTO

Dos cinco livros poéticos do Antigo Testamento, três são de sabedoria: Jó; Provérbios e Eclesiastes. Textos sapienciais aparecem ocasionalmente em outros livros, mas apenas de modo limitado. Partes extensas dos livros de sabedoria são poéticos e apresentam as características mencionadas acima. No entanto, os livros de sabedoria podem ser distinguidos dos demais livros poéticos de várias maneiras.
Características dos livros de sabedoria: Os livros de sabedoria apresentam pelo menos três características distintivas. Em primeiro lugar, o termo “sabedoria” e seus sinônimos, como, por exemplo, “entendimento”, aparecem com mais freqüência nesses livros do que nos outros. Em segundo lugar, eles apresentam um modo comum de revelação, baseando-se mais nas observações da vida do que em manifestações sobrenaturais visuais ou auditivas. Em terceiro lugar, uma vez que grande parte de sua inspiração é proveniente de observações contemporâneas da criação e das experiências humanas, a história da salvação não é o enfoque principal desses livros. São poucas as reflexões diretas sobre os acontecimentos redentores importantes ocorridos na história de Israel.
Definição de sabedoria: A sabedoria pode ser definida em dois níveis. Num nível mais superficial, a sabedoria é uma aptidão importante, como as habilidades de sobrevivência (Pv 30,24-28), habilidades técnicas (Êx 28,3; 36,1) e as habilidades judiciais e administrativas (Dt 1,15-18; 1Rs 3,1-28). Num nível mais profundo, porém, a sabedoria tem as suas origens na ordem criada. As Escrituras explicam que Yaohu fez a sabedoria existir antes do restante da criação e ela está por trás de todas as relações naturais e sociais (Pv 3,19-20; 8,22-31). Uma compreensão maior dessa ordem criada torna uma pessoa sábia no sentido mais completo do termo. Os sábios das Escrituras expõem essa sabedoria cósmica sob a inspiração do Espírito de Yaohu [RUACH HAKODESH] (Pv 25,2; Ec 12,9-12).
Embora a observação comum seja um elemento fundamental para o processo de aquisição de sabedoria, ela não se dava de maneira isolada dos valores religiosos. Os sábios que contribuíram para os livros de sabedoria e os compilaram se valeram com freqüência dos ensinamentos de Moisés e Davi para nortear suas interpretações da experiência. O sobrescrito de abertura do livro de Provérbios, por exemplo, informa aos seus leitores: “Provérbios de Salomão, filho de Davi, o rei de Israel” (Pv 1,1). Salomão falou como rei da aliança de Israel; realizou a sua tarefa não apenas com um olhar atento para o mundo e os comportamentos sociais, mas também com um coração repleto de fé proveniente de sua herança piedosa e, portanto, dependente de uma revelação anterior. Até mesmo Agur, o sábio prosélito de Massá, relatou como descobriu que a sabedoria só era possível dentro da fé israelita. Citando primeiro Davi (Sl 18,30) e depois Moisés (Dt 4,2), declarou em Pv 30,5-6:
Toda palavra de Yaohu é pura;
ele é escudo para os que nele confiam.
Nada acrescentes às suas palavras,
para que não te repreenda,
e sejas achado mentiroso.
Sabedoria didática e meditativa: O Antigo Testamento apresenta dois tipos principais de sabedoria. A maior parte da sabedoria didática se encontra no livro de Provérbios. Esse tipo de sabedoria costumava ser ensinado no contexto familiar (Pv 1,8.10). Consistia principalmente de ditos, enigmas e parábolas sapienciais (Pv 1,6) fáceis de memorizar e, muitas vezes provocativos criados para ensinar a sabedoria prática. Mediante o aprendizado dos provérbios, os jovens de Israel eram treinados para discernir orientação para inúmeras situações de vida.
O valor prático da sabedoria proverbial é resultante não apenas do conhecimento que ela apresenta de modo direto, mas também da compreensão de que nem sempre é fácil conciliar a sabedoria proverbial com a experiência de nosso mundo decaído.
Pv 22,29, por exemplo, diz:
Vês a um homem perito na sua obra?
Perante reis será posto;
não entre a plebe.
Não é preciso muita vivência para saber que existe certa dissonância entre esse provérbio e grande parte da nossa experiência. Sabemos que o provérbio não descreve uma série inevitável de acontecimentos, pois nem sempre as pessoas de grande perícia são colocadas perante reis. Antes, observações da vida nos mostram que o objetivo desse dito era incentivar o desenvolvimento de aptidões instilando a esperança de reconhecimento. Não prometia que todas as pessoas habilidosas obteriam tal reconhecimento. Pode-se dizer o mesmo de vários provérbios, pois o pecado levou o mundo a ficar aquém dos padrões ideais que costumam ser descritos na sabedoria didática. Grande parte da sabedoria proverbial aponta para aproximações da ordem ideal experimentadas ocasionalmente e volta os olhos dos fiéis para uma esperança além deste mundo (Pv 12,28; 14,32; 23,17-18; 24,19-20), quando tudo será corrigido pelo julgamento final. Então, todas as dissonâncias entre a sabedoria proverbial e a experiência serão eliminadas.
A sabedoria meditativa por sua vez pode ser vista em Jó e Eclesiastes. Esse estilo literário explora o uso apropriado da sabedoria proverbial chamando a atenção para o enigma da vida. Jó e Eclesiastes ajudam os intérpretes a evitar expectativas e interpretações exageradas da sabedoria proverbial. O livro de Jó testa a utilidade da sabedoria proverbial para aqueles que passam por sofrimento. Onde está a justiça de Yaohu quando os justos sofrem e os perversos usam a sabedoria proverbial para acusa-los falsamente? Quanto da sabedoria de Yaohu os seres humanos são capazes de compreender em tais circunstâncias? Do mesmo modo, Eclesiastes assinala os limites da sabedoria proverbial na busca de contentamento e significado. Por que há tão pouca alegria no fruto do trabalho árduo? De que adianta buscar conhecimento ou adquirir riqueza se, ao que tudo indica, os justos e perversos perdem tudo o que conquistaram quando morrem? Os dois livros advertem contra interpretações simplistas da sabedoria didática que cria expectativa de justiça imediata e bênçãos contínua.
Jó e Eclesiastes corroboram o valor da sabedoria proverbial, mas também abrem caminho para uma compreensão mais profunda e plena. Em primeiro lugar, enfatizam que os seres humanos são seriamente limitados em sua capacidade de discernir a sabedoria de Yaohu, especialmente com respeito às anomalias desconcertantes da vida. É o cúmulo da insensatez acreditar que podemos, de fato, dominar a sabedoria necessária para entender todos os caminhos de Yaohu (Jó 28; 40 – 42). Em segundo lugar, lembram os leitores que até mesmo a aquisição de uma consciência limitada da sabedoria exige um temor do ETERNO reverente e constante (Pv 1,7). Jó 28,28 conclui, “Eis que o temor do ETERNO é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento”. Do mesmo modo, Ec 12,13 diz, “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Tema a Yaohu e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem”. A sabedoria meditativa ressalta que o reconhecimento das limitações humanas e da necessidade de submissão ao ETERNO nos permite viver como pessoas sábias.

OS ESCRITOS

INTRODUÇÃO

Após a “Lei” e os “Profetas”, a Bíblia hebraica apresenta uma terceira coletânea, que não constitui um grupo homogêneo e não recebeu um título característico, já que foi simplesmente denominada Ketubim, ou seja, os (demais) Escritos.
A coletânea dos Ketubim não foi mantida nos diversos manuscritos gregos e nas listas eclesiásticas. Alguns desses livros foram inseridos entre os livros “históricos” (Rt; Cr; Esd-Ne; Est) e “proféticos” (Lm; Dn), e os demais passaram muitas vezes a formar um grupo de livros “poéticos”.
Nas listas hebraicas a seção dos Ketubim está sempre presente, mas nem sempre na mesma ordem interna.
À guisa de exemplo, a lista fornecida pelo Talmud (Baba Batra 14b) parece ordená-los segundo um princípio cronológico: Rute (que termina com a genealogia de David), Salmos (atribuídos a David), Jó (que alguns afirmam remontar à época da rainha de Shebá, cf. Jó 1,15), Provérbios, Eclesiastes (Coélet), Cântico dos Cânticos, (coletânea salomônica), Lamentações (atribuídas a Jeremias), Daniel (do tempo do Exílio), Ester, Esdras-Neemias, Crônicas (do período persa).
A despeito da variedade dos sistemas da classificação, constata-se que os Salmos, Jó e Provérbios figuram sempre juntos (freqüentemente na ordem: Salmos-Provérbios-Jó).
Analogamente, Crônicas figura sempre ou no começo ou no fim da coleção (sendo que Esdras-Neemias ocupa sempre ou o último lugar ou o penúltimo, respectivamente). A posição final de Crônicas é curiosa, pois Esdras-Neemias constituem sua seqüência natural. Esta posição já é conhecida do Novo Testamento (Mt 23,35; Lc 11,51). Dever-se-á isto ao fato de a incorporação de Crônicas no cânon ter ocorrido mais tarde? Ou será que se quis ordenar os livros da Bíblia de maneira a estabelecer uma correspondência entre o primeiro e o último livro, visto que tanto o Gênesis como Crônicas começam por um quadro do desenvolvimento da humanidade e terminam com a promessa da salvação e do retorno a Israel (Gn 50,24-25; 2Cr 36,1-23)?
O lugar dos Cinco Rolos (Ct; Rt: Lm; Ecl; Est) é muito instável. Todavia, em razão do costume de lê-los nos dias de festa (Cântico dos Cânticos na Páscoa, Rute em Pentecostes, Lamentações no aniversário da queda do Templo, Eclesiastes na festa das Tendas, Ester na de Purim), passou-se a justapor esses cinco livros nos manuscritos, e posteriormente também nas primeiras Bíblias impressas.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: desconhecido.
Propósito: Explorar os limites e os usos adequados da sabedoria proverbial tradicional no caso do sofrimento de um justo.
Data: c. 970-586 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu tem propósitos por trás de todo sofrimento, mas esses propósitos estão, em grande parte, ocultos para nós.
A sabedoria proverbial convencional aplica-se facilmente a algumas situações – mas não do sofrimento dos justos.
Os justos que sofrem devem humildemente associar os seus lamentos com afirmações acerca da bondade e da justiça de Yaohu.
A compreensão humana acerca da sabedoria é limitada e sempre começa com o temor de Yaohu e a obediência aos seus mandamentos.

Propósito e características
Entre os escritos de sabedoria do Antigo Testamento (Jó; Provérbios; e Eclesiastes), o livro de Jó situa-se ao lado de Eclesiastes como uma exploração dos limites e usos adequados da sabedoria proverbial convencional. A sabedoria proverbial convencional descreve os ideais de vida e dá direção para entender o curso normal da experiência humana. Contudo, é possível entender mal e apropriar-se indevidamente da sabedoria proverbial como se o ideal e o comum fossem sempre apropriados. Surgem muitas circunstâncias que exigem uma reflexão mais profunda e um esforço que vá além da orientação da sabedoria proverbial. Isso se aplica especialmente ao sofrimento dos justos. O livro de Jó opõe-se a uma confiança ingênua na sabedoria proverbial ao confrontar questões sobre a bondade e a justiça de Yaohu, uma vez que ele permite que o seu povo fiel sofra.

CRISTO EM JÓ.
O livro de Jó prenuncia a pessoa e a obra de Cristo de inúmeras maneiras. A ligação mais direta entre Cristo e esse livro está no fato de que Cristo é “sabedoria de Yaohu” (1Co 1,24) e que nele “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2,3). Essa identificação de Cristo com a sabedoria provém do fato de que ele é o Logos eterno por intermédio de “quem todas as coisas foram feitas” (Jo 1,3) e que, como o Messias encarnado, ele é Aquele em quem repousa “o Ruach Hakodesh de sabedoria e de entendimento, o Ruach Hakodesh de conselho e de fortaleza, o Ruach Hakodesh de conhecimento e de temor do ETERNO” (Is 11,2). As coisas pelo qual Jó e seus amigos anseiam, a saber, entendimento e sabedoria, são encontrados em Cristo. Quando buscamos sabedoria à parte dele, estamos condenados a encontrar apenas a loucura do mundo (1Co 3,19). Quando homens e mulheres estão unidos com Cristo, ele lhes concede sabedoria. A graça dada aos que crêem é derramada “em toda a sabedoria e prudência” (Ef 1,8). Ou seja, a sabedoria começa com a fé em Cristo e provém da graça que é encontrada no ato de seguir Cristo e confiar nele. Todo cristão que “necessita de sabedoria [deve pedi-la] a Yaohu, que a todos dá liberalmente” (Tg 1,5). Mesmo assim, ao contrário do espírito contencioso que Jó e seus amigos exibem enquanto conversam, “a Sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tg 3,17).
Segundo, o livro de Jó insiste que a capacidade humana de compreender a sabedoria é tão limitada que, para nós, a sabedoria pode se resumir em dois elementos: temer a Yaohu e obedecer aos seus mandamentos (veja a nota sobre 28,28). Esse tema se cumpre em Cristo no sentido de que a sabedoria que vem de Yaohu significa submeter-se a Cristo com reverência e obediência.
Terceiro, em inúmeras ocasiões, o livro de Jó reconhece a necessidade desesperada que os seres humanos têm de um mediador entre eles e Yaohu (veja 5,1; 9,33; 16,20; 19,25; 33,23). A situação difícil da humanidade caída é tão terrível que precisamos de alguém com acesso ao trono de Yaohu para defender a nossa causa. Somos impotentes em nós mesmos. Cristo supre essa necessidade como o único Mediador entre a humanidade e Yaohu (1Tm 5,2).
Quarto, como um homem justo cuja lealdade para com Yaohu é testada pelo sofrimento, Jó prenuncia o cumprimento do teste em Cristo. Cristo excedeu em muito a justiça de Jó no sentido de que não teve pecado algum. Contudo, ele foi tentado no deserto e ao longo de toda a sua humilhação simplesmente para suportar tudo sem culpa (Hb 4,15). Por essa razão, quando não são perfeitos em seus sofrimentos, os fiéis podem descansar certos de que Cristo sofreu em nome deles e de que sua justiça e recompensa lhes são imputadas por meio da graça de Yaohu.

JÓ. A finalidade do Livro de Jó não é explicar – conforme comumente se diz – o enigma do sofrimento injusto, nem resolver o problema do mal. É, antes, uma tentativa do homem perplexo de situar-se ante a Yaohu santo e todo-poderoso.

Plano do livro. A obra se divide claramente em cinco partes:
1. Um prólogo em prosa, no qual o herói, Jó, homem piedoso e rico, é repentinamente atingido por calamidades inexplicáveis e, apesar disso, conserva toda a sua confiança no ETERNO (1,1 – 2,13).
2. Um diálogo em verso, no qual se debatem Jó, homem brioso e revoltado, e três amigos seus: Elifaz de Teman, Bildad de Shûah e Sofar de Naamá, sábios típicos do antigo Oriente. Este diálogo se desenrola de maneira lenta e solene, ao longo de três séries de discursos poéticos, enquadrados por dois monólogos do herói (3,1 – 31,40).
3. Uma série de discursos em verso, representando a intervenção imprevista de um quarto amigo, Elihu, filho de Barakel, o buzita (32,1 – 37,24).
4. Um diálogo, em verso, entre o ETERNO e Jó (38,1 – 42,6).
5. Um epílogo, em prosa, em que o herói recupera a saúde, a riqueza e a reputação, bem como novos filhos. Como os patriarcas, ele morre repleto de dias (42,7-17).

Unidade e data de composição. As diferenças de vocabulário, de estilo, de tradição cultural e de idéias religiosas, verificáveis nas diversas partes da obra, indicam a muitos leitores que ela não foi composta de um só jato. A título de hipótese, pode-se propor:
É bem provável que o prólogo e o epílogo em prosa tenham inicialmente constituído um conto folclórico (1, 1 – 2,13; 42,7 – 17). Ele narrava a paciência exemplar de um homem da terra de Us – talvez em Edom (1,1), a sudeste do mar Morto – que gozava de uma reputação única entre os “filhos do Oriente”. Pode-se pensar que a história deste Jó, dotado de uma piedade sem igual (1,1-8; Tg 5,11), circulava de forma oral entre os sábios do Oriente Médio, lá pelos fins do segundo milênio a.C., e tenha sido recontado em hebraico na época de Samuel, David e Salomão (sécs.XI e X a.C.).
Depois da catástrofe de 587 a.C., os judeus exilados em Babilônia tinham perdido tudo. Sua perplexidade levava alguns a perder toda crença no valor da existência e a questionar até sua fé na justiça de Yaohu. Servindo-se da bem-conhecida história do infeliz Jó (Ez 14,14.20), um poeta da segunda geração do Exílio (cerca de 575 a.C.) compôs o poema (3,1 – 31,40; 38,1 – 42,6), com uma finalidade pastoral e profética, semelhante à do seu predecessor Ezequiel (cerca de 592-580 a.C.). Este poeta traz à cena o herói, que sofria sem causa aparente, e três de seus amigos, tentando discutir poeticamente o valor da existência e os direitos do homem à justiça, humana e divina (31,35-37). O próprio ETERNO oferece ao herói ocasião de defender-se e de condenar a conduta divina (40,8-14), mas Jó recusa-se a aceitar o desafio e simplesmente se arrepende da sua presunção (42,1.6).
O poema se encerra com o reconhecimento da santidade divina, que ultrapassa infinitamente a imaginação dos homens e até mesmo as noções mais difundidas da providência e da bondade de Yaohu. Sugere-se ainda uma noção de pecado que transcenderia uma distinção demasiado simplista entre bem e mal, distinção em que se situa a ambição egocêntrica de um homem virtuoso.
O epílogo em prosa (42,7-17) parece contradizer a teologia do poeta, ao afirmar o dogma popular da restrição individual. Este epílogo só sobreviveu porque pertencia a um conto clássico, herança da sabedoria secular do Oriente. Talvez ele fosse admiravelmente conveniente às idéias dos escribas moralistas do judaísmo na época persa, que asseguraram assim a transmissão do poema à posteridade.
Um discípulo da escola jobiana ajuntou, provavelmente com fins apologéticos, os discursos de Elihu (32,1 – 37,24). Notam-se, efetivamente, nestes discursos uma linguagem, um estilo e um método retórico bastante distintos dos de um diálogo propriamente dito. Elihu insiste no valor educador do sofrimento e acrescenta certos argumentos que mestres da escola sapiencial tradicional lamentaram ser insuficientemente desenvolvidos por Elifaz, Bildad e Sofar.
O texto do terceiro ciclo do diálogo poético entre Jó e seus três amigos (em particular 25,1 – 27,23) parece ter sofrido dano na transmissão oral ou manuscrita. Falta o terceiro discurso de Sofar, e certas sentenças postas na boca de Jó parecem refletir a posição tradicional de um de seus amigos (24,18-25; 26,5-14). Alguns exegetas sugerem que os editores do poema procuraram suavizar a dureza do herói, emprestando-lhe palavras originalmente pronunciadas por Sofar. Muitos pensam também que o Elogio da Sabedoria (28,1-28) representa uma adição posterior. Entretanto, seu estilo está bem próximo do tom dos discursos do ETERNO (38,1ss.), e pode-se supor que a finalidade deste poema era separar a discussão dialogada da peroração de Jó.

Gênero literário. Há tempos, notou-se que a forma literária deste livro é única nas Escrituras. Apesar de a tradição judaica e cristã o ter relacionado entre as obras de Sabedoria e de nele se encontrarem numerosas sentenças de sabor sapiencial, admite-se, hoje, que Jó escapa a todo esforço de classificação.
A forma do diálogo, celebrizada por Platão, nasceu provavelmente na mais remota antiguidade, na Mesopotâmia e no vale do Nilo. Um documento cuneiforme, que remonta ao 3º milênio, levanta o problema do mal em termos ousados e é hoje conhecido como o Jó sumeriano. Outro texto cuneiforme, escrito em língua babilônica, trata do Justo sofredor. O Diálogo acróstico sobre a teodicéia, cuja cópia data ao menos do séc. IX a.C., põe em cena um doente e seu amigo, a discutir sobre a justiça divina, ao longo de vinte e sete estrofes de onze linhas cada uma. O amigo em questão emprega argumentos que reaparecem nos discursos de Elifaz de Teman.
No Egito, o Diálogo do homem cansado da existência com sua alma faz falar um miserável enfermo, escorraçado de casa, como um maldito com verdadeiro lirismo. Não se pode deixar de observar que Jó é o único personagem da literatura hebraica que exprime fascínio pela morte. Além disso, o vocabulário e numerosas alusões deste poema bíblico sugerem certa familiaridade com a cultura egípcia.
É, pois, provável, que o poeta de Jó pertencesse ao circulo internacional da Sabedoria e conhecesse a forma literária do diálogo. Tal gênero se prestava impunemente à apresentação em público de opiniões subversivas ou, pelo menos, de idéias que questionavam os dogmas de uma sociedade conformista. Deve-se notar, entretanto, que o poeta compôs uma obra original.

Nacionalidade do poeta. O diálogo em verso ignora a eleição e a missão de Israel, a aliança mosaica, a aliança davídica, a colina sagrada de Sião, o Templo, o culto sacrifical e a esperança messiânica. Aliás, a história popular e arcaica do herói Jó apresentava-se em moldes estrangeiros, nada israelitas. A presença de palavras e torneios de sintaxe que não se encontram em nenhuma outra parte da Bíblia hebraica confirma o caráter excepcional do livro. Alguns estudiosos concluíram, destas observações, que o autor era um sábio oriental não-israelita. Chegou-se até a levantar a hipótese de ser o hebraico do texto atual tradução de algum original aramaico ou árabe.
Tais conjeturas não têm fundamento. A utilização de um dialeto hebraico diferente do de Jerusalém, ao lado de algumas liberdades tomadas pelo poeta, pode explicar as particularidades literárias de Jó. O criador do diálogo em versos era um judeu, pois conhecia intimamente os oráculos dos grandes profetas, em particular, as “confissões” de Jeremias. Ele sabia de cor os salmos que se cantavam no Templo de Jerusalém e os provérbios que “se diziam” na corte dos reis de Judá.
Pode-se supor que, tendo sobrevivido à catástrofe de 587 (data em que o Templo foi destruído, a cidade incendiada, a população dizimada, os sobreviventes dispersados ou deportados para Babilônia), o poeta foi um dos primeiros “judeus” (por oposição ao sentido antigo de “Israel”). A seu modo, diferentemente do profeta Ezequiel, ele contribuiu para o nascimento do judaísmo. Mesmo não tendo sido nem profeta, nem sacerdote, nem salmista, esse herdeiro de sabedoria cosmopolita exerceu, junto aos seus contemporâneos, um ministério profético e pastoral. Para uma comunidade destituída de culto e desarraigada, ele criou uma nova literatura, reunindo os gêneros mais diversos como a lamentação, o hino, a máxima, a sátira, a controvérsia judiciária, a maldição, a invectiva profética e até mesmo o antigo relato de teofania, para propor, sob forma quase dramática, uma espécie de “diversão” literária.
Ocasião do poema. Na falta de indicação explícita, pode-se apenas levantar uma conjetura quanto à ocasião do poema. Como outras obras em verso e numerosas tradições em prosa ritmada, conservadas no Antigo Testamento e tradicionalmente consideradas documentos escritos, o diálogo de Jó foi, sem dúvida, inicialmente “publicado” em forma oral. Não era, originalmente, um manuscrito para leitura. Devemos antes pensar em verso que se “diziam” ou se recitavam com acompanhamento musical. Como as célebres rapsódias da Grécia homérica ou os cantos épicos dos trovadores medievais, os lamentos de Jó foram cantados provavelmente em círculos de deportados judeus saudosos de suas festas. Sabe-se que os grupos étnicos ou religiosos desarraigados apegaram-se obstinadamente à observância de seus calendários rituais. Sem Templo e sem altar, que gestos litúrgicos os exilados ou Babilônicos poderiam cumprir?
Nessa época tumultuada e incerta, puseram-se os judeus a celebrar o Ano Novo e o Dia do grande Perdão, antes da festa das Tendas. Teria o poeta de Jó lançado mão desta ocasião para distrair as multidões, dirigindo-lhes, de forma “paralitúrgica”, uma mensagem concernente à verdadeira fé?
Sabe-se que a festa babilônica do Ano Novo calcava-se na paixão, na morte simbólica e na renovação do monarca, dentro do quadro de renovação da criação e da fertilidade vegetal e animal. Ora, acontece que o poeta de Jó se serviu de numerosos traços da ideologia régia para descrever os sofrimentos e orgulho do seu herói. Aliás, ele entreteceu, na sua obra, alusões à criação do mundo e articulou os discursos do ETERNO com o ciclo do ano, culminando com o retorno da chuva do outono (38,38), o que, também, foi feito pelo autor dos discursos de Elihu (36,27 – 37,24). Seja como for, a intenção do poeta ia muito além da veneração do calendário. Com a ajuda de uma parábola, ele quis proclamar um oráculo profético de advertência e de esperança.
Aos que se sentiam devorados pela amargura (Lm 3,15) e mesmo pelo rancor contra um Deus que não cumpria suas promessas, o poeta narrou a antiga história do homem integro da terra de Us, porque essa história questionava os deportados judeus no mais profundo do seu derrotismo, ao perguntar-lhes: “Será em troca de nada que Jó teme a Yaohu?” (1,9).
Fora em vão que o povo da Aliança tinha mantido, apesar de todas as corrupções de vários séculos, certo nível de pureza cultual e um sentido ainda vivo de responsabilidade social. Comparando-se a seus perseguidores, Israel podia facilmente pensar que não merecia o seu destino. Arrogava-se direitos sobre seu CRIADOR. O poeta de Jó apõe sua voz a essa ilusão de todas as religiões naturais. Como os grandes profetas e alguns salmistas, ele compreendera que o mercantilismo não tem lugar na verdadeira fé e que à sublimidade corresponde à gratuidade da devoção.
A teologia do livro. O leitor moderno não pode ignorar a complexidade da composição do poema, nem o contexto histórico no qual veio à luz.
A história em prosa. Alguns aspectos do conto folclórico dificilmente corresponderiam ao pensamento do autor do diálogo. Discípulo de Jeremias, o sábio judeu meditara sobre o escândalo da desgraça dos humildes e da prosperidade dos maus. Ele provavelmente não aceitava explicar o sofrimento “sem causa” como resultado de uma aposta entre um Deus ingênuo e o mais cínico dos membros da corte celeste. Aliás, o poeta evitou cuidadosamente qualquer menção a este “adversário” mítico. Em vez disso, é o ideal de uma piedade “gratuita” que alimentou seu gênio poético e estimulou o rigor da sua indagação teológica.
O poeta não é, pois, responsável por todos os pormenores da narrativa em prosa. Serviu-se dela simplesmente como de um trampolim do qual lançar seus discursos. Uma vez que a história do piedoso Jó punha em cena diferentes personagens, ele os fez falar à sua própria maneira. Utilizou o canto popular para disfarçar uma discussão sobre a condição humana, o “toma lá, dá cá” dos cultos (2,4) e a pureza de uma fé que não pede contas a Yaohu.
Em contradição com os protestos de Jó, ou com os discursos do ETERNO, o epílogo em prosa, sabe-se bem, reafirma o dogma da retribuição. Era precisamente isto que repugnava à sensibilidade do poeta e é o que ele atacou com vigor sem paralelo na literatura do antigo Israel. Daí surge a questão que vem perturbando os intérpretes ao longo dos séculos: o desfecho do livro poderá de alguma forma, concordar com a teologia do poeta?
É preciso aqui recordar a distinção entre a recitação oral de um poema e sua codificação escrita, em data posterior. Por pertencer à herança nacional, a “narrativa folclórica” facilmente encontrou lugar nos manuscritos legados à posteridade judaica da época persa (séc. V e IV a.C.) pelos guardiões dos tesouros literários da nação. O “poema” encontrou aí seu lugar, por ter sido vazado na narrativa tradicional. Podemos até supor ter sido precisamente a conclusão piedosa da história em prosa que facilitou a sobrevivência do poema, no qual a ousadia da revolta de Jó e a ironia da resposta divina questionam a justiça de Yaohu ou, quando menos, distinguem-na da justiça dos homens.
O diálogo em verso. O autor do diálogo deu livre curso à paixão que sempre se apodera do espírito humano, quando confrontado com o enigma da dor. Ele não perde de vista, por um momento sequer, o escândalo intelectual e moral que perturbou o judaísmo, desde sua aparição na história, e que continua a inquietar os homens. O poeta de Jó fala à humanidade de todos os tempos, porque não somente enfrentou o escândalo da existência e da morte, mas também retratou o homem de fé que, na agonia, raia a blasfêmia e, ao mesmo tempo, busca a presença de um Deus que ama – Yaohu. Para ele, o silêncio divino é o sofrimento último. Mais que a destituição dos bens, que a perda dos filhos, o banimento da sociedade, a incompreensão da esposa e dos amigos e mais, até mesmo, que os terrores de uma doença fatal.
Outro tema se enxerta neste: Jó reivindica, como um direito, que sua integridade seja publicamente reconhecida. Ao contrário dos cantores de lamentações que, no livro dos Salmos, suplicam, de cem maneiras, para ser libertados de seus males. Jó pede somente que Yaohu admita a sua inocência.
Jó é um exemplo não somente de virtude, mas também de brio. Sob o efeito dos ataques insidiosos da doença e da dor moral, seu brio exacerbado vai descambando, pouco a pouco, para um orgulho sobre-humano, quase para a desmesura de um titã. Ele se compara ao Oceano e ao Monstro marinho (7,12) que, segundo a mitologia acádica, acorrentou e manteve sob os olhos o deus da ordem, ansioso por salvaguardar as fronteiras da terra habitável. Elifaz captou a nova dimensão da hybris que impele o homem moral, no ardor da provação, a se tomar, erradamente, por um semi-deus. Ele pergunta a Jó, fazendo clara alusão ao mito do Homem primordial:

Serás Adão, o que nasceu primeiro, ou foste dado à luz antes dos outeiros? (15,7)

Sem vergar, o herói persiste em exigir, não a cura, mas em ser liberado das acusações assacadas contra ele. É esse desejo obstinado que o leva a romper, por um momento, a crença tradicional no caráter definitivo da morte, crença que sempre aceitara (7,21; 14,10). Após ter declarado que tinha, nos céus, uma testemunha que tomaria sua defesa contra o próprio Deus (16,18-21). Ele clama, enfim, sua certeza de que, para além do seu último suspiro, já nas bordas do abismo, o seu redentor se levantará, vivo, para lhe permitir ver a Yaohu – seu Deus (19,25-26).
Todos os seus estão mortos ou, de certa forma, o excomungaram (19,13-22); ele não tem herdeiro humano que possa resgatar sua honra, depois de sua morte. Entretanto, ele sabe – e afirma solenemente esta certeza – que um ser misterioso desempenhará esse papel. De acordo com o antigo direito consuetudinário, o “redentor” devia ser um parente do morto, cujo dever era vingar o sangue derramado (de onde a expressão: “o redentor do sangue”) ou preservar, através de compra legal, a integridade da terra ancestral (2Sm 14,11; Rt 2,20 etc.). Se bem que certas palavras desta passagem, hoje famosas, tenham sido mal preservadas nos manuscritos e que as antigas versões quase não ofereçam auxílio, o texto hebraico de 19,26b está solidamente confirmado: Na minha carne contemplarei a Yaohu.
Compreende-se por que os primeiros cristãos leram aqui o prelúdio da fé na ressurreição da carne e a prefiguração de um “Redentor” que venceria a morte. No séc. VI a.C., a expressão “na minha carne” significava, provavelmente, o homem na sua plena identidade concreta, e tal modo de ver é confirmado pelas repetições na frase que segue (v. 27). Aliás, foi isto que, entre os judeus e os primeiros cristãos, deu a crença na vida futura uma forma que nada tem de comum com a idéia helenística da imortalidade da alma. A crença na ressurreição da carne supõe uma esperança realista numa vida em comunhão com Yaohu, contrastando com o modo etéreo e desprovido de substância sugerido pela especulação não-hebraica sobre a alma imortal. Além disso, esta crença pressupõe um ato soberano de nova criação, por parte de Yaohu, sem jamais considerar a imortalidade como um direito inerente à natureza humana.
As interpretações deste Credo notável (19,23-27) são as mais diversas, mas não há dúvida de que o poeta de Jó preparou, desde a aurora do judaísmo, uma teologia da mediação entre um Deus que parece hostil e se mantém longínquo, de uma parte, e, de outra, o homem abandonado no mundo. Pode-se pensar que este poeta tenha legado ao seu herói uma esperança que seu coração nutria e que conseguiu exprimir segundo uma tríplice gradação: Primeiro, o sonho inacessível de um árbitro que interviesse entre Yaohu e o homem, pondo-o face a face, realizando a função de conciliador (9,33); em seguida, a convicção de que, depois do seu crime, Jó receberia de sua testemunha uma defesa póstuma na corte suprema (16,12-21); finalmente, a certeza inabalável da presença final de um redentor que não somente resgatará sua honra, mas ainda lhe permitirá ver a Yaohu (19,25-27).
Até a peroração de sua longa apologia, o herói conserva a dignidade de um homem que não tem nenhum sentimento de culpa. Lembra-se somente dos pecadilhos de juventude. Ele acolherá, pois, a Divindade, revestido de uma majestade real. “Como um príncipe” ele irá ao encontro do Poderoso (31,37).
A teofania do seio do furacão. As respostas de Jó aos discursos do ETERNO mudam de tom de maneira surpreendente. E o leitor descobre a intenção profunda do poeta: não é sua intenção resolver o problema do mal, nem justificar os caminhos divinos segundo os cânones da moral humana. Trata-se, pelo contrário, de purificar a teologia de todo moralismo antropomórfico, de esboçar uma nova abordagem da realidade da fé e, finalmente, de indicar o caráter insidioso do pecado que espreita o homem integro e piedoso.
A primeira intenção do poema de Jó é liberar a sabedoria divina da noção humana de justiça. Quando o ETERNO “responde” a Jó, do seio do furacão (alusão velada às teofanias de Moisés, Êx 19, e de Elias, 1Rs 19), ele não oferece, de fato, nenhuma resposta às perguntas do homem de dor. Antes, é ele que faz novas perguntas, uma depois da outra, antes de chegar a mais perturbadora:
O contendor do Poderoso ainda critica?

Responda, POIS, O QUE CENSURA Yaohu (40,2).

Jó recusa-se a apanhar a luva (vv. 3 – 5), e o ETERNO, mais uma vez, ironiza o campeão que procurava briga e o convida, não sem ironia, a preparar-se para o último combate:

Cinge os teus rins, como um guerreiro; vou te perguntar e tu me farás saber:
Pretendes mesmo anular meu julgamento, e condenar-me, para te justificar? (40,7 – 8).

Esta dupla pergunta vai ao núcleo da discussão e oferece a chave para todo o Livro de Jó. O poeta serve-se do mistério do sofrimento para sondar o mistério de Yaohu.
O herói não deixou de proclamar sua integridade. Várias vezes indicou que sua miséria constituía um desmentido à justiça de Yaohu. De fato, ele mantinha que Yaohu reconheceria, com toda certeza, sua inocência e, querendo implicitamente ditar seus próprios termos ao Poderoso, tentava justificar a si mesmo.
Enquanto seus amigos entravam na liça para defender incansavelmente a idéia da retribuição divina e o valor da conversão (mostrando-se empenhados num empreendimento intelectual de “teodicéia”, ou justificação de Yaohu), Jó insistia nos direitos que o homem adquire por sua conduta moral. Ele se fechava na busca de uma “antropodicéia”, ou justificação do homem. O poeta pode agora mostrar que a justificação do homem nunca será conseguida senão à custa da condenação de Yaohu.
O estilo da controvérsia profética que apareceu em Jó insistia nos direitos que o homem adquire por sua conduta moral. Ele se fechava na busca de uma “antropodicéia”, ou justificação do homem. O poeta pode agora mostrar que a justificação do homem nunca será conseguida sendo à custa da condenação de Yaohu.
O estilo da controvérsia profética que apareceu em Jó 40,2 reencontra-se no v. 8, onde o verbo “quebrar” (nesta tradução: anular [meu julgamento]) é o mesmo que emprega Jeremias ao falar da ruptura da antiga Aliança (Jr 31,32). Fazendo uso de tal terminologia, o poeta sugere que Jó partilhava, de fato, com seus amigos, a velha crença na retribuição, ligada à ideologia da aliança de obrigação mútua. Jó não “teme a Yaohu em vão” (1,9). Tanto como seus amigos, também ele atribuía implicitamente a Yaohu um sentido humano da justiça, baseada na idéia comercial de compra e venda.
Querer encontra um vínculo entre a perfeição moral do homem e sua felicidade é conceber a Yaohu como um homem de negócios tratando com seus clientes. A fórmula “toma-lá-dá-cá” (2,4) não exprime apenas a idéia do “adversário” mítico da história em prosa; ela caracteriza, igualmente, todos os personagens do diálogo em verso. E é isto que o próprio ETERNO revela a Jó, falando-lhe de dentro do furacão. O poeta mostra os perigos da teologia da Aliança, cada vez que o dogma da obrigação contratual se corrompe e dá a impressão de que a liberdade de Yaohu é limitada. Como Israel, Jó pensava que sua integridade, superior à de todos os orientais, lhe garantia direitos sobre Yaohu.
O herói é, enfim, persuadido a encarar o erro sutil da sua posição. Ele não pode justificar a si mesmo sem, ao mesmo tempo, declarar que Yaohu “é mau” (sentido literal do verbo em 40,8b). Jó aprende que, afinal, enveredara pelo mesmo caminho de seus três amigos. A defesa de Yaohu é, sempre, uma defesa do homem. A teodicéia é, de fato, uma “antropodicéia”.
Posto em presença da santidade infinita do Criador dos mundos, Jó descobre que não pode salvar-se a si mesmo. Deve renunciar à ilusão da religião como técnica de bem-estar e segurança. Ao compreender que temeu a Yaohu “por nada” (1,9), a graça inefável da presença se torna para ele o suficiente. Ele não pede mais nada.
A segunda intenção do poeta era delinear uma abordagem nova para a realidade da fé. É verdade que as antigas tradições “javista” tinham, há muito, expressado a relação entre Yaohu e o homem como um simples relacionamento de confiança entre duas pessoas (Gn 15,6). Os grandes profetas, Isaías em particular, já haviam entrevisto na fé (emuná) o segredo da perseverança, a capacidade de viver um amém (Is 7,9) ou de viver a justiça e a retidão (Hab 2,4). O poeta jobiano não usa esta linguagem, mas mostra claramente que o milagre da presença divina está na própria raiz do triunfo sobre o sofrimento. Ao evocar a teofania de Moisés e de Elias e ao antecipar a epifania final, celebrada nos hinos da festa do outono, o poeta dizia a seus conterrâneos deportados (sem Templo, sem monarquia, sem pátria nem esperança de um porvir nacional) que Yaohu do céu e da terra estava ainda e sempre com eles.
O furacão e a escuridão são os antigos símbolos da presença por trás da máscara. Enquanto os monstros míticos, o Sinuoso (Leviatan) e o Bestial (Behemot), elevam o enigma do mal sempre a uma escala universal, o arquiteto do cosmo revela a Jó, um simples indivíduo, as maravilhas da liberdade divina. O pragmatismo humano não tem lugar na ordem da criação, onde a chuva cai até sobre terras inabitadas (38,26). Ter fé é crer em um Deus livre – Yaohu, que se inclina, apesar das aparências contrárias, sobre a fraqueza, o pecado ou o orgulho da menor de suas criaturas.
Através do desenvolvimento desses temas, de modo indireto, por meio do procedimento dramatúrgico, o poeta esboça sutilmente um novo caminho para a compreensão da antiga noção de pecado. É esta a terceira intenção dos discursos do ETERNO e da resposta final de Jó. Diante da santidade que supera todo entendimento, o lutador desiste. A presença abriu-lhe os olhos. Agora ele vê com seus próprios olhos, em vez de conhecer por “ouvir dizer” (42,5).
Vendo a “santidade”, ele toma consciência do seu pecado. Não cometeu nenhum dos crimes de que o acusaram seus amigos, mas cometeu o crime por excelência do homem moral: constituiu-se num “julgo-Deus-Yaohu”. Sua confissão é, portanto, inevitável:
Também, por isso, tenho horror de mim e retrato-me no pó e na cinza (42,6-7).

Jó exigira uma audiência, a fim de defender sua honra, mas sua moralidade, sem que ele a notasse, tornara-se uma técnica destinada a obter um atributo sobre-humano, análogo ao dos reis antigos que se enfarpelavam com os ouropéis do direito divino (40,10-14).
A culpa de Jó não é de ordem moral; é a do homem que não somente se crê dono do próprio destino, mas ainda se erige, inconscientemente, em ser divino, uma vez que emite julgamento sobre Yaohu. Os discursos do ETERNO e a resposta de Jó contêm uma crítica ao subjetivismo humanista, que modela Yaohu pelas normas do pensamento humano. O poema de Jó separa a realidade de Yaohu das restrições da razão ou da moralidade humanas. O poeta antecipa o apóstolo Paulo, porque sua visão do ETERNO lhe permite discernir entre a idolatria da fé e a lei, concebida como fonte de autojustificação.

Texto e tradução. Em 1952, foram encontrados numa gruta perto do mar Morto os fragmentos de um manuscrito de Jó, em caracteres hebraicos antigos. Esta velha escrita, até então, parecia reservada aos livros do Pentateuco. Daí se vê a importância que alguns meios judeus atribuíam ao Livro de Jó desde antes da nossa era.
O texto hebraico do Livro de Jó oferece graves dificuldades. Parece que o antigo tradutor grego (Septuaginta) já tropeçara nelas. Às vezes, ele tenta escapar com uma paráfrase bastante vaga, outras vezes, pula certo número de versículos sem traduzi-los.
Foi necessário esperar até o trabalho crítico de Orígenes e o talento tradutor de Jerônimo para tornar as angústias de Jó acessíveis aos cristãos.
As particularidades do texto hebraico contrastam, muitas vezes, com o que os outros livros da Bíblia nos dão a conhecer da língua hebraica antiga. Diante disso, de um século para cá, os tradutores tomaram o hábito de considerar muitos versículos de Jó desfigurados por corrupções, que eles “corrigem” de maneira muitas vezes bem engenhosa. Entretanto, a exegese contemporânea foi adquirindo um senso sempre mais vivo da fragilidade dessas conjeturas e também do isolamento do Livro de Jó num contexto cultural hoje desaparecido. A presente tradução optou resolutamente pelo texto hebraico tradicional, inspirando-se amplamente nos comentadores judeus medievais para a interpretação das passagens obscuras.
VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JÓ:


Pontos fortes e êxitos:
Era um homem de fé, paciência e perseverança.
Era conhecido como alguém generoso e afetivo.
Era muito rico.

Fraquezas e erros:
Permitiu que o desejo de compreender o motivo do sofrimento o oprimisse e o levasse a questionar Yaohu.

Lições de vida:
Conhecer a Yaohu é melhor que conhecer as respostas.
Yaohu não é arbitrário ou descuidado.
A dor nem sempre é fruto de punição.

Informações essenciais:
Onde: Uz.
Ocupação: Rico fazendeiro.
Familiares: Esposa e dez filhos (nomes não mencionados). As filhas da segunda série de filhos – Jemima, Quesia e Quéren-Hapuque.
Contemporâneos: Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú.

Versículos-chave: “Meus irmãos, tomai, por exemplo, de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do ETERNO. Eis que temos por bem-aventurado os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o ETERNO lhe deu; porque o ETERNO é muito misericordioso e piedoso” (Tg 5,10.11).

A história de Jó pode ser encontrada no livro de Jó. Ele é também mencionado em Ezequiel 14,14.20 e Tiago 5,11.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE SALMOS:

SALMOS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autores: Moisés, Davi, Salomão, os filhos de Asafe, Etã, o ezraíta, e vários autores desconhecidos.
Data: c. 1440-400 a.C.
Propósito: Prover para Israel uma coletânea de cânticos para a adoração adequada para diversas situações.
Verdades fundamentais:
Yaohu merece louvor.
Yaohu protege e resgata os justos quando eles padecem necessidade.
Yaohu irá abençoar o obediente e julgar o desobediente.
A revelação de Yaohu deveria ser o fundamento da adoração.
A verdadeira adoração implica uma vasta gama de emoções que é fruto de experiências da vida.

A Teologia dos Salmos
Assim como a composição do Saltério aconteceu durante o período do Antigo Testamento como um todo, assim também a teologia do Saltério é tão abrangente como a teologia de todo o Antigo Testamento. Martinho Lutero chamou o livro dos Salmos de “uma pequena Bíblia e o sumário do Antigo Testamento”.
Nos salmos, no entanto, as verdades teológicas não são apresentadas de modo sistemático ou abstrato; as realidades transmitidas neles estão relacionadas à vida e falam no contexto da fé baseada numa aliança.

CRISTO EM SALMOS.
Os leitores cristãos dos Salmos vêem justamente Cristo revelado ao longo do Saltério. Todo o Antigo Testamento, incluindo o Saltério, aguardava a pessoa e a obra do Messias, incluindo não somente aqueles associados ao seu primeiro advento, mas também aqueles que o Novo Testamento atribui à sua vinda. O próprio Messias e os escritores do Novo Testamento fazem extenso uso dos salmos para expressar temas como o sofrimento do Messias (p. ex., Mt 27,46) e a sua glorificação (p. ex., Mt 22,41-46). Além disso, para o cristão, o Messias se torna o objeto de culto do Saltério. As orações em forma de cântico dos Salmos são direcionadas a Yaohu. O Messias – Cristo, como a segunda pessoa da Trindade, também é o objeto apropriado dos hinos e lamentos dos Salmos. O Messias é, ao mesmo tempo, o cantor (Hb 2,12) e o tema dos cânticos. Os que crêem em Cristo podem cantar-lhe o seu louvor (hinos), apresentar-lhe as suas queixas e petições (lamentos) e agradecer-lhe quando ele responde às suas orações (ações de graça). Além do mais, eles se lembram do que ele fez por eles na cruz (salmos de lembrança) e exaltam-no como o seu rei (salmos reais). Ele é a fonte de sua confiança (salmos de confiança) e a encarnação da sabedoria de Yaohu (salmos de sabedoria).
Até os salmos que incluem imprecações, ou maldições, encontram cumprimento em Cristo. Esses salmos clamam pela justificação dos justos e pelo juízo de Yaohu contra os ímpios (p. ex., Sl 69,22-39). Essas orações refletem o chamado dos israelitas à guerra santa como os instrumentos do juízo de Yaohu. Com a vinda de Cristo para sofrer o juízo de Yaohu, a natureza da guerra do povo de Yaohu, mudou. Agora ela é mais intensa, porém dirigida, em primeiro lugar, contra “as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6,12). Quando Cristo voltar em glória, o tempo de misericórdia terá chegado ao fim e as imprecações dos salmos irão se cumprir contra todos os inimigos de Yaohu.

SALMOS. O livro: Eis a coletânea dos “Louvores”. Insere-se ela depois da Lei e dos Profetas, encabeçando a terceira seção da Bíblia hebraica – os “Escritos” –, antes de Jó e dos Provérbios, com os quais forma uma tríade, dotada, no texto masorético, de um sistema especial de acentuação. A obra, que a versão grega dos Setenta denomina Psaltérion ou Psalmoi – donde o título usual de Livros dos Salmos –, contem cento e cinqüenta poemas.
Assim como o Pentateuco – Similitude sem dúvida internacional –, o Saltério está dividido em cinco partes (1 – 4; 42 – 72; 73 – 89; 90 – 106; 107 – 150), encerrando-se cada uma delas com uma fórmula de bênção, ou doxologia. Mas esta repartição geral oculta coleções parciais, de maior ou menor importância. Com efeito, nota-se a existência de grupos de salmos que diferem entre si pela preferência que dão a um ou outro dos nomes dados a Deus – seja ao nome específico do Deus de Israel (o tetragrama sagrado YHWH, traduzido por SENHOR – {DIGA-SE DE PASSAGEM, SÓ POR VONTADE DO “HOMEM” TERIA ESSE SIGNIFICADO A UMA ENTIDADE CRIADA POR MÃOS HUMANAS…!!! Anselmo Estevan.}) (3 – 41; 90 – 150), seja ao nome comum Elohim, isto é, Deus (42 – 83). É possível identificar também vários grupos internos: entre outros, “oração de David, filho de Jessé” (cf. 72,20), ou livrinhos dos filhos de Qôrah (42 – 49; cf. 84 – 85; 87 – 88) e de Asaf (73 – 83; cf. 50), os cânticos das subidas (120 – 134), os cantos denominados do Reino de Yaohu (93 – 99), a tríplice Hallel (113 – 118; 136; 146 – 150), no qual ressoa freqüentemente a aclamação litúrgica “aleluia”. Antes de esses escritos serem reunidos em um só livro, quiçá pelo fim do século III a.C. – já que é impossível precisar melhor a data –, fizeram-se desses salmos coleções parciais, independentes e desiguais. É esta formação progressiva da obra que explica várias anomalias, em particular a dupla recensão de um mesmo poema (14 = 53; 40,14-18 = 70; 57,8-12+60,7-14 = 108). Fora do Saltério encontram-se salmos isolados, espalhados em outros livros e pertencentes a épocas diversas, como por exemplo 1Sm 2,1-10; Is 38,10-20; Jn 2,3-10; Na 1,2-11; Hc 3,1-19; Lm 5; Dn 2,20-23.
Os dois salmos iniciais, muitas vezes contados como um só, (certos manuscritos, em At 13,33) têm função de prefácio, e a grande doxologia final (150) encerra não apenas a quinta parte, mas o livro inteiro.

Os títulos. Os salmos da Bíblia hebraica, excetuados trinta e quatro deles, levam títulos de extensão e caráter variáveis. Esses títulos, à guisa de ficha individual de identidade, remontam a um período bastante antigo, já que os primeiros tradutores gregos não mais entediam o sentido exato deles. Mesmo hoje, apesar dos esforços dos exegetas, muitas vezes não nos resta senão permanecer em conjeturas ou em silêncio.
A maioria dessas indicações dizem respeito aos autores tradicionais: Moisés (90), Salomão (72, 127), Asaf (50; 73 – 83; cf. 1Cr 16, 4-7; 25, 1-2; Ne 7, 44), os filhos de Qôrah (42; 44 – 49; 84 – 85; 87 – 88; cf. 2Cr 20,19), Heman (88) e Etan (89; cf. 1Cr 15,7-19; 25,5), Iedutun (39; 62; 77; cf. 1Cr 16,41-42; 25,1.3; 2Cr 5,12; 29,14; Ne 11,17). Entre esses nomes sobressai o de David, citado no início de setenta e três salmos, especialmente no primeiro livro da coletânea, que, por este motivo, se chama com razão de “grande coleção davídica”. A menção a David vem acompanhada, treze vezes, de uma alusão a algum evento da vida desse rei. Compreende-se facilmente a preeminência do “cantor dos salmos de Israel” (2Sm 23,1). David gozava de reputação de poeta (2Sm 1,17.19-27; 3,33-34), de músico (1Sm 16,16-23; 18,10); a ele se atribuía a organização do culto e do canto litúrgico (1Cr 15,16; 23,5; Ed 3,10; Ne 12,36). A poesia israelita certamente existia bem antes de David. Prova disso é, entre outras, o grito de vingança de Lémek (Gn 4,23-24), a canção do poço (Nm 21,17-18), o cântico de Moisés e o cântico de Miriâm (Êx 15,1-21), a ode triunfal de Débora (Jz 5,2-31). Entretanto, a tradição considera que David deu grande impulso à lírica sacra; ela o considera como o autor mais notável, o animador, o pai espiritual dos salmistas, enquanto justo perseguido, penitente reconciliado, figura do Messias.
As questões de autenticidade literária oferecem aos exegetas contemporâneos ampla matéria para discussões. Com efeito, a preposição hebraica que, nos títulos, precede os nomes das pessoas, presta-se a diversas interpretações divergentes: pode indicar uma referência ao autor, mas também, como na literatura agarítica, a pertinência a um ciclo literário ou uma alusão ao herói do poema. De todo modo, não há que esquecer: os salmos são realidade viva. Gerações e gerações “re-citaram” esses cantos, sem repeti-los: os fiéis os reviviam, harmonizando-os com as próprias circunstâncias; ademais, devido à sua vinculação com o culto, os salmos foram atualizados na liturgia, foram, por assim dizer, reeditados em função das circunstâncias novas. Antigamente não se entendia o conceito de autor e a propriedade literária com o mesmo rigor de hoje. Eis por que a tentativa de fixar a data de surgimento dos poemas em cada período da história de Israel e de demarcar a sua cronologia esbarra em sérias dificuldades. Um documento relativamente tardio bem pode provir de tradições seculares; em contrapartida, compositores recentes ressuscitam as obras dos seus predecessores, adotam e adaptam material antigo; por vezes encaixam num escrínio novo fragmentos arcaicos e até, eventualmente, relíquias da literatura dos povos vizinhos. Prolongar-se-á ainda por muito tempo a discussão sobre essas questões complexas e difíceis da datação dos textos e das influências estrangeiras. Felizmente, a data precisa de um salmo não constitui, normalmente, um dado indispensável para desentranhar o seu significado essencial e alcance espiritual.
Há títulos de salmos que sugerem o caráter, a natureza das composições. Avisam-nos que estamos diante de um poema acompanhado por instrumentos de cordas (mizimor, 57 vezes), de uma oração (tefillá, 86; 90; 102; 142), de um louvor (tehillá, 145), de um conto de amor ou epitalâmio (45), ou simplesmente de um canto (shir, 30 vezes). Certos temas resistem à tradução: maskil (32; 42; 44; 45; 52 – 55; 74; 78; 88; 89; 142), shiggayon (7), traduzidos, não sem hesitação, o primeiro por “instrução” e o segundo por “confissão”. Por vezes consideramos mais razoável transcrever sem traduzir (cf. 16; 56; 57; 58; 59; 60). A despeito de sua obscuridade, esses termos técnicos apresentam um interesse inegável: atestam a existência em Israel, de diferentes tipos de salmos. Esses indícios estimularam os exegetas na pesquisa dos “gêneros literários”. Seus trabalhos têm levado, no decurso dos últimos anos, a uma proliferação de classificações.
Outras indicações referem-se à execução musical. Mencionam freqüentemente (55 vezes) o mestre de coro. É este o sentido provável (cf. 1Cr 15,21; 23,4) de um termo não compreendido nas antigas versões. Designam-se também diversos instrumentos de música: flautas (5), instrumentos de cordas (4; 54; 55; 61; 76), de oito cordas (6; 12), cítara de Gat (8; 81; 84), a menos que se trate de uma melodia específica. Para dar sustentação ou acompanhamento aos coros, utilizavam-se instrumentos diversos: shofar (trompa) e trombeta, harpa, alaúde e cítara, címbalos e tamborim. O Sl 150 enumera os elementos da orquestra sacra, “música de Yaohu” (1Cr 16,42). Por detrás de certas expressões enigmáticas, podem-se discernir indicações referentes à melodias a ser executadas com os cantos: cerva da aurora (22), os lírios (45; 69), não destruas (57; 58; 59; 75). Na nossa tradução, muitas vezes nos resignamos a respeitar o mistério dessas indicações (9; 46; 53; 56; 60; 80; 88).
Finalmente, rubricas que associam expressamente certos contos a atos litúrgicos: o Sl 30 é destinado à dedicação da Casa. O Sl 92 diz respeito ao dia de sábado e o Sl 100 à ação de graças. Talvez convenha também associar a fórmula em memorial (38; 70) a uma função cultual específica. Quanto aos salmos das subidas ou para as subidas, não cabe dúvida de que pertenciam ao repertório dos peregrinos que “subiam” a Jerusalém.

Os poemas. A coletânea dos “Louvores” foi inteiramente redigida em verso. Estes são facilmente perceptíveis na tradução, pois os versículos dos salmos, na sua apresentação atual, correspondem praticamente aos versos do texto hebraico.
O mais das vezes, um verso se compõe de dois membros, às vezes de três. Obedece a um ritmo que, ao contrário do que ocorre nas prosódias grega e latina, não se fundem na quantidade, isto é, na combinação das sílabas longas e breves, nem no número das sílabas – como na versificação francesa clássica –, mas no acento tônico, como na poesia anglo-saxônica. O ritmo mais freqüente consiste em três acentos em cada membro do verso (3+3); por vezes esta cadência ternária cede lugar, no segundo membro, a uma cadência binária (3+2). Este ritmo quebrado ou defeituoso é muitas vezes perceptível na tradução, já que a segunda parte do verso é mais curta que a primeira. Mas os poetas hebreus desfrutam de uma liberdade muito grande na escolha e no arranjo dos ritmos. Há que reconhecer, também, que certos poemas se aproximam bastante da prosa.
A presença de estribilhos que se repetem a intervalos regulares (42; 43; 46; 49; 59; 67; 80; 99; 107) permite agrupar um conjunto de versos equivalente a uma estrofe. A palavra sela, com que se depara dentro dos cantos, especialmente nos três primeiros livros da coletânea, talvez assinale, em certos casos, a divisão em estrofes. Traduzimos por pausa este termo, cuja significação permanece incerta. O mais das vezes, a unidade de tema ou de sentido justifica as seções internas, destacadas pela disposição tipográfica. Lugar especial cabe ao longo Sl 119, onde há tantas estrofes quantas são as letras do alfabeto hebraico. Este poema compõe-se de vinte e duas estrofes de oito versos, sendo que cada um deles começa pela mesma letra segundo a ordem do alfabeto (cf. Sl 9 – 10; 25; 37 etc.).
O elemento mais indiscutível da salmodia hebraica, como da poesia semítica, é o paralelismo, uma espécie de balanceamento dos membros da frase, comparável a uma rima de pensamento. O paralelismo apresentava várias formas. Por vezes retoma-se a mesma idéia ou imagem utilizando expressões equivalentes; temos o paralelismo sinonímico:

Por que esta agitação dos povos,
este rosnar inútil das nações?


E agora, reis, sede perspicazes:
Deixai-vos corrigir, juízes da terra (2,1.10).

Outras vezes, o poeta procede por contraste ou oposição; temos então o paralelismo antitético:

Sim, os que ele abençoa possuirão a terra,
e os que ele amaldiçoa serão suprimidos (37,22).

Já no caso de paralelismo sintético, a mesma idéia é expressa com um desenvolvimento do pensamento:

Cantai ao ETERNO um canto novo,
cantai ao ETERNO, terra inteira (96,1).

Nem sempre o paralelismo é completo; embora seja considerado como característica distintiva da poesia hebraica, não o encontramos em toda parte. Aliterações ou assonâncias, freqüentes, mas de impossível tradução, estão assinaladas nas notas.

As famílias dos salmos. O parentesco físico manifesta-se através de traços comuns: semelhanças externas do rosto, da fisionomia do andar; semelhanças no falar e no sotaque; comunidade de pensamento, de sentimentos, de problemas e de tradição. Entre famílias, estabelecem-se alianças que criam afinidades e mesclas. Também acontece o caso de parentes que não se parecem entre si… O mesmo ocorre com os salmos. Muitos deles apresentam entre si semelhanças de estrutura, uma fraseologia e uma tonalidade comuns, supõem situações idênticas ou análogas, tratam os mesmos temas, mesclam-se entre si para dar origem a poemas complexos. Falaremos, portanto, de “famílias” de salmos aplicando este conceito de parentesco com bastante flexibilidade. Uma classificação que pretenda agrupar todos os salmos deve necessariamente admitir margem para o provável e até para o conjetural. Com estas ressalvas, propomos três grandes famílias:
1. Os louvores;
2. As orações de pedido de socorro, de confiança e de ação de graças;
3. Os salmos de instrução.

1. Os louvores. Esta família conta muitos representantes, disseminados através de todos os livros da coleção. Segundo uma opinião amplamente difundida a maioria das “laudes” foram compostas para o serviço litúrgico e executadas por ocasião das festas de Israel. Há razões plausíveis para atribuir um ou outro desses salmos a uma solenidade precisa, mas, mesmo que seja tentador querer recompor o roteiro das diversas cerimônias litúrgicas, tais reconstituições são hipotéticas. O aspecto comunitário, fortemente acentuado, manifesta-se através de diálogos, coros, estribilhos, aclamações, responsórios, como Amém! Aleluia! A participação coletiva traduzia-se também por cortejos, procissões, espetáculos: danças, aplausos, genuflexões, prostrações.
Os louvores costumam adotar a mesma estrutura. Desde os primeiros versos, o sinal é dado por um invitatório, de extensão maior ou menor, e às vezes por uma simples exclamação. Ora o salmista interpela-se a si mesmo (103; 104; 146), ora – o mais das vezes – lança seu apelo à comunidade, às diversas classes do povo, aos elementos da natureza (148) e até aos liturgos do culto celeste (29; 148). Este prelúdio ou introdução indica o tom, cria uma atmosfera de júbilo. Por vezes, desde o início, o poeta sugere os motivos de louvor que desenvolverá no corpo do poema. O salmo termina de maneiras distintas: retomada parcial ou total da introdução, resumo dos motivos, fórmula de bênção, oração ou desejo. Há variantes que quebram a uniformidade desta estrutura; são impostas pela diversidade das situações e também pelo fato de os louvores não terem todos a mesma destinação: referem-se a Yaohu, a Sião e ao Templo, ao rei.
a) Os hinos que se dirigem ao ETERNO da Aliança formam um grupo compacto (8; 19; 33; 100; 103; 104; 111; 113; 117; 135; 136; 145 – 150; cf. 78; 105). Israel canta sua fé no Deus – Yaohu – único, eterno, todo-poderoso, onisciente, criador, ETERNO da história, sempre fiel ao povo por ele escolhido. Esses louvores são a resposta da comunidade à palavra do seu ETERNO, a reação de um povo que não cessou de encontrar na sua história o Yaohu vivo, seu guia, juiz, defensor, libertador. Salmos históricos, como 78 e 105, celebram em forma de hino os feitos, as “maravilhas” ou os “milagres” de Yaohu, tais como se nos manifestam através da história da salvação. Esses atos de Yaohu são palavras, sinais, epifanias, da mesma forma que as palavras divinas equivalentes a atos. O louvor que brota dos lábios de Israel não decorre de reflexões filosóficas, mas da experiência espiritual deste povo.
Nas suas descrições da natureza, os salmistas são tributários das concepções vigentes em sua época; são muito mais testemunhas de sua contemplação religiosa do universo do que de uma visão poética do cosmo. Os fenômenos atmosféricos, a alternância das estações escondem e revelam as intervenções divinas. A natureza manifesta por transparência a presença do seu autor.
Certos comentadores têm relacionado determinadas passagens dos louvores ao Criador com a literatura extrabíblica: O canto dá tempestade (29) recordaria os hinos em honra do BAAL cananeu; o início do Sl 19 conteria reminiscência das orações ao deus-sol; o cântico da criação (104) se inspiraria no hino egípcio ao deus Aton. Entretanto, os salmistas não plagiam; eles extraem seus modelos eventuais de RAS SHAMRA-UGARIT, da Babilônia e do Egito. Eles cantam o Deus único; se haurem de outras fontes, assimilam; sua alquimia a tudo transmuda: O ETERNO não se confunde com uma força cósmica; ele é antes de tudo YAOHU – o DEUS da História universal e da história de Israel.
b) Os cantos do “Reino” (93; 96 – 99; cf. 47) assemelham-se aos hinos. No Saltério, foram agrupados devido às suas afinidades especiais, à sua tônica universalista, à aclamação que ressoa em vários deles: O ETERNO é rei! (93,1; 96,10; 97,1; 99,1; cf, 98,6). Celebram com entusiasmo a Yaohu entronado, rei e juiz de Israel, ETERNO dos povos. A origem de tais salmos lança raízes no culto (96,8-9; 99,5). A alegria transborda neles como em um dia de dedicação: Israel, os povos, as ilhas, todos os elementos do universo explodem em gritos de júbilo. Seriam esses salmos – que certos exegetas assemelham a cantos de entronização – utilizados por ocasião de uma liturgia determinada, como a festa dos Tabernáculos, de Jerusalém, do Ano Novo? É impossível responder com certeza a esta pergunta. Certos comentadores enfatizam pontos de contato com a última parte do livro de Isaías (cf. Is 52,7) e descobrem nesses cânticos novos (96,1; 98,1) perspectivas escatológicas. Contudo, no culto de Israel o presente atualiza o passado e antecipa o futuro: ao fazer reviver o passado, a liturgia reaviva a esperança.
c) Os cânticos de Sião exaltam Jerusalém e seu Templo (46; 48; 76; 84; 87; 122; cf. 24,26; 132). Sião acumula títulos brilhantes: capital da dinastia davídica, metrópole religiosa, a mais santa das moradas do Altíssimo, cidade de Yaohu, cidade do grande rei. Esta ladainha de louvores dirige-se em última instância ao próprio ETERNO, que escolheu o monte Sião por residência e lugar de descanso. O Sl 132, talvez cantado para comemorar a dupla escolha da cidade e do seu rei, parece fazer eco ao relato de 2Sm 7. O autor do Sl 68 narra, num estilo épico crivado de reminiscências de antigos poemas, a cavalgada vitoriosa, ou melhor, a procissão solene da arca para o seu lugar definitivo. A nova capital, fundada sobre as montanhas santas, reinvidica o título de Extremo Norte (48,3) que a mitologia cananeu atribuía à morada de BAAL. E muito mais: o Sinai está no santuário! (68,18). A presença permanente do Todo-poderoso assegura a estabilidade, a segurança dessa cidade que se torna um refúgio invencível. Daí a confiança absoluta do povo, mesmo nas mais dramáticas situações. Os cânticos de Sião esboçam uma espécie de mística que idealiza a cidade, futura metrópole dos povos (87). Há exegetas que falam, neste contexto, de escatologia. Diremos uma vez mais que a liturgia antecipa: celebra no hoje cultual o desabrochar do amanhã, o futuro da cidade predestinada (cf. Is 2,2-4; 60; Mq 4,1-3; Zc 8).
Inspiração idêntica anima o grupo dos salmos das subidas ou para as subidas (120 – 134). Segundo a Mischná, os levitas executaram esses cantos nos quinze degraus do Portal de Nicanor. Admite-se facilmente que os peregrinos utilizavam esses salmos ao “subir” a Jerusalém. Não obstante seu parentesco, esses poemas, muitas vezes bastante breves, e provavelmente de origem tardia, apresentam formas literárias diferentes, até híbridos; tratam de assuntos variados.
d) Se os “salmos do Reino” celebram o Rei por excelência, o ETERNO, os salmos régios glorificam os monarcas do reino temporal (2; 18; 20; 21; 45; 72; 89; 101; 110; 132; 144). Por ocasião da consagração, da entronização e da coroação, do aniversário da subida ao trono, de um casamento de príncipe, antes de empreender uma guerra ou após uma vitória, tanto na provação como no êxito, desenrolavam-se cerimônias no palácio real e no Templo. Da diversidade das situações deriva a diversidade dos cantos: Homenagem ao rei e à sua dinastia, hinos, ações de graças, súplicas, desejos, oráculos etc. Esses cantos de circunstância oferecem, pois, uma ampla variedade no tocante à sua estrutura, seu fraseado influenciado pelo protocolo da corte, seus temas. Seu ar familiar lhes advém do ambiente de origem – a corte – e do personagem ao qual concernem – o rei. A honra prestada ao chefe da nação teocrática reverte para o ETERNO. Com efeito, o monarca é filho adotivo de Yaohu e seu herdeiro. Ungido do ETERNO, este “messias” ocupa o trono à destra do Altíssimo: Ele é o beneficiário da estabilidade e da perenidade do trono de David, ao mesmo tempo, o “trono da soberania do ETERNO sobre Israel” (1Cr 28,5). A promessa feita a David por intermédio de Natan aflora várias vezes nesses salmos (2,6-7; 45,7; 89,4-5.20-38; 132,10-12). Há íntima ligação entre os poemas régios, os cantos do Reino, os cânticos de Sião; todos esses salmos trazem em seu bojo uma promessa de plenitude: expectativa do Messias, espera do reino definitivo de Yaohu, expectativa de uma metrópole ideal.

2. Orações de pedido de socorro, orações de confiança e de ação de graças. Assim como as “laudes”, estas orações contêm louvores ao ETERNO poderoso e justo, benfeitor supremo. As três categorias podem ser agrupadas em uma família específica. Sua origem comum é uma situação de angústia: O pedido de socorro, como a oração de confiança, acompanhada ou precede uma crise; a ação de graças descreve o desdobramento feliz dessa crise, agradece ao autor da libertação. Por vezes, em um único salmo (22; 30; 31; 54; 56; 61) vão muito intimamente associados à súplica, a confiança e o reconhecimento. Essas orações emanam ora de um indivíduo, originando-se mais da piedade pessoal, ora da comunidade congregada para uma cerimônia litúrgica (cf. Jl 1,33; 2,17). Aliás, não convém exagerar esta distinção entre o indivíduo e o coletivo, entre a piedade pessoal e o culto litúrgico. Mesmo quando ora a sós, o fiel não é um solitário, ele se reconhece solidário com o povo de Yaohu (cf. 25,22; 28,9; 61,7; 63,12; 69,36) e não é estranho ao culto (cf. 5,8; 28,2; 140,13-14). Além do mais, o “eu” do salmista muitas vezes é o eco de uma coletividade – por exemplo, no caso em que um personagem oficial, sacerdote ou rei, fala em nome de um grupo. E por fim, os salmos que originariamente exprimiam a devoção pessoal e espontânea de um fiel angustiado ou de um coração reconhecido, transformaram-se em orações comunitárias ao serem reunidos no saltério.
a) Os pedidos de socorro, individuais ou coletivos, desenvolvem-se via de regra em um ritmo de quatro tempos: Invocação do nome de: YAOHU seguida de um brado de imploração, exposição da situação, súplica, certeza do atendimento. Esta estrutura admite variantes: O salmista acrescenta, omite, entremeias, inverte, repete. Uma efusão lírica e apaixonada não obedece a uma lógica rígida. Com bastante freqüência, deparamos com oráculos no decurso da súplica.
As orações individuais ocupam, sozinhas, quase a quarta parte da coleção dos salmos (5; 6; 7; 13; 17; 22; 25; 26; 28; 31; 35; 36; 38; 39; 42; 43; 51; 54 – 57; 59; 61; 63; 64; 69; 70 [=40,14-18]; 71; 86; 88; 102; 109; 120; 130; 140 – 143). É mais freqüente as pessoas queixarem-se do que jubilarem! A descrição da aflição permite descobrir nas queixas dos que são atingidos por ela a condição concreta dos suplicantes, suas provações pessoais ou as de seu povo: penitentes, doentes, perseguidos, acusados, refugiados, exilados ou deportados, Na maior parte das súplicas agita-se uma turba de inimigos: Esses adversários se encarniçam sobre suas vítimas, sem poupar os doentes. Para designar seus perseguidores, os salmistas usam um vocabulário copioso, que embaraça os tradutores e os comentadores, que se esforçam por identificar esses personagens hostis. Pintam a atividade dos agressores recorrendo a traços mais ou menos convencionais, hauridos da literatura sapiencial, a metáforas numerosas e variadas: Guerreiros, caçadores equipados com redes e laços, bestas ferozes sedentas de sangue, leõezinhos, touros, búfalos, cães, serpentes etc. Os inimigos, para atingir seus objetivos, recorrem a todo tipo de procedimentos, em particular a palavras maldosas e malfazejas: Falsos testemunhos, calúnias, maledicências, maldições – práticas que fazem pensar nos malefícios das bruxas. Em suas tribulações, os salmistas invocam, a justiça de Yaohu e, às vezes, proferem imprecações inspiradas na lei do talião. Seus gritos de angústia nos lembram as queixas de Jeremias e de Jó.
Para compreender estas orações, em particular as dos doentes e de todos os que se encontram em perigo de morte, há que situar-nos na perspectiva desses infelizes, no contexto religioso e social de sua época. Os salmistas não podiam gozar da felicidade senão na terra dos vivos (27,13). Esta concepção implica um conjunto de noções relativas à constituição física do homem, à sua vida, à sua condição no Além, às modalidades da justiça de Yaohu, ainda imperfeitamente conhecidas na época. A antropologia bíblica não coincide com a nossa; ela ignora, em particular, a nossa distinção entre corpo e alma. O temo hebraico que estaríamos tentados a traduzir por “alma” possui, na realidade, vários significados, que aparecerão na presente tradução: Garganta, goela, apetite, voracidade, sopro, vida; muitas vezes ele equivale ao simples pronome pessoal. Considerava-se a vida ou a vitalidade como uma força que varia de intensidade: As doenças, os estados dolorosos, as adversidades, os ataques dos inimigos diminuem a vida, submetem o homem ao domínio do inimigo por excelência, a Morte. Eis por que os doentes e os perseguidos se lamentam de descer à morada dos mortos, onde reinam as trevas, o silêncio e o esquecimento. Esta necrópole situada nas “profundezas da terra” é por eles denominada sheol, às vezes traduzido por “os ínferos”, isto é, os lugares inferiores, que não se devem confundir com o “Inferno”. A intervenção libertadora de Yaohu revigora os aflitos e os revivifica.
Certos infelizes consideravam seus sofrimentos como uma punição dos pecados conhecidos ou ocultos. É natural que busquem na autoconfissão um meio de desarmar a cólera divina. A confissão das faltas atrai o perdão, e a graça divina proporciona a libertação. Sete orações (6; 32; 38; 51; 102; 130; 143) foram adotadas nas liturgias cristãs para formar o grupo dos “salmos penitenciais”. O Miserere (51) e o De profundis (130), que figuram entre essas súplicas, revelam uma grande maturidade espiritual.
As orações coletivas de pedido de socorro (12; 44; 58; 60; 74; 79; 80; 83; 85; 90; 94; 108; 123; 137; cf. 77; 82; 106; 126), que apresentam a mesma estrutura que os individuais, pressupõe uma calamidade pública: Derrota militar, invasão estrangeira, massacres e destruições, profanação do Templo, opressão dos pequenos pelos grandes, dos justos pelos ímpios, tirania dos poderes estabelecidos. Israel brada sua angústia e, para apressar sua liberação, suplica ao ETERNO, multiplicando os motivos de intervenção: Alega sua inocência (44,18) ou confessa seu pecado (79,8-9), evoca os grandes feitos do passado (44,2-9; 74,2.12-17), em especial a Aliança (74,20). O que está em jogo é a honra de Yaohu (74,18; 79,10.12), sua fidelidade e lealdade a Israel (44,27). A causa do povo eleito identifica-se com a do ETERNO.
b) A confiança, chave motora dos pedidos de socorro, ocupa o primeiro plano e constitui o tema predominante de alguns salmos (3; 4; 11; 16; 23; 27; 62; 121; 131; cf. 91). Estes cantos, de grande alcance espiritual, talvez provenham dos meios levíticos. Os salmistas cantam sua segurança na paz e na alegria (23,4-5; 27,1.3; cf. 3,7; 4,9; 131,2-3), sua intimidade permanente com Yaohu (16,5-11); professam sua fé (16,2.4-5; 62) e convidam seus compatriotas a imitar sua experiência. A alegria e a segurança proporcionadas pela comunhão com Yaohu são muitas vezes associadas ao Templo, no qual Yaohu se manifesta (11,7; 16,11), e de onde ele atende os fiéis que se refugiam junto a ele (3,5; 11,4; 23,6; 27,4). Os três salmos 115, 125 e 129 exprimem a confiança da coletividade.
c) As orações individuais de ação de graças são relativamente pouco numerosas (9; 10; 30; 32; 34; 40,2-12; 41; 92; 116; 138; cf. 107). Já nos pedidos de socorro anunciava-se esboçava-se a ação de graças (22,23-32; 56,13-14). Atendida a sua prece, o fiel sobe ao Templo, acompanhado de seus parentes e amigos, para cumprir suas promessas. Parece, portanto, que o meio originário dos salmos de ação de graças, tanto individual como coletivo (66; 67; 118; 124; cf. 65; 68), foi a cerimônia litúrgica. A estrutura de tais salmos engloba, via de regra, os seguintes elementos. Depois de uma introdução ou proclamação que, com freqüência, desenvolve temas característicos dos hinos (9,3-12; 92,2-7; 118,5-18), o salmista evoca o perigo por que passou, a oração feita na provação, a inversão da situação graças ao socorro divino. O salmo fecha com um convite à assistência. O Sl 107 merece atenção especial. Nesta liturgia desfilam, sob a direção de um animador, quatro grupos de privilegiados: caravaneiros, retornados do deserto, cativos libertados, doentes curados, náufragos sobreviventes do mar. As estrofes, de composição idênticas – ações de graças em miniatura – comportam uma descrição, um invitatório e um estribilho. Com clareza ainda maior adivinham-se as pulsações da liturgia no Sl 118, que, sob a aparência de uma oração individual de agradecimento, exprime a gratidão de Israel para com seu Libertador.

3. Salmos de instrução. Elementos sapienciais e didáticos estão presentes já nas duas grandes famílias de salmos precedentes. Mas certos salmos têm por objetivo especial instruir (cf. os títulos: maskil, “para ensinar”, 60,1). A pedagogia não está amarrada a uma única forma literária. Efetivamente, constatamos que os salmistas empregam diversos métodos: lições da história, exortações à maneira dos profetas, admonições litúrgicas, reflexões sapienciais sobre problemas de moral etc. A exemplo dos sábios, utilizam o gênero proverbial, esquemas escolares como o alfabetismo (37; 112; 119), que facilita a memorização e significa a intenção do salmista de tudo dizer. Vê-se, portanto, que essa família de salmos apresenta uma unidade bastante vaga; o traço comum é, no caso, a intenção pedagógica.
a) Três salmos (78; 105; 106) evocam longamente a história sagrada. Orquestram os temas principais que o compõem: tradição patriarcal, dominada pela Promessa e pela Aliança (105); Êxodo, precedido e acompanhado por maravilhas; marcha no deserto e revelação do Sinai; entrada na posse da herança (78; 105; 106). Os salmistas não se limitam a enumerar fatos brutos; desentranham o significado dos fatos, os títulos de glória do ETERNO (78,4; 105,1.5), os testemunhos da fidelidade, da lealdade, da paciência e da misericórdia de Yaohu. Essa visão retrospectiva determina atitudes práticas, como ensina o Deuteronômio.
b) A preocupação didática aparece também em certas “liturgias” (15; 24; 134; cf. 91; 95). Uma cerimônia, por exemplo, a chegada à porta do santuário (cf. 24,7; 118,20), propicia a ocasião de lembrar as condições exigidas para entrar no Templo, comparecer perante Yaohu e permanecer na sua presença.
c) Exortações proféticas (14; 50; 52; 53; 75; 81; cf. 95), entremeados de oráculos, de promessas e ameaças, no estilo deuteronômico (81), insistem na piedade autêntica e exigências da Aliança, denunciam a perversão e a impiedade (14; 52; 75). O Sl 50 condena a crença popular em uma eficácia automática dos sacrifícios, independente das condições morais: O ETERNO não é devedor do homem: O homem é devedor de Yaohu.
d) Um último grupo merece plenamente o título de salmos de instrução (1; 37; 49; 73; 112; 119; 127; 133; cf. 128; 139). Entre os temas abordados nesses poemas sapienciais, a Lei ocupa lugar privilegiado (1; 119; cf. 19,8-14). Meditada com amor, ela é uma fonte inesgotável de benefícios. Os salmistas proclamam a felicidade do justo, a ruína do mau; ventilam o problema da retribuição. Os fatos nem sempre se ajuntavam ao ensinamento tradicional: ímpios são bem-sucedidos, justos fracassam. Anomalia angustiante para quem crê. Diante disto, alguns salmistas bradam quase em desespero, passam por uma verdadeira crise de fé (73). Mas, sob o aguilhão da provação, depuram suas idéias e sentimentos. Estariam com isso pressentindo uma retribuição que, no Além, restabelecerá o equilíbrio inexistente na terra? Talvez se possa afirmar que esperanças nesta linha transparecem em algumas afirmações ainda imprecisas (49,16; 73,24; cf. Gn 5,24; 2Rs 2,1-11).

O Saltério, no passado e no presente. Por volta de meados do século II a.C., o texto hebraico dos Salmos foi traduzido para o grego, para uso dos judeus da Diáspora – é a chamada versão dos Setenta, ou Septuaginta. O Psaltérion, encaixado entre o livro de Jó e os Profetas, contém um salmo suplementar (Sl 151). A numeração dos poemas não é totalmente idêntica à do texto hebraico masorético. Com efeito, por duas vezes ocorre o caso de um salmo, único no texto hebraico, estar dividido em dois na versão grega (Sl 116 e 147). Inversamente, e também aqui por duas vezes, dois salmos da coletânea hebraica (9 e 10; 113 e 114) correspondem a um único canto da Septuaginta. Donde uma defasagem na numeração. O quadro abaixo evidencia estas diferenças.
HEBRAICO. GREGO e VULGATA.
1 – 8 = 1 – 8
9 – 10 = 9
11 – 113 = 10 – 112
114 – 115 = 113
116 = 114 – 115
117 – 146 = 116 – 145
147 = 146 – 147
148 – 150 = 148 – 150

Adotamos aqui a numeração hebraica.
Salmos que, na Bíblia hebraica, eram “órfãos”, desprovidos de título, na Bíblia grega aparecem enriquecidos de dados novos: 84 poemas são atribuídos a David, outros a diferentes autores a Jeremias, Ezequiel, Zacarias, Ageu, aos filhos de Ionadab, por vezes com informações inéditas sobre as circunstâncias de composição. A Septuaginta interpretou a seu modo as indicações obscuras dos títulos hebraicos. Quanto à sua versão, ela, às vezes, fornece, apesar das alterações, a possibilidade de reconstruir, em certos pontos, um texto que parece mais correto. A Septuaginta manteve-se como a versão canônica das Igrejas de língua grega, constituindo também a base para traduções oficiais de várias Igrejas orientais. Extratos de três outras versões gregas, elaboradas por Áquila, Símaco e Teodocião, datadas de meados do século II d.C., chegaram até nós mercê das citações dos Padres gregos e, sobretudo através do que nos sobra da Héxapla de Orígenes (início do séc. III).
A coletânea dos “Louvores” ocupava lugar de honra em Qumran. Com efeito, exumaram-se das grutas do Deserto de Judá fragmentos, salmos isolados e um grande rolo dos Salmos provenientes da gruta 11. Além disso, os Hinos compostos em Qumran permitem a comparação com os salmos canônicos: Este confronto ressalta a originalidade dos textos bíblicos. Israel, através da sua história muitas vezes tormentosa, continuará a recitar, a meditar e a cantar o Saltério, por ocasião de suas festas nacionais e religiosas, no ritual sinagogal, no lar – tanto que se pôde escrever que os judeus nascem com este livro nas entranhas. O Targum dos Salmos, tradução e paráfrase em aramaico remonta, em sua forma oral, a uma tradição relativamente antiga e, sob este aspecto, merece ser consultado pelos tradutores modernos, valendo o mesmo para os grandes comentários dos rabinos medievais, como Ibn Ezra e Rashi.
No Novo Testamento, os salmos ocupam um lugar privilegiado: são citados mais de 100 vezes, Yaohushua, para demonstrar a grandeza absoluta do Messias, argumentando a partir do Sl 110 (Mt 22,41-46); recita com seus discípulos os cantos do “Hallel” que encerravam a ceia pascal (Mt 26,30); na cruz ele pronuncia o início do Sl 22 (Mt 27,46); morre murmurando um versículo do Sl 31 (Lc 23,46). O hábito de recitar e de cantar salmos, atestado nas primeiras comunidades cristãs (1Co 14,26; Ef 5,19; Cl 3,16; Tg 5,13), propagou-se cedo na devoção particular e na liturgia oficial.
Desde o fim do século I da nossa era ou no início do século II, o Saltério foi traduzido para o siríaco. Conhecemos esta antiga versão sob o nome de Peshitta: Ela reflete um texto hebraico próximo ao nosso hebraico masorético e apresenta, para numerosos salmos, títulos específicos. Um pouco mais tarde, pelo fim do século II, aparecem na África e em Roma as mais antigas versões latinas. São Jerônimo, no século IV, entregou-se à tarefa de aprimorar a tradução latina calcada sobre um texto grego: Corrige-a com base no grego da Septuaginta (“saltério romano”); posteriormente retoma seu trabalho de revisão, utilizando desta vez a Héxapla de Orígenes (“saltério galicano”); finalmente apresenta uma tradução diretamente do hebraico (psalterion iuxta Hebraeos). É a segunda revisão de Jerônimo que faz parte da Vulgata latina; este texto, após novas e interessantes correções, foi publicado e incorporado, em 1971, à “Liturgia das Horas” do rito romano.
Nas notas desta tradução, o leitor deparará com as variantes mais características das diversas versões: Grega, Aramaica, Síríaca, Áquila, Símaco, Teodocião, Jerônimo; a Vulgata é citada somente quando seu texto difere da Septuaginta.
A esta longa história, aqui esboçada, corresponde toda uma história espiritual. Efetivamente, gerações inteiras de crentes, judeus e cristãos de todas as confissões, têm inspirado sua oração e sua vida nos salmos. Esses textos bíblicos têm suscitado, desde a era patrística, homilias e comentários; têm animado a piedade individual e coletiva; têm provocado pesquisas exegéticas. De todos os livros do Antigo Testamento, o Saltério foi o primeiro a difundir-se em francês (pelo ano de 1100), e a partir do século XVI as traduções e as paráfrases em versos se têm multiplicado. Assinalemos, em particular, a célebre versão alemã de Lutero. A renovação litúrgica levada a efeito nas Igrejas cristãs favorece a difusão da coletânea dos “Louvores”. É certo que a piedade autêntica brota do coração e não se nutre de estereótipos literários. Mas o Saltério não nos oferece orações já feitas; oferece-nos orações a ser feitas, sugere-nos “cantos novos”. {Ver mais adiante, o termo, “cristão”. E, o “REMANESCENTE…”}. ANSELMO ESTEVAN.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

PROVÉRBIOS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autores: Vários, incluindo Salomão, Ezequias, Agur e Lemuel e outros.
Propósito: Oferecer um recurso para o ensino da sabedoria aos jovens, em primeiro lugar para a família real e, em segundo lugar, para todas as outras famílias em Israel.
Data: 960-686 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu é a fonte de toda a sabedoria e ele a revelou para que os seres humanos a aprendam.
A sabedoria humana pode ser obtida apenas no contexto da reverência a Yaohu.
Os jovens precisam da instrução de pais e mães mais velhos e mais sábios.
Os líderes do povo de Yaohu, em especial, devem ser instruídos nos caminhos da sabedoria.

Propósito e características
Enquanto os livros históricos relatam o desenvolvimento do reino de Yaohu por meio das alianças com Israel, a literatura sapiencial da Bíblia não menciona explicitamente a eleição de Israel ou suas alianças e trata apenas em raras ocasiões dos detalhes históricos da fé Israelita. Não obstante, pode ser facilmente integrada à fé histórica de Israel mediante o seu apelo comum ao “temor do ETERNO” (cf. Dt 6,5; Js 24,14; Pv 1,7). “Yaohu” é o nome de Deus que expressa o seu compromisso pessoal com Israel (Gn 12,8; Êx 3,15; 6,2-8). “Teme-lo” significa sujeitar-se à sua vontade revelada, quer esta seja expressa por Moisés ou por Salomão, motivado pela convicção de que ele cumprirá as suas promessas de vida para os fiéis e as suas ameaças de morte para os infiéis. Moisés, Salomão e os profetas procuraram mostrar a sabedoria de Yaohu. Embora a teologia de Provérbios complemente a visão histórica unificada de outras partes do Antigo Testamento, Provérbios se concentra mais na vida cotidiana do que na Histórica, mais nas coisas comuns do que nas extraordinárias, mais no indivíduo (ainda que não isolado do contexto das relações sociais) do que na nação, mais na experiência pessoal do que na tradição sagrada.

CRISTO EM PROVÉRBIOS.
Como a Lei de Moisés, Provérbios dá testemunho de Cristo retratando a sua pessoa e a sua obra. Vemos na lei a pessoa justa e santa e a obra do filho de Abraão que herdaria as bênçãos da aliança de Yaohu e seria o seu mediador para todas as nações. Em provérbios (e na literatura sapiencial como um todo), vemos o discernimento e o trabalho do discípulo sábio. Somente o ETERNO – “SALVADOR” cumpre plenamente essa visão. Provérbios, bem como a literatura sapiencial em geral, também revela a semelhança na qual todo o verdadeiro Israel será conformado pela graça por meio da fé: A semelhança do SALVADOR, a encarnação da sabedoria de Yaohu (1Co 1,24.30; Cl 2,2-3).

PROVÉRBIOS: O livro dos Provérbios {O termo hebr. Designa um procedimento literário que consiste essencialmente numa “comparação” [como, aliás, os gregos o traduziram] ou numa sentença construída de forma a evidenciar a simetria de duas idéias, de duas imagens antitéticas ou complementares (cf. Pv 26,7). A tradução latina, a Vulgata, traduziu-o por “parábolas”, enfatizando o aspecto enigmático e didático da maioria dos Provérbios. Trata-se, em resumo de “pensamentos” dos Sábios, na maior parte do livro expressos em dísticos, o que até hoje caracteriza os nossos provérbios.}, é uma coletânea de textos de diferentes origens e datas. Melhor dizendo, é uma coletânea de coletâneas. Pertence à literatura sapiencial ou gnômica, gênero literário que floresceu, desde remotas eras, no Crescente Fértil e no Egito. Existe mais que parentesco entre nossos Provérbios e seus homólogos sumérios, assírio-babilônicos, cananeus, hítitas ou egípcios, como se pode ver pelo tratamento dos mesmos temas, com expressões iguais e, às vezes, até empréstimos diretos. Tudo isso, mais a atribuição de duas pequenas coletâneas a sábios estrangeiros (Pv 30,1-14 e 31,1-9), comprova a existência de uma vida literária internacional, à qual Israel não se furtava.
O título, chave dos Provérbios. No seu conjunto, o livro dos Provérbios não representa uma literatura cosmopolita, apesar do parentesco e dos empréstimos diretos ou indiretos de seus homólogos. Na verdade, a coletânea é inteiramente atribuída a “Salomão, filho de David, rei de Israel”, sendo o nome engrandecido pelos dois títulos que o determinam. Por que “Salomão”? Porque só se toma emprestado de quem tem, e porque esse rei controvertido era conhecido por seus dons políticos e literários e como autor de inúmeras sentenças (cf. 1Rs 3,16-28; 5,9-14; 10,1.8 – 9.23).
O compilador desta coletânea julgou essencial frisar que Salomão era “filho de David”, um “davídida” e, além do mais, “rei de Israel”.
Ao apresentar o autor como “rei de Israel” referia-se à concepção, comumente admitida em todo o Oriente antigo, da origem real de toda sabedoria, concepção de significado ainda maior para o israelita. Não era o “ETERNO” o “rei de Israel” por excelência? Podia, pois, o rei ser considerado “oráculo de Yaohu” (2Sm 14,18-20; Pv 16,10-15: É certamente intencional a ligação entre essa breve seção sobre o rei e a seção precedente, 16,1-9, referente a Yaohu). Claro que poderia haver maus soberanos, infiéis à sua função “profética”, e os Provérbios têm ciência disso (28,16; 29,4)!
Ao qualificar o autor de “filho de David”, o compilador sacralizava um livro cujo conteúdo poderia restringi-lo à esfera do profano. Ora, David era o ungido do ETERNO, o portador da Aliança e das Promessas. Disso nada falam os Provérbios. Mas a sua sabedoria – pretensamente chancelada por um davídida – podia, por isso, parecer resgatável numa visão especificamente religiosa. Razão por que, desde o título, o leitor é sensibilizado para esse ponto, confirmado, aliás, pela maior parte do livro.
Isto significava, portanto, que os 31 capítulos a seguir fazem parte integrante da Revelação divina, que se exprime através da história do povo de Israel. Apresentam eles uma modalidade bastante “humanista” dessa expressão e podem ser até considerados parte eminente dela, enquanto avalizados por um grande rei de Israel.

Organização do livro. A) Abre-se o livro com breve introdução geral (1,2-7), em que se explícita o conteúdo e se justifica o título. A coletânea visa transmitir uma experiência moral e religiosa, que incentivará as gerações jovens e menos jovens a um procedimento correto e sensato, nas diversas circunstâncias da vida. Tal experiência é consignada no ensinamento dos mestres do passado e do presente, constituindo, na plena acepção da palavra, uma educação. Fique, porém, bem claro que o ETERNO está no ponto de partida dessa experiência.
B) A seguir, vem o livro propriamente dito, com suas nove coletâneas de tamanho variado. Essa divisão, hoje comumente aceita, nada tem de tradicional. Usamo-la aqui apenas para maior clareza e compreensão. Com o mesmo objetivo, acrescentamos os subtítulos.
Distinguem-se, pois, as seguintes seções:
1,1.8 – 9,18: exortações do pai-educador, prevenindo conta as más companhias e a “libertina”, mescladas com o elogio da Sabedoria, que aí aparece personificada, tomando a palavra (1,20-33); 8,22-35). Em antítese, aparece a Insensatez, num díptico sabiamente equilibrado (9,1-6 e 9,13-18).
II. 10,1 – 22,16: primeira coletânea salomônica de 376 sentenças sobre a vida moral. Caracteriza-se essa seção por forte inspiração religiosa, sendo, o nome de Yaohu –, o ETERNO, freqüentemente repetido. (YHWH). Os críticos, em geral, concordam em reconhecer aqui materiais dentre os mais antigos da compilação.
III. 22,17 – 24,22: primeira coletânea dos Sábios. Inclui, entre outros elementos, uma seção muito próxima da Sabedoria egípcia de Amenêmope (22,17 – 23,14) e uma expressiva sátira da embriaguez (23,29-35).
IV. 24,23-34: segunda coletânea dos Sábios (anunciada no v. 23). Ressalte-se aqui o retrato do preguiçoso (vv. 30 – 34).
V. 25 – 29: Segunda coletânea salomônica. Composta de 127 máximas, organizadas, o mais das vezes, em dísticos regulares, como a primeira coletânea salomônica. Trata-se de materiais tão ou mais antigos que os da primeira coletânea.
VI. 30,1-14: palavras de Agur, sábio não-israelita.
VII. 30,15-33: série de provérbios numéricos, dispostos em enumeração progressiva de tipo x+1 (por exemplo: há 3… e 4…). O mesmo processo aparece no primeiro capítulo do profeta Amós.
VIII. 31,1-9: palavra de Lemuel, segunda coletânea de pensamentos de um sábio não-israelita.
IX. 31,10-31: célebre poema em louvor da mulher de valor. “Fecho de ouro” da obra, corresponde dignamente à figura da Sabedoria apresentada no cap. 9.

Sabedoria e sábios. Sem dúvida, a Sabedoria apresentada nos Provérbios é solidária com Yaohu. Ela participa da obra da criação (8,22-31; 3,19-20). Por isso, é apresentada como a fonte eminente da vida, que ela preserva do mal e da morte, e conduz ao temor do ETERNO e a todos os bens daí decorrentes.
Ela, porém, nunca aparece nos Provérbios de forma desencarnada. Após sua apresentação “junto de Yaohu”, no cap. 8, é personificada como dona de casa no cap. 9. Para adquiri-la, exigem-se algumas disposições morais: cumpre estar disponível e atento. No fundo, é o homem todo – espírito e corpo, religioso e profano – que será “sábio”, dentro da visão bíblica, que não dissocia o ser humano.
Que vem a ser o sábio? Percorrendo a Bíblia, vê-se que o termo designa quem se distingue em atividades as mais diversas, artísticas ou técnicas. Poderá ser um marinheiro experimentado (Ez 27,8), escultor, entalhador, ourives (Êx 31,6; Jr 10,9), tecelã (Êx 35,25) e até carpideira profissional (Jr 9,16) etc. Serão chamados “sábios” particularmente os especialistas em política, ou seja, os escribas, auxiliadores e conselheiros dos reis (Is 29,14), até mesmo quando, segundo lamentava Jeremias, houvessem perdido toda sabedoria (Jr 8,8; 9,11).
São naturalmente “sábios” os que exercem alguma atividade pedagógica, pois a formulação do seu ensino – ensino vivenciado –, como o vemos no livro dos Provérbios, testemunha uma técnica que a tradução deixa entrever perfeitamente.
As qualidades de artesão ou artista levaram, por outro lado, a atribuir essa coletânea a profissionais da pena, os “escribas” (nome genérico de funcionários públicos que constituíam o organograma dos vários “ministérios”, como os chamaríamos hoje). Gozavam eles de ócio e liberdade para se dedicar às letras. É aos escribas de que se trata em 25,1 que se deve atribuir a compilação de tudo o que outros anteriormente exprimiram. Deve-se admitir também que esses funcionários letrados, por força de seus contatos com o estrangeiro, anotaram passagens de moralistas não-israelitas (Agur, Lemuel), e imitaram outros (sabedoria de Amenêmope). Suspeita-se – na ausência de documentação suficiente – que também a sabedoria Cananéia e sua formulação tenham exercido influência. É bastante provável que as numerosas passagens a respeito do rei, da função do “príncipe” e dos conselheiros tenham sido incluídas nesta coletânea graças a esses escribas, tenham ou não sido eles os seus autores.

A fé de Israel, nos Provérbios. O “temor do ETERNO” é o fundamento da sabedoria e, por conseguinte, da pedagogia que a ela conduz. Por isso, os nossos sábios comungam o mesmo pensamento dos que, em registros diferentes, viviam e pregavam o “temor do ETERNO”: Os pregadores levíticos e deuteronômicos, os profetas, e os salmistas e, mais genericamente, quantos explicavam e preconizavam a Lei de Moisés. São muitos os indícios de tal comunhão.
São bastante claras as exortações racionais da primeira parte do livro. O tema sempre recorrente é o “esquema deuteronômico da opção” (Dt 11,26-28; 30,15-20): escolhe a vida e os caminhos que a ela conduzem, evitar a morte e o resvaladouro que a ela conduz.
São muito freqüentes duas imagens-chave, que assinalam a profunda concordância com a tradição de Israel, expressa na Lei e nos Profetas: A Árvore da vida e a Fonte da vida (3,18; 10,11; 11,30; 13,12.14; 14,27; 15,4), que mostram como se entendia e se vivia a narrativa do Paraíso.
A Cidade onde a Sabedoria profetiza é Jerusalém (1,21; 9,3). Mas Jerusalém é impensável sem a Terra por excelência, terra confiada aos homens retos, donde os maus serão extirpados (2,21-22; 10,30; cf. Dt 4,26). Prepara-se assim a formulação do enraizamento da Sabedoria-Torá em Sião.
O acontecimento primordial do Sinai (a entrega da Lei, das “Dez Palavras” nas tábuas de pedra) está integrado também à experiência vivida e transmitida pelos sábios educadores dos Provérbios, em ligação com o profetismo. Como os profetas, eles querem gravar o ensinamento na “tábua do coração” (3,3; 7,3, paralelo a Jr 31,33).
Por fim, vale ressaltar duas referências à fé de Israel: Uma, à Aliança, que segundo Pv 2,17, é rompida quando se rompe a comunidade conjugal; a outra, em 5,14, que, com dois termos característicos, evoca a “comunidade sacral”.

Data e autores. Numa introdução sucinta, não se pode dar a devida importância à questão crítica das datas atribuídas às diversas partes do livro, à identidade dos autores e a outras questões da mesma ordem. Pode-se apenas afirmar que a base da coletânea remonta às origens da vida comunitária de Israel. Como muitos outros livros do Antigo Testamento, a transmissão oral certamente precedeu a sua codificação escrita. Ora, esta deve ter sido realizada bem cedo nos círculos dos escribas da corte, onde reinava a preocupação de formar administradores, espíritos cultivados. Contudo, essa preocupação administrativa aparece nos Provérbios menos nitidamente que nos mais antigos Ensinamentos egípcios. A época real deve ser considerada o berço privilegiado dessas coleções de sentenças. É certo, por outro lado, que a época pós-exílica também viu sérios esforços de organização e de empréstimo das sabedorias vizinhas.
Recentemente, porém, foram contestados os critérios literários – tidos por muito tempo como convincentes – que atribuíam a este período mais recente os nove primeiros capítulos de Provérbios. Por certo, Israel burilou seus Provérbios durante longo tempo, tanto quanto os seus Salmos.

As traduções. O tradutor moderno de Provérbios defronta-se com inúmeras dificuldades. Oferece-lhes a crítica diversas saídas, como o trabalho de simples crítica textual, o recurso à elucidação das literaturas da mesma família lingüística. Não deve esquecer que, muito antigamente, judeus que dominavam com perfeição o hebraico já haviam traduzido este livro para correligionários de língua grega. Mas a consulta a essa antiga tradução pode ser decepcionante. Por razões dificilmente discerníveis, os tradutores gregos do século I a.C., mais parafrasearam do que traduziram. As sucessivas versões coptas, siríacas e latinas antigas não melhoraram a obra. A tradução latina de Jerônimo se apegou mais ao texto hebraico lido no século IV d.C., mas também não resolveu as dificuldades do tradutor atual. Fiel a diretrizes do nosso trabalho ecumênico, a presente tradução, que se pretende de leitura acessível e de clara compreensão, evitou soluções aventurosas. Confiando na inteligibilidade do texto hebraico atual.
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

ECLESIASTES

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Salomão ou um sábio desconhecido na corte real.
Propósito: Demonstrar que a vida vista unicamente a partir da perspectiva humana realista resultará em pessimismo, e oferecer a esperança por meio da obediência humilde e da fidelidade a Yaohu até o dia do julgamento final.
Data: 930-586 a.C.
Verdades fundamentais:
Quando o que nos resta são os esforços e a perspectiva humana, a vida parece não oferecer esperança ou significado.
Os seres humanos não conseguem nem mesmo começar a sondar a sabedoria divina que sustenta e controla as coisas.
Quando as limitações humanas são reconhecidas, o fiel passa a ter uma visão divina da vida pela renovação da sua reverência a Yaohu e fidelidade aos seus mandamentos.
No julgamento final, Yaohu, ao julgar todas as coisas como boas ou más, colocará fim a todas as anomalias da vida que nos deixam perplexos.

Propósito e características
O título “Eclesiastes” deriva da Vulgata (a tradução latina da Bíblia) e da Septuaginta (a tradução grega do AT) da palavra hebraica qoheleth, que está traduzida como “pregador” possivelmente significando “o líder na assembléia”.
Eclesiastes trata de como o povo de Yaohu deve viver na terra diante das dificuldades e enigmas da vida. Mas o livro não faz uma apologia aos que são ignorantes de Yaohu ou que são rebeldes a ele; é um sábio conselho para aqueles que conhecem a Yaohu, mas que às vezes sentem-se perplexos diante de seus caminhos. Nesse aspecto, Eclesiastes é semelhante ao livro de Jó. Os diálogos e monólogos de Jó buscam a compreensão da sabedoria de Yaohu dentro das circunstâncias do sofrimento de um homem inocente, mas Eclesiastes é o mais filosófico em sua abordagem e fala da condição de todos os seres humanos.

CRISTO EM ECLESIASTES.
Este livro relaciona-se com Cristo e com o Novo Testamento de várias maneiras. Primeiro, em sua primeira vinda, Cristo, que é a sabedoria de Yaohu (1Co 24,30), revelou a sabedoria àqueles que o seguiram (Cl 1,9: 2,23; 3,16). Por meio da fé em Cristo temos acesso à sabedoria de Yaohu (Tg 1,5) além do conhecimento que tiveram os homens do Antigo Testamento. Do mesmo modo que Eclesiastes faz um chamado ao temor e á obediência (12,13), o Novo Testamento ecoa esses temas (At 6,7; 9,31; 2Co 5,11; 9,13; 10,5; 2Ts 1,8; 1Pe 1,2; 2,17; Ap 14,7; 15,4; 19,5) em seu chamado para que o evangelho de Cristo seja aceito como a própria sabedoria de Yaohu (1Co 1,21-24; Cl 1,9-12.28; Tg 3,13-17). Segundo, mesmo com a vinda de Cristo, Eclesiastes nos faz lembrar que os eleitos de Yaohu ainda vivem como forasteiros neste mundo (1Pe 1,1). Apesar de termos sido perdoados de nossos pecados e vivificados em Cristo, ainda vivemos entre profundas frustrações e tensões até que Cristo coloque um fim à presente era. Enquanto isso não acontece, os enigmas da vida às vezes são tão grandes que não sabemos nem mesmo como orar, mas podemos ter confiança em meio às nossas lutas por saber que o Espírito de Cristo, que conhece a mente de Yaohu, ora por nós (Rm 8,18-23) – RUACH HAKODESH. Terceiro, o Novo Testamento nos garante que o julgamento final mencionado nesse livro (12,14) acontecerá quando Cristo retornar em glória (Ap 19). Quando isso acontecer, a boa sabedoria de Yaohu, tantas vezes oculta da vida humana por ora, será claramente revelada.

No que acredito – Anselmo Estevan.

O PAI: Yaohu Ul, o Todo Poderoso!
O FILHO: Yaohushua, o Messias! (CHRISTÓS – O UNGIDO)!
O ESPÍRITO: “Rúkha – Yaohushua” (Espírito de Yaohushua);
O Mês_re, O Consolador!

As Escrituras mencionam o Espírito de três formas:

“Rúkha hol – Rodshua” (Espírito Santo),
“Rúkha – Yaohu” (Espírito de Yaohu), e
“Rúkha – Yaohushua” (Espírito de Yaohushua).

ECLESIASTES. Este escrito é atribuído a Salomão, filho de David (1,1). Os dois primeiros capítulos aludem claramente à vida deste rei (cf. 1Rs 3ss.). Mas tanto a linguagem, próxima do hebraico rabínico, como o conteúdo, crítica severa do sistema que vê a retribuição do justo na vida temporal, convidam a situa-lo muito depois da volta do Exílio. Com certeza, foi escrito antes da época dos Macabeus, pois em Qumran (gruta 4) foram descobertas algumas linhas dele, copiadas em meados do séc. II a.C.
O título hebraico Qohélet, aportuguesado Coélet (1,1.2,12; 7,27; 12,8-10), talvez venha de qahal, “a assembléia”, e evoca dois importantes episódios da vida de Salomão: quando ele recebeu, em Guibeon, a sabedoria, “no meio de um povo numeroso” (1Rs 3,8), e quando abençoou a assembléia, na dedicação do Templo (1Rs 8,2.14). O termo grego correspondente, Eclesiastes, designa quem preside uma assembléia ou lhe dirige a palavra; daí, ser chamado também O Pregador. O epílogo ou apêndice (12,8-14), talvez redigido por algum discípulo, parece aludir a certas discussões entre os judeus sobre a origem e autoridade deste livro desconcertante. Certo é que era lido todos os anos, na festa das Tendas, em setembro/outubro.
O caráter compósito deste livro dificulta sua compreensão. Contradições aparentes levaram até a pensar em vários autores ou revisores. Na verdade, porém, trata-se de um único autor que discute consigo mesmo e cita, vez por outra, opiniões já veiculadas, criticando-as.
A um prólogo (1,3-11) sobre o retorno cíclico das coisas seguem-se três partes. Na primeira, o Eclesiastes traz a autocrítica de Salomão (1,12 – 2,26). Enquanto o Cântico dos Cânticos celebrava com entusiasmo a pompa do rei insigne, seus excessos e amores, o Eclesiastes conclui pela inutilidade dos esforços do ser humano, até mesmo dos mais dotados, para fugir à sua condição. Que resta após o gozo? Um gosto de cinzas na boca. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, diz Qohélet!
Na segunda parte (3,1 – 6,12), o Eclesiastes mostra aspectos negativos e limitações da realidade humana, a começar pelo contraste entre a duração infinita e os instantes efêmeros. Essa relatividade, o sábio a apreende e assume como autêntico dom de Yaohu. Daí a sua angústia filosófica diante do mistério do destino humano (3,22; 6,12; 7,14; 8,7; 9,12; 10,14). Para que viver (1,3; 2,22; 3,9; 5,15)? Quem o sabe? Pode o homem escapar ao absurdo da própria existência? Sobrará dela só o tédio de um fracasso completo? Entre o suicídio e a fome do prazer, o Eclesiastes buscará encontrar uma atitude realmente humana.
A terceira parte (7,1 – 12,7) principia por uma série de sete reflexões, em forma comparativa, como a segunda parte, que começava pela retomada inicial, quatorze vezes, da expressão um tempo para… E um tempo para… A seguir, o autor trata da sabedoria e de suas relações com a justiça, a mulher, o exercício do poder, o segredo do destino humano, o tema clássico da justiça imanente, as relações sociais e suas anomalias flagrantes num mundo perverso e cruel. Como antes dele o autor do livro de Jó (cf. 9,22; 21,7 etc.: Também Sl 37; 49; 73; Jr 12,1; Ml 3,14-15), o Eclesiastes reage ao conformismo dos sábios e à retórica vazia deles exortando-nos ao engajamento existencial. São todos os que falam demais, porque ignoram as coisas mais simples (10,14). O Eclesiastes denuncia de modo geral as posições extremas que, paradoxalmente, se equivalem na ineficácia. Nem pessimista, nem otimista, nem oportunista, ele prima pelo realismo e pela lucidez. Vive a paixão da verdade e da autenticidade. Para ele, viver é bom. É dádiva divina a ser acolhida com alegria, sem ares de anjo nem de animal (cf. 3,13; 5,17; 8,15; 9,9).
O Eclesiastes multiplica os paradoxos em função de implacável dialética, votada, à primeira vista, a desembocar apenas em oposições irredutíveis. Não admira que ele não tenha feito escola. Se for possível aproximar dele certos salmos (39; 62; 88; 90), o Sirácida (Eclesiástico), alguns decênios após o Eclesiastes, representa uma volta às idéias tradicionais, embora não desconheça seu antecessor (cf., sobretudo Sr 14 – Livros Apócrifos). É possível que (Sb 2,1-10 – Livros Apócrifos), se inspire no Eclesiastes, mas na direção, ou seja, na nova perspectiva de uma vida futura com Deus. [Simplesmente, à vontade do “homem”; sem a Sabedoria Divina – Inspirada, em tentar saber as “coisas” – por si MESMO…]. Anselmo Estevan.
O Eclesiastes tem sido cotejado com várias obras literárias do antigo Oriente. Quanto ao Egito, citam-se o Diálogo do desesperado com sua alma, os melancólicos cantos dos harpistas e as sentenças do papiro Insinger. Da Mesopotâmia, lembram-se o diálogo acróstico chamado de teodicéia babilônica e um texto bilíngüe sumério-acádico, descoberto recentemente em Ugarit, na costa fenícia. Os pontos de contato com a filosofia grega permanecem vagos e imprecisos, sem que se possa negar, contudo, certa atmosfera comum ao Eclesiastes de um lado, e ao epicurismo, estoicismo e cinismo, de outro. Sem dúvida, nosso autor viveu sob o domínio dos Ptolomeus, na Palestina, Isto é, no século III a.C. Talvez tenha tentado estabelecer um diálogo com os pensadores helenistas.
Escreve em prosa ritmada, com freqüência paralelismos, retomando o mesmo pensamento de diferentes maneiras. A frase, longa e arrevezada, usa uma sintaxe bastante elementar. Não teme as repetições e as acumula num estilo quase litânico. Há palavras e expressões preferidas do autor, como: isso é vaidade, perseguir vento, debaixo do sol, sabedoria e loucura (insensatez). No entanto, apesar de sua deselegância e monotonia, a descrição que apresenta da velhice (12,1-8) é considerada um dos pontos altos da poesia bíblica.
Abstraindo embora das perspectivas da Aliança e do messianismo, como o indica especialmente o uso da palavra “Deus” ou antes “a Divindade” (Ulhim com o artigo), o Eclesiastes não deixa de comungar da fé do seu povo. O Deus – Yaohu de Israel é também para ele o que fez todas as coisas (11,5; cf. 8,17), o Criador (12,1), que fez o mundo bonito (3,11) e o homem reto (7,29). Devemos teme-lo (3,14; 5,6; 7,18; cf. 8,12) e prestar-lhe um culto espiritual (4,17). A cada um ele julgará conforme as suas obras (3,17; 11,9; cf. 9,7; 12,14). No aguardo desse ajuste de contas definitivo. Yaohu oferece aos homens uma felicidade verdadeira, ainda que limitada (8,15; 9,7; 11,9), que podemos desfrutar, mas sem apegos exagerados. Perante os enganos dos sábios, as decepções da vida e a inconsistência de todo bem, o ser humano permanece insatisfeito. Sofre a nostalgia do absoluto e sonha com a descoberta do seu lugar no universo e do sentido de sua trajetória.
O Eclesiastes mostra, com coragem e como que “cientificamente”, que, em matéria de fé, a instituição deixa um abismo escancarado aos nossos pés, que só Cristo poderá fazer desaparecer. {Veja mais pra frente à pronúncia correta da palavra – CRISTO E SEU VERDADEIRO SIGNIFICADO…Que, foi “perdido durante o tempo”}. Anselmo Estevan.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

CÂNTICO dos CÂNTICOS:

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Celebrar a bênção do amor romântico entre marido e esposa.
Data: Provavelmente 960-931 a.C.

Propósito e características
O termo “Cântico” no título (1,1) é o termo hebraico comum para qualquer melodia alegre. Não tem qualquer conotação religiosa especial. A expressão “Cântico dos Cânticos” significa “o melhor de todos os cânticos” (cf. a expressão “Rei dos reis” em Ap 17,14). Ele nos prepara para um cântico singular da mais alta qualidade.
Com exceção do título, o Cântico é todo escrito em verso. É uma poesia de amor. Os versos são curtos e rítmicos, e a linguagem é rica em imagens e altamente sensual. O livro trata mais de sentimentos do que de fatos objetivos. O Cântico é uma rapsódia de amor, uma efusão das palavras e sentimentos de pessoas que estão experimentando o amor humano com suas dores concomitantes, prazeres e impulsos sexuais. É UM LIVRO PARA AQUELES QUE DESEJAM SABER OU LEMBRAR COMO YAOHU HONRAVA O AMOR ENTRE MARIDO E ESPOSA!

CRISTO EM CÂNTICO DOS CÂNTICOS.
Há uma longa tradição de se relacionar esse livro a Cristo por meio de analogias traçadas entre as experiências dos dois amantes e a experiência de Cristo e a sua Igreja. De fato, a imagem de Yaohu como o marido e do povo de sua aliança como sua esposa também é encontrada no Antigo Testamento (p. ex., Jr 2,2; Os 2,14-20). Uma vez que Cristo declara a Igreja como a sua noiva (cf. Ef 5,22-33), uma aplicação legítima do Cântico dos Cânticos é perceber que o amor descrito no livro é, em muitos sentidos, semelhante ao amor que o SALVADOR tem pela Igreja (p. ex., esse é o uso predominante do Cântico dos Cânticos nos padrões de Westminster). Pelo menos, três dimensões centrais orientam os leitores modernos sobre a natureza desse amor: Autoentrega, desejo e compromisso. O SALVADOR deleita-se em nós e se entrega a nós como amor. Ele nos deseja totalmente para si e sente profundamente a dor e o prazer do seu relacionamento conosco. Cristo entregou a própria vida pela Igreja e ainda agora se dedica ao bem dela como um marido amoroso. A Igreja depende de Cristo para ter proteção e afeição; ela o honra pelo seu maravilhoso cuidado e busca a sua glória todos os dias. Tanto Cristo como a Igreja anseiam pelo dia de sua união final, o dia da grande festa de casamento na volta de Cristo (Ap 19,7.9).

CÂNTICO DOS CÂNTICOS. O Cântico dos Cânticos constitui um dos problemas mais controvertidos da literatura bíblica. Que vem fazer no Antigo Testamento este poema (ou esta coletânea de poemas) de amor? Apresenta-se num tom bastante erótico. Parece interessar-se apenas pela beleza física, sem nunca falar de Deus – Yaohu ou da procriação. Contém alusões à geografia da Palestina e até reminiscências mitológicas; contudo, não oferece nenhuma chave evidente de interpretação. Quem foi que escreveu, e quando? Sobretudo: Por que e para que foi escrito? Se não foi para e simplesmente por engano que este livrinho entrou no cânon, como é que encontrou nele um lugar, a ponto de, mais tarde, ser lido na liturgia da Páscoa judaica?
A própria estrutura do Cântico é difícil de determinar, cheio como está de repetições de versículos, temas, imagens e situações. Há quem veja nele apenas uma coletânea de poemas para serem usados em festas de bodas, justapondo canções de amor, que não são necessariamente hinos núpcias. Outros vislumbram certa ordem nas unidades poéticas mais amplas. Finalmente há também quem descubra uma coordenação de conjunto no poema.
Não obstante certas tentativas de fazer remontar a composição aos tempos de Salomão ou pouco depois, a linguagem e o estilo parecem bastante recentes e nos fazem pensar na época persa (séc. V a.C.) ou mesmo no período helenístico (séc. III). Por outro lado, convém relevar grande número de arcaísmos, tanto na escolha das palavras como no torneio da frase, sem que isso se possa explicar sempre como recurso literário erudito. Destarte é possível que o Cântico, mesmo se de composição tardia, contenha elementos antigos, talvez da época de Salomão (p. ex. 3,6-11); elementos muito diversos, também, provindos ora do campo, ora da cidade, de Israel do Norte ou de Judá. Entretanto, seu autor certamente não é Salomão. Como no caso de Provérbios, Eclesiastes, o Cântico foi-lhe atribuído com base em 1Rs 5,12 e em alusões feitas por 1,5; 3,7.9.11; 8,11.12 (a primeira concernindo a um termo genérico – assim como se fala em “móveis Luiz XV” –, a segunda podendo estar inspirada num antigo epitalâmio e a terceira visando mostrar que o verdadeiro rei segundo o Cântico não é o Salomão da história!). Quanto à inclusão no cânon, houve certo mal-estar, talvez neutralizado, mas não apaziguado, pelo recurso à alegoria. Isso mostra que, seja qual for, o sentido original estava ofuscado. O poema teria sido usado em núpcias? É difícil dizer, apesar do costume de cantá-lo nas salas de banquete, costume criticado pelo Rabi Aqiba no fim do séc. I d.C. Seu uso litúrgico na Páscoa judaica não é atestado antes do séc. V d.C. Qualquer que seja o seu sentido, este cântico é profano ou sagrado, está no seu lugar na Bíblia ou entrou por engano? Para responder a esta pergunta tentou-se discernir o sentido do Cântico. Podem-se resumir sob quatro categorias as respostas, agrupadas duas a duas conforme visam à alegoria ou à realidade.
1. A interpretação alegórica remonta ao séc. I d.C., e neutraliza o escândalo desta poesia erótica – muitas vezes constrangedora para judeus e cristãos. Interpreta as relações entre o jovem e a moça quer de maneira histórica, quer mística.
Para a interpretação alegórica histórica apresentam-se diversas possibilidades: a) talvez se trate do confronto entre o povo de Yaohu e um outro povo, em algum momento da história – p. ex., os remanescentes das dez tribos do Norte no fim do séc. VIII procurando unir-se a Ezequias, mas encontrando a hostilidade de seus irmãos, quer dizer, de Judá; ou a relação entre Israel e os povos estrangeiros –; b) ou então, trata-se da relação entre o ETERNO e seu povo, quer em um momento determinado – p. ex., na volta do Exilo –, quer ao longo de certo período da vida de Israel ou mesmo de toda a história da Igreja.
A interpretação mística oferece também dois caminhos: um, coletivo – em continuidade com as interpretações acima – visando a Yaohu e Israel, Cristo e a Igreja ou Cristo e a Humanidade; o outro, individual, relacionando Yaohu ou Cristo e a alma humana, ou mesmo o Rúkha hol – Rodshua (ESPÍRITO SANTO) – na união com a humanidade do SALVADOR – para com os que pertencem a Ele – SUA IGREJA, ou ainda, Salomão e a Sabedoria. Acrescente-se que esta mística pode ser desenvolvida seja como ascensão do homem para Yaohu – na linha do amor de que trata o Banquete de Platão –, seja como resposta da fé a Yaohu que se aproximou do ser humano.
2. A interpretação cultual é outra modalidade da alegoria. Vê no Cântico a tradução de uma liturgia pagã do Oriente Médio em honra de um deus que morre e vai aos ínferos procurar sua amante, a deusa do amor e da guerra: os dois são representados pelo rei e pela grande sacerdotisa, cujo casamento sagrado (hierogamia) simboliza a união e provoca a renovação da fecundidade no Ano Novo. Também nesta interpretação esvazia-se o escândalo do erotismo, de certo modo, porque a união sexual aqui não tem uma finalidade em si mesma, mas está a serviço de uma causa religiosa. Os profetas de Israel combateram este tipo de culto (cf. Is 17,10; Ez 8,14; Zc 12,11). Entretanto, esta liturgia se teria introduzido em Jerusalém sob a vassalagem assíria de Manassés e, mais tarde, teria sido adaptada à teologia de Israel, assim como a festa agrária dos Pães sem Fermento foi reinterpretada para exprimir a fé histórica da Páscoa.
3. A interpretação dramática aceita a realidade sexual do Cântico, mas evita aquilo que ela teme ser escândalo, fazendo passar a realidade sexual para o segundo plano. A fim de mostrar que este livro não precisa ser mítico para evitar ser obsceno, vê-se nele a descrição de um amor honesto, onde se destaca não tanto o sexo, mas a fidelidade. Mais: pelo fato de levar à cena não dois, mas três personagens, de modo que se assiste ao drama da pastorinha fiel ao seu pastor em detrimento de Salomão que a quer raptar, projeta-se sobre o apetite erótico inegável descrédito. Em forma tipológica, esta interpretação poderá reencontrar alguns elementos da tese alegórica.
4. A interpretação naturalista vê no Cântico uma coletânea de canções de amor muito realistas, conservada como tal, ao modo das coletâneas de canções de amor egípcias ou de cantos populares árabes, ou sujeito a uma ordenação conforme o esquema das núpcias sírias que se realizam ainda no fim do século passado na Transjordânia e no Líbano. Alguns vêem no Cântico nada mais que uma composição literária (p. ex., para justificar o casamento de Salomão com a filha do Faraó) e chegou a falar em canto licencioso canonizado por engano. Há também quem fale do senso moral de um amor honesto – Juntando-se às vezes com facilidade, pela tipologia ou pelo drama, a alguma das interpretações acima mencionadas.
5. Pode-se talvez propor uma quinta interpretação, levando em consideração vários elementos das anteriores. Alguns defensores da quarta tese notam que este canto de amor humano utiliza a linguagem dos profetas descrevendo a aliança entre Yaohu e Israel como um casamento; outros sublinham a influência da linguagem hierogâmica. Observa-se também que os dois grupos de teses mencionados se confrontam da seguinte maneira: Para 1 e 2, o sentido primeiro é sagrado e alegórico, e ao esquecer-se este sentido cai-se numa leitura sexual e profana; para 3 e 4, o sentido primeiro é sexual e profano, mas para evita-lo recorre-se à alegoria. Contudo, é bem possível que o amor de que fala o Cântico seja ao mesmo tempo sexual e sagrado, e a negação de um destes dois aspectos teria conduzido, num caso, ao sentido profano e, no outro, ao sentido alegórico. Nesta hipótese, o Cântico descreve o amor humano como tendo um fim em si mesmo, na obra boa que é a criação de Yaohu – quase como um comentário a Gn 2,23-24. Para tanto, o Cântico incorpora mais ou menos conscientemente os elementos da liturgia pagã do casamento sagrado, mas desmitizando-os radicalmente, a fim de mostrar que o verdadeiro papel do amor não é unir religiosamente a terra ao céu, mas sim unir duas criaturas que Yaohu criou complementares. E ele descreve este amor carnal autêntico (Pv 2,16-17; Mt 2,14) com a linguagem da aliança, para mostrar no amor de Yaohu para com seu povo o modelo de todo amor humano – da mesma forma como Paulo o dirá em Ef 5,25. Destarte, o sentido espiritual do Cântico está no seu sentido literal.

INTRODUÇÃO

LIVROS PROFÉTICOS:

(ISAÍAS; JEREMIAS; LAMENTAÇÕES de JEREMIAS; EZEQUIEL; DANIEL; OSÉIAS; JOEL; AMÓS; OBADIAS; JONAS; MIQUÉIAS; NAUM; HABACUQUE; SOFONIAS; AGEU; ZACARIAS; MALAQUIAS).

ORGANIZAÇÃO DOS LIVROS

Os livros de Isaías a Malaquias (com exceção de Lamentações e Daniel) correspondem à seção do cânon hebraico chamado de “profetas posteriores”. Esses livros proféticos são divididos em dois grupos: “profetas maiores” (Isaías, Jeremias e Ezequiel) e “profetas menores” (de Oséias a Malaquias). Dentro dessas duas categorias amplas, os profetas são organizados em ordem cronológica aproximada.

CONTEXTOS HISTÓRICOS

A maioria dos livros proféticos possui sobrescritos que visam apresentar o contexto em que cada profeta ministrou. Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque e Malaquias não trazem essa informação, de modo que o contexto histórico deve ser inferido pelo conteúdo dos seus livros. Por mais que o grau de definição do contexto histórico varie de um livro para outro, as informações a esse respeito contribuem de modo significativo para uma interpretação responsável.
Em termos gerais, podemos falar de três conjuntos de circunstâncias históricas centrais no ministério dos profetas.
(1) O julgamento por meio dos assírios. No século 8º, a Assíria era o império dominante do antigo Oriente Próximo e, portanto, de motivo grande preocupação para os profetas. Em resposta ao pecado manifesto e prolongado dos israelitas, Yaohu decidiu usar os exércitos da Assíria para julga-los. O ataque ocorreu em três estágios principais. Em c. 734 a.C., Israel, o reino do norte, se aliou à Síria para resistir ao domínio assírio, mas essa coalizão provocou a derrota da Síria e a subjugação severa de Israel pela Assíria (2Rs 15,20-29). Em 722 a.C., os assírios reagiram a novas rebeliões destruindo Samaria; a capital do reino do norte e exilando vários dos seus cidadãos. Por fim, em 701 a.C., o rei assírio Senaqueribe atacou Judá e chegou a sitiar Jerusalém, mas o ETERNO o fez recuar no último instante (2Rs 14 – 19). Os profetas que ministraram nesse período falam com freqüência desses acontecimentos e outros relacionados.
(2) O julgamento por meio dos babilônios. Em 612 a.C., os babilônios conquistaram Nínive, a capital da Assíria e se tornaram o império dominante da região. Como Israel, o reino no norte, já havia sido derrotado e exilado pelos assírios, Yaohu usou os babilônios para julgar, o reino do sul, mediante invasões e deportações em 605 a.C., 597 a.C., e 586 a.C. A primeira invasão resultou na subjugação e deportação de alguns membros da elite de Judá, como Daniel e seus amigos (Dn 1,3-6). A segunda invasão resultou em mais dificuldades para o povo e em outra deportação de judeus, como Ezequiel (Ez 33,21; 2Rs 24,14). A terceira invasão resultou na destruição de Jerusalém e no exílio de quase toda a população (2Rs 25,1-21). Vários profetas predisseram esses acontecimentos, interpretaram-nos à medida que se desdobravam e refletiram sobre os mesmos após sua ocorrência.
(3) Restauração. Em 539-538 a.C., o imperador Ciro da Pérsia derrotou a Babilônia e permitiu que os judeus voltassem a Jerusalém. Um pequeno número de judeus regressou à Terra Prometida sob a liderança de Josué, o sumo sacerdote e de Zorobabel, um descendente de Davi. Depois de alguns atrasos, o templo finalmente foi reconstruído em 520-515 a.C. Apesar desse recomeço relativamente promissor da comunidade restaurada, no tempo de Esdras e Neemias e nas décadas subseqüentes (c. 450 – 400 a.C.), a religião falsa se arraigou de tal modo entre o povo que voltou do exílio que todas as esperanças da concretização gloriosa do reino de Yaohu passaram a ser projetadas num futuro distante, conhecido hoje como o período do NOVO TESTAMENTO. Muitos profetas também trataram desses acontecimentos.
O quadro abaixo fornece um resumo dos principais períodos, as datas aproximadas, as referências bíblicas e o público de cada escrito profético:

Período Profeta Data Referência bíblica Público

Amós 793-740 2Rs 14,21 – 15,7 Israel
Julgamento Jonas 786-746 2Rs 14,23-29 Assíria
Por meio Oséias 7753-722 2Rs 15 – 18 Israel
Dos Assírios Miquéias 742-686 2Rs 14,23 – 20,21 Israel/Judá
Isaías 740-686 2Rs 15,1 – 20,21 Israel/Judá
Naum 663-627 2Rs 21,1 – 23,35 Assíria .
Sofonias 640-609 2Rs 22,1 – 23,35 Judá
Julgamento Jeremias 626-586 2Rs 22 – 25 Judá
Por meio Habacuque 605 2Rs 23,36 – 25,21 Judá
Dos Ezequiel 592-572 2Rs 24 – 25 Judá no Exílio
Babilônios Obadias 585 (cf. Jr 49,7-22) Edom .
Ageu 520 Ed 5 – 6 Judá
Restauração Zacarias 520 Ed 5 – 6 Judá
Malaquias 458-431 (cf. Ne 1,1) Judá .
– Joel incerta Judá

A verdadeira profecia cessou em Israel por volta do tempo de Malaquias. Em três ocasiões, o autor do livro apocalíptico de 1Macabeus (4,46; 9,27; 14,41) que, no geral, é um relato histórico sério da revolta dos judeus contra Antíoco Epifânio (c. 165 a.C.), afirma claramente que não havia profetas em Israel e sugere que esse fato não era recente.
O período intertestamentário de silêncio terminou com a proclamação de João Batista de que Yaohu estava prestes a estabelecer o seu reino (Mt 3,12; Mc 1,3-8; Lc 3,2-17). Malaquias encerra a profecia do Antigo Testamento com uma predição de que Yaohu enviaria um mensageiro, um novo “Elias” a fim de preparar o caminho para a vinda futura de Yaohu ao seu povo (Ml 3,1; 4,5). O SALVADOR e os evangelhos identificaram João Batista como o Elias predito em Malaquias (Mt 17,12-13). Assim, João abriu caminho para uma nova era de profecia – a era do reino de Yaohu em Cristo.

(1Co 1,1: Apóstolo – Alguém a quem Cristo escolheu diretamente e a quem deu autoridade para ser mensageiro de sua Palavra!).

[Sendo assim, o meu entender é que: “Todo aquele”, que se auto-intitula ser “Apostolo”; “Profeta – realizando novas profecias”, é falso…!]. Anselmo Estevan.

O PAPEL DOS PROFETAS
O profeta era a “boca” ou o porta-voz de Yaohu. O ETERNO disse a Moisés a respeito de Arão: “Ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Êx 4,16) e, posteriormente, resumiu esse papel da seguinte maneira: “Arão, teu irmão, será teu profeta” (Êx 7,1). Ser um profeta significava falar com autoridade em nome de Deus – YAOHU!
A função básica dos profetas é expressa claramente em três relatos do chamamento de profetas por Yaohu que se assemelham em vários aspectos ao chamamento de Moisés por Yaohu em Êx 3,1-12 (Is 6,1-13; Jr 1,1-10; Ez 1,1 – 3,11). Em todos os casos, Yaohu confronta o profeta diretamente com uma palavra introdutória e uma comissão: Na sarça ardente (Êx 3,1-10), no templo (Is 6,1-10), num lugar não especificado (Jr 1,4-5) e na calmaria de uma tempestade (Ez 1,1 – 2,5). Depois de os profetas apresentarem objeções (Êx 3,11; Is 6,11; Jr 1,6; implicitamente, Ez 2,6.8), o ETERNO os tranqüiliza, por vezes com um sinal (Êx 3,12; Is 6,11-13; Jr 1,7-10; Ez 2,6 – 3,11). Essas vocações divinas não apenas garantiam aos próprios profetas que o chamado era proveniente de Yaohu, como também os autorizavam aos olhos de outros como indivíduos que não falariam com a sua própria autoridade, mas sim com a autoridade de Yaohu.
Antes da monarquia humana em Israel, os profetas falavam em NOME de Deus – Yaohu de várias maneiras. Quando a monarquia humana foi instituída, os profetas se tornaram cada vez mais ligados aos governantes da terra. Os profetas de Israel serviam de emissários entre Yaohu, o Rei supremo, e seu rei humano e a nação, Israel. Usando de uma analogia como as práticas políticas do mundo antigo, o Rei divino de Israel enviava, emissários proféticos para dar orientação, louvar a fidelidade e condenar as transgressões das alianças que ele havia estabelecido com o seu povo vassalo.
Essa função de emissário era extremamente importante para o ministério de todos os profetas do Antigo Testamento que registraram suas profecias por escrito. Eles ameaçaram maldições e ofereceram bênçãos de acordo com a aliança firmada entre Yaohu e Israel (veja Lv 26; Dt 28 – 30; cf. Is 1,2; Jr 2,9; Os 4,1; Mq 1,2; 6,2). Em conformidade com os termos da aliança, os profetas anunciaram várias maldições secundárias, bem como a maior maldição de todas, a saber, a destruição total e o exílio da Terra Prometida. Também proclamaram várias bênçãos secundárias, bem como a maior bênção de todas, a saber, a restauração depois do exílio. Todos esses elementos proféticos revelam o papel desses indivíduos como emissários do Rei divino em sua aliança com Israel.

OS VERDADEIROS PROFETAS E SUAS PREDIÇÕES

Tendo em vista os profetas falarem como emissários de Yaohu em sua relação de aliança com Israel, era essencial que o povo fizesse distinção entre os verdadeiros e os falsos profetas. O verdadeiro profeta era definido segundo três critérios: Devia ser um israelita (Dt 18,15); devia ser fiel à aliança mediada por Moisés (Dt 13,1-5); e suas predições deviam se cumprir (Dt 18,21-22). Na história de Israel, muitos dos que se proclamavam profetas falharam quanto a esses critérios, mas todos os profetas que deixaram suas profecias por escrito os satisfizeram plenamente.
É importante compreender corretamente o terceiro critério que trata do cumprimento das predições. Por um lado, não há dúvidas que os decretos eternos de Yaohu incluem “tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis” e que esses decretos são imutáveis; Yaohu realiza infalivelmente tudo o que determinou (Confissão de Fé de Westminster 3,2; Catecismo Maior de Westminster 13). Assim, quando os profetas revelavam desígnios eternos em suas predições, estas se cumpriam sem falta. No entanto, seria um grave equívoco imaginar que todas as profecias revelam os decretos eternos e imutáveis de Yaohu. Na maior parte das vezes, os profetas falavam de acontecimentos futuros que não haviam sido determinados imutavelmente por Yaohu (veja o parágrafo a seguir). Sua tarefa principal era servir de instrumentos da providência divina.
Jr 18,1-11 ensina claramente que nem todas as predições feitas por profetas verdadeiros se realizavam necessariamente. Pelo contrário, as palavras dos profetas visavam, com freqüência, motivar seus ouvintes, e não prognosticar acontecimentos. Muitas vezes, anunciavam os julgamentos futuros como ameaças, e não condenações inevitáveis, e falavam de bênçãos futuras como ofertas, e não promessas garantidas. Na verdade, os profetas revelavam que Yaohu tinha níveis diferentes de determinação no que se referia às predições proféticas. Em algumas ocasiões, a natureza condicional da profecia era explicada (p. ex., Jr 22,4-5). Em outras ocasiões, era implícita (p. ex., Jr 7,5-7; Is 7,9). Por vezes, Yaohu oferecia palavras ou sinais para confirmar o seu nível elevado de determinação de cumprir uma profecia (Is 38,7; Jr 44,29). Ocasionalmente, os profetas relatavam que Yaohu estava tão determinado a cumprir uma profecia que ele havia jurado faze-lo (Is 45,23; Jr 22,4-5; 49,13). Nessa última categoria, o juramento divino demonstrava o caráter inevitável do cumprimento de uma predição; elevava a palavra profética até o nível da imutabilidade, pois Yaohu jamais quebra seus votos solenes (Nm 23,19). Ainda assim, os detalhes acerca do modo, tempo, lugar e grau, e contra ou a favor de quem o cumprimento se daria normalmente não eram especificados, permanecendo ocultos até que a profecia jurada se cumprisse.
Em decorrência disso, todas as predições proféticas podiam ser afetadas em maior ou menor grau pelas reações humanas a essas profecias. As Escrituras estão repletas de exemplos em que o arrependimento, a oração, e recalcitrância e a indiferença levaram Yaohu a suspender, adiar, estender, abreviar, apressar, amenizar ou intensificar o cumprimento das predições proféticas (Êx 32,12; 2Sm 12,14-22; Jo 3,4-9).
Por esse motivo, quando aplicamos corretamente o critério das predições cumpridas aos verdadeiros profetas, devemos sempre perguntar de que maneira os profetas pretendiam que suas predições fossem compreendidas. Que nível de determinação divina as palavras do profeta indicavam? Era intenção do profeta que suas predições fossem consideradas condicionais ou inevitáveis? Não devemos nos contentar com uma compreensão mecânica da palavra profética desassociada de tais intenções proféticas.
Mesmo assim, as profecias bíblicas são tão abrangentes e específicas que envergonham os profetas pagãos (Is 41,21-29). Todas as épocas e povos, especialmente do antigo Oriente Próximo, tiveram seus adivinhadores, videntes ou feiticeiros que afirmavam anunciar o futuro (Dt 18,9-13; 1Rs 18,19.25,40). No entanto, não há nada em toda a literatura do antigo Oriente Próximo que se compare às profecias reunidas nas Escrituras. Sua especificidade e cumprimento notável e sua compreensão abrangente e magnífica da História não têm paralelos em nenhuma outra tradição literária. Em muitas ocasiões, suas profecias de destruição foram proferidas quando a nação estava no auge do poder, e suas profecias de vitória foram dadas em situações que pareciam inteiramente perdidas.

AS FORMAS DE LITERATURA PROFÉTICA

Os profetas utilizaram basicamente três formas literárias em seus livros: (1) narrativas – tanto biográficas (Dn 1 – 3) como autobiografias (Is 6; Jr 1); (2) discursos dirigidos a Yaohu – Lamentos (Jr 9,10; [Lamentações de Jeremias]; Ez 2,3-10); petições (Jr 42,2; Dn 9,17) e louvor (Is 12,1-6), e (3) discursos dirigidos a pessoas – como cântico de escárnio (Is 14), ditos de sabedoria (Is 28,23-29) e contestações (Is 1,18; 43,26), entre outros.
Os oráculos dirigidos a pessoas são predominantes nos livros proféticos. Esses discursos podem ser classificados de acordo com a tendência a focalizar mais as maldições ou as bênçãos da aliança. Embora os profetas se dirigissem ao povo de várias maneiras, alguns padrões básicos de discurso aparecem com tanta freqüência que é proveitoso identifica-los e descreve-los.
Por um lado, várias formas de discurso tinham como objetivo maior anunciar desde as maldições secundárias da aliança até a maior ameaça de todas, ou seja, o exílio.
(1) Demandas. Como emissários do Rei celestial de Israel, os profetas ouviam e, por vezes, participavam do tribunal do céu. Em seguida, relatavam o que haviam visto e ouvido em linguagem jurídica formal. Yaohu entrava em juízo contra o seu povo por este haver transgredido manifestamente a sua aliança e os sentenciava a maldições severas (Is 3,13; Mq 6,1-2).
(2) Oráculos de julgamento. Os profetas também transmitiam mensagem de destruição numa linguagem que não refletia de modo tão direto as formalidades do tribunal celestial. Esses oráculos normalmente se iniciavam identificando a quem eram dirigidos e, em seguida, apresentavam uma ou mais acusações e sentenças (Ez 7,7-10; Zc 9,1-8).
(3) Os ais. Quando o julgamento de Yaohu era particularmente severo, os profetas expressavam ais. Esses discursos normalmente eram bastante semelhantes aos oráculos de julgamento (identificação do destinatário, acusações e sentenças) com o acréscimo de um clamor de “ai”. Advertiam sobre coisas terríveis que aconteceriam quando as maldições sobreviessem (Is 3,9-11; 5,8-22; Ez 13,3-18; Os 7,13; Na 3,1).
Por outro lado, os profetas também anunciavam bênçãos, desde vantagens relativamente pequenas e pessoais até à bênção suprema de restauração do povo à Terra Prometida depois do exílio. Normalmente, essas profecias eram dadas de dois modos:

(1) Oráculos de salvação. Os profetas consolavam Israel com oráculos de salvação ou libertação. Esses oráculos assumiam várias formas diferentes, mas normalmente incluíam algum tipo de anúncio de bênção seguido de detalhes sobre a maravilha dessa bênção. O foco principal dos oráculos de salvação era a restauração do povo de Yaohu à Terra Prometida depois do exílio, tema que ocupa seções extensas dos Profetas Maiores (Is 40 – 55; Jr 30 – 33; Ez 34 – 40). Essas profecias de consolo eram baseadas nas promessas feitas por Yaohu em sua aliança com os patriarcas (Gn 15,1-21; 17,1-22; 22,15-18), as quais Moisés confirmou posteriormente ao descrever o período posterior ao exílio vindouro como um tempo em que Yaohu derramaria misericórdia e bênçãos sem precedentes sobre o seu povo (Dt 30,1-10).
As promessas de restauração se cumpriram parcialmente na volta do exílio em 539-538 a.C. (Veja 2Cr 36,22-23; Zc 1,8-17), mas o Novo Testamento revela que o seu cumprimento total se encontra em Cristo. Nesse sentido, profecias de restauração foram inspiradas pelo Rúkha – Yaohushua: O Espírito de Cristo para a sua Igreja (1Pe 1,10-12; 2Pe 1,19-20). Algumas se referem diretamente ao ministério de Cristo aqui na terra, enquanto outras dizem respeito ao ministério e reinado de Cristo no céu e à obra da Igreja em andamento no presente. Todas as profecias se cumprirão plenamente nas realidades dos novos céus e nova terra quando Cristo voltar.

(2) Oráculos contra as nações. Os profetas também transmitiam mensagens de esperança e salvação para o povo de Yaohu por meio do pronunciamento de julgamentos contra outras nações que haviam se rebelado contra o ETERNO. Ainda que num sentido formal essas profecias fossem julgamentos, serviam também de garantia de salvação para o povo fiel de Yaohu, pois eram voltadas contra os seus inimigos. Os livros de Naum e Obadias são inteiramente constituídos de descrições de guerra santa contra os gentios. Seções extensas dos livros maiores também são dedicadas a oráculos contra as nações (Is 13 – 24; Jr 46 – 51; Ez 25 – 32).
Os oráculos contra as nações se dividem em dois tipos principais. Muitas das profecias anunciavam que Yaohu julgaria nações específicas por meio dos ataques de outras nações (p. ex., Am 1,2 – 2,3; Sf 1,18-21). No entanto, vários profetas proclamaram que um julgamento mundial final contra as nações ocorreria depois que o povo de Yaohu tivesse voltado do exílio (Ez 38,17-23; Am 9,12; Ag 2,20-23).

CRISTO NOS PROFETAS.
Os profetas do Antigo Testamento apontam para Cristo e sua obra de várias maneiras. Em todos os casos, Cristo cumpriu dimensões dessas expectativas proféticas em sua primeira vinda, continua a cumpri-las em seu ministério à Igreja nos dias de hoje e as cumprirá definitivamente na consumação de todas as coisas em sua segunda vinda (“O Reino de Yaohu” – Mt 4).
Na maioria dos casos, os profetas prenunciaram Cristo de modo bastante indireto, especialmente ao falarem de julgamentos e bênçãos secundárias cujo cumprimento se deu, em geral, durante o Antigo Testamento. Esses atos de justiça e misericórdia divina já haviam ocorrido, mas também prefiguravam os julgamentos e bênçãos maiores que Cristo traria.
Os profetas predisseram Cristo e sua obra mais diretamente ao se concentrarem no grande julgamento do exílio e na bênção da restauração do povo à Terra Prometida depois do exílio (com os respectivos julgamentos contra as nações por ocasião da restauração). A destruição e exílio de Israel e Judá foram apenas prelúdios do julgamento eterno que sobrevirá contra o povo da aliança que se rebelar contra Yaohu. Do mesmo modo, a restauração do povo fiel de Yaohu à Terra Prometida e as bênçãos que receberam, bem como o julgamento contra as nações, predito para os dias de restauração, prenunciaram a recompensa e o julgamento final que Cristo trará.
As predições mais diretas acerca de Cristo podem ser vistas nas ocasiões em que os profetas falam de atividades reais e sacerdotais especificas que ocorreriam em conjunto com a restauração depois do exílio (“Levantarei o tabernáculo caído de Davi” [Am 9,11]; “Te farei como um anel de selar” [Ag 2,23]) É nesse contexto que as profecias messiânicas de cunho real aparecem. Ao falarem dos dias do reino de Yaohu depois do exílio, os profetas se referiram às maneiras em que o Filho de Davi julgaria os inimigos de Yaohu e traria bênçãos eternas sobre o seu povo. Essas predições se cumpriram, estão se cumprindo e se cumprirão em o SALVADOR – CHRISTÓS = O UNGIDO!
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

ISAÍAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Isaías.
Propósito: incentivar os contemporâneos do profeta a serem leais ao ETERNO e exortar os futuros leitores exilados a se arrependerem de seus pecados e a confiarem que, após o exílio, o ETERNO abençoaria o remanescente fiel e as outras nações de maneira como nunca antes eles haviam sido abençoados.
Data: c. 686-650 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu chamou Isaías para advertir o seu povo sobre a decisão divina de manda-los para o exílio e para garantir que, no futuro, após o exílio, o povo voltaria a receber bênçãos sem precedentes.
A confiabilidade de Isaías foi demonstrada pelo cumprimento de muitas de suas primeiras profecias, feitas antes de o seu livro ser escrito.
As maravilhosas predições de Isaías sobre o fim do exílio na Babilônia e a restauração certamente aconteceriam, mas somente os arrependidos em Israel e entre os gentios desfrutariam dessas bênçãos.

Propósito e características
Como profeta de Yaohu, Isaías tratou tanto das bênçãos quanto do julgamento das alianças de Yaohu com Israel (veja “Introdução aos livros proféticos”). Por outro lado, o ministério de Isaías consistiu em grande parte em fazer acusações, condenações e críticas à medida que ele pronunciava sobre Israel e Judá as maldições da aliança pela flagrante desobediência a obrigações inerentes a ela (1,2-31; 13,1 – 23,18; 56,9 – 57,13; 65,1-16). O profeta falou de muitas maldições diferentes que viriam, sendo as mais sérias a destruição e o exílio. De fato, tanto Israel quanto Judá ficaram tão aquém dos ideais da aliança que Yaohu ordenou a Isaías que profetizasse para que o coração do povo fosse endurecido e a sua decisão quanto ao exílio não fosse evitada (6,1-13).

CRISTO EM ISAÍAS.
As profecias de Isaías prenunciam Cristo em pelo menos três aspectos. Primeiramente, Isaías advertiu sobre os julgamentos que viriam contra o povo rebelde de Yaohu e sobre as nações que resistissem a ele (1,20; 3,13-15; 11,4; 34,2; 51,5). Por fim, as decisões divinas com as quais Isaías ameaçou foram cumpridas no ministério de Cristo (53,4-6.12; 2Co 1,15; Hb 9,26).
Segundo, Isaías garantiu que o povo de Yaohu que se mantivesse fiel iria desfrutar de uma gloriosa restauração após o exílio – uma restauração que ele chamou de “Os novos céus e a nova terra” (66,22; veja também 65,17). O SALVADOR inaugurou essa nova criação por meio de um ministério terreno que separou novamente a luz das trevas (Jo 1,1-9). Ele dá prosseguimento a essa nova criação por toda a história da Igreja (2Co 4,6; 5,17; Gl 6,15; Tg 1,18) e a levou à sua plenitude quando voltar (Ap 21,1-3). “O Reino de Deus Mt 4”.
Terceiro, o Novo Testamento refere-se mais a Isaías do que a qualquer outro livro do Antigo Testamento quando a questão é indicar de que maneira o SALVADOR cumpriu as expectativas do Antigo Testamento em relação ao Messias. O mais importante aspecto no qual o SALVADOR cumpriu as profecias de Isaías diz respeito ao tema dominante o do servo (Is 42,1). Isaías predisse que o “servo” traria justiça às nações (42,1-4), restabeleceria a aliança de Israel com o ETERNO (42,5-7), se tornaria luz para os gentios (49,1-7), tiraria os pecados dos eleitos e ressuscitaria dos mortos (52,13 – 53,12). O novo Testamento identifica esse SERVO-SALVADOR como o nosso SALVADOR – Yaohushua – Christós, o ETERNO encarnado: (Mt 8,17; 16,21; 27,26.29.31.38.57-60; Mc 14,49.61; 15,27.43-46; Lc 2,14; 18,31-33; 23,32; Jo 1,10-11.29; 3,17; 12,38; 19,1.7.18.38-41; At 2,23; 3,13; 7,32-33; 8,32-33; 10,43; Rm 4,25; 8,34; 10,15-16; 15,21; 1Co 15,3; Ef 3,4-5; Fp 2,9; Hb 5,8; 9,28; 1Pe 2,22-25; 1Jo 3,5; Ap 14,5).

Bem, como o Livro de Isaías é como se fosse um resumo da Bíblia dentro dela mesma, e, sendo o meu preferido, vamos estuda-lo de forma diferenciada como sendo um Livro – um documentário histórico:

ISAÍAS

INTRODUÇÃO

I. INTRODUÇÃO DO LIVRO

Sob o nome de Isaías encontra-se reunido um conjunto de 66 capítulos que, segundo indícios evidentes, não datam todos da mesma época. O fato de um livro ter uma pluralidade de autores não tem em si nada de surpreendente: muitos outros livros do Antigo Testamento apresentam um caráter compósito: mas, enquanto estes últimos são em geral anônimos, o livro de Isaías se apresenta sob o nome de um personagem, Isaías, que viveu em uma época bem precisa da história de Israel (1,1). A tese de um único autor teve e continua tendo os seus adeptos. A opinião tradicional judaica e cristã foi expressa pelo Sirácida (século II a.C.) o qual, depois de ter falado da atividade do profeta sob o rei Ezequias, diz “que ele viu o fim dos tempos e consolou os aflitos de Sião… anunciou o futuro e as coisas escondidas antes de acontecer” (Sr 48,24-25 – Livro apócrifo). Todavia, a pluralidade de autores não impede que se fale da “unidade” do livro, mas tal unidade tem de ser procurada numa continuidade que se estende por vários séculos e na permanência de determinados temas.
A prova mais manifesta da pluralidade de autores aparece no início do cap. 40, onde começa a assim chamada obra do Segundo ou Dêutero-Isaías: sem nenhuma transição visível, vemo-nos transportados do século VIII para pleno período do Exílio (século VI). Não se fala mais uma única vez de Isaías, e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com freqüência, assim como o do rei dos medos e dos persas, Ciro, conquistador da Babilônia e artífice do regresso dos judeus a terra deles (41,2; 44,28; 45,1). Com o cap. 40 começa um novo livro, ao qual serão dedicados parágrafos especiais da presente introdução.
Por mais importantes que sejam, os caps. 40 – 66 não são a única parte do livro seguramente posterior à época de Isaías. Olhando de perto, constata-se que os caps. 36 – 39 constituem a repetição – com importantes variações, é verdade – de um texto histórico que se encontra também no livro dos Reis (2Rs 18,13 – 20,19). Os caps. 34 – 35 revelam uma característica exílica e apresentam parentesco com a obra do Segundo Isaías. Finalmente, o conjunto constituído pelos caps. 24 – 27, correntemente denominado “o apocalipse de Isaías”, está muito longe da mentalidade e das representações dos homens do século VIII. No interior dos conjuntos habitualmente referidos ao próprio profeta (1 – 12; 13 – 23; 28 – 33), há ainda certo número de fragmentos que os comentadores consideram de época posterior.
Convém, portanto, constatar o caráter heterogêneo do livro e não procurar provar artificialmente a unidade do autor. Tentar apresentar a formação do livro de Isaías é, porém, uma tarefa em grande parte hipotética. O término definitivo do livro situa-se depois do Exílio, e mesmo depois do retorno pressuposto pelos caps. 56 – 66. Os redatores tinham à sua disposição não somente trechos esparsos, mas verdadeiras coletâneas. Pode-se admitir que o núcleo do livro de Isaías é constituído por elementos com dominante autobiográfica, notadamente o relato, pelo próprio profeta, da sua vocação ao ministério profético (cap. 6).
Que o próprio profeta tenha praticado a escrita é atestado por textos como 8,1.16 e 30,8, mas é provável que a redação de bom número dos seus oráculos não tenha sido feita por ele, e sim, por seus discípulos, agindo sob a sua ordem, ou algum tempo mais tarde, quando era preciso mostrar a concordância entre os acontecimentos e as palavras pronunciadas. O círculo dos discípulos de Isaías parece ter sido constituído primeiro pela sua própria família: seus filhos, que ele associou ao seu ministério, dando-lhes nomes simbólicos, e sua mulher, que é denominada “a profetisa” em 8,3. Ampliado em seguida, este círculo de discípulos – alguns chegam a falar de uma verdadeira escola de Isaías – deve ter desenvolvido uma atividade literária a partir dos oráculos do mestre. Deve também ter constituído ou pelo menos prefigurado o resto fiel que, depois da catástrofe, seria o germe do povo de Yaohu.
Sobre o número e a dimensão das coletâneas preexistentes que entraram na composição do livro de Isaías, só podemos, evidentemente, fazer conjeturas. O conjunto dos oráculos e histórias reunidas foi inserido num esquema convencional que reencontramos na maioria dos outros livros proféticos, em particular em Jr e Ez, e que comportava três partes:
a) profecias de julgamento sobre Israel;
b) profecias de desgraças sobre os povos estrangeiros;
c) promessas de salvação, principalmente para Israel.
Contudo, como as diversas coletâneas que entraram na composição do livro já constituídas, por vezes segundo o mesmo esquema, no momento da sua redação definitiva, elas resistiram em parte a este enquadramento geral. No interior dos caps. 1 – 39, podemos encontrar as seguintes subdivisões:
1. Introdução ao conjunto do livro, constituída por uma seleção de oráculos de épocas diversas e destinada a fornecer um resumo da pregação do profeta.
2 – 12. Profecias sobre Israel e Judá, que na sua maioria estão entre as mais antigas de Is.
13 – 23. Oráculos sobre as nações estrangeiras.
24 – 27. Conjunto com dominante apocalíptica.
28 – 33. Oráculos diversos de promessas e de ameaças sobre Israel e sobre Judá (cf. 2 – 12).
34 – 35. Outros fragmentos apocalípticos.
36 – 39. Relatos sobre a atividade de Isaías no momento da campanha de Senaquerib contra Jerusalém.

II O PROFETA ISAÍAS

A atividade do profeta. Livro aberto, incessantemente ampliado, o livro de Isaías poderia ser comparado a uma biblioteca, talvez a biblioteca profética por excelência. Mas este aspecto de antologia põe justamente em relevo o papel essencial desempenhado pelo profeta Isaías enquanto vivo e, depois da sua morte, na memória do povo. Este personagem extraordinário foi chamado a profetizar enquanto era ainda relativamente jovem, em 740, e sua atividade se estendeu por um período de, no mínimo, quarenta anos. Seu aparecimento no cenário da história coincide com o período de prosperidade conhecida por Judá sob o longo reinado de Ozias (ou Azarias, cf. 2Rs 15,1-7), mas que tinha como contrapartida o desenvolvimento de luxo, o advento de uma classe de proprietários que açambarcavam todas as terras, o esmagamento dos pobres. O profeta só pode estigmatizar o que considera como o contrário da justiça querida por Yaohu e anunciar a cólera dele. Alguns anos antes, Amós falara na mesma linguagem ao povo de Samaria.
É no começo do reinado de Acaz (2Rs 16,1-20) que Isaías desponta no primeiro plano da atualidade política: enquanto Arâm, cuja capital é Damasco, e Israel, cuja capital é Samaria, tentam levantar-se contra o poder cada vez mais ameaçador da Assíria, o rei Acaz de Judá, ao contrário, estima que a melhor solução é submeter-se à proteção do rei da Assíria, o que lhe vale uma expedição punitiva da parte dos seus dois vizinhos, que querem forçá-lo a entrar na coalizão deles. Esta expedição fracassa, porém Acaz continua sua política assirófila. Após esses acontecimentos, que se situam em torno de 734, o profeta parece haver-se retirado, por sua vontade ou à força, da vida pública durante dez anos. Ele assiste impotente à ascensão progressiva da potência assíria, que se irá fazer sentir em várias províncias do reino de Israel, fazendo-o ruir em 722.
Quando Ezequias sucede a Acaz, em 716 (2Rs 18 – 20). Isaías retorna ao primeiro plano do cenário político. Todavia, se o novo rei se demonstra um fiel do ETERNO, não se deixa aconselhar pelo profeta na condução dos negócios. Isaías sempre se opôs, por motivos religiosos, à aliança de Judá com o Egito e com outros povos vizinhos, mesmo para opor-se à Assíria, quaisquer que fossem as boas razões que pudessem recomendar tais alianças. Ao oportunismo, Isaías sempre opôs as exigências da fidelidade ao ETERNO, em virtude da qual cólera de Yaohu para a punição do povo rebelde, ora o inimigo-tipo, cuja arrogância não podia ficar impune.
A retirada dos exércitos de Senaquerib de diante de Jerusalém, em 701, fora anunciada pelo profeta. Este evento deve ter favorecido o seu prestígio, a despeito das suas profundas divergências com os chefes políticos acerca das causas e das conseqüências do que acabava de suceder.
Chegou-se a supor que Isaías era aparentado à família real, mas a sua autoridade lhe vem antes de tudo da sua missão profética. Embora procurado por causa de seus conselhos, Isaías era seguido apenas por uma minoria. Os representantes oficiais da religião, sacerdotes e profetas, não o ouviram e até o afligiram com os seus sarcasmos. A tradição que faz de Isaías um mártir é certamente apócrifa (pseudepígrafo intitulado Ascensão de Isaías e Hb 11,37): parece, de acordo com o sobrescrito do livro (1,1), que ele não estava mais vivo no tempo do rei perseguidor, Manassés, mas percebe-se nesta lenda o eco de uma opinião, muitas vezes confirmada pelos fatos, segundo a qual a existência profética é, humanamente falando, a experiência do fracasso.
As qualidades essenciais de Isaías – autoridade, nobreza, fé em Yaohu e compaixão pelo seu povo – aparecem na sua linguagem, que se conforma a certas regras tradicionais do oráculo profético, que ele aplica com um domínio da língua até então desconhecido: são freqüentes os trocadilhos, muitas vezes cheios de humor, as aliterações, as assonâncias, as metáforas. Como para os sábios junto aos quais se formou, a realidade lhe parece carregada de sentido. Os elementos da natureza, o fogo, a terra, a água e o vento se lhe apresentam sob o seu duplo aspecto de poder de vida e de morte e exprimem o duplo aspecto de Yaohu, ao qual não se consegue escapar, assim como não se escapa também à realidade que nos cerca. Tudo isto é dito com notável concisão, sem nenhuma palavra supérflua, o que permite distinguir certas frases rasas e redundantes do livro, das palavras autênticas do profeta. Se a linguagem tem não somente poder de expressão, mas também força de criação é sem dúvida em Isaías que encontramos a melhor ilustração bíblica disto.

A mensagem do profeta. A mensagem do profeta está intimamente ligada à sua pessoa e às circunstâncias em meio às quais foi levado a exercer a sua atividade: Isaías fala sempre em e para situações precisas, e a sua atitude depende daquilo que ele vive com o povo. É impossível reduzir esta mensagem a um conteúdo esquemático sem sacrificar-lhe a originalidade. Contudo, já que este profeta, sempre presente ao Yaohu eterno sentado em seu trono, está também presente ao mundo com sua história e suas dificuldades, podemos encontrar nas certas constantes mensagens de Isaías.
Yaohu é para ele o Santo, o que pode ser traduzido pelo termo de transcendência; mas o Yaohu Santo é o Santo de Israel, isto é, ele tenciona ligar-se ao seu povo. A expressão Santo de Israel só aparece mui raramente fora do conjunto do nosso livro e pode ser considerado como característica da teologia da escola de Isaías. A santidade de Yaohu é ciumenta (colocando nos termos “humanos”), não tolera ser compartilhado com ídolos, nem no plano religioso nem no plano político. Ao ser humano – em Isaías a ligação como o povo nunca exclui a visão da humanidade inteira – importa tomar consciência desta verdade, cuja evidência só pode ser negada pelo insensato, e viver em coerência com ela. São, portanto, sempre condenados, quaisquer que sejam as circunstâncias, o orgulho, a idolatria sob todas as formas, a confiança que se deposita nas armas e nas manobras pelas quais as pessoas pensam subtrair-se ao olhar de Yaohu.
Este Yaohu transcendente tem uma história, que não se desenrola independentemente da história do mundo, mas tampouco coincide sempre com ela: o plano ou o conselho (desígnio) de Yaohu, do qual Isaías gosta de falar, é o de um Yaohu escondido, muitas vezes desconcertante e incompreensível, mas sempre mais sábio que os conselheiros considerados hábeis. Inteiramente convicto da soberania do plano de Yaohu, nem por isso o profeta deixa de atribuir grande importância à atividade e até à iniciativa dos homens, que nunca são salvos ou condenados sem que eles mesmos o queiram. É tudo isso que está contido no termo fé, que designa uma atitude permanente para o qual Isaías sempre conclamou o povo. Trata-se de uma fé enérgica, a ponto de parecer absurda e contrária à opinião comum, como no momento da guerra siro-eframita: Sem firme confiança não vos firmareis, isto é, se não crerdes firmemente, não sereis consolidados (7,9). Mas esta fé vigorosa é também feita de calma e de humilde confiança (30,15).
Esta firmeza exigida do homem deve apoiar-se nos sinais que Yaohu deu da sua santidade e da sua vontade de estabelecer a sua realeza de um modo perfeito (cf. tema da terra repleta do conhecimento de Yaohu, 11,9 – Por isso, nada é “Inventado”. E, sim: “Descoberto”): Anselmo Estevan. O trono celeste tem a sua réplica no trono de David estabelecido em Jerusalém. Isaías está fortemente ancorado na tradição davídica e, embora considere que a sucessão dinástica possa ser rompida, o rei ideal do futuro será sempre, para ele, um filho de David, seu messianismo é um messianismo régio. A dinastia de David está estabelecida em Jerusalém, que é não somente o centro de Judá, de Israel e do antigo império, mas também, segundo uma antiga tradição retomada e renovada por Isaías, o centro do mundo, para o qual convergirão todas as nações (2,1-6). David e Jerusalém, eis dois temas principais da sua mensagem, para os quais não cessou de chamar a atenção dos seus ouvintes, e que os discípulos dele retomaram amplamente, adaptando-os ás circunstâncias novas: tanto o messianismo como o papel central e universal de Jerusalém permanecerão no centro da segunda (4 – 55) e da terceira (56 – 66) parte do livro.

III. O SEGUNDO OU DÊUTERO-ISAÍAS

Época e ministério do profeta. A mensagem dos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías é dotada pelo fato de ela anunciar o triunfo dos persas, a derrota dos babilônios e a libertação bem próxima dos israelitas exilados na Mesopotâmia. Portanto, esta mensagem foi pronunciada entre 550 e 539, isto é, após as primeiras vitórias de Ciro II, o Grande (41,2-3), sobre Astíages (550) e sobre Creso (546), e antes da sua campanha contra a Babilônia (Is 45 – 48), na qual ele penetra, sem combate, em 539, saudado como libertador, uma vez que o último monarca babilônico, Nabônides, pelas suas inabilidades, levantou contra si a maioria dos seus súditos.
Opositores notórios de Nabônides, os sacerdotes caldeus atribuem os sucessos do rei persa ao deus supremo deles. Marduk (Jr 50,2), e seus acólitos Bel e Nebô (Is 46,1). Até na colônia israelita, alguns estariam propensos a ver nos acontecimentos uma intervenção desses falsos deuses, mas o nosso profeta anônimo, o Segundo Isaias, permanece vigilante no meio dos seus irmãos exilados: lembra-lhes que o único soberano do mundo é o ETERNO. Seguro de estar falando em nome dele (Is 48,16), anuncia-lhes a salvação, isto é, a libertação do jugo babilônico, à volta a Terra Santa e a restauração de Jerusalém.
A libertação vai pôr fim a um exílio de “sete semanas de anos” (587-538); operada de maneira desconcertante por um “messias” pagão, Ciro (Is 45,1), ela fará os israelitas passarem da humilhação para a exaltação. O retorno deles a Terra Santa aparecerá como um Êxodo novo e mais belo que o antigo: recordando a saída do Egito, ele enfatizará a fidelidade de Yaohu ao seu desígnio: eclipsando a saída do Egito, ele deixa entrever a realização definitiva deste mesmo desígnio, o Reino de Yaohu universal (Is 52,7-10). Como este Reino deve instaurar-se a partir de Jerusalém, a Cidade Santa conhecerá uma restauração deslumbrante: é graças a ela que a salvação operada por Yaohu se manifestará a todos os homens sem exceção.
Se o segundo elemento desta salvação, o novo Êxodo, está presente ao longo de todo o livro (caps. 40 – 55), O primeiro (queda da Babilônia, libertação por Ciro) ocupa, sobretudo os caps. 40 – 48, e o terceiro (restauração de Sião, insistência no universalismo da salvação), sobretudo os caps. 49 – 55. Por conseguinte, existem provavelmente duas fases no ministério do Segundo Isaías.

A) Primeira fase (caps. 40 – 48). O profeta, embora proclamando a salvação, retifica quatro desvios:
– aos desanimados que acusam o ETERNO de abandona-los (40,27) lembra as duas razões para ter esperanças: por um lado, o ETERNO criou o mundo e o seu poder refulge no universo: por outro, escolheu Israel, e a sua fidelidade brilha na história;
– aos desavergonhados que acusam o ETERNO de mostrar-se ingrato (43,22-24) o profeta retruca que ingratos são eles, pois acumularam crimes, causa de suas desgraças (43,24-28);
– aos escandalizados que censuram o ETERNO pela escolha de um libertador pagão (45,11-13);
– aos que se deixaram seduzir pelos deuses da Babilônia, dispensadores da prosperidade desta, o profeta demonstra a inconsistência desses fetiches, seja nos processos em que o verdadeiro Yaohu, comparado aos falsos, se mostra o único capaz de anunciar e de fazer o futuro, seja em sátiras contra essas pretensas divindades, tão ineficazes quanto os seus ídolos vacilantes (41,24; 42,17; 44,21; 46,8; 48,5.). “E, diga-se de passagem: cada ídolo – tem o seu nome. Por isso é importante conhecer o único e verdadeiro nome de Deus – seu Nome próprio”. Anselmo Estevan.

§ BEM, VEJA O QUE DIZ A ENCICLOPÉDIA BÍBLICA – O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO (DICIONÁRIO). EDITORA AGNOS. AUTOR: R.N. CHAMPLIN, Ph.D. – SOBRE O ASSUNTO DO NOME “CRISTO”:

“PÁGINA 4748” – O TERMO HEBRAICO MASHIAH, SIGNIFICA “UNGIDO” E VEM DE UMA RAIZ HEBRAICA QUE SIGNIFICA “UNTAR”. A SEPTUAGINTA TRADUZIU ESSA PALAVRA PELO VOCÁBULO GREGO CHRISTÓS, “UNGIDO”. ESSA PALAVRA GREGA FOI PARA O PORTUGUÊS, CRISTO, EM VEZ DE SER TRADUZIDA, PARA UNGIDO. ASSIM, O CRISTO, OU O UNGIDO, CUMPRE AS EXPECTAÇÕES E SIMBOLISMOS DO ATO DE UNGIR. ESSA PALAVRA, REFERINDO-SE AO ESPERADO MESSIAS, É UM PRODUTO DO JUDAÍSMO POSTERIOR, AINDA QUE DESDE TEMPOS BEM REMOTOS, ENTRE OS HEBREUS, ENCONTREMOS INDICAÇÕES SIMBÓLICAS. SOMENTE POR DUAS VEZES, EM TODO O ANTIGO TESTAMENTO, ESSA PALAVRA É USADA COMO UM TÍTULO OFICIAL, VER DANIEL 9,25.26. O CONCEITO MESSIÂNICO, POIS, EMBORA TIVESSE TIDO INÍCIO NO ANTIGO TESTAMENTO, (COMO NO LIVRO DE ISAÍAS, ONDE NÃO É USADA A PALAVRA HEBRAICA ESPECÍFICA), TEVE PROSSEGUIMENTO DURANTE O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO, NOS LIVROS APÓCRIFOS E PSEUDEPÍGRAFOS. VER O ARTIGO SEPARADO CHAMADO UNÇÃO. ESSE ARTIGO INCLUI REFERÊNCIAS BÍBLICAS.

Bem, sendo dessa forma, a partir de agora, quando surgir o nome Cristo – leia-se o Ungido. (YAOHUSHUA) Sem desmerecer os textos anteriores. Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio… Anselmo Estevan.

Dando continuidade ao texto de Isaias:

Tal é o conteúdo desta primeira fase. Com o fim do capítulo 48, chegamos ao ponto-chave da obra e pressentimos uma virada na vida do profeta: abandonam-se temas, aparecem outros, e a partir daqui a sua pregação se dirige, ao que parece, sobretudo à elite de Israel (cf. 48,22 nota).

B) Segunda fase (caps. 49- 55). A mensagem que o profeta destina aos mais fiéis comporta três aspectos marcantes:
1. A situação deles vai conhecer uma reviravolta espetacular:
– perseguidos (51,7-8), como o profeta (50,4-11), eles serão consolados (51,1-8);
– oprimidos, ver-se-ão salvos.
2. A restauração de Sião é celebrada, na esteira do profeta Oséias e dos seus imitadores, como a reconciliação conjugal entre Yaohu, o esposo, e a comunidade, sua esposa: viúva, Jerusalém reencontrará o seu marido; estéril, ela vai novamente dar à luz; infiel, ela vai ser reassumida pelo seu ETERNO, cuja aliança é indefectível (49,14-26; 51,9-52.12; 54).
3. A conversão das nações ao verdadeiro Yaohu, ao Yaohu de todos, é cada vez mais ressaltada; essas nações aparecem, sucessivamente:
– maravilhadas diante da salvação operada por Yaohu (49,7; 52,10; e já 40,5);
– prosternadas diante de Yaohu e desejosas de conhece-lo (49,23; 55,5; e já 45,14 – 15,23-25);
– iluminados e transformados pelo autêntico servo de Yaohu, testemunha da verdadeira fé diante do universo (49,2.6; 53,11).

Os servos e o Servo de Yaohu. Ao longo da mensagem que acabamos de resumir, o Segundo Isaías empregou vinte e uma vezes a palavra “servo”, uma só vez no plural (54,17), uma vez no sentido pejorativo de escravo (49,7), e dezenove vezes no sentido positivo de servo de Yaohu. Em catorze casos, este servo recebe um nome próprio: É “Israel” ou “Jacó”, isto é, o povo de Israel no seu conjunto. Em cinco casos, o servo permanece anônimo, e é preciso perguntar-se, de acordo com o contexto, quem é designado por este título em 42,1; 44,26; 50,10; 52,13 e 53,11. Será ainda Israel? Será um grupo restrito personificado? Será um individuo? Além disso, as cinco passagens supracitadas visam a uma só e mesma personificação, ou a várias? Um só e mesmo personagem, ou vários? Todas estas hipóteses podem ser defendidas, e de fato o têm sido.
Se, num primeiro tempo, nos ativermos ao sentido imediato dos textos no seu contexto, a palavra “servo” pode designar, conforme o caso: Israel no seu conjunto, Israel na sua elite, o próprio Segundo Isaías, e finalmente o rei persa Ciro.
1. O servo Israel como o povo. Nos caps. 41 – 48, o povo de Israel é efetivamente qualificado como servo do (Senhor) – {termo que só pode ser qualificado como sendo servo = escravo; pois, de Yaohu todos, o seu povo, como nós os gentios; depois do sacrifício do “o Ungido” – nos tornamos “co-herdeiros” da sua Palavra e do sacrifício feito por todos em geral – a Sua morte e Ressurreição…!!}. Anselmo Estevan. Em relação ao resto do Antigo Testamento, isto representa uma novidade; só se encontram alguns outros textos, raros e tardios, em que semelhante denominação é aplicada a Israel (Jr 30,10; Sl 136,22). Ao conferir-lhe este título, o profeta sublinha que o povo eleito [o nome já diz: POVO ELEITO – COMO SE COMPARAR À “SERVO”? Anselmo Estevan.] entrou, desde a sua libertação da escravidão egípcia, no serviço divino, não somente na dependência do ETERNO, mas também em sua intimidade, a ponto de receber dele revelações sobre seu desígnio, bem como a força de colaborar na implantação deste. Em 41,8-16 e 44,1-5, vê-se com que afeição Yaohu se inclina sobre o seu “servo” Israel. [Aqui, O Ungido, na plenitude de seu tempo, iria libertar “Israel-povo” – de sua própria escravidão! Anselmo Estevan.].
2. O servo Israel na sua elite. No interior do povo de Yaohu, opera-se uma seleção; a partir do cap. 49, o profeta, recusado por uma parte dos seus ouvintes (50,6-9.11), volta-se para o grupo dócil à palavra de Yaohu (50,10). Este grupo, que nunca mais será designado pelas palavras paralelas Israel-Jacó, continua sendo, porém, sempre Israel (49,3), mas um Israel reduzido a uma elite, um resto (46,3): se lhe aplicarmos 49,5-6, a primeira tarefa dele seria reerguer os sobreviventes de Israel tomados em seu conjunto, e sua tarefa maior seria levar a luz às nações. Para certos comentadores, o poema 52,13 – 53,12 também poderia ser aplicado à elite de Israel.
3. O Segundo Isaías, servo ele mesmo. O nosso profeta em pessoa pertenceu a essa elite. Deportado e, além disso, perseguido, teve de primeiro buscar reconforto Junto a Yaohu, para poder reconfortar os seus compatriotas como discípulo atento; recolheu as palavras do seu ETERNO, depois as transmitiu. Ao fazer isto, deparou com ceticismo e hostilidade; todavia, mesmo sob os ultrajes, permaneceu firme, tendo a certeza de, na fidelidade de Yaohu, confundir os seus perseguidores e fortificar os que acreditaram nele (50,4-11).
4. O servo Ciro. Os que acolhem a mensagem do profeta, com isto mesmo aceitam as suas declarações, chocantes para muitos, sobre a missão de Ciro. O rei persa é também ele, sem dúvida, um servo de Yaohu. O ETERNO é o soberano que faz triunfar o profeta de Ciro, ao dizer: Jerusalém seja habitada! E Ciro é o servo que faz triunfar o projeto do ETERNO dizendo: Jerusalém seja reconstruída! (44,26-28).
E em contraste com as estátuas fúteis dedicadas aos falsos deuses (41,24.29), não seria Ciro o eleito de Yaohu, animado pelo sopro de Yaohu (42,1)? Com a maneira benevolente que a história lhe reconhece. Ciro seria então aquele que fará admitir por todas as nações o julgamento decretado pelo ETERNO; ao instaura-lo, ele não esmagará as vítimas da Babilônia, juncos dobrados sob a força do jugo, mechas apagadas pela detenção. Sem esmorecer, Ciro cumprirá até o fim a sua missão; servo do servo de Israel, favorecerá, ao restabelecer este último, o cumprimento do desígnio de Yaohu, que é iluminar os homens com a sua luz e uni-los na sua aliança (42,1-7).
São estas algumas das interpretações que se podem propor; dão conta dos textos, com maior ou menor propriedade, mas não são as únicas possíveis.
Por exemplo, os judeus helenizados que produziram a tradução grega (Septuaginta) não hesitaram em dar nome ao servo anônimo de 42,1, e escreveram: EIS AQUI O MEU SERVO JACÓ, QUE EU APÓIO, ISRAEL MEU ELEITO… Na lógica desta interpretação, é Israel que propõe às nações o direito exigido por Yaohu e “a Lei” que Yaohu lhe confiou, para que a transmita ao mundo.
O Targum, comentário em aramaico, originado da explicação oral do texto hebraico, oferece exegeses diversas no que tange aos oráculos que falam de um “servo” de Yaohu. De data incerta e, para muitos dos seus capítulos, de redação tardia, posterior ao advento da era cristã, ele tenderia a ler nas páginas dolorosas as provações de Israel e, nas páginas gloriosas, os triunfos do Messias vindouro. Sem querer encontrar a qualquer custo nas interpretações do Targum o atestado de uma tradição judaica pré-cristã, reteremos simplesmente que a literatura targúmica reconhece em Is 50,10, nos traços do “servo”, o profeta que denominamos o Segundo Isaias; e que, em 52,13 como em 42,1 e 43,10, essa literatura não hesita em escrever: “Meu Servo: o Messias”.
Os oráculos do Segundo Isaías são ricos de sentido e abertos para o futuro; as realizações efetuadas por este ou aquele indivíduo, este ou aquele grupo escondido sob o título anônimo de “servo”, permanece parciais e limitadas: nenhuma pode pretender, ao que parece, ter esgotado a missão em escala mundial anunciada pelo Segundo Isaías.
Para o Novo Testamento, vários textos do Segundo Isaías concernem diretamente à pessoa e à obra de O UNGIDO, o servo perfeitamente justo (50,9; 53,9), cuja morte é aceita como sacrifício de expiação (53,10: afirmação bem nova e única no Antigo Testamento), e a quem foi prometida, para além da morte, uma vida intensa e fecunda (53,9-12).

O rosto de Yaohu. O nosso profeta traça um esboço impressionante do rosto de Yaohu, cujos principais traços são os seguintes:
Yaohu, repete ele, é único e absolutamente incomparável, nenhuma divindade existe ao lado dele. Nenhum ser pode existir antes ou depois dele, pois ele é eterno (43,10; 44,6). Anterior a tudo, ele está também na origem de tudo; sozinho, ele cria tudo (44,24). O verbo criar, reservado ao agir divino, conhece com o Segundo Isaías um aumento repentino do seu índice de freqüência: dezesseis empregos sobre quarenta e quatro (certos) no Antigo Testamento. Além disso, o profeta inova, quando qualifica de criação o surgimento do povo israelita (43,1.7.15), e ganha de Jr 31,22, quando fala de criação a propósito do novo Êxodo (41,20; 48,7). Yaohu, com efeito, põe o seu poder de criador a serviço do seu projeto de salvação: por ter tirado os elementos do caos primitivo e os seus filhos do degredo egípcio (51,9-10), ele poderá tirar os seus fiéis deportados do exílio babilônico, e o seu gesto salvador aparecerá como uma nova explosão de força criadora (41,17-20).
Isto, tanto mais que a salvação não se destina exclusivamente ao povo de Israel, mas a todos os povos do mundo. Antes de criar Israel, Yaohu de todos, o Yaohu universal criou a humanidade (45,12); antes de fazer aliança com Abraão, fez aliança com Noé (54,9). Ele nunca esquece a totalidade dos homens, aqui designada por uma série de sinônimos: a humanidade ou os filhos de Adão, toda carne, a multidão, a que remonta à noite dos tempos (44,7); os povos; as nações; as cidades, os clãs; as ilhas longínquas; as extremidades ou os confins da terra. Todos esses povos, sem exceção, permanecem sob o império de Yaohu; eles estão na sua mão de Todo-poderoso, leves e frágeis a despeito da sua soberba (40,6-7.15-17; 51,6); estão diante do seu olhar de Juiz, que lhes lembra que o mal gera a infelicidade (47); são levados à escuta dos seus apelos de Salvador, que os convida todos à alegria da salvação (45,22-24; 55,3-5).
Visões tão amplamente universais não anulam os privilégios de Israel: pelo contrário, os supõem. Aquele que é o absolutamente Santo (40,25) é também o Santo de Israel (mencionado doze vezes). Se, com efeito, o verdadeiro Yaohu é reconhecido por todos, é porque o é, de modo preeminente, em um povo-testemunha (43,10-12; 44,8), especialmente escolhido, chamado, enviado ao mundo. Esta comunidade crente invoca Abraão (41,8; 51,2), Jacó (43,27), Judá (48,1), David (55,3), e mesmo que não mencione Moisés nestes capítulos, recorda incessantemente a obra dele, o Êxodo, penhor da salvação vindoura e promessa para o povo – no presente, humilhado – de uma posteridade não apenas mantida, mas incessantemente ampliada. O ETERNO, com efeito, nunca cessou de ajudar os seus, de apoiá-los, de carrega-los, de suporta-los, de instruí-los, de guia-los, de associá-los ao plano de salvação que, contrariamente aos falsos deuses, só ele é capaz de anunciar e fazer triunfar.
A constância que o ETERNO manifesta na realização do seu desígnio leva no Segundo Isaías um nome bem especial: sua justiça, vinte e oito vezes mencionada, quase sempre designando bem mais do que o aspecto favorável da justiça judicial ou do que a repartição eqüitativa garantida pela justiça distributiva: esta justiça aparece antes como a misericordiosa fidelidade segundo a qual Yaohu cumpre as suas promessas de salvação, tanto que justiça e salvação são praticamente identificadas (45,8.21; 46,13; 51,5.6.8).
O fato de que Yaohu salva – repete-se isto vinte e duas vezes – dá testemunho do seu amor fiel e da sua solicitude constante, que é não somente a de um pastor ou de um rei (40,11; 41,21; 43,15; 44,6; 52,7), mas também e, sobretudo a de um pai pelos seus filhos (43,6; 45,10-11), de uma mãe pelos seus filhos (49,15-16), de um esposo pela sua esposa (54). Seu amor é tal, que ele suporta e supera o pecado humano, embora repetido e grave, e chega até a apagá-lo (43,25; 44,22) e perdoá-lo totalmente (55,7).
A salvação outorgada por Yaohu apresenta dois aspectos: de um lado, Yaohu liberta, livra, alforria e, sobretudo resgata (cf. 41,14 e dezesseis outras passagens); por outro, Yaohu reagrupa e reconforta ou, se preferirmos, consola. É este verbo, primeira palavra da coletânea e nove vezes repetida, que deu tom à nossa obra, muitas vezes chamada de “Livro da consolação”. Tal reconforto traz mais do que a libertação da desgraça e do mal, mais do que o congraçamento de uma comunidade recobrando uma vida pacífica e boa; ele comporta, além disso, o reflexo, naqueles que dele se beneficiam, do próprio brilho de Yaohu. Este “brilho” divino é expresso pela palavra glória (sete vezes), que em hebraico significa primeiramente “peso”: o Deus que “pesa muito” dá a Israel o “ter muito peso”, graças a Yaohu, nos destinos do mundo (43,4), para finalmente manifestar a sua glória a toda carne (40,5). O mesmo brilho divino é também traduzido pela palavra esplendor, repetida cinco vezes, dizendo o profeta que Yaohu “ilustrou em Israel o seu esplendor” (44,23) e quer “através de Israel ilustrar o seu esplendor” (49,3). Ao longo do livro inteiro exprime-se o contraste entre o miserável trabalho dos artesãos que esculpem laboriosamente ídolos, aos quais tentam em vão dar um “esplendor” humano (44,13) e, a obra deslumbrante do Criador, que vitoriosamente modela crentes aos quais comunica realmente o seu “esplendor divino”.
Este é o rosto de Yaohu que o Segundo Isaías nos faz entrever. Diante desse Deus tão generoso para com os homens, estes últimos são convidados ao acolhimento e à ação de graças. Para suscitar o acolhimento, o profeta convida seus irmãos a voltar ao ETERNO (44,22; 55,7; etc.), a procura-lo (55,1), a freqüenta-lo (55,6), a ouvi-lo (cap. 48 etc.), a desfrutar sua revelação que alimenta mais do que o pão (55,2). Para estimular a ação de graças, o Segundo Isaías multiplica os invitatórios fervorosos, impelindo seus ouvintes a cantar a Yaohu (42,10), a louva-lo até a exaltação (41,16 e seis outras vezes), a aclama-lo (42,11 e onze outras vezes), a exultar (41,16; 49,13), a explodir de júbilo (54,1), a testemunhar júbilo e entusiasmo (51,3.11). Este concerto deve reunir não somente os exilados, mas todos os filhos de Israel, não somente os israelitas, mas todos os povos, não somente todos os povos da terra, mas a própria terra e todos os elementos do cosmo, o céu e os seus astros, o mar e as suas profundezas, para fazer ressoar o hino à alegria de um universo que celebre de maneira unânime o Yaohu que quer a coesão do mundo e a união da humanidade.

IV O TERCEIRO OU TRITO-ISAÍAS

A coletânea. Quando se passa de Is 40 – 55 a Is 56 – 66, descobrem-se semelhanças de pensamento e de vocabulário, mas também uma diferença de tom, expressões novas e diversidade maior entre as diferentes peças que compõem esses últimos capítulos. Eis por que os comentadores têm assumido em relação a eles três posições divergentes:
– Alguns os consideram uma compilação, uma montagem artificial de trechos diversos quanto aos seus autores e às suas datas; esta explicação supõe que exista certa disparidade entre os poemas do nosso livrinho: com efeito, parece difícil atribuí-los todos a um mesmo autor; mas nem por isso se deve renunciar precipitadamente a descobrir relativa unidade entre os mesmos;
– Outros pensam que os caps. 56 – 66 ainda provém do Segundo Isaías, retornado do exílio e enfrentando em Jerusalém os problemas da reinstalação na Terra Santa. Mas, por um lado, é pouco provável que o profeta se tenha plagiado a si mesmo, deformando os seus próprios achados (cf. 40,3 e 57,14; 52,12 e 58,8; 49,23 e 60,16; etc.), e por outro lado, as diferenças entre as duas coletâneas são ainda mais importantes que as semelhanças;
– Outros biblistas, finalmente, acreditam que os onze últimos capítulos do livro de Isaías são em grande parte, senão na totalidade, a obra de um único e mesmo profeta, que se inspira no Segundo Isaías, e que exerce seu ministério em Jerusalém nos dois primeiros decênios subseqüentes ao fim do Exílio.
A este Terceiro Isaías podem-se atribuir os capítulos 60 – 62, que apresentam grande coerência entre si; não há razão decisiva para recusar-lhe 56,9 – 57,21 nem 58, nem 59, nem 65, nem a maior parte de 66, ainda que estes dois últimos capítulos, intimamente aparentados, sejam por vezes considerados como um conjunto à parte. Os dois poemas que mais se sobressaem são 63,1-6 e 63,7 – 64,11; se talvez não provêm do nosso profeta, pelo menos foram cuidadosamente inseridos na sua obra, e o segundo corresponde bem às preocupações dele. Finalmente, é possível que 66,18-24 seja um apêndice devido a editores e que 56,1-8, quiçá pronunciado após a reconstrução do Templo (520-515), seja em trecho mais tardio que o resto, encaixado no início do livrete em razão dos seus contatos literários como o Segundo Isaias (56,5 lembra 55,13; 56,1 retoma 46,13 e 51,5.6.8).

O profeta e o seu ministério. O profeta anônimo parece intervir entre os anos 537 e 520. Um primeiro grupo de exilados voltou, sob a direção do governador Sheshbasar, príncipe de Judá (Ed 1,8-11; 5,14; 1Cr 3,18 gr.). Lançaram-se as fundações do Templo (Ed 5,16), mas muito cedo, em razão das dificuldades internas e externas, interromperam-se os trabalhos; foi preciso contentar-se com restabelecer o altar, para nele recomeçar um culto sumário (Ed 3). Pouco a pouco voltam outras caravanas de exilados, uma delas com Josué, o sumo sacerdote, e Zorobabel, neto de Ioiakin, que sucede a Sheshbasar nas funções de alto comissário delegado pelo poder persa.
Sob a autoridade desses homens, é uma comunidade heterogênea que, em Jerusalém e ao redor da cidade santa, tem de se reconstituir. Distinguem-se nela quatro elementos:
1. Os judeus retornados do exílio (Ed 2; Ne 7); entre eles figuram muitos sacerdotes; pertencem na maioria às tribos de Judá, Simeão e Benjamin; devem enfrentar alguma dificuldade para reinstalar-se em territórios abandonados ou espoliados.
2. Os judeus que haviam permanecido na terra: nas suas fileiras encontram-se seguramente fiéis, mas também idólatras que entendem muito mal o zelo (“ciúme”) religioso dos recém chegados; vários deles devem ter-se instalado em detrimento dos exilados e não estão dispostos a ceder os direitos de propriedade que estes últimos reivindicam. Esta dupla divisão (religiosa e social) aparece em numerosas passagens.
3. Os estrangeiros: muitos haviam podido estabelecer-se na Judéia durante o Exílio; outros vêm trazer-lhes a sua mão-de-obra (60,10; 61,5); outros acompanham israelitas no momento da volta deles a Sião (cf. 60,9; 66,20). Em que medida esses estrangeiros, cada vez mais numerosos, poderão integrar-se ao povo de Yaohu?
4. Os judeus que permaneceram na diáspora, os que estão longe (57,19), mas para os quais é preciso manter desimpedido o caminho da volta (57,14; 62,10), os que o ETERNO ainda quer congregar em torno dos privilégios que já reagrupou (56,8).
A partir desses diversos elementos, o profeta quer refazer um povo unido e santo. Mas choca-se com quatro dificuldades maiores:
– uma crise da esperança do povo, provocada pelo retardamento da salvação;
– uma depravação tenaz: o culto aos ídolos;
– uma divisão do povo exacerbado pelas circunstâncias: o ódio entre irmãos;
– um risco agravado pela conjuntura: o menosprezo aos estrangeiros.
A crise da esperança provém da desilusão que se opera dos repatriados: os muros de Jerusalém continuam arrasados, esperando por… Neemias (445-433); o Templo não saiu do esboço e só será reconstruído – menos belo que antes – entre 520 e 515; as condições de vida são penosas, em razão dos entraves externos (da parte dos samaritanos) e internos (da parte dos que haviam ficado na terra). Tendendo ao desânimo, os fiéis, em meio a tantas provações, dirigem ao ETERNO uma série de recriminações indefinidamente repetidas no tocante ao adiamento da salvação e à aparente inércia do ETERNO. Para calar essas queixas, o Terceiro Isaías por uma parte denuncia o pecado, obstáculo à vinda da salvação, e por outra, reafirma a fidelidade de Yaohu, fonte infalível desta salvação.
O profeta quer, além disso, converter os idólatras, que buscam apoio nos falsos deuses e se entregam a práticas depravadas, como: sacrificar humanos, prostituição sagrada, uso de animais impuros para o culto (65,4; 66,3.17), necromancia (65,4), veneração de Mélek/Moloc (57,9), ou de outras pretensas divindades como Gad e Meni (65,11). Para desvia-los das suas aberrações, o Terceiro Isaías brande duas ameaças: a impotência dos falsos deuses, incapazes de salvar, e o poder do verdadeiro DEUS –, [QUE, AGORA, CONHECEMOS O SEU NOME PRÓPRIO – YAOHU. “Não deixando nada a desejar as concupiscências da CARNE que pra ídolos mortos dão a todos, nomes próprios…! E, para um Deus único, Criador, Salvador, Eterno, Onipotente, Onisciente, Onipresente, só deram “TÍTULOS” – (Alguns – Nobres), outros, Falsos; Blasfemos; etc. Pára não falar um nome Santíssimo…”. E, como fica a oração que O UNGIDO NOS ENSINOU: Mateus 6,9: Portanto, vós orareis assim:
Pai nosso, que estais nos céus,
Santificado seja o “TEU NOME”; …..
O nome de Deus – YAOHU – Tem que ser santificado e não escondido – usando em vez disso, trocadilhos blasfemos e etc. Se descordam da minha opinião; então por que cada ídolo morto feito pelas mãos de homens têm seu nome Próprio e é venerado como tal??? Yaohu é o NOME DO DEUS VIVO. ANSELMO ESTEVAN.], cujo julgamento é inevitável!
Os que rompem a aliança com o seu Deus – Yaohu rompem-na automaticamente com os seus irmãos: com efeito, quantas divisões na população judaica! Observam-se ali governantes incapazes que praticam a extorsão (56,8 – 57,1); pessoas que exploram o seu próximo; brutalidades, recusas de ajuda mútua, violações da justiça, exclusões arbitrárias etc. Vigorosamente, o profeta denuncia esses delitos e mostra a incompatibilidade deles com um culto que se quer autêntico (cap. 58 etc.).
Se com tanta freqüência assim se trata o irmão israelita, como será a conduta para com o hóspede estrangeiro? Em relação aos descendentes de nacionalidade estrangeira, os caps. 56 – 66 do livro de Isaías manifestam posturas diferentes:
– algumas passagens pedem o aniquilamento das nações que se obstinassem no mal (cf. 63,3-6 e 66,15 – 16,24; mais 69,18c e 60,12, que provavelmente são glosas);
– outras páginas mostram as nações a serviço de Jerusalém (60,3-11.13-17; 61,5-9; 62,2-8; 66,12);
– contudo, os problemas mais candentes surgem a propósito da eventual admissão do estrangeiro no grêmio do povo de Yaohu; esses não-judeus temem ser discriminados (56,3), mas os oráculos de Is 56 – 66 lhes abrem belas perspectivas: os filhos de Israel devem não somente assistir a qualquer errante em dificuldade (58,7), mas, além disso, admitir no seu Templo os estrangeiros convertidos (56,3-7) e até talvez considerar a possibilidade de vê-los ascender ao sacerdócio (66,21).

O rosto de Yaohu. Ao ouvir formular todas essas exigências divinas, já adivinhamos os traços do rosto de Yaohu esboçado pelo Terceiro Isaías.
Ele nos lembra de passagem (enquanto o Segundo Isaías sublinhava isto longamente) que o ETERNO é o incomparável (64,3) e o eterno (57,15). Que ele é o criador, o nosso profeta também no-lo repete, porém mais raramente que o seu predecessor: sabe-se que Yaohu fez todos os seres (66,2), acrescenta, sobretudo – e isto é importante – que o ETERNO vai criar céus novos e uma terra nova (66,17; cf. 66,22 – Maranata, é isso que espero meu Yaohu – Anselmo Estevan, 2.010); alhures especifica que Yaohu cria o louvor dos corações convertidos (57,19) e uma nova Jerusalém (65,18).
Criador de tudo, o ETERNO é o Yaohu de todos. Vimos acima à atitude de acolhimento universal que Yaohu prescreve aos seus em favor dos estrangeiros. Ele inspira ao seu profeta que favoreça o universalismo enfatizando a responsabilidade pessoal: não são todos os filhos de Israel indistintamente que, pelo simples fato de pertencer ao povo escolhido, serão seguramente salvos; entre eles figuram fiéis, mas também ímpios. Se o fato de ser israelita não é garantia de salvação, o fato de ser não-israelita também não barra acesso a ela. Pelo contrário, o ETERNO chama a si todos os povos (56,7; 66,18).
O congraçamento das nações deve-se fazer graças a Israel, cujos privilégios são mantidos. Aquele que é absolutamente o Santo (57,15) permanece o Santo de Israel (mencionado duas vezes, em 60,9.14). Sem dúvida, Israel-Jacó, enquanto povo, não é mais interpelado nos caps. 56 – 66, ao passo que o fora dezessete vezes no Segundo Isaías; sem dúvida, o termo eleitos figura sempre no plural, para designar os crentes em oposição aos apóstatas, enquanto no singular ele designava o povo eleito, no Segundo Isaías; mas outras expressões lembram as predileções divinas pela posteridade de Jacó e de Judá (65,9), pela nação dirigida por Moisés (63,11 – 12) e que permanece para sempre o povo de Yaohu, sua parte escolhida, seu herdeiro, tendo por capital Jerusalém destinada a tornar-se a metrópole religiosa do mundo.
Equipando o seu povo para uma missão universal, Yaohu testemunha assim um amor absolutamente fiel (65,16), o do único Pai verdadeiro (63,8.16; 64,17), dotado de atenções profundamente maternais (66,13). Cheio de compaixão (63,9). Chega a perdoar, esquecendo e curando o mal cometido (57,16-18; 64,8). Para salvar, ele resgata, reconforta ou consola e reagrupa, dando a seus amigos a sua glória e o seu esplendor. Fazendo isto, manifesta a sua justiça, isto é, a sua fidelidade absoluta às suas promessas, inquebrantavelmente mantidas a despeito do pecado dos homens. A esses temas já encontrados no Segundo Isaías, o Terceiro acrescenta com insistência o do julgamento de Yaohu, que se exerce fatalmente, em detrimento dos maus (estrangeiros ou mesmo israelitas) e em vantagem dos bons (israelitas ou mesmo estrangeiros). Com efeito, o ETERNO entra em julgamento não somente em favor de Israel, mas com Israel; não somente com Israel, mas com todas a nações do mundo, e a sua sentença universal será decisiva e definitiva (66,16.24).
Diante desse Deus – Yaohu fiel para amar, poderoso para salvar, infalível para julgar, os homens têm de tomar posição – para sua infelicidade se o recusam, para a sua alegria se o acolhem. Seu acolhimento supõe conversão, louvor jubiloso, mas também obediência pressurosa: enquanto o Segundo Isaías só falava uma vez do Temor do ETERNO, o Terceiro Isaías o menciona quatro vezes; outro traço original, que só tem paralelo no livro de Esdras: o profeta convida seus ouvintes a tremer (de zelo) à palavra de Yaohu (66,2-5). Este serviço do ETERNO traz consigo uma boa conduta moral e requer também uma grande fidelidade cultual: no Terceiro Isaías, o Templo é mencionado doze vezes, a montanha santa cinco vezes, e os termos que indicam atos de culto são muito numerosos (o sábado, três vezes; o sacerdócio, o altar, os sacrifícios, os jejuns). É que, segundo o nosso profeta, moral e religião são inseparáveis: seria tão vão pretender amar o próximo sem amor a Yaohu, quanto pretender amar a Yaohu sem amar o próximo.

V. O LIVRO DE ISAÍAS NA TRADIÇÃO BÍBLICA

Finalmente, o livro de Isaías, com todas as partes que o compõem, entrou no cânon dos livros proféticos como uma única obra. A partir daí, ele inicia uma nova história. Da descoberta, em Qumran, de vários fragmentos e de um rolo inteiro do livro de Isaías (que denominaremos o principal ms. de Qumran), podemos concluir que para os membros da comunidade essênia, que se consideravam o verdadeiro Israel, o resto fiel, Isaías representava todo um programa. Com o texto do principal manuscrito de Qumran, é nos restituído o mais antigo manuscrito bíblico, mais de mil anos anterior ao texto masorético: ele apresenta, em relação a este último, variantes bastante numerosas. O interesse suscitado pelo livro de Isaías nos meios judaicos aparece também na tradução grega chamada a Septuaginta: esta por vezes apresenta um texto tão diferente do texto hebraico que se deve ver nela, mais do que uma tradução, uma adaptação. É, todavia útil à medida que da acesso ao texto hebraico do qual ela surgiu, e tem também o seu interesse como testemunha de uma releitura de Isaías pela comunidade judaica Alexandrina.
Juntamente com os Salmos, o livro de Isaías é aquele do qual o NT tirou mais citações, sendo algumas delas explícitas, ao passo que outras são reminiscências bem perceptíveis. É sabido que o anúncio do nascimento do Emanuel em 7,14 é retomado em Mt 1,22-23. Segundo os evangelistas, o ensinamento das parábolas tem por efeito endurecer os ouvintes (Mt 13,14; Mc 4,12; cf. Is 6,10). Imagens importantes como as da vinha ou da pedra angular são freqüentes no NT. O culto dos lábios oposto à obediência do coração (Mt 15,8 e Is 29,13), o escurecimento dos astros nos quadros que descrevem os últimos tempos (Mt 24,29 e Is 13,10), os temas do ramo, da cepa e, sobretudo do servo, têm ajudado os leitores cristãos a compreender (Christós): “O UNGIDO”, a partir do livro de Isaías e a se compreender a si mesmo como o POVO DE YAOHU, sempre confrontado com as promessas de renovação e a iminência do juízo. Poder-se-ia também falar do lugar de Isaías na iconografia e na hinologia: os portais das catedrais, as iluminaras dos livros de piedade, o hinário cristão reeditam todos, à sua maneira, o livro de Isaías, tanto é verdade que no decurso da história raramente a revelação foi mais bem expressa e a fé, mais interpelada do que por esta extraordinária testemunha de Yaohu!

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ISAÍAS:

ISAÍAS.
Pontos fortes e êxitos:
É considerado o maior profeta do Antigo Testamento.
É mencionado no mínimo cinqüenta vezes no Novo Testamento.
Transmitiu mensagens poderosas de juízo e também de esperança.
Desempenhou um ministério consistente, embora quase não recebesse resposta positiva por parte de seus ouvintes.
Seu ministério estendeu-se durante o reinado de cinco reis de Judá.

Lições de vida:
A ajuda de Yaohu é necessária para confortar as pessoas que estão efetivamente lutando contra o pecado.
Um dos resultados de experimentar o perdão é o desejo de compartilhar esse perdão com os semelhantes.
Yaohu é pura e perfeitamente santo, justo e amoroso.

Informações essenciais:
Local: Jerusalém.
Ocupações: Escriba e profeta.
Familiares: Pai – Amós; filhos – Sear-jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.
Contemporâneos: Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés e Miquéias.

Versículo-chave: “Depois disso, ouvi a voz de Yaohu, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6,8).

A história de Isaías é contada em 2 Reis 19,2 – 20,19. Ele também é mencionado em 2 Crônicas 26,22; 32,20.32; Mateus 3,3; 8,17; 12,17-21; João 12,38-41; Romanos 10,16.20.21.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

JEREMIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autores: Jeremias e Baruque, seu aluno e/ou escriba.
Propósito: Lembrar aos exilados os motivos de suas provações e garantir-lhes que, ao se arrepender, o povo de Yaohu voltaria para a Terra Prometida com grandes bênçãos.
Data: 580-539 a.C.
Verdades fundamentais:
O exílio na Babilônia foi merecido, pois o povo de Judá e Jerusalém persistia no pecado.
O templo em Jerusalém não protegeria os habitantes de Judá do julgamento de Yaohu contra eles por sua hipocrisia.
O povo devia recusar os falsos profetas que proclamavam paz e segurança e aceitar a mensagem dos verdadeiros profetas.
A decisão divina de mandar o seu povo para o exílio seria seguida de restauração maravilhosa sob uma nova aliança.

Propósito e características
As fases da mensagem de Jeremias não correspondem exatamente à estrutura do livro.
(1) Ele chamou Judá a se arrepender a fim de evitar o julgamento que, de outro modo, certamente lhe sobreviria (p. ex., 7,1-15).
(2) Anunciou que o tempo de arrependimento havia passado e que a decisão divina contra o povo já havia sido tomada (19,10-11). O julgamento é o tema dominante do livro, sendo entendido como invocação da maldição mais grave da aliança, ou seja, a perda da Terra Prometida (Lv 26,31-33; Dt 28,49-68).
(3) O ETERNO salvaria o seu povo, ou um remanescente do mesmo, por meio do exílio (24,4-7). Os babilônios prevaleceriam sobre Judá segundo a ordem do ETERNO, mas só por algum tempo. A Babilônia também cairia (25,9.11-12), o que isto de fato ocorreu em 539 a.C., quando os babilônios foram derrotados por uma coalizão de persas e medos sob o comando de Ciro, preparando o caminho para a volta dos exilados (50,3; 51,1.27-28; 2Cr 36,20-23). Essa foi a resposta de Jeremias aos falsos profetas que contestavam a sua mensagem de julgamento (28,2-4).
Jeremias também anunciou uma mensagem de salvação, dirigida apenas àqueles que sobreviveriam ao julgamento (29,11-14). Essa mensagem se consolidou na profecia da nova aliança (31,31-34). Que é estruturada em torno dos elementos principais da aliança mosaica no Sinai.

CHRISTÓS – “O UNGIDO” –, EM JEREMIAS.
(Yaohushua):

A mensagem de Jeremias antevê O UNGIDO principalmente na certeza de restauração do exílio expressada pelo profeta. Ao mesmo tempo em que deixa clara a iminência do exílio, Jeremias também mostra que depois do mesmo o povo de Yaohu entrará num novo período da aliança repleto de bênção de Yaohu. O SALVADOR é o ETERNO – YAOHU – YAOHUSHUA da nova aliança (Lc 22,20; Hb 8,8; 9,5; 12,24), o filho de Davi e o Sacerdote que deu início às maravilhas dos últimos dias com o seu ministério aqui na terra. Nos dias de hoje, ele continua realizando esta obra de restauração que será completada quando ele voltar em glória Mt 4.

JEREMIAS.
1. A solidão do homem da Palavra. Ao leitor do livro que traz o seu nome, Jeremias se apresenta como um grande solitário. “Eu fico à margem”: são estes os termos que ele usa para caracterizar seu relacionamento com a sociedade (15,17). Incompreendido e perseguido, desamado por aqueles que mais deveriam apoiá-lo e encorajá-lo, os membros de sua família (12,6; 20,10), ele não está com eles quando celebram um casamento, nem quando choram um morto (16,5-9). Nunca chegará a conhecer o reconforto e a responsabilidade da vida conjugal e nunca chegará a ser pai (16,1-4). Preso, brutalizado, arrastado contra a vontade para o Egito, acabará seus dias numa terra longínqua e nenhum vestígio restará de sua tumba.
Entretanto, estamos muito bem informados sobre sua vida interior. Sabemos que essa solidão de modo algum, correspondia a uma disposição natural de sua parte. Foi-lhe imposta por uma força externa que o violentava, agredia, invadia, prendia, exigindo uma adesão total à sua vontade e que tinha necessidade de sua solidão como de um meio para agir no seio do povo de Judá. Essa força implacável era a Palavra de Yaohu. Nenhum profeta evoca a Palavra de Yaohu e sua maneira de agir com tamanha e dolorosa exatidão quanto Jeremias. “A Palavra do ETERNO veio a mim” – é uma fórmula freqüente em Jr, que introduz e qualifica seu discurso (cf. 1,2). “Ao encontrar tuas palavras, eu as devorava” (15,16); {faço de Jeremias, minhas palavras: “ACHADAS AS TUAS PALAVRAS, LOGO AS COMI; AS TUAS PALAVRAS ME FORAM GOZO E ALEGRIA PARA O CORAÇÃO, POIS PELO TEU NOME SOU CHAMADO, Ó “YAOHU”, DEUS DOS EXÉRCITOS”.}; embora elas o alegrem (15,16), seu feito é freqüentemente devastador: “Todos os meus membros estremecem, torno-me como um bêbado, um homem tomado pelo vinho, por causa de tuas palavras” (23,9). Esta palavra de provação, “parecida com o fogo, com uma marreta que pulveriza a pedra” (23,29; cf. 5,1 e nota) onde, na qualidade de profeta, tem o direito de entrar. Além do mais, o ETERNO a põe em seus lábios (1,9), velando sobre ela (1,12), para fazer dela um fogo que devore o povo recalcitrante (5,14). Às vezes, a Palavra parece abandona-lo, torna-se rara e lhe impõe longos dias de espera antes de voltar a comunicar-se (42,7). Na vida desse homem a Palavra tornou-se o fator-chave, o centro incômodo, desmancha-prazeres e ao mesmo tempo razão de ser, uma espécie de déspota imprevisível que, aparentemente, o aliena de si mesmo e de seus semelhantes para, de fato, mergulha-lo no centro mesmo da realidade.
É compreensível, então, que Jeremias tenha tido de fazer um esforço constante para assumir essa Palavra e para se assumir diante dela. Encontramos indícios disso nos numerosos diálogos que balizam o livro e nos quais o profeta discute asperamente com Yaohu sobre o sentido de sua existência de profeta. Os mais célebres são, sem dúvida, aqueles que os exegetas modernos denominam as “confissões de Jeremias” (11,18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-13.14-18). Nelas o profeta se queixa amargamente de seu isolamento, de sua “alienação”, da insignificância de sua condição, mas a resposta é que essa condição é inelutável e faz parte de sua missão profética. As “confissões” não são, contudo, os únicos diálogos entre Jeremias e seu Deus – Yaohu. Outros podem ser encontrados no começo do livro: a cena de sua vocação, quando o jovem Jeremias tenta em vão esquivar-se ao domínio da Palavra (1,4-10), e as visões iniciais, constitutivas de seu ministério (1,11-14), bem como a passagem em que o profeta é levado a reconhecer o bem-fundado do veredicto divino relativo à situação da sociedade de Judá (5,1-6), e aquela em que ele tenta em vão fazer cessar uma seca que devasta a terra (14,1 – 15,9). Nestes diálogos, a palavra do homem confronta-se com a Palavra de Yaohu, e é sempre esta que triunfa. Sejam quais forem as circunstâncias históricas de seu desenvolvimento – não é fácil penetrar a psicologia da experiência profética –, esses diálogos testemunham que a Palavra de Yaohu era uma preocupação constante de Jeremias.

2. A autenticidade da vocação profética. De todos os problemas que afetavam tal existência, o pluralismo das convicções proféticas era um dos mais dolorosos. Jeremias não era, de fato, o único que falava em nome do ETERNO. O próprio livro de Jeremias nos informa sobre a atividade de homens que, ao mesmo título de Jeremias e ao lado dele, reivindicavam o estatuto e os privilégios próprios de um profeta: Uriáhu ben Shemaiáhu (26,20-24), Hananiá ben Azur (cap. 28), Ahab ben Qolaiá e Sidqiá ben Maaseiá (29,21), e outros, profetas anônimos, mencionados em inúmeras passagens (2,8.26.30; 4,9; 5,13.31; 6,13-14; 26,7-16; 27,16-18), interpelados (23,9-40) ou citados por Jeremias (14,13), talvez até com aprovação (cf. 4,10 nota); alguns inclusive encontravam-se entre os deportados para Babilônia (29,1).
Os textos nos indicam em particular que, de início, Jeremias não pretendia absolutamente destacar-se de seus colegas profetas (cf. 14,13-16; 28,6-9; também 29,1), nem via motivos para qualifica-los de “falsos profetas”. Encontramo-nos aqui em presença de um aspecto particularmente delicado da solidão de Jeremias. Exceto uns critérios morais de aplicação delicada (23,14.17.22; 29,23), ele praticamente não dispunha de critérios objetivos que lhe permitissem distinguir o verdadeiro do falso, privilegiar sua mensagem em relação à mensagem de muitos outros, que defendiam a sua com tanta convicção quanto ele, a dele (cf. porém 28,8). Afinal, ele próprio podia errar, como o podia Hananiá, seu concorrente (28,6-9), ainda mais porque a opinião deste coincidia com a da grande maioria dos chefes políticos e militares (cf. a seguir, § 4b).
A questão da autenticidade e do sentido de sua vocação singular põe-se assim no centro de seus colóquios com Yaohu. Se Yaohu é inspirador das mensagens, por que elas não são unânimes? Se Yaohu enviou Jeremias, por que Jeremias é o único a proclamar uma verdade que só ele aceita como tal (o destino de um homem como Uriáhu, cf. 26,20-24, profeta assassinado por Joaquim, não era capaz de reconfortar Jeremias)? Se Yaohu credenciou seu profeta, por que ele sofre sevícias por parte daqueles que deveriam alegrar-se ao saudar nele um confrade ou o representante qualificado daquele que veneravam como Mestre? Está em jogo a identidade, a pertinência da revelação.
Jeremias não esconde sua confusão. No que diz respeito ao seu ministério, ele não é consciente de ter cometido erros. Por acaso não assimilou fielmente a Palavra, não a “comeu” (cf. 15,16)? Não foi sempre absolutamente sincero (17,16b)? Não intercedeu por seus semelhantes, até mesmo por seus adversários, como o faz todo verdadeiro profeta (18,20; cf. 14,13; 17,16)? Por que, então, conhece a triste sorte de um solitário, de um inadaptado, um eterno revoltado?
A resposta de Yaohu, peremptória, não oferece nenhuma justificação. Todas as suas desgraças são previstas por Yaohu e irão mesmo se agravar (12,5); o mensageiro contestado nada pode, a não ser refazer-se e seguir caminho (15,19-21), empenhando a própria pessoa em tornar seu discurso ainda mais incisivo (15,19). No que diz respeito aos outros profetas, o ETERNO, que não os credenciou (14,14-16), denuncia-lhes a impostura (23,16). Para dissipar as dúvidas que assolam a alma do profeta, resta somente a absurda certeza de que é realmente o Yaohu vivo que lhe fala.
Jeremias não viverá o bastante para saber que, uma vez acontecida a catástrofe que ele anunciara, os judeus iriam refletir sobre seu destino: alguns teólogos precavidos iriam colecionar não somente os oráculos dele, mas também as tradições relativas a seu ministério; ele terminará por ser considerado um profeta autêntico do ETERNO (cf. infra § 5).

3. Dados biográficos. Comparadas com esse conflito fundamental, as circunstâncias externas da vida do profeta apresentam um interesse apenas secundário. Aliás, elas são pouco conhecidas, e as conclusões que podemos tirar de alguns dados são, na maioria dos casos, conjeturais.
De acordo com 1,1, o profeta era originário de Anatot, pequena aldeia nos arredores de Jerusalém, onde sua família possuía algumas propriedades (cap. 32; cf. 37,12), e era membro de uma família sacerdotal. Chegou-se a deduzir que Jeremias fosse parente longínquo do sacerdote Ebiatar de Shilô, exilado em Anatot por Salomão (1Rs 2,26-27), e que a formação religiosa recebida na família paterna, as lembranças ancestrais e a proximidade das fronteiras do extinto reino do Norte teriam moldado o estilo e o conteúdo de sua mensagem. Mas nada é mais incerto.
De acordo com 1,2, Jeremias foi chamado a ser profeta em 626, quando era “ainda jovem” (1,6). Estas duas indicações biográficas sugerem que ele teria nascido por volta de 650-645. Contudo, não se exclui que o número mencionado em 1,2 (e repetido em 25,3) baseie-se numa tradição tardia a respeito da data da vocação de Jeremias e que esta se situe com maior probabilidade por volta de 609-608. Isto significa que várias hipóteses relativas aos primeiros anos de seu ministério profético repousem sobre fundamentos um tanto frágeis: Jeremias teria saudado com alegria a reforma de Josias em 622; ele teria chegado a colaborar ativamente nesse empreendimento, através da pregação (cf. 11,1-14); por comportar a supressão de todos os santuários, exceto o de Jerusalém, esta reforma arriscava prejudicar os interesses vitais dos sacerdotes que neles serviam, o que explicaria a hostilidade da família do profeta (11,18-22), mais tarde, constatando os escassos resultados da reforma de Josias, que ficou sem perspectivas para o futuro, o profeta teria fustigado, com ardor redobrado, a infidelidade dos judaítas. Todas essas hipóteses são pouco convincentes, não só porque a base cronológica é fraca (isto é, a vocação de Jeremias em 626), mas também porque o livro não menciona de forma alguma essa famosa reforma de Josias (que é elogiado por outras virtudes, cf. 22,15-16) e porque os resíduos do vocabulário e do pensamento deuteronomista, que se percebem em 11,1-14 e que caracterizam o conjunto do livro, admitem uma interpretação diversa (cf. a seguir § 5); e, sobretudo, porque a oposição à mensagem de Jeremias é motivada, de acordo com o próprio testemunho dele, não por eventuais conseqüências materiais da reforma de Josias por ele divulgada, mas pela irrupção desconcertante e até revoltante da palavra de Yaohu por meio de Jeremias (cf. 11,21 e as outras “confissões”).
É mister reconhecer que dispomos de menos informações sobre o início do ministério de Jeremias do que desejaríamos. Em compensação, alguns incidentes posteriores nos são relatados com muitos detalhes, na segunda parte do livro. Em 608, vemo-lo pronunciar um discurso, junto à entrada do templo, que o coloca numa situação muito difícil (cap. 26; cf. 7,1 – 8,3). Em 605-604, ele elabora uma primeira edição de seus oráculos, conservados até então unicamente em sua memória – e, talvez, na memória de alguns de seus ouvintes [cap. 36]. Em 594, Jeremias discute com outros profetas {caps. 27 – 28} e, pouco tempo depois, envia aos exilados em Babilônia uma carta decisiva para a evolução espiritual da diáspora judaica (cap. 29). Finalmente, as disputas com o rei Sedecias e seus funcionários durante o sítio de Jerusalém em 588-587 e sua atividade junto aos sobreviventes depois da queda da cidade são objeto dos caps. 32 – 35 e 37 – 44. Vale a pena frisar que essas informações, embora detalhadas, não constituem uma verdadeira biografia do profeta – a própria posição no texto desafia a exatidão cronológica –; elas representam apenas uma série de exemplos que ilustram a ação da Palavra na existência profética no meio de um povo que atravessa o período mais difícil de sua história.

4. O ministério da Palavra no decorrer dos anos.
A solidão que caracteriza o ministério de Jeremias desde o começo não é apenas o produto de uma experiência religiosa que o singulariza; ela é fruto do conteúdo da mensagem a ele confiada. Essa mensagem defronta constantemente os judeus com o nada, com o abismo do não-ser da comunidade e da criação (cf. 4,23-26). A solidão de Jeremias possui uma dimensão política, pois o ser ou o não-ser de todos depende da aceitação ou da rejeição de sua mensagem. Se sua solidão se prolongar e os judeus se obstinarem recusando escuta-lo, o profeta será efetivamente o único a sobreviver ao desastre universal. Ao contrário, se encontrar audiência, o desastre será evitado, ou, ao menos, atenuado, abrindo-se uma nova perspectiva de bem-estar. A mensagem contestatária de Jeremias exige imperativamente escolhas radicais. Pare ele, como para a maioria dos profetas, a Palavra é necessariamente palavra total, envolvendo todos os aspectos, pessoais e comunitários, da vida humana.
Podemos identificar três períodos no ministério de Jeremias.
a) O primeiro vai desde a vocação (data incerta) até aproximadamente 605, ano da batalha decisiva de Karkemish. Sob o reinado de Josias, morto em 609, Judá vive, primeiro, um período de calma, caracterizado por certa prosperidade. A Assíria deixou de dominar o mundo, e Judá goza de uma ampla liberdade, da qual Josias tira proveito para ampliar o território e promover todo tipo de reforma. Depois de sua morte, a região gravita, durante alguns anos, na órbita dos egípcios, sem, porém sentir tal jugo como particularmente duro. Trata-se, para Judá, de anos relativamente pacíficos, excetuando a escaramuça – se realmente houve uma! – de Meguido, fatal apenas para Josias (cf. 2Rs 23,29). É justamente durante esses anos que Jeremias é obrigado a anunciar uma mensagem completamente estranha: através de poemas dotados de extraordinário poder evocador, ele descreve a chegada de um exército invencível que, vindo do norte, vai se abater sobre Jerusalém e Judá (cf. especialmente caps. 4 – 6), exército implacável, que não deixaria nenhuma esperança aos vencidos – a menos que estes se convertessem a Yaohu antes que fosse tarde. Jeremias sabe que a inverossímil advertência que ele é encarregado de dar aos seus conterrâneos não tem chance de encontrar reação favorável. O povo e seus dirigentes estão demasiadamente seguros de si, convictos de que suas instituições são inabaláveis, destinadas a durar para sempre (cf. 18,18; 8,8). Em caso de necessidade, eles terão sempre como último refúgio o templo e sua secular inviolabilidade (cf. 7,4.10). Além disso, depois de uma sondagem cuidadosa junto às diversas classes da população, Jeremias deve render-se à evidência: o povo todo, dirigentes e súditos, exploradores e explorados, está corrompido (cf. 5,1-6), irremediavelmente perdido – um negro pode por acaso mudar de pele? Uma pantera, de pêlo? E os judaítas, acostumados a praticar o mal, poderiam praticar o bem (13,23)? – Essa mensagem, contudo, sem nuanças (é tudo ou nada), não será levada a sério. A reflexão do profeta é abstrata demais, ela não casa com a realidade, que nunca é totalmente preta ou totalmente branca, e sim, sempre um pouco preta e um pouco branca. O que ele fala paira nas esferas nebulosas de um conhecimento de Yaohu em flagrante contradição com aquilo que a tradição ensina – pois Yaohu é um Deus próximo, familiar (cf. 23,23), que não abandona os seus. O gesto eloqüente do rei Joaquim que, imperturbável, destrói, pedaço por pedaço, o rolo que contém esses textos inacreditáveis, expressa bem o fracasso da pregação de Jeremias durante todo esse primeiro período de seu ministério (cap. 36).
b) O segundo período, que vai de 605 a 587, desde a ascensão de Nabucodonosor ao trono à destruição de Jerusalém, é, sob muitos aspectos, o mais significativo no ministério de Jeremias. Suas profecias relativas a uma invasão militar, de repente, se realizam. Repetidamente, o rei dos babilônios invade com seus exércitos vitoriosos a Síria e a Palestina, decidida a impor sua vontade a todos os pequenos estados que encontra no caminho. A independência de Judá acabou. Mesmo assim, os responsáveis pela sua política não chegam a um entendimento sobre as medidas a tomar.
A maioria opta decididamente por uma política voltada a reconquistar a independência; pensa-se numa aliança com o Egito, sempre disposto a manter os babilônios a boa distância, e com os vizinhos pequenos, igualmente ameaçados pelo avanço dos babilônios. Esta dura política goza do manifesto apoio do chefe de estado, o rei davídico.
Uma minoria, contudo, está disposta a se acomodar à tutela babilônica, na esperança de conservar certa autonomia no âmbito do império de Nabucodonosor. Os nomes de vários membros eminentes do partido favorável aos babilônios foram conservados graças ao livro de Jeremias: Ahiqâm, poderoso protetor de Jeremias (26,24), seu filho Godolias, que será nomeado governador da província, após a queda de Jerusalém, e Baruk ben Neriá, a pessoa que ajudou Jeremias a editar seus oráculos. Seria errado considerar Baruc como um simples “escriba”, um personagem de segunda monta a serviço de Jeremias, uma espécie de estenógrafo que teria estado à disposição do profeta para facilitar sua tarefa. Baruc era, ao contrário, um sofer, isto é um secretário de estado, um alto funcionário então, quase um chanceler, portanto uma personalidade de destaque, assim como o seu irmão Seraiá, que se tornará chefe de distrito na administração babilônica (cf. 51,59). Aliás, o prestígio de Baruc era tal que era considerado como uma das lideranças do partido pró-babilônio e como o verdadeiro instigador dos oráculos de Jeremias (43,3).
A alternativa política se apresenta em termos extremamente claros: ou se aposta na liberdade – ou algo parecido, já que o Egito estará pouco disposto a se retirar depois de ter auxiliado Judá –, sob o risco de perder tudo em caso de derrota; ou se aceita a integração no sistema político dos babilônios.
Sem querer, Jeremias se vê envolvido nessas discussões. A sua posição é clara: é necessário aceitar a supremacia de Babilônia. Não por oportunismo (Jeremias não é um político), mas porque essa é à vontade de Yaohu. Aquilo que Yaohu deseja não é um estado judaíta independente e forte, com o poder firmemente assentado nas mãos de uma dupla hierarquia, civil e religiosa, e sim, um povo que lhe seja fiel, que responda ao seu apelo paterno (cf. já 3,22 – 4,4), preocupado em defender o direito e em viver na harmonia (cf. 22,13; 23,5-6 e já 5,1-3). Na opinião dele, o partido favorável à independência caracteriza-se pelo desprezo de todos os valores que agradam ao ETERNO, sendo o rei o principal responsável (22,13-17). É por causa disso que Yaohu decretou o fim do Estado. Ele pensa num projeto completamente novo: no seio do império babilônico, Yaohu se propõe criar, com aqueles que se submetem a seu julgamento, uma comunidade renovada, que não procure mais a própria glória, mas desejosa de atender ao bem estar de todos, já que a prosperidade dos outros é a condição da sua (29,5-7). Esta comunidade conhecerá finalmente, após a volta feliz à terra dos ancestrais, uma maravilhosa interiorização dos compromissos outrora assumidos com o ETERNO, a tal ponto que não será mais necessária nenhuma hierarquia mediadora entre Yaohu e os homens (31,31-34). Esta mensagem supera a visão de 3,15 e 23,6, conforme a qual o ETERNO dirigiria o seu povo com a ajuda de pessoas totalmente consagradas a ele; ela divisa a total realização da Aliança da Jerusalém celeste.
c) O terceiro período do ministério de Jeremias começa depois de 587, isto é, depois da catástrofe de Jerusalém. Período cuja importância é freqüentemente subestimada, porque se esquece que, apesar das deportações efetuadas pelos babilônios (envolvendo apenas algumas camadas da população) a maioria dos habitantes ficou em Judá. No meio dessas massas sem rumo, iam aparecendo três tendências. Uma delas, sustentada pelas lideranças do antigo partido pró-babilônico, em particular por Godolias, visava reconstruir o país sob a égide babilônica. Jeremias pertencia a esse grupo. Outro grupo, dirigido por Iishmael, homem sem escrúpulo e que contava com o apoio do rei amonita, pretendia continuar a luta, praticando atos de terrorismo (cf 41,10). Finalmente, um terceiro grupo, animado por um certo Iohanan ben Qarêah, preferia expatriar-se para o Egito. Contrariando um oráculo de Jeremias que desaconselhava essa conduta, este grupo realizou os seus projetos, levando consigo o profeta, cujo rastro se perde no longínquo Egito.

5. A formação do livro. As grandes articulações do livro de Jeremias são bastante simples:
1,1 – 25,14: Oráculos e ações simbólicas de Jeremias dirigidas contra Judá;
26,1 – 45,5: Oráculos de salvação para Israel-Judá e relatos acerca do ministério de Jeremias;
46,1 – 51,64 (com uma introdução em 25,15-38): Oráculos contra as nações estrangeiras;
52,1-34: Anexo histórico baseado em 2Rs 24,18 – 25,30 (com a inclusão de algumas novas informações): A queda de Jerusalém.
Na versão grega, os oráculos contra as nações estrangeiras estão inseridos imediatamente depois de 25,13. Esta disposição representa provavelmente um estágio mais antigo do rolo, pois constata-se que vários outros livros proféticos (Is 1 – 39; Ez; Hc; Sf) foram compostos de acordo com o esquema tripartido que situa os oráculos contra as nações entre os oráculos de desgraça contra Israel e os oráculos de salvação para Israel.
No interior de cada uma das grandes partes do livro, percebem-se seções menores, composições coerentes, blocos de oráculos que parecem ter existido sob forma de folhetos ou de livros independentes, antes de serem inseridos na grande coleção de textos. Notamos, por exemplo, coleções como 22,11 – 23,8, reunindo oráculos sobre “a casa de David”; 23,9-40: “Sobre os profetas”; 30,1-31.40: o “livro” (30,2) que anuncia a restauração do novo Israel. Ainda, composições como o capítulo 2; os caps. 4 – 6; 14,1 – 15,4. Etc. poderiam ser contados entre as coletâneas jeremianas que precederam a formação da coleção definitiva.
No que diz respeito à composição da primeira parte do livro (caps. 1 – 25), o episódio do rolo escrito por Baruc, destruído por Joaquim e recomposto numa edição ampliada (“e ainda foram acrescentadas outras palavras semelhantes”, 36,32), desempenha um papel importante nas considerações dos exegetas. Este rolo continha os oráculos ameaçadores pronunciados antes de 605, e é bem provável que seu conteúdo tenha entrado no material atualmente reunido em Jr 1 – 25. A sagacidade dos exegetas se tem esforçado bastante para identificar esses textos, mas as pesquisas conduziram a resultados contraditórios e não se chegou até agora a um consenso. Por enquanto é melhor renunciar à reconstrução desse “rolo primitivo”.
O problema se complica pelo fato de os caps. 1 – 25 conterem, ao lado dos oráculos poéticos, de autenticidade indubitável, um grande número de passagens, mais ou menos longas – às vezes capítulos inteiros –, redigidos numa prosa, que pelo vocabulário e pensamento teológico, lembram o trabalho dos editores deuteronomistas, que durante o exílio redigiram o grande afresco histórico atualmente encontrado nos livros denominados “profetas anteriores” (cf. Introdução aos Livros Proféticos). Assim como estão, essas passagens não devem ser consideradas como obra pessoal de Jeremias, sendo necessário admitir, ao menos, que elas representam oráculos de Jeremias reelaborados por editores posteriores.
Na segunda parte do livro, os relatos sobre o ministério de Jeremias são comumente atribuídos a Baruc. Pensa-se nele como autor, por causa das informações precisas que os relatos contém, representando, sem dúvida, as observações de uma testemunha ocular dos acontecimentos, e também porque terminam com um oráculo pessoal dirigido a Baruc. Essa atribuição, embora possível, não é nada segura. O autor acompanhou provavelmente Jeremias no Egito (cf. os caps. 43 – 44), e o versículo 43,6 nos informa que Baruc, antigo líder do partido pró-babilônico, foi levado à força para o Egito, junto com Jeremias.
No início do tempo do Exílio existiam portanto numerosos livrinhos, folhetos e coletâneas dispersas e ainda, provavelmente, algumas tradições orais relativas a Jeremias. Um redator anônimo reunirá todo esse material num único volume. Ignoramos a identidade desse redator; contudo, ele se entrega nos inúmeros acréscimos, composições coerentes (discursos, um ou dois relatos) e comentários de estilo deuteronomistas que acima mencionamos e que balizam quase todos os capítulos do livro. O redator final do livro de Jeremias pode ser tranqüilamente associado à escola “deuteronomista”. Devemos admitir que a Palestina manifesta, por volta da segunda metade do séc. VI, uma intensa atividade literária e teológica; um trabalho de reflexão, de pesquisa e de edição, que consistia em colecionar e interpretar documentos, reuni-los em volumes compactos e deles tirar as conclusões que se impunham em vista de uma melhor compreensão do destino de Israel.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JEREMIAS:

JEREMIAS.
Pontos fortes e êxitos:
Escreveu dois livros do Antigo Testamento: Jeremias e Lamentações.
Ministrou durante o reinado dos últimos cinco reis de Judá.
Foi um incentivador da grande reforma espiritual que ocorreu no reinado de Josias.
Agiu como um fiel mensageiro de Yaohu, apesar de ter sofrido muitos atentados contra a sua vida.
Ficou tão profundamente entristecido com a condição decaída de Judá, que ganhou o título de “profeta chorão”. (O que discordo plenamente… Pois quando sofremos pelos outros em nome de Yaohu – somos rotulados como o foi Jeremias. Um absurdo. Anselmo Estevan.).

Lições de vida:
A opinião da maioria não é necessariamente a expressão da vontade de Yaohu.
Embora o castigo pelo pecado seja severo, há esperança na misericórdia de Yaohu.
Yaohu não aceitará uma adoração vazia ou que não seja sincera.
Servir a Yaohu não garante segurança terrena.

Informações essenciais:
Local: Anatote.
Ocupação: Profeta.
Familiares: Pai – Hilquias.
Contemporâneos: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim, Zedequias e Baruque.

Versículos-chave: “Então disse eu: Ah! ETERNO YAOHU! Eis que não sei falar; porque sou uma criança. Mas o ETERNO me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o ETERNO” (Jr 1,6-8).
A história de Jeremias é contada no livro que tem o seu nome. O profeta também é mencionado em Esdras 1,1; Daniel 9,2; Mateus 2,17; 16,14; 27,9.
(Veja em 2 Crônicas 34 e 35 a história do avivamento espiritual durante o reinado de Josias.).
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

LAMENTAÇÕES de JEREMIAS:

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Expressar e orientar outros em suas expressões de lamento sobre as terríveis condições impostas sobre Jerusalém e sobre o povo de Yaohu pelos babilônios.
Data: c. 586-516 a.C.
Verdades fundamentais:
Judá e Jerusalém mereceram a decisão que resultou do julgamento divino a que foram submetidas.
Não fosse o alívio proporcionado pelo lamento, a dor da destruição e do exílio seria maior do que as pessoas poderiam suportar.
A única esperança de libertação do sofrimento causado pelo exílio era apelar a Yaohu para que fosse misericordioso.

Propósito e características
O propósito de Lamentações foi cumprido na própria execução do livro e, depois, na sua aceitação por outros como um meio de conformar-se com a destruição de Sião. O livro apresenta três perspectivas harmoniosas sobre a ira de Yaohu vertida em grande quantidade contra Judá por meio dos babilônios.
Primeiro, o livro afirma que a destruição e o exílio foram conseqüências justas do pecado. Os profetas haviam repetidamente advertido Judá de que, se o povo continuasse a violar a aliança que Yaohu havia feito com eles, o julgamento aconteceria. Muito antes de Jeremias, Amós falou sobre um dia do ETERNO contra o seu povo (Am 5,18), e esse dia havia chegado (Lm 1,12). Os profetas haviam recorrido aos princípios da aliança, expressos mais enfaticamente em Deuteronômio, os quais estabelecem uma forte ligação entre a fidelidade do povo ao ETERNO e a sua permanência na Terra Prometida. Em parte, o propósito do livro era justificar a punição de Yaohu imposta a Judá e defender os profetas que haviam anunciado o julgamento com antecedência.
Segundo, expressar a forte resistência emocional ao julgamento de Judá. Teria sido excessivo o julgamento de Yaohu sobre o seu povo (2,20-22)? Seria certo ele se comportar como um inimigo do seu próprio povo (2,4ss.)? Essas expressões honestas tornaram o livro poderoso na sua época e o fazem poderoso ainda hoje, quando os sentimentos de angústia e abandono novamente permeiam a alma.
Terceiro, o livro afirma que o ETERNO ainda é um Deus de misericórdia e fidelidade (veja 3,22-36). Lamentações expressa uma fé sincera de que o exílio terá um fim. Também expressa a esperança de que haverá reparação para a culpa de Judá e que os seus inimigos serão julgados pelos crimes que cometeram contra o povo. Essa esperança reflete uma compreensão da soberania de Yaohu sobre todas as nações, uma soberania que assegurou o cumprimento de todas as suas promessas pactuais (veja 3,37-39).

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM LAMENTAÇÕES
(Yaohushua):

Lamentações aponta, de diversas maneiras importantes, para além da situação do exílio, para Yaohushua. Em sua humilhação, O UNGIDO sofreu um tipo de exílio em razão de sua expiação substitutiva pelo povo de Yaohu. Nos dias anteriores ao seu próprio grito de abandono como parte do seu sofrimento redentor (Mt 27,46), O UNGIDO pronunciou o seu lamento pessoal sobre Jerusalém (Mt 23,37; Lc 13,34-45). A exaltação de Yaohushua deu início ao fim do sofrimento do povo de Yaohu. Ele assumiu o seu trono e continuará a reinar, subjugando, finalmente, todos os seus inimigos. Lamentações também proporciona aos seguidores de Yaohushua um meio de expressar os seus próprios lamentos sobre as condições de vida do povo de Yaohu no presente. Embora Yaohushua tenha inaugurado o reino de Yaohu e a exaltação do povo de Yaohu, a Igreja continua a sofrer privação e exílio (1Pe 1,2). Lamentações afirma que, num mundo de dor e injustiça, Yaohu ainda é bom e que um dia ele trará toda a bondade “para os que esperam por ele” (3,25).

LAMENTAÇÕES: 1. Na Bíblia hebraica, o nome deste livro é tomado da primeira palavra dos dois primeiros e do quarto poema: Eiká (lit. “Como!” também traduzido por “Oh!”). Cf. Is 1,21; Jr 48,17. Mas o título grego, que se tornou tradicional – inclusive no Talmud –, corresponde bem ao gênero hebraico do “lamento”, ao lado do canto fúnebre (cf. 2Sm 1,17ss.), pode aplicar-se também a uma catástrofe nacional. A catástrofe aqui em foco é a tomada de Jerusalém e a destruição do Templo em 587 por Nabucodonosor, que deportou para Babilônia parte da população. Por isso, os judeus lêem esse livro no dia nove de ab (o quinto mês, iniciando-se o ano com a Páscoa), que coincidência curiosa – marca não somente esse aniversário, mais também a queda do Segundo Templo sob os golpes dos romanos. Cf. Já Jr 41,5.2.
2. A Septuaginta atribui esta livro a Jeremias, talvez com base em 2Cr 35,25, onde, de fato, se fala de um canto fúnebre sobre Josias. Na realidade, Lm 4,20 não se coaduna absolutamente com aquilo que Jeremias pensava a respeito de Sedecias (Jr 24,8; cf. 23,6). Por outro lado, a doutrina sobre a retribuição expressa em 5,7 é combatida por Jr 31,29-30, da mesma forma que a Aliança com o Egito em 4,17 é impugnada por Jr 37,5-7 (comparem-se Jr 2,18 e Lm 5,6); e seria contraditório que Jeremias tenha podido pronunciar Lm 2,9. Diga-se que esse último texto é um indício de que estes cantos foram escritos na Palestina – de onde Jeremias esteve ausente depois da forçada fuga para o Egito (Jr 43,6) – e não na Babilônia, onde Ezequiel tinha certa audiência (cf. Ez 8,1) e não poderia ter sido assim ignorado. Mais: as diferenças de forma e de fundo demonstram que talvez se trate de cinco poemas de origem diversa. Por isso, as Lamentações não são de autoria de Jeremias; segundo alguns, elas teriam mesmo sido escritas “contra” Jeremias e o partido pró-babilônico, que podia ser visto como o inimigo interno enquanto se aproximava o invasor.
3. Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, sendo que o começo dos vinte e dois versos alista em ordem as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Mas há uma leve diferença na ordem do alfabeto entre o primeiro poema e os três seguintes; e no terceiro, o alfabetismo é tríplice, incidindo no começo de cada um dos três membros de cada verso. Essa técnica podia auxiliar a memorização e, além disso, indicar que o assunto estava completamente tratado, como costumamos dizer, “de A a Z”.
No que tange ao assunto, as duas primeiras e as duas últimas são lamentações de cunho político; aí Sião representada sob os traços de uma mulher (ressalvando a quinta, que é uma queixa coletiva); mas a terceira parece ser vazada em prisma individual e destaca um homem, cujos aspectos em sua maioria fazem pensar em Jeremias Sofredor; é verdade que se poderia ver nesse homem uma representação do Povo inteiro, sob os traços do profeta encarnado os sofrimentos de sua nação. Seria este, de certo modo, o mais antigo comentário sobre os outros poemas, agora situado, em vista dessa finalidade, no centro das lamentações nacionais.
4. O anonimato e a diversidade levantam a questão da data. É difícil categoricamente uma determinada ordem de composição, mas está claro, em todo caso, que todos os poemas datam de antes do fim do Exílio em 538 e, mesmo, que muitos detalhes (notadamente no segundo e no quarto poema) revelam proximidade com os acontecimentos de 587. Pode ser até que o primeiro poema remonte à época da primeira deportação, em 598.
A tristeza na miséria física e moral da catástrofe política e religiosa, o arrependimento em relação à conduta pecaminosa, que forçou Yaohu a aniquilar o seu povo, e a esperança da fé no ETERNO, mestre da história, infundem nesse livro uma beleza trágica e expressam uma mensagem, que, embora ligada a estas circunstâncias particulares, permanece atual através dos tempos.
5. As Lamentações deploram o luto de Jerusalém (1,1.4; 2,8; 5,15): ela está prostrada em lágrimas (1,2.16; 2,11.18; 3,48s.), em gemidos (1,4.8.11.21.22), em aflição (1,4.5.8.12; 3,32s.), em estado solitário (1,4.13.16; 3,11; 4,5; 5,18), em desnudamento (1,8) e fome (1,11.19; 2,12.19; 4,4.5.8-9; 5,6.10).
Está ferida nos seus seres mais queridos: as crianças (1,5.20; 2,4.11.19.20.22; 4,4.10; 5,13), as jovens: (1,4.18; 2,4.10.21; 5,11), os jovens (1,15.18; 2,21; 4,7; 5,12.14), os anciãos (1,19; 2,10.21; 4,16; 5,12.14), os sacerdotes (1,4.19; 2,6.20; 4,16), os profetas (2,9.20) e os reis (1,6; 2,2.6.9; 4,20; 5,12). Está profanada em suas realidades mais santas: o Templo (1,4.10; 2,1.4.6.7.20) e a assembléia fiel ao Encontro divino (1,4.10; 2,6.7.22).
Em sua aflição e graças a ela, a Cidade Santa toma consciência de seu pecado, que é revolta (1,5.14.22; 3,42), desobediência (1,18.20; 3,42), falta (1,8; 3,39; 4,6.13.22; 5,7.16) e perversidade (2,14; 4,6.13.22; 5,7). Esse pecado, ela o confessa (3,42; 5,7.16), pecado que faz pesar sobre ela a sua mão, que não é senão a mão dos inimigos (mais de vinte vezes nomeados) e, no fundo, a mão do próprio Yaohu (1,14).
Com efeito, é Yaohu que faz descobrir aos seus filhos a rejeição absoluta de todo mal, rejeição que provoca a sua ira (1,12; 2,1.3.6.21.22; 3,43.66; 4,11), o seu furor (2,4; 4,11), a sua fúria (2,2; 3,1), sua chama aterradora (1,13; 2,3-4; 4,11). É ele, a quem os pecadores encaram como um inimigo (2,4-5; 3,1-18.43-45): ele aflige (1,5.12), entristece (2,1) e traga (2,1-8). Ele parece, então, longínquo (1,16), e, todavia está sempre perto (3,57), ouve (3,56.61), vê (1,9.11.20; 2,20; 3,50.59-60.63; 5,1), se lembra (3,19; 5,1.20).
Pode-se confiar nele, pois é justo (1,18; 3,34-36), todo-poderoso (3,37-38; 5,19), fiel (3,32), Salvador (3,26), redentor (3,58), capaz de consolar (1,16) e tão bom (3,25) que manifesta entranhas, que dizer, ternuras materiais, renovadas todas as manhãs (3,22-23). A desgraça, fruto do pecado, é de sua parte a graça suprema: ela conduz à humildade confissão e finalmente à conversão, não propriamente à conversão que o homem pretenderia realizar por si mesmo (3,40), mas à conversão que somente Yaohu pode operar no homem: Faze-nos voltar a Ti, ETERNO, e voltaremos (5,21).

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

EZEQUIEL

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Ezequiel.
Propósito: Incentivar os exilados a permanecerem fiéis ao ETERNO, para que ele cumprisse a sua promessa de reconduzi-los à Terra Prometida e de conduzir o templo e Jerusalém a novas alturas de glória.
Data: c. 593-570 a.C.
Verdades fundamentais:
Judá e Jerusalém merecerem a sentença dada por Yaohu de destruição total e exílio.
O julgamento vem sobre aqueles que violam flagrantemente a lei de Yaohu.
Yaohu julgará as nações que se voltaram contra o seu povo.
Depois do exílio, Yaohu mandaria grandes bênçãos ao seu povo.
Jerusalém e o seu templo seriam o centro do povo restaurado de Yaohu.

Propósito e características
O livro de Ezequiel é inigualável no sentido de que, com algumas exceções ocasionais, ele é inteiramente autobiográfico, isto é, escrito na primeira pessoa do singular, do ponto de vista do próprio Ezequiel. O livro se divide em três partes. Nas duas primeiras, Ezequiel anunciou o julgamento sobre Jerusalém (caps. 1 – 24) e sobre outras nações estrangeiras (caps. 25 – 32). A partir do momento em que um mensageiro chegou relatando a destruição de Jerusalém (33,21 – 22), a pregação do profeta passa a ser dominada pelas promessas de restauração e misericórdia para o futuro (caps. 33 – 48). Tanto à parte que anuncia julgamento sobre Jerusalém como a parte que profetiza restauração, iniciam com oráculos a respeito do papel de Ezequiel como atalaia (3,16-21; 33,1-20).

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM EZEQUIEL. (Yaohushua):

O ministério profético de Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel anunciou que Yaohu destruiria Jerusalém e enviaria a sua população para o exílio em razão de sua continuada descrença. O julgamento contra os apóstatas dentre o povo da aliança estendeu-se também ao ministério do UNGIDO, “O SALVADOR”, – Yaohushua. Yaohushua apelou para o arrependimento entre os judeus e um REMANESCENTE respondeu em fé. Entretanto, como Ezequiel, Yaohushua – O UNGIDO anunciou que a destruição do templo e de Jerusalém ocorreriam novamente após a sua partida (Mt 24; Jo 2,19). Ezequiel também anunciou julgamento contra as nações que atormentavam o povo de Yaohu (29,19; 30,25; 38,21-23). Num certo grau, esses julgamentos ocorreram na inauguração do reino de Yaohushua (Mt 24,34; Lc 11,32.51), mas serão plenamente realizados no julgamento que acontecerá quando Yaohushua retornar (Ap 11,18; 14,7; 15,1).
A obra de Yaohushua foi antecipada quando Ezequiel anunciou que Yaohu um dia poria um fim ao exílio (caps. 33 – 48), estabeleceria uma aliança de paz (34,5; 37,6) e restauraria Jerusalém a uma glória maior do que nunca antes (cap. 48). De acordo com essas esperanças, a morte, a ressurreição e a ascensão de Yaohushua ocorreram perto da cidade (Mt 16,20). A descida do Rúkha hol – Rodshua (Espírito Santo) ocorreu ali, no dia de Pentecostes, quando milhares de exilados creram no Yaohushua (At 2). Além disso, entre a sua primeira e a sua segunda vinda, a Jerusalém celestial, onde Yaohushua está, tornou-se um aspecto importante da fé dos remanescentes (Jo 3,31; Cl 1,5). O Novo Testamento também fez de Jerusalém a peça central dos novos céus e nova terra a serem estabelecidos quando Yaohushua retornar (Ap 21,2).
O próprio Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel mencionou “o príncipe” em 34,24; 37,25; 44,3; 45,7.16-17.22; 46,2.4.8.10.12.16-18. Esse príncipe seria o filho de Davi que reinaria sobre o povo de Yaohu após o exílio. Da época do exílio até Yaohushua, nenhuma figura real da casa de Davi reinou sobre Israel (Lc 1,32-33). Assim, Yaohushua cumpre as esperanças que Ezequiel tinha para a restauração da casa de Davi após o exílio. Veja a nota sobre 37,24.
Ezequiel depositava muitas de suas esperanças para o futuro de Israel na restauração do templo e do seu sacerdócio (caps. 40 – 48). Como filho encarnado de Yaohu, Yaohushua é o cumprimento final tanto do templo de Yaohu (Jo 2,19-22; Ap 21,22) como do sacerdócio (Hb 7,1 – 8,6). Sua morte foi um sacrifício expiatório (Rm 3,25; Hb 2,17). Ele agora ministra diante do trono de Yaohu no céu, intercedendo pelos santos (veja Hb 8). Quando retornar em glória, Yaohushua santificará os novos céus e a nova terra para ser uma morada santa para Yaohu (Ap 21,22-23), substituindo o templo como lugar de sua presença especial – 1Rs 8.

Como a palavra “Christós” – O UNGIDO – foi transliterada erroneamente para o português – “CRISTO”. E, dessa palavra, se derivou a palavra: CRISTÃO – (At 11,26; 26,28; 1Pe 4,16). Entendendo que esse termo é: SEGUIDOR DE CRISTO – DE SUAS OBRAS…! Mas o correto é: REMANESCENTE – OU SEJA: “O QUE RESTA DE ALGUMA COISA, O QUE SOBROU, O SEGUIMENTO MAIS PURO O DNA, ETC”. Sendo desta forma quando houver a palavra: cristão, leia-se REMANESCENTE – OS VERDADEIROS SEGUIDORES DE YAOHUSHUA – SUA SEMENTE – O QUE BUSCA A VERDADE PURA DOS CÉUS SOMENTE…!!! (Is 49,6; Jr 50,20; Rm 9,27; Rm 11,5). Por isso que é fundamental conhecer o seu verdadeiro Nome Pessoal único e intransferível: “Yaohu”, “Yaohushua”, “Rúkha hol – Rodshua” – O ÚNICO NOME QUE “SALVA”! Anselmo Estevan.

Vamos ver o que diz a Enciclopédia Bíblica, O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO versículo por versículo; da editora HAGNOS. R.N. Champlin. Dicionário – pág. 5154:

REMANESCENTE:
No hebraico temos três palavras diversas, com o sentido de “aquilo que resta”, “escape” e “remanescente”. No N.T. também temos três palavras gregas, Katáleimma, leîmma e loipós, todas com o sentido de “remanescente”.
O conceito de remanescente encontra-se ao longo da Bíblia, com vários aspectos e significações. Aquelas palavras originais algumas vezes eram usadas em combinações que lhes emprestavam um efeito intensificador ou especial. Podiam indicar objetos ou pessoas que sobraram, após o uso ou alguma mortandade ou destruição. Os profetas se utilizaram especialmente de expressões como “restantes de Sião” (Is 4,3; Jr 6,9, “resíduos de Israel”; Mq 2,12, “restante de Israel”; Mq 5,6ss, “restante de Jacó”) e expressões similares. Essas expressões têm um sentido teológico e escatológico, um resumo das esperanças dos crentes israelitas. O povo ao qual seria dada a salvação final consiste na comunidade daqueles que, pelo desígnio gracioso de Yaohu, vierem a escapar do juízo condenatório, por haverem sido escolhidos pelo ETERNO. Todavia, como muitos outros conceitos teológicos, o conceito de “remanescente” também sofreu uma evolução ao longo da revelação bíblica:
1. Uso profano ou natural. A idéia de algo que sobrou é comum no uso secular. A Bíblia alude ao resto das ofertas de manjares ou de cereais (Lv 2,3), ao resto do azeite (Lv 14,18), os restantes dos prostitutos cultuais (1Rs 22,46), etc. A palavra “restante” é usada, especialmente, para indicar minorias políticas de vários tipos (ver Js 23,12; Dt 3,11; 2Sm 21,12; Is 14,22.30; 16,14; 1Rs 14,10; 2Rs 25,11; Ez 14,22; etc.). Os grupos de exilados que retornaram da Babilônia em companhia de Zorobabel e Esdras também eram chamados “remanescente”.
2. Uso teológico. É nesse campo que a palavra se reveste de grande importância. O destino político de Israel é uma questão escatológica, profetizada. Um exemplo pertinente disso é Mq 5,3: “Portanto os entregará até ao tempo em que a que está em dores de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel”. Estão em foco os eleitos de Yaohu dentre todas as nações, que serão unidas aos israelitas salvos no fim de nossa dispensação, completando a Igreja. Os profetas do A.T. apenas vislumbravam o que o N.T. descreve com maior clareza.
Aquele que faz a vontade de Yaohu é irmão, irmã ou mãe de Yaohushua (Mt 12,50); Yaohushua não se envergonha de chamá-los irmãos (Hb 2,11). A promessa se estende a todos quantos são chamados por Yaohu (At 2,39).
Que a Bíblia ensina um retorno literal dos judeus à Palestina que pode ser identificado ou não ao contemporâneo movimento sionista, parece claro, através de trechos como Jr 31,7-9 e Mq 5,7.8. Mas, quando chegamos ao N.T., a palavra “remanescente” é usada especialmente em relação aos judeus que, em cada geração, se vão convertendo a Yaohushua, até à grande colheita final de Israelitas, nos dias da grande tribulação. Romanos 9,27-29 é passagem crucial dentro da teologia de remanescente. Só o remanescente de Israel será salvo. Esses são a semente espiritual de Abraão, em contraposição à sua descendência natural – aqueles que são tão numerosos como as estrelas, em contraste com aqueles que são tão numerosos como a areia dos mares. Portanto, é um erro equiparar a moderna nação de Israel com o remanescente profetizado. Contudo, apesar de esse remanescente visar especialmente aos judeus eleitos por Yaohu, também estão em pauta os gentios eleitos (ver Rm 9,24.25: “… a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios…”). Isso esclarece que a Igreja de Yaohushua, em seu estágio final, consistirá de judeus e gentios eleitos, tal como se deu no começo do cristianismo, fortalecendo a posição pós-tribulacional, que não concebe a Igreja gentílica arrebatada antes da tribulação, somente após o que os judeus se voltariam para Yaohushua. As promessas bíblicas, acerca do povo de Yaohu do fim, visam igualmente a judeus e gentios, pois, em Yaohushua são eliminadas todas as distinções que os separavam, formando-se um único corpo místico de Yaohushua. (Ver João 17,22.23).
Romanos 11,4.5 é trecho que fala de um remanescente escolhido de acordo com os propósitos da graça divina. A base histórica disso é a experiência do profeta Elias, que foi relembrado, em um período de grande apostasia em Israel, que havia ali muitos que não tinham dobrado os joelhos diante de Baal. O ponto frisado pelo apóstolo foi que esses fiéis do passado são paralelos ao remanescente da graça na dispensação atual. A soberana eleição de Yaohu está em foco. Apesar de a maioria da nação de Israel ter caído em apostasia, o remanescente permaneceu fiel ao ETERNO. O mesmo sucederá no período escatológico do fim. Outro pensamento que se salienta é que Yaohu jamais rejeita os seus escolhidos, pois a eleição para a salvação não depende das realizações morais dos escolhidos, mas do beneplácito de Yaohu. A ênfase recai sempre sobre a profundíssima misericórdia do ETERNO, em todas as discussões sobe o remanescente!

EZEQUIEL: “Ezequiel”: um homem, sem dúvida, desconcertante, de gênio tão variado, tão rico, tão complexo, que seu livro se nos apresenta denso e difícil de percorrer. Todavia este livro dá testemunho de um homem que viveu um dos momentos mais dramáticos da história de Israel e cuja experiência espiritual é uma das mais aptas a esclarecer o destino do povo de Yaohu. Não será, então, de particular atualidade?

O LIVRO DE EZEQUIEL

Sua estrutura se apresenta simples e lógica. Depois do relato da vocação do profeta (1,1 – 3,21), vêm os oráculos que anunciam o julgamento de Jerusalém (3,22 – 24,27), o castigo das nações (25 – 32) e a restauração do povo aniquilado (33 – 37). O livro se completa nas vastas perspectivas de um horizonte distante: aos olhos do leitor, desenrola-se inicialmente a decisiva batalha do povo de Yaohu diante de terríveis inimigos (38 – 39); depois se desenha a alta silhueta da montanha sobre a qual Ezequiel vislumbra a capital futurista do povo de Yaohu renovado (40 – 48).
Mas, depois de ultrapassado esse esquema bastante lógico, o livro espanta por certa liberdade que aparenta desordem. Assim, no interior do cap. 34, em temas do pastor e do rebanho se desenvolvem em sentidos diversos (inspirados, é verdade, em Jr 23,1-6), e o cap. 1 contém um acúmulo de detalhes estranhos, aparentemente supérfluos – as rodas, por exemplo – ou então acrescentados em detrimento da coerência gramatical.
Os discípulos de Ezequiel têm grande responsabilidade nessa desordem. Aparentemente indiferentes a toda lógica, fragmentaram seus oráculos: 3,22-27; 4,4-8; 24,15-27 e 33,21.22 poderiam ser os membros dissociados de um relato contínuo; ou então aproximaram indevidamente oráculos independentes, unindo-os por um vínculo fictício: assim é que o termo de encadeamento “espada” (cap. 21) serve de elo entre parágrafos alheios uns aos outros: a espada do ETERNO (vv. 6-12), espada bem afiada (vv. 13-22), do rei da Babilônia (vv. 23-32), erguida contra os amonitas (vv. 33-37); esses discípulos chegaram a repetir várias vezes os mesmos oráculos: as considerações sobre “os justos caminhos do ETERNO” encontram-se – idênticos, ou quase – em 18,1-32 e 33,10-20.
O próprio Ezequiel não é totalmente estranho à atual fisionomia de seu livro; foi ele o primeiro a sobrecarregar as frases com detalhes, os capítulos com parágrafos, todos portadores de uma doutrina capital, mas sem compromisso com a harmonia primitiva: assim aconteceu-lhe completar os relatos das visões (1 – 3; 8 – 11) ou de certo gesto profético (4,4-17) etc. Aliás, era o que desejava o seu gênio variado, instável, quase doentio, por assim dizer. Não o vemos prostrado (3,15), mudo (3,26), talvez paralisado (4,4-8)? Esse gênio não consegue defender-se da atração dos extremos: é fulgurante e meticuloso, pronto para o sublime e para o vulgar; deixa-se seduzir pelo peso do barroco, deixa-se levar pela embriaguez do surrealismo (ver os poemas da águia: 17,1-10; do dragão: 32,1-8), e em seguida encerra sua imaginação impetuosa e sua frase redundante nas frias distinções de um casuísta (caps. 18 e 33), na monótona descrição de uma geografia de computador (cap. 47 e 48), na seca enumeração de dados arquitetônicos (cap. 40 e 42) ou nos parágrafos cansativos de rubricas minuciosas (cap. 44; 46). É ainda ele que se deixar guiar pelos marcos precisos da história – as alusões históricas são numerosas no pano de fundo dos cap. 16 e 19, ou nos diversos oráculos contra as nações – e que mostra familiaridade com riquezas inesgotáveis, perspectivas fugidias e indefinidas da evocação mítica: o homem primordial e o jardim do Éden (cap. 28), a árvore cósmica (cap. 31), as regiões infernais (cap. 32).

O PROFETA EZEQUIEL

Ao longo deste livro, cuja estrutura e estilo já esboçam a silhueta de alguém, finalmente aparece um personagem, Ezequiel, o profeta.
Contemporâneo da queda de Jerusalém (587), às vezes dá a impressão de ter começado sua pregação na capital palestina, antes de continuá-la e de leva-la a termo entre os deportados, às margens do rio Kebar. Assim se explicaria melhor, entre outras coisas, a minuciosa descrição de todos os gestos idolátricos realizados no Templo (cap. 8). Mas o argumento parece pouco convincente, e a maioria dos comentadores julga que toda a atividade profética de Ezequiel se desenrola em terra babilônica, junto a uma cidade: Tel-Abib; o profeta fora levado para lá antes da destruição de Jerusalém, por ocasião das primeiras razzias palestinas de Nabucodonosor (598). São registradas as datas de certos oráculos. A da visão inicial não é confiável (1,1-2; cf. v. 1 nota), mas as outras são dignas de atenção. A visão dos pecados de Jerusalém (8,1) é situada no sexto ano (do exílio do rei Ioiakin, que é também o de Ezequiel), ou seja, em 592; oráculo da panela (24,1) é datado do nono ano, ou seja, em 589, no mesmo dezembro em que se inicia o cerco a Jerusalém; outros são situados no décimo ano, em 588, no tempo em que o faraó do Egito se encontra em má situação (29,1); no décimo primeiro, em 587 (26,1), no décimo segundo, ou seja, no início de 585 (33,21), no vigésimo quinto, em 573 (40,1), e por fim no vigésimo sétimo, em 571 (29,17).

A MENSAGEM DE EZEQUIEL

É, pois, na Babilônia que se desenvolveu a atividade daquele que era até então um sacerdote e que conservou, até o fim da vida, sua mentalidade de sacerdote perito em culto, liturgia, rubricas e sacristias (caps. 40 – 48); é lá ainda que, de repente, tudo nele se transtorna. Produzem-se dois acontecimentos: a irrupção da glória de Yaohu fez desse sacerdote um profeta, e a queda de Jerusalém transforma o pregador de condenação em pregador de salvação.

A irrupção da Glória. Eis, pois, que a partir de certo dia, a vida de Ezequiel é como que invadida pela Glória do ETERNO. Ela se mostra em várias ocasiões (1,28; 3,23; 8,4; 10,1; 43,2), deixando-o todas as vezes atônico, extasiado (3,15).
Que vê ele? No meio de uma grande nuvem, precedido pelo sopro da tempestade, um fogo em forma de redemoinho; e depois, seres vivos. São quatro: eles voam, sustentam um firmamento sobre o qual aparece um trono. Acima, há como que o aspecto de um homem, com uma claridade ao redor dele… É o aspecto da Glória do ETERNO (1,4-28).
No fundo, o profeta está em vias de reviver, mas com gênio diferente e noutro contexto, a visão de seu grande predecessor, Isaías. Ele acaba de receber a revelação esmagadora da transcendência do ETERNO, da Glória daquele que é o rei de toda a terra (Is 6,3). Este último ponto está ausente da descrição inicial de Ezequiel, mas o profeta sugere sua verdade acrescentando traços secundários, com o risco de obscurecer sua intuição primordial. Assim se explica a longa descrição desses animais fantásticos, tomados do bestiário mítico dos babilônios, que o profeta se compraz em ver a serviço do ETERNO; ou ainda a presença, totalmente supérflua, de rodas alucinantes que mostram a seu modo que a Glória é onipotente em todos os lugares.
Esmagado por essa revelação, Ezequiel percebe violentamente sua pequenez; em face da Glória, ele não passa de um ínfimo e derrisório filho de homem, hesitante, atônito (1,28; 2,2; 3,14-17.22-24); sobre ele, a mão do ETERNO (1,3; 3,22; 33,22; 37,1; 40,1) caiu (8,1) pesadamente (3,14); sobre ele também, o Espírito do ETERNO – Rúkha – Yaohu – vem (2,2; 3,24), cai (11,5), para arrebata-lo (3,12.14; 8,3; 11,1.24; 43,5).
Mas o profeta percebe a Glória que sai do Templo e se afasta de Jerusalém (11,22.23). O ETERNO deixa Sião! Por quê? Como?
Ezequiel descobre no pecado de Israel o motivo de tão dramática separação; o pecado de Israel é o mal endêmico do qual ele procura entrever a gravidade, a extensão, a profundidade. O pecado é o ato de violência, o crime em que o sangue é derramado (7,23; 9,9; 16,36; 18,10 etc.), que, pelo menos uma vez, o profeta põe em pé de igualdade com a idolatria (36,18). Pois o pecado capital é, para ele, a idolatria (14,1-8), que ele vê praticada sobre toda colina, sob as árvores (6,3.6.13; 16,16; 20,28.29) e até no Templo de Jerusalém (cap. 8). Encontra seus sinais na entrada do pórtico interior (vv. 3-6), no adro (vv. 7-13), no santuário do ETERNO (vv. 14.15), entre o vestíbulo e o altar (v. 16). O pecado de Israel é também a imoralidade cotidiana; Ezequiel a descreve inspirando-se nos formulários de confissão dos pecados, em uso nos santuários (18,5-9; 22,3-12.23-30).
Ezequiel diz e repete que esse pecado é um horror, uma abominação (5,9-11; 6,9; 16,22-52); é um gesto de infidelidade, um adultério, um ato de prostituição. O profeta desenvolve este tema na alegria da menina encontrada, adotada e depois desposada, que finalmente se transforma em “prostituta despótica” (16,30); ele retoma depois na história das duas irmãs, Oholá (Samaria) e Oholibá (Jerusalém), esposas infiéis que se entregaram a uma insolente prostituição (cap. 23).
O profeta finalmente chega a descobrir a raiz da impudica infidelidade à qual Jerusalém se abandona no orgulho. O pecado dos pagãos de Sodoma (16,49-50), do rei de Tiro (28,2.5.17), do Egito (30,6.18) e seus faraós (32,12; 35,13), é também o pecado de Israel (7,20.24; 33,28), esposa envaidecida com sua beleza (16,15.56); é também o pecado do príncipe (21,30-31).
Porventura, Jerusalém não tem um origem pagã, ela que descende de pai emorita e de mãe hitita (16,3.45)? Sua corrupção, que se manifesta ao longo de toda a sua história (cap. 20), é congênita (cap. 16), e a permanência prolongada de Jacó-Israel no Egito – onde Yaohu com a mão erguida, jurou, e disse: Eu sou YAOHU vosso Deus (20,5) – deveria ter as mais funestas conseqüências: ela daria a Israel essa paixão pelos ídolos à qual depois ninguém saberia renunciar (cap. 20).
É em meio a esse povo que Ezequiel é estabelecido profeta, com a missão de proclamar a palavra de Yaohu. Ainda que esta palavra penetre nele como um alimento e o encha de doçura (3,2.3), o filho de Buzi deve esperar encontrar em seu caminho sofrimentos e espinhos toda vez que ele clamar: Assim fala o ETERNO – Yaohu – Deus (3,11); mas não deve desistir, pois o essencial é, no fim das contas, que os deportados, por mais rebeldes que sejam, saibam que há um profeta no meio deles (2,5).
Ezequiel será uma “sentinela a serviço de Israel”. Deverá dizer ao perverso: “Vais morrer”, a fim de que o mau abandone a sua má conduta e viva; deverá admoestar o justo para que não peque, a fim de permanecer em vida (3,16-21); pois, ao contrário do adágio que se costuma repetir em Israel, ele afirma: Quem pecar, esse morrerá, o filho não arcará com a iniqüidade do pai, nem o pai com a iniqüidade do filho (18,4-20).
Todavia, se Ezequiel deixar de admoestar o malvado, terá de prestar contas do sangue do mau que houver perecido por falta de admoestação oportuna (3,18). Esta hipótese não é gratuita; nessa época, não faltavam pretensos profetas, que seguiam sua própria inspiração sem jamais ter tido visão. São semelhantes a pedreiros que se contentam com rebocar um muro rachado, com o risco de deixar ruir todo o conjunto. Tais são os profetas que publicam uma mensagem de paz sem se preocupar em curar o pecado (cap. 13). [está acontecendo hoje nos cultos…!]. A.

A queda de Jerusalém. O pecado não pode deixar de conduzir o povo a um julgamento inelutável e terrível; o profeta vê sua realização bem próxima e se obstina a anuncia-lo incansavelmente, por palavras (caps. 7; 9 – 11) e atos (caps. 4 – 5). Até aquela triste manhã, em que alguém se apresenta para lhe declarar a desgraça que aconteceu: Jerusalém foi tomada, destruída, incendiada; os sobreviventes partem para o exílio.
Foi este o segundo acontecimento capital na vida de Ezequiel. Instigado a não deixar transparecer seu pesar (24,15-27), deve ter sentido uma dor pelo menos igual à de seus companheiros de deportação. Com efeito, o sofrimento e o desespero deles foram tais que chegaram a dizer: Estão sobre nós as nossas revoltas e os nossos pecados, e apodrecemos por causa deles! Como poderemos viver? (33,10). Ou ainda: Os nossos ossos estão ressequidos, pereceu a nossa esperança, estamos esfacelados (37,11).
Então Ezequiel reagiu; pôs-se a anunciar o castigo para as nações cujos sarcasmos intensificavam a dor dos vencidos. Israel não será o único a sofrer o julgamento. Sem dúvida, o profeta outrora entrevia que povos de fala impenetrável e de língua enrolada (3,6) o teriam escutado melhor do que a casa de Israel; contudo, esses povos agora são convocados ao tribunal de Yaohu (25 – 32). O Egito é o principal acusado (cap. 29 – 32), ele que provocou a traição de Sedecias (17,15), infiel às suas alianças (17,19). Tiro deve compadecer por ter tido intenções injuriosas contra Jerusalém. Oprimida pelos exércitos inimigos (26,2), e depois também os países vizinhos da Palestina: Amon, Moab, Edom e os filisteus, todos culpáveis de comportamento odioso com relação ao povo aniquilado (cap. 25).
Mas eis que o profeta, arauto trágico, reduzido até aqui ao anúncio de uma desgraça inelutável, transforma-se em pregador de salvação. Já os seus oráculos anteriores não haviam excluído todo motivo de conforto. O tema do “Resto” aparece em algumas passagens; sua evocação é rápida, tão rápida, aliás, que se pode ver aí o resultado de algum acréscimo secundário; assim os vv. 5,1.2 são explicados aos vv. 12 e 13, ao passo que os vv. 5,3.4, que, ademais, comprometem a lógica do cálculo profético, não recebem nenhum comentário. Contudo, o tema é claramente atestado no cap. 9; aí vem à tona a execução dos habitantes de Jerusalém, precedida por um gesto de seleção que põe à parte os homens que gemem e se lamentam por causa de todas as abominações que se cometem no meio de Jerusalém (9,4).
Haverá, portanto, um “Resto” (ver 6,8-10; 9,4-8; 11,13; 12,16; 14,22.23), mais irrisório, tão frágil (11,13), reduzido talvez aos cadáveres amontoados em Jerusalém (11,7), que sua evocação não pode impedir os exilados de perder sua débil esperança. Então o profeta, sentinela atenta, se posta na brecha. Os mortos viverão, proclama ele; e aí temos o maravilhoso afresco dos ossos ressequidos e revigorados (37,1-14); por mais diminuído e aniquilado que esteja Israel, ainda que fosse semelhante a um ossário abandonado pela vida, o ETERNO saberá faze-lo reviver ao sopro impetuoso de seu Rúkha – Espírito.
Um povo que voltou à vida, mas a uma vida totalmente diferente da anterior, tal será o Israel resgatado do exílio. Porque, diz o ETERNO: eu vos tomarei de entre as nações, vos reunirei de todas as terras e vos levarei ao vosso solo. Farei sobre vós uma aspersão de água pura e ficareis puros: eu vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo; tirarei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Infundirei em vós o meu Rúkha e vos farei caminhar segundo as minhas leis, guardar e praticar os meus costumes. Habitareis a terra que dei a vossos pais; sereis para mim um povo, e eu serei para vós Deus – Yaohu (36,24-28).
Essa vida ideal se realizará num reino reunificado (37,15-28), onde o povo não será mais entregue às prevaricações dos chefes indignos (34,1-10); ele será guiado pelo cajado do ETERNO, tornando-se ele mesmo o pastor de seu povo (34,11-16); quanto ao descendente de David, ele será simplesmente um príncipe no meio deles (34,24).

Perspectivas finais. No fim de sua carreira profética, Ezequiel se aplica a mostrar o caminho do Israel renovado. Inicialmente ele vê o povo conseguir, no fim dos anos (38,8), a vitória que o livra de todos os seus inimigos. O povo os enfrentou num combate colossal, reencontrando todos os seus adversários de todos os tempos, por trás da face belicosa de seu campeão, Gog, da terra de Magog, grande príncipe de Méshek e de Tubal. Ele os enfrenta e a todos destrói; com seus armamentos terrificantes ele faz um fogo de alegria; abandona inúmeros mortos deles à rapacidade dos abutres e ao cuidado dos coveiros, por sete meses interminavelmente ocupados em enterrar os corpos dos vencidos (cap. 38 e 39).
Por fim, Ezequiel imagina Israel vitoriosa já instalado numa Palestina também renovada. Vê a terra matematicamente partilhada em zonas que limitam as fronteiras com absoluto rigor (cap.47; 48); ele a vê banhada com a água maravilhosa, que jorra do Templo (cap. 47). Será o lugar privilegiado onde, conforme todas as suas regras (caps. 40; 46), desenrolar-se-á o culto que celebra a Glória do ETERNO que voltou ao santuário (43,1-12). Pois, de agora em diante, o Templo será o centro da vida do povo, o coração de um mistério que o profeta faz entrever em uma só expressão: O ETERNO está aí (48,35).

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE EZEQUIEL:

EZEQUIEL
Pontos fortes e êxitos:
Foi treinado para ser um sacerdote, e chamado por Yaohu para ser um profeta.
Recebeu visões vividas e transmitiu mensagens poderosas.
Serviu como mensageiro de Yaohu durante o exílio de Israel na Babilônia.
Tornou-se um homem firme e corajoso, atingindo, com sua mensagem, as pessoas mais rebeldes (Ez 3,8).

Lições de vida:
Mesmo os repetidos fracassos de seu povo não impedirão que o plano de Yaohu para o mundo se cumpra.
A resposta de cada pessoa a Yaohu determinará o seu destino eterno.
Yaohu escolhe pessoas através das quais pode trabalhar mesmo em situações aparentemente desesperadoras.

Informações essenciais:
Local: Babilônia.
Ocupação: Profeta para os exilados na Babilônia.
Familiares: Pai – Buzi; esposa – seu nome não é citado.
Contemporâneos: Joaquim, Jeremias, Jeoaquim e Nabucodonosor.

Versículos-chave: “Disse-me mais: Filho do homem, coloca no coração todas as minhas palavras que te hei de dizer e ouve-as com os teus ouvidos. Eia, pois, vai aos filhos do teu povo, e lhes falarás, e lhes dirás: Assim diz o ETERNO YAOHU, quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 3,10.11).

A história de Ezequiel é encontrada no livro que tem seu nome e em 2 Reis 24,10-17.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

DANIEL

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Daniel.
Propósito: Dar aos exilados e aos primeiros dentre eles que voltaram para a Terra Prometida a certeza de que Yaohu estava no controle da História e que o seu profeta, Daniel, havia falado a verdade a respeito dos prolongados sofrimentos antes do estágio final do reino de Yaohu.
Data: Imediatamente após 539 a.C.
Verdades fundamentais:
Daniel e seus amigos foram fiéis a Yaohu durante o tempo que passaram no exílio.
Podia-se confiar no fato de que Daniel era verdadeiro em suas palavras porque ele nunca fez concessões aos seus captores.
Yaohu tem o controle absoluto de toda a História.
O exílio prolongou-se por todo o período em que quatro reinos governaram o povo de Yaohu por causa de seu contínuo pecado.
No futuro, sofrimentos continuariam a sobrevir a Israel, mas O Ungido Yaohushua viria e traria salvação.

Propósito e características
Daniel contém dois tipos diferentes de material. Seis narrativas históricas aparecem nos caps. 1 – 6 e quatro visões nos caps. 7 – 12. As visões são quase exclusivamente proféticas. Entre as seis narrativas, o cap. 2 é diferenciado porque contém também material profético.
Uma reflexão sobre o conteúdo das narrativas históricas revela que elas são unidades narrativas independentes que foram reunidas em razão de um propósito específico. As narrativas não fornecem uma história de Israel sob o governo babilônio ou persa, nem apresentam uma crônica biográfica de Daniel ou seus amigos. De um lado, as histórias enfatizam o modo como a absoluta soberania de Yaohu opera nos acontecimentos de todas as nações (2,47; 3,17-18; 4,28-37; 5,18-31; 6,25-28). Jerusalém estava destruída, o templo em ruínas, o povo estava no exílio, governantes iníquos pareciam ser triunfantes, mas Yaohu permanecia supremo. De acordo com a sua vontade soberana, ele interviria entre os reinos deste mundo para estabelecer o reino universal que duraria para sempre.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM DANIEL.
(Yaohushua):

A profunda atenção dada por Daniel à restauração de Israel após o exílio chama a atenção diretamente para Yaohushua. Como outros profetas do Antigo Testamento, Daniel predisse um futuro glorioso para o povo de Yaohu que o Novo Testamento apresenta como cumprido na primeira e na segunda vindas de Yaohushua assim como na totalidade da história da Igreja.
Muita controvérsia cerca um grande número de detalhes sobre o cumprimento dessas predições de Daniel, mas a estrutura básica da visão de Daniel sobre o futuro não deixa dúvidas de que Yaohushua cumpre as esperanças do profeta. Essa percepção é mais clara no modo como O UNGIDO se identifica como o “Filho do Homem” (p. ex., Mt 9,6; 10,23; 12,8). No uso feito por Daniel desse termo, o “Filho do Homem” era o grande rei davídico exaltado por Yaohu que representava Yaohu na terra. O UNGIDO, sendo CHRISTÓS – O YAOHUSHUA, era o rei davídico definitivo; apenas ele cumpre as predições feitas em relação ao filho do homem nas visões de Daniel (veja notas sobre 7,13-14; – “O reino de Yaohu”, em Mt 4).
Além do mais, no cap. 9, Daniel compreendeu que a previsão de Jeremias sobre os setenta anos de exílio do povo de Israel na Babilônia, seria estendida até “setenta semanas” de anos (9,24), ou cerca de quatrocentos e noventa anos. Em termos gerais, essa predição atinge um cumprimento inicial com a primeira vinda de Yaohushua. O prolongamento do exílio corresponde à série de quatro impérios estrangeiros que oprimiram o povo de Yaohu (2,1-49) e ao aparecimento da “pedra que… se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra” (2,35), a qual Daniel mais tarde chamou de “um reino que não será jamais destruído” (2,44). Esse grande reino não é outro senão o reino de CHRISTÓS – O UNGIDO – YAOHUSHUA que teve início na sua primeira vinda, continua hoje e alcançará a consumação na gloriosa volta de Yaohushua – Mt 4; Hb 7.
Outros acontecimentos mais específicos preditos por Daniel também aparecem em primeiro plano no Novo Testamento. Por exemplo, o próprio Yaohushua se refere à predição de Daniel sobre a “o abominável da desolação” (9,27; 11,31; 12,11), que originalmente se referia à profanação do templo pelo grego Antíoco IV Epífanes, como precursor da profanação causada pelo general romano Tito em 70 d.C. (Mt 24,15; Mc 13,14). De um modo ou de outro, a maioria dos intérpretes “cristãos” – seguidores do Ungido – Remanescentes – associa intimamente essa tipologia com o anticristo, cujo espírito já está trabalhando no mundo (1Jo 2,18) e atingirá seu total desenvolvimento, talvez como uma pessoa real, perto do retorno do Ungido – Yaohushua (2Ts 2,3).

DANIEL: O livro de Daniel é único em seu gênero no Antigo Testamento. A Bíblia hebraica incluiu-o no grupo dos “Escritos”, após os cinco “rolos” (encerrados por Ester) e antes de Esdras. Só este fato já bastaria para assinalar seu caráter tardio. Os manuscritos da Septuaginta, ao contrário, situam-no após Ezequiel, no grupo dos profetas.

Estrutura do livro de Daniel. 1. Daniel na Bíblia hebraica. Na Bíblia hebraica, cujo texto consonântico fixou-se no final do séc. I de nossa era pelos doutores judeus de Iabnê (Jâmnia) e vocalizada a seguir, o livro continha doze capítulos escritos em duas línguas diferentes: de 1,1 a 2,4a, em hebraico; a seguir, de 2,4b a 7,28 em aramaico; finalmente, de 8,1 a 12,13, em hebraico. A explicação mais simples é que uma coletânea aramaica (caps. 2 – 7) foi completada por capítulos finais e uma introdução em hebraico. O editor final reagrupou os materiais em duas seções distintas: 1) relatos (caps. 1 – 6) que têm como herói Daniel (caps. 2,4 e 6), seus três companheiros (cap. 3) ou as quatro personagens juntas (cap. 1); 2) visões concedidas somente a Daniel (caps.7 – 12). Em cada uma das duas seções, os trechos seguem uma ordem cronológica. Mas este é um artifício literário, que nada indica de sua data de composição. O autor não conhece com precisão a história do Oriente Antigo entre o reinado de Nabucodonosor e o de Ciro; ele faz de Belshasar (o Baltasar de muitas de nossas Bíblias) o filho de Nabucodonosor; põe entre ele e Ciro, o Persa, certo Dario, o Medo, que a documentação antiga ignora. Este fato convida a não ler o livro como uma coletânea histórica, mas procurar seu valor em outros planos.

2. Daniel na Bíblia grega. O judaísmo de língua grega legou à Igreja antiga duas versões diferentes de Daniel, a da Septuaginta e a de Teodocião. Ambas acrescentam ao texto trechos substancialmente idênticos: elas inserem no cap. 3 dois textos litúrgicos adaptados a este quadro narrativo (a oração de Azarias e o cântico dos três jovens); acrescentam, antes ou após o livro, a história de Susana e, no final, os episódios de Bel e do Dragão. (todos livros apócrifos, que a bíblia católica aceitou colocar nos livros inspirados por Yaohu… Anselmo Estevan.). Todavia, as duas versões estão em situações diferentes em relação ao texto da Bíblia hebraica. A Septuaginta difere consideravelmente da Bíblia hebraica, sobretudo nos caps. 4 – 6. Pode-se perguntar se o texto traduzido não seria em original semítico diferente do texto atual. Teodocião, ao contrário, mantém-se muito próximo deste, do qual ele constitui uma testemunha lateral bastante antiga. No Novo Testamento, as citações de Daniel seguem ora a Septuaginta, ora (na maioria das vezes) Teodocião. Os trechos litúrgicos acrescentados ao texto primitivo no cap. 3 baseiam-se provavelmente num original hebraico. Isto é igualmente verossímil para a história de Susana e os episódios de Bel e do Dragão, onde esse original pode ter comportado duas recensões (ou formas textuais) diferentes.
O texto da Bíblia hebraica, fixado por volta de 90 de nossa era, não manteve essas adições. Isto teve repercussões sobre uso do livro na Igreja. Não somente a antiga versão grega foi logo a seguir suplantada pela de Teodocião, como o mostra o primeiro comentador do livro, Hipólito de Roma; mas a autoridade das passagens gregas ausentes da Bíblia hebraica via-se contestada, notadamente por São Jerônimo. Este jogou em apêndice a história de Susana (cap. 13) e os episódios de Bel e do Dragão (cap. 14), ao passo que deixava no mesmo lugar os trechos litúrgicos do cap. 3. A canonicidade destas passagens é mantida pela Igreja católica, mas não pelas Igrejas oriundas da Reforma. Em razão desta discussão, elas figuram aqui em itálico, no lugar onde as coloca a Vulgata latina de São Jerônimo.

Data do livro e origem do seu material. 1. A redação e as edições sucessivas. O livro se apresenta ao leitor como obra de um profeta contemporâneo do cativeiro da Babilônia. Nesta perspectiva ele era lido pelos doutores judeus e na tradição “cristã” antiga. Todavia, desde o séc. III, a crítica pagã (Porfírio) via nele um livro escrito no tempo de Antíoco Epífanes (175-164). Com efeito, é preciso constatar que a grande visão dos capítulos 10 – 11 demarca passo a passo a história do Oriente Próximo e do judaísmo até 164. Em seguida (11,40s.), passa-se a uma mensagem de esperança, escrita em estilo convencional, que desemboca no juízo final e na ressurreição dos mortos (12,1-4). Esta mensagem corresponde muito bem aos problemas espirituais com os quais o judaísmo então se defrontava. Isso explica por que Daniel não é mencionado pela Sirácida (por volta de 190-180), entre os profetas de Israel (Sr 48,22; 49,7-8.10). [Livro apócrifo. Anselmo Estevan.]. Em contrapartida, o livro é conhecido pelo autor do primeiro livro dos Macabeus, entre 134-104 (1Mc 1,54 = Dn 9,27 e 11,37), e sua primeira versão grega é até mesmo utilizado pelo livro III dos Oráculos Sibilinos (por volta de 145-140). O autor conhece a profanação do Templo, em 7 de Dezembro de 167 (cf. 11,31), a condenação à morte dos judeus fiéis (11,33), a revolta dos Macabeus e os primeiros êxitos de Judas (alusão de 11,34), em 166. Se ele não dá nenhuma indicação precisa sobre a morte do rei perseguidor (acontecida no outono de 164), ele faz alusão à purificação do Templo (14 de Dezembro de 164). Pode-se, pois situar a composição do conjunto em 164. Um versículo enigmático do final (12,12, cf. 12,9) deixa talvez entender que sua edição se deu pouco depois do restabelecimento do culto no Templo purificado. Seria então o início de 163. Um remanejamento literário – talvez efetuado em hebraico para os capítulos 2 – 7, mas atualmente perdido –, deve ter acontecido antes que fosse feita a antiga versão grega (por volta de 145).
Muitos detalhes do livro aludem aos eventos contemporâneos: pressão das autoridades pagãs para forçar os judeus a romper as interdições alimentares da Lei (1,5-8); obrigação de praticar a idolatria (3,1-12) e do culto prestado ao soberano divinizado (6,6-10), acarretando para os judeus o risco do martírio (3,19-21 e 6,17-18). Anuncio profético da morte do perseguidor (5,22-30; 7,11.24-26; 8,25; 9,26-27; 11,45). Se o autor não dispensa mais que restrita atenção à revolta militar dos Macabeus (11,34), é porque conta com uma intervenção direta de Yaohu para inverter a situação, estabelecer seu reino e salvar seu povo. Essa atitude corresponde à dos assideus (hasidim), que se retiraram para o deserto. Antes de se aliar a Judas Macabeu. O autor provavelmente pertence a esse meio.

2. A origem das tradições recolhidas. O livro que assim se constituiu recolheu também materiais preexistentes, alguns dos quais talvez já em forma escrita. O cap. 2 parece aludir à política dos casamentos praticada seja por Antíoco II (por volta de 252), seja por Antíoco III (após 194) (cf. Dn 2,43); o modo como ele apresenta a sucessão dos impérios parece ignorar a crise de 168-166. No cap. 7, o quarto Animal, que representa o império grego, possui dez chifres (= dez reis). A menção a um décimo primeiro chifre é provavelmente uma adição, que aplica ao rei perseguidor um oráculo mais antigo (7,24b-25). A loucura e a conversão de Nabucodonosor (cap. 4), diretamente ligadas ao capítulo 2 (4,4-6, cf. 2,48), constituem da mesma maneira um relato independente que parece anterior a 168. O autor o tomou, pois, de um repertório de relatos tradicionais, dos quais alguns já tinham recebido uma forma literária determinada, enquanto outros ainda dependiam da tradição oral.
Tudo indica que se deve procurar a origem dessa tradição nas comunidades judaicas de Babilônia, onde as antigas práticas cultuais da Caldéia, que entraram sucessivamente em contato com as civilizações persa e grega, eram muito mais conhecidas do que na Judéia. Acrescentemos que palavras persas e até mesmo gregas são encontradas no vocabulário hebraico e aramaico do livro. Explica-se muito bem que, nesse quadro, a lembrança de Nabucodonosor tenha permanecido mais viva que alhures (cf. caps. 2 – 4), absorvendo de passagem algumas reminiscências da personagem de Nabônides (cf. as notas ao cap. 4). Um texto aramaico de Qumran conserva um relato paralelo a este episódio, cujo herói é o rei Nabunai. Ademais, o episódio de Daniel na cova dos leões é retomado sob duas formas: em aramaico, no tempo de Dario (cap. 6), em grego, no tempo de um rei não-nomeado (Septuaginta), ou no tempo de Ciro (Teodocião) (cap. 14,1-30). {Colocação do apócrifo}.Constata-se assim que a tradição oral conhecia variantes, sem que, por isso, os compiladores se sentissem tolhidos. Por outro lado, a tradição do festim de Belshasar (cap. 5) é um tema que Heródoto não ignorava (Investigação, 1,191), atribuindo-o todavia ao rei Labynetos (= Nabonides). Todos esses elementos nos remetem a uma pré-história do livro, que infelizmente não se pode rastrear a risca até a época persa e ainda menos até o tempo do Exílio. Daniel e os seus três companheiros, provavelmente aproximados no livro por iniciativa de seu autor, pertencem à tradição oral do judaísmo oriental, sem que se possa saber muito mais sobre a origem histórica dessa mesma tradição.
Então, não seria apropriado traçar, com base no livro tal qual se apresenta, uma “biografia” do “profeta Daniel”. Os diversos relatos que o trazem à cena eram originariamente independentes uns dos outros. Situando-os de modo convencional sob o rei Nabucodonosor (caps. 1 – 4) e Belshasar seu filho (caps. 5 e 7 – 8), e depois sob Dario, o Medo (caps. 6 e 9), e Ciro, o Persa (caps. 10 – 12), o autor final esboçou a carreira de um jovem judeu que, deportado em 606, teria sido escolhido para se tornar pajem real com seus três companheiros (cap. 1). Sua habilidade para a interpretação de sonhos o teria feito entrar na administração (cap. 2), onde os quatro jovens teriam seguido uma carreira brilhante até o início do império persa, a despeito das crises passageiras nos quais suas vidas teriam sido postas em perigo (cf. 3,6). Uma carreira administrativa nada tinha de impossível para judeus deportados. Mas fazendo Daniel aceder à condição de primeiro ministro (cap. 6) ou mesmo governador de província e chefe dos “sábios” (cap. 2,48-49; 3,12; 4,6; 5,11), o narrador ultrapassou largamente as margens da verossimilhança. Na verdade seu objetivo era de outra ordem que o da narração histórica.

Os gêneros literários no livro de Daniel. A forma literária de um texto é sempre determinada por dois elementos: a função que ele desempenha na comunidade para a qual é escrito, e as convenções em uso no meio cultural que a cerca. Devolvido ao contexto de seu tempo, o livro de Daniel apresenta uma combinação original de dois gêneros que a literatura judaica empregou com predileção nessa época: a narrativa (a haggadá) e o apocalipse.

1. As narrativas didáticas. A narrativa didática constitui um processo pedagógico a serviço de uma lição teológica, moral sapiencial etc. Para compreender o alcance do texto, é necessário detectar a sua “ponta”, um pouco como na interpretação de uma parábola. O herói da narrativa, suas provações, seus comportamentos etc. são apresentados de tal maneira que o leitor tira daí uma mensagem edificante, reconfortante, de fé, em relação como as necessidades espirituais de sua época. O enfrentamento do judaísmo e das civilizações pagãs que o cercam pôs aos crentes, durante a época helenística, toda sorte de problemas. Estes se tornaram agudos na Judéia, quando o império greco-sírio quis impor à força uma helenização para qual alguns membros da aristocracia local já estavam conquistados. É nessa perspectiva que é necessário situar-se para ler Dn 1; 3 – 6; 13. Ora a conduta de Daniel e de seus companheiros é exaltada como um exemplo a seguir (caps. 1; 3; 6). Ora a loucura e o orgulho humano ou do paganismo sacrílego são denunciados com vigor (cap. 4 e 5). Mesmo se a narração encontra seu ponto de partida em alguma reminiscência histórica, ela não é propriamente histórica.

2. Os textos apocalípticos. A partir do Exílio, a literatura profética foi cada vez mais marcada pela dupla preocupação com o julgamento de Yaohu e com a Salvação que o seguirá. Essa preocupação “escatológica” foi acompanhada por uma transformação progressiva das formas literárias empregadas para responder a ela. Em um contexto cultural em que a adivinhação e a revelação das coisas ocultas ocupavam um lugar importante, a escatologia assim tomou lugar numa literatura de “revelação” (é o sentido do vocábulo grego apokalypsis). Pode-se seguir a trajetória dessa evolução. Ezequiel e Zacarias já tinham recorrido à modalidade de expressão em que a visão e sua explicação por um anjo-intérprete se tornam uma convenção literária habitual. Após o Exílio, Zc 13 – 14 e Is 24 – 27 – composições devidas a autores anônimos – punham em cena a crise final da história. No término desse processo, a literatura apocalíptica retoma os mesmos procedimentos, servindo-se freqüentemente de um estilo de reminiscências bíblicas, para apresentar uma mensagem adaptada às necessidades dos tempos novos. Como a mensagem mui freqüentemente tinha por objeto a interpretação teológica da história, coroada no seu término por um anúncio do Fim, os autores a punham na boca de um homem do passado, a fim de tomar distância com relação há seu tempo: quem lhe empresta o nome é Daniel, ou Henoc; mais tarde será Moisés, Esdras, os patriarcas, Baruc, Adão… A pseudonímia torna-se uma lei essencial do gênero. Por esse meio, os autores podem unir em uma única composição a decifração teológica de um passado que culmina no momento em que eles escrevem, e o anúncio do termo para o qual caminha o desígnio de Yaohu. Todavia, se o gênero apocalíptico se liga, de algum modo, aos profetas mais antigos, ele se distingue deles nitidamente em pontos essenciais. A mensagem de reconforto e o anúncio do Julgamento divino não são mais acompanhadas, como outrora, de apelos prementes à conversão. A revelação oferecida aos crentes se apresenta antes como uma sabedoria vinda do alto. Enquanto as narrativas didáticas terminam em conselhos para a vida prática, esta sabedoria revelada faz conhecer os desígnios secretos de Yaohu, nos quais a vida prática deve se inserir.
No livro de Daniel, toda a segunda parte (cap. 7 a 12) deriva integralmente do gênero apocalíptico, com variantes na expressão. Mas seus temas essenciais são apontados desde a primeira parte, seja no sonho de Nabucodonosor, que Daniel interpreta (cap. 2), seja no sonho da grande árvore que figura o julgamento do rei (cap. 4), seja na decifração da inscrição que Belshasar vê ser traçada na parede de seu palácio (cap. 5). Esse recurso constante às visões e aos sonhos apresenta um paralelismo inegável com a literatura de adivinhação da qual o paganismo daquele tempo era grande apreciador; mas esse parentesco das formas tem como finalidade opor a impotência da adivinhação pagã à autenticidade da profecia, cuja fonte é a Sabedoria e o Rúkha – Yaohu (Espírito de Yaohu) [cap. 2; 4; 5]. Quando Daniel se torna beneficiário das visões simbólicas, um anjo intervém para lhe desvendar o sentido daquilo que ele viu: os quatro animais e o Filho do homem (cap. 7), o Carneiro e o Bode (cap. 8), e finalmente o grande afresco que delineia a história desde a época persa até 164 (cap. 10 – 12). Até mesmo uma vez, é um texto da Escritura que é tratado como revelação críptica do futuro: a interpretação dos setenta anos de Jr 25,11-12 e 29,10 é proposta com auxílio de uma técnica particular que apresenta afinidades com a interpretação das visões e dos sonhos. Esse modo de expressão literária é particularmente difícil e complexo, exigindo explicações pormenorizadas.

Os grandes temas doutrinais do livro.

1. Elementos fundamentais da fé e da vida religiosa. O livro de Daniel é profundamente tradicional, mas encara com lucidez os problemas postos por seu tempo. Em face das civilizações pagãs, onde pululam os deuses (5,4), onde se presta culto à suas estátuas (2,3), onde finalmente o próprio rei exige honras divinas (6,8), o monoteísmo de Israel afirma-se com vigor. Não somente ele elabora uma apologética, aliás, pouco profunda, para combater o paganismo, mas, sobretudo exalta a grandeza de uma fé pela qual se deve aceitar o risco de morrer (cap. 3; 5). Em um universo desmitizado, onde todas as criaturas cantam a glória do Yaohu único (3,52-90 grega), as próprias potências políticas devem reconhecer o domínio soberano de Yaohu (4,31-32; 5,22-23), porque é dele que elas recebem seu poder (4,22b.29b; 5,18-19). Ele é o único ETERNO do tempo e da história, o único revelador dos segredos que apenas ele detém (2,20-23). Pare evocar sua presença, a linguagem da fé recorre a representações simbólicas em que subsistem os vestígios de antigas mitologias despojadas de seu veneno: Yaohu é um Ancião sem idade, cercado por uma corte de servos (7,9-10). Neste ponto, a representação do mundo angélico tende mesmo a se complicar, ao tomar de empréstimo traços novos à simbologia iraniana. Não somente o Anjo do ETERNO intervém para salvar os três jovens na fornalha (3,49,92 grega) e Daniel na cova dos leões (5,23); não somente a chave das visões e dos sonhos pelos quais Daniel é favorecido lhe é fornecida por um anjo-intérprete, como em Ezequiel e Zacarias (7,16ss.; 9,16ss.; 9,21; 10,9 – 11,2; 12,6ss.); mas é por intermédio desses seres sobrenaturais que Yaohu governa o mundo e assegura o cumprimento de seus planos (4,14; 10,13.20s.; 12,1). Assim Yaohu se esconde, mas sua presença é reconhecida, como também sua ação nos acontecimentos maravilhosos que se dão sem a intervenção da mão humana (2,34.45; 3,11-13.20-22; 5,5; 8,25b).
Fundado na revelação que recebeu de Yaohu, o judaísmo organiza sua vida prática em função da Lei. Esta é a razão pela qual ele insiste tanto nas prescrições legais, lá onde os pagãos não compreendem o sentido (p. ex., em matéria de proibição alimentares: 1,8). A Lei não regula apenas a organização do direito (13,62), mas dá um sentido a todas as obrigações morais e cultuais (3,18.41; 13,23). Ela determina calendário das festas, que nenhum poder humano tem o direito de mudar (7,25b). Ela fornece um quadro para a oração que, mesmo em terras de exílio, se dobra aos ritmos e às posturas fixadas pelo costume (6,11). Formulários de orações já existem em grande número: as passagens líricas do livro imitam sua fraseologia (2,20; 3,33; 4,34b; 6,27s.; 7,27b); o texto hebraico e as adições gregas conservam até mesmo duas orações penitenciais (3,25-45 gr.; 9,4-19) e um cântico (3,52-90 gr.), que são modelos do gênero; sem contar as orações privadas, mais diretamente ligadas às diversas circunstâncias da vida (13,42s.). A oração cristã não terá nenhuma dificuldade em retomar esses formulários adaptando-se às novas perspectivas abertas pelo Evangelho. (Tudo bem, mas, aqui são vontades humanas de “acréscimos” aos livros que, “NÃO FORAM INSPIRAÇÕES DIVINAS POR YAOHU! E, SIM, VONTADES HUMANAS, DE COISAS NÃO INSPIRADAS DIVINAMENTE E TAMBÉM, POR NÃO ENTENDER O TEXTO E MUDANÇAS DA GRAFIA DE DIVERSAS LÍNGUAS…” ANSELMO ESTEVAN). Em uma civilização sincretista onde o helenismo absorve as culturas e as religiões orientais, o judaísmo consegue assim salvaguardar sua originalidade. Não somente o livro de Daniel toma consciência disso, mas ele exalta a seu modo essa situação, única em seu gênero: ele insiste no sucesso excepcional dos judeus fiéis (cap. 1; 2,48; 3,30; 5,29), mostra neles os salvadores das sociedades nas quais estão integrados, e não hesita nem mesmo em considerar a conversão dos reis pagãos, que então proclamam a grandeza do verdadeiro Deus – Yaohu (2,46-47; 3,31-33; 4,34; 6,27-28). {Quero pedir desculpas, se alguns versículos tiverem acréscimos ou não constarem em suas Bíblias. É, que como estes textos, seguem a ordem das Bíblias de texto grego… Podendo ocorrer esses acréscimos… Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio, continuarei dessa forma para exemplificar os “erros” cometidos nas várias traduções de diversas línguas até o português a nossa língua original e etc.}. Anselmo Estevan. Essa perspectiva é a do proselitismo, que, na mesma época, se esforça por atrair os pagãos para Yaohu de Israel, a ponto de às vezes, integrá-los no povo da aliança levando-as a observar sua lei.

2. Teologia da história. Yaohu realiza seu plano misterioso através da história. O universalismo de Jeremias (Jr 25) e da mensagem de reconforto (Is 41,25-29; 45,1-6) atinge agora toda a sua amplidão. Para o apresentar de modo concreto, o autor mostra na história do Oriente Próximo uma sucessão de impérios cujo enfrentamento parece esmagar o povo de Yaohu. No sonho da estátua (cap. 2) como na visão dos quatro Animais e do Filho do Homem (cap. 7). O advento sucessivo do império babilônio, medo, persa e grego é evocado com o auxílio de uma representação convencional, que não constitui o essencial da mensagem. Certo pessimismo domina esta visão das coisas, porque, de crise em crise, essa história manifesta uma degradação progressiva, um crescimento do Mal na humanidade cortada de Yaohu: a estátua com a cabeça de ouro é um colosso com pés de argila (cap. 2) e o quarto Animal sobrepuja por seus malefícios aqueles que o precederam (cap. 7). A história humana é um mistério de pecado, que caminha para seu ponto culminante. Ela é também o lugar onde se afrontam as Potências benéficas (Yaohu e seus anjos, cuja sustentação não poderia faltar ao “povo dos Santos do Altíssimo”) e das Potências adversas que se encarnam de algum modo nos impérios pagãos (cf. 10,13; 10,20 – 11,1). É por essa razão que ela está em marcha para um julgamento final do qual aparecem várias representações simbólicas: queda da estátua (2,44s.), morte de Belshasar (5,24-30), morte do Animal (7,11.24-26), destruição do Bode (8,23-25), fim do Desolador (9,27) que é também o rei perseguidor (11,40-45). Esse anúncio do julgamento está diretamente ligado às circunstâncias trágicas do reino de Antíoco Epífanes. Mas por traz deste perfilam-se já todas as provas futuras do povo de Yaohu, tanto que a profecia conservará uma atualidade permanente nos tempos de crise: o Apocalipse de João tomará dela traços para aplica-los ao império romano perseguidor da Igreja, enquanto o judaísmo subjugado por Roma tirará daí uma mensagem de esperança, sobretudo após a ruína de Jerusalém no ano 70 d.C. [Me desculpem, mas: “Romanos; Gregos – foram contra o povo judeu e etc. Mas é desses povos que: herdamos traduções dos originais perdidos, acréscimos, etc. Nas nossas Bíblias que temos hoje em dia – com Nomes e erros acrescidos desses povos… Estranho isso…”]. Anselmo Estevan. Aqui, tem tudo a ver à Estátua de “Daniel”!

3. A mensagem de esperança. O julgamento de Yaohu, que atinge tanto os judeus infiéis como as orgulhosas potências pagãs, constitui apenas um momento crítico no desdobramento e no desvendamento do plano de Yaohu. Para além dele, as perspectivas de esperança abertas pelas promessas dos profetas permanecem mais que nunca atuais. A referência do autor a essas promessas está explicitamente patente no cap. 9, que atualiza um texto de Jeremias em função das circunstancias presentes. Todos os textos sagrados que tinham valor de promessas eram sem dúvida relidos pelo autor em uma perspectiva semelhante. Mas, conduzindo até as suas últimas conseqüências um processo já desencadeado nas profecias pós-exílicas, ele transpõe as antigas promessas para um plano que ultrapassa os limites da história terrestre e do sucesso temporal. Israel é antes de tudo o depositário e o beneficiário do Reino de Yaohu, cuja vinda constitui o termo real da história humana. É nesse Reino sobre-humano e trans-histórico que desemboca a sucessão dos impérios (2,44). Sua representação sob os traços do Filho do Homem, entronizado diante de Yaohu (7,13-14), sublinha sua transcendência; mas o povo dos Santos do Altíssimo (Israel) será o seu suporte terrestre. Para estar à altura de tal vocação, este deve, no entanto sofrer uma provação que o purificará (11,35; 12,10): tal é o sentido da perseguição com a qual o judaísmo palestino está se havendo. Esta desemboca na vinda daquilo que os rabinos chamarão o mundo vindouro; tanto na visão alegórica do cap. 7 como no oráculo de 12,1-4, esse “mundo vindouro” reveste os traços de um universo transfigurado. Certos textos da escatologia pós-exílica preludiavam essa idéia (cf. Is 25,7-8; 30,26; 65,17-25; Zc 14,6). Seus dados se organizam agora em uma representação de conjunto que deixa muito para trás de si a promessa deuteronômica de uma vida pacífica na terra santa. O que se espera é a irrupção das realidades celestes já aqui.
Para atingir esse termo, Israel mesmo será submetido ao Julgamento divino: Somente o RESTO – REMANESCENTE – daqueles que “estiverem inscritos no Livro” (12,1) participará da felicidade do “mundo futuro”. Mas o princípio assim estabelecido não pode deixar de se aplicar também aos judeus que, no passado próximo, deram sua vida pela sua fé. Aqui o autor responde à questão suscitada pela experiência do martírio. Ele não se contenta em exortar seus contemporâneos a afrontar, se necessário, a morte, afirmando que Yaohu pode preserva-los dessa fornalha (3,38) e dessa cova de leões (6,22). Ele estabelece como princípio que sua potência triunfará do poder da própria Morte, naqueles que por ela foram vitimados. Sua participação imerecida na sorte comum dos homens lhes vale um lugar no mundo vindouro. Assim se afirma com nitidez, pela primeira vez no Antigo Testamento, a promessa da ressurreição individual (12,2-3). Do mesmo modo, para retomar uma representação clássica freqüentemente utilizada nos profetas e nos salmos, os Infernos (Sheol), domínio da Morte, tornam-se o Inferno, lugar da ausência de Yaohu e exclusão do mundo vindouro. O segundo livro dos Macabeus atesta que essa mensagem de esperança desempenhou um papel capital na sustentação da fé dos mártires (2Mc 7,9.11.14.23.29) – Livro apócrifo. O desenvolvimento ulterior da revelação não se contentará com ratificar essa doutrina. Ele encontrará aí um quadro bem preparado para que se tornem inteligíveis a morte e a ressurreição de Yaohushua. Daniel serve assim de um traço-de-união entre a teologia dos profetas e a mensagem do Novo Testamento.

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE DANIEL:

DANIEL
Pontos fortes e êxitos:
Apesar de jovem quando deportado, permaneceu leal à sua fé.
Serviu como conselheiro a dois reis babilônicos e dois reis medo-persas.
Era um homem de oração e um estadista com o dom da profecia.
Sobreviveu à cova dos leões.

Lições de vida:
As convicções silenciosas freqüentemente ganham respeito em longo prazo.
Não espere chegar a uma situação difícil para aprender sobre oração.
Yaohu pode usar as pessoas onde quer que estejam.

Informações essenciais:
Local: Judá e as cortes da Babilônia e da Pérsia.
Ocupação: Um cativo de Israel que se tornou conselheiro de reis.
Contemporâneos: Hananias. Misael, Azarias, Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro.

Versículo-chave: “Porquanto se acho neste Daniel um espírito excelente, e ciência, entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chama-se, por agora Daniel, e ele dará interpretação” (Dn 5,12).

A história de Daniel é narrada no livro de Daniel. Ele é também mencionado em Mateus 24,15.

SADRAQUE/MESAQUE/ABEDE-NEGO
Pontos fortes e êxitos:
Posicionaram-se a favor de Daniel, não comendo o alimento da mesa do rei.
Compartilharam uma amizade que resistiu aos testes da dificuldade do sucesso, da riqueza e da ameaça de morte.
Recusaram-se a comprometer suas convicções próprias, mesmo em face da morte.
Sobreviveram à fornalha ardente.

Lições de vida:
Existe uma grande força na amizade verdadeira.
É importante estar com aqueles que possuem convicções iguais às nossas.
Podemos confiar em Yaohu mesmo quando não é possível predizer os resultados.

Informações essenciais:
Local: Babilônia.
Ocupação: Servos e conselheiros do rei.
Contemporâneos: Daniel e Nabucodonosor.

Versículos-chave: “Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus – Yaohu, a quem servimos, é que nos pode livrar, ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3,16-18).

A história de Sadraque (Hananias), Mesaque (Misael) e Abede-Nego (Azarias) é contada no livro de Daniel.
NABUCODONOSOR
Pontos fortes e êxitos:
O maior dos reis da Babilônia.
Conhecido como um construtor de cidades.
Descrito na Bíblia como um governador estrangeiro a quem Yaohu usou para seus propósitos.

Fraquezas e erros:
Considerou-se um deus e foi persuadido a construir uma estátua de ouro que todos deviam adorar.
Tornou-se extremamente orgulhoso, o que o levou a insanidade.
Tendia a esquecer-se das demonstrações do poder de Yaohu que havia testemunhado.

Lições de vida:
A história registra as ações dos servos voluntários de Yaohu e dos que inconscientemente, foram seus instrumentos.
A grandeza de um líder é afetada pela qualidade de seus conselheiros.
O orgulho incontrolado é autodestrutivo.

Informações essenciais:
Local: Babilônia.
Ocupação: Rei.
Familiares: Pai – Nabopolassar; filho – Evil-Merodaque; neto – Belsazar.
Contemporâneos: Jeremias, Ezequiel, Daniel, Jeoaquim e Joaquim.

Versículo-chave: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus, porque todas as suas obras são verdades, e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4,37).

A história de Nabucodonosor é contada em 2 Reis 24 – 25; 2 Crônicas 36; Jeremias 21 – 52; Daniel 1 – 4.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

OSEIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Oseias.
Propósito: Mostrar que o tumulto no Reino do Norte era o justo julgamento divino que havia levado ao exílio e garantir ao povo de Yaohu que uma grande restauração aconteceria após esse período.
Data: Cerca de 760-722 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu é um marido ciumento e o seu povo é a sua esposa. (Falando humanamente). Anselmo Estevan.
Yaohu demonstra grande bondade para com o seu povo, mas este se volta contra ele.
Yaohu punirá o seu povo pelas claras violações de sua aliança.
Yaohu jamais abandonará completamente o seu povo, mas irá restaurá-lo para viver com ele as bênçãos da aliança.

Propósito e características
O livro de Oseias registra as suas experiências e palavras a serviço dos propósitos de Yaohu para Israel. O profeta explicou as razões para a derrota do Reino do Norte e deu ao povo de Yaohu esperança quanto à futura restauração.
Outros temas aparecem ao longo do livro. (1) Oseias enfatizou a singularidade da soberania (12,9; 13,4) e da santidade (11,9) de Yaohu, a quem a adoração é a única resposta apropriada (3,5); Yaohu não tolera nenhuma reivindicação rival. Todas as coisas estão sob o seu controle, seja a prosperidade (2,8), a história de Israel (5,14.15) ou das nações (10,10). (2) O tema da infidelidade conjugal/pactual – simbolizado pelo relacionamento de Oseias com a sua esposa, Gômer, e com seus filhos – domina o livro (p. ex., 2,2-5; 3,3; 4,10-19; 5,3-7; 6,10; 8,9; 9,1). (3) Oseias enfatizou o arrependimento, chamando o desobediente Israel a voltar para o ETERNO, a quem havia abandonado, e a restabelecer um relacionamento fiel com ele (2,19-20). (4) Outro tema importante trata do real significado entre conhecer ou reconhecer a Yaohu (p. ex., 2,8.20; 4,1.6; 5,4; 6,3.6; 13,4), palavras que Oseias usa como termos técnicos para intimidade, lealdade e obediência na aliança.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM OSEIAS.
(Yaohushua):

Oséias revela O UNGIDO pelo menos de quatro maneiras. Primeiro, o tema do iminente julgamento de Israel, pelas mãos dos assírios, antecipou o julgamento que viria e ainda virá em O UNGIDO. O ministério de Yaohushua fez distinção entre o justo e o injusto de Israel. Yaohushua pronunciou o julgamento sobre o povo da aliança que abertamente violou o seu relacionamento com Yaohu (Mt 23,13-39). Ainda hoje, a mensagem do evangelho separa os que serão salvos dos que serão julgados (2Co 2,16; 1Ts 5,5; 1Pe 2,9). Quando O UNGIDO retornar, o julgamento final contra todos os inimigos de Yaohu, de dentro e fora da aliança, acontecerá (Mt 25; At 24,25; Ap 14,7).
Segundo, Oseias equilibrou a sua mensagem de julgamento com a certeza da restauração depois do exílio. Esse tema apontou de maneira ainda mais direta para O UNGIDO. Oseias declarou que após um exílio, “nos últimos dias” (3,5), Yaohu perdoaria o seu povo (14,1-3), renovaria a sua aliança com ele (2,1) e lhe concederia muitas bênçãos (14,4-7). O Novo Testamento revela que um perdão como esse (Mt 26,28; Lc 24,47), a renovação da aliança (Mc 14,24; Hb 8,1-13) e as bênçãos eternas (Mt 25,46; Jo 10,28; Ef 1,14; 2Tm 2,10) cumpririam-se em O UNGIDO (At 2,17; 2Tm 3,1; Hb 1,2; Tg 5,3; 2Pe 3,3). Paulo e Pedro citaram Os 1,9-10 como tendo se cumprido em O UNGIDO, por meio da incorporação dos gentios – que estavam sob a maldição do exílio (Rm 9,25-26; 1Pe 2,10) –, ao povo de Yaohu junto com os judeus.
Terceiro, a experiência de casamento, divórcio e novo casamento de Oseias (caps. 1 – 3) previu O UNGIDO ao fazer o paralelo da experiência de Yaohu com o seu povo da aliança. O retrato de Israel como a noiva do ETERNO é o pano de fundo que o apóstolo Paulo usou ao referir-se à Igreja como a noiva de O UNGIDO (Ef 5,23-32; cf. Ap 19,7). A igreja tem a mesma posição no pacto de relacionamento com Yaohu que Israel tinha. As bênçãos, os julgamentos, os privilégios e as responsabilidades do antigo Israel anteciparam o que foi, está e será realizado em O UNGIDO.
Finalmente, como um tema menor, Oseias incluiu o restabelecimento do trono de Davi na sua visão da restauração após o exílio (1,10-11; 3,5). Essa esperança era totalmente messiânica, uma profecia de que o grande Filho de Davi governaria sobre todo o seu povo. O Novo Testamento ensina que Yaohushua cumpriu essa esperança; ele é o Rei dos reis e ETERNO dos ETERNOS (1Tm 6,15; Ap 19,16).

OSEIAS: O livro de Oseias é o primeiro da coleção dos doze profetas tanto na seqüência dos livros hebraicos (seqüência retomada pela versão latina “Vulgata”) como na seqüência dos livros da antiga versão grega dos “Setenta” (Septuaginta). Oseias é certamente um dos mais antigos dos profetas “escritores” – isto é, daqueles cujo nome se prende a determinado livro –, um pouco posterior apenas ao profeta Amós. Oseias viveu e pregou no reino do Norte, dito “de Israel” (que ele também chama Jacó, 12,3; e, mais freqüentemente ainda, Efraim, 4,17), por volta de 750-725 a.C. O primeiro versículo do livro menciona um só rei de Israel: Jeroboão, filho de Joás. Esse Jeroboão, o Segundo, teve um longo e próspero reinado, mas foi o penúltimo rei da dinastia de Iehu, cuja próxima extinção Oseias anunciou em 1,4 (em 2Rs 14,13 – 17,23 encontramos notícias dos reinados durante os quais se exerceu a atividade de Oseias), Zacarias, filho de Jeroboão II, foi assassinado após seis meses de reinado, mas Shalum, o usurpador, só se manteve um mês no trono da Samaria, onde, por sua vez, foi morto por Menahêm. Este reinou por mais tempo e seu filho Peqahiá lhe sucedeu, mas também foi assassinado após dois anos de reinado. O novo usurpador, Péqah, foi morto alguns anos mais tarde por Oseias, portador do mesmo nome do profeta, e último rei de Israel: após um cerco de três anos, a tomada de Samaria pelos assírios acarretou em 721 ou 722 a ruína definitiva do reino do Norte.
Ora, o primeiro versículo do livro de Oseias menciona vários reis de Judá, o reino do Sul, contemporâneos das reviravoltas dinásticas que Israel experimentou; o último mencionado, Ezequias, reinou mesmo após a destruição de Samaria.
Doutro lado, existem no livro de Oseias, especialmente no capítulo 7, alusões ao conturbado período que se seguiu ao reinado de Jeroboão II e às revoluções palacianas que o caracterizaram. Por conseguinte, as indicações cronológicas inseridas no início do livro são posteriores ao desastroso fim do reino do Norte; não há indício seguro de que Oseias tenha sabido da queda de Samaria; é provável que tais indicações sejam devidas a um redator de Judá, que as acrescentou no momento em que as palavras de Oseias foram recolhidas num único livro. Se tal redator guardou silêncio a respeito dos monarcas que, em Israel, reinaram após Jeroboão II, não o terá feito em consonância com o juízo proferido pelo profeta em nome de Yaohu: “Instituíram reis sem mim” (8,4)? São usurpadores, não reis legítimos cujos nomes mereçam passar para a posteridade.
Situação histórica. A instável situação da política interna do reino do Norte corresponde às condições precárias da situação da política externa. A Assíria estava prestes a assumir a hegemonia no Oriente Médio. Tiglat-Piléser III e seus sucessores, Salmanasar V e Sargon II, foram levados a multiplicar as campanhas militares no Ocidente: os reinos arameus da Síria, as cidades da Fenícia, o reino de Israel, as cidades filistéias sofreram as conseqüências dessa expansão. O reino de Judá não ficou isento de perturbações (temos eco desse drama nos mais antigos oráculos do livro de Isaías, contemporâneo de Oseias); todavia Judá sobreviveu mais de um século a seu irmão inimigo do Norte. Na mesma época, a outra grande potência do Oriente Médio, o Egito, estava debilitada, mas fomentava desordens nas regiões que a Assíria ia subjugando. O livro de Oseias mostra-nos Efraim-Israel em constante oscilação entre as duas potências (7,11), fazendo um jogo cujo trágico resultado não escapa ao olhar lúcido do profeta: seria, em prazo mais ou menos curto, a queda sob o avanço arrasador dos assírios, com a repressão, a deportação das elites – políticas mediante a qual os conquistadores queriam garantir a sujeição definitiva das terras ocupadas (8,8); e a fuga ao Egito, para os que conseguissem escapar (9,6).

Contexto religioso e moral. A política externa e interna não era o único objeto das críticas do profeta e das sentenças que ele proferia em nome do seu Deus – Yaohu. Ele denunciou em Israel uma corrupção moral profunda (4,1-2; 6,7-10; 7,1), a falta absoluta de justiça social, a responsabilidade culposa das elites. Principalmente na infidelidade religiosa. Oseias vê a raiz de todas as outras formas de corrupção e a causa de todas as desgraças. Oseias não foi o primeiro profeta em Israel a se insurgir contra a infidelidade religiosa, reivindicando a pureza e o absoluto das exigências do ETERNO, o Deus que fizera Israel sair do Egito e que não tolerava repartir seu culto com outros deuses. Mas talvez a situação que Oseias teve de enfrentar fosse menos nítida, talvez a sedução do sincretismo fosse mais dissimulada e, portanto, mais perigosa do que, por exemplo, na época de Elias (cf. 1Rs 18). {Nitidamente o culto a Baal – e agora trocando o Nome do Deus Vivo “Yaohu” – para SENHOR = BAAL. Anselmo Estevan.}.
O mais grosseiro fascínio era o dos deuses de Canaã. Era tentador adotar, não necessariamente no lugar, mas ao lado do ETERNO, divindades cananéias, consideradas de modo geral como as provedoras das necessidades da vida camponesa: eram deuses das forças da natureza, das chuvas, das tempestades, da fertilidade do solo. Os israelitas podiam querer conciliar os favores dos deuses de Canaã, tomando assim todas as cautelas para sobreviver bem, sem abandonar a Yaohu – o Deus dos pais. Aliás, este sincretismo religioso devia ser facilitado pelo fato de que, para alguns israelitas, não era senão o retorno a antigos costumes até certo ponto abandonados por ocasião da aliança de Siquém (Js 24). À sedução dos lugares altos (4,12s.) Oseias opõe corajosamente a sedução que o ETERNO há de exercer em relação ao seu povo (2,16-25). De resto, o profeta vai muito longe nessa tática, voltando contra os partidários da religião Cananéia os seus próprios argumentos: não é o ETERNO mesmo, e não os deuses de Canaã, que assegura ao seu povo a fertilidade do solo (2,7-11.23-25; 14,6-9)?

O casamento do profeta. A audácia do profeta Oseias tem algo de surpreendente. Ele realiza simbolicamente na sua própria vida as relações entre o ETERNO e o povo infiel. Ele se põe, por assim dizer, no lugar de Yaohu, toma a si os sentimentos que o ETERNO parece experimentar; é digno de nota que no livro de Oseias o ETERNO fale freqüentemente na primeira pessoa. O casamento de Oseias (nos três primeiro capítulos do livro) sempre foi um dos pontos mais controvertidos da exegese bíblica. Verdade é – voltaremos a isto – que o aspecto anedótico aí tem pouca importância em relação à mensagem do profeta. Todavia não se deve deixar de levar em consideração uma possível experiência dramática de Oseias em sua vida matrimonial; nem é provável que se trate uma simples imagem literária. Observaremos nas notas que, se os filhos de Oseias têm nomes simbólicos, o mesmo não de dá com Gômer; se se tratasse de pura e simples ficção, a mulher de Oseias é que deveria ser mais marcada, até em seu nome, pelos traços da alegoria. O casamento de Oseias, sem ser uma ficção, é um símbolo; por isso, é quase impossível, encontrar o elemento factual por trás da narrativa – e seria também inútil. Trata-se, antes, de uma ação profética, à semelhança dos gestos realizados pelos profetas (cf. Ez 20,1-6; At 21,10-14), cujo significado é transmitido pelo próprio gesto; aliás, todo o livro de Oseias é um comentário da ação profética dos capítulos 1 – 3. Os comentadores têm discutido muito a respeito de Os 3: apresenta novo casamento, com outra mulher que não Gômer? (A respeito veja-se a nota relativa a 3,1, que aborda a dificuldade de tradução no caso.). Parece mais verossímil que Os 3 se refira a Gômer ressaltando a intensificação do amor de Oseias por Gômer, isto é, do amor do ETERNO para com o seu povo. Oseias sabe que Gômer é infiel, e, podemos dizer, desesperadamente infiel. A expressão insólita “mulher de prostituição” já é simbólica, mas é bem provável que Gômer estivesse envolvida nos cultos de fertilidade de origem Cananéia e que tomasse parte na sua liturgia sensual (ver o que sugerem passagens como Os 2,4.15; 4,13-14). Esposar tal mulher já era um gesto insensato… Tão insensato quanto o amor do ETERNO por seu povo. Voltar a procura-la e preservar a união com ela, sem que houvesse reciprocidade nesse amor, devia ser um extraordinário aprofundamento de tal amor. Só a experiência de um isolamento total – inclusive com relação ao marido – poderia levar Gômer à reflexão e à conversão; da mesma forma, só a experiência de um despojamento total dos próprios bens – inclusive dos bens religiosos ou do relacionamento com Yaohu – poderia induzir Israel ao retorno a si mesmo e ao retorno ao seu Yaohu. Ao mesmo tempo, porém, Os 3 manifesta o apego de Oseias a Gômer até mesmo quando esta se tornou infiel, e porque ela se fez infiel! Manifesta a fidelidade do ETERNO ao seu povo até mesmo no pecado e apesar do pecado, do qual Israel não se podia livrar: na verdade, só o amor de Yaohu a Israel podia livra-lo do pecado. Assim há no livro de Oseias, ou na extravagante aventura de sua vida conjugal, uma experiência que esclareceu ao homem o que pode ser o coração de Yaohu: O que, na plenitude dos tempos, seria formulado para os Remanescentes pelo Apóstolo: “Sim, quando ainda estávamos sem força, O UNGIDO, no tempo determinado, morreu em prol de ímpios. Dificilmente alguém se disporia a morrer por um justo; talvez aceitasse morrer por um homem de bem. Mas nisto Yaohu prova o seu amor para conosco: O UNGIDO morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,6-8). Amando Gômer tal como era, Oseias compreendeu e soube exprimir o amor do ETERNO para com seu povo tal como era. É por isso que no livro de Oseias o amor prepondera sobre a indignação e a cólera; todavia não se trata de amor idílico e ignorante, e sim de amor amadurecido pelo sofrimento, cuja exigência não reconhece o fracasso.

O Deus – Yaohu – de Israel e os baalim. Se Oseias reivindica para o ETERNO, e só para Ele, os privilégios geralmente atribuídos aos deuses de Canaã, não deixa de manifestar rigorosa intransigência para com o vocabulário e os símbolos da religião Cananéia, e não apenas para com as práticas da mesma. Verdade é que o profeta pode valer-se da semelhança de certas palavras (ver principalmente a nota a 14,9): contudo ele o faz de modo velado e sutil. Em compensação, reprova sem tolerância uma prática usual: a palavra Baal, Senhor, era o nome próprio de uma divindade de Canaã; era também o nome pelo qual a mulher podia designar seu marido; além do que, em Israel se adotara o costume de assim designar o Senhor Deus. Ora, Oseias não quer que o nome de Baal seja sequer pronunciado (2,19), nem para designar outros deuses, nem para designar o “Senhor” (2,18). [“Obs”: Na Bíblia não católicas esses versículos estão em: Os 2,13-17]. Anselmo Estevan. Provavelmente há algo de análogo na total rejeição das imagens e dos ídolos. Sem dúvida, os devotos poderiam ver nessas imagens não um deus propriamente dito, mas um símbolo da divindade: assim os jovens touros dos santuários do Norte (que Oseias zombeteiramente chama bezerros) foram concebidos como símbolos e não como representações da divindade; em Canaã esculpiam-se representações de deuses sob forma humana de pé sobre um animal; representando este apenas o suporte da divindade (ela mesma invisível), poderiam os fiéis julgar que estavam guardando o respeito devido à transcendência do ETERNO e, ao mesmo tempo, falando aos homens uma linguagem religiosa que pudessem compreender, pela utilização de símbolos a eles familiares. Todavia, se neste ponto o profeta se mostra de todo intransigente, isto se deve ao fato de que tal prática levara ao ecletismo (podemos comparar a esta atitude de Oseias a do Apóstolo Paulo em face das carnes imoladas aos ídolos, 1Co 8 – 10). Tal atitude contrasta vivamente com a que o profeta assume em outras passagens, pois, como dissemos, ele apresenta com convicção o ETERNO como o verdadeiro Deus – Yaohu, do qual se deve esperar a fertilidade da terra; contudo, o faz de maneira velada e prudente (14,9), tomando cuidado para não reduzir o ETERNO a uma das forças cegas da natureza (Oseias respeita o curso normal dos acontecimentos da natureza, como se depreende de uma leitura atenta de 2,23-24). Em todo caso, contraste não é contradição; é mesmo um modo de exprimir matizes em linguagem colorida e veemente. Oseias não tenciona banir o “Senhor” da linguagem e do pensamento religioso dos homens, mas quer que a religião esteja isenta de qualquer forma de meio-termo (sincretismo, ecletismo). {O certo, seria: “NÃO DEIXAREM DE PRONUNCIAR O NOME PRÓPRIO DO DEUS VIVO – POR SER UM NOME TÃO TEMEROSO, ETC. NÃO ACONTECERIA, DE FORMA ALGUMA TAL SACRILÉGIO – EU PRONUNCIO COM RESPEITO – YAOHU”.}. Anselmo Estevan. SENHOR, Senhor –, É igual a BAAL!! (O DIABO…). 2Co 4,4.
É por isso também que o profeta polemiza duramente contra a religião exterior, os sacrifícios e os ritos do culto. Ele não combate apenas às práticas suspeitas (4,12-14), mas práticas das mais tradicionais e reconhecidas. O que ele denuncia não é tanto o rito ou o sacrifício como tal, mas o espírito com o qual tais práticas religiosas são vivenciadas: a presunção de crer que a execução exata dos ritos basta para garantir para si automaticamente os favores de Yaohu. Compararemos 6,1-8 e 14,2-4. O ETERNO não se deixa iludir pelas demonstrações de uma piedade que, no momento do culto, pode ser sincera, mas que não implica a autenticidade da vida. Ele espera a expressão de um verdadeiro arrependimento e as provas de amor que coincidam com a conduta da pessoa. Ao lembrar isto, Oseias ultrapassa a polêmica negativa: Eu os curarei da sua apostasia (14,5), {nas Bíblias protestantes leia-se 14,4} Anselmo Estevan; pois não é só Yaohu que pode dar ao homem a graça de viver a verdade do amor? O texto de 2,20-22 o anuncia: à justiça e ao direito da antiga aliança o ETERNO acrescentará a feição e a ternura; ele estabelecerá com seu povo um novo tipo de relações baseadas na verdade e na fidelidade do coração, expressas pelas imagens da intimidade amorosa. O livro de Jeremias, que tanto deve a Oseias, dirá que se trata de uma aliança nova e que, para instaura-lo, Yaohu muda o coração do homem (31,31-34).
O livro de Oseias supõe uma época terrivelmente sombria. A situação moral e social é de corrupção total; a situação religiosa é de infidelidade; a situação política, para um observador lúcido, é desesperada. Sem dúvida, a mensagem do profeta está carregada de censuras e ameaças. Mas eis ainda um desses contrastes que chamam a atenção: vista em profundidade, a mensagem de Oseias é uma palavra de ternura e de esperança. As circunstâncias da história, as atitudes dos homens compõem um quadro sombrio. Mas as censuras proferidas em nome de Deus – Yaohu – especialmente veementes, por proceder de um amor decepcionado – cedem bruscamente às efusões de um amor que nada consegue desanimar, porque teve a iniciativa (9,10; 11,1) e, por isto, terá também a palavra final; esse amor não somente será mais forte do que a cólera (11,6-9), mas apagará o próprio pecado (14,5).

A formação do livro. Certamente não é por acaso que o livro termina com uma maravilhosa promessa; os seus oráculos – percebe-se – foram coletados segundo certa ordem. Mas não é fácil identificar o fio condutor dos mesmos. Com efeito, trata-se de uma coletânea de oráculos e palavras pronunciadas em circunstâncias determinadas, das quais só podemos reconhecer algumas.
Os primeiros capítulos consideram próximo o fim da dinastia de Iehu (1,4); pertencem ao início da atividade do profeta, provavelmente sob Jeroboão II. A segunda parte do cap. 5 alude a uma guerra (geralmente dita “siro-efraimita”), no decorrer da qual Judá dilatou seu território setentrional às custas de Israel (cf. 5,10). O fim do livro apresenta a ruína de Samaria como iminente, mas ainda não efetuada (13,9-14). Dentro deste quadro cronológico, que corresponde ao terceiro quarto do século VIII, as freqüentes alusões à política de balança de Israel entre o Egito e a Assíria, e principalmente as violentas censuras contra as intrigas palacianas que estão constantemente a perturbar a sucessão dinástica (cap. 7, cujo sentido geral é claro, apesar da obscuridade dos pormenores) são outros tantos indícios que levam a situar o livro dentro do período indicado. Todavia grande parte dos oráculos dizem respeito à situação moral e religiosa; de modo geral tem-se a impressão de que os mesmos temas voltam sem estrita concatenação – ainda que o capítulo final possa ser considerado auge e ponto de chegada.
É quase impossível definir com precisão o papel que o próprio Oseias desempenhou na redação dos oráculos. Observamos que principalmente nos três primeiros capítulos o tom é muito mais pessoal do que no resto do livro; é provável que tenhamos aí seções da lavra do próprio Oseias. Contudo, se quiséssemos daí extrair os elementos biográficos para reconstituir uma fase da vida do profeta e a sua psicologia profunda, correríamos o risco de não o conseguir e de passar ao largo da própria mensagem. Qualquer que tenha sido a experiência conjugal de Oséias (em particular, quer o cap. 3 se refira a segundas núpcias, quer à retomada da primeira aventura), é mais importante observar que essa experiência conjugal nos é apresentada não pelo interesse que possa ter, em si, como episódio ocorrido entre Oseias e sua mulher infiel, mas como o símbolo das relações entre o ETERNO e o povo escolhido. Os nomes dos filhos, a constante transição da segunda para a terceira pessoa e do singular para o plural, uma espécie de confusão intencional entre a mãe e os filhos envolvidos nas mesmas censuras, tudo nos dá a ver que o que nos é narrado dessa história pungente não se destina a satisfazer nossa curiosidade, mas “a nos instruir” (1Co 10,11; cf. Os 14,10). Aliás, já se disse que o primeiro versículo do livro foi provavelmente escrito em Judá após a queda da Samaria. No restante do livro encontram-se outros indícios de redação na Judéia (veja 1,7 e nota); os comentadores mostraram assim como palavras inspiradas em vista da situação especial do reino do Norte podiam ser aplicadas ao reino do Sul – o que não quer dizer que todas as passagens em que é mencionado Judá sejam de um redator da Judéia. Ainda o último versículo do livro, reflexão sobre o conjunto da mensagem do profeta, tal como foi consignado por escrito, é também provavelmente obra de um redator. Estas observações de crítica literária não têm apenas interesse técnico: acrescentando ao texto elementos redacionais, os escritores bíblicos mostraram a atualidade sempre viva da Palavra de Yaohu, para além das circunstâncias históricas precisas que suscitaram a primeira redação.
Embora Oseias tenha tido exígua participação na redação escrita dos seus oráculos, podemos admitir que estes tenham sido fielmente consignados: as características muito pessoais da linguagem e do estilo dão válido testemunho disto. O estilo é passional, veemente, a linguagem é forte e sonora. Mas é linguagem freqüentemente difícil, estilo, não raro, obscuro, principalmente por causa da concisão (que também lhe confere beleza). As frases são curtas e ritmadas, mas a brevidade da expressão, as construções sintéticas, a falta de coordenação, tudo o que contribui para dar à obra aspecto de poesia encantadora, faz do livro de Oseias um dos mais difíceis do Antigo Testamento hebraico, e, por conseguinte, um daqueles cujo texto foi mais submetido à crítica conjetural.

A influência do livro. A influência do livro de Oseias foi profunda através de toda a Bíblia. Jeremias é, sem dúvida, no Antigo Testamento, aquele que mais a experimentou. Retomou o tema da volta ao deserto (Jr 2,2s. e Os 2,17), e desenvolveu o da nova aliança. A imagem do livro de Oseias que mais repercussão teve é o das núpcias, significando as relações entre Yaohu e seu povo, associando-se-lhe os temas da infidelidade, do adultério e da prostituição. Encontramos tal imagem em Jeremias (2,23s.; 3,1; 30,14; 31 – 32), em Ezequiel (16 e 23), no Segundo Isaías (50,1; 54,4-7; 62,4s.); talvez seja ela a chave de interpretação do Cântico dos Cânticos. Em todo o caso, é mediante a imagem das núpcias que o Novo Testamento simboliza a união entre O UNGIDO e a Igreja, assim como no Antigo Testamento essa imagem simbolizava a união entre o ETERNO e o seu povo (Mc 2,19s.; Ef 5,25…). O Novo Testamento cita dezessete vezes o livro de Oseias, mas a sua influência não pode ser avaliada apenas pelo retorno das mesmas imagens e pelo número de referências explícitas. A teologia do livro de Oseias é a teologia do amor de Yaohu. Este amor se exprime pela solicitude e ternura na imagem do amor do pai para com seu filho; utiliza a linguagem da paixão humana na imagem do amor do homem e da mulher. Já que Oseias teve a audácia de dize-lo, é preciso que o digamos com ele: o ETERNO é um Deus apaixonado – Yaohu; fala do seu desejo, da sua decepção, da sua indignação, da sua cólera – e também da sua ternura, sempre a mais forte, pois a última palavra não pertence à cólera e à punição, mas, para lá da inevitável provação, à felicidade numa união para sempre fiel. Trata-se de uma ternura que é o contrário da fraqueza: é força de Yaohu, capaz de transformar o coração do homem e de fazer desaparecer até a recordação do pecado. Mais: Yaohu não espera o retorno do pecador para ir-lhe ao encontro. Assim o livro de Oseias vai ao que há de mais profundo na teologia e na piedade, pois, revelando a ternura de Yaohu, revela Yaohu tal como Ele é: Amor. Se esta palavra aí não aparece tão claramente quanto em João, não obstante a revelação do amor, no livro de Oseias, não pode ser posta em dúvida.
Visto que vai ao essencial, pela profundidade e a veemência da sua mensagem, o livro de Oseias é, hoje como ontem, uma palavra dirigida por Yaohu ao seu povo e à sua Igreja. O último versículo do livro convida o leitor a estar atento à atualidade da palavra de Yaohu: “Quem é bastante inteligente para compreender…?” ou, dirá Yaohushua: “Quem tem ouvidos para ouvir…?” Assim a revelação bíblica, tão inserida nas circunstâncias da história, é, para todos aqueles que a ouvem, para todos os que abrem este livro, uma palavra de Yaohu. Ao seu Povo, à sua Igreja, o ETERNO dirige hoje por Oseias uma palavra que é, simultaneamente, de censura e de ternura, de rigor e de amor. O amor de Yaohu faz esta exigência: Afastai de vós toda injustiça, preservai-vos do Logro dos ídolos – exigência absoluta, inapelável. Esta exigência, porém, é a do amor na verdade: Se Yaohu quer habitar, sem parceiro, no coração do homem, isto se explica porque, na realidade, ele não tem par; os ídolos nada são, e o socorro que vem tão-somente do homem é ilusório para aqueles que Yaohu escolheu; exclusivamente do ETERNO procedem a felicidade e a vida. É com estas palavras que se encerra o livro de Oseias, palavras que fundamentam a esperança da fé. Sem dúvida, o livro de Oseias não contém toda a revelação bíblica, mas vai tão longe e tão fundo que o povo de Yaohu até hoje não o pode ler sem estremecer de esperança e sem se interrogar a respeito da pureza da fé.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

JOEL

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Joel.
Propósito: Chamar o povo de Yaohu ao arrependimento para que possa escapar do juízo e desfrutar das bênçãos trazidas com a chegada do Dia do ETERNO.
Data: Desconhecida.
Verdades fundamentais:
Os juízos temporários e históricos chamam ao arrependimento.
Os juízos temporários indicam a importância do arrependimento para o grande Dia do ETERNO.
Ao povo arrependido Yaohu promete livramento do juízo e infindáveis bênçãos no futuro.

Propósito e características
Embora a unidade do livro tenha sido questionada pelos críticos do final do século 19 e início do século 20 (eles achavam que autores distintos haviam escrito a seção contemporânea [1,1 – 2,17] e a futurista [2,18 – 3,21] do livro), a maioria dos comentaristas atuais defende a sua unidade essencial. Características como a repetição do tema o “Dia do ETERNO” (1,15; 2,1.11.31; 3,14) e os elos verbais entre as seções (p. ex., 2,2 e 2,31; 2,10-11 e 3,16; 2,10 e 3,15; 2,11 e 31; 2,17 e 3,17) apontam para essa unidade.
Um tema teológico central no livro de Joel é o conceito do “Dia do ETERNO”. Em 1,15 o Dia do ETERNO é apresentado no contexto da descrição que Joel faz da terrível devastação que, segundo ele acreditava, prenunciava um juízo futuro ainda maior. Desse modo, nesse primeiro exemplo, tal como Amós (Am 5,18-20; cf. Sf 1,7-13), Joel declara que o Dia do ETERNO é um dia de julgamento contra o próprio povo de Yaohu. Do mesmo modo, Joel descreve no cap. 2 o Dia do ETERNO como um dia “terrível” (2,11), “dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão” (2,2), um dia em que o ETERNO liderará o seu exército contra Israel. Contudo, na segunda parte do livro, Joel concentra-se no Dia do ETERNO como um dia de julgamento dos inimigos do povo de Yaohu, enquanto o povo de Yaohu será protegido e abençoado (Is 13; Jr 46 – 51; Ez 25 – 32).

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM JOEL.
(Yaohushua):

O livro de Joel tem ocupado um lugar importante na vida da Igreja. O Novo Testamento deixa claro que Yaohushua e seus seguidores estavam familiarizados com os escritos de Joel, e sua influência está mais evidente nas passagens do Novo Testamento que falam dos últimos dias. Essas passagens baseiam-se nas imagens vívidas usadas por Joel para descrever o Dia do ETERNO e a praga dos gafanhotos (p. ex., Mc 13,24; Lc 21,25; Ap 6,9; 9,2). De igual importância são as promessas encontradas em 2,28-32, citadas por Pedro e consideradas como cumpridas durante o acontecimento do Pentecostes (At 2,16-21). Paulo também fez referências a essa profecia em Rm 10,13, onde usou Jl 2,32 para embasar seu argumento de que “não há distinção entre judeu e grego” (Rm 10,12). A salvação é para todos, como declarou o profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do ETERNO – Yaohu – será salvo” (2,32).
A Igreja continua a considerar o ensinamento de Joel sobre o Dia do ETERNO como uma importante fonte de esperança e conforto, por um lado, e uma palavra de advertência, por outro. Em momentos de aflição e desespero, os Remanescentes têm considerado consoladoras e inspiradoras as promessas em relação à bênção, à proteção e à defesa da comunidade da aliança do ETERNO. Ao mesmo tempo, a vívida descrição que Joel faz dos terríveis aspectos do Dia do ETERNO tem servido como um lembrete da santidade e do julgamento de Yaohu como um chamado contínuo ao arrependimento pleno e à santidade de vida. Por fim, o grande Dia do ETERNO é o dia da volta de O UNGIDO, o dia em que ele julgará o mundo inteiro, lançando seus inimigos no inferno e abençoando os Remanescentes com uma herança eterna nos novos céus e na nova terra.

Veja as referências de Joel 2,32, e o estudo desse versículo (Bíblia de estudo de Genebra. Edição Revista e ampliada pág. 1.135).:

– Referências: ([d] todo aquele que invocar o nome de Yaohu será salvo; porque, Jr 33,3; At 2,21; Rm 10,13; [e] no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o ETERNO prometeu; e, Is 46,13; {Rm 11,26}; [f] entre os sobreviventes, aqueles que o ETERNO chamar! Is 11; Jr 31,7; {Mq 4,7}; Rm 9,27.).

– Estudo: 2,32 Invocar o nome de “Yaohu”. Essa frase refere-se a adorar o ETERNO (Gn 12,8), especialmente para fazer O SEU NOME CONHECIDO POR AQUELES QUE NÃO O CONHECEM OU QUE SE OPÕEM A ELE (1Rs 18,24; Sl 105,1; Is 12,4; Jr 10,25; Zc 13,9). Sobrevivente. Os chamados pelo ETERNO que responderam com fé. (ASSIM, YAOHU GUARDOU PARA SI, NA PERIGOSA ÉPOCA DE ACABE, SETE MIL HOMENS QUE NÃO TINHAM DOBRADO OS JOELHOS A BAAL – 1Rs 19,18; Rm 11,4). Confissão Belga. ARTIGO 27, pág. 1.756 – “Westminster”.

“Seja você, que está lendo esta apostila, agora, participante do grupo dos SETE MIL que não dobraram os joelhos… Receba, conheça, fale do Nome de Deus. Pois como disse Joel: Todo aquele que invocar o seu nome será salvo – YAOHU!”.

Esse é o meu propósito que todos conheçam, e, glorifique, novamente, o seu Nome Sagrado – Yaohu. Amém. Anselmo Estevan.

JOEL: Um livro enigmático. O historiador da literatura bíblica, desejoso de elucidar o quadro humano da Revelação e de melhor conhecer as circunstâncias particulares nas quais ela foi elaborada, vê-se obrigado, no caso de Joel, a contentar-se com hipóteses, nenhuma unanimemente sufragada pelos estudiosos. As hipóteses dizem respeito à estrutura do livro, à sua inserção na vida do povo eleito (em outros termos: ao gênero literário), à pessoa do autor e à data.
a) A estrutura do livro. Foram propostas várias maneiras de concatenar os quatro capítulos do livro. Alguns exegetas, dividindo o volume em duas partes, julgam poder descobrir nos dois primeiros capítulos um plano coerente que lhe daria o cunho de obra literária mais ou menos unitária; seria uma espécie de liturgia ou de cantata, apresentando a descrição de um flagelo, o apelo premente dirigido às diversas camadas da população para celebrar ritos de humilhação diante de Yaohu e finalmente o anúncio da graça. Os capítulos 3 e 4 compreenderiam uma série de oráculos mais tardios, independentes uns dos outros e redigidos em estilo precursor dos “apocalipses” posteriores. Esta hipótese, se bem que sedutora, não satisfaz a todos os exegetas. Observam especialmente que a coesão intrínseca dos dois primeiros capítulos está longe de ser evidente: encontra-se aí três ou quatro descrições discordantes do flagelo (1,4.5-12.15-20; 2,1-11); o apelo ao jejum aparece duas vezes em lugares diferentes (1,13-14 e 2,15-17) e é como que suplantado por um apelo ao genuíno arrependimento, que não é o rito de humilhação (2,12-14). Verificando a falta de concatenação lógica ou litúrgica dos diversos elementos, esses exegetas consideram os dois primeiros capítulos, a exemplo dos dois últimos, uma coleção de oráculos primitivamente avulsos. Aliás, o leitor notará que a disposição geral desses textos todos segue um esquema usual na literatura profética: começa por uma série de oráculos, principalmente de desgraça, mas também de salvação, para o povo de Yaohu (1,2 – 3,5); continua com oráculos contra as nações estrangeiras (4,1-17) e termina com um oráculo de salvação para Judá (4,18-21).
b) A inserção na vida do povo eleito. Alguns julgam que, nos dois primeiros capítulos do livro de Joel, o profeta descreve um acontecimento real: invasão de gafanhotos que, como uma nuvem, escurecem o céu, abatem-se sobre a terra e destroem a vegetação. Diante de tal desastre, o profeta teria convidado os habitantes de Judá a observar um dia de luto e celebrar os ritos de um jejum nacional; esses capítulos constituiriam uma espécie de liturgia utilizada por ocasião dessas cerimônias ou, ao menos, seriam amplamente inspirados pela liturgia. Mas esta hipótese não obtém a unanimidade dos especialistas. Sem insistir no fato de que o desenrolar litúrgico da alegada cerimônia pouco aparece no texto, verificam que o flagelo não parece identificar-se apenas com uma invasão de gafanhotos: trata-se também de uma seca, de violento incêndio, de invasão militar e, principalmente, do “Dia do ETERNO”. Além disso, não é certo que o profeta esteja descrevendo um acontecimento atual, um fato concreto ao qual teria assistido pessoalmente como testemunha ocular; tem-se, antes, a impressão de que ele tenciona evocar o flagelo, a catástrofe, a provação por excelência, e que ele cria o acontecimento aos poucos pelo poder evocativo da sua palavra, como ocorre evidentemente nos capítulos 3 e 4. Quem olha de mais perto verifica que a aparente diferença de estilo entre as duas partes do livro se apaga sempre mais e se impressiona com o dinamismo desse profeta, que, pelo poder da sua palavra, desfaz e refaz o mundo.
c) A pessoa do profeta é desconhecida. É introduzido em 1,1 como “filho de Petuel”, mas esta informação é muito lacônica. Os exegetas que admitem que a primeira parte do livro constitui, ou imita, uma liturgia utilizada no templo, julgam que Joel era um dos profetas adidos ao santuário, ou seja, um profeta “oficial” ou “cultual”; seria uma espécie de cantor inspirado que exercia um ministério litúrgico no quadro do culto oficial. Outros, realçando as incoerências que pensam poder apontar no texto, estimam que o nome “Joel” não designa propriamente um profeta individual, mas um grupo de profetas. Outros ainda, insistindo no fato de que não dispomos de critérios para atribuir as duas partes do livro a autores diferentes, renunciam a qualquer tentativa de identificar a pessoa do profeta. Como quer que seja, convém realçar a beleza poética e a profundidade religiosa desses quatro capítulos.
d) A data do livro é uma das questões mais controvertidas. Pode-se observar o seguinte: o silêncio a respeito do rei de Jerusalém, a índole “apocalíptica” de tal ou tal passagem levaram numerosos exegetas a propor uma data posterior ao exílio para os quatro capítulos. Mas estes dados não são dirimentes; antes, o estilo vigoroso, muitas vezes incisivo, e o hebraico vivo, que nada perdeu da sua vitalidade, militam em favor de uma data pré-exilica. Analisando-se o vocabulário e o pensamento do autor, descobre-se grande parentesco com os teólogos do fim do século VII e do começo do século VI: os autores anônimos do Deuteronômio, de Jeremias, de Sofonias. Os dois primeiros capítulos não contêm nenhuma alusão histórica precisa e verificável. No cap. 3, alguns intérpretes consideram o v. 4 como a descrição de um eclipse total do sol; ora, segundo os astrônomos, a Palestina foi afetada por um acontecimento desses em 1130 e, depois, em 357 e 336 a.C. Ora nenhuma destas datas é aceita por todos os exegetas: a primeira, porque dataria o livro da época de Josué e dos Juízes; as duas outras, porque lingüisticamente improváveis. Além do mais, o versículo citado não fala de mero eclipse do sol, mas de catástrofe global, da qual o escurecimento do sol é apenas um elemento (cf. também 4,15-16). O cap. 4 ao contrário, traz alusões históricas precisas, que, embora de interpretação controvertida, parecem levar-nos ao século VII ou, a rigor, ao século VI a.C.
Em conclusão, o historiador vê-se obrigado a confessar a sua perplexidade diante de um texto que os métodos literários e históricos não chegam a explicar de maneira plenamente satisfatória. Isto quer dizer que tal texto transmite uma mensagem que é preciso tentar entender em sua dimensão supratemporal, fazendo abstração da circunstância concreta que o ocasionou (cf. 1,2.3).

Mensagem clara. Apesar das dificuldades da abordagem literária, a mensagem do profeta se deduz com clareza dos oráculos. Desdobra-se em dois grandes temas intimamente ligados entre si: o tema do despojamento total do homem como condição de salvação, e o tema do “Dia do ETERNO”. Estes dois temas se entrelaçam constantemente; formam um todo compacto; um não é se não o reverso do outro.
A menção do “Dia do ETERNO” encontra-se em cada um dos quatro capítulos (cf. 1,15; 2,1-2; 3,4; 4,14). É mais do que um simples “dia”: é uma grandeza temporal e, também, espacial, de certo modo personificada, um monstro aterrador que é como que a condensação de uma força incomensurável, de uma energia radicalmente incomparável e diferente, de uma energia que só pode ser descrita na linguagem inadequada derivada das catástrofes naturais ou de uma guerra mortífera, de uma energia que, em relação à luz terrestre, é apenas trevas; sobrevindo, ela aniquilará toda vida e abalará os astros; a sua manifestação implicará a condenação de tudo o que presume opor-se ao ETERNO DO UNIVERSO.
Para o homem, esse Dia é sinônimo de despojamento total, despojamento que o profeta não se cansa de circunscrever com o auxílio de um repertório inesgotável de imagens: por exemplo, a essa energia, assemelhada a enxames de insetos, nada pode resistir (1,4); tudo o que é delicioso, ou simplesmente necessário à vida, é eliminado, devastado, ressequido, convertido em deserto, reduzido a pedaços, estiolado, murchado, exaurido…; as pessoas se tornam confusas e desoladas, a alegria se esvai (cf. 1,5-20). No cap. 2, o despojamento é provocado por um exército misterioso e onipresente que, cercado de fogo devastador, enche as cidades e as casas. Mais adiante, no cap. 3, aparece como uma reviravolta total tanto interior como exterior: o Rúkha – Yaohu elimina e suplanta as faculdades sensoriais normais: todos os homens se comportam como loucos, e o universo se transforma em teatro de uma série de prodígios que o reduzem a estado caótico. No último capítulo, o despojamento dos homens toma principalmente a forma de julgamento universal.
Segundo a mente do profeta, esse despojamento total é a condição de uma “volta” igualmente total, de uma conversão que não consiste apenas em ritos – formas exteriores de um processo interior (1,13-14 e 2,15-17) – mas principalmente numa nova orientação da pessoa inteira (2,12-14). Em 3,5, a conversão é resumida na expressão “INVOCAR O NOME DE Yaohu”; acrescenta-se que, para ser eficaz, ela supõe a eleição divina: SÓ SOBREVIVERÃO AO DESPOJAMENTO RADICAL AQUELES QUE O ETERNO TIVER “CHAMADO”. Despojando de tudo, resta ao homem entregar-se a Yaohu; ele só pode contar com a graça; já não pode senão dizer: Talvez ele ainda se arrependa (2,14).
A este homem despojado e arrependido, os três oráculos de salvação que perpassam o livro (2,18-27; 3,5; 4,18-21), anunciam uma existência inteiramente renovada caracterizada pela maravilhosa abundância propiciada pela presença criadora de Yaohu (2,21). Notemos, porém, que a abundância não é uma finalidade em si; com efeito, o essencial reside na certeza, dada ao povo já irrevogavelmente ligado a Yaohu, de conhecer o ETERNO (2,27; 4,17).
Ao interpretar a efusão do RÚKHA hol – RODSHUA em PENTECOSTES mediante termos derivados, antes do mais, de Joel (At 2,17-24; cf. Jl 3,1-5), o apóstolo Pedro e o evangelista Lucas com ele atestam que esse despojamento e essa reviravolta, prelúdio e momento decisivo da experiência salutar, realizam-se, e devem realizar-se, na existência “Remanescente”. É o Rúkha hol – Rodshua que, para o Remanescente e no coração deste, efetua esse despojamento e suscita nele o conhecimento de Yaohu!

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

AMÓS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: o profeta Amós.
Propósito: Revelar a severidade do julgamento divino por causa da infidelidade pactual em Israel e Judá e declarar a esperança de grande restauração depois da destruição e do exílio que estavam se aproximando.
Data: 760-750 a.C.
Verdades fundamentais:
Assim como as nações gentias seriam julgadas pela sua pecaminosidade, Israel e Judá seriam julgadas pelos seus pecados por meio da agressão assíria.
O pleito de Yaohu contra Israel era inegável e a causa de muitos problemas para Israel, tanto na natureza quanto na guerra.
As visões do futuro de Amós confirmaram que Samaria seria destruída pela agressão assíria.
Embora Israel e Judá fossem ser julgadas juntamente com as outras nações, após o exílio elas seriam exaltadas acima de seus vizinhos gentios.

Propósito e características
Amós desafiou vigorosamente a idolatria e a injustiça social de Israel, declarando que a adoração sincrética negava as mais básicas verdades sobre Yaohu o Deus de Israel. O ETERNO é soberano sobre tudo o que ele criou (4,13; 5,8; 9,5-6). Ele é o verdadeiro Deus – Yaohu – sobre as nações. Como tal, ele é capaz de jogar nação contra nação (1,3 – 2,3) e de julgar o povo da sua aliança por meio da agressão de outras nações (6,14). Porém, a despeito de tudo isso, ele é um Deus de amor que deseja a vida, e não a morte do seu povo (5,4).
Amós ressaltou que por Israel não ter-se arrependido, mesmo depois de ter sido julgada (4,6-11), o ETERNO faria um julgamento ainda mais severo, que terminaria em total destruição e exílio (4,12 – 5,20). Pouco depois de Amós ter previsto que Israel cairia perante o Império Assírio, suas previsões começaram a se cumprir. Sob o reinado de Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.), a Assíria ganhou poder e se expandiu para o norte e para o oeste. Judá logo se tornou um vassalo assírio. A Síria, localizada entre Israel e a Assíria, passou a fazer parte do Império Assírio (2Rs 16,7-9).

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM AMÓS.
(Yaohushua):

As profecias de Amós revelam O UNGIDO de três maneiras.
1. O tema principal de Amós – julgamento contra as nações e os infiéis de Israel e Judá – prenuncia o julgamento que vem em O UNGIDO. O Novo Testamento ensina que O UNGIDO julgará aqueles que se voltam contra Yaohu (Jo 5,21-27; Rm 2,12-16), incluindo o povo em aliança com Yaohu (Hb 10,26-30; 1Pe 4,17; Ap 2,4-5.14-16.20-23; 3,1-3.15-19). Em última análise, O UNGIDO cumpre o tema do julgamento em Amós.
2. Am 9,11-15 fala da restauração prometida a Israel e Judá após o exílio.
Seguindo o padrão estabelecido por Moisés (Lv 26; Dt 4,15-31; 28,1-68), Amós anunciou que o exílio seria seguido de um tempo de grandes bênçãos para o povo de Yaohu. Após o fracasso daqueles que retornaram à Terra Prometida em 539 a.C., essas profecias de restauração começaram a se cumprir. O Novo Testamento explica o cumprimento inicial dessas profecias de restauração por meio da entrega do Rúkha como o penhor da herança daqueles que acreditam na primeira vinda de O UNGIDO (Ef 1,14), assim como o seu cumprimento final nos novos céus e nova terra quando O UNGIDO retornar (Ap 21,1ss.).
3. Amós falou da restauração do “tabernáculo caído de Davi” – a dinastia real de Davi (9,11). Essa previsão indicou que, algum tempo após o exílio, um filho de Davi lideraria o povo de Yaohu à vitória sobre as nações (9,12) e garantiria segurança eterna para eles (9,15). Essa profecia é cumprida por Yaohushua, o filho real de Davi (Mt 1,1; Lc 1,32-33; Ap 22,16). Yaohushua subiu ao trono da casa de Davi em sua ressurreição e ascensão (At 2,25-36). Ele reina agora e promove uma guerra santa contra as nações por meio do evangelho (At 15,13-19; 1Co 15,23-25). No final, ele derrotará todos os seus inimigos e estabelecerá um reino universal quando retornar em glória (At 2,34-36; Ap 19,11-21; 21,1; 22,5).

AMÓS: O profeta e seu tempo. Amós é o primeiro entre os profetas a ter seus gestos e palavras recolhidos numa coleção particular. Antes dele, atuaram em Israel outros profetas, e deles falam sobretudo os livros de Samuel e Reis. Amós abre uma linhagem nova, o que nós chamamos de profetas escritores, porque a Bíblia conservou o eco imediato de suas intervenções em livros que levam os nomes deles. Normalmente, estes livros não são obra dos próprios profetas, mas de seus discípulos, assim como serão os evangelhos em relação à atividade e pregação de Yaohushua. Contudo há passagens – mormente aquelas em que o profeta se exprime na primeira pessoa do singular – que bem podem provir de sua pena, como o relato das cinco visões de Amós nos caps. 7, 8 e 9 de seu livro.
O nome de Amós evoca o verbo levar, em hebraico. Talvez seja uma forma abreviada de Amosiá, que quer dizer O ETERNO levou, nome com que se exprime – como muitas vezes – o reconhecimento por uma intervenção favorável do ETERNO. Amós se apresenta a si mesmo como criador de gado (cf. 7,14 e o cabeçalho do livro em 1,1). É judaíta, vivendo em Teqoa, perto de Bet-Lehem, numa região ondulada propícia à criação de gado. As numerosas imagens tiradas da vida pastoril que ilustram sua mensagem confirmam esta indicação.
A época de sua atuação é a segunda metade do séc. VIII, quando do reinado de Jeroboão II em Israel (787-747) e de Ozias em Judá (781-740), sempre segundo o cabeçalho da coletânea (1,1). Amós precede o profeta Oséias de uns dez anos.
No plano político, o reino do Norte – o das dez tribos – conhece um último momento de sossego, devido principalmente ao declínio da Síria, região vizinha, que está sendo subjugada pela expansão assíria, a leste. Jeroboão recuperou os territórios outrora habitados pelas tribos de Israel além do Jordão (2Rs 14,25), em vitórias que suscitavam sonhos de grandeza (ver Am 6,13-14). A tranqüilidade parece definitivamente garantida (6,1-3), enquanto na realidade uma ameaça mortal paira sobre Israel: os exércitos assírios aproximam-se sempre mais da Palestina. No plano econômico, os intercâmbios comerciais com os estrangeiros trazem alguma prosperidade ao país, mas acentuamos desequilíbrios sociais entre pobres e ricos.
Na Samaria, especificamente, ostenta-se o luxo e floresce o que se pode chamar o esnobismo dos novos ricos (6,4-7; 3,12). A antiga solidariedade que unia os membros do povo da aliança cedeu o lugar à explosão dos pequenos pelos poderosos, encoberta pelos julgamentos iníquos dos tribunais (2,6-7; 4,1; 5,7). No plano religioso, o próprio culto se realiza em cerimônias esplendorosas, dos quais o povo todo se gloria, mas que provocam críticas severíssimas de Amós (4,4-5; 5,4-5.21-27).
A missão de Amós se caracteriza por um alcance “ecumênico” peculiar: originário do reino de Judá, recebe ordem de pregar para o reino de Israel (ver 7,15 e 1,1). Considerando a divisão dos Remanescentes hoje, poderíamos comparar Amós a um pregador que Yaohu mandasse de uma tradição confessional para outra. Sua vinda ao reino do Norte é sinal de unidade: Israel, por mais que esteja dividido no plano político e mesmo religioso, continua sendo um só povo aos olhos do ETERNO, que o elegeu e que vai pedir-lhe contas. Amós profetiza provavelmente em Betel, o principal santuário do reino do Norte, edificado quando do cisma, para rivalizar com o de Jerusalém. Intervém por ocasião de uma das grandes festas anuais, cujas cerimônias parecem descritas em 4,4-5. Mas seus oráculos visam também a Samaria, e alguns podem ter sido pronunciados na própria capital (p. ex. 3,9-12 ou 6,1-7). À diferença dos grandes profetas que vieram depois dele, o ministério de Amós foi de curta duração, no máximo alguns meses. Foi provavelmente interrompido pelo sacerdote de Betel que denunciou Amós ao rei e o expulsou como perturbador da ordem pública (7,10-17). Talvez por opor-se a esta proibição, Amós – ou um grupo de discípulos – começou a pôr seus oráculos por escrito e a fazê-los circular entre o povo. Assim, suas palavras continuam vivas depois dele, sendo transmitidas no círculo dos ouvintes atentos à palavra do ETERNO proclamada por seu profeta. É possível que certos oráculos tenham sido ulteriormente acrescentados à coleção, com o intuito de atualizar a mensagem do profeta em circunstâncias novas, por exemplo o oráculo contra Judá (2,4-5) e talvez a promessa final (9,11-15), cuja data continua objeto de discussão.

Linguagem e mensagem. De origem camponesa, Amós não é o iletrado, inculto,ou até rústico que às vezes se pretende representar. Medita sobre os acontecimentos que marcam a vida de sua própria terra e dos povos vizinhos; já pressente a potência que vem do norte, a Assíria, que destruirá Samaria em 721 ou 722. É sensível às ameaças que vêm da terra e do céu, nas quais vê a obra de Yaohu. Seria um engano ver em Amós um pregador negligente quanto às formas de linguagem. Sabe utilizar tanto as sutilezas da sabedoria (ver 3,3-8; 5,19; 6,12) quanto a amplidão solene da liturgia (1,3 a 2,16; 4,6-13; 5,4-6.14-15), sabe manifestar o elã do lirismo (ver 4,1-2; 9,1-4) e jogar com as palavras ou usar de ironia (ver 3,12; 5,5; 6,13; 8,1). Sua linguagem impressiona sobretudo pela sobriedade: para proclamar sua mensagem bastam-lhe poucas palavras, rápidas qual o raio, destruindo ilusões como o terremoto (cuja lembrança se liga ao seu ministério: ver 1,1). Estes dons literários manifestaram-se por serem sustentados pela força e grandeza do assunto: a impenitência de Israel em face dos apelos e da fidelidade de Yaohu.
Yaohu apareceu a Amós em cinco visões, que constituem o objeto principal dos três últimos capítulos do livro. Para Amós, apegado às tradições e atento aos fatos, estas visões foram um desafio divino provocando-o à pregação. Depois de ter intercedido por seu povo e ter obtido, por duas vezes, o perdão, Amós aprende de Yaohu que não haverá mais perdão (7,8) e que a casa de Jacó será destruída, embora não completamente (9,8). Esta revelação o constrange a falar (3,8), embora certa sabedoria pudesse recomendar-lhe calar-se (5,13).
A mensagem de Amós tem por objeto a grandeza de Yaohu, seu poder e sua justiça que se estendem a todas as nações, mas também sua irreversível predição pelo povo de Israel. Lembra as exigências da Lei, especialmente da que ordena o culto e da que define os direitos dos pobres e dos indigentes. Com solenidade e violência, Amós proclama aos ricos, aos poderosos, aos juízes e aos sacerdotes o que o Evangelho voltará a dizer: Todas as vezes que o fizestes a um destes mais pequenos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40). Amós lembra também que o culto que agrada a Yaohu é o que exprime, na humildade e na justiça, a resposta de Israel ao amor de seu Deus – Yaohu. Também neste ponto Amós recebe a companhia do Novo Testamento: Que tens que não hajas recebido? E se o recebeste, por que gabar-te como se não o tivesses recebido? (1Co 4,7).
O Deus – Yaohu – de Amós é um Deus ciumento, de amor inflexível, capaz de decidir que o peso do mundo mau afastará os homens longe dele – e, às vezes, o faz –, mas capaz também – e isso em relação tanto a Israel como aos que pertencem a Israel espiritualmente – de não se deixar vencer pelo peso do pecado e pelas insanas exigências dos pecadores que vivem sem Yaohu ou fora de suas leis. Ele é capaz de pronunciar que o pecado e o orgulho devem atrair sobre o pecador toda espécie de castigo; ele pode fazer superabundar o perdão e a graça lá onde o pecado e a insolência foram abundantes. Amós nos ensina, ainda, que a oração do homem pode ter tamanha eficácia que chegue a comover Yaohu e a faze-lo voltar atrás de algumas de suas decisões. Esta intercessão do profeta pelo povo de Yaohu terá seu acabamento na oração de Yaohushua pelos seus (Jo17).
O Yaohu de Amós não tem duas faces, a de um Yaohu que castiga e a de um Yaohu que salva. É o mesmo Yaohu e ETERNO que castiga, querendo salvar. O próprio castigo ultrapassa a ordem fria e rigorosa da justiça sem perdão, pois é a expressão de um amor ferido ou traído que, num último grito e para além do castigo, ainda chama à conversão. Oseias, que profetizará em Israel poucos anos depois de Amós, descreverá numa linguagem nova este drama do amor divino.
Assim, o livro de Amós comporta:
Uma revelação carregada de ameaças: há quem morra de fome e de sede (8,11), por ter procurado tarde demais a Palavra de Yaohu e não a ter encontrado;
Uma revelação que se abre à esperança (5,15; 9,8) e que será retomada por outros profetas: quando tudo está perdido, Yaohu pode ainda agraciar.

Divisão do livro. Depois do título (1,1) e um breve prólogo (1,2), abre-se uma primeira parte, constituída por uma seqüência de oráculos contra as sete nações vizinhas de Israel e contra Israel mesmo (1,3 – 2,16), todos eles formados no mesmo molde, mas com desenvolvimento maior no último.
A segunda parte constitui-se dos oráculos contra Israel (caps. 3 a 6). Entre estas palavras, geralmente breves e agrupadas sem ordem certa, podemos relevar particularmente o discurso sobre a impenitência de Israel (4,6-13), as palavras contra o culto de Betel (4,4-5; 5,4-5.21-27), as denúncias da injustiça social (3,9-11; 4,1-3), do orgulho e das falsas seguranças (3,1-2; 5,18-20; 6,1-7,13-14); as descrições do juízo iminente (3,13-15; 5,18-3.13.16; 6,8-11); o apelo para voltar ao ETERNO (5,4-6.14-15).
A terceira parte (caps. 7 a 9) agrupa o relato de cinco visões, das quais as quatro primeiras se correspondem duas a duas: os gafanhotos (7,1-3) e o fogo (7,4-6); o estanho (7,7-8) e o fim do verão (8,1-2); e, conclusão, a visão do abalo do santuário (9,1-4). Alguns oráculos se encontram agrupados em torno às visões (7,9; 8,3-14; 9,7-10), como também o relato da expulsão de Amós (7,10-17). A coleção termina num oráculo de restauração e de salvação (9,11-15), que alguns hesitam em atribuir ao próprio Amós.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

OBADIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Obadias.
Propósito: Encorajar o povo de Judá, que enfrentava adversidades vindas de Edom, a ter esperança na justiça divina e na vitória final sobre todos os inimigos.
Data: c. 586 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu cuida do seu povo quando ele sofre.
Yaohu adverte, mas no final julgará aqueles que perseguem o seu povo.
Yaohu dará a vitória ao seu povo.
O fiel povo de Yaohu herdará o seu reino em sua totalidade.

Propósito e características
O livro de Obadias é “a respeito de Edom” (v. 1) e é repetidamente dirigido a essa nação, mas ele foi escrito para os judaítas como o povo da promessa de Yaohu. Obadias pode ou não ter entregue um oráculo falado a Edom antes de escrever esse livro. Yaohu fala contra Edom em benefício de Judá, sentenciando os edomitas à humilhação, à pilhagem e à morte, de modo a fortalecer a fé e a moral enfraquecidas de Judá. Edom mereceu o julgamento de Yaohu por causa dos prolongados e severos maus-tratos que havia infligido a Judá. A destruição de Edom fazia parte do plano maior de Yaohu para julgar todas as nações e garantir bênçãos ao seu povo na nova terra. O propósito do livro de Obadias, então, não era advertir Edom a respeito do iminente julgamento, mas reassegurar ao povo de Yaohu a sua triunfante justiça em ação em favor deles. O justo poder de Yaohu, não os planos malignos das nações, determina o curso da História.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM OBADIAS.
(Yaohushua):

O livro de Obadias não contém previsões messiânicas que apontem diretamente para O UNGIDO, mas o tema do julgamento divino contra todos aqueles que perseguem o povo de Yaohu encontra a sua realização em O UNGIDO. O próprio Yaohushua sofreu nas mãos dos inimigos de Yaohu (At 2,36) e previu que todos os seus seguidores experimentariam a mesma aflição (At 14,21-22). Ainda assim, O UNGIDO prometeu manter o seu povo no seu amor durante esses tempos difíceis (Rm 8,28-39). Quando ele retornar em glória, irá julgar todos os que se opuseram a ele e ao seu povo (Mt 25; Ap 19,1-2).
A visão de Obadias de uma nova ordem, na qual o povo de Yaohu é restabelecido em vitória sobre as nações, também encontra a realização em O UNGIDO. O UNGIDO começou a governar em sua ressurreição e ascensão (1Co 15,25), a Igreja agora propaga o seu reino por toda a terra (Mt 28,19-20; At 2,37-41) e o expandirá até os confins da terra quando ele retornar (Ap 11,15). {Por isso mesmo, é necessário sabermos o seu VERDADEIRO NOME PESSOAL INTRANSFERÍVEL QUE, NA BÍBLIA, SÓ FOI REVELADO POR DUAS VEZES E DEPOIS ESQUECIDO…? COMO PODE ISSO COM UM REI ETERNO… VEJA MAIS PRA FRENTE À RESPOSTA… Anselmo Estevan.}.Quando os “cristãos” – hoje – Remanescentes – sofrem nas mãos dos inimigos de Yaohu, devem renovar a fé no Yaohu justo que se revela por meio da profecia de Obadias. Embora muitas vezes pareça que o tormento da Igreja nunca terminará, Yaohu está sempre trabalhando por trás do véu das aparências em favor de seu povo (Ap 6,9-10).

OBADIAS: Obadias é o mais curto dos livros proféticos, o que não significa de menor valor. Muito pelo contrário! Compõe-se de oráculos muito belos, nos quais ecoa uma grande inspiração: seu gênero literário assemelha-se ao de todos os oráculos dos profetas “sobre as nações”, de modo especial àqueles que anunciam a vinda do Dia do ETERNO.
Do ponto de vista estrutural, apresenta-se como uma visão (vv. 1b-15), precedida de um cabeçalho (v. 1a) e seguida de uma declaração conclusiva (vv. 16-18), escritos por um redator. O conjunto recebeu comentários posteriores escritos em prosa (19-21) por escribas anônimos.
Quanto à data, uma referência permite situar o livro: na sua visão, o profeta denuncia a atitude do povo de Edom, descendente de Esaú, em relação ao povo irmão, Israel, descendente de Jacó, por ocasião da queda de Jerusalém (v. 10). O livro é, portanto, pouco posterior a 587.
Do profeta sabemos apenas o nome, bem bíblico (ABDIAS). Nada de sua pessoa. O essencial é sua mensagem. No momento em que tudo parece perdido (destruído o Templo, exilado o povo), tem ele uma visão: Yaohu proclama a vinda de seu Dia, ele é o dono das nações e intervém na história para reinar. Enquanto escuta esta mensagem, o profeta fala (vv. 10-15) para explicar a falta de Edom: tanto a traição e cupidez para com Israel, como a orgulhosa pretensão de seus sábios. O conjunto constitui reconfortante oráculo para a desalentada comunidade dos sobreviventes.
Há um problema pelo fato de os vv. 2-6 se encontrarem também em Jr 49,7-16, embora numa forma ligeiramente diferente. Este fato induziu alguns a pensar que o livro de Obadias fosse anterior a Jeremias e remontasse ao século IX. Contudo, as alusões à queda de Jerusalém (em 587) são tão explícitas que não se pode admitir esta hipótese. No atual estágio da pesquisa, não é possível pronunciar-se sobre a anterioridade do texto de Jeremias ou de Obadias. Não teriam eles uma fonte comum?

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

JONAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Desconhecido.
Propósito: Encorajar os israelitas a atenderem ao chamado de Yaohu para estender sua misericórdia às nações.
Data: 750-613 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu conclama o seu povo a tentar conseguir que as nações se arrependam.
O povo de Yaohu ira sofrer descontentamento divino se não estender a misericórdia de Yaohu às nações.
Yaohu tem prazer em mostrar misericórdia aos gentios arrependidos.

Propósito e características
Além de ensinar que a misericórdia e o amor de Yaohu têm aspectos universais, o livro mantém o tema da soberania universal de Yaohu, apresentando-o como o Criador, “o Deus do céu, que fez o mar e a terra” (1,9). A criação responde de maneira obediente a todas as ordens dele (1,4.15.17; 2,10; 4,6-8), assim como os assírios dos dias de Isaías haviam feito (Is 10,5-6.12). O livro de Jonas enfatiza o poder universal e o controle soberano de Yaohu sobre a humanidade e a natureza, sobre a vida e a morte.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM JONAS.
(Yaohushua):

Yaohushua traçou uma ligação entre ele e o sinal do “profeta Jonas” (Mt 12,39; 16,4; Lc 11,29). Numa época em que muitos israelitas se recusavam a obedecer à palavra profética que lhes fora dada, a libertação de Jonas de um peixe enorme após três dias e noites levou os ninivitas ao arrependimento. Yaohushua previu que sua própria futura libertação da sepultura, após três dias, levaria ao arrependimento dos gentios, conquanto muitos judeus ainda rejeitassem a sua palavra profética. De certa maneira, então, o relato de Jonas chamou seus leitores judeus ao arrependimento ao confirmar o ministério aos gentios, assim como Yaohushua e seus apóstolos haviam feito.

JONAS: Composição. Inserido entre os livros proféticos, o livro de Jonas não se apresenta, à primeira vista, como um deles. Em vez de ser uma série de oráculos, o escrito apresenta-se na forma de uma narrativa contínua, dividida em três cenas e na qual o profeta parece ficar em segundo plano. As duas primeiras cenas o mostram taciturno e solitário, após o que lhe vem uma palavra de Yaohu. Durante esse tempo, ao invés, seus interlocutores, primeiro os marinheiros, depois os ninivitas, estão atarefados e se mostram as pessoas mais religiosas do mundo, numa espécie de convite ao leitor do livrete a se espelhar neles e a imita-los. Na terceira cena, Jonas se vê sozinho diante de Yaohu. É aqui o ponto alto do livrinho: a mais importante oração do profeta e a maior revelação de Yaohu a respeito do ministério de Jonas. Foi nesta conjuntura que, mais tarde e de maneira totalmente adaptada à situação, um autor inspirado inseria o salmo do cap. 2, aumentando a dimensão religiosa e profética deste escrito.

Finalidade. Que concluir disto? Dois ensinamentos. Antes de qualquer coisa, Jonas tem por finalidade mostrar a experiência interior de todo profeta: é uma pessoa convicta, antes de tudo, de que à vontade de Yaohu é salvar os homens (4,2). Todavia, no seu ministério, o profeta deve sempre iniciar por proferir palavras que denunciam o mal; agindo assim, ele vai contra a corrente de seus contemporâneos e, conseqüentemente, experimenta a terrível prova do isolamento. Contudo, mesmo que ele se sinta esmagado pelo peso da sua mensagem e, atemorizado, não ouse falar aos homens (1,1-16) ou, falando, não passe de um pregador resignado (3,1-10), a palavra consegue ser eficaz apesar dele; mostram-no os marinheiros, o mar, o vento, o peixe, os ninivitas, os animais, a planta. Por sua simples presença, já que o profeta Jonas não consegue desvencilhar-se dela, esta palavra atinge todo o mundo, inclusive os animais e a natureza.
O segundo ensinamento é dado pelo conteúdo da palavra que Yaohu manda seja proclamada, e também pela qualidade de seus destinatários. O Yaohu que se revelou a Israel benevolente… (Êx 34,6-7), i.é, bom e salvador, declara-se favorável também aos ninivitas, estrangeiros cuja cidade e número de pessoas são descritos em cifras arredondadas com valor simbólico (três dias: 3,3; 120.000 habitantes: 4,11), para indicar a dimensão universal da revelação.

Gênero e data. Esta narração se apóia na existência de um personagem histórico (2Rs 14,25), para mostrar que se trata de uma experiência real dos profetas. Mas é desenvolvida como uma história maravilhosa, cheia de imagens, com a finalidade de melhor assimilação pedagógica, à maneira de uma parábola.
Tudo nos leva a crer que se trata de uma obra pós-exílica. Tanto a linguagem como o estilo, são claramente posteriores à época clássica da língua hebraica. E mais: a maneira de refletir sobre o ministério profético supõe recuo com relação ao exercício deste, se olharmos como o viveu, especificamente, Jeremias (ver Jn 3,10 e Jr 18,7-8; Jn 4,3.8-9 e Jr 20,14-18). Além disso, a mensagem reflete um universalismo mais amplo do que, por exemplo, o do Segundo Isaías na época do retorno do Exílio. O humor um tanto acre da narrativa faz pensar que talvez se trate de uma espécie de panfleto dirigido à corrente judaica da época de Esdras demasiado fechada sobre si. Enfim, o gênero metafórico recorda o estilo dos sábios que, pouco depois, escrevem, Ester, Daniel, mais do que o estilo dos historiadores preexílicos.

Jonas no Evangelho. YAOHUSHUA fala de Jonas dando sua própria interpretação da narrativa. Diante dos incrédulos que lhe pedem milagres – prodígios, Yaohushua responde com uma recusa e remete ao “sinal de Jonas”. Ele quer dizer que o significado de seus milagres é, antes de tudo, a realização da palavra que os acompanha (Mt 16,4; Lc 11,29-30) e que os convida à conversão. Depois da Ressurreição, a dimensão do sinal de Jonas foi compreendida melhor, como testemunha o desenvolvimento próprio do primeiro evangelista (Mt 12,40). É igualmente possível que a expressão do mais antigo símbolo da fé, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15,4), se refira a este sinal. Yaohushua indica, por fim que Jonas é sinal da dimensão universal do seu Evangelho (Mt 12,41-42).
As qualidades humorísticas de Jonas não deixaram de inspirar escultores e pintores cristãos no decorrer dos séculos. Também hoje, este personagem continua atraindo simpatias. Mas, ainda que seu saboroso gênero literário, atrai-nos a sua mensagem, que fala a respeito de Yaohu e do seu amor universal, surpreendente e admirável

§ Caros leitores, neste momento, se encontram a necessidade – de abrir um “parêntese”, e, mudar um pouco a seqüência dos estudos, que, pela ordem é: MIQUÉIAS; para mostrar-lhes dois estudos que se encaixam nos estudos do livro a ser estudado.(MIQUEIAS). Vamos lá.:

Eu, Anselmo Estevan, não aceito em “ANDAR” no NOME de um substituto – como o fez o seu próprio povo ao entrar em Canaã e se misturar como o “povo gentio” – sem Deus – que todos os “HOMENS” – querem agradar cada um a sua vontade – assim, andando entre deuses criados por suas próprias mãos… Veja:

Quero começar a minha linha de raciocínio da seguinte forma: (Bíblia de estudo – “Temas em Concordância”). Da Editora Central Gospel. Ano de 2.005 – Versão NVI – traduzida por Bruno Destefani. Diretor Presidente – Senhor Silas Malafaia.

Gênesis 4,26 (Ou Proclamar).

“Como, essa é uma Bíblia, de ESTUDO que: A própria Bíblia – fala por si, vamos lá”. Do versículo de Gn 4,26 a Bíblia de estudo nos remete aos versículos seguintes como resposta dada a esse questionamento:

Gn 4,26; 13,4; Dt 3,23; 1Sm 1,12-16; 15,31; 2Cr 20,4; Ne 2,4; Sl 12,1; 25,1; 30,8; 66,17; 80,17; 84,9; 116,4; 142,1; Jr 32,16; Dn 6,10-13; Jn 2,7; Zc 8,20.21; At 1,13.14; 12,5.12; 18,7. Veja também: Dt 3,24; Zc 7,2; Ml 3,16; (Is 42,8; 26,8).
Sendo assim: “Entendo que “toda a Bíblia fala do NOME DE DEUS!!!”. Mas como? SIM! O “homem” – como ENFRAQUECEU a “Lei” de “Yaohu” – pelos pecados da “Queda” – erroneamente também quis desfazer do seu Nome por um substituto que não o seu NOME VERDADEIRO E PESSOAL – A última obra de Satanás para o homem caído – seu plano maligno. Esse é o meu ver!”.
Vamos a outro estudo:

Eu, Anselmo Estevan, sou uma pessoa comum. Com pouquíssimos amigos, mas YAOHU – me fez perfeito e com dois ouvidos – para poder escutar…! Então: “Muitos perguntam”.:
– Para que saber o Nome de Deus?

– Será que só sabendo o “Nome de Deus”, (o Nome correto e não colocações humanas por motivos diversos…?); a pessoa já é salva?

– Se a pessoa – souber o “Nome Pessoal” – verdadeiro de Deus – e, AGIR TODA “ERRADA”!? ADIANTA ALGUMA COISA? (Neste caso é NÃO…!).

– ETC…
Como resposta: “Há todo um compromisso com a verdade, mas não uma regra para ser SALVO! Isso, só Ele pode, nos SALVAR! Agora, pra mim, é muito mais que importante , saber o NOME do meu SALVADOR! NÃO ME CONTENTO COM UM “SUBSTANTIVO – QUE POR VONTADE HUMANA – VIROU NOME PRÓPRIO”. E mesmo porque ELE quer que seu verdadeiro Nome seja conhecido, louvado, glorificado como o diz esses estudos que estou buscando na BÍBLIA, EM NENHUM OUTRO LUGAR. DA EXEGESE DO PRÓPRIO HOMEM QUE COMO EU ESTAMOS INTERESSADOS NA VERDADE SOMENTE: (Nm 23,19; Js 24,27; Sl 52,3; Pv 14,5; Ez 13,19; Cl 3,9; Hb 6,3.18; Tg 3,14; etc.)”.

A minha resposta só pode ser uma: Cito Mateus 22,29; Marcos 4,22; Provérbios 25,2.

Partindo única e exclusivamente, pelas escrituras, vamos aonde tudo começou, (o recomeço – pelas maldades do próprio coração do “homem” – uma verdade que não poderia ficar esquecida), vamos ao estudo do versículo de: ÊXODO 3,13-15.

Bíblia de estudo DO PEREGRINO. Do Senhor – Luís Alonso Schökel. 2ª edição – 2.006.

3,13-15. Segunda objeção. Ele se fia em Deus; o povo se fiará nele? Querendo saber qual Deus o envia – dado decisivo na missão profética, p. ex. Dt 13; Jr 23,13; – perguntarão pelo nome da divindade. A resposta é ao mesmo tempo positiva e ambígua; vale para Moisés e vale para o povo.
Estes três versículos estão entre os mais analisados e discutidos de todo o AT. Qual a origem do nome Yhwh? Existia fora e antes de Israel? Que significa em si? Que função tem no relato? Sobre as duas primeiras perguntas se multiplicaram as conjeturas, sem oferecerem uma resposta plausível. Sobre a terceira: começamos confessando que nossa vocalização é duvidosa, pois nos nomes compostos encontramos as formas Yah, Yo, Yeha. A corrente, Yahwe, é uma forma factitiva do verbo hyh = ser, existir, aquele que dá o ser, faz existir. Assim podia soar aos ouvidos hebreus.
No texto, Deus muda o verbo em primeira pessoa e forma uma frase aparentemente tautológica. Se o traduzirmos pelo indefinido, “o que foi”, a resposta é evasiva (como em Gn 32): o nome não importa, sou o Deus dos patriarcas e estou contigo. Se o traduzirmos como enunciado, “Sou o que sou”, presta-se para a reflexão. Primeiro, encontra-se na esfera do ser ou existir (cf. Jo 8,58; Ap 1,4); segundo, não se define por predicados externos, mas por si mesmo; em nossa terminologia refinada, diríamos: “um ser absoluto”. Pois bem, para os israelitas vale o sentido enunciativo, “Eu sou”, que se oferece como explicação de um nome conhecido e se identifica com o Deus dos patriarcas. E acrescenta uma ordem perpétua: daí em diante Deus será INVOCADO COM O NOME DE Yhwh. E, assim foi (Is 42,8; 26,8) até que em tempos posteriores se evitou tal NOME, SUBSTITUINDO-O POR ADONAI.
Na teoria documentária: o Eloísta considera que neste ponto se REVELA O NOME DE YHWH; ATÉ O PRESENTE ELE SÓ USOU O NOME ‘elohim ou um SUBSTITUTO.

Vamos retornar a seqüência normal dos estudos, mas com outro parêntese que ainda preciso fazer para terminar a minha linha de raciocínio dentro desse livro maravilhoso que é Miqueias:

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

MIQUEIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Miqueias.
Propósito: Chamar Judá ao arrependimento e à esperança durante a crise assíria e preparar Judá para o exílio babilônico ao mesmo tempo em que anuncia os julgamentos de Yaohu contra o pecado e as suas promessas de restauração.
Data: 742-686 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu ameaçou julgar Samaria e Judá pelas suas violações evidentes da aliança.
Yaohu conclamou o seu Povo a se arrepender de seus pecados para evitar ou atrasar o julgamento.
Yaohu confirmou as promessas de restaurar o seu povo de derrota e do exílio.
Yaohu prometeu abençoar o seu povo restaurado com vitória, expansão e paz.

Propósito e características
Miqueias organizou suas dezenove profecias em três ciclos (caps. 1 – 2; 3 – 5; 6 – 7). Cada ciclo começa com profecias de julgamento e termina com uma profecia (ou profecias) de salvação, e cada uma delas começa com a mesma palavra hebraica traduzida como “ouvi” (1,2; 3,1; 6,1). O ciclo inclui três oráculos de julgamento (cap. 3) e sete oráculos de salvação (caps. 4 – 5). Miqueias usou trocadilhos inteligentes e citou seus adversários, os quais tentaram silencia-lo (2,6-7).
Nos seus oráculos de salvação, Miqueias previu que a salvação de Jerusalém durante a invasão de Senaqueribe (701 a.C.) dependeria somente da misericórdia de Yaohu em relação a um remanescente (2,13). Ele também previu que Yaohu libertaria o seu povo do cativeiro babilônio (4,9-10). Como resultado disso, o POVO DA ALIANÇA DEVERIA ANDAR NO NOME DE YHWH – YAOHU – O ETERNO (4,5) e depender da graça soberana de Yaohu (5,9), não dos trabalhos de suas próprias mãos (5,10-15). Durante esse julgamento, assim como no futuro, um REMANESCENTE perdoado resistiria por causa da misericórdia de Yaohu, pois Yaohu havia prometido em juramento ser fiel aos patriarcas (7,18-20).

§ TERMINANDO A MINHA LINHA DE RACIOCÍNIO, VAMOS AO ÚLTIMO ESTUDO – ANSELMO ESTEVAN.:

O que sempre digo (“PALAVRA”) –, todo deus “pagão” feito pelas mãos “humanas” (conforme: Is; Jr; Ez; etc.), tem olhos mas não enxergam. Têm pés mas não andam. Têm boca mas não falam – são carregados de um lado para o outro… E, se caem “NÃO CONSEGUEM SE LEVANTAR…!” Ok. Mas, TODOS SEM EXCEÇÃO, TÊM UM NOME PRÓPRIO! POR QUE O ÚNICO DEUS – VIVO, CRIADOR DE TUDO E DE TODOS, SÓ ELE NÃO TEM UM NOME?
Isso, termina aqui. E, para isso, a Bíblia – É A RESPOSTA:

Miqueias 4,5 Porque todos os povos andam, cada um em nome do seu deus; mas, quanto a nós, andaremos em o NOME DE YHWH – YAOHU, o nosso Deus, para todo o sempre.
Zacarias 10,12 Eu os fortalecerei no YHWH – Yaohu, e andarão no seu nome, diz YHWH – Yaohu.
Salmo 31,3 Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás.
Salmo 33,21 Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo Nome.
Salmo 68,4 Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. YHWH – Yaohu é o seu Nome, exultai diante dele.
Êxodo 6,2-3 Falou mais Deus a Moisés e lhe disse: Eu sou o YHWH – Yaohu. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-poderoso; mas pelo meu nome, “O YHWH – Yaohu”, não lhes fui conhecido. (UL-ELOHIM = TODO PODEROSO, E NÃO EL-ELOHIM – CONOTAÇÃO DE UM “DEUS GREGO”).
Deuteronômio 28,58-59 Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, escritas neste livro, para temeres este NOME GLORIOSO E TERRÍVEL, O YHWH – YAOHU, teu Deus, então, o YHWH – Yaohu fará terríveis as tuas pragas e as pragas de tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades graves e duradouras!

OK. “TEMER” SIM! “ESCONDER, BLASFEMAR, TROCAR, OU OUTRO VERBO QUALQUER” – NÃO! É ISSO QUE ENTENDO NA PALAVRA DE YAOHU. POIS, NINGUÉM TEME UM ÍDOLO QUE NADA É, SIMPLESMENTE UMA IMAGEM FEITA POR MÃOS HUMANAS QUE NA VERDADE É UM “DEMÔNIO….”. “COMO A PRÓPRIA BÍBLIA” –, EXPLICA MELHOR DO QUE EU… VEJA O QUE DIZ A BÍBLIA QUANTO A ISTO:

Romanos 2,23-24 TU, QUE TE GLORIAS NA LEI, DESONRAS A DEUS PELA TRANSGRESSÃO DA LEI? POIS, COMO ESTÁ ESCRITO, O NOME DE DEUS É BLASFEMADO ENTRE OS GENTIOS POR VOSSA CAUSA.
Isaias 52,5-6 AGORA, QUE FAREI EU AQUI, DIZ O YHWH – YAOHU, VISTO TER SIDO O MEU POVO LEVADO SEM PREÇO? OS SEUS TIRANOS SOBRE ELE DÃO UIVOS, DIZ O YHWH – YAOHU; O MEU NOME É BLASFEMADO INCESSANTEMENTE TODO O DIA. POR ISSO, O MEU POVO SABERÁ O MEU NOME; PORTANTO, NAQUELE DIA, SABERÁ QUE SOU EU QUEM FALA: EIS-ME AQUI!
Ezequiel 36,21-23 MAS TIVE COMPAIXÃO DO MEU SANTO NOME, QUE A CASA DE ISRAEL PROFANOU ENTRE AS NAÇÕES PARA ONDE FOI.
DIZE, PORTANTO, À CASA DE ISRAEL: ASSIM DIZ O YHWH – YAOHU DEUS: NÃO É POR AMOR DE VÓS QUE EU FAÇO ISTO, Ó CASA DE ISRAEL, MAS PELO MEU SANTO NOME, QUE PROFANASTES ENTRE AS NAÇÕES PARA ONDE FOSTES. VINDICAREI A SANTIDADE DO MEU GRANDE NOME, QUE FOI PROFANADO ENTRE AS NAÇÕES, O QUAL PROFANASTES NO MEIO DELAS; AS NAÇÕES SABERÃO QUE EU SOU YHWH – YAOHU; DIZ O YHWH – YAOHU DEUS, QUANDO EU VINDICAR A MINHA SANTIDADE PERANTE ELAS!
Etc.

Veja, agora, o que diz o Salmo 138,2 e outros:

Salmo 138,2 Prostrar-me-ei para o teu santo templo e louvarei o teu NOME, por causa da tua misericórdia e da tua verdade, pois magnificaste acima de tudo o teu NOME e a tua palavra.
Salmo 8,1 Ó YHWH – Yaohu nosso, quão magnífico em toda a terra é o TEU NOME!
Pois expuseste nos céus a tua majestade.

Estudo do Salmo 8,1 Ó YHWH. O nome pessoal, ou da aliança, de Deus que ele revelou a Moisés na sarça ardente (cf. Êx 3). Quão magnífico… é o teu nome! O nome de Deus indica o seu caráter ou a sua reputação. A repetição desse verso inicial no final do salmo dá um ar reverente a toda a composição. (Por isso, é mais do que importante falar seu nome próprio e pessoal!). Anselmo Estevan.

Salmo 8,5 Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

Estudo do Salmo 8,5 Deus. Do hebraico Elohim, normalmente traduzido por “Deus”. A Septuaginta (a tradução grega do AT) o traduz por “anjos” (conforme citado em Hb 2,7). “ANJOS” é uma tradução apropriada, pois o termo em hebraico pode significar “seres sobrenaturais” ou até “governadores” (veja a nota sobre Dn 10,13). Só que no meu entender “Deus”, não é “criatura”, e, sim CRIADOR! Por isso no meu entender essa conotação é errônea! Anselmo Estevan.
Daniel 10,13 estudo: Mas o príncipe da Pérsia me resistiu. No contexto fica aparente que esse príncipe se refere a um ser espiritual poderoso, mas maligno (cf. Jó 1,6-12; Sl 82; Is 24,21; Lc 11,14-26), designado por Satanás para agir no interesse do governo persa. Do mesmo modo, o arcanjo Miguel é chamado “o grande príncipe, o defensor” de Israel (12,1). Em outras ocasiões no Antigo Testamento os exércitos do céu são mencionados como lutando por Israel (Jz 5,20; 2Rs 6,15-18; Sl 103,20-21), porém Miguel, um dos primeiros príncipes veio para ajudar-me. Miguel é retratado como comandante dos santos anjos em Jd 9 e em Ap 12,7. Aqui temos um vislumbre das batalhas espirituais travadas no céu e que afetam os acontecimentos sobre a terra (Ef 6,12; Ap 12,7-9).

Obs.: Século II a.C., (285-247 a.C.) – De Israel foram enviados 72 sábios (6 para cada uma das doze tribos de Israel) com a incumbência de traduzir as escrituras do hebraico para o grego, trabalho que cada um completou, segundo o Talmude ou Guemará (estudo), em 72 dias, estando cada um desses sábios confinado em celas separadas, na ilha de Faros. Somente o Pentateuco – Torá, foi traduzido nesta etapa, os demais livros, completando o Tanách – Bíblia, a saber, Nevii – Profetas (8) e ketuvin – Escritos (11), foram traduzidos posteriormente, até o final do século II a.C. (a Bíblia em hebraico é composta somente do Velho Testamento – Primeira Aliança). O Novo Testamento, também em grego, não é acoplado a Septuaginta, somente existindo em separado.

A Vulgata de São Jerônimo – A Bíblia Latina da Igreja Católica.
Devido às dificuldades reinantes no século III d.C., grandes divergências dogmáticas agitaram o mundo cristão e provocaram sanguinolentas perturbações, até que o imperador Teodósio conferiu a supremacia ao papado, impondo a opinião do bispo de Roma à cristandade.

A fim de por termo a essas divergências de opinião, no momento em que vários concílios discutiam acerca da natureza de Jesus, uns admitindo e outros rejeitando sua divindade, o Papa Damásio confia a São Jerônimo, no ano 384, a missão de redigir uma tradução latina do Antigo e do Novo Testamento. Essa tradução passaria a ser a única reputada ortodoxa e aceita pela Igreja!

Veja um resumo da resposta de São Jerônimo ao Papa Damásio:
“Da velha obra me obrigais a fazer obra nova?” Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos por todo o mundo (…). É um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido.
“Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar novo, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler (…). Não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrilégio, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros?”.

Material tirado: (http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Educacao/M_BibliaTraducoes.htm) 15/09/2010.
.
Finalizando:

Salmos 148,13 LOUVEM O NOME DO YHWH – YAOHU – , PORQUE SÓ O SEU NOME É EXCELSO; A SUA MAJESTADE É ACIMA DA TERRA E DO CÉU!

Leia: Miqueias 4,6-13. Anselmo Estevan.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM MIQUEIAS.
(Yaohushua):

O livro de Miqueias revela O UNGIDO em pelo menos duas maneiras. Em primeiro lugar, Miqueias faz várias previsões de julgamento e libertação que tratavam diretamente da decisão divina quanto ao ataque devastador do rei assírio Senaqueribe a Judá e à salvação de Jerusalém. Ele também previu que os babilônios conquistariam Judá. Como atos principais de julgamento divino e salvação, essas previsões e suas realizações são sombras ou tipos que anteciparam o julgamento e a salvação finais que vêm em O UNGIDO.
Em segundo lugar, as previsões dos julgamentos e das bênçãos que aconteceriam na restauração do povo de Yaohu após o cativeiro babilônico falam mais diretamente do UNGIDO. De acordo com o Novo Testamento, Yaohushua inaugurou esses acontecimentos em seu ministério terreno, dá continuidade a eles hoje e os completará quanto retornar. Miqueias falou desses acontecimentos como “últimos dias” (4,1; Hb 7) e “naquele dia” (2,4; 4,6; 5,10; 7,12); ou seja, “o dia do ETERNO – YAOHU”, o qual o Novo Testamento liga com a obra de O UNGIDO – YAOHUSHUA (2Ts 2,1-2; 2Pe 3,10). Talvez a previsão mais direta do UNGIDO em Miqueias seja encontrada em 5,1-6 (veja Mt 2,6), em que Yaohu prometeu que a casa de Davi se levantaria após o exílio, derrotaria os inimigos de Judá, governaria o mundo todo e traria paz para o povo de Yaohu. (Mas não pelo povo… e, sim pelo seu santo Nome – Ezequiel 36,21-23 observe isto…). Anselmo Estevan.

MIQUEIAS: Questões literárias e linguagem. O conteúdo do livro de Miqueias está distribuído conforme um esquema clássico nos textos proféticos: sentenças de condenação (Mq 1 – 3, exceto o “bloco errático” 2,12-13, de um lado; Mq 6,1 – 7,6 ou 7 de outro) e promessas de salvação (Mq 4 – 5; 7,7 ou 8-20), sucedendo-se conforme uma alternância regular. Evidentemente, esta distribuição é obra de redatores posteriores à composição dos oráculos. Surge assim a questão da autenticidade dos elementos neles contidos. Os caps. 1 – 3 e 6,1 – 7,6 são quase unanimamente atribuídos a Miqueias de Moréshet, que viveu no séc. VIII; os vv. 2,12-13 e a liturgia de 7,8-20 são situados em geral na época do retorno do Exílio, depois de 536. Os caps. 4 e 5 mantêm-se como objeto de discussão; alguns os vêem como um conjunto de oráculos pós-exílicos, outros reconhecem neles um substrato miqueniano reelaborado em sucessivas releituras. A questão continua aberta.
Tal como está, o livro apresenta as formas literárias clássicas herdadas da tradição profética: advertências, repreensões, oráculos de julgamento, requisitórios ou processos de aliança, promessas de salvação, fragmentos litúrgicos. Mas, na medida em que se pode sondar o substrato original dos textos, aparece claramente que Miqueias lhes imprimia sua marca pessoal: diversas vezes, a condenação transforma-se em lamentação (Mq 1,2-16 e 7,1-7), marca de uma sensibilidade vibrante que o profeta nem sempre consegue dominar. Será seu conflito com os responsáveis oficiais que o leva a afirmar seu interesse pelos gêneros do processo (1,1ss.; 6,1-8) e da controvérsia (2,6-11)? De vez em quando transparece até a linguagem coloquial. No mais, seu estilo, às vezes conciso a ponto de se tornar elíptico, aproxima-se do de Amós por seu vigor e crueza (2,6; 3,5). O quase sistemático recurso a jogos de palavras às vezes dificulta a compreensão do texto, além do fato de este nos ter chegado em estado bem alterado. O tradutor hesita às vezes quanto ao teor exato de certas passagens.

O profeta e seu tempo. O nome de Miqueias (Miká, Mikáiehu) representa uma interrogação abreviada: Quem é como o [Senhor]? (cf. Mq 7,18) e talvez evoque uma exclamação cultual (Sl 113,5; 35,10; 89,7-9; Is 44,6ss.). O nome aparece na Bíblia com relativa freqüência. Convém distinguir nosso profeta-escritor de outro profeta chamado Miqueias, mencionado em 1Rs 22 (= 2Cr 18).
Identifica-se geralmente a pequena aldeia de Moréshet, pátria de Miqueias (conforme 1,1), com o atual Tell el-Yudeideh. O profeta provém portanto de Judá, mais exatamente na Baixada situada a oeste da capital. Esta localização tem sua importância em vista do tempo e dos acontecimentos históricos aos quais o livro alude. {O nome…(Mq 7,18), o correto seria… [Yaohu]?…}. Anselmo Estevan. (*).

A mensagem. A pregação de Miqueias concerne essencialmente à situação moral e religiosa de Judá. Os hierosolimitanos julgam poder apropriar-se da aliança com garantia da inviolabilidade de sua cidade. Falsa segurança, denuncia Miqueias. Permanecendo Yaohu fiel à seu compromisso, o homem poderia considerar-se dispensado do seu! Ora, em Jerusalém, a corrupção dos poderosos tomara dimensão assustadora, profetas e juízes mais preocupados com seu proveito que com a verdade e a eqüidade de que são responsáveis. Alargou-se o fosso entre proprietários e pobres, a situação social é deplorável. Os cultos são celebrados com fausto, mas não implicam conversão do coração. O mal se tornou tão radical que Samaria e Jerusalém aparecem como a personificação do pecado (Mq 1,5). O castigo conseqüência do julgamento de Yaohu, estará à altura de sua rebeldia. O fato de ter anunciado este julgamento granjeará a Miqueias, na história, a fama de profeta de desgraça (Jr 26,18). Contudo, não convém ver na catástrofe que se aproxima da cidade santa a manifestação de uma ira cega e implacável, mas antes o julgamento de um Deus que não tolera a injustiça. O profeta se refere a um ideal da Aliança resumido na admirável fórmula de Mq 6,8; Israel é julgado em função de sua eleição.
Todavia, o livro de Miqueias não se restringe a perspectivas sombrias. O castigo talvez se transforme em apelo à conversão. Yaohu já está preparando uma renovação no humilde clã de Efrata (Mq 5,1-5), onde se espera um rei messiânico descendente de David. A reunificação das tribos dispersas inaugura a grande paz que se estenderá até os confins da terra. Jerusalém tornar-se-á centro de atração universal, e as nações acorrerão de toda parte, para nela encontrar YAOHU e receber sua Palavra (Mq 4,1-5). Fonte de bênçãos para as nações convertidas ao ETERNO, o pequeno resto israelita desempenhará em relação aos povos rebeldes o papel de instrumento da vingança divina. Toda falsa segurança humana, todo culto mentiroso, toda prática idolátrica serão varridos. Israel entregar-se-á totalmente a YAOHU e só esperará sua salvação de uma iniciativa divina.
Conforme o título do livro, Miqueias exerceu seu ministério sob os reis Iotâm, Acaz e Ezequias de Judá, ou seja, entre 750 e 697. É contemporâneo do Primeiro Isaías. Nenhum texto, todavia, permite afirmar com certeza sua manifestação no tempo de Iotâm; convém antes pensar no fim do reinado de Acaz. De outra parte, será que o título registra toda a atividade do profeta? Alguns passos extremamente duros talvez se refiram ao ímpio rei Manassés e sua época. Nesta hipótese, o ministério de Miqueias se estenderia de 725 a 680. Este período foi marcado por dois fatos importantes. Em primeiro lugar, a queda de Samaria, em 722, depois de sucessivas crises dinásticas. Miqueias viveu esta catástrofe: anuncia-a em 1,6-7. O outro grande fato histórico consiste na invasão da Baixada por Senaqueribe, em 701. A pátria do profeta fica de repente incluída na zona de ação dos exércitos assírios. Miqueias chega a ver a desgraça aproximar-se de Jerusalém, cuja queda considera inevitável (1,8-16 e 3,12).
Miqueias vê-se assim envolvido na tormenta que atinge sua terra. Mas, à diferença de Isaías, não se envolve de modo prático no jogo político. Nunca se pronuncia, por exemplo, sobre os esforços diplomáticos dos responsáveis. Ao contrário, considera os acontecimentos conseqüência inelutável do pecado de Israel, a saber, a injustiça social e o conluio com os cultos estrangeiros.
Na sua luta, Miqueias aparece como um homem solitário, só diante do povo cujo sofrimento partilha, só diante dos poderosos (sacerdotes, juízes e príncipes, cf. Mq 3), só diante dos profetas cegos que anunciam um futuro de felicidade e facilidade (Mq 2,6-11). Mas enfrenta-os com coragem, consciente de ser conduzido pelo “Rúkha” do ETERNO, que lhe dá a força de cumprir sua missão (Mq 3,8).

Oráculo: A “Mensagem de Yaohu” revelada no AT (RA: Rm 3,2; Hb 5,12; 1Pe 4,11). Resposta que, por meio de augúrios, os pagãos esperavam receber de divindade, consultada em momentos de indecisão (Ez 21,21-23, RA; v. NTLH).

(*): Possivelmente seja “Senhor” mesmo pelo nome: “Mikáiehu” = SENHOR! Onde, o Nome de “Deus”, foi “alterado…”!! Anselmo Estevan.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

NAUM

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Naum.
Propósito: Confortar Judá ao anunciar julgamentos futuros contra Ninive.
Data: 663-612 a.C.
Verdades fundamentais:
A glória de Yaohu em julgamento é digna de louvor.
Yaohu julgaria Ninive, assim como às outras nações, por maltratar o seu povo.
Yaohu manteria o seu povo fiel a salvo e o restauraria da destruição e do exílio.

Propósito e características
O livro de Naum tem um título duplo. Ele é chamado de “sentença contra Ninive” e “Livro da visão de Naum” (1,1). Uma sentença geralmente indica uma mensagem divina de julgamento contra uma nação estrangeira (Is 13,1). Visão se refere à experiência profética única de receber a mensagem do ETERNO. Às vezes, o profeta era instruído a escrever uma sentença específica (Is 8,1-4; 30,8) ou “todas as palavras” (Jr 36,2) que o ETERNO exigia que ele proclamasse (Jr 36,1-32). A forma escrita fornecia então um forte testemunho adicional para a certeza do cumprimento desses pronunciamentos divinos. O título duplo da profecia constitui, portanto, uma forte afirmação da autenticidade dessa sentença de destruição contra Ninive e da certeza do julgamento iminente de Yaohu sobre o reino assírio.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM NAUM.
(Yaohushua):
O livro de Naum não contém profecias messiânicas diretas, mas ainda assim as expectativas de julgamento contra Ninive e da salvação do fiel povo de Yaohu são cumpridas finalmente em O UNGIDO. Yaohushua e seus apóstolos declaram salvação para o povo de Yaohu e julgamento contra os inimigos dele. Na verdade O UNGIDO começou o seu julgamento e a dar salvação na sua primeira vinda (Jo 5,22-30). Hoje, a guerra espiritual na qual a Igreja está constantemente envolvida (Mt 16,18; Ef 6,10-17) dá continuidade a esse processo. Além disso, quando O UNGIDO retornar em glória, ele destruirá todos os poderes contrários e entregará o reino para o seu Pai “para que Yaohu seja tudo em todos” (1Co 15,24-28). [Por isso, é de máxima importância saber o seu Nome Pessoal e não erros de cópias de cópias erradas com substitutos de nomes…!]. Anselmo Estevan.

NAUM: Naum, o “consolador”. O sétimo dos profetas menores, Naum ou “o consolador”, o “reconfortado” (Nahum) é que pode consolar, reconfortar (2Co 1,4), o consolador, não tem nenhum homônimo na Bíblia, apenas um sinônimo: Menahêm (2Rs 15; At 13,1; cf. 4,36); ver também Neemias (Ne 1,1 nota).
Oferece aos seus o conforto que num período muito sombrio lhes permite resistir, graças à esperança (cf. Rm 15,4-5).
Esta esperança, que o anima e que ele afirma com grande e vigorosa fé, apóia-se na infalível vitória do ETERNO, mesmo quando os inimigos parecem prosperar (1,12; 3,15-17), ao mesmo tempo terríveis como leões (2,12-14) e hábeis na sedução (3,4).

O livro de Naum. Seu livro (1,1) desenvolverá sucessivamente esse tema fundamental em três modalidades diferentes:
1. No início, um salmo (1,2-8). Mais ou menos à maneira da introdução a outros livros proféticos (cf. Am 1,2; Mq 1,2-4; Sf 1,2-3), de modo mais insistente porém, ele nos põe em face daquilo que domina tudo o mais. E, se o ETERNO se mostra sobretudo sob o aspecto aterrador de juiz soberano do mundo inteiro, não se negligencia o outro aspecto de seu rosto (cf. vv. 3 e 7), aspecto que, adiante, se manifestará numa luz muito mais viva (cf. 1,3 nota). Este primeiro trecho situa-se, em seu conjunto, num plano bem geral e atemporal; as alusões à história da salvação são discretas (cf. vv. 3-4). Mas para o fim, contudo, parece que se vislumbra o contexto histórico particular do livro (v. 8).
2. Na segunda parte (1,9 – 2,3) este contexto se delineia. Todavia a interpretação de alguns elementos dos oráculos contidos nesta segunda parte continua delicada (cf. 1,9 notas; 1,12 nota).
OBS: (Aparecem somente um Naum na genealogia de Yaohushua [segundo Lc 3,25], junto com outros nomes de profetas {cf. Lc 3,23}, e um Nehum em Ne 7,7.).

Com Jonas, a consolação pelo apelo à conversão será levada a Ninive, que, para Naum, permanece inconsolável (3,7).

3. Por fim, tem-se a celebração da queda de Ninive (2,4 – 3,19); poder-se-ia mesmo dizer, com mais exatidão, a invocação pela queda de Ninive; ou ainda a evocação, dando a este termo o sentimento forte de apelo eficaz pelo desaparecimento desta Ninive no auge de seu poder. Sucedem-se então quadros particularmente sugestivos, possuindo cada qual sua unidade e realçando diferentes aspectos da cidade e de seu desaparecimento. A cidade adquire valor de símbolo (cf 1,8 nota), assim como seu castigo e o de seu rei constituem uma lição de alcance universal: De ti, vou fazer um exemplo (3,6). Se o ETERNO interveio de modo tão extraordinário, isto se deu, em última análise, para a libertação dos oprimidos (3,19), a salvação dos seus (1,7; 2,1.3). Vamos contentar-nos com estas poucas indicações sobre o livro em seu conjunto e a articulação das três partes, sem entrar na discussão detalhada dos argumentos apresentados para contestar sua unidade.

Naum e a queda de Ninive. Uma tese engenhosa esforçou-se por apresentar Naum como o formulário de uma liturgia. Esta celebraria, no outono de 612 em Jerusalém, por ocasião do Ano Novo e ensejado pela recente queda de Ninive, um aspecto particularmente importante do triunfo do ETERNO sobre seus inimigos. Embora reconhecendo certa orientação cultual dada ao livro pelo salmo inicial, que facilita, após a realização da profecia, uma releitura na ação de graças, os comentadores atualmente preferem outra interpretação. Aceitam, geralmente, situar a proclamação dos oráculos (que seriam autênticos oráculos proféticos), e até mesmo a composição do livro, antes da queda de Ninive (612) e depois do saque de Tebas (663), a que faz alusão o cap. 3 (vv. 8-10). À procura de indícios mais precisos, nota-se com razão que, segundo 1,13, Judá ainda está sob o guante assírio; isto nos reportaria ao período antes da morte de Assurbanipal (cf. 1,13 nota); mas, por outro lado, impressionados pela vivacidade, o cunho de atualidade de alguns traços dos quadros dos cap. 2 e 3, podemos perguntar se estes não evocam como fatos recentes a invasão da Assíria (3,12-13) e talvez mesmo o início do sítio de Ninive (2,2.4-5; 3,2-3.14), justamente pelos babilônios e medos, cujos exércitos exibiriam a cor vermelha (2,4). Todavia, quem assim pensa não estaria deduzindo, de descrições fantasiosas, minúcias que o texto não tenciona fornecer? De resto, alusões mais seguras da segunda parte do livro parecem contradize-las.
Não correríamos o risco de nos enganar quanto às intenções do profeta e à natureza daquilo que ele evoca com tanta imaginação? Sua preocupação, sua missão não é tirar as conseqüências imediatas da análise superficial de determinada situação política. Quer, antes do mais, exprimir a visão da fé em face dos compatriotas desamparados e contribuir para inserir esta visão na história, ao pronunciar a palavra eficaz de Yaohu que lhe é comunicada. Por esta razão, um comentário de Naum editado em 1971 prefere situar a proclamação dos oráculos e a composição do livro nos meses que se seguiram imediatamente ao grande acontecimento de 663 (cf, 3,8 nota), e não nas proximidades de 612; tudo a partir de um conjunto de dados indicados nas notas à presente tradução. Vários indícios explorados por outras posições críticas também estão aí assinaladas.
Pode-se acrescentar, a título inteiramente secundário, que, segundo a tradição de interpretação delicada veiculada por Tb 14,4 – Livro apócrifo – (cf. também os vv. 12-15). Naum era considerado um profeta que teria predito o futuro a longo prazo; e que, de acordo com Séder Olâm, crônica rabínica contemporânea da Mishná, ele e Joel teriam exercido seu ministério sob Manassés.

OBS: (Cf. Ez 23,14 para os babilônios, e Heródoto para os medos. A cor dos assírios, ao invés, teria sido “a púrpura violeta” (Ez 23,5-6, cf 27,7): então a alusão aos rostos rubros (2,11) poderia ser uma ironia!).

(A queda da Babilônia foi também predita por Jeremias um meio século antes; ver Jr 51,59 nota e cf. Jr 50,1 nota).

(Também quanto a Joel, isto não parece tão inverossímil, cf. a Introdução a Joel).

(Cf. Jl 2,4-9 e Na 2,4-5.11; 3,2-3).

O profeta Naum. Sem deixar de notar características particulares da poesia hebraica ou da poesia em geral na linguagem de Naum, tem-se elogiado sobretudo o valor literário do livro em seu conjunto, quer se trate de hino inicial (cf. 1,2 nota) ou da vivacidade das interpelações e descrições da segunda e da terceira partes. O título do livro: visão (1,1) é muito característico; Naum vê e faz ver.
Contudo, o que mais impressiona na acuidade de sua visão é a paixão que o anima, o ardor de sua fé: apesar das aparências, afirma, com a força da inabalável convicção vinda do alto, que a vitória será do ETERNO, que ela já lhe pertence.
Por isto, para além das antíteses superficiais que alguns quiseram descobrir entre Naum e os grandes profetas, como Jeremias, tem-se de reconhecer nele a manifestação de um dinamismo haurido de excepcional comunhão com o Yaohu vivo, com o ETERNO, dono da história e de todo homem.
Se, por exemplo, considerando o paralelismo de 1,13 com Jr 28,11, formos tentados a classificar Naum entre os profetas do tipo de Hananiá, contra o qual se insurge Jeremias, bastará virar duas ou três páginas do livro deste profeta para descobrir Jr 30,8: Percebemos então que também Jeremias predisse a libertação após o castigo, em termos análogos como fizera Isaías (por ex., em 10,5-9.24-27). Não nos deve surpreender o fato de não encontrarmos, nos quarenta e sete versículos de Naum, todos os aspectos da pregação profética encontrados na suma que é o livro de Jeremias. Sabemos que o ciúme do ETERNO mostra sucessivamente faces diferentes (1,2 nota); não é, pois, de admirar que as vozes de seus arautos exibam tonalidades tão variadas! Solidários no seio da mesma tradição, sabem inspirar-se discretamente um no outro, prolongar-se ou completar-se Jonas, por exemplo, amplia os horizontes de Naum. Joel que utiliza, assim parece, algumas vezes elementos da descrição da queda de Ninive, deles se serve na linha de Naum, para anunciar um acontecimento de alcance ainda mais universal, o dia do ETERNO. Sabe-se também com que amplidão Joel explorará a imagem dos gafanhotos e locustas de Naum (3,15-17) para descrever a provação por excelência (Introdução a Joel). E poder-se-iam multiplicar tais concordâncias com muitos outros profetas.
As notas à tradução aqui propostas assinalam as divergências entre as principais testemunhas do texto; entre outras, de fragmentos de comentário encontrado em Qumran. Este Comentário, datado de uns cem anos antes de nossa era, atesta, a seu modo, que vários fiéis souberam encontrar em Naum uma palavra de Yaohu capaz de esclarecer qualquer momento da história.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

HABACUQUE

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Habacuque.
Propósito: Guiar Israel em direção à fé em Yaohu durante as provações da conquista e do exílio babilônico ao exibir o empenho e a determinação pessoal do profeta.
Data: 605-600 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu nunca tolerará o pecado grave entre o seu povo.
Yaohu pode usar incrédulos perversos para castigar o seu povo.
Os fiéis deveriam reconhecer honestamente perante Yaohu as várias dificuldades que enfrentam.
Os fiéis deveriam aprender a confiar em Yaohu, mesmo quando as circunstâncias são difíceis.

Propósito e características
Em muitos aspectos, Habacuque lembrava muito o seu contemporâneo Jeremias, pois ele estava profundamente preocupado com a desobediência do povo de Yaohu e com as dificuldades que, num período muito breve, eles enfrentariam. A preocupação de Habacuque é mais demonstrada em diálogos com Yaohu, bem como persistentes súplicas a ele (2,1-2; 3,2.16), do que em pregação profética. O livro registra como o profeta mudou da profunda aflição e dúvida para a crença e a esperança por meio da oração a Yaohu.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM HABACUQUE.
(Yaohushua):

Quando Paulo, em sua carta aos romanos, procurou por um texto adequado para basear o seu entendimento do evangelho, ele escolheu Hc 2,4 na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento (Rm 1,17; cf. Gl 3,11; Hb 10,37-38). Assim como Habacuque (cap. 1), Paulo estava convencido de que a maldade e o pecado são incompatíveis com a santidade de Yaohu e isso só pode ser resolvido por meio de intervenção divina. A palavra profética de Habacuque (cap. 2) revela em princípio o meio pelo qual Yaohu irá finalmente lidar, por meio de O UNGIDO, com a incompatibilidade entre pecado e santidade. A cruz de O UNGIDO e o julgamento final em seu retorno são cumprimentos dessa revelação. Paulo, como Habacuque, afirmou que a verdadeira vida só é possível numa relação de total dependência do ETERNO. Essa dependência, baseada na fidelidade de nosso Yaohu, transforma a nossa existência neste mundo, enchendo a nossa vida de alegria e esperança na expectativa do cumprimento final de todas as suas promessas (cap. 3; cf. 2,3). Dessa maneira, Habacuque pode ser chamado de bisavô da Reforma. Os conceitos principais de sua pregação, assumidos por Paulo, influenciaram profundamente homens como Lutero e Calvino e se tornaram divisas-chave na fé da Reforma. Apenas a fé – a confiança perseverante e obediente no Yaohu de Habacuque, o Deus e Pai de nosso ETERNO Yaohushua O UNGIDO – fornece a chave para a existência significativa no mundo durante este período entre a primeira vinda de O UNGIDO e o seu retorno.
[“Não há nenhuma salvação, a não ser nele; pois não há sob o céu nenhum outro nome oferecido aos homens, que seja necessário à nossa salvação At 4,12”]. Por isso é importante saber o seu verdadeiro nome. Anselmo Estevan.

HABACUQUE: O livro. O texto. O texto hebraico dos três capítulos do livro de Habacuc apresenta numerosas dificuldades, que estão longe de ser resolvidas. As leituras propostas pelas versões antigas são muitas vezes variantes, mas sempre interessantes. Entre os manuscritos da Comunidade de Qumran descobertos nas grutas do Deserto de Judá (os “manuscritos do mar Morto”), figura um Comentário de Habacuc que resistiu – e confirma – mais ou menos integralmente o texto dos dois primeiros capítulos. É, de longe, o mais antigo testemunho do texto hebraico, copiado, ao que se julga, antes do início de nossa era. As poucas diferenças entre o texto do Comentário e o texto hebraico comumente aceito estão assinaladas nas notas.
Ler hoje a profecia de Habacuc é entrar num texto de várias vozes: a voz do próprio profeta pode ser escutada de diversas maneiras; além disto, seu som se articula sobre um fundo de variações expressas pelas versões e outros ecos da repercussão que este livrete conheceu.
O plano. Após o título (1,1), a proclamação se compõe de dois apelos do profeta dirigidos a seu Deus Yaohu (1,2-4 e 12-17). A estes apelos correspondem duas respostas: a primeira (1,5-11) é uma visão, a da avançada, irresistível de um exército de conquistadores, os caldeus; a segunda (2,2-19), que também se intitula “visão” (2,2), começa por um oráculo (2,2-4), que é o centro do livro, pois deve ser gravado “em tábuas” (2,2). Ela continua por cinco estrofes começando por Ai! Proferidas contra um inimigo (2,6b-19). Dois textos de transição mostram, o primeiro, o profeta como sentinela (2,1), o segundo, o inimigo que o profeta vai apostrofar por cinco vezes (2,5-6a). Outro versículo de transição (2,20) anuncia o Salmo do capítulo 3, que descreve a intervenção de Yaohu, e conclui com um louvor.

As circunstâncias do profeta. A história. A menção aos caldeus (1,6) leva a situar a proclamação de Habacuc na época em que os neobabilônios, desarticulando o império assírio, começam, com êxito, a impor seu domínio ao Oriente Médio, em fins do séc. VIII a.C. O profeta descreve e interpreta este acontecimento histórico, tão prenhe de conseqüências para o reino de Judá: campanhas militares de 610 a 600, invasão de Judá, assédios de Jerusalém, deportações (2Rs 23 – 25).
Quanto às circunstâncias precisas que acompanharam a redação e composição do livro, os comentadores se dividem entre várias perspectivas:
– Cada parte do livro corresponderia a uma etapa da conquista caldéia; com isto, a composição do livro se teria estendido no tempo; a importância atribuída a esta extensão temporal do processo de composição varia conforme os autores.
– A forma dialogada dos dois primeiros capítulos e a forma de hino do cap. 3 seriam indícios da natureza litúrgica destes poemas. Teriam estado no centro de celebrações cultuais. Não se consegue saber se se trata de uma profecia, que teria recebido uma forma litúrgica, ou de uma criação litúrgica original, apresentada como profecia. Apesar desta incerteza, o leitor atento a este aspecto do livro poderá percorre-lo sentindo o intenso fervor coletivo que animou o diálogo dos caps. 1 – 2 e o Salmo do cap. 3, no momento dos fatos vislumbrados por trás do texto e durante os perturbados anos que se seguiram.
A personalidade do profeta. As pesquisas sobre a pessoa de Habacuc continuam sem resultado apreciável. Muitas vezes se interpreta seu nome como o de uma planta de jardim. Nem o seu livro, nem os outros livros canônicos da Bíblia hebraica dizem algo de explícito sobre a vida ou a personalidade do profeta. Em compensação, depois da difusão do livro que traz seu nome, Habacuc entra na legenda e Dn 14,33-39 lhe dá um papel numa cena que reedita a de Daniel na cova dos leões.
O homem presunçoso (2,5). É possível que a proclamação de Habacuc tenha visado a duplo feixe de circunstâncias: é evidente que o profeta ataca os caldeus, inimigo exterior, principalmente na pessoa de seu soberano, impiedoso e insaciável em suas conquistas; paralelamente, percebem-se, em algumas interpelações do capítulo 2, a crítica a outro personagem: o rei de Judá – certamente Joaquim –, que, no interior do reino, seria culpado de injustiça pelo menos tão grande, do ponto de vista do profeta, quanto aquela que cabe ao inimigo caldeu. Compara-se 2,6-12 com Jr 22,13-19.
Mensagem e interpretação. Quando as circunstâncias nacionais e internacionais põem em xeque os próprios fundamentos das relações entre Yaohu e seu povo, surge um drama na comunidade dos fiéis. O testemunho da profecia de Habacuc é, em primeiro lugar, o do fiel. Embora – ou porque – desamparado, o fiel recorre a Yaohu contra o próprio Yaohu cuja ação na história se tornou incompreensível. A resposta é dada naquilo que propõe a palavra-chave fidelidade (2,4). À fidelidade, fundamento e justificação da vida do crente, é concebida a visão da fidelidade de Yaohu, bem real apesar das aparências. Para isto chamam a atenção às notas desta edição: o Salmo do cap. 3 é formado por uma textura de expressões a lembrar que Yaohu de Israel deu, se assim se pode dizer, provas seguras de sua fidelidade no passado. Ora, é este Deus que vem (3,3); daí a firmeza de conclusão: O ETERNO é meu ETERNO, ele é minha força.
No decurso da história, recorreu-se ao livro de Habacuc para encontrar uma visão dessa ordem em períodos difíceis. A comunidade de Qumran interpreta-o como iluminação decisiva dos tumultuosos acontecimentos que ela testemunhou. Igualmente a primeira comunidade cristã a ele recorreu, para definir a situação do cristão, (hoje, “os Remanescentes”). Anselmo Estevan., em relação ao Deus – Yaohu de Yaohushua O UNGIDO. As citações de Hc 2,4 pelas epístolas do NT (Rm 4,17; Gl 3,11; Hb 10,38) ampliam a significação do termo central, fidelidade, para incluir a fé, tal qual concebida pelos autores cristãos (cf. Rm 10,9 nota). Implicação que se acha na maioria dos escritos dos Pais da Igreja que se referem a este versículo de Habacuc. Sabe-se também que esse tema é como que gravado em exergo na obra inicial de Lutero, o Comentário à Epístola aos Romanos.
Esta interpretação provavelmente se espalhou junto com o cristianismo; por este motivo, a partir do séc. II de nossa era, os comentadores judaicos procuram minimizar o alcance da afirmação chave: um justo vive por sua fidelidade; ou lêem:… sua alma não é reta nele e um justo não viverá por sua fidelidade (por sua fé só), estendendo a negação do primeiro membro da frase ao segundo; ou consideram a frase como a expressão de uma saída concebida de mau grado a fiéis de piedade arrefecida: àqueles para os quais o jugo da Torá é pesado demais e que não conseguem cumprir suas 613 prescrições, concede-se assumir apenas uma dentre elas, a mais fácil: afirmação da fé monoteísta, um mínimo.
INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

SOFONIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O próprio Sofonias.
Propósito: Conclamar o povo de Judá e de Jerusalém ao arrependimento em face da invasão, bem como à esperança numa grande restauração após o tempo de destruição e exílio.
Data: 640-621 a.C.
Verdades fundamentais:
Yaohu usou os babilônios para castigar severamente Judá e muitas outras nações por causa dos seus pecados.
Buscar humildemente a Yaohu provê esperança de proteção contra o mal.
A destruição de outras nações redundaria, um dia, em benefício para Israel.
Yaohu purificará gentios e judeus e lhes concederá bênçãos grandiosas depois que o seu julgamento estiver terminado.

Propósito e características
A terminologia de Sofonias é muitas vezes semelhante à de seus predecessores (cf. 1,7a com Hc 2,20; 1,14 com Jl 1,15; 17b com Is 34,6), o que provavelmente indica que ele estava familiarizado com as profecias desses profetas. Ele manteve a continuidade com os profetas que o precederam.
O foco de sua mensagem, entretanto, era “o dia do ETERNO”. Nesse dia, um inimigo estrangeiro, a “espada” do ETERNO (2,12), infligiria severa destruição a Jerusalém (1,4). Esse inimigo tem sido variadamente identificado com os citas, os assírios ou os babilônios. Próximo ao final do reinado de Ezequias, Isaías já havia identificado os babilônios como aqueles que conquistariam Jerusalém (Is 39,5-7). Portanto, é muito possível que Sofonias tivesse essa ameaça em mente.
O tratamento dado por Sofonias a esse tema forma dois ciclos que se movem do julgamento divino para a esperança de salvação.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM SOFONIAS.
(Yaohushua):

O livro de Sofonias não contém nenhuma profecia messiânica direta, mas o foco do profeta sobre o “dia do ETERNO” como uma ocasião de julgamento e bênção liga a sua mensagem com a obra de O UNGIDO. Num determinado momento, o Novo Testamento identifica o dia do ETERNO com o dom do “Rúkha no dia de Pentecostes” (At 2,20). Normalmente, entretanto, o dia do ETERNO se refere ao retorno glorioso de O UNGIDO (1Co 1,8; 5,5; 2Co 1,14; 1Ts 5,2; 2Ts 2,2; 2Tm 4,8; 2Pe 3,10), e descreve esse dia como a ocasião em que YAOHUSHUA destruirá todos os seus inimigos e derramará bênçãos maravilhosas sobre seus fiéis seguidores. [“O último inimigo a ser destruído: A MORTE – 1Co 15,26. {1Co 15,24-28 – Hb 2,14.15; Ap 1,18; Rm 6,9; 6,11; Tt 1,4; 2,13; 3,6; 1Co 15,51-57; Ap 20,11-15}. Efésios 4,4-6: Há somente um corpo e um Rúkha, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só ETERNO – Yaohu, uma só fé, um só BATISMO; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.]. “Há, também, um ÚNICO NOME AO QUAL FOI DADO AOS HOMENS NÃO POR MÃOS HUMANAS…”. Por isso, é essencialmente saber o seu único nome – “AGUARDEM NO FINAL DESTA APOSTILA” – AS REVELAÇÕES APÓS “Malaquias” – do “NOME DE DEUS!”. Anselmo Estevan. Essas correlações entre a mensagem de Sofonias e o ensino do Novo Testamento apontam para duas direções.
Em primeiro lugar, Sofonias predisse que a descrição infligida pelos babilônios alcançaria a muitos. Não apenas os ímpios em Judá seriam julgados, mas as nações iníquas do mundo também receberiam o julgamento de Yaohu. Esse julgamento babilônico, entretanto, seria apenas um prenúncio do julgamento eterno que virá quando O UNGIDO retornar em glória.
Em segundo, Sofonias predisse que a destruição trazida pelos babilônios não anularia as promessas de Yaohu. Yaohu purificaria um povo para si mesmo de entre as nações e dos exilados judeus, e os traria em alegre celebração às maravilhas de uma Jerusalém renovada [os REMANESCENTES]. Anselmo Estevan. Essa visão profética é cumprida em YAOHUSHUA. Em O UNGIDO, os gentios são unidos aos crentes judeus para formar um corpo (Ef 2,11-16). Quando O UNGIDO retornar, homens e mulheres redimidos de todas as nações se curvarão diante dele em louvor cheio de alegria (Ap 7,9-10) na nova Jerusalém (Ap 21,1-3). E, o louvaram com o seu verdadeiro Nome – “VEM YAOHUSHUA” – VEM! VOCÊ NÃO QUER FICAR DE FORA NÃO É MESMO. ENTÃO APRENDA SOBRE SEU NOME OK. Anselmo Estevan.

SOFONIAS: Será que Yaohu se interessa pelos homens? É ele quem conduz a história? Tal era a pergunta dos céticos ao profeta, num tempo de calamidade (Sf 1,12).

I. O quadro histórico. O pano de fundo do livro de Sofonias é, com efeito, uma época excepcionalmente dramática que interrogava este profeta –, como a outros, aliás –, acerca do sentido da história.
Para começar, é o tempo da expansão assíria, com as destruições e crueldades que ela acarretava. Ruína dos estados arameus situados entre o Eufrates e o Mediterrâneo; em seguida, a de Damasco, em 732 a.C.; tomada de Samaria, em 722, com deportação da população; tomada de Tiro, em 701, e de Sídom, arrasada de alto a baixo, em 671; saque de Tebas no Egito, em 663; saque de Babilônia, em 689: “Eu a tratei pior do que um dilúvio”, escreverá Senaquerib.
Algumas dezenas de anos mais tarde, a situação se inverte: os medos aniquilam Ninive em 612. Depois, os neocaldeus de Babilônia inundam o Ocidente: Jerusalém é sitiada três vezes e acabará arruinada, em 587.
Entre estes dois movimentos pendulares, houve ainda uma invasão dos citas que, durante vinte e oito anos (de 639 a 611 mais ou menos), dominaram grande parte do Oriente Médio. Vindos do norte do mar Negro, empurraram os medos, apoderaram-se da Ásia Menor e prosseguiram, ladeando a costa mediterrânea, sua marcha para o sul, em direção do Egito. As instâncias e os presentes do rei do Egito (Psamético, 664-620 a.C.) fizeram-nos voltar atrás. Contudo, senhores da Ásia e dos confins do Egito, os citas pilharam e arruinaram inteiramente os territórios que ocupavam ou atravessavam, impondo, a bel-prazer, o seu domínio aos povos submetidos. Seu domínio terminou com o saque de Ashqelon e a queda de Ashdod (c. 611), na Filistéia. Foi na mesma época (609-608) que o faraó Nekô II apoderou-se de Gaza, outra cidade da Filistéia, venceu os sírios ou Meguido e adiantou-se até Harran, na Mesopotâmia.
Durante todo esse tempo, e particularmente durante o período assírio que marcou o longo reinado de Manassés, Jerusalém não podia ficar de lado. Apertada no corredor palestinense, ela participou das manobras políticas e dos jogos de coalizão a que se entregavam os pequenos estados situados entre a Mesopotâmia e o Egito. Foi assim que o rei Amon, de Judá, foi assassinado, provavelmente por um grupo de oficiais decididos a repelir o jugo assírio. Diante deste movimento egiptófilo, houve imediata contra-revolução “da gente da terra”, graças à qual Josias, aos 8 anos, subiu ao trono.
Nesta linha de reação ao domínio assírio, durante os anos da minoridade do rei, é que se compreende melhor a atuação do profeta Sofonias e suas críticas políticas e religiosas, dirigidas tanto contra os ministros e os príncipes da corte real, como contra os que aderiam ao estrangeiro, adotando seu modo de vestir ou práticas religiosas. Foram encontrados, por sinal, contratos de venda dessa época, concernentes a judeus ou egípcios de Guézer, redigidos em assírio e conformes ao direito assírio.

II. Plano do livro. Deve-se atribuir aos editores do livro de Sofonias a atual disposição em três partes, de acordo com o clássico esquema tripartido, tipicamente profético (cf. Jeremias, Ezequiel), a saber: advertência a Israel, julgamento das nações e promessas de restauração.
Detalhadamente, o livro segue o seguinte plano:
1) Título (1,1), redacional;
2) oráculo de advertência e de ameaça contra Judá (1,2-13);
3) o Dia do ETERNO (1,14-18);
4) exortação a um Resto, os humildes (2,1-3); [os REMANESCENTES], A. E.
5) julgamento e ameaças contra as nações inimigas de Judá (filisteus, moabitas, amonitas, núbios e assírios) (2,4-15);
6) rejeição de Jerusalém, posta no mesmo plano das nações pagãs (3,1-8);
7) promessas de restauração (3,9-20).

III. Os grandes temas do livro. Um céu de apocalipse e uma terra para os pobres do ETERNO, tais são os dois horizontes de Sofonias, com uma realidade central: Yaohu “no meio” de seu povo (3,5.12.15; cf. 3,2), pois só Yaohu orquestra a história e salva os humilhados.

A) O Dia do ETERNO. Este tema tornou célebre a profecia de Sofonias. É o eixo de gravitação do pensamento do profeta, com dois pólos: de um lado Israel, do outro, as nações; duas forças antagônicas, cujo resultado será: o “Resto”. O tema do Dia impõe-se pela conjuntura histórica das grandes perturbações políticas do tempo. O Dia do ETERNO é o momento em que este vinga seu povo, decide seu destino, salva-o como outrora no tempo do Êxodo; para tanto, renova os aterradores prodígios contra as nações. Todavia, a concepção de Sofonias ultrapassa o quadro estrito da história: o que ele prediz é um cataclismo cósmico. Sem trair a mínima hesitação nem sombra de emoção, o profeta anuncia esse dia de cólera (dies irae) e de destruição. Se há esperança para os humildes, a história irá acabar num festim de sangue, presidido por Deus. O Dia do ETERNO (já mencionado por Amós, Naum e Joel) será o dia de perturbação geral. Com uma amplidão sem igual, Sofonias descreve um julgamento que, pelo terror e desolação, atingirá não apenas os homens e as civilizações, mas tudo o que tem vida na terra, e constituirá uma espécie de desintegração da criação (Sf 1,2 – 3.15).
Contudo, em Sofonias, o Dia do ETERNO não se declara como o fim do mundo e da história, mas como a metamorfose e recriação do povo de Yaohu, a fim de uma era de pecado. E tudo vai terminar nos cantos de alegria do “RESTO” – OU seja (OS REMANESCENTES). Anselmo Estevan. (Cap. 3).

B) Oráculos contra Jerusalém e contra as Nações, já que a cidade é infiel e recalcitrante, e seus chefes, juízes, profetas e sacerdotes se fizeram surdos à voz de Yaohu, o profeta põe Jerusalém sob o juízo de Yaohu, votando-a à desgraça. O ETERNO vai perscrutar, condenar e punir. E não serão só os grandes a sofrer; também os idólatras, os funcionários, os comerciantes e os incrédulos. Desde o Templo até os mercados, a cidade inteira padecerá a ação divina.
Quanto às nações pagãs, também elas sofrerão o castigo divino. Como outros profetas, Sofonias volta-se para os quatro pontos cardeais, a fim de anunciar sua ruína e seu aniquilamento: aos filisteus (oeste), a Moab e Amon (leste), aos etíopes (sul) e à Assíria (norte).
O livro apresenta uma leitura profética dos sinais dos tempos, leitura que prepara o nascimento da literatura apocalíptica.
[“Por isso mesmo é imprescindível saber o seu Verdadeiro e Único Nome Pessoal – Porque os “REIS” – se fizeram de surdos – TODOS SE FIZERAM DE SURDOS! Não seja você, também, um surdo?”]. Anselmo Estevan.

C) Os humildes. Ao lado dos trovões de sua voz de profeta, Sofonias tem inflexões de ternura pelos pequenos que “põem em prática” à vontade do ETERNO. Estes, os “humildes”, têm esperanças de escapar ao cataclismo da cólera divina. São o “Resto”, o NOVO POVO DE YAOHU!

D) A Santa Montanha do ETERNO. Yaohu quer reunir um Israel qualitativo, o “Resto”, e honrá-lo diante das nações, e isto na Jerusalém feliz, livre e santa, onde ele reinará. Com isto, depois de algumas das páginas mais sombrias do Antigo Testamento, o livro de Sofonias termina num tom de esperança e de alegria, numa visão de danças na Jerusalém em festa.

IV. Data e autenticidade do livro. Como bem o disse com razão Karl Barth, “os profetas são homens sem biografia”. No entanto, as alusões de Sofonias à história de seu tempo são bastante claras e supõem longa experiência nos meios políticos, o que permite datar sua obra, pelo menos aproximadamente. Pode-se ter como certa sua atuação a partir da minoridade de Josias. Por tanto se, como pensam os historiadores, seu ministério começou por volta de 630 a.C., é muito possível que tenha conhecido a queda de Ninive em 612 e talvez mesmo os dois cercos de Jerusalém (597 e 587/586) e sua tomada. A deportação dos habitantes para Babilônia explicaria por que depois de tantas profecias de desgraça, Sofonias pôde pronunciar oráculos que prometiam aos exilados retorno e restauração.
Nunca se duvidou seriamente nem da existência do profeta nem da canonicidade do livro. Mesmo comportando vestígios de intervenções posteriores, é preciso considerar com cautela as críticas a versículos ou passagens pretensamente inautênticos.
Entre os textos menos atestados considere-se 2,8-11, em que a métrica poética da “Lamentação” (qiná) desaparece, para ressurgir no v. 12.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

AGEU

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Ageu.
Propósito: Incentivar a reconstrução do templo na esperança de trazer grandes bênçãos para Israel depois do exílio.
Data: 520 a.C. (Ministério de Ageu).
Verdades fundamentais:
Yaohu ofereceu muitas bênçãos aos primeiros que retornaram após o exílio.
O reino de Yaohu deve ter prioridade sobre o nosso conforto pessoal.
Os servos do reino de Yaohu precisam ser imaculados.
A esperança do povo de Yaohu está no templo e na casa de Davi na medida em que eles foram cumpridos em O UNGIDO.
O povo de Yaohu está destinado a herdar a terra em O UNGIDO.

Propósito e características
O livro de Ageu consiste de quatro mensagens, sendo que cada uma é encabeçada pela frase “veio a palavra do ETERNO por intermédio do profeta Ageu [ou “a Ageu”]” (1,1; 2,1; 2,10; 2,20). Essas quatro mensagens alternam os chamados ao arrependimento diante da contínua retenção das bênçãos de Yaohu sobre a terra (1,1-11; 2,10-19) com as promessas de grandes bênçãos sobre o templo e por intermédio da linhagem davídica (2,1-9; 2,20-23).
Juntos, Ageu, Zacarias e Malaquias usam o título “ETERNO dos Exércitos” mais de noventa vezes (quatorze vezes em Ageu). As palavras no hebraico têm exatamente esse mesmo significado. O significado do título tem dois aspectos: ele reforça o poder soberano do ETERNO – YHWH – YAOHU – QUE REINA SOBRE ISRAEL E SOBRE TODA A TERRA POR MEIO DO SEU PODER MILITAR (1Sm 17,45) E ENFATIZA A SUA FIDELIDADE AO POVO COM O QUAL ELE ESTÁ EM ALIANÇA, O QUE LEVA ESSE POVO A ADORA-LO (Cf. Sl 24). {Mais um motivo para adora-lo em seu Único Nome Pessoal “Yaohu”}. Anselmo Estevan. § P.S. [Estou, trocando, o “Título = ‘SENHOR’ – QUE FOI CONFUNDIDO, TROCADO E ACEITO COMO SEU NOME PESSOAL {YHWH}, pelo TÍTULO ACEITÁVEL = “ETERNO” – QUE, NÃO SE CONFUNDE COM SEU VERDADEIRO NOME – YAOHU!].

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM AGEU.
(Yaohushua):

Os dois temas centrais desse livro – o templo e a vitória da linhagem davídica – encontram cumprimento em O UNGIDO. Reconstruir o templo era crucial para que a nação fosse restaurada às bênçãos de Yaohu. Ali era o lugar de oração, adoração, perdão, etc. O UNGIDO é o templo final (Jo 2,21-22), mas a Igreja, seu corpo, é o templo do Rúkha hol – Rodshua (1Co 6,19-20). Quando O UNGIDO retornar, os novos céus e a nova terra serão a santa habitação de Yaohu (Ap 21,22-23).
A restauração da linhagem de Davi também era uma parte essencial da bênção de Yaohu sobre a comunidade restaurada. A linhagem davídica deveria conduzir o povo na batalha e garantir a sua prosperidade. Yaohushua é o Messias, o último e perfeito filho de Davi (Mt 1,1; Lc 20,41-44; Rm 1,3). Após a sua morte, ele estabeleceu o seu reino quando ascendeu ao seu trono celestial (At 1,9-11). Ele agora reina até que todos os seus inimigos sejam subjugados (1Co 15,25-27; 1Pe 3,22). Quando retornar, governará sobre os céus e a terra (Hb 2,8; Ap 1,5). A Igreja está UNIDA com O UNGIDO em sua entronização (Rm 8,37; 1Pe 5,10), para que um dia, todo aquele que vencer, reine com ele.

AGEU: No desenrolar da história sagrada, a atuação do profeta Ageu foi muito mais extensa do que seu pequenino livro faz supor.
Depois de uma primeira tentativa de reconstrução do Templo em 537 (Esdras 3,7-12), a penúria dos meios disponíveis e a hostilidade da população samaritana obrigaram a comunidade dos repatriados a interromper os trabalhos.
Por ocasião da morte de Cambises em 522, violentos conflitos internos abalaram o império persa. A instabilidade política dos primeiros anos do reinado de Dario provocou em Jerusalém uma tensão; o profeta Ageu, logo seguido por Zacarias, nesta se apoiou para despertar a comunidade.
A mensagem profética de Ageu – que se situa exatamente entre agosto e dezembro de 520 – procura interpretar para os contemporâneos os sinais dos tempos: a pobreza e as más colheitas são uma censura à letargia espiritual dos repatriados. Renovem o seu zelo pela fé, assumam o trabalho de construir para o ETERNO uma Casa digna dele, e as bênçãos se multiplicarão; poderá abrir-se o tempo da salvação definitiva.
A instabilidade das nações já é prelúdio do Dia do ETERNO (2,21-22). A salvação está às portas. Zorobabel, da linhagem davídica, é o portador ocasional das esperanças messiânicas.
A expectativa de um Templo mais glorioso do que o primeiro e de um messias régio – dupla esperança realizada em Yaohushua O UNGIDO – sustentou vigorosamente o povo em sua caminhada para os novos tempos.

(…) Para evitar o risco de tomar o nome de Deus (YHWH) em vão, os judeus mais religiosos começaram a substituir o nome próprio em si pela palavra [‘adona(y)]. {Na transliteração para o português, as letras: o primeiro (a) tem um acento tipo como um acento circunflexo virado para cima; e, os dois (a), seguintes, tem um traço em cima = devido ao texto masorético!}. Embora os masoretas tenham deixado as quatro consoantes originais no texto, eles acrescentaram as vogais (e) [no lugar de (a), por outras razões] e (a) para recordar ao leitor a pronunciar (‘adona[y]) sem levar em conta as consoantes. Isto acontece mais de 6000 vezes na Bíblia Hebraica. A maioria das traduções usa letras maiúsculas para escrever o título “SENHOR”. Algumas exceções são a Bíblia na Tradução Brasileira que usava “Jeová”, a Bíblia de Jerusalém que tem Iahweh e a Bíblia Pastoral que traz Javé. O que foi provocado pela cautela dos judeus é semelhante ao nosso costume de dizer “por exemplo” quando lemos a abreviatura “e. g.”. Posteriormente os judeus substituíram o nome divino por outras palavras como “o nome”, “o bendito” ou “o céu” (cf. Mc 14,61.62).
Nas passagens onde (‘adona[y]) yhwh ocorre, yhwh recebe a pontuação vocálica de ‘elohim, e as traduções em português apresentam “SENHOR DEUS” (e.g., Am 7,1).
Texto tirado dá página 28, do livro: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. (R. Laird Harris. Gleason L. Archer, Jr. Bruce K. Waltke).
Sendo mais uma prova de que o Nome Próprio de Deus – Foi blasfemado por um medo de não “pronuncia-lo” e, fizeram coisas piores…! Anselmo Estevan.
Aqui, fica uma pergunta: Onde está escrito na Bíblia que Deus pediu para os “homens fazerem essa ciranda toda com seu Nome???”. Anselmo Estevan!!!

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

ZACARIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Zacarias.
Propósito: Encorajar a confiança nas profecias de Zacarias, não apenas referentes ao julgamento, mas, também, nas referentes às grandes bênçãos prometidas para Jerusalém quando o reino de Yaohu vier em sua plenitude.
Data: 520-475 a.C. (ministério de Zacarias).
Verdades fundamentais:
Yaohu prometeu bênçãos maravilhosas para o seu povo após o exílio, por meio de Zorobabel, o filho de Davi, e por meio de Josué, seu sumo sacerdote.
Apesar das falhas daqueles que retornaram do exílio, Yaohu não falharia em cumprir as suas promessas.
Yaohu tem todo o poder para derrotar seus inimigos e o fará algum dia.
Uma batalha final trará a vitória absoluta para o povo de Yaohu.

Propósito e características
Zacarias contém uma variedade de formas literárias. As visões contidas na primeira parte são semelhantes às de Ezequiel e Daniel. O livro é sempre citado como um exemplo de literatura apocalíptica antecipada, e certamente métodos e temas característicos desse tipo de literatura estão em evidência. No cap. 14, encontra-se a descrição de uma guerra final contra Jerusalém, na qual Yaohu sai como um guerreiro vitorioso para salvar o seu povo de seus inimigos. Da mesma maneira, as visões dos cavalos (1,7-17), dos quatro carros (6,1-8) e da mulher dentro do efa (5,5-11) também podem ser vistas como formas antecipadas de literatura apocalíptica.

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM ZACARIAS.
(Yaohushua):

Zacarias falou tanto do futuro imediato de Israel como do futuro distante com O UNGIDO. Como ocorre com a maioria das profecias da restauração de Israel pós-exílio, as palavras de Zacarias tiveram um significado imediato para Zorobabel, o filho de Davi; para Josué, o sumo sacerdote, e para Jerusalém. Ao mesmo tempo, todavia, Zorobabel representava apenas a continuação e não o fim da linhagem davídica. Josué também representava a continuação da linhagem sacerdotal e fazia parte dos “homens de presságio” (3,8). Como resultado, o que foi dito sobre Zorobabel e Josué anteviu o que o último filho de Davi, o Messias, cumpriria um dia plenamente. Por exemplo, as profecias sobre a bênção de Yaohu sobre Jerusalém (p. ex., 2,5.11) eram ofertas genuínas aos que retornaram do exílio. Essas bênçãos poderiam ter sido percebidas em alguma extensão durante os primeiros anos pós-exílio, mas muitas se perderam por causa do pecado. Mas o que foi oferecido a Zorobabel certamente se cumpriria no Messias, que traria todas as esperanças da dinastia de Davi e do sacerdócio ao seu pleno cumprimento por meio de sua perfeita obediência. Portanto, podemos afirmar com certeza que Zacarias forneceu muitos vislumbres do Messias, YAOHUSHUA. Zacarias concentrou-se na família real de Davi (Zorobabel) e no sacerdócio zadoquita (Josué) como figuras centrais na realização das bênçãos de YAOHU na restauração. Não é de admirar, então, que o cumprimento desses dois papéis em O UNGIDO esteja ligado às profecias de Zacarias. YAOHUSHUA é o Rei que entrou em Jerusalém montado num jumento, como foi profetizado em 9,9-10, passagem que foi citada por Mateus para referir-se à entrada triunfal de YAOHUSHUA (Mt 21,1-11). A traição e a morte de O UNGIDO são citadas em 13,7. Além do mais, Zacarias desenvolveu a figura messiânica de um ramo de videira que combina as funções de um sacerdote e do rei (3,8; 6,12).
Embora o Messias não seja especificamente mencionado em 2,5.10, a promessa da habitação de Yaohu no meio do seu povo se realizou em O UNGIDO (Jo 1,14). Da mesma maneira, a Festa dos Tabernáculos, celebrada em 14,16-20, encontrará sua máxima expressão no estágio final o reinado do Messias nos novos céus e na nova terra (Ap 21,1-3).

ZACARIAS: Como o livro de Isaías, o de Zacarias não deve ser atribuído a um só profeta. Os caps. 1 – 8 são bem diferentes de 9 – 14 e constituem um livro bem delimitado, atribuindo ao profeta Zacarias, contemporâneo de Ageu, quando da volta do Exílio. A segunda parte provém de autor mais recente, geralmente chamado o Segundo ou Dêutero-Zacarias.
As características de ambas as obras merecem estudo à parte.

I. ZACARIAS 1 – 8

1. O profeta. A atividade do profeta Zacarias, cuja mensagem nos foi transmitida nos caps. 1 – 8 do livro que leva seu nome, segue de perto a do profeta Ageu. Sua primeira intervenção data de outubro-novembro de 520 a.C. (1,1), um mês antes do último oráculo de Ageu (Ag 2,10.20). Sua atividade prolonga-se no mínimo até novembro de 518 (7,1), ou seja, três anos antes da dedicação do novo Templo, em 515.
Ageu conseguiu provocar uma renovação religiosa (Ag 1,14). Zacarias consolida o movimento, tanto por seus apelos à fidelidade quanto por suas promessas concernentes ao futuro. Aproveitando os distúrbios políticos que atingiam o império de Dario (cf. Introd. a Ageu), diversos grupos de exilados voltaram de Babilônia a Jerusalém, cheios de esperança (2,10-13; 6,10); logo, porém, ficaram desanimados por conta de determinadas dificuldades de integração na comunidade (5,3-4; 8,16-17). A paulatina volta do mundo ao normal (1,11) eclipsou a expectativa de uma mudança rápida; a decepção apoderou-se dos espíritos.
Não sabemos quase nada da pessoa do profeta Zacarias. Ele desaparece por trás de sua obra. Apresentando como o neto de Idô (1,1 e 1,7) – sendo talvez filho de Idô (Ed 5,1; 6,14 e Targum) –, por volta de 500 ele parece ser o chefe da família sacerdotal de Idô (Ne 12,16). Sua qualidade de sacerdote explica sua insistência ao papel do Templo. Incumbia também a um sacerdote responder a uma consulta ritual como a dirigida a Zacarias acerca da manutenção ou supressão dos jejuns comemorativos (7,1-3; 8,18-19). Enfim, a preocupação com a pureza e santidade da Terra Santa (2,16; 5,1-4; 5,5-11) corresponde perfeitamente à mentalidade sacerdotal.
Este sacerdote, contudo, entra nitidamente na linhagem espiritual dos antigos profetas. Retoma seus apelos à conversão: 1,3-6; 7,4-14; 8,16-17; e liga-se a eles graças a certo número de empréstimos literários. Quanto às visões, é devedor de diversos profetas anteriores: Am 7, para o conjunto; Ez 40,3-4, para o anjo mediador; Ez 2,9-10, para o rolo voador. Diversas vezes a tradição tem insistido nesta qualidade de profeta para acentuar o peso de sua mensagem: 2,13; 2,15; 4,9; 6,15. Até a legenda adotou este profeta, transformando-o em mártir (Mt 23,35), em conseqüência da confissão com Zacarias filho de Iehoiada, assassinado pelo rei Joás (2Cr 24,20-22).

2. O livro. O essencial do livro é constituído por um relato de oito “visões”, espécie de diário redigido em primeira pessoa, a descrever antecipadamente a restauração definitiva da comunidade. Completado ulteriormente, este relato pode ser considerado obra do próprio profeta. É encabeçado por uma data precisa, em 1,7: meados de fevereiro de 519 a.C.; representa uma fase importante da pregação do profeta e o centro em trono do qual se desenvolveu o livro inteiro.
Este livrete das visões é entremeado por diversos oráculos que relacionam algumas das visões com os acontecimentos da atualidade. Assim, 2,10-17 é um apelo aos exilados para que voltem à cidade cujas condições são evocadas na segunda e terceira visões: 2,1-9. No cap. 3, os vv. 8,9c e 10 constituem uma promessa específica ao sumo sacerdote Josué depois da visão de sua investidura: 3,1-7 e 9a. Os vv. 4,6b-10a trazem uma garantia peculiar a favor do governador Zorobabel, palavra inserida na visão referente aos líderes da nova comunidade: cap. 4.
O plano do livrete é bem equilibrado: as três primeiras visões (os cavaleiros, os ferreiros, o agrimensor) apresentam as fases preparatórias da restauração messiânica; as duas visões centrais (a vestidura de Josué, os dois Ungidos) dizem respeito ao governo da nova comunidade; as três últimas, enfim (o livro, a mulher no alqueire, os cavaleiros) evocam as condições da restauração final.
Convém observar, porém, que a quarta visão (a investidura do sumo sacerdote) comporta características literárias e teológicas particulares. Confere ao sacerdote um lugar preponderante, enquanto a visão seguinte mantém os dois Ungidos em pé de igualdade. É possível que a quarta visão tenha sido introduzida posteriormente, o livrete original contendo somente sete. Tal modificação revela a importância conquistada pelo sacerdote a partir do desaparecimento do príncipe davídico Zorobabel. Semelhante evolução percebe-se em 6,9-14(15), onde a coroa originariamente se destinava a Zorobabel.
Completando deste modo, o livrete das visões foi emoldurado por pregações (1,1-6; 7,4-14) e promessas acerca do futuro (8,1-17.20-23). Estas últimas são agrupadas em torno a uma consulta referente aos jejuns comemorativos das calamidades de 587 (7,1-3 e 8,18-19). Estas pregações e oráculos foram colecionados e resumidos pelos discípulos do profeta, em certo caso até mui tardiamente, como 8,20-23. Assim, a mensagem de Zacarias permaneceu viva para as gerações seguintes.

3. A mensagem. A mensagem do livro de Zacarias apresenta duplo conteúdo.
De um lado, o profeta testemunha uma evolução na maneira de apresentar as intervenções de Yaohu entre os homens. Com os grandes profetas preexílicos, Yaohu entra se comunica diretamente por sua palavra ou por visões nas quais ele mesmo intervém. Ele é ao mesmo tempo o Yaohu santo, transcendente, e o que toma pessoalmente em mãos o rumo dos acontecimentos. Em Zc, Yaohu parece mais afastado do palco dos acontecimentos terrenos.
Se concede visões, já não é ele a quem se contempla, e sim, um anjo encarregado de explicar as intenções divinas. Os projetos de Yaohu são realizados por intermediários (anjos, cavaleiros).
Este afastamento de Yaohu em relação ao mundo traduz, sem dúvida, uma preocupação de espiritualização, mas corresponde também a uma experiência mais existencial, a de certa ausência de Yaohu. As provações do Exílio e as grandes dificuldades do memento presente (miséria, desânimo) suscitam a questão: será que Yaohu ainda está presente a nosso destino? A fé responderá multiplicando os intermediários que vão preencher o vazio aparente e aproximar o mundo celestial e os homens em provação. Os intermediários que, mais tarde, na apocalíptica, esconderão Yaohu por trás de um simbolismo cheio de mistério, constituem por enquanto um elo entre Yaohu e o homem.
Em segundo lugar, e de modo mais global, Zacarias está também a serviço da esperança. A uma comunidade que as dificuldades materiais e as decepções levariam à dúvida ou à resignação, ele proporciona nova esperança induzindo-a a ação. A reconstrução do Templo e a restauração de um culto válido são as maneiras concretas de aguardar a salvação. É o preço da instauração da era messiânica. As nações lhe serão associadas (2,15; 8,20-23). A salvação está à porta; o próprio Zacarias é considerado aquele que a deve inaugurar. A coroação simbólica que ele recebe (6,9-14) já é sinal disso.
Todavia fica-lhe associado um segundo personagem, que colabora com ele em pé de igualdade (4,14; 6,13): o sumo sacerdote. Surge assim a expectativa de um governo bicéfalo, dividido entre o sacerdote e o príncipe – idéia que na teologia medieval justificará o princípio de uma separação dos poderes civil e eclesiástico. Depois do desaparecimento de Zorobabel, esta expectativa se modificará e concentrará o papel messiânico na pessoa do sacerdote. É o que exprime a quarta visão (3,1-7) e a promessa especial feita a Josué e a seus colegas “que constituem um presságio” (3,8-10).
Esta esperança encontrará novas formas no AT (o texto pós-exílico: Jr 33,14-26) e, mais tarde ainda, em Jubileus e em Qumran. A carta aos Hebreus a proclamará realizada em Yaohushua (Hb 3).

II ZACARIAS 9 – 14 (DÊUTERO-ZACARIAS)

1. De Zacarias ao Dêutero-Zacarias. Esta segunda parte do livro de Zacarias exibe características que excluem sua atribuição ao mesmo autor da primeira.
Mudou a situação histórica: os problemas da restauração da comunidade, da cidade e do Templo não têm mais incidência; a expectativa messiânica, antes associada à reconstrução do Templo e à pessoa de Zorobabel, agora se desloca para personagens não identificados: o rei-messias pobre (9,9-10), o bom pastor rejeitado (11,4-14) e o misterioso “traspassado” (12,1 – 13,1); e nenhum dos personagens claramente nomeados na primeira parte reaparecem na segunda. Os prisioneiros evocados diversas vezes (9,11-12; 10,8-11) já não são os deportados de 587, mas antes evocam a diáspora em sentido amplo.
Os dados literários são igualmente muito diferentes. As visões e os breves oráculos messiânicos acerca de Zorobabel, de Josué ou do povo todo cederam lugar a desenvolvimentos mais amplos, de teor épico; o profeta e o anjo-intérprete que falavam na primeira parte já não entram em cena. Certos termos, certas expressões características da primeira parte estão ausentes – ou quase ausentes – da segunda, e vice-versa. Aliás, ocorre em 9,1 um novo sobrescrito, repetido em Zc 12,1 e Ml 1,1, revelando a origem peculiar das últimas seções da coletânea dos Doze Profetas.

2. O enigma literário dos caps. 9 – 14. O complexo arranjo dos diversos fragmentos que constituem a coletânea atual levou a ver-se neles uma espécie de mosaico de trechos isolados ligados entre si por certa expectativa messiânica. Outros, ao invés, procuraram neles uma estrutura literária complicada, mas equilibrada. Alguns traços comuns caracterizam os poemas dos caps. 9 – 11, onde as alusões históricas e as relações da comunidade com os outros povos podem ser indícios das preocupações de um autor ou de um grupo determinados. Os últimos capítulos, redigidos sobretudo em prosa, e preocupados com a transformação interna da comunidade, talvez tenham outra origem. Utilizando estes componentes diversificados, dos quais alguns podem remontar até antes do Exílio (9,9-10; 10,1-2; 11,1-3), o redator final organizou um conjunto assaz coerente.
Quanto à data de composição do livrete, apresenta-se amplo leque de hipótese, indo do período preexílico (séc. VII ou VI) até o período dos Macabeus, quando a morte do sumo sacerdote Onias III (2Mc 4,34) ou de Simão (1Mc 16,11-17) {Livros apócrifos} Anselmo Estevan., teria feito surgir à figura do traspassado.
A origem do livrete parece sempre mais dever ser situada no início do período grego, entre 330 e 300.
De fato, a campanha militar de Alexandre Magno, em 332, ao longo da costa mediterrânea, como também a destruição de Tiro, são descritas, com certa precisão, em 9,1-8.
Os cativos mencionados em 9,11-12 e 10,8-11 são os membros da diáspora inteira, presos em regiões simbolicamente nomeadas Assíria e Egito. Este último país, aliás, viu chegar em 312 uma onda de prisioneiros judeus, após a tomada de Jerusalém por Ptolemeu Soter I . Assim se explica a designação de “gregos” (Iavan) em 9,13 como potência hostil ao povo de Yaohu.
A maneira com que o autor se apóia nos grandes profetas de antanho, utilizando-os de modo original e com grande maestria, obriga a situa-lo num período já muito afastado do Exílio.
A obra inteira revela inegável fermentação religiosa e intelectual em conseqüência das vitórias de Alexandre Magno. Coisa semelhante já ocorrera depois da invasão da Senaquerib, no tempo de Isaías, e quando do despertar religioso na volta do Exílio; e ocorrerá novamente em conseqüência da grande perseguição no tempo dos Macabeus.

3. Plano do livro. Tal como se apresenta atualmente, o livrete comporta duas partes simétricas, nas quais a obra da salvação se desdobre num duplo movimento: um deslizamento do povo rumo à ruína e uma renovação total realizando a salvação.

Primeira parte: 9,1 – 11,17. À maneira de um comunicado de vitória, o profeta anuncia a intervenção definitiva de Yaohu. Os povos vizinhos, vencidos, são purificados e depois integrados à comunidade dos fiéis: 9,1-8. Logo depois surge a figura do rei-messias, que, na humildade, instaurará o reino ideal: 9,9-10. Grandes combates permitirão o reagrupamento de todos os dispersos do povo, de qualquer lugar, a ponto de arrebentar as fronteiras tradicionais: 9,11-17 e 10,3 – 11,3.
Um breve intermédio: 10,1-2, vem lembrar que tudo é exclusivamente obra de Yaohu e que qualquer outro apoio é falacioso.
Após esta preparação, o messias, desta vez apresentado como o pastor, empreende a realização do seu programa, significado pelos dois cajados: “Benevolência” e “União”. Tamanha é, porém, a degradação religiosa dos chefes e do rebanho que sua empresa malogra: rejeitado, cede o bom pastor seu lugar a um velhaco que dizima desavengonhadamente o rebanho (11,4-17).

Segunda parte: 12,1 – 14,21. Quando tudo parece perdido, o sacrifício do traspassado provoca um restabelecimento: livrado dos seus inimigos exteriores o povo é brindado com um espírito novo (12,1 – 13,11). A purificação prossegue e se completa pela renovação da aliança (13,2-9).
A salvação se estende ao mundo inteiro; todos os povos devem reunir-se a Israel para confessar a realeza do ETERNO. Embora provavelmente mais tardio, constitui o capítulo 14 uma boa conclusão da obra toda.
4. A mensagem de Dêutero-Zacarias. Pode-se resumir todo o conteúdo do livrete sob o título: descrição do advento messiânico. Notar-se-á, contudo, que nele, em ambas as suas partes, se justapõem duas concepções complementares.

a) Um messianismo sem messias. Este ideal messiânico é apresentado pelas seguintes passagens: 9,1-8; 9,11-17; 10,3 – 11,3; 14. Achega-se ao do apocalipse de Isaías (Is 24 – 27). Toda a obra da salvação é pessoalmente realizada pelo ETERNO, que garante a redução dos inimigos e o reagrupamento de todo o povo. Cumprida essa condição preliminar, poderão os pagãos esperar a sua própria integração nessa comunidade. Terão o seu lugar entre os clãs de Judá. Terão, entretanto, de se submeter a todas as exigências da Lei, que se exprime nas observâncias rituais (9,7) e nas práticas cultuais (14,16-19). Visão generosa, mas um tanto limitada: a agregação dos estrangeiros passa pela sua afiliação à comunidade Judaica.

b) Um messias de vários semblantes. Esta ação atribuída exclusivamente a Yaohu se desdobra, em outras passagens, na ação de um personagem particular, apresentado sob tríplice imagem, nenhuma das quais recobre exatamente as outras duas.
O rei-messias: 9,9-10. Conquanto uma parte da terminologia o vincule aos protótipos David e Salomão, outra o situa na linha do ideal profético: o pobre e o justo. É um messias que exprime o ideal religioso dos “pobres do ETERNO” (Sf 2,3; 3,11-13; Is 49,13; 57,15; 61,1-2; 66,2; Sl 22,27; 69,33-34).
O bom pastor: 11,4-17 e 13,7-9. Apresentam uma fisionomia menos caracterizada. Já se prende menos firmemente à ideologia real e mais explicitamente, entretanto, à do Pastor que é o próprio ETERNO, tal como o apresenta Ez 34,11-22.31. Com efeito, a alegoria de Dêutero-Zacarias passa várias vezes, sem transição, do pastor imitado pelo profeta do ETERNO em pessoa. Orienta-se, de mais a mais, para a figura do traspassado, porque é rejeitado, vendido, eliminado, e seu sacrifício (13,7) contribui para restabelecer a aliança (13,9).
O traspassado: 12,9-14. Faz seqüência ao Servo sofredor de Is 53, embora os termos utilizados sejam completamente diferentes. Como para o Servo, o seu sacrifício é fonte de transformação dos corações (12,10), de purificação (13,1). O nexo com o antigo figura real permanece discreto. É indicado pela reiterada evocação de David e sua linhagem: 12,7-8.10.12; 13,1. A glória messiânica cede o passo ao despojamento e ao malogro, fonte de salvação.
A densidade messiânica do Dêutero-Zacarias nutriu fortemente o pensamento das gerações seguintes. Explica ela por que os evangelhos recorreram tão fartamente a esse profeta para apresentar a pessoa e o papel de YAOHUSHUA, especialmente na sua paixão: Mt 21,4-5 e Jo 12,15; Mc 14,27 e Mt 26,31; Mt 27,9-10; Jo 19,37.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

MALAQUIAS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: O profeta Malaquias.
Propósito: Conclamar a abatida e desanimada comunidade que vivia na Terra Prometida após o exílio para uma fé renovada por meio do anúncio da vinda do julgamento do Messias.
Data: 458-433 a.C.
Verdades fundamentais:
Durante os últimos anos do período do Antigo Testamento, o povo de Israel estava corrompido pelo pecado.
Yaohu ofereceu ao seu povo o perdão para os seus pecados.
Yaohu prometeu que o Messias viria para purificar a nação.
Os ímpios serão julgados e os justos receberão sua recompensa no julgamento futuro.

Propósito e características
A aliança é um dos temas proeminentes em Malaquias. Há quatro referências explícitas à aliança: a aliança com Levi (2,4-9), a aliança dos pais (2,10), a aliança do casamento (2,14) e o mensageiro da aliança (3,1). Além dessas referências diretas, o livro inicia com a aliança de amor de Yaohu (1,2-5). A seriedade da incompetência e da infidelidade sacerdotal é vista na erosão da fidelidade do povo comum, os quais “profanaram a aliança” (2,10) ao serem desleais uns para com os outros, no casamento (2,11.14) e nos seus relacionamentos sociais e econômicos (3,5). A não ser que se arrependessem (3,7), estariam sob a maldição prevista na divina aliança (3,9; Lv 26,14-46; Dt 28,15-68).

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM MALAQUIAS.
(Yaohushua):

O livro de Malaquias aponta para O UNGIDO de duas maneiras. Em termos gerais, Malaquias conclamou os que retornaram para Israel ao arrependimento, de modo que pudessem receber as bênçãos que Yaohu havia oferecido ao seu povo após o exílio. De maneira muito semelhante, O UNGIDO conclamou ao arrependimento de maneira que um REMANESCENTE justo pudesse receber essas mesmas bênçãos (Mc 2,15). Por essa razão, Tiago aplicou o chamado ao arrependimento proclamado por Malaquias à vida cotidiana dos crentes (Tg 4,8; cf. Ml 3,7). Além disso, Malaquias predisse que o culto a Yaohu se espalharia por todas as nações (1,11), e O UNGIDO e seus apóstolos abririam as portas da salvação às nações gentílicas como nunca acontecera antes (At 10,9-48; Ef 2,11-13).
Também aparece em Malaquias um foco mais especificamente messiânico. O profeta predisse que a renovação do povo de Yaohu aconteceria por meio de obras de um “mensageiro” (3,1) da aliança, o qual seria precedido pelo “profeta Elias” (4,5; cf. 3,1-2). O Novo Testamento identifica especificamente Yaohushua como esse mensageiro e João Batista como aquele que o precedeu, o qual ministrou no espírito e no poder de Elias (Mt 11,14; 17,10-12; Lc 1,17). Assim, Yaohushua purificou o templo (Jo 2,14-17) como havia predito o profeta (3,1.3) e purificará completamente o povo de Yaohu quando retornar em glória (Ap 21,22-27).

MALAQUIAS: O livro de Malaquias encerra a série dos livros proféticos. Isto, porém, não significa que este último anel da corrente seja de importância secundária. O profeta anônimo toma de empréstimo um nome provindo da menção do mensageiro (mal’aki) em 3,1. Assemelha-se, portanto, ao precursor do Messias anunciado neste mesmo versículo. Por isso, deu-se a Malaquias um lugar de destaque no conjunto do testemunho veterotestamentário.
Os índices fornecidos pelo livro permitem situar o profeta por volta dos anos 480/460. De fato, o povo está voltando do exílio, o templo está reconstruído, o culto funciona desde certo tempo. Estamos, portanto, claramente depois de 515. Entretanto, a grande reforma iniciada por Esdras (sobretudo a respeito dos casamento mistos) ainda não se iniciou: esta irá acontecer lá por 440. Os tempos eram de grande ceticismo. As esperanças que os profetas Ageu e Zacarias tinham relacionado à reconstrução do templo não se tinham ainda realizado como se esperava. O desânimo tinha enfraquecido a fé. Recaía-se nas antigas faltas: negligências no serviço cultual, venalidade, parcialidade, não poucas infidelidades. Malaquias reage vigorosamente. Ele coloca cada um, sacerdote e “leigo”, diante de suas responsabilidades para com o ETERNO e o próximo. Malaquias terá, deste modo, desempenhado dupla função. Num período capital, quando se irá fixar a fisionomia definitiva do judaísmo pós-exílico, ele será o reformador da vida cultual e moral das pessoas, bem como o guia de toda a comunidade.
Mais tarde, alguns ficarão particularmente impressionados pelo conteúdo messiânico do livro e reconhecerá em Yaohushua (de Nazaré) – O UNGIDO – aquele que era esperado pelo profeta. O judaísmo ainda hoje vive os valores religiosos que Malaquias ajudou a precisar.
Este livro, que por vezes pode até parecer duro demais, adverte-nos de que, antes da chegada do “grande e terrível” dia, remanescentes e judeus, ambos herdeiros da mesma mensagem, terão ainda de afrontar numerosas oposições, internas e externas.

POR ISSO: “É ESSENCIAL CONHECER SEU VERDADEIRO NOME”:

§ Confissão Belga
ARTIGO 7
A Sagrada Escritura: perfeita e completa

Cremos que a Sagrada Escritura contém perfeitamente à vontade de Deus – Yaohu e, suficientemente, ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo. Nela, Yaohu descreveu, por extenso, toda a maneira de servi-lo. Por isso, não é licito aos homens, mesmo que fossem apóstolos “ou um anjo vindo do céu” (Gl 1,8), ensinar outra doutrina, senão aquela da Sagrada Escritura. É proibido acrescentar algo à Palavra de Yaohu ou tirar Algo dela (Dt 12,32; Ap 22,18.19). Assim, se mostra claramente que sua doutrina é perfeitíssima e, em todos os sentidos, completa.
Não se podem igualar escritos de homens às Escrituras divinas, por mais santos que tenham sido os autores. Nem se pode igualar à verdade de Yaohu costumes, popularidade, antiguidade, sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos e resoluções. Pois a verdade está acima de tudo, e todos os homens são mentirosos (Sl 116,11) e “mais leves que a vaidade” (Sl 62,9).
Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com essa regra infalível. Conforme os apóstolos nos ensinaram: “Provai os espíritos se procedem de Yaohu” (1Jo 4,1); “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa” (2Jo 10).
2Tm 3,16.17; 1Pe 1,10-12; 1Co 15,2; 1Tm 1,3; Dt 4,2; Pv 30,6; At 26,22; 1Co 4,6; Sl 19,7; Jo 15,15; At 18,28; At 20,27; Rm 15,4; Mc 7,7-9; At 4,19; Cl 2,8; 1Jo 2,19; Dt 4,5.6; Is 8,20; 1 Co 3,11; Ef 4,4-6; 2Ts 2,2; 2Tm 3,14.15.
Ezequiel 36,21-23
Mas tive compaixão do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi.
Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o ETERNO Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu Santo Nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. VINDICAREI A SANTIDADE DO MEU GRANDE NOME, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; as nações saberão que EU SOU o ETERNO, diz YAOHU DEUS, quando eu VINDICAR a minha Santidade perante elas.

Zacarias 14,9; Deuteronômio 6,4
O ETERNO será Rei sobre toda a terra; naquele dia, UM SÓ SERÁ O ETERNO E UM SÓ SERÁ O SEU NOME.

Ouve, Israel, o ETERNO, nosso Deus, é o único ETERNO.

(Estudo): Ouve, Israel. A palavra hebraica é SHEMA; daí ser comum a tradição judaica chamar esse versículo de Shema. A importância dessa ordem é repetida por O UNGIDO (Mc 12,29).

Oseias 2,16-17; 12,5
Naquele dia, diz o ETERNO, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: MEU BAAL. (MEU SENHOR). ANSELMO ESTEVAN.
Da sua boca tirarei os nomes DOS BAALINS, e não mais lembrará desses nomes.
O ETERNO, o Deus dos Exércitos, YAOHU é o seu nome.

Malaquias 1,6
O FILHO HONRA O PAI, E O SERVO, AO SEU senhor. SE EU SOU PAI, ONDE ESTÁ A MINHA HONRA? E, SE EU SOU “ETERNO”, ONDE ESTÁ O RESPEITO PARA COMIGO? – DIZ O ETERNO DOS EXÉRCITOS A VÓS OUTROS, Ó SACERDOTES QUE DESPREZAIS O MEU NOME. VOZ DIZEIS: EM QUE DESPREZAMOS NÓS O TEU NOME?

Marcos 12,28-29
Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Yaohushua lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? Respondeu-lhe Yaohushua: O principal é: Ouve, ó Israel, o ETERNO, – YAOHU nosso Deus, é o único Yaohu!

João 10,24-25
Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspense? Se tu és O UNGIDO, dize-o francamente.
Respondeu-lhes Yaohushua: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em NOME DE MEU PAI testificam a meu respeito.

João 10,26
Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!

“Não seja você, mais um incrédulo? Acredite no seu Nome verdadeiro e Pessoal, seja você também parte de (“SUAS OVELHAS”) – OUÇA COM O CORAÇÃO ACREDITE EM YAOHU”. Seu Nome …! ANSELMO ESTEVAN.

RECAPITULANDO: A BÍBLIA É COMPOSTA DE 66 LIVROS: “O PENTATEUCO” (GÊNESIS; ÊXODO; LEVÍTICO; NÚMEROS; DEUTERONÔMIO) – OS ESCRITOS DE “MOISÉS”. LIVROS HISTÓRICOS: (JOSUÉ; JUÍZES; RUTE; 1 SAMUEL; 2 SAMUEL; 1 REIS; 2 REIS; 1 CRÔNICAS; 2 CRÔNICAS; ESDRAS; NEEMIAS; ESTER). LIVROS POÉTICOS: (JÓ; SALMOS; PROVÉRBIOS; ECLESIASTES; CÂNTICO). LIVROS PROFÉTICOS: (ISAÍAS; JEREMIAS; LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS; EZEQUIEL; DANIEL; OSEIAS; JOEL; AMÓS; OBADIAS; JONAS; MIQUEIAS; NAUM; HABACUQUE; SOFONIAS; AGEU; ZACARIAS; MALAQUIAS). (34 livros do AT). Mais os 05 livros do Pentateuco.

Os “RESTANTES”; [os livros do NT]. AGUARDEM, A TERCEIRA E ÚLTIMA APOSTILA. REDAÇÃO FEITA POR ANSELMO ESTEVAN, (COM TODAS AS OBRAS COPIADAS, COLOCADAS OS “AUTORAIS DEVIDOS”).

De malaquias a “O UNGIDO”:

O período persa (538-330 a.C.)
Jerusalém foi tomada pelos babilônios em 586 a.C. Os babilônios, por sua vez foram conquistados pelos persas em 538 a.C. Por cerca de dois séculos, Judá permaneceu sob o domínio da Pérsia. Os judeus receberam permissão para dar continuidade às suas práticas religiosas sem maiores interferências. Durante esse período, Judá foi liderada por sumo sacerdotes

430 a.C. Ministério de Malaquias

O período helenístico (330-166 a.C.)
Em 333 a.C., Alexandre o Grande, derrotou as tropas da Pérsia. Alexandre acreditava que a única força que poderia unificar o mundo era a cultura grega. O grande conquistador permitiu que os judeus observassem suas leis e até lhes concedeu menção de impostos nos anos sabáticos. Quando construiu Alexandria, no Egito, incentivou judeus a se mudarem para lá e deu-lhes alguns dos mesmos privilégios concedidos aos seus súditos gregos. Isso abriu caminho para a tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego (a SEPTUAGINTA) antes da era cristã, por volta de 250 a.C.

333 a 323 a.C. Alexandre o Grande, governa a Palestina: domínio macedônio.
323 a 198 a.C. Domínio dos ptolomeus sobre a Palestina.
320 a.C. Ptolomeu (I) Soter conquista Jerusalém.
311 a.C. Seleuco conquista a Babilônia; começa a dinastia selêucida.
226 a.C. Antíoco (III) da Síria conquista a Terra Santa.
223 – 187 a.C. Antíoco se torna o governante selêucida da Síria.
198 a.C. Antíoco derrota o Egito e obtém o controle da Terra Santa.
198 a 166 a.C. Domínio dos selêucidas sobre a Palestina.
175 – 164 a.C. Antíoco (IV) Epífanes governa a Síria; o judaísmo é proibido.
167 a.C. Matatias e seus filhos se rebelam contra Antíoco; começa a revolta dos macabeus.

O período hamoneu (166-63 a.C.)
Os governantes ptolomeus haviam sido tolerantes com o povo judeu e suas práticas religiosas, mas os selêucidas estavam decididos a estabelecer o helenismo na Terra Santa. Ordenaram a destruição de cópias da Torá e usaram de crueldade extrema para impor as suas leis. Os judeus oprimidos se revoltaram sob a liderança de Judas Macabeus.

166 – 160 a.C. Liderança de Judas Macabeu.
165 a.C. Rededicação do templo.
160 – 143 a.C. Jônatas (irmão de Judas) é o sumo sacerdote.
142 – 134 a.C. Simão se torna sumo sacerdote; começa a dinastia dos hasmoneus.
134 – 104 a.C. João Hircano expande o estado independente judeu.
104 – 103 a.C. Domínio de Aristóbulo.
103 – 76 a.C. Domínio de Alexandre Janeu.
76 – 67 a.C. Domínio de Salomé Alexandra; Hircano II é o sumo sacerdote.
66 – 63 a.C. Batalha entre Aristóbulo II e Hircano II.

O período romano (63 a.C., em diante)
No ano de 63 a.C. o general romano Pompeu tomou Jerusalém e as províncias da Terra Santa passaram a ser dominadas por Roma. O governo local foi confiado ora a príncipes, ora a governadores romanos nomeados pelo imperador. Quando O UNGIDO nasceu, Herodes, o Grande, era o governante de toda a região.

63 a.C. Pompeu invade a Terra Santa; começa o domínio romano.
63 – 40 a.C. Hircano II governa sob o controle de Roma.
48 a.C. Júlio César derrota Pompeu.
44 a.C. Júlio César é assassinado.
40 – 37 a.C. Os partos conquistam Jerusalém; Antígono governa sob os romanos.
37 – 4 a.C. Herodes se torna governante da Terra Santa.
27 a.C. Otaviano (César Augusto) governa o Império Romano.
19 a.C. Início da construção do templo de Herodes.
4 a.C. Herodes morre e é sucedido por Arquelau.

“Aqui termino a INTRODUÇÃO AOS LIVROS DA BÍBLIA SAGRADA – 34 LIVROS!”. Aguarde pela “INTRODUÇÃO AOS LIVROS DA BÍBLIA SAGRADA DO NOVO TESTAMENTO!”.

QUE YAOHU ILUMINE A TODOS. AMÉM 28/11/2010. Anselmo.

§ SEGUE OBS. DA PÁGINA Nº 5:

“NOS LIVROS HISTÓRICOS”, APARECEM TAMBÉM: “PROFETAS”:

O título de Profetas que a tradição judaica deu, pelo menos a partir do século II a.C., ao conjunto dos livros que se estende de Josué a Malaquias, cobre gêneros literários bem diversos: Por um lado, são crônicas oficiais das cortes reais de Jerusalém e da Samaria, listas de pessoas ou de lugares conservadas nos santuários e que desempenham o papel de bibliotecas, e sobretudo, relatos de estilo popular em que a história é quase sempre prolongada por traços legendários que tendem a glorificar um herói, uma tribo ou lugar privilegiado. Por outro lado, existem os livros nomeadamente atribuídos a profetas. A tradição judaica introduziu uma divisão no interior deste conjunto visivelmente heteróclito: distingue entre primeiros profetas, que correspondem àquilo que comumente denominamos “OS LIVROS HISTÓRICOS” (JOSUÉ, JUÍZES, SAMUEL, REIS), e últimos profetas (ISAÍAS, JEREMIAS, EZEQUIEL e os doze profetas menores), aqueles que habitualmente intitulamos “OS PROFETAS”. Esta distinção não deve ser entendida em sentido cronológico, como se o primeiro grupo tivesse sido composto antes do segundo; ela visa apenas exprimir o lugar respectivo que lhes cabe na coleção dos escritos bíblicos, pois do ponto de vista estritamente cronológico, a anterioridade literária estaria antes do lado do segundo grupo.
(Profetas Menores – Essa classificação cabe aos doze livros proféticos relativamente pequenos, que fazem parte do volume do Antigo Testamento. O fato de que eles são chamados “menores” não significa que os seus autores foram homens de importância secundária, mas apenas que os rolos que eles deixaram escritos não são muito volumosos, quando confrontados como os chamados Profetas Maiores: ISAÍAS; JEREMIAS; EZEQUIEL e DANIEL. Os doze livros dos Profetas Menores são: AMÓS; OSÉIAS; MIQUÉIAS; SOFONIAS; NAUM; HABACUQUE; AGEU; ZACARIAS; OBADIAS; MALAQUIAS; JOEL; e JONAS. Os estudiosos judeus deram um título alternativo a essa coletânea: LIVRO DOS DOZE. E, na forma de rolos, geralmente eles eram escritos em um único volume).

Profetismo e profetas. Os fenômenos proféticos aparecem também fora de Israel. Na Mesopotâmia, em Canaã e no Egito conhecemos, desde o segundo milênio; o caso de homens e de mulheres que, geralmente em estado de êxtase, falam em nome da divindade que os enviou, e certas formas da linguagem deles se aproximam muito do estilo bíblico. Mas enquanto alhures o profetismo permaneceu marginal e episódico, assumiu em Israel um lugar tão central que marcou profundamente a religião, as instituições políticas e até as estruturas sociais. Em Israel, os profetas têm um nome; abstração feita dos grupos de profetas anônimos, ativos sobretudo no tempo de Samuel, eles aparecem como personalidades fortes, revestidas de uma autoridade que vem da sua ligação direta com Yaohu. Os relatos de vocação, que ocupam em vários livros um lugar essencial, e a narração, pelo próprio profeta ou por um dos seus próximos, dos momentos importantes de sua vida, tinham por finalidade autenticar a sua mensagem. O termo nabi, com o qual se designa o profeta, e que suplantou os termos “vidente” (1Sm 9,9) e “homem de Deus – Yaohu”, designa um homem que fala ou um homem que foi chamado, isto é, a quem foi dirigida uma palavra. Com efeito, a palavra é o meio de ação mais importante dos profetas; mesmo quando eles se manifestam por estranhos gestos de alcance simbólico ou pelo engajamento político e militar, é pela palavra que são verdadeiramente profetas. O discurso profético recorre a todas as formas de linguagem: Os oráculos (ou “mensagens”) da parte de Yaohu constituem o elemento mais freqüente e mais específico, mas encontram-se nele também a narração, a parábola, o provérbio e até o hino. O conteúdo de suas parábolas é tão diverso quanto a forma, mas sempre a palavra dos profetas é a palavra de Yaohu numa situação precisa da história.
Forte e fundamentalmente ligados a Yaohu, os profetas estão também ligados à história. Convictos de que Yaohu está ao mesmo tempo nos acontecimentos e acima deles, e de que o povo de Israel tem uma missão histórica, os profetas aí estão para lembrar esta certeza, e o fazem através da advertência, da exortação, da censura e da consolação. Mesmo falando sempre em situações concretas e conseqüentemente únicas, trazem, como mensageiros de Yaohu, uma palavra que ultrapassa as circunstâncias imediatas e que merece não somente ser ouvida, mas também transmitida.
Propagadas primeiro por via oral e guardadas vivas na memória do povo, as profecias foram também – e sem dúvida, bem cedo – redigidas, seja pelos próprios profetas (p. ex. Is 8,16; Jr 36), seja pelos seus discípulos. A transmissão das palavras dos profetas respondia a uma dupla preocupação: a conservação e a atualização. Era preciso, na medida do possível, conservar a forma original na qual tinham sido pronunciados, e isto, tanto por respeito ao profeta como por respeito a Yaohu. No que concerne à atualização, ela levava necessariamente a acrescentar, às palavras originais do profeta, palavras novas que, embora procurando respeitar o espírito dele, interpretavam a sua mensagem e deviam servir de canal para uma melhor transmissão. Entre os livros proféticos, os de Isaías, de Miquéias e de Jeremias são os que mais levam a marca dessa adaptação. A razão dessa atualização está no fato de que tudo o que haviam feito e dito os profetas pertencia, afinal, ao conjunto do povo, o qual, através deles, lia a sua própria história e encontrava nos exemplos desses homens de Yaohu o estímulo adequado para ser e para voltar a ser o povo de Yaohu.
As palavras dos profetas foram recolhidas à medida que foram pronunciadas, e a presença de pequenas coleções com sobrescritos particulares no interior dos livros proféticos é um indício dessa formação progressiva (p. ex. Is 2,1; 13,1; Jr 14,1; 21,1…). Mas parece que um trabalho de reagrupamento de grande envergadura foi feito durante o Exílio e depois dele. As razões determinantes foram várias: O desaparecimento do Templo de Jerusalém, assim como de outras instituições, tais como a realeza, levaram a comunidade israelita a voltar-se mais para o documento escrito como autoridade normativa em matéria de fé e de prática religiosa. Por outro lado, os acontecimentos mostraram ter sido um grande erro dispensar tão pouca atenção às palavras dos profetas. Recolheram-se então essas palavras para tirar a lição daquilo que ocorrera.
Dois princípios presidiram a esta nova leitura: Por respeito à história, tentou-se agrupar as palavras dos profetas segundo uma ordem cronológica; ao mesmo tempo – os dois objetivos nem sempre foram facilmente conciliáveis –, os colecionadores introduziram nos textos uma ordem sistemática, agrupando de um lado os oráculos que anunciavam o juízo sobre o povo de Israel e sobre as nações e de outro lado, os que continham promessas. A aplicação desses dois princípios resultou em certa desordem, que muitas vezes desorienta o leitor e que a crítica literária por vezes consegue clarear, sem contudo resolver todos os enigmas. É claro, por exemplo, que no livro de Isaías o conjunto que começa no cap. 40, e que provém de uma época completamente diversa da dos capítulos 1 – 39, se destina a mostrar que em Yaohu a restauração e a salvação têm a última palavra; em Ezequiel, cujo livro foi menos retrabalhado, encontra-se uma ordem análoga. Aliás, é preciso reconhecer que, com bastante freqüência, a cronologia e a teologia se encontram: Assim, antes do Exílio, é preponderante o anúncio do juízo, mas ao contrário, depois do Exílio, os profetas enfatizam uma aliança restaurada, fundada na obediência e no amor. Mas aí talvez tenhamos uma simplificação da realidade histórica, pois anúncio do juízo e promessa de salvação muitas vezes devem ter coexistido.
Considerando, mais do que o teor geral, o conteúdo preciso dos oráculos proféticos, podemos dizer que estes estavam voltados ao mesmo tempo para o passado e para o futuro. A história por eles vivida, os profetas a interpretam à luz de certas grandes tradições do passado: Assim, o êxodo do Egito, que conferiu a Israel a sua identidade, é evocado por quase todos os profetas, e a escolha de Davi e da sua dinastia ocupa um lugar mais ou menos equivalente. Êxodo do Egito e aliança davídica eram fatos do passado, mas que abriam uma perspectiva para o futuro. O povo está sempre em marcha, ou seja, na situação do Êxodo, expressa entre outras coisas pelo ritual pascal; e a realeza de Davi é o ponto de partida de uma realeza mais definitiva, o reino messiânico.

Profetas e História. É a partir dos profetas propriamente ditos que convém ler os livros “HISTÓRICOS” que, no cânon hebraico, lhes estão associados organicamente. Várias razões militam em favor de tal leitura. Com efeito, nesses livros (= primeiros profetas), os profetas ocupam um lugar preponderante: Assim, dos 47 capítulos dos livros dos Reis, nada menos de 22 são dedicados a relatos em que os atores principais são, não tanto os reis quanto os profetas Ahiá de Shilô, Elias, Eliseu, Miquéias, filho de Iimlá, e Isaías. Observar-se-á também o lugar que ocupam os discursos postos na boca de Josué, de Samuel ou de personagens anônimos. Inspirando-se nestas constatações, uma tradição, que no judaísmo se tornou quase oficial, quer que, na sua maior parte, os livros que vão de Josué aos Reis tenham sido compostos por profetas: É o ponto de vista de Flávio Josefo (Contra Apião I 8). Segundo o Talmud (Baba Batra 15a), o livro de Josué teria sido escrito por Josué e terminado, após a morte dele, por Eleazar e Pinhas: Samuel teria escrito os Juízes, assim como o livro que traz o nome dele, ao passo que os elementos posteriores à sua morte teriam sido escritos pelos profetas Gad e Natam etc. Estas opiniões não resistem ao testemunho dos próprios livros bíblicos, mas não é inconcebível que os profetas, como também os sábios, tenham consignado por escrito antigas tradições nacionais, inclusive as que encontraram lugar no Pentateuco. Um testemunho indireto provém do livro das Crônicas, que menciona entre as suas fontes vários escritos de profetas, Samuel, Gad, Natam, Shemaiá, Idô, informações que provavelmente não são puramente imaginárias. Sobretudo importante é o lugar preciso em que, nos LIVROS HISTÓRICOS, aparecem os PROFETAS. Encontramo-los nas origens da realeza, por ocasião do cisma das dez tribos, no momento do perigo arameu, do sincretismo religioso sob Acab, da invasão assíria, da descoberta da Lei sob Josias. Todos esses eventos-chaves estão ligados à pessoa de um ou de vários profetas. É a palavra do profeta que orienta esses acontecimentos; poder-se-ia quase dizer que ela os cria. No momento em que os acontecimentos ocorriam, os profetas talvez só tivessem uma intuição desta ligação entre a história e a palavra deles, embora a relação deles com Yaohu lhes conferisse um caráter de certeza: Mas com o passar do tempo, esta ligação se tornou objeto de uma elaboração mais sistemática. Assim, durante o Exílio, o Segundo Isaías (40 – 55) indica uma correspondência entre as coisas anunciadas pelos profetas e as que ele vê realizando-se sob os seus olhos, encontrando aí a demonstração da superioridade e da unicidade do Deus – Yaohu de Israel. Mais tarde, lendo os livros dos profetas (Dn 9,2), o autor de Daniel encontrará inspiração para esboçar uma teologia da história universal, em que Yaohu aparecerá como – YHWH – Yaohu dos tempos.
Os livros históricos dão da história uma interpretação profética, o que não está em contradição com o seu autêntico valor documentário. O aspecto profético desses livros lhes vem não somente do grupo dos últimos profetas, mas também do livro que os precede imediatamente na ordem atual do cânon, o Deuteronômio. Este livro tem duas faces: Uma voltada para o Pentateuco, do qual constitui a conclusão, a outra para os livros históricos (primeiros profetas), dos quais constitui a introdução. Qualquer que seja o meio ambiente que deu origem ao Deuteronômio, o seu parentesco com os profetas é inegável e, na sua preocupação pela continuidade, ele visa mostrar a filiação do profetismo com o próprio Moisés (Dt 18,15ss.). Nenhum profeta, é verdade, reivindica explicitamente o patrocínio de Moisés, mas também é verdade que nenhum deles o recusaria.
Esta é também a atitude do historiador ao qual devemos o conjunto de Josué a Reis, muitas vezes qualificado como “historiador deuteronomista”. A personalidade desse autor, em que alguns não enxergam mais do que um compilador, é menos fácil de ser apreendida que a de outros autores bíblicos, pois ela não se prolonga em uma coletividade ou uma escola. Entretanto, mui discretamente ele nos dá, no fim da sua obra, uma espécie de assinatura que nos ilumina sobre a sua época e sobre a sua teologia: em 2Rs 25,27 se diz que o rei da Babilônia “reergueu a cabeça” do rei Ioiakin, deportado há 37 anos, fazendo-o sair da sua prisão, falando-lhe com bondade e elevando o trono dele acima dos tronos dos reis que estavam com ele na Babilônia. Isto ocorreu no ano de 561; o povo encontrava-se em pleno exílio, sem esperança aparente de ver o fim do exílio num futuro próximo. Ora, este pequeno sinal vem justamente lembrar que a promessa que até ali orientou a história não está aniquilada, se bem que alhures o autor insista no fato de que as desgraças atuais são o resultado lógico de uma seqüência de infidelidades. O autor coincide exatamente com o ponto de vista dos profetas, que viam na história uma sucessão de juízos divinos e de reintegrações na graça.
Uma obra histórica de síntese, como o é o conjunto dos primeiros profetas, pode nascer em uma época feliz, quando se constata a realização de uma longa e difícil expectativa; pode também nascer num momento em que um passado glorioso parece estar desmoronando. Os primeiros profetas querem chamar para uma volta, mas não vêem a salvação em uma simples volta à época mosaica, por mais importante que sejam para eles as figuras desses novos (Moiséss) que são Samuel e Elias. O historiador dos primeiros profetas não esquece a outra intervenção divina na história, que é a aliança com Davi. Sem dúvida, houve mais reis ruins do que bons, e vários deles foram a causa da infidelidade de Israel, INDUZINDO-O A ASSOCIAR BAAL AO SENHOR E A PREFERIR A política das alianças e dos blocos à manutenção do lugar único que YAOHU quis para Israel no meio das nações. Mas, para este historiador, a realeza constitui também a brecha pela qual Israel entrou nos conflitos dos reinos para ser ali o instrumento e o testemunho de outro Reino. Num momento em que estas certezas pareciam definitivamente comprometidas, era útil lembrar ao povo que elas continuavam a manter a sua validade.
Começando pela promessa de Yaohu a Josué de dar-lhe a terra (Js 1,1-9) e terminado com a menção à elevação de Ioiakin, a obra muitas vezes heterogênea se apresenta sob o signo da unidade. Terra e reino podem momentaneamente não existir, mas serão restabelecidos, tão certo como não rui por terra nenhuma das palavras ditas por Yaohu, mas sempre encontra a sua realização (cf. Js 21,45; 23,14; 1Sm 3,19; 1Rs 8,56; 2Rs 10,10). Enquanto isso, os leitores reencontrarão a sua identidade meditando os feitos de Deborá, de Guideon, de Samuel, de Davi, testemunhas da fidelidade de Yaohu às suas promessas. A recordação dos grandes atos de Yaohu, apresentados com intuito didático, ao mesmo tempo como narração e como exortação, deverá fazer evitar a recaída nos erros dos pais. Inspirado pelos profetas, o historiador ao qual devemos a coleção dos primeiros profetas, por sua vez, inspirará aqueles que se dedicaram a dar aos livros dos últimos profetas a sua forma definitiva, harmonizando-os com uma tradição que adquirira um valor e uma função de certo modo canônicos.
As duas partes do grupo dos profetas estão intimamente unidas, sendo proveitoso fazer uma leitura conjunta de ambas. Teremos então melhores condições para situar os profetas na história e para melhor perceber na história a palavra que cria os acontecimentos e que os transcende continuando a interpelar-nos nas nossas situações de hoje! LEIA A BÍBLIA! § (Obs. Da página de nº 5).

Aqui, caros irmãos e irmãs, termina a Introdução ao Antigo Testamento. Veja que é só a “Introdução” aos livros da Sagrada Escritura. Para uma compreensão melhor, sugiro que esta apostila seja acompanhada com uma Bíblia em mãos…!

P.S. “Todo o texto hebraico como sua grafia… depende das raízes das derivações das palavras, verbos, da importância de Nomes com seus significados e etc.” Sendo assim, não poderia falar, sem (relembrar a primeira apostila) da raiz do Nome Próprio de Yaohu! Vamos lá.:
– (Vogais do hebraico no texto masorético: qamets representado pelo símbolo quase igual ao formato de um “T” minúsculo! Sendo transliterado na nossa língua igual a “a”. E, o qamets-hatuph representado pelo símbolo quase igual ao formato de um “T” minúsculo! Sendo transliterado na nossa língua igual a “o”.).

Agora, vamos ao Tetragrama sagrado que nunca foi pronunciado senão salvo só algumas vezes nos cultos hebraicos… YHWH: [ONDE, A TERCEIRA LETRA – EM PORTUGUÊS É LIDA EM HEBRAICO (WAW = “W”)]. Onde, o texto masorético colocou os sinais, para poder se ler o hebraico sem se perder a vocalização, ficando por assim dizer, perdido para sempre o “som” das palavras –; o texto masorético introduziu às vogais as “consoantes” – (ficando o “waw”, com o texto masorético = “U”). Sendo o sinal = “ . ” [Somente usado com o SHUREQ. ESSE PONTO, VAI NO MEIO DESSA LETRA HEBRAICA SENDO UM RISCO RETO COM UMA INCLINAÇÃO LEVE NA PARTE DE CIMA PARA ESQUERDA QUASE IGUAL A UMA PEQUENA FOLHA NUM PALITO COM UM PONTO NO MEIO FORMANDO DE “w” A LETRA “u”]. “A transliteração do hebraico para o português!”.
Ufa. Acho que agora posso passar para o texto do: Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO DE R. LAIRD HARRIS; CLEASON L. ARCHER, JR; BRUCE K. WALTKE. DA EDITORA VIDA NOVA. Pág. 491.

(hayâ) ser, tornar-se, existir, acontecer. (Com um “traço” em cima da letra “a”).
Este verbo ocorre 3540 vezes no hebraico bíblico, todas elas no qal, exceto os 21 usos no final. O verbo é relacionado à outra palavra hebraica que significa “tornar-se”, hawâ (ocorre apenas cinco vezes: Gn 27,29; Is 16,4; Ec 2,22; 11,3; Ne 6,6) e ao mesmo verbo em aramaico bíblico, hawâ (71 ocorrências). Em acadiano, o seu equivalente fonético, ewû, significa “transformar-se em, tornar-se como”. Para expressar o ser ou a existência, o acadiano não usa ewû mas bashû (de modo semelhante ao termo kûn do ugarítico e do fenício).
Apenas raramente no AT o verbo hayâ é utilizado para denotar a simples existência ou a identificação de um ser ou de uma coisa. Isto pode ser ilustrado por um simples exame de quase toda página da ARC, onde o leitor encontrará várias formas do verbo ser em itálico, indicando que tais formas são adições que os tradutores julgaram necessárias para uma tradução fluente, e que não existem no hebraico. Em tais casos, o hebraico emprega o que se conhece em gramática como uma oração nominal, que podemos definir da maneira mais simples como uma frase que não tem verbo normal nem verbo de ligação, por exemplo: Eu (sou) o YHWH – YAOHU – teu DEUS; o YHWH (é) sol e escudo; a terra (é) boa; no NT, bem-aventurança (são) os pobres. Esta ausência quase total de hayâ como verbo de ligação ou partícula de existência levou alguns a usar este fenômeno como prova de que o pensamento “estático” era desconhecido dos hebreus, que só pensavam em categorias “dinâmicas” (ver Boman na bibliografia abaixo).
O hebraico possui uma maneira alternativa de expressar existência além da oração nominal, utilizando a partícula yesh (em orações afirmativas) e a partícula ‘ayin (nas negativas). Isto é, na verdade, apenas mais uma forma de oração nominal, como “talvez haja cinqüenta justos na cidade” ou “… não há Deus”. Ambas as partículas são de natureza mais substantival que verbal, e se assemelham, em função, ao francês il y a e ao alemão es gibt.
Há situações, todavia, em que hayâ é usado com predicativo: a) na descrição de uma situação passada que já não se verifica: “A terra era (hayetâ) sem forma e vazia” (Gn 1,2); b) em narrativas históricas: “A serpente” era (hayâ) mais sagaz que todos os animais… (Gn 3,1); e) na expressão de uma verdade universal: “Não é bom que o homem esteja (heyôt) só” (Gn 2,18). Observe-se a justaposição da oração verbal como hayâ com a oração nominal, sem o verbo: “Sereis (tihyû) santos porque eu (sou) santo (qadôsh ‘anî, Lv 19,2)”. Boman explicaria a ausência do verbo de ligação na parte final da sentença dizendo que o predicativo (santo) é inerente ao sujeito (Deus), sendo o verbo, assim, desnecessário. Acrescentaria ainda que o primeiro verbo (“ser”) realmente significa “tornar-se”. Pular dessa observação, todavia, para a conclusão de que o sentido básico de hayâ na Bíblia é “tornar-se” parece injustificado.
Especialmente importante é o uso do verbo hayâ nas fórmulas da aliança: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Jr 7,23; 11,4; 24,7; 31,33, etc.), e no contexto das promessas divinas de bênção e julgamento: “de ti farei uma grande nação […] e tu serás uma bênção” (Gn 12,2). Uma tradução freqüente, embora talvez imprecisa, de hayâ é como observado acima, “vir”. Isto aparece com mais freqüência com respeito à “vinda do RÚKHA – YAOHU” (Espírito de Yaohu) sobre um indivíduo (Jz 11,29; 1Sm 19,20), e em passagens aonde à palavra de Yaohu “vem” a alguém (Gn 15,1; 1Sm 15,10; 2Sm 7,4; Jr 36,1).
Uma palavra final e breve deve ser dita sobre o significado e a interpretação de (Jeová ou Iavé). Parece fora de dúvida que o nome contém o verbo hayâ, “ser” (veja todavia o artigo YHWH). A questão é determinar se o verbo estaria no qal, “ele é”, ou no hifil, “ele faz ser”, traz à existência, ponto de vista cujo defensor maior foi W.F. Albright. A mais forte objeção a tal interpretação é que ela exige uma alteração do texto chave de Êx 3,14: “EU SOU O QUE SOU”. Mais provavelmente o nome deveria ser traduzido: “EU SOU AQUELE QUE É” ou “EU SOU AQUELE QUE EXISTE”. Mais provavelmente o nome deveria ser traduzido: “EU SOU AQUELE QUE É” OU “EU SOU AQUELE QUE EXISTE”, conforme é refletido pela tradução da LXX, ego eimi ho on. Um eco de tal interpretação seguramente se acha no NT, em Apocalipse 1,8. Mais do que talvez qualquer outra coisa, a ontologia de Yaohu expressa tanto sua presença quanto sua existência. Nenhum dos dois conceitos pode ser rotulado como mais importante que o outro.
Agora minha tese: Do tetragrama YHWH – se, colocaram a vogal “a” depois de “Y” ficando (Ya) e, deixando o “waw” formou o grosseiro erro de Javé e Iavé – com a conotação do verbo ser em hebraico…! Agora: do verbo hayâ – do TETRAGRAMA – DO TEXTO MASORÉTICO ONDE FORAM COLOCADAS AS “VOGAIS” –, MINHA TESE É: “a” DO VERBO “Hayâ” , e do masorético à colocação do qamets-hatuph – formando “o” {ficando o ditongo}; e do “waw” com a vogal hebraica “shureq” (sempre com waw) – formando o “u” – daí a forma do nome próprio de Deus = Yaohu! É esta a minha tese: Anselmo Estevan.
Só espero ter me feito entender… Para, apoio, se, Yaohu, permitir, estou colocando um “estudo hebraico”, à parte, “de um Ilmo colega: Sr. Hermes. A paz….”. (Para maior entendimento….!!!!):
Se você está num túnel e, não há “Luz” fica difícil saber para onde se vai? Como caminhar sem saber onde está se pisando… Por isso, quero colocar no “túnel escuro” uma “LUZ” para poder ter uma direção e um caminho a seguir… Essa “Luz”, é o começo que depende de cada um de nós identificar a saída desse “túnel”. O pequeno mas um começo, um caminho para entender os caminhos que seguiram essa apostila…ESTUDO HEBRAICO DO NOME DE DEUS – YAOHU. Agradeço ao irmão Sr. Camargo. E principalmente ao Sr. Hermes um irmão na Fé. Amém. Que Yaohu seja por nós todos. Amém.

SIMPLESMENTE “SER”. EU “SOU” ME ENVIO A VOZ!

{‘ ÔR}

DEDICO ESTA APOSTILA À:

ANSELMO ESTEVAN. Revisão final em: 28/01/2011.

Publicado em RELIGIÃO... | Deixe um comentário

O NOME DE DEUS – PAI, E DEUS FILHO!

Publicado em RELIGIÃO... | Deixe um comentário

noções de hebraico:

NOÇÕES DE HEBRAICO
Introdução
Em primeiro lugar gostaríamos de esclarecer que o motivo que nos leva a disponibilizar, neste material, informações básicas sobre o idioma hebraico, não é a de formar especialistas neste idioma, senão apenas familiarizar o visitante deste site com este idioma, de modo a despertar seu interesse ao aprofundamento no conhecimento da verdade escritural, cujos fundamentos são hebraicos.

O conhecimento de hebraico não é fundamental para a nossa salvação, visto que ninguém é salvo por conhecer hebraico, mas é muito importante, principalmente se levarmos em conta que as traduções que chegaram até nós, seja em português ou em qualquer outro idioma, contêm corrupções graves por tendências religiosas deste ou daquele tradutor, ou entidades religiosas com interesses próprios.

O conhecimento do hebraico, mesmo que básico e superficial, já nos alarga sobremodo nossos horizontes de visão para uma melhor compreensão das escrituras, e abre os nossos olhos para enxergarmos com clareza onde e porque podemos estar sendo enganados por distorções, ou mesmo mentiras inseridas voluntariamente pelos que manuseiam as escrituras com intenções indignas. Embora hajam muitos textos traduzidos erroneamente, com fortes tendências religiosas por parte de seus tradutores, o que mais sofreu com as traduções foram os NOMES próprios, sejam de pessoas ou de lugares. E o mais grave de tudo isso, foram as adulterações causadas aos Nomes mais sagrados: do Criador, de seu Filho, o Messias, e do Consolador, o Espírito da Verdade.
Prossigamos então para o primeiro contato com o idioma hebraico, lembrando sempre que nossa intenção é fornecer o básico, sem pretensão de formar especialistas, não sendo este o propósito principal deste site.

A primeira informação que os principiantes em hebraico desejam é, sem dúvida, conhecer o alfabeto hebraico ou “alefbets”. Os caracteres hebraicos são, realmente, bem diferentes dos caracteres ocidentais, mas com pouco tempo conseguimos nos acostumar com eles, quando então passam a ser lidos sem necessidade de recorrermos a tabelas de consulta.

Você ficará surpreso de só encontrar consoantes no “alefbets”, porém mais adiante falaremos sobre isso.
Vamos então ter nosso primeiro contato com os caracteres hebraicos.

1 – Letra ÁLEF – Não possui som próprio. Pode, porém, assumir o som de vogais, dependendo da palavra. Quando usada para representar números, representa o algarismo 1.

2 – Letra BET ou VET – Equivale às letra “B” ou “V”, dependendo da palavra. Quando usada para representar números, representa o algarismo 2.

3 – Letra GUÍMEL – Equivale à letra “G”. Seu som é sempre como em “gato”, mas nunca como em “giz”. Quando usada para representar números, representa o algarismo 3.

4 – Letra DÁLET – Equivale à letra “D”. Quando usada para representar números, representa o algarismo 4.

5 – Letra RÊ – Equivale à letra “H”. Sua pronúncia é como na palavra “house” em inglês (ráuse). Não possui som quando no final da palavra. Quando usada para números, representa o algarismo 5.

6 – Letra VAV – Equivale à letra “V”, mas pode ter som de vogal “U” ou de vogal “O”, dependendo da palavra. Quando usada para representar números, representa o algarismo 6.

7 – Letra ZÁIN – Equivale à letra “Z”. Quando usada para representar números, representa o algarismo 7.

8 – Letra RÊT – O RÊT de forma transliterada é “KH” ou “CH”. Seu som é como o som do “R” na palavra “RUA”. É muito parecido com o RÊ, mas sua pronúncia é fortemente gutural. Quando usada para representar números, representa o algarismo 8.

9 – Letra TÊT – Equivale à letra “T”. Quando usada para representar números, representa o algarismo 9.

10 – Letra YOD – Equivale à letra “Y”. Apresenta som de “I”, embora seja uma consoante. O “Y” não faz parte do alfabeto da língua portuguesa, mas tanto em hebraico como em inglês, o “Y” é considerado consoante. Quando usada para representar números, representa o valor 10.

11 – Letra KAF – Equivale à letra “K”. Não deve ser transliterada como “C”, porque em muitas palavras em português o “C” tem som de “S” (casa soa como kasa, mas ceia soa como seia). Quando usada para representar números, representa o valor 20.

12 – Letra LÂMED – Equivale à letra “L”. Quando usada para representar números, representa o valor 30.

13 – Letra MEM – Equivale à letra “M”. Quando usada para representar números, representa o valor 40.

14 – Letra NUN – Equivale à letra “N”. Quando usada para representar números, representa o valor 50.

15 – Letra SÁMEK – Equivale à letra “S”. Quando usada para representar números, representa o valor 60.

16 – Letra AYIN – Esta letra também não possui som próprio e não possui correspondente em português. Pode, contudo, assumir o som de diferentes vogais, dependendo da palavra. Quando usada para representar números, representa o valor 70.

17 – Letra PÊ – Equivale à letra “P”, mas também pode ter som de “F”. Quando usada para representar números, representa o valor 80.

18 – Letra TZADE – Esta letra também não possui correspondente em português. Equivale a um “T” seguido de “Z” ou “S”. Pode ser transliterado como “TZ” ou “TS”. Quando usada para representar números, representa o valor 90.

19 – Letra QÔF – Equivale à letra “Q”. Pronuncia-se Côf. Quando usada para representar números, representa o valor 100.

20 – Letra RÊSH – Equivale à letra “R” intermediária em português, como na palavra “CARO”. Quando usada para representar números, representa o valor 200.

21 – Letra SHIN – Equivale às letras “SH”, com o mesmo som de um “CH” em português. Quando usada para representar números, representa o valor 300.

22 – Letra TAV – Equivale à letra “T”. Quando usada para representar números, representa o valor 400.

Aqui estão apresentadas as 22 letras que compõem o “alefbets” hebraico em sua forma mais moderna. Foi utilizado o fonte bwhebb.ttf que você pode baixar para o seu computador. As letras originais arcaicas são diferentes dessas apresentadas e você poderá visualizá-las, caso queira, baixando para o seu computador o fonte hebanci.ttf.

O que é BEGADKEFAT ?

Begadkefat é o nome usado para o conjunto de 6(seis) consoantes que podem ou não ter a sua pronúncia aspirada. São elas: “BÊT”, “GUÍMEL”, “DÁLET”, “KAF”, “PÊ” e “TAV”. Em verdade, o som aspirado se representa colocando-se um “h” após a letra, resultando em:

Bh (V), Gh, Dh, Kh, Ph (F) e Th

Estas letras, quando apresentadas da forma simples acima, são aspiradas. Quando não são aspiradas, então devem receber um ponto médio interior para representar uma pronúncia não aspirada. Note que não são consoantes adicionais ao “alefbets”, mas sim as mesmas seis consoantes já apresentadas, que possuem sons diferentes dependendo das palavras em que são usadas. Assim, confira na tabela abaixo as formas aspiradas e não aspiradas destas 6(seis) consoantes:

Corresponde ao “Bh” (B aspirado) que é de fato um “V”, e então é referido como “VÊT”, em vez de “BÊT”.
Corresponde ao “B”, não aspirado.

Corresponde ao “Gh” aspirado.
Corresponde ao “G” não aspirado.

Corresponde ao “Dh” aspirado.
Corresponde ao “D” não aspirado.

Corresponde ao “Kh” aspirado, e então é referido como “KHAF”.
Corresponde ao “K” não aspirado.

Corresponde ao “PH” aspirado, que é de fato um “F”, e então é referido como “FÊ”.
Corresponde ao “P” não aspirado.

Corresponde ao “Th” aspirado.
Corresponde ao “T” não aspirado.

Volto a lembrar que estas não são seis consoantes adicionais, mas apenas as mesmas consoantes que recebem o ponto médio interior, denominado “dáguesh lene”.

Mas onde estão as vogais?

No hebraico arcaico, mais antigo, não existiam vogais na escrita, de forma nenhuma. Apenas as pessoas aprendiam o som de cada palavra e inseriam na leitura o som das vogais destas palavras. Repetindo: os sons de vogais existiam, é claro, mas não havia representação escrita destes sons, senão apenas das consoantes das palavras.

Imagine que você, desde o início de sua alfabetização, tenha aprendido a escrever a palavra “computador” assim: “CMPTDR”. Então quando você encontrasse esta palavra “CMPTDR” num texto, você leria em voz alta “COMPUTADOR”, inserindo todas as vogais que não estariam presentes na escrita.

Assim era o hebraico arcaico até a época dos massoretas. A partir deste grupo denominado massoretas, houve uma preocupação de que o hebraico pudesse ser esquecido totalmente e ninguém mais soubesse como se pronunciavam as palavras. Foi então criado um sistema de sinais, chamados de “SINAIS MASSORÉTICOS”, para indicar e memorizar as vogais no idioma hebraico, de modo que a perda da cultura, que eles temiam, não acontecesse.

Desta feita, o hebraico moderno conta com um sistema de sinais massoréticos com a finalidade de indicar a pronúncia das vogais. Tal sistema, se por um lado ajudou a preservar a pronúncia original das palavras, por outro foi um terrível instrumento de corrupção, uma vez que uma utilização errada de tais sinais, perpetuaria o erro para todas as gerações futuras. Mais adiante falaremos sobre alguns exemplos destes.

A ortografia do hebraico

Em primeiro lugar é necessário aprendermos como se lê um livro escrito em hebraico, como por exemplo, as Sagradas Escrituras Hebraicas.

Normalmente ao abrirmos um livro escrito em alguma linguagem ocidental, a lombada fica à esquerda e folheamos as páginas virando-as da direita para a esquerda.

Quando abrimos, por exemplo, uma Bíblia Hebraica, a lombada deverá ficar à direita, e folhearemos as páginas da esquerda para a direita.

A escrita hebraica é feita da direita para a esquerda, a partir da primeira linha superior, e descendo linha a linha. Há uma inversão de lateralidade em relação à escrita ocidental.

Em segundo lugar, é preciso entendermos que em hebraico não existem vogais, mas apenas consoantes, embora algumas destas consoantes, eventualmente atuem com o som de vogais.

Duas destas consoantes são especialmente usadas para vogais, e em si não possuem som algum, senão o som de vogal que adquirem dependendo da palavra em que estão. Estas consoantes são o ÁLEF (primeira letra do “alefbets” hebraico) e o ÁYIN.

Relembre abaixo como é a forma quadrática destas duas letras:

ÁLEF

ÁYIN

Denomina-se forma quadrática ao tipo de letra usado para imprensa, aquela que não é manuscrita. Os caracteres hebraicos quadráticos são os que primeiramente trataremos aqui.

Outra letra hebraica que pode assumir sons de vogais é o VÁV, porém esta letra tem o seu som próprio quando não está sendo usada como vogal. O VÁV, quando é usado com o seu próprio som, corresponde ao nosso “V” como em “VALE”.

Relembre abaixo como é a forma quadrática da letra VÁV, correspondente, como consoante, ao nosso “V”:

VÁV

Em hebraico não existe diferença de letras maiúsculas e minúsculas na escrita. O mesmo tipo de letra é usado para começar uma frase, para um nome próprio ou dentro das palavras. Portanto não existem letras maiúsculas e minúsculas, mas apenas a forma natural das letras onde quer que elas se encontrem.

As formas finais

Embora o hebraico não utilize letras maiúsculas ou minúsculas na sua escrita, há um fator peculiar para 5(cinco) letras específicas, quando as mesmas se encontram no final de qualquer palavra. Estas cinco letras, no final de uma palavra, apresentam forma diferente, chamada de forma final ou “SOFIT”.

Veja na tabela abaixo as formas normais e finais destas cinco letras:

FORMA NORMAL

FORMA FINAL

Classificação das consoantes quanto à fonética.

GUTURAIS

PALATAIS

LINGUAIS

DENTAIS

LABIAIS

Observe que a consoante RÊSH é, ao mesmo tempo, gutural e lingual.

Os sinais massoréticos

Como vimos anteriormente, os sinais massoréticos não faziam parte do hebraico arcaico, originalmente, tendo sido criados numa época em que havia temor de que a língua hebraica caísse no esquecimento e se tornasse impossível saber como as palavras eram pronunciadas. Como efeito disso, pronúncias puderam ser alteradas também, bastando que alguém por falha ou por tendência religiosa inserisse o massorético errôneo.

Os sinais massoréticos, em sua maioria, são colocados abaixo das letras, mas alguns também são colocados acima ou na linha média da letra.

Vamos então conhecê-los:

LONGAS BREVES SEMIVOGAIS
VOGAL “A”
Qamatz Gadol
(ver texto) Patar Shevau Qamatz
(Qamatz Qaton) Shevau Patar
VOGAL “E”
Tserê Segol Shevau Shevau Segol
VOGAL “I”
Hireq Gadol Hireq Qaton
VOGAL “O”
Vav Roulem Roulem
VOGAL “U”
Vav Shúreq Qibuts

Em hebraico existem vogais LONGAS, BREVES e SEMIVOGAIS. Para melhor entendimento, precisaremos explicar alguns dos massoréticos.

Qamatz – O massorético “qamatz” possui um som de vogal que é considerado como “A” para muitos, mas que de fato possui um som de “A” oco, fechado para “O”. Não é um som que possua representação em português, visto que em português não possuímos nenhuma vogal com esse som. Por isso, apesar da vogal “qamatz” estar apresentada na vogal “A”, seu som seria melhor representado por “AO”. Na realidade não são duas vogais e nem dois sons, mas um único som de vogal que, por não possuírmos vogal correspondente em português, a melhor forma de representar é utilizando “AO”, porque ao pronunciarmos “AO” rapidamente, o som resultante é o som entre “A” e “O” da vogal “qamatz”. Alguns autores se referem ao “shevau qamatz” como “qamatz qaton”. O “shevau qamatz”, também chamado de “qamatz qaton” é um “AO” tão breve que sua pronúncia é praticamente de “O”, em vez de “A”. O “qamatz” é a primeira vogal usada tanto no Nome do Criador, YAOHUH (IÁORRU), como no Nome do Messias, YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), conforme as figuras abaixo:

Os Nomes do Criador, YAOHUH (IÁORRU), e do Messias YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), acima, apresentam mais três vogais: o “Vav Shúreq” (U longo), o “Qibuts” (U curto) e o “Patar” (A curto), sobre as quais falaremos a seu tempo.

Patar – É a vogal “A” breve. É usada sob a letra AYIN final do Nome do Messias YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA).

Shevau – Este massorético foi inventado para representar uma semivogal ou “vogal esvaída”. Para entendermos tal coisa, devemos pensar nas palavras “advogado” ou “adjetivo”, em português. Nestas palavras, após o “d”, há, de fato, uma “vogal esvaída”, que não é nem escrita, mas que é pronunciada por um tempo muito pequeno. Há pessoas que pronunciam erradamente a palavra como “adevogado”, como se ali houvesse uma vogal. Este conceito de semivogal é importante de ser bem entendido, para uma perfeita pronúncia das palavras que contêm o massorético “Shevau” ou seus compostos.

Quando o “Shevau” aparece ligando uma consoante à outra, na mesma sílaba, ele é pronunciado como “E” bem curto, mas é vocálico ou sonoro. Um bom exemplo para este caso é a palavra “mnemônico” em português. Se usássemos massoréticos em português, certamente esta palavra receberia um “Shevau” vocálico entre o “m” e o “n” iniciais. O mesmo é válido para a palavra “pneu”, que muitos pronunciam erradamente como “peneu”.

Quando o “Shevau” aparece no final de uma sílaba, ele é pronunciado extremamente curto, e não é transliterado, mas atua de forma “secante” na palavra, causando uma pausa como se a palavra tivesse sido dividida em duas palavras. Novamente as palavras “advogado” e “adjetivo”, em português, servem de exemplo para este caso, pois é como se pronunciássemos duas palavras “ad-vogado” ou “ad-jetivo”. Se usássemos os massoréticos em português, estas duas palavras certamente receberiam o “Shevau” secante.

Shevau-Patar, Shevau-Segol e Shevau-Qamatz – Quando o massorético “Shevau” estiver sob uma consoante gutural (álef, áyin, hê, khêt ou rêsh), ele deve ser representado precedido pelo sinal de uma vogal longa ou breve (qamatz, patar ou segol).

Hireq Gadol e Hireq Qaton – A forma longa da vogal “I” é representada pelo Hireq Gadol, que é composto de um ponto sob a consoante que precede a letra YOD. A forma curta da vogal “I” é representada pelo Hireq Qaton que é apenas um ponto sob uma consoante. Além disso, a própria letra YOD, embora consoante, apresenta som de “I” e, eventualmente, “E”.

IMPORTANTE: Quando falamos sobre sinais massoréticos, esclarecemos que são sinais ADICIONADOS à escrita hebraica, e que não faziam parte do hebraico original. Assim, no caso do Hireq Gadol, somente o ponto é, de fato, um sinal massorético. O YOD que aparece depois dele, existiria do mesmo jeito numa escrita onde os sinais massoréticos estivessem ausentes.

Roulem e Vav Roulem – Estas são duas formas de “O” longo. O Vav Roulem é a representação da letra VAV com um ponto sobre ela, apresentando som de “O” longo por natureza. Este é o caso em que o VAV atua como “O” e não como “V”. O ponto superior pode também ser usado em palavras onde não há o VAV mas que possuem, contudo, a pronúncia da vogal “O”.

IMPORTANTE: Quando falamos sobre sinais massoréticos, esclarecemos que são sinais ADICIONADOS à escrita hebraica, e que não faziam parte do hebraico original. Assim, no caso do Vav Roulem, somente o ponto é, de fato, um sinal massorético. O VAV que aparece sob ele, existiria do mesmo jeito numa escrita onde os sinais massoréticos estivessem ausentes.

Vav Shúreq e Qibuts – São as representações longa e curta, respectivamente, da vogal “U”. O Vav Shúreq faz parte do Nome do Criador, YAOHUH (IÁORRU), e também do Nome do Messias, YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA). O segundo “U” do Nome do Messias é representado por um massorético Qibuts, por ser curto.

IMPORTANTE: Quando falamos sobre sinais massoréticos, esclarecemos que são sinais ADICIONADOS à escrita hebraica, e que não faziam parte do hebraico original. Assim, no caso do Vav Shúreq, somente o ponto na linha média é, de fato, um sinal massorético. O VAV que aparece com o ponto em sua linha média, existiria do mesmo jeito numa escrita onde os sinais massoréticos estivessem ausentes.
Algumas palavras para nos familiarizarmos…

Vamos agora aprender algumas palavras em hebraico de modo a nos acostumarmos com o alefbets e também adquirirmos um pouco de vocabulário. Porém, antes disso, alguns esclarecimentos são necessários:
• A letra hebraica GUIMEL (G) em hebraico não possuirá o som da letra “G” em português como na palavra “GENTE”. O som do GUIMEL hebraico é sempre como na palavra “GATO” em português. Na palavra “GENTE” o “G” está com som de “J”, som este que não existe em hebraico. Assim, o GUIMEL com o massorético HIREQ (I), formará GUI, como em Guilherme e não GI como em Gilda.
• A letra hebraica “PÊ”, dependendo da palavra, pode ter som de “F”, quando então a chamamos de “FÊ”.
• A letra hebraica “VAV”, dependendo da palavra, pode ter som de “V”, de “O”, ou de “U”. Quem está acostumado a ler sem o auxílio dos sinais massoréticos reconhecerá facilmente quando for o caso de cada um destes sons, mas no nosso estudo usaremos os sinais massoréticos para facilitar a leitura.
• A letra hebraica “RÊSH” que corresponde ao nosso “R”, não deve ser lida como um “R” inicial, como na palavra “RUA”, mas sim, como um “R” intermediário, como na palavra “CARO”.
• A letra hebraica “RÊ”, que é transliterada como o nosso “H”, deve ser pronunciada como o “R” de “RUA”, ou o “H” de “HOUSE” em inglês. Quando no final de uma palavra ela não possui som.
• A letra hebraica “RÊT”, que transliteramos como “KH”, possui um som parecido com o “RÊ”, embora seja mais fortemente gutural. É pronunciada como um “R” inicial fortemente gutural (arranhado). Muitos transliteram o RÊT usando “CH”, o que causa confusão ao estudante, porque o “CH” é utilizado em português com seu som próprio e que é bem diferente do som do RÊT hebraico. Assim, só transliteraremos como “KH” ou mesmo como “R”, conforme melhor se aplicar.
• A letra hebraica “SHIN” é pronunciada como “SH”, que em português possui o mesmo som do “CH”. Esta mesma letra também pode ter o som de um simples “S”, quando então é denominada “SIN”. O “SHIN” receberá um ponto superior à direita, enquanto o “SIN” receberá um ponto superior à esquerda (considerando que utilizemos as pontuações).
• As letras QÔF e KAF (Q e K) têm sons semelhantes. Podem ser transliteradas como “C”, desde que o som seja como o da palavra “CASA”. Em português o “C” é usado às vezes com som de “S”, como na palavra “CEIA”, e nesse caso não serve para representar os sons do QÔF ou do KAF. Embora o “K” não faça parte do alfabeto português, é de conhecimento geral o seu som, e podemos utilizá-lo para transliterar o KAF. Podemos também transliterar o QÔF como a própria letra Q, lembrando que em hebraico não é necessário usar a letra “U” após o Q para formar “QUI”, como na palavra “AQUI” ou “QUE”, como na palavra “AQUELE”. Em hebraico bastaria escrever “AQI”, sem o “U”, ou “AQELE”. Na palavra “AQUI” ou “AQUELE” o “U” não é de fato pronunciado, mas é somente exigência da ortografia da língua portuguesa.
• As letras “ALEF” e “AYIN” não possuem nenhum som, mas servem para “suporte” de sinais massoréticos de vogais, uma vez que um sinal massorético deve sempre estar associado a uma letra.
Vamos então conhecer nossas primeiras palavras em hebraico:

As palavras abaixo têm somente a finalidade de familiarizar você com a escrita hebraica e com o uso dos sinais massoréticos e suas pronúncias. Quando presentes em uma frase suas formas podem variar, em especial os verbos, conforme estudaremos em parte posterior deste material. Não usaremos aqui transliterações literais, mas transliterações fonéticas, que facilitam a pronúncia para o estudante de língua portuguesa.

HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA
Doutrina
Ensinamento Lecar ou
Leqar ou
Leqakh Tirar
Soltar Nashal ou
Nachal
Esta palavra é composta pelas letras Lamed (L) com o massorético Segol (E breve), seguida pela letra QÔF (Q) com o massorético Pátar (A breve), e terminada pela consoante Rêt (KH) que tem som de um R final. Esta palavra é composta pelas letras Nun (N) com o massorético Qametz Gadol (A longo), seguida pela letra Shin (SH) com o massorético Pátar (A breve), e terminada pela letra Lamed (L).

HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA
Abrir brecha
Abrir caminho Paratz Lei
Ditame Toráh
Esta palavra é composta pelas letras Pê (P) com o massorético Qametz Gadol (A longo), seguida pela letra Rêsh (R) com o massorético Pátar (A breve), e terminada pela consoante Tzade (TZ). Note que o Tzade está em sua forma SOFIT (final), pois está no final da palavra. Esta palavra é composta pelas letras Tav (T), seguida de um Vav Roulem (O), seguida pela letra Rêsh (R) com o massorético Qametz Gadol (A longo), e terminada pela letra Rê (H).

HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA
Homem
Varão Iysh Luz Ôr
Esta palavra é composta pelas letras Álef (sem som) com o massorético Hireq Gadol (I longo), seguida pela letra Yod (Y) que tem som de I e compõe o Hireq Gadol juntamente com o ponto sob a letra Álef, e terminada pela consoante Shin (SH). Esta palavra é composta pelas letras Álef (sem som), seguida de um Vav Roulem (O), e terminada pela letra Rêsh (R).

HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA HEBRAICO PORTUGUÊS PRONÚNCIA
Dia Yôm Pai Abh
Esta palavra é composta pelas letras Yod (Y – som de I), seguida de um Vav Roulem (O), e terminada pela consoante Mem (M) em sua forma SOFIT (final) por estar no final da palavra. Esta palavra é composta pelas letras Álef (sem som) com o massorético Qametz Gadol (A longo), seguida de um Bêt aspirado (BH=V).

Aprendendo a divisão de sílabas

Como regra básica, cada sílaba só pode conter uma única vogal, seja ela breve ou longa (Gadol ou Qaton), mas pode também conter uma semi-vogal Shevau, Shevau-Patar, Shevau-Segol ou Shevau-Qamets. Assim, no máximo uma vogal e uma semi-vogal.

Cada sílaba pode ter uma ou mais consoantes, mas apenas uma vogal, e, adicionalmente quando for o caso, um Shevau simples ou composto.

Alguns exemplos:

A primeira sílaba contém a vogal breve Hireq-Qaton e a semi-vogal Shevau (mitz). A segunda sílaba contém a vogal longa Qametz Gadol (vah). MITZ-VAH – mandamento.
A primeira sílaba contém a vogal Qametz Gadol apenas (na). A segunda sílaba contém a vogal longa Hireq Gadol (viy). NA-VIY – profeta.
A primeira sílaba contém a vogal longa Vav Roulem (tô com “o” fechado). A segunda sílaba contém a vogal longa Qametz Gadol (rah). TO-RÁH – lei

Uma sílaba pode terminar por vogal ou por consoante, contudo, como regra geral, nunca começa por vogal. Quando a sílaba termina por consoante que não seja ÁLEF e nem AYIN (consoantes mudas), e além disso, não for a última sílaba da palavra, então esta consoante deve receber um Shevau, que irá atuar como um divisor de sílabas. Este é o caso da palavra MITZ-VAH apresentada acima, que recebe um Shevau sob o TSADE que é consoante sonora final da primeira sílaba.

O que é uma sílaba aberta? E uma sílaba fechada?

TIPO DE SÍLABA TÔNICA ÁTONA
ABERTA VOGAL BREVE ou LONGA VOGAL LONGA
FECHADA VOGAL BREVE ou LONGA VOGAL BREVE

Sílaba aberta é a que termina em vogal, ou com as consoantes ÁLEF ou RÊ. As demais sílabas, terminadas por consoantes que não sejam ÁLEF ou RÊ, são sílabas fechadas.

Veja alguns exemplos:

A primeira sílaba (mo) é aberta, pois termina em vogal.
A segunda sílaba (reh) também é aberta, pois termina com a consoante RÊ.
MO-REH – professor
A primeira sílaba (sho) é aberta, pois termina em vogal.
A segunda sílaba (far) é fechada, pois termina com a consoante RÊSH.
SHO-FAR – trombeta.
Note que a última sílaba é fechada e tem vogal longa, logo é a sílaba tônica.
A primeira sílaba (a) é aberta, pois (começa e) termina por vogal.
A segunda sílaba (khot) é fechada, pois termina com a consoante TAV.
A-KHOT – irmã.
Pronuncia-se “ARRÓT”.

Aprendendo a conjunção “E”.

A conjunção “e”, como nas expressões “homem e mulher”, ou “pai e mãe”, ou ainda “irmão e irmã”, é representada pela letra VAV adicionada ao início da segunda palavra, como se nós escrevêssemos assim: “homem emulher”, “pai emãe”, ou “irmão eirmã”.

Esse VAV, na maioria das vezes, terá o som de “V” e mais uma vogal que irá depender da palavra à qual ele está sendo adicionado. Poderá ser “VE”, “VA” ou “VI”. Contudo, poderá também ter o som puramente de “U”, e não mais de “V”.

Em que casos cada uma dessas formas se aplica?

“VE” (VAV com Shevau) é usado quando a primeira sílaba da palavra à qual se unirá não é tônica. Além disso, a primeira sílaba não deve possuir uma semivogal inicial.

VE-ISHÁH = “e mulher”.
A primeira sílaba de “I-SHÁH” não é tônica, e a vogal inicial não é uma semivogal, portanto o VAV conjuntivo será utilizado com Shevau.

“VA” (VAV com Qametz) é usado quando a primeira sílaba da palavra à qual se unirá é a sílaba tônica. Além disso, a primeira sílaba não deve possuir uma semivogal inicial.

VA-EM = “e mãe”.
A única sílaba de “EM” é, obviamente, tônica, e a vogal inicial não é uma semivogal, portanto o VAV conjuntivo será utilizado com Qametz.

“VA” ou “VE” resultantes de VAV com a vogal correspondente à semivogal inicial da palavra. Pode ser um VAV com Qamets (VA), caso a primeira semivogal seja um Shevau-Qamets; pode ser um VAV com Segol (VE), caso a primeira semivogal da palavra seja um Shevau-Segol; e também pode ser um VAV com Patar (VA), caso a primeira semivogal da palavra seja um Shevau-Patar.

VA-KHALIY = “e doença”. A vogal inicial da palavra KHALIY é uma semivogal, Shevau-Qamets. Assim, o VAV recebe o Qamets para formar a conjunção “e”. Pronuncie “KH” como “R”.
VE-EMET = “e verdade”. A vogal inicial da palavra EMET é uma semivogal, Shevau-Segol. Assim, o VAV recebe o Segol para formar a conjunção “e”.
VA-ANI = “e eu”. A vogal inicial da palavra ANIY é uma semivogal, Shevau-Pátar. Assim, o VAV recebe o Pátar para formar a conjunção “e”.

“VI” (VAV com Hireq) é usado quando a palavra à qual se unirá começar por YOD com Shevau vocálico.

“U” (VAV Shureq) é usado quando a palavra à qual se unirá começar por consoante labial ou por um Shevau sonoro.

U-BEYT = “e casa”. A consoante inicial da palavra BEYT é uma consoante labial. Assim, o VAV recebe o Shureq para formar a conjunção “e”.
U-DEVARIYM = “e palavras”. A vogal inicial da palavra DEVARIYM é um Shevau sonoro. Assim, o VAV recebe o Shureq para formar a conjunção “e”.

Aprendendo o uso do artigo

Em hebraico, quando um artigo precede uma palavra, ele vem junto à palavra do mesmo modo que acontece na conjunção “e”. Os artigos definidos em português são o, os, a e as. Em hebraico, se escrevermos “o cavalo”, será como escrevermos “ocavalo” em português, com o artigo unido à palavra que ele define.

O artigo definido antes da palavra “cavalo” transmite a idéia de “o cavalo” (definido), mas a palavra “cavalo” sem o artigo transmite a idéia de “um cavalo” (indefinido). Os nomes próprios dispensam o artigo, uma vez que já são, por natureza, definidos.

Vejamos então como é formado o artigo em hebraico: O artigo em hebraico é formado sempre pela letra RÊ (H), aplicando-se o massorético adequado para cada caso de pronúncia e de ortografia.

Podemos encontrar as seguintes formas:

PRIMEIRO CASO SEGUNDO CASO TERCEIRO CASO
Esta forma é composta pelo RÊ com PÁTAR, além do DÁGUESH na primeira consoante da palavra.
Esta forma é composta pelo RÊ com SEGOL, sem o DÁGUESH (ponto) na primeira consoante da palavra.
Esta forma é composta pelo RÊ com QAMETZ, sem o DÁGUESH (ponto) na primeira consoante da palavra.
Quando a consoante inicial da palavra for RÊ ou RÊT, então não se coloca o DÁGUESH (ponto). Podemos considerar esta forma como a forma genérica. As exceções serão mostradas nos dois casos seguintes. Esta forma é usada quando o artigo ocorrer diante de uma palavra começada pelas consoantes guturais RÊ, RÊT ou AYIN, que tiver sob si uma vogal QAMETZ ou um SHEVAU COMPOSTO. Esta forma é usada quando o artigo ocorrer diante de uma palavra começada por consoantes guturais ALEF, AYIN ou RÊSH, salvo o caso anterior onde o AYIN apareça com QAMETZ ou SHEVAU COMPOSTO.

Vejamos alguns exemplos para podermos visualisar melhor o uso correto do artigo em hebraico:

Exemplos do primeiro caso:

INDEFINIDOS DEFINIDOS
NAVIY – UM PROFETA HA-NAVIY – O PROFETA
YOM – UM DIA HA-YOM – O DIA
SUS – UM CAVALO HA-SUS – O CAVALO
QÔL – UMA VOZ HA-QÔL – A VOZ
SHAMAYIM – UNS CÉUS HA-SHAMAYIM – OS CÉUS

Você reparou que o artigo não se alterou quando a palavra estava no singular ou no plural? Sim, o artigo não se altera quanto a número (singular/plural) ou gênero (masculino/feminino). Isto também acontece no idioma inglês onde “o menino” é “the boy” e “a menina” é “the girl”. Mesmo artigo “the” para masculino e feminino. Do mesmo modo “the boy” ou “the boys” (o menino/os meninos) usam o mesmo artigo definido para singular e plural. Na lingua portuguesa sim, os artigos flexionam como o, os, a, as, mas não em hebraico.

Exemplos do segundo caso:

INDEFINIDOS DEFINIDOS
HARIYM – UMAS MONTANHAS HE-HARIYM – AS MONTANHAS
KHAKAM – UM SÁBIO HE-KHAKAM – O SÁBIO
KHARIYT – UMA SACA HE-KHARIYT – A SACA
KHALOM – UM SONHO HE-KHALOM – O SONHO
AON – UM DELITO HE-AON – O DELITO

Note que as consoantes iniciais dessas palavras são RÊ, RÊT ou AYIN, e possuem sob elas o massorético QAMETZ ou um SHEVAU COMPOSTO.

Exemplos do terceiro caso:

INDEFINIDOS DEFINIDOS
IYR – UMA CIDADE HA-IYR – A CIDADE
ISHAH – UMA MULHER HA-ISHAH – A MULHER
ROEH – UM APASCENTADOR HA-ROEH – O APASCENTADOR

Note que a consoante inicial destas palavras são ALEF, AYIN ou RÊSH. Até aqui você pode perceber que a palavra não sofreu nenhuma mudança ao receber o artigo definido.

Para encerrar esta parte do estudo do artigo definido, vamos estudar o caso em que a palavra sofrerá variação quando receber o artigo. Este caso se dá quando a palavra for começada por ALEF, AYIN ou RÊ, sendo esta primeira sílaba a sílaba tônica.

Exemplos de alteração na palavra pela junção com o artigo:

INDEFINIDOS DEFINIDOS
ÉRETZ – TERRA HA-ÁRETZ – A TERRA
HAR – UMA MONTANHA HA-HAR – A MONTANHA
AM – UM POVO HA-AM – O POVO

O estudo das partículas (bet, kaf e lamed)
Estas partículas são largamente utilizadas em hebraico e são de especial importância para o entendimento e leitura de textos. Por isso vamos aqui analisar tais partículas, demonstrando caso a caso, conforme se aplicarem.
As partículas como preposições inseparáveis
Em hebraico, possuímos preposições do mesmo modo que no idioma português. Algumas são denominadas “inseparáveis”, porque estão unidas às palavras que precedem, do mesmo modo que o artigo e a conjunção “e” (VAV conjuntivo).
As preposições inseparáveis são compostas, cada uma, de uma consoante, cada uma delas com um massorético que depende da palavra que a preposição precede, dentro do mesmo conceito já estudado anteriormente para a conjunção e o artigo. A forma comum é com shevau simples, mas veremos também as outras. Memorize-as como “bet kaf lamed”. Veja na tabela abaixo as formas das preposições inseparáveis e seus casos com exemplos de utilização:

EM, NO, NA, POR, PELO, PELA, SOBRE, COM, DENTRO DE
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição
Em sofrimento
Em dor Bereshiyt (Gn) 3:16 Esta é a forma genérica da preposição, com dáguesh na preposição e shevau simples.
Em semelhança Bereshiyt (Gn) 5:1 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau simples. A preposição recebe o hireq.
Em cólera
(encolerizado) Êxodo 11:8 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de qametz. A preposição recebe o qametz.
Em sonho 1 Reis 3:5 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de pátar. A preposição recebe o pátar.
Em sua fé
Por sua fé Habakuk 2:4 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de segol. A preposição recebe o segol.
Na ocasião Bereshiyt (Gn) 21:22 Esta é a forma utilizada quando a sílaba inicial da palavra é a sílaba tônica. A preposição recebe o qametz.
Pela terra Bereshiyt (Gn) 4:12 Estas formas mostram as preposições antecedendo palavras que já possuíam artigo, assim o (artigo) cai, e a preposição é escrita com a mesma vogal que estaria no artigo. (Por + a = pela, em + o = no, em + a = na)
No dia Bereshiyt (Gn) 2:2
Na nuvem Kozoqiul (Ez) 1:28

COMO, COMO O, COMO A, CONFORME, CONFORME O, CONFORME A
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição
Conforme sua imagem Bereshiyt (Gn) 5:3 Esta é a forma genérica da preposição, com dáguesh na letra e shevau simples.
Conforme seu coração 1 Shamuul 13:14 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau simples. A preposição recebe o hireq.
Como um navio S/R Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de qametz. A preposição recebe o qametz.
Como leão Números (Nm) 23:24 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de pátar. A preposição recebe o pátar.
Como ficção S/R Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de segol. A preposição recebe o segol.
Como uma árvore Iyyov (Jó) 19:10 Esta forma é também utilizada quando a primeira sílaba da palavra é a sílaba tônica. A preposição recebe qametz.
Como as pedras 2 Crônicas 1:15 Estas formas mostram as preposições antecedendo palavras que já possuíam artigo, assim o (artigo) cai, e a preposição é escrita com a mesma vogal que estaria no artigo. (como o, como a, conforme o, conforme a)
Como o grande 1 Crônicas 25:8
Como o leite Iyyov (Jó) 10:10

A, AO, AOS, À, ÀS, PARA, PARA O, PARA OS, PARA A, PARA AS
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição
Para exterminar
Para aniquilar Bereshiyt (Gn) 6:17 Esta é a forma genérica da preposição, sem dáguesh na letra e com shevau simples.
Para guardar Bereshiyt (Gn) 3:24 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau simples. A preposição recebe o hireq.
Para um navio S/R Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de qametz. A preposição recebe o qametz.
Para estrado 1 Crônicas 28:2 Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de pátar. A preposição recebe o pátar.
Para verdade Yarmiyaohu (Jr) 9:3
(nas traduções)
Yarmiyaohu (Jr) 9:2
(na hebraica) Esta é a forma utilizada quando a consoante inicial da palavra possui um shevau composto de segol. A preposição recebe o segol.
A eles
Lhes Bereshiyt (Gn) 6:1,2 Esta forma é também utilizada quando a primeira sílaba da palavra é a sílaba tônica. “Hem” (eles) é palavra monossílaba, e portanto, é tônica nesta sílaba única. A preposição recebe qametz.
Ao(s) amorreu(s) Números 22:2 Estas formas mostram as preposições antecedendo palavras que já possuíam artigo, assim o (artigo) cai, e a preposição é escrita com a mesma vogal que estaria no artigo. (para o, ao, para a, à)
Para o exílio Nakhum 3:10
Para o átrio Êxodo 27:9

Outros usos das partículas (bet, kaf e lamed)

FORMANDO ADVÉRBIOS DE SUBSTANTIVOS
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição
Hostilmente Números 35:21 Aqui a partícula se
une ao substantivo
para formar
o morfema “-mente”.
Arrogantemente Tehilim (Salmos) 17:10
Violentamente
Intensamente Juízes 4:3, 8:1
1 Shamuul 2:16
Yaohunah (Jn) 3:8
Habilmente Tehilim (Salmos) 104:24
Iyyov (Jó) 38:37
Compassivamente Zokharyaohu (Zc) 1:16

COMO ORAÇÃO SUBORDINADA ASSOCIADO AO INFINITIVO DE VERBOS
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição

Quando me assaltam Tehilim (Salmos) 27:2 Aqui a partícula se
une ao verbo para formar
uma oração subordinada.
Quando, ao, enquanto.
Ao ver 1 Crônicas 21:28
Quando mandam Maushlem (Pr) 29:2
Quando muda 1 Shamuul 18:6
Enquanto vivia Bereshiyt (Gn) 35:22

COM SENTIDO DE APROXIMAÇÃO – Uns, Umas, Cerca de
Forma Exemplo Tradução Referência Descrição

Uns seiscentos mil Êxodo 12:37 Aqui a partícula produz sentido
de aproximação numérica.
Cerca de três mil homens Êxodo 32:28
Uns dez anos Ruth 1:4

Uso da partícula (lamed)
1) Introdução do complemento indireto, em especial quando é adicionado ao complemento direto, como: dar algo “a alguém”.
2) Introdução do genitivo (caso da posse), como: (Salmo de Daud). Não distingue com precisão entre posse ou autoria.
3) Com formas passivas de verbos introduz o sujeito da frase, como: estudadas por, abençoado por, ser feito por.
4) Com verbos que indicam direção no espaço, como: voltar a, subir para, descer para, caminhar para, vir a, deportar para, ou no tempo, como: até a manhã, até a ceifa.
5) Expressa finalidade ou destino, como: para mal, para bem, para seu agrado, para meu esplendor.
6) Formação de advérbios. A particula forma advérbios quando anteposta a substantivos, como: pacificamente, suavemente, fielmente, do mesmo modo que a partícula Bet apresentada anteriormente.
7) Formação de gerúndio. Quando anteposta ao infinitivo de uma verbo forma o gerúndio, como: fazendo, dizendo, lutando.
8) Em composição com outras palavras vem a formar preposições e conjunções, como: por que?, por isso, para que, diante de, segundo o(a), sem, fora de, debaixo de, em cima de.
Masculino e feminino

Em hebraico podem haver formas bem diferentes para o masculino e o feminino, mas também podem ser formas onde apenas o sufixo difere. Do mesmo modo que em português temos, por exemplo, “homem” e “mulher”, como palavras bem diferentes, temos também “menino” e “menina”, apenas com variação na terminação da palavra.

Vejamos alguns exemplos de cada caso:

Femininos não formados por desinência – palavras distintas
Masculino
português Masculino
hebraico Transliteração Feminino
português Feminino
hebraico Transliteração
PAI ABH MÃE EM
CARNEIRO AYIL OVELHA RAKHEL
BOI

NOVILHO

GADO

SHOR

PAR

BAQAR VACA PARAH

“Rakhel” é o nome da esposa de Yaohukáf nas escrituras. Pronuncia-se “rarrel”, sendo o primeiro “R” pronunciado como na palavra “caro”. A palavra “shor” refere-se genericamente a animais bovinos, independente de sexo ou idade. Pode ser boi, touro, vaca, novilho, res, bezerro, terneiro. A especificação, quando existe, é determinada pelo contexto. A palavra “par” refere-se a novilho, bezerro. “Shor” é comumente usado para “boi”, conforme Êxodo 20:17, Êxodo 21:28, 1 Shamuul 12:3 e outros textos. Aqui você pode observar que “parah” possui o sufixo feminio singular que veremos abaixo, mas é bem diferente de “shor” em sua forma. A palavra “baqar”, comumente traduzida como “bois”, na realidade é uma forma coletiva, sendo melhor traduzida por “gado graúdo”, “reses”.

Femininos formados por desinência (sufixo) adicionada – palavras semelhantes.
Masculino
português Masculino
hebraico Transliteração Feminino
português Feminino
hebraico Transliteração
CAVALO SUS ÉGUA SUSSÁH
HOMEM IYSH MULHER ISHÁH
BOM TOV BOA TOVAH

Esse sufixo é adicionado para formar o feminino em hebraico. Coloca-se o “qamatz” sob a última letra da palavra e o “HÊ” no final da palavra. Esse sufixo é da forma feminina singular. Ainda estudaremos a forma feminina plural mais adiante.

Singular e plural

Plurais masculinos.
Masculino
singular Hebraico Transliteração Masculino
plural Hebraico Transliteração
CAVALO SUS CAVALOS SUSSIYM
PROFETA NAVIY PROFETAS NEVI’IYM
ESCRITO
INSCRIÇÃO KATUV ESCRITOS
INSCRIÇÕES KETUVIYM

Esse sufixo é adicionado para formar o plural masculino em hebraico. Coloca-se o “hireq” (I longo) na última letra da palavra e o “MEM SOFIT” no final da palavra. Pelo alongamento da palavra a vogal inicial pode se tornar semi-vogal. A duração da vogal é alterada, e por isso a representação massorética acompanha tal variação; contudo as consoantes raízes não se alteram.

Plurais femininos.
Feminino
singular Hebraico Transliteração Feminino
plural Hebraico Transliteração
COROA ATARAH COROAS ATAROT
FORÇA ATZMAH FORÇAS ATZMOT
RECOMPENSA
REMUNERAÇÃO PEULLAH RECOMPENSAS
REMUNERAÇÕES PEULLOT

Esse sufixo é adicionado para formar o plural feminino em hebraico. Adiciona-se o VAV ROULEM ao final da palavra após a retirada do sufixo feminino formado pelo “qamatz” com o “HÊ”. Em alguns casos o “O” do sufixo pode ser representado sem o VAV, apenas com o ROULEM (ponto superior à esquerda da última letra).

Há palavras em hebraico que só ocorrem na forma plural. Um exemplo disso é “shamayim” (pode-se traduzir como céu ou céus). Essa forma plural admite a tradução singular, contextual, embora a forma de grafia e pronúncia seja especificamente plural.

– CÉU ou CÉUS.

Publicado em RELIGIÃO... | Deixe um comentário

1ª apostila introdução.

A BÍBLIA

PARTE I   

INTRODUÇÃO
(DESCUBRA O VERDADEIRO NOME DE “DEUS…”):

Que é a Bíblia? Um simples olhar lançado sobre o índice basta para ver que ela é uma “biblioteca”, uma coleção de livros muito diversos. Quando se consultam as introduções a esses livros, a primeira impressão se confirma: distribuindo-se por mais de dez séculos, os livros provém de dezenas de autores diferentes; uns estão escritos em hebraico (com certas passagens em aramaico), outros em grego; apresentam gêneros literários tão diversos quanto a narrativa histórica, o código de leis, a pregação, a oração, a poesia, a carta, o romance.
O nome desta coleção, “os livros” (em grego, ta bíblia), tornou-se um singular, “a Bíblia” (em grego, hê biblia). “Os livros” chegaram a ser considerados como um único livro e até mesmo o Livro por excelência. Por quê?

De quem provém a Bíblia? Todos estes livros provêm de homens com uma convicção comum: Deus os destinou a formar um povo que toma lugar na história com legislação própria e normas de vida pessoal e coletiva. Foram todos testemunhas daquilo que Deus fez por esse povo e com ele. Relatam os apelos de Deus e as reações dos homens (indagações, queixas, louvor, ações de graça).
Este povo posto a caminho por Deus foi primeiramente Israel, que apareceu na história por volta de 1200 a.C., envolvido – como todos os povos vizinhos – nos movimentos que agitaram o Oriente Próximo até os inícios da nossa era. No entanto, sua religião o tornava um povo à parte. Israel conhecia um único Deus, invisível e transcendente; o Senhor. Exprimia a relação que o unia ao seu Deus com um termo jurídico: a Aliança. Submetia toda a existência à Aliança e à Lei que dela decorria, e seu modo de vida se tornava cada vez mais contrastante com o das outras nações. Toda a parte hebraica da Bíblia se refere à Aliança, tal como foi vivida e pensada por Israel até o século II a.C.
O antigo povo judaico, cuja dispersão se acelerou com a destruição de seu centro religioso, Jerusalém, em 70 e 135 d.C., prolonga-se na comunidade judaica, cuja história movimentada e frequentemente trágica se desenvolve na maior parte de tempo em terra de exílio. As diversas tendências que o animam, todas têm por fundamento a Escritura e notadamente a Lei, venerada como a própria palavra do Senhor. Os judeus a leem e sobre ela fundamentam sua prática ao quadro de tradições que, lançando raízes na vida do antigo Israel, foram redigidas após a ruína da nação e inseridas na literatura rabínica.
Ao mesmo tempo que viu a desaparição da nação judaica, o século I assistiu ao nascimento da comunidade cristã, que se afastou progressivamente. Para os cristãos, a história do povo de Deus tinha encontrado cumprimento em Jesus de Nazaré; foi por ele que Deus reuniu as pessoas de todas as origens para formar um povo regido por uma nova Aliança, um novo Testamento. Era uma Aliança definitiva; em contra partida, fazia da Aliança que regia Israel uma etapa que, embora indispensável, estava destinada a ser superada. Os cristãos denominaram-na de antiga Aliança e deram ao conjunto dos livros bíblicos recebidos de Israel o nome de Antigo Testamento (cf. 2Co 3,14), enquanto os livros que falavam da pessoa e da mensagem de Jesus formaram o Novo Testamento.
Os discípulos de Jesus e seus sucessores imediatos que redigiram o Novo Testamento viam em jesus aquele que concretizaria a esperança de Israel e responderia à expectativa universal tal qual expressa no seio desse próprio povo. Com toda naturalidade, utilizaram a linguagem dos livros santos de Israel com toda a sua densidade histórica e experiência religiosa acumulada no decorrer dos séculos. Consequentemente, a comunidade cristã reconheceu no Antigo Testamento a palavra de Deus. As Escrituras judaicas vieram a ser, então, a primeira Bíblia dos cristãos. Mas, iluminado pela fé em Jesus Cristo, o Antigo Testamento tomou um sentido novo para eles, tornou-se como que um novo livro.
Assim, judeus e cristãos se vinculam à Bíblia, mas não a leem com os mesmos olhos. Não obstante, ela continua a convidar os homens e mulheres de todos os países e de todos os tempos a ingressar no povo dos que buscam a Deus no seguimento dos patriarcas, dos profetas, de Jesus e de seus discípulos. Livro do povo de Deus, a Bíblia é o livro de um povo ainda a caminho.

Ler a Bíblia. Os livros da Bíblia são a obra de autores ou de redatores reconhecidos como portadores da palavra de Deus no meio de seu povo. Muitos dentre eles quedaram no anonimato. De qualquer modo, não estavam isolados: eram conduzidos pelo povo cujas vidas, preocupações, esperanças partilhavam, mesmo quando se erguiam contra ele. Boa parte de sua obra se inspira nas tradições da comunidade. Antes de receber forma definitiva, estes livros circularam durante muito tempo entre o público e apresentam os vestígios das reações suscitadas em seus leitores, sob a forma de retoques, anotações e até de reformulações mais ou menos importantes. Os livros mais recentes são por vezes reinterpretação e atualização de livros mais antigos (como, por exemplo, as Crônicas, com relação a Samuel e Reis).
A Bíblia está profundamente marcada pela cultura de Israel, povo que teve, como todos os outros, um modo próprio de compreender a existência, o mundo que o circundava, a condição humana. Exprime sua concepção do mundo, não numa filosofia sistemática, mas em costumes e instituições, em reações espontâneas dos indivíduos e do povo, através das características originais de sua língua. A cultura hebraica evoluiu no decorrer dos séculos, conservando, porém, determinadas constantes.
A civilização de Israel tem muitos pontos em comum com as civilizações dos outros povos do antigo Oriente. Apesar disso, o antigo Oriente não explica tudo na Bíblia; a linguagem dos livros foi modelada pela história própria de Israel, única em seu gênero. Muitas das palavras da Bíblia – particularmente no Novo Testamento – estão carregadas de uma experiência religiosa milenar. Para detectar toda sua riqueza, é preciso levar em consideração o contexto de toda a Bíblia e da vida das comunidades que prolongam a existência do antigo Israel.
Isto explica por que, muitas vezes, é difícil para o homem de hoje compreender plenamente a Bíblia. Entre ela e ele se interpõe uma distância considerável: o afastamento no tempo, a diferença de cultura e, mais profundamente, a distância que um texto escrito sempre introduz entre a mensagem original e o leitor.
Para reduzir a distância, recorre-se à exegese, isto é, a uma explicação do texto. Cada época teve seus métodos. De dois ou três séculos para cá, o Ocidente viu desenvolver-se uma exegese histórica, à qual a civilização técnica forneceu instrumentos (especialmente a arqueologia científica). Sua intenção é estabelecer com exatidão o texto bíblico, compreender exatamente o sentido das palavras, situar o texto em seu ambiente original. É o resultado deste vasto trabalho que as introduções e as notas de A Bíblia – Tradução Ecumênica resumem.

A Bíblia, Palavra de Deus. O leitor constata que a Bíblia não constitui simplesmente um antigo tesouro literário ou uma mina de documentação sobre a história das ideias morais e religiosas de um povo. A Bíblia não é somente um livro no qual se fala de Deus; ela se apresenta como um livro no qual Deus fala ao homem, como atestam os autores bíblicos.
NÃO se trata de uma palavra sem importância para vós: é uma vida (Dt 32,47). Estes sinais foram escritos neste livro para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20,30-31).
Nenhuma leitura poderá desconhecer essa função do texto bíblico; essa interpelação constante, essa vontade de transmitir uma mensagem vital e de atrair a adesão do leitor. O leitor é livre para resistir e pode apreciar a Bíblia apenas como um literato ou um apreciador da história antiga. Mas se ele aceitar entrar em diálogo com os autores que dão testemunho da própria fé e suscitam a necessidade de uma decisão, a questão fundamental, o sentido da vida, não deixará de ser enfrentada por ele. Pois a Bíblia e a fé – à qual ela convida de modo tão premente -, embora estejam profundamente enraizadas numa história numa história particular e bastante longa, ultrapassam a história. Os autores bíblicos querem ser os porta-vozes de uma Palavra que se dirige a todo homem, em todo tempo e lugar.
Através dos séculos, as comunidades cristãs de todas as línguas e de todas as culturas encontraram alimento neste livro, cuja mensagem meditam e atualizam. Não é sem razão que nos cultos ou ofícios se leem ou se cantam os Salmos, o Antigo Testamento, as Epístolas, com o Evangelho; sua unidade é a unidade da fé. Fundada nesse testemunho da Bíblia, a fé não deixa de encontrar ali vida e força. O leitor (mesmo não crente) sabe que esta fé existe hoje, que ela é – nas comunidades e algumas vezes fora delas – um certo modo de o homem viver a relação com os outros homens e de agir no meio deles, uma modalidade particular de existir que é fermento da história humana.
Assim, a Bíblia sempre remete o leitor à fé vivenciada, como também a vivência da fé sempre remete à Bíblia, na qual a fé lança suas raízes.

ORDEM DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO:

1. As edições protestantes correntes apresentam a seguinte ordem (p. ex., J. F. de Almeida ):
 O Pentateuco, Gn, Êx, Lv, Nm, Dt
 Os Livros históricos: Js, Jz, Rt, 1 e 2Sm, 1 e 2Rs, 1 e 2Cr, Ed, Ne, Et
 Os Livros poéticos: Jó, Sl, Pr, Ec, Ct
 Os Profetas: Is, Jr, Lm, Ez, Dn, os Doze (Oseias; Joel; Amós; Obadias; Jonas; Miqueias; Naum; Habacuque; Sofonias; Ageu; Zacarias; Malaquias).

As edições católicas (p. ex., a Bíblia de Jerusalém) seguem a mesma ordem, mas inserem: Tb e Jt após Ne; 1 e 2Mc depois de Est; Sb e Sr (Sirácida Eclesiástico) depois de Ct; Br depois de Lm.
Esta classificação apareceu no Concílio de Florença (1442), com a diferença de que o Concílio situa 1 e 2Mc no fim do Antigo Testamento.
As edições da Bíblia hebraica agrupam os livros sob três títulos: A “Lei”, os “Profetas”, os “Escritos”. Esse uso é anterior à era cristã.
As listas gregas (grandes manuscritos dos séculos IV e V, fornecidas pelos Padres e Concílios) apresentam grande diversidade. O Pentateuco está sempre no começo; mas os outros livros são classificados conforme variáveis, levando em consideração o gênero literário, o conteúdo, e autor suposto ou os costumes locais.
Esta variedade se explica, aliás, pela forma dos livros na antiguidade. Antes da aparição da forma códex (= páginas encadernadas em sequência como nos livros atuais), os livros eram rolos; sendo necessários uns vinte rolos para escrever todo o Antigo Testamento. Os bibliotecários os ordenavam em cofres, para protegê-los. O caráter iminentemente sagrado do Pentateuco vetava guardar outra coisa no cofre que lhe era reservado, mas quanto à disposição dos outros rolos não havia nenhuma ordem rigorosa.

ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO

O Antigo Testamento é uma coletânea de escritos que os judeus chamam “a Lei, os Profetas e os Escritos” (abreviado conforme o hebraico, a Tanak), ou simplesmente “ a Escritura”. Quando os cristãos consideraram que suas próprias escrituras “apostólicas” expressavam as disposições de uma “Nova Aliança” (ou “Novo Testamento”) entre Deus e seu povo, denominaram as escrituras anteriores de Antigo Testamento, ou seja, a Antiga Aliança.
A presente Introdução quer apresentar o ambiente geográfico e histórico no qual nasceu o Antigo Testamento, explicar como foram reunidos os livros que o constituem, como nos foram transmitidos e qual seu significado para o crente de hoje.

A) A TERRA DA BÍBLIA

1. O “Crescente e Fértil”. A terra de Israel, chamada na Bíblia terra de Canaã e pelos geógrafos antigos e modernos, “Palestina” (Isto é, “terra dos filisteus”), é um pequeno setor de um vasto conjunto geográfico em forma de meia-lua denominado o “Crescente Fértil”. Essa região tem, de fato, a forma de um arco cujo centro se situaria no deserto da Síria e ao norte do deserto da Arábia, regiões quase impenetráveis na Antiguidade. O próprio Crescente é uma zona irrigada por rios mais ou menos importantes: Tigre, Eufrates, Oronte, Litâni, Jordão. A essa região é preciso acrescentar o importante vale do Nilo, uma espécie de prolongamento, embora os geógrafos não o situem no “Crescente” propriamente dito. A margem interna do Crescente é formada por regiões semidesérticas que fazem a transição com o deserto, enquanto no exterior se estendem maciços montanhosos: Planalto Iraniano, Armênia, Tauro. Deste Crescente, a Síria e a Palestina formam a parte mais estreita: entre o Mediterrâneo e o deserto, ocupam um corredor de menos de 100 quilômetros de largura, que faz a ligação entre a Mesopotâmia e o Vale do Nilo.
Esse conjunto abrigou desde cedo uma importante população e viu desenvolverem-se vários grandes focos de civilização. As mais importantes concentrações foram feitas no Vale e no Delta do Nilo e nos cursos inferiores do Tigre e do Eufrates. Entre estas duas extremidades, a circulação era intensa. A parte principal seguiu o Eufrates, atravessava a Síria por Palmira e Damasco, a Palestina por Meguido e Jafa, para atingir o Egito por Gaza e Rafia. Em Damasco, podia-se tomar, margeando o deserto, a rota trans-jordaniana, que permitia chegar à Arábia por Eliat, e no Egito pela península do Sinai. Um último itinerário, mais frequentado pelos transportadores, ia diretamente do Eufrates aos portos fenícios (Tiro, Sídon, Bíblos), de onde estava assegurado a ligação por mar com o Egito. Por essas grandes vias de comunicação, circulavam as mercadorias, os exércitos e também as ideias.
O Crescente Fértil não era um mundo fechado. Comunicava-se diretamente com a Arábia, com a África através do Egito e da Etiópia, com a Índia através do Irã, e também com o Ocidente: Chipre, Creta, Ilhas Gregas, Jônica, mais tarde Grécia continental e Itália. Sempre houve intercâmbio comerciais entre o Crescente Fértil e a bacia mediterrânea, o que deu aos países do Mediterrâneo e do Oriente Próximo certa unidade cultural.

2. Estrutura da Palestina. Neste conjunto, a Palestina ocupa uma posição bastante marginal, embora se encontre inserida num importante corredor. Com efeito, o coração do país se encontra bem próximo dos grandes eixos de comunicação , mas a região está tão compartimentada que seus habitantes se veem constrangidos a um certo isolamento.
De modo bastante sumário, podem-se distinguir quatro faixas orientadas no sentido norte-sul:
a) uma faixa costeira: o litoral mediterrâneo, estreito e pouco favorável ao estabelecimento de portos, prolonga-se numa cadeia de colinas (chamada Shefelá – Baixada – no sul), cortada por pequenas planícies;
b) uma cadeia central: bastante elevada ao sul, na Judeia (mais de 1.000 m), abaixa-se à medida que se vai para o norte, mas acaba por levantar-se na extremidade setentrional do país, antes de se prolongar no maciço do Líbano. Depressões transversais delimitam nitidamente três regiões: Judeia, Samaria, Galileia. A mais importante dessas depressões é a planície de Jezreel, ou Esdrelon. Limitada a oeste pelo monte Carmelo;
c) uma grande depressão ocupada pelo vale do Jordão, o lago da Galileia e o mar Morto; prolonga-se ao sul pelo vale da Arabá, que termina no Golfo de Ácaba. Esta depressão, que prolonga as falhas geológicas dos grandes lagos africanos, é o fosso continental mais profundo de toda a terra: o mar Morto está 390m abaixo do nível do Mediterrâneo;
d) o planalto trans-jordaniano, cuja margem ocidental sobreolha a depressão central. Sua parte sul é recortada pelas gargantas dos afluentes de Jordão e do mar Morto (Arnon, Jaboc). A parte norte, menos abrupta, forma uma cadeia mais elevada do que a cadeia central, o Hermon e o Antilíbano são seus prolongamentos.

3. Condições de vida na Palestina. Apesar de variar com as regiões, o clima da Palestina apresenta alguns traços comuns: bastante ensolarado, chuvas distribuídas em poucos dias, estação seca de maio a outubro, grande irregularidade da quantidade de chuva (que pode diminuir ou duplicar de um ano para outro).
O índice pluviométrico decresce rapidamente de oeste para leste e de norte a sul. Desse modo, podem-se distinguir três regiões climáticas:
 entre a costa e as colinas centrais, uma região razoavelmente irrigada por chuvas, que permite as culturas mediterrâneas: trigo, cevada, vinho, oliveira, frutas e legumes;
 na vertente leste do maciço da Judeia e no Négueb, uma região semidesértica apta para algumas culturas periódicas e criação de ovelhas;
 uma região desértica, uma estepe , que fornece algumas pastagens periódicas.
Nas duas últimas regiões, encontram-se alguns oásis férteis, mas de superfície bastante reduzida.
Se, em comparação com as regiões semiáridas, as regiões irrigadas podiam passar por “terra boa”, uma “terra que mana leite e mel”, a vida nelas era sempre precária e a terra não podia alimentar uma população numerosa, que não parece ter ultrapassado um milhão de pessoas nos tempos bíblicos. As duas maiores cidades, Jerusalém e Samaria, não chegaram a contar mais de 30.000 habitantes. As outras cidades eram simples cidades fortificadas. O resto da população habitava povoados agrupados ao redor das nascentes.

B) ISRAEL NO MEIO DAS NAÇOES

1. As grandes etapas da história de Israel
a) As origens de Israel, como as da maioria dos povos, são muito difíceis de estabelecer. A entrada de Israel história, por volta de 1200 a.C., foi precedida por um longo período de formação (8 ou 9 séculos), que escapa em grande parte aos historiadores. No entanto, Israel guardou desse período lembranças de acontecimentos e de personagens marcantes, lembranças que se conservaram na tradição oral, narrativas que se transmitiam de uma geração a outra. Esses relatos podem conservar muitas informações úteis ao historiador. Confrontando essas tradições com o que sabemos da história do Oriente Primitivo e com os documentos fornecidos pela arqueologia, pode-se chegar a certo conhecimento desse período decisivo.
Os antepassados dos israelitas devem ser procurados entre os semitas seminômades, criadores de ovelhas, que circularam durante todo o segundo milênio pelas margens semidesérticas do Crescente Fértil. Pouco a pouco, esses grupos acabaram por se fixar; por vezes chegaram até a dominar uma região já ocupada por outras populações. Entre as seminômades, dois grupos são mais conhecidos: os amorreus (emoritas), que se fixam na Mesopotâmia, na Síria e na Palestina por volta de 2000 a.C., e os arameus, que se fixam na Síria no século XIII a.C. Mas os documentos egípcios e mesopotâmicos assinalam muitos outros grupos que se infiltravam continuamente na Mesopotâmia, na Palestina e no Egito.
Desse período pouco conhecido, a tradição bíblica faz emergir algumas grande figuras. Abraão, Isaac, Jacó-Israel e os ancestrais das tribos israelitas. É difícil avaliar o valor histórico dos dados sobre os patriarcas fornecidos pela tradição. Confrontando-se com os dados da história e de arqueologia, pode-se presumir que os patriarcas se fixaram na Palestina no século XIX ou XVI a.C. – segundo outras estimativas entre os séculos XVIII e XVI a.C. – e que vinham da Mesopotâmia (Abraão vinha de Ur na Siméria, Jacó de Harran no Médio-Eufrates). Os autores bíblicos se preocupam muito menos em situá-los na história de seu tempo do que em mostrar como eles se tornaram os pais espirituais do povo de Deus: adoradores e confidentes do único verdadeiro Deus, receberam dele ricas promessas para sua posteridade (Gn 15; 17).
Uma parte de seus descendentes se estabeleceu no Egito, em companhia de outros grupos semíticos. É impossível fixar uma data para a implantação, que se processou lentamente, no decorrer de quatro ou cinco séculos. Há, pelo menos, dois períodos que podem ter tornado esta instalação mais fácil:
 A denominação dos hicsos, vindos da Palestina e que governaram o Egito de 1700 a 1550 aproximadamente;
 O enfraquecimento do poder egípcio, que marcou o reino do faraó Akhenaton (1364-1347).
b) O nascimento do povo foi um processo complexo, que começou provavelmente em 1250, sob o faraó Ramsés II. Grupos semitas estabelecidos no Egito, submetidos a duras corvéias, conseguiram fugir sob a direção de Moisés, que os reagrupou ao redor do Sinai, depois no oásis de Qadesh (Cades), ensinando-os a servir ao Senhor, a quem devem a libertação, e dando-lhes um início de organização.
A Bíblia dá grande destaque a esses acontecimentos fundamentais, que apresenta como ato de nascimento de Israel, o ponto de partida de sua história. Três fatos são especialmente destacados: a partida do Egito depois de uma série de catástrofes, sinais da intervenção do Senhor (Êx 7-12), a passagem do mar (Êx 14-15) e o encontro entre Israel e seu Deus no Sinai ou no Horeb Êx 19-24).
As tribos que escaparam do Egito penetram em seguida na Palestina. Umas pelo sul, outras pelo leste. Trata-se em geral de movimentos dispersos, de infiltrações pacíficas em regiões pouco habitadas. Mas em vários lugares, os recém-chegados devem guerrear contra as cidades cananeias, que tentam detê-las. As vitórias israelitas são compreendidas como novas provas da intervenção do Senhor, que dá a seu povo a “boa terra” prometida a seus antepassados. Entre os chefes de tribos que se destacaram nas batalhas, a Bíblia conservou sobretudo Josué, chefe de Efraim, que parece ter desempenhado um papel importante no reagrupamento das tribos, tanto das que vinham do Egito como das que já estavam instaladas na Transjordânia e na Galileia. Israel é, de agora em diante, um povo constituído, embora sua estrutura política ainda seja muito maleável.
A “federação” das tribos pouco a pouco toma consistência no decorrer dos séculos XII e XI a.C., porque devia resistir a diversas ameaças: assaltantes nômades, reinos da Transjordânia, cidades cananeias. O perigo principal vinha dos filisteus, desembarcados nas costas da Palestina no início do século XII a.C., que se apresentavam como os concorrentes mais sérios de Israel na posse da Palestina. Durante muito tempo, as tribos se contentam com alianças defensivas, limitadas e temporárias, sob a conduta de chefes inspirados aos quais se dava o título de “Juízes”. Mas tendo a ofensiva filisteia se tornado mais ameaçadora, as tribos decidem reforçar a coesão pondo à sua frente um rei, conforme o modelo dos povos vizinhos.
c) A monarquia. Após o fracasso do reinado de Saul, o judeu David é reconhecido como rei por todas as tribos, pouco antes do ano 1000 a.C. (2Sm 5). David repele os filisteus para a costa e empreende uma série de guerras ofensivas contra os arameus; chegará a impor sua dominação a todos os estados vizinhos até o norte da Síria. Ao mesmo tempo, começa a organizar o Estado. Instala a capital em Jerusalém e para lá transfere a arca da aliança, centro do culto comum às tribos.
É a seu filho Salomão que compete concluir a organização do reino com a criação de um aparelho administrativo e de um exército permanente bem-equipado. Salomão desenvolve o tráfego comercial, que propicia ao país um rápido enriquecimento e enseja ao jovem reino um lugar invejável em meio às nações. Ele multiplica as construções em Jerusalém e em todo o reino. Sua obra mais importante é a construção do templo de Jerusalém (1Rs 6-8), centro de reunião das tribos, no qual Israel vê o sinal da presença permanente do Senhor no meio de seu povo, a prova de que o povo de Deus está constituído e estabelecido em solo próprio. O fim do reinado de Salomão foi, contudo, marcado por séries reveses (1Rs 11).
O filho de salomão, Roboão, não era capaz de governar o estado, apenas aparentemente unificado. Revoltadas por um despotismo oneroso, as tribos do centro e do norte provocam a secessão, em 933 a.C., e se constituem em estado independente, o reino de Israel. Isoladas no sul, as tribos de Judá e de Benjamin continuam fiéis ao descendente de David no reino de Judá. Durante dois séculos, o povo de Israel estará dividido em dois estados mais ou menos rivais.
Constituído pelas regiões mais ricas e mais povoadas do pais, o reino do Norte conheceu períodos brilhantes, especialmente sob Omri (886-875), o fundador de Samaria, sob Acab, sob Jeroboão II. Mas, minado por uma instabilidade dinástica crônica, não teve meios para se opor à expansão assíria. Foi varrido pela ofensiva de Tiglat-Piléser em 738 a.C.; a última resistência foi quebrada em 722-721 a.C., entre a tomada de Samaria. Parte da população foi deportada, e o território do reino tornou-se província assíria.
O reino do Sul, pobre, cercado por vizinhos hostis, não podia desempenhar um papel importante e parece ter sido bastante influenciado pela política egípcia. Logrou, no entanto, conservar seu lugar no meio das nações sob reis como Asá, Josafat, Ezequias, que teve de recolher o que restou do reino do norte, e Josias, a quem Judá deve seu último surto de independência. Mas após um prazo de pouco mais de um século, foi a vez de o pequeno reino ruir: os babilônios de Nabucodonosor arrasam Jerusalém e deportam parte de seus habitantes (587 a.C.).
Dispersos por toda a Mesopotâmia ou refugiados no Egito, os israelitas muitas vezes se assimilaram aos povos que os acolheram. Mas alguns grupos de origem judaísta souberam manter a coesão e preservaram uma vida religiosa própria: a organização que deram a suas comunidades foi a origem das sinagogas. Para esses grupos, o exílio foi a ocasião de refletir profundamente sobre a vida de seu povo e de fazer o balanço da História de Israel, vários livros da Bíblia são fruto dessa meditação.
Mas os profetas não esperaram o fim do reino de Judá para expressar um juízo de valor sobre os fatos que estavam ocorrendo. Ensinaram o povo de Deus a ver a obra do Senhor em todos os acontecimentos, tanto os mais gloriosos como os mais trágicos. Nas catástrofes que, a partir do século VIII a.C., se abateram sobre os dois reinos, reconheceram as consequências das infidelidades cometidas pelo povo contra Deus: culto aos deuses estrangeiros e injustiça social. Mas deixaram entrever igualmente o retorno do povo infiel à graça e delinearam perspectivas de esperança.
d) A comunidade judaica. Com efeito, menos de 50 anos após a queda do reino de Judá, a situação se inverte: o império babilônico desmorona sob os golpes dos persas. Um decreto de Ciro, em 538 a.C., autoriza a reconstrução do Templo de Jerusalém, ao redor do qual se reagrupam os judeus que retornaram do exílio. É apenas uma pequena comunidade, que cresce lentamente em meio a numerosas dificuldades. Ela deve enfrentar especialmente a hostilidade dos que ficaram na região e ocuparam a terra. Neemias e Esdras, no século V a.C., dão-lhe uma organização definitiva. Sem influência no domínio político, ela deixou profundas marcas no âmbito religioso. Foi no decorrer desse período que a maior parte dos livros do Antigo Testamento recebeu a foma final.
Em 333 a.C., Alexandre Magno pôs fim à dominação persa e assegurou, no terreno político, a vitória do helenismo. Incorporada ao Império Macedônico, a terra de Israel terá de sofrer muitas vezes por causa das lutas entre os sucessores de Alexandre. Durante um século e meio, a comunidade judaica viverá em paz geral com o mundo grego. Mas em 167 a.C., o conflito explode: Antíoco IV quer abolir o estatuto particular de Jerusalém e lança o interdito sobre as práticas judaicas na Palestina. Os irmãos macabeus desencadeiam uma insurreição armada, que acaba por ser vitoriosa. Simão Macabeu, reconhecido como sumo sacerdote, obtém a independência para a Judeia (141 a.C.). Durante quase um século, seus descendentes, os hasmoneus, que se tinham arrogado o título de reis, mantiveram a situação, à qual os romanos puseram fim em 63 a.C., quando Pompeu se apoderou de Jerusalém e fez da Judeia uma província romana (cf. Introdução ao Novo Testamento).
No decorrer desse período, a comunidade judaica se separa progressivamente dos samaritanos que, vivendo em redor do santuário de Siquém, herdaram das tribos do centro algumas tradições opostas às de Jerusalém.
As invasões assírias, no século VIII a.C., dispersaram bom número de israelitas na Mesopotâmia, no Egito e em outros países. Muitos não retornaram à Judeia, depois de 538 a.C. A unificação de numerosos povos sob a dominação grega favoreceu um movimento de emigração através de todo o Oriente Próximo e em torno da bacia do Mediterrâneo, especialmente no Egito. Desde o século II a.C., Alexandria conta mais judeus do que a Judeia. Ao mesmo tempo, desenvolve-se um intenso esforço de propaganda, que levará ao judaísmo muitos convertidos, os “prosélitos”. Todos esses judeus residentes no estrangeiro constituem a diáspora (dispersão), muito mais numerosa do que a população da Palestina, metade da qual, aliás, não era judaica. Agrupados ao redor de sinagogas e, apesar da distância, muito apegados a Jerusalém e ao Templo, esses judeus partilham ao mesmo tempo a vida dos povos em meio aos quais residem. Eles contribuíram para dar ao judaísmo um semblante novo e o prepararam para superar a grande provação que foi, em 70 d.C., a guerra contra os romanos, que terminou com a ruína do Templo e, após uma derradeira resistência com Bar-kokbá (em 135), com a supressão da nação judaica.

2. As nações em torno de Israel. No decorrer dos séculos, o Crescente Fértil foi o lugar de migração de numerosos povos de proveniência, cultura e religião diversas. Israel esteve em contato mais ou menos estreito com muitos dentre eles.
a) Vizinhos imediatos. Eram pequenos estados, cujos habitantes tinham mais ou menos a mesma origem que os israelitas.
No sudeste, os edomitas ocupavam o maciço de Seir, o vale da Arabá e a região de Petra. Mais ao norte, encontrava-se o reino de Moab (a leste do mar Morto), depois o reino de Amon (cf. A atual Amã). Na fronteira norte, Israel encontrava os reinos arameus (Damasco, Hamar). Apesar de os conflitos com esses países terem sido crônicos, Israel considerava que seus povos tinham com ele um parentesco, expresso nas genealogias: Amon e Moab eram os sobrinhos-netos de Abraão, Edom (Esaú) era o irmão de Jacó, o arameu Labão era tio e sogro de Jacó.
No noroeste se encontravam os fenícios, marinheiros e comerciantes que, durante toda a Antiguidade, sulcaram os mares, estabelecendo feitorias e colônias às margens do Mediterrâneo. Biblos, Sidom e Tiro foram periodicamente as capitais deste pequeno reino, derradeiro resto dos estados cananeus vencidos pelos israelitas e os filisteus. Com população muito mesclada, Canaã tinha, no entanto, certa unidade cultural e religiosa, contrastando com o esfacelamento político da região. Falava-se aí uma única língua, o cananeu, cuja forma antiga só se pode perceber graças a algumas glosas de tabuletas babilônias de Tell el-Amarna. A civilização e a religião de Canaã não são conhecidas pelo testemunho direto dos textos. Mas se admite que elas se assemelhavam, no essencial, com as que revelaram os documentos de Ras Shamra, na Síria do Norte, redigidas no século XVI a.C., numa língua chamada ugarítica.
No sudeste, enfim, residiam os filisteus, chegados à costa pouco depois da época da instalação das tribos de Israel. Sua religião e costumes diferiam nitidamente das religiões e costumes dos povos do Crescente Fértil, enquanto se assemelhavam aos de Creta e da Grécia. Para Israel, eram os estrangeiros por excelência.
b) Grandes potências. Israel tinha problemas não só com esses pequenos estados, mas também com as grandes potências que periodicamente dominavam o Oriente Próximo. Em raros períodos, a fraqueza dessas potências permitia à Palestina dispor de si mesma; David aproveitou-se de uma situação dessas para fundar seu reino. Mas, na maior parte do tempo, a Síria e a Palestina estavam submetidas à pressão de seus grandes vizinhos.
Primeiramente o Egito, que, por volta de 3000 a.C., já era um grande estado, com civilização bastante evoluída. Estendido ao longo do Nilo, estava voltado para a África (a Núbia, ou Etiópia), mas mais ainda para a Europa e a Ásia. Todo o tempo, os faraós procuraram dominar a Palestina que, durante longos séculos, foi província egípcia ou protetorado: quase todos os reis de Judá foram aliados ou satélites do Egito. Isso explica uma influência cultural prolongada que deixou na Bíblia traços importantes (em particular aos livros sapienciais).
Depois, a Mesopotâmia: Ela foi sempre um mundo complexo: todas as raças se entrecruzavam aí, os impérios se sucediam combatendo-se. O primeiro império mesopotâmico a dominar a Palestina foi o reino assírio, que começou sua expansão para o oeste no século IX a.C. Assolou o reino de Israel entre 735 e 721 a.C., enquanto o reino de Judá devia prestar-lhe vassalagem. A potência assíria, definitivamente vencida em 608 a.C., deu lugar a um reino babilônico governado pelos caldeus (arameus orientais). Nabucodonosor impôs sua dominação a quase todo o antigo império assírio e esmagou definitivamente o reino de Judá em 587 a.C. Em 539 a.C., o rei da Pérsia, Ciro, pôs fim a esse império, cujas província incorporou a um império muito mais vasto, que se manterá por mais de dois séculos. O governo persa se mostrará tolerante para com as culturas e as religiões das etnias que dominava. Neste quadro, a comunidade judaica pôde se reconstituir e prosperar.
Mas, muito antes de confrontar-se com as potências políticas da Mesopotâmia, a Palestina já tinha relações prolongadas com esse foco de civilização. Desde 3000 a.C., pelo menos, a Baixa Mesopotâmia fazia sentir sua influência em toda a extensão do Crescente Fértil. Dominada sucessivamente pelos sumérios (Ur, Lagash), os acádios (Acad), os amorreus (Babilônia, Mári), os hurritas (Nuzi), os assírios (Nínive), os caldeus, os persas e outros ainda, a Mesopotâmia teve uma tradição constante e bastante homogênea. A criação do império persa acrescentou a essa influência a contribuição dos povos indo-europeus do Irã.
Vem, por fim, o mundo grego. Desde o ano 2000 a.C., Canaã sofria a influência da civilização egéia, influência que cresceu ainda mais a partir da época da dominação persa. Ela se torna particularmente forte no século IV a.C.: em alguns anos, o macedônio Alexandre construíra um império que ia do Adriático ao Indo. Com sua morte, em 323 a.C., o império foi dividido entre seus generais. A Palestina pertenceu primeiramente ao estado dos ptolomeus, que dominava o Egito (Alexandria), depois ao estado dos selêucidas (Antioquia), que recobria a Síria e a Mesopotâmia. Embora pertencessem à mesma civilização, chamada helenística, esses dois estados estavam em perpétuo conflito, e a Palestina mudou várias vezes de senhorio. Mas não foi apenas porque os gregos ocupavam o território que Israel se deparou com essa cultura: uma população numerosa helenizada se tinha instalado na Palestina no curso do século III a.C. No entanto, nessa época, o judaísmo, havia muito tempo, afirmara sua personalidade, e a influência grega só o tocou talvez bastante superficialmente. E não sem lutas Obs.: “Para efeito de história – registro – sito os apócrifos (1 e 2Mc), somente”. A influência helenística atingiu mais os judeus da diáspora, embora neles também as referências fundamentais fossem sempre as da cultura e da religião de Israel.

C) O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento não é a totalidade da literatura produzida pelo povo hebreu. É o resultado de uma seleção de livros aos quais se reconhece autoridade e que são, por isso, chamados canônicos (a palavra Kanôn em grego significa “Regra”).
Sobre a formação do cânon do Antigo Testamento, remetemos o leitor à introdução aos livros deuterocanônicos. (OBS.: “sendo o meu entender, somente para estudo histórico. Sendo que nesse sentido, entra os livros apócrifos – NÃO INSPIRADOS POR DEUS!”).

D) O TEXTO DO ANTIGO TESTAMENTO E SUA TRANSMISSÃO

I – A língua do Antigo Testamento
Os livros do Antigo Testamento foram escritos essencialmente em hebraico. Essa língua semítica – apresentada, portanto, com o árabe e o babilônico – é bastante diferente das línguas europeias. Para compreender certas notas, talvez seja útil conhecer algumas de suas características, que são as mesmas para o aramaico, língua de alguns textos do Antigo Testamento.
– A maior parte das palavras (verbos e substantivos, por exemplo) é formada a partir de “raízes” caracterizadas por consoantes (habitualmente três, o único elemento a ser escrito, ao menos no princípio). As vogais (variáveis) e um certo número de prefixos e sufixos servem para indicar as funções gramaticais: gênero e número dos nomes, modos dos verbos etc. Assim, a raiz brk, que exprime a ideia de benção, pode tomar formas tais como: barek = abençoar, berak = ele abençoou, beraku = eles abençoaram, yebarek = ele abençoará, baruk = abençoado, beruká = abençoada, beraká = bênção.
Como o contexto é que determina o sentido das palavras, geralmente é fácil constatar na leitura quais vogais devem figurar em cada palavra: por isso, essa escrita abreviada (sem vogais) foi suficiente para o hebraico durante o tempo em que permaneceu uma língua viva. Quando deixou de ser falada pelo povo, foram criados diversos sistemas para a notação das vogais.
 Nos verbos, o hebraico exprime sobretudo o aspecto da ação: as noções temporais de passado, presente, futuro nas quais se desenrola a ação são indicadas pelo contexto. A forma verbal descreve a ação como realizada ou não-realizada. A ação realizada corresponde geralmente ao passado (perfeito ou mais-que-perfeito), mas pode também ter valor para o futuro, se se olhar a ação em sua totalidade como uma realidade acabada. A ação não-realizada vale sobretudo para o futuro, mas também para o presente e o passado, quando a ação continua ou se repete (imperfeito). De fato, só o contexto permite saber se ação está no passado ou no futuro, mais o próprio sentido do contexto nem sempre é evidente, o que explica numerosas divergências entre as diversa traduções da BÍBLIA.
 Como toda língua, o hebraico possui certo número de expressões idiomáticas: para falar do santo Templo de Deus, o hebraico diz “o Templo de sua santidade”; para descrever alguém que empreende uma viagem, o hebraico diz: “levantou-se e foi”; para apresentar-se diante de Deus o hebraico diz: “vir ante a face de Deus”.
As primeiras traduções gregas da Bíblia transpuseram numerosas expressões desse gênero, bem como outros hebraísmo. Desse modo criaram uma língua particular: o grego bíblico, utilizado no Antigo Tesamento grego e ao Novo Testamento. A escritura é quase a mesma do grego que se falava em toda a bacia do Mediterrâneo entre o século II a.C., e o século I de nossa era; mas muitas palavras tomaram um sentido especial, e esse idioma utiliza figuras próprias ao hebraico ou aramaico.

II – A TRANSMISSÃO DO TEXTO

1. Os livros transmitidos em hebraico (ou em aramaico)
a) O texto massorético. Os livros que o povo judeu, no fim do século I d.C., considerou como livros santos (Bíblia judaica, Antigo Testamento dos protestantes, livros protocanônicos do Antigo Testamento para a Igreja católica) foram conservados em sua língua original (aramaico para uma grande parte de Daniel e algumas passagens de Esdras, hebraico para todo o resto).
Chama-se texto massorético a forma textual oficial definitivamente fixada no judaísmo por volta do século X d.C., época na qual floresciam em Tiberíades, na família dos bem Asher, os mais celebres massoretas (= transmissores e fixadores da tradição textual). O mais antigo manuscrito “massorético” que possuímos foi copiado entre 820-850 d.C., e contém apenas o Pentateuco. O mais antigo manuscrito completo, o códice de Alepo – hoje, infelizmente amputado -, foi copiado nos primeiros anos do século X d.C. Nossas Bíblias hebraicas modernas reproduzem esse texto tal como foi copiado no manuscrito B 19a (L), de Leningrado (c. 1800).
O fato de a escrita hebraica anotar de modo preciso apenas as consoantes tornou ambíguos certos textos bíblico. Por volta do século VII d.C., encontrou-se um meio preciso para anotar as vogais e para indicar a vocalização tradicional das frases e membros de frases, graças a um sistema complexo de pontos e de traços que acompanham o texto consonântico. Assim se fixou por escrito uma tradição de leitura e de exegese desenvolvida no judaísmo no curso da primeiro milênio de nossa era e da qual os targumin (traduções aramaicas da Bíblia hebraica) são as testemunhas fiéis. Resquícios de algumas traduções gregas realizadas sob a influência do rabinato no curso dos dois primeiros séculos (as de Teodocião, de Áquila e de Símaco) permite remontar ainda mais longe na história desta tradição de exegese.
b) O texto protomassorético e as formas textuais não-massoréticas. O texto consonântico que serviu de base para a atividade das massoretas (= texto protomassorético) já suplantado no judaísmo todas as outras formas textuais rivais pelo fim do século I d.C.
A partir de 1947, foram descobertas, às margens do mar Morto, em grutas ao redor da ruína de khirbet Qumran, alguns rolos de livros bíblicos quase completos e de milhares de fragmentos abandonados no século I de nossa era. Isso permitiu constatar que, na época de Jesus, circulavam na Palestina certo número de livros bíblicos em formas textuais por vezes divergentes do texto protomassorético. Conheciam-se já, antes da descoberta dos manuscritos de Qumran e do Deserto de Judá, algumas formas não-massoréticas do texto do Antigo Testamento: por exemplo, aquele que a comunidade dos samaritanos conservou para o Pentateuco, ou então o que serviu de base para a antiga tradução grega dos Setenta (Septuaginta). Estas duas últimas formas textuais, apesar de conservadas em manuscritos mais recentes que os manuscritos do Deserto de Judá, remontam aos três últimos séculos antes de Cristo.
Em todas essas formas do texto pré-massorético podemos encontrar por vezes um texto mais claro e inteligível do que o massorético. Daí a tentação de muitos exegetas, sobretudo entre 1850 e 1950, de a elas apelar para corrigir o texto massorético nos trechos considerados alterados. c) Alterações textuais. É certo que determinado número de alterações diferenciam o texto proto-massorético do texto original.
 Por exemplo, o olho do copista saltou de uma palavra a outra semelhante, situada algumas linhas abaixo, omitindo tudo aquilo que as separava.
 Do mesmo modo, certas letras, sobretudo quando mal-escritas, muitas vezes foram mal-lidas e mal-reproduzidas, pelo copista seguinte.
 Ou então um escriba inseriu ao texto que ele copiava, e às vezes num lugar inadequado, uma ou várias palavras que encontrara à margem: termos esquecidos, variantes, glosas explicativas, anotações etc.
 Ou ainda alguns escribas piedosos pretenderam melhorar por meio de correção teológicas uma ou outra expressão que lhes parecesse suscetível de interpretação doutrinalmente perigosa.
Algumas dessas alterações podem ser detectadas e corrigidas graças às formas textuais não-massoréticas, quando estas se verificam isentas de alterações.
d) Crítica textual. Que forma de texto escolher? Noutras palavras, como chegar a um texto hebraico o mais próximo possível do original? Alguns críticos não hesitam em “corrigir” o texto massorético cada vez que ele não lhes agrada, seja por motivo literário, seja por motivo teológico. Por reação, outros se atém ao texto massorético, mas quando ele é manifestamente insustentável, procuram encontrar numa ou noutra das versões antigas uma variante que lhes pareça preferível. Esses métodos não são científicos, sobretudo o primeiro. São perigosamente subjetivos.
Atualmente, um melhor conhecimento da exegese targúmica e das literaturas antigas do Oriente Próximo permite explicar certas passagens até hoje obscuras.
Mas a solução verdadeiramente científica consistiria em fazer com a Bíblia hebraica o que se faz com o Novo Testamento e com todas as obras da Antiguidade: um estudo bastante minucioso do conjunto das variantes, estabelecendo “a árvore genealógica” dos testemunhos que possuímos – texto massorético, múltiplos textos de Qumran, Pentateuco samaritano, versões gregas da Septuaginta (com suas três revisões sucessivas), da Quinta (de Orígenes), de Áquila, de Símaco, de Teodocião, versões aramaicas dos targumin, versões siríacas peshitto, filoxeniana, siro-hexaplar, versões latinas antigas e Vulgata de Jerônimo, versões coptas, armênias etc. – e assim, sem nenhuma conjetura subjetiva, restabelecer o arquétipo à base de todas as testemunhas. Geralmente esse arquétipo remonta ao século IV a.C. Em alguns casos privilegiados (certas passagens das Crônicas), pode-se provar que o arquétipo assim obtido é o próprio original. Quase sempre o arquétipo está separado do original por um período mais ou menos longo, e então se está obrigado, para passar do arquétipo ao original, a recorrer a algumas conjeturas, com a aplicação prudente de princípios críticos bem estabelecidos.
Infelizmente, os textos de Qumran ainda não estão todos publicados, e o trabalho crítico exige tanta competência e pesquisa que ele levará ainda várias décadas.

2. Os livros transmitidos em grego. Fiel nesse ponto mais a Orígenes do que a Jerônimo, a presente tradução não quis manter o apego à tradição rabínica a ponto de eliminar os livros que, desde a fundação, as Igrejas herdaram do judaísmo de língua grega (classificados como deuterocanônicos na tradição “católica”). Pelo fato de os judeus de língua hebraica não os terem conservado na lista oficial de seus livros santos e de o judaísmo ter cessado de assegurar-lhes a tradição textual no curso do século I de nossa era, eles nos oferecem tradições textuais geralmente menos unificadas que, por vezes, perderam o enraizamento semítico de onde a maior parte deles surgira. As introduções a cada um deles justificam as escolhas textuais realizadas pelos colaboradores desta tradução. LIVROS APÓCRIFOS!

E) O SENTIDO DO ANTIGO TESTAMENTO

1. Para os judeus. Para ler a Bíblia (= “Lei escrita “), o judaísmo elaborou sua própria tradição interpretativa durante o período rabínico clássico, do século II a.C. Ao século VIII da nossa era. Primeiramente “Lei oral” ou “tradição dos antigos” (porque transmitida de mestre a discípulo sem a mediação escrita), essa tradição foi codificada e posta por escrito na Mishná (que, com o seu comentário, a Guemará, forma o Talmud) e nas diversas coletâneas midráshicas. Ela se desenvolve essencialmente sobre dois pontos: a interpretação livre e homilética, visando alimentar a reflexão religiosa (Hagadá) e a definição das regras de conduta cotidiana (Halaká). “Lei escrita” e “Lei oral”, texto de referência e interpretação ininterrupta, constituem a tradição religiosa viva do judaísmo.
Deixemos a palavra a dois autores judeus contemporâneos:
“Se existe uma coisa no mundo que mereça o atributo de divino, é a Bíblia. Há inúmeros livros sobre Deus. A Bíblia é o livro de Deus. Revelando o amor de Deus pelo homem, ela nos abriu os olhos, a fim de que pudéssemos ver que aquilo que tem um sentido para a humanidade é, ao mesmo tempo, o que é sagrado para Deus. Ela mostra como a vida de um indivíduo pode se tornar sagrada, e sobretudo, a vida de uma nação. Oferece sempre uma promessa às almas honestas quando perdem o ânimo, enquanto os que a abandonam vão de encontro ao desastre” (A. Heschel, Dieu em quête de I’ homme, Paris, Seuil, 1968, p. 263 [port: Deus em busca do homem, São Paulo, Paulinas, 1975]).
“A teologia judaica, ligando o universalismo da criação ao particularismo de Israel, confirma aquilo que toda a Bíblia ensina, a saber, que Deus se revela ao homem e que Israel está no centro da humanidade, criada à imagem espiritual de Deus: “Vós sereis para mim um povo de eleição entre todos os povos, um reino de sacerdotes, uma nação santa” (Êx 19,5-6); “Santos vos tornareis, pois Eu sou Santo, Eu, o SENHOR, vosso Deus” (Lv 19,2). {está, é uma das passagens mais bela que, no meu entender, acho mais linda e importante – Anselmo Estevan.}”.
“Compreende-se então que o judaísmo conceda a Bíblia o lugar mais eminente no ensinamento sinagogal, visto que ela é o “Livro da Aliança” que une Deus a seu povo (Êx 24,7), a carta que, em Abraão, tornou todo Israel bênção para todas as nações (Gn 12,3), de sorte que “a terra inteira reconheça um dia e proclame a Realeza e a Unidade de Deus” (Zc 14,9)” (A. Zaoui, Catholiques, juifs, orthodoxes à la Bíble, t. I, Paris, cerf, 1970, p. 76).

2. Para os cristãos. O Antigo Testamento só é antigo em relação ao Novo, isto é, a nova aliança instaurada por Jesus Cristo. Mas não se deve exagerar a diferença entre ambos, como se a antiga aliança e a literatura que dela dá testemunho tivessem caducado. Essa visão das coisas, que foi a de Marcião no século II, reaparece periodicamente na história da teologia. Ora, ela atinge mortalmente o próprio Novo Testamento.
a) O Antigo Testamento foi a única Bíblia de Jesus e da Igreja primitiva. Como livro da educação judaica, de algum modo, moldou a alma de Jesus. Este assumiu os valores do AT como fundamentos do seu evangelho: não veio para “ab-rogar” a Lei e os profetas, mas “para cumpri-los”. Cumpri-los era primeiramente levá-los a um ponto de perfeição no qual o sentido primitivo dos textos se superasse a si mesmo, para traduzir em sua plenitude o mistério do Reino de Deus. Cumpri-los era também fazer entrar na experiência humana o conteúdo real da promessa que polarizavam a esperança de Israel. Era desvendar o sentido definitivo de uma história ligada a uma educação espiritual, mostrando sua relação com o mistério da salvação, consumado pela cruz e ressurreição de Jesus. Era enfim dar à oração que aí se expressava uma riqueza de conteúdo que ultrapassasse os seus limites provisórios. Sob todos estes aspectos, Jesus cumpriu em sua pessoa as Escrituras que estruturavam a fé de Israel.
b) Por isso a Igreja apostólica encontrou nas Escrituras o ponto de partida necessário para anunciar Jesus Cristo. À luz da Pascoa, ela não somente rememorou os feitos e gestos de Jesus, a fim de compreender o seu sentido profundo; também releu todos os textos antigos que lhe recordavam a história preparatória, com suas peripécias contrastantes, suas instituições provisórias, seus sucessos e fracassos, seus pecadores e santos. Não se encontravam esboçados, anunciados e prefigurados já no Primeiro Testamento a mensagem de Jesus, sua missão redentora, a constituição e o mandato da Igreja? Por isso os livros do Novo Testamento, sem perder de vista as lições positivas contidas nos preceitos do Antigo, habitualmente reinterpretam os textos do AT para fazer emergir neles a presença antecipada do Evangelho. Dessa forma o Antigo Testamento pôde tornar-se a Bíblia Cristã, sem nada perder de sua consistência própria, antes adquirindo o estatuto de Escritura “consumada”.
c) Tal é a perspectiva na qual a primitiva teologia cristã foi construída, para explicitar o conteúdo do Evangelho e explicar que é Jesus, Messias judeu e Filho de Deus. As imagens de Adão e de Moisés, de David e do Servo sofredor, do Emanuel e do Filho do Homem vindo sobre as nuvens permitiram elaborar a linguagem fundamental da fé cristã. Certamente a linguagem do Novo Testamento apresenta diversidade notável. Mas, embora não despreze os recursos do universo cultural no qual viviam sem autores e leitores, foi tecido com as palavras e as frases da Escritura, as quais lhe conferem densidade. A relação entre Deus e seu povo, manifestação de sua graça e fidelidade , tomou assim sua verdadeira dimensão: tudo aconteceu a nossos pais “para servir de exemplo” e Deus quis que isso fosse consignado por escrito “para nos instruir, a nós a quem coube o fim do tempos” (1Co 10,11).
O Novo Testamento, que conseguinte, pôs as bases de uma leitura cristã do Antigo. Descoberta do Espírito sob o véu da letra. Revelação do sentido definitivo sob invólucros provisórios. Tal trabalho não se realizou, no decorrer dos séculos da história cristã, sem suscitar problemas complexos, que cada época formulou de modo novo. Herdeiros dessa tradição interpretativa, sempre orientada por uma visão de fé, vemos esses problemas se apresentarem a nós. Que pode haver de extraordinário nisso, uma vez que a Palavra de Deus veio até nós no meio de uma história verdadeiramente humana e sob a forma de palavras verdadeiramente humanas? Para além dessa história e desses textos, a Igreja se esforça por perceber a Palavra de Deus da qual é portadora, a fim de lhe responder na “obediência da fé”. Por isso é importante que a Escritura inteira se tenha transformando no tesouro comum das Igrejas, divididas por tantos dramas históricos. A obediência comum à única Palavra de Deus não é o indício mais seguro de uma unidade que se procura construir? É vivendo da mensagem bíblica, do modo como dela viveram os apóstolos, que os cristãos de hoje re-encontrarão o caminho da reunificação em Jesus Cristo.

O PENTATEUCO

INTRODUÇÃO

Unidade e diversidade do Pentateuco. Os primeiros livros da Bíblia formam o que se chama, na tradição cristão – grega, depois latina – o Pentateuco. É uma palavra grega que designava os “cinco estojos” que encerravam os volumes ou rolos, as cinco partes daquilo que se chama em hebraico a Torá, palavra habitualmente traduzida por “Lei”; por isso dizia-se também para designar esse livros “os cinco quintos da Lei”. Fala-se ainda dos “cinco livros de Moisés”, pois, conforme a tradição, Moisés é o legislador, o intermediário pelo qual o povo de Israel recebeu a Lei.
A Torá de Moisés é composta de várias coletâneas de leis, cada qual com sua estrutura literária, histórica e social, e enquadrando grandes ciclos de narrativas que evocam os atos de Deus na constituição do povo.
Os títulos dos cinco livros do Pentateuco vêm do grego. Procuram dar uma ideia esquemática do conteúdo: as origens, Gênesis; a saída do Egito, Êxodo. O nome do Levítico corresponde ao papel dos filhos de Levi na legislação cultural, e dos Números provém do recenseamento das tribos; o Deuteronômio (em grego, a “segunda lei”) é como uma retomada, uma repetição da lei. A tradição judaica se contenta com designar cada um dos cinco livros pela sua primeira palavra hebraica.
A divisão em cinco partes não quebra a unidade do conjunto, manifestada pela continuidade de um livro noutro. Dessa forma, o livro do Êxodo, inicia por uma breve recapitulação da genealogia de Jacó desenvolvida no cap. 46 do Gênesis e por uma retomada do último versículo do livro das origens. O Levítico prolonga a revelação da Lei a Moisés no Sinai, que principia em Êx 20 e não será concluído antes de Nm 10. Quanto ao Deuteronômio, é um discurso de Moisés, no qual ele renova o código de Êx 20-23, prevendo o tempo em que o povo, recém-instalado na Terra prometida, estará defronte ao risco de esquecer as exigências do seu Deus.
A atual divisão em capítulos, que data da Idade Média, pretende dar ao conjunto uma divisão mais ou menos regular para a comodidade da leitura e do estudo. As seções da leitura litúrgica judaica conheceram variações. Tampouco elas correspondem ao que se poderia considerar divisões naturais do texto, pois estas constituem seções de extensão muito variável. Por exemplo, a história de José ocupa vários de nossos capítulos (Gn 37 e 39-50); em compensação, o episódio da união dos anjos com as filhas dos homens ocupa apenas alguns versículos (Gn 6,1-4). Não se deve procurar no Pentateuco a composição rigorosa de um código moderno de leis ou de um tratado de teologia, e, apesar de seguir uma ordem cronológica, também não é um manual de história.

A lei e a história. Muitos textos narrativos do Pentateuco têm por finalidade valorizar uma lei: é assim que o episódio do bezerro de ouro (Êx 32,34) liga a ordem de partida do Sinai para a Terra prometida e a formulação da aliança com o preceito: “Não farás para ti deuses em forma de estátua” (Êx 34,17). Outros relatos justificam uma instituição: p. ex., a revolta de Qôrah, Datan e Abirâm (Nm 16,17) explica a escolha da família de Aarão para desempenhar as funções sacerdotais. Embora o Gênesis seja mais narrativa e o Levítico mais legislativo, é no Gênesis que se encontra a lei-instituição da circuncisão, não relatada alhures (Gn 17,9-14), e é no Levítico que se lê a narrativa da investidura sacerdotal de Aarão (Lv 8 e 9). A tradição judaica é mais sensível ao aspecto legislativo da Torá; a tradição cristã muitas vezes conservou mais os aspectos narrativos, a ponto de ver neles uma história da humanidade salva por Deus. A análise literária permite, em certa medida, distinguir diferentes “gêneros”, e o conhecimento dos documentos do Oriente Próximo antigo ajuda a caracterizá-los (código penal, legislação matrimonial, genealogia etc). Mas o trabalho de análise, por si só, não daria conta da perspectiva de conjunto, a imbricação de textos de gêneros tão diferentes é deliberada, significativa; não há leis e narrativas, mas uma lei que é, ao mesmo tempo, história e a lei do povo escolhido constituído por Deus.

Uma composição por etapas. Sem perder de vista a unidade de conjunto do Pentateuco, o leitor atento se surpreenderá com certos aspectos literários que traem uma composição complexa. Longe de empobrecer a leitura, essa atenção dispensada à diversidade de estilos e testemunhos contribui para desvelar os cinco livros como uma suma na qual se fixaram as confissões de fé de Israel, cada qual à sua maneira, no decorrer dos séculos.
Dessa forma, certos textos legislativos se repetem em contextos diferentes: O Decálogo é dado duas vezes (Êx 20; Dt 5); o ciclo das festas, quatro vezes (Êx 23; 34; Lv 23; Dt 16). O mesmo vale para as narrações: uma dupla narrativa da criação (Gn 1,1-2.4a; 2,4b-25), da expulsão de Hagar (Gn 16 e 21), da vocação de Moisés (Êx 3-4 e 6,2ss.) etc. Não se trata de simples repetições. Cada um dos textos paralelos possui uma marca original. O mandamento do shabbat, por exemplo, se funda tanto na evocação da criação (Êx 20,9-11), como na da saída do Egito (Dt 5,12-15); essas duas motivações para um mesmo mandamento possuem a mesma autoridade, mais decorrem de intenções diversas, que merecem ser resgatadas. O fenômeno é particularmente nítido na história do patriarca que faz a própria mulher passar por sua irmã aos olhos de um rei. Ela aparece três vezes. Em Gn 12 e 20, é aplicada a Abraão e Sara; em Gn 26, a Isaac e Rebeca. Também pode acontecer que uma narrativa desdobrada desse modo se apresente não só sob a forma de duas narrações distintas, mas como uma única narração na qual duas tradições se mesclam a narrativa do dilúvio (Gn 6,5-9.17). O caráter compósito desse texto é evidente, pois as diferenças de estilo saltam aos olhos. Bastaria perceber as diferenças nas indicações numéricas: dois animais de cada espécie (6.19) ou sete (7,2); quarenta dias de inundação (7,17) ou cento e cinquenta (7,24).
Diversidade literária aparece também no nível do estilo e das peculiaridades de vocabulário. A mais evidente é o emprego de diversos nomes divinos, particularmente óbvia nas narrativas paralelas. Uma das duas narrativas da expulsão de Hagar, por exemplo, fala do Senhor (YHWH, Gn 16,3-14), enquanto a outra emprega o nome comum para designar Deus (Elohim, Gn 21,9-19). A esse primeiro critério – que serviu de chave para que a análise literária identificasse a origem diversa das tradições – acrescentou-se outras divergências: a montanha da revelação ora é o Sinaí (Êx 19,1; Nm 10,12), ora o Horeb (como sempre em Dt, mas já citado em Êx 3,1; cf. Nota); os antigos abitantes da região são os cananeus (Gn 12,6) ou os emoritas (Dt 1,19, nota). Essas diferenças, entre muitas outras, sobretudo as que se combinam, evidenciam hábitos de linguagem próprias e certos grupos religiosos por meio dos quais os dados da tradição foram transmitidos. O estilo caloroso das exortações do Deuteronômio contrasta com o caráter técnico das prescrições rituais de Lv 1-7, assim como se choca com a forma lapidar dos mandamentos de Lv 19, onde o próprio Deus exige obediência, pois, é ele que diz: “Eu sou o Senhor, vosso Deus”. Tantas particularidades de estilo não se explicam apenas pela diferença de objetos tratados, mas também pelas maneiras distintas de confessar e de viver a fé no Deus único.
Num plano mais artístico, enfim, pode-se comparar a extrema sobriedade de uma narrativa como a da vocação de Abraão (Gn 12,1-4) com o romance pitoresco do casamento de Isaac e Rebeca (Gn 24) ou as aventuras de José (Gn 37; 39-50).
Todos esses fenômenos literários deixam transparecer um longo processo de composição, até se chegar ao conjunto acabado e definitivamente fixado. Na origem, os santuários, os lugares de peregrinação constituíam núcleos em redor dos quais se perpetuavam as tradições orais de tribos ou de grupos de tribos. Todos vinham a eles para celebrar os grandes feitos da história da salvação a Páscoa com a recordação do Êxodo, as Tendas com a recordação da estada no deserto. Os sacerdotes, guardiães e interpretes das leis da aliança herdeiros da tradição mosaica, velavam pela salvaguarda e transmissão das tradições particulares que, pouco a pouco, se agruparam em ciclos ou conjuntos mais vastos, à medida que se estreitavam os laços entre as tribos. À medida que se afirmava a unidade religiosa de Israel, esta supunha a formação de uma síntese ainda mais ampla, que traçasse o destino inteiro do povo a serviço de seu Deus. Tradições religiosas e tradições literárias resultaram assim na formação do nosso Pentateuco: deixaram traços ainda visíveis, graças aos quais se pode ter uma ideia das etapas dessa história, e que dão testemunho da fidelidade da redação final a essas tradições venerandas.
Pode-se comparar o Pentateuco em sua redação final a um terreno de aluvião criado por um rio provindo de uma vasta bacia hidrológica, cujas camadas sucessivas conservam vestígios de sua origem particular. É incumbência da análise literária identificar essas contribuições diversas e ensaiar hipóteses sobre o meio de origem das camadas no seio do povo de Israel, assim como as circunstâncias de sua fixação literária.
Hoje se concorda em reconhecer que quatro correntes principais contribuíram para a formação do conjunto, cada uma das quais projetando sua própria perspectiva sobre a história da aliança e de suas instituições.

A tradição sacerdotal (P). A camada literária mais facilmente identificável é a que dá ao Pentateuco sua atual estrutura geral. Estende se da narrativa da criação do mundo em sete dias (Gn 1,1-2,4a) à morte de Moisés (Dt 34,7-9) e organiza a história em torno a uma sequência de genealogias (Gn 5,1 e notas). Ela passa pelo dilúvio e a aliança com Noé (Gn 9) para alcançar a aliança com Abraão (Gn 17). Além dos patriarcas e da revelação do nome divino a Moisés (Êx 6), ela narra a saída do Egito, depois se detém demoradamente na revelação da lei e das instituições culturais por intermédio de Moisés no Sinai (Êx 25 a Nm 10). As características mais marcantes de seu estilo são as repetições, genealogias, listas, e a predileção por tudo o que concerne ao culto e à liturgia. O interesse dessa tradição pelo santuário (Êx 25-31 e 35-40), pelos sacrifícios (Lv 1-7) e pelo clero constituído por Abraão e seus filhos (Lv 8-10) permite reconhecer nela o testemunho próprio do círculo dos sacerdotes, de onde a denominação de tradição sacerdotal que lhe foi dada, simbolizada pela inicial P (de Priestercodex, código sacerdotal). Por muito tempo considerada proveniente da corrente mais antiga da tradição – notadamente porque é ela que serve de fio condutor a todo o Pentateuco –, sabe-se hoje que essa camada é a de fixação mais recente, embora transmita certo número de materiais antigos. Com efeito, a imagem que ela reproduz das instituições culturais corresponde à organização da comunidade pós-exílica. Na verdade, foi de acordo com essa forma da tradição que a comunidade judaica se reconstituiu depois da grande ruptura do exílio. Foi esse texto que certamente serviu de fundamento para a reforma de Esdras (Ne 8; comparar Ne 8,18 a Lv 23,36). Baseando-se em uma longa tradição oral, ela pode ter sido redigida pelos sacerdotes de Jerusalém durante o exílio na Babilônia, em vista da restauração do culto no templo reconstruído. Ela dá testemunho de que Deus é senhor do universo inteiro, que todo homem foi criado a sua imagem para servi-lo e adorá-lo. Deus firmou aliança com toda a humanidade por meio de Noé, depois escolheu Abraão para que ele viesse a ser o pai de uma multidão de nações e fez aliança com ele. No seio de sua descendência, Deus separou os levitas, e dentre eles Aarão e sua linhagem, para oferecer o culto em nome de todo o povo. É no santuário sobre o qual repousa a graça divina que se realiza o encontro salvífico entre Deus e os homens, graças à mediação de Moisés e do sumo sacerdote Aarão.
Esta sucessão de alianças concêntricas confere ao conjunto do Pentateuco sua majestosa ordenação, mas não se deve perder de vista que se trata de uma visão super elaborada e relativamente tardia da história das origens. Não é de causar surpresa que um documento-programa desses tenha sido utilizado para o arremate redacional de todo o Pentateuco, com o enquadramento e reorganização dos materiais mais antigos da tradição.

A tradição deuteronômica (D). Uma segunda camada é facilmente resgatável – porque não se mescla facilmente com as outras e se caracteriza por um estilo muito particular. É a tradição compilada no Deuteronômio, designada pela letra D. Centrada no ensinamento da lei, renuncia ao plano cronológico da uma história das origens. Seu gênero literário é o da pregação, com a conclamação à obediência, as exortações, ameaças e as promessas. As múltiplas prescrições da lei são articuladas com o mandamento central do amor a Deus (Dt 6,5 e notas). Mas a catequese da lei se refere constantemente aos eventos da história, dos quais ela ressalta a atualidade (Dt 1,10 e nota): a saída do Egito (Dt 16,3), a promessa de uma boa terra feita aos pais (Dt 4,31 e nota) e mesmo a criação do mundo (Dt 4,32 e nota). Ela evoca também o bezerro de ouro e as infidelidades do povo no deserto (Dt 9,7ss.), a fim de advertir Israel e de levá-lo a escolher entre a vida e a morte (Dt 30,15ss.).
A exigência de um santuário único (Dt 12) permite pôr essa obra literária em relação com a reforma do culto realizada pelo rei Josias em 622 a.C. (2Rs 22-23), ainda que o “livro da lei” – que é a sua base – seja provavelmente uma versão breve e primitiva do livro do Deuteronômio. A atenção reservada aos levitas (Dt 18,1-8) e seu papel de detentores da lei (Dt 33,8-11; 17,18) e de pregadores juntamente com Moisés (Dt 27,9) indicam que essa tradição é a mesma que se transmitia no círculo dos levitas dos antigos santuários do interior, porta-vozes do ensinamento de Moisés. Pode ser que ela tenha recebido sua primeira fixação escrita após a queda do reino do Norte (em 722 a.C.), entre os levitas do Norte refugiados em Judá, ou, de acordo com outra hipótese, entre os sábios agregados à corte de Jerusalém. Mas foi submetida a numerosos desenvolvimentos ulteriores, até o tempo do exílio (Dt 4,25ss.).
O longo trabalho de redação deuteronomista não atingiu apenas o Deuteronômio. Enriqueceu visivelmente várias passagens mais antigas do Êxodo (por exemplo. Êx 12-13; 32-33) e até do Gêneses (Gn 18,17-19), onde se podem reconhecer seu estilo e vocabulário. Alias, é nessa perspectiva que também se organizou a grande síntese da história subsequente, da entrada na terra à queda de Jerusalém, tal como registrada nos livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis, cujo prefácio se encontra nos três primeiros capítulos do Deuteronômio. Essa forma deuteronômica da tradição marcou profundamente o testemunho de todo o Antigo Testamento, com sua insistência no Deus único, na fidelidade à promessa, na eleição gratuita de um povo a quem ele dá terra e instituições, e cuja lei é para aqueles que a praticam fonte de vida e alegria.

Tradições mais antigas. Se agora lançarmos o olhar para os trechos mais antigos, veremos que o Pentateuco toma proporções mais modestas, traindo, embora, sua origem diversificada. As camadas aqui são mais difíceis de identificar, pois a redação definitiva deslocou-se parcialmente para integrá-las como peças que dão autoridade ao escrito. Suas características literárias levam a crítica a reconhecer aqui duas formas primitivas da tradição, uma das quais relativamente bem-conservada, enquanto a outra subsiste apenas em fragmentos esparsos.

A tradição javista (J). A primeira camada decorre da tradição que chama Deus por seu nome pessoal “YHWH” desde as origens (Gn 4,26). Por isso, ela se chama javista e é designada pela inicial J. A exemplo da camada sacerdotal, narra a história das origens a partir da criação do homem (Gn 2,4b-25) até a morte de Moisés (Dt 34,5-6). Suas primeiras páginas registram a história de Israel no quadro da humanidade criada para a vida (Gn 2), mas marcada pela recusa a escutar Deus (Gn 3) e pela violência (Gn 4). A paciência de Deus para com os homens pecadores é assegurada a Noé e a sua descendência (Gn 6-8), em vista de uma bênção que Deus promete a Abraão para todas as nações (Gn 12,1-4a). Os ciclos narrativos de Abraão e Jacó demonstram como a promessa se cumpre para aqueles que creem. A partir da missão de Moisés ante a sarça ardente (Êx 3), a camada literária J narra de maneira particular o enfrentamento entre Deus e Faraó, a saída do Egito, a travessia do mar (Êx 14) e alguns episódios da caminhada no deserto rumo ao Sinai, onde Moisés e os anciãos celebram com Deus uma refeição de aliança e recebem a lei, talvez sob a forma sintética do ritual de Êx 34,14-26. Essa camada se encontra ainda nas últimas narrativas da caminhada no deserto, do Sinai à Terra prometida (Nm 11ss.), e na história de Bilêam (4º oráculo Nm 24,15-19).
A narração javista conservou o caráter pitoresco e a variedade das tradições orais relacionadas a certos santuários e ao folclore do clã. Ela se caracteriza pelo estilo concreto, colorido cheio de margens, quase ingênuo de um contador de histórias (os filhos de Noé, Gn 9,18-27; a torre de Babel, Gn 11,1-9), que não hesita em falar de Deus em termos muito expressivos, como se estivesse falando de um homem: “Eles ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim ao sopro do dia”(Gn 3,8); “O Senhor fechou a porta atrás de Noé” (Gn 7,16); “Abraão percebeu três homens de pé perto dele” (Gn 18,2). A originalidade de J consiste em que suas múltiplas narrativas foram organizadas em uma história que vai da promessa a seu cumprimento. Não ocultando nenhum dos pecados do homem, nem sua condenação por Deus, essa narrativa dá testemunho dos atos de salvação de um Deus que dispersa sua bênção a Abraão e sua descendência, a fim de fazê-la atingir todas as nações da terra.
A origem e a data de fixação por escrito dessa corrente da tradição são muito discutidas. A redação pode até ter sido processada em várias fases. A dominação prometida para sempre a Judá sobre seus irmãos (Gn 49,10; cf. Gn 37,26) poderia indicar que a origem dessa tradição deve ser procurada em Judá, em meio próximo à monarquia davídica. O “dominador que surge de Jacó” (Nm 24,19) seria uma alusão a David ou a um de seus sucessores? A tradição “J” teria a intenção de fazer o Estado davídico recordar que, se ele se tornou uma nação inumerável (Gn 12,2; Sm 7,23; 1Rs 3,8), foi por favor de uma promessa divina, da qual agora ele deve ser portador em benefício dos outros povos da terra.

A tradição eloísta (E). Vários fragmentos narrativos, quase sempre combinados com a camada J, distinguem-se pela utilização do nome genérico “Elohim” para falar de Deus nas narrativas que precedem a revelação do nome YHWH. Daí o nome eloísta dado a essa camada, com a inicial E. Outras características literárias acompanham esta feição e permitem detectar importantes vestígios dessa corrente: a passagem de Abraão e Abimélek (Gn 20), o sacrifício de Abraão (Gn 22), provavelmente uma grande parte da história de José (cf. Gn 50,20), mas também a infância de Moisés (Êx 2), a revelação do Nome (Êx 3,14), e a visita de Iitrô (Êx 18). Aparentemente, é dessa camada que deriva a mais primitiva coletânea das leis do Pentateuco, o “Código da aliança” (Êx 10,23-23.33). A partir daí, o rastreamento se complica, a ponto de ser necessário renunciar a isolar E da camada J.
Algumas narrativas trazem uma perspectiva particular: insistem na distância entre Deus e o homem. É necessário que um anjo intervenha, ou mesmo um homem (Gn 22,11-18; 32,23-33), para evitar que o próprio Deus se imiscua em uma atividade exclusivamente humana, o que às vezes confere a Deus um aspecto temível. A atitude justa do homem perante Deus é aqui frequentemente expressa pelo termo “temor”, que significa, ao mesmo tempo, a relação de intimidade e de obediência (Gn 20,11; 22,12). Ora esse termo é característico da piedade dos círculos próximos aos profetas Elias e Eliseu (Rs 18,3; 2Rs 4,1). A figura do profeta serve de modelo para descrever o papel de Moisés (Nm 11,25), ou mesmo o de Abraão (Gn 20,7). Alguns também atribuem a origem dessa corrente tradicional ao reino do Norte. Pode-se supor que a tradição E tenha sido compilada em Judá após a destruição do reino do Norte em 722 a.C. O último redator da narrativa J (que à vezes é chamado de jeovista = JE) teria integrado à redação elementos eloístas, sem que se possa afirmar se se tratava de passagens isoladas ou de uma obra coerente da qual ele sacrificara grande parte.

A composição definitiva do Pentateuco. A unidade do povo de Deus, fundada sobre a unicidade do próprio Deus, tornou indispensável a conjunção gradativa dessas diversas formas de tradição. Várias gerações de redatores se dedicaram a isso: eles remanejaram e retocaram o conjunto, mas a preocupação de nada desperdiçar da herança dos pais levou-os a respeitar, o mais possível, a especificidade dos testemunhos antigos.
Outras hipóteses foram elaboradas para explicar a composição do Pentateuco. Se alguns crentes defendem a opinião dos antigos, segundo a qual Moisés redigiu o Pentateuco inteiro, outros autores afirmam que a maior parte das coletâneas de lei se explicam sobretudo pela combinação de partes inicialmente independentes (a hipótese dos “fragmentos”). Outros ainda pensam que a coesão do conjunto como um todo postula a existência de um escrito fundamental, longamente ampliado depois (hipótese “dos complementos”). Não obstante, postas em debate todas essas perspectivas, a redação por camadas sucessivas parece ser hoje a hipótese mais pertinente, por explicar, ao mesmo tempo, a unidade e a diversidade do Pentateuco. Ela proporciona uma leitura em profundidade dessa vasta obra, põe em foco sua mensagem como abordagens diversas do mesmo mistério: J, mais psicológica; E, e mais preocupada em atentar a transcendência; P, mais atenta às realidades jurídicas e cultuais; D, valorizando a eleição e o amor.

Sentido religioso. A religião do Antigo Testamento, como a do Novo, é uma religião histórica: funda-se na revelação feita por Deus a determinados homens, em determinados lugares e circunstâncias, e nas intervenções de Deus em determinados momentos da evolução humana. O Pentateuco, que reproduz a história dessas relações de Deus com o mundo, é o fundamento da religião judaica e tornou-se seu livro canônico por excelência, sua lei.
Ali encontrava o israelita a explicação do seu destino. Não apenas tinha, no começo do Gênesis, a resposta às interrogações que todo homem se faz sobre o mundo e a vida, sobre o sofrimento e a morte, mas encontrava também resposta para seu problema particular: Por que (Yaohu) – YHWH, o Único, é o Deus de Israel? Por que Israel é seu povo entre todas as nações da terra? É porque Israel recebeu a promessa. O Pentateuco é o livro das promessas: a Adão e Eva após a queda, o anúncio da salvação longínqua; o Protoevangelho, a Noé depois do dilúvio, a certeza de uma nova ordem do mundo; e a Abraão principalmente. A promessa que lhe é feita é renovada a Isaac e a Jacó e interessa a todo o povo deles nascido. Essa promessa se refere imediatamente à posse do país em que viveram os Patriarcas, a Terra Prometida, mas implica outras coisas mais: significa que existem entre Israel e o Deus dos Pais relações especiais, únicas.
Pois Yaohu chamou Abraão e nessa vocação já se prefigurava a eleição de Israel. Foi Yaohu que fez dele um povo e deste povo seu povo, por uma eleição gratuita, por um desígnio amorável, concebido desde a criação e continuada através de todas as infidelidades dos homens.
Essa promessa e essa eleição são garantidas por uma aliança. O pentateuco é também o livro das alianças. Uma já é feita, embora tácita, com Adão; ela é explícita com Noé, com Abraão, com todo o povo, enfim, pelo ministério de Moisés. Não se trata de um pacto entre iguais, pois Deus não o necessita e é ele quem toma a iniciativa. No entanto, ele se compromete, se obriga de uma certa maneira pelas promessas que faz. Mas exige, em contrapartida, a fidelidade de seu povo: a recusa de Israel, seu pecado, pode romper o vínculo que o amor de Deus formou.
As condições dessa fidelidade estão reguladas pelo próprio Deus. Deus dá sua lei ao povo que escolheu para si. A lei ensina-lhe seus deveres, regula sua conduta conforme a vontade de Deus, e, mantendo a aliança, prepara o cumprimento das promessas.
Esses temas da Promessa, da Eleição, da Aliança e da Lei são os fios de ouro que se entrecruzam na trama do Pentateuco e continuam seu curso por todo o Antigo Testamento. Pois o Pentateuco não é completo em si mesmo: Menciona a promessa mas não a realização, já que termina antes da entrada na Terra Santa. Devia permanecer aberto como uma esperança e uma exigência: esperança nas promessas, que a conquista de Canaã parecerá cumprir (Js 23), mas que os pecados do povo comprometerão e que os exilados recordarão em Babilônia, exigência de uma lei sempre premente, que permanecia em Israel como uma testemunha contra ele (Dt 31,26).
Isso durou até Cristo, que é o termo para o qual tendia obscuramente essa história da salvação e que lhe dá todo o seu sentido. Paulo salienta o significado deste fato, sobre tudo em Gl 3,15-29. Cristo concluiu a Nova Aliança, prefigurada pelos pactos antigos e nela faz entrar os cristão, herdeiros de Abraão pela fé. Quanto à Lei, ela foi dada para guardar as promessas, como um pedagogo que conduz a Cristo, em que estas promessas se realizam.
O cristão não está mais sob o pedagogo, está libertado das observâncias da Lei, mas não de seu ensinamento moral e religioso. Pois Cristo não veio ab-rogar e sim levar à perfeição (Mt 5,17), o Novo Testamento não se opõe ao Antigo, prolonga-o. A Igreja não apenas reconheceu nos grandes eventos da época patriarcal e mosaica, nas festas e ritos do deserto (sacrifício de Isaac, passagem do mar Vermelho. Páscoa. Etc), As realidades da Nova Lei (sacrifício de Cristo, batismo, Páscoa cristã), mas a fé cristã exige a mesma atitude fundamental que os relatos e os preceitos do Pentateuco prescreviam aos israelitas. Mais ainda: em seu itinerário para Deus, toda alma atravessa as mesmas etapas de desapego, provação e purificação pelas quais passou o povo eleito, e encontra sua instrução nas lições que foram dadas a este.
Uma leitura cristão do Pentateuco deve seguir antes de tudo a ordem dos relatos: O Gênesis, depois de haver oposto às bondades de Deus Criador as infidelidades do homem pecador, mostra, nos Patriarcas, a recompensa concedida à fé; o Êxodo é o esboço de nossa redenção; Números representa o tempo de provação em que Deus instrui e castiga seus filhos, preparando a consagração dos eleitos. O Levítico poderá ser lido com mais proveito em conexão com os últimos capítulos de Ezequiel ou depois dos livros de Esdras e Neemias; o sacrifico único de Cristo tornou caduco o cerimonial do antigo Templo, mas suas exigências de pureza e de santidade no serviço de Deus continuam sendo uma lição sempre válida. A leitura do Deuteronômio acompanhará bem o de Jeremias, o profeta de que ele está mais próximo pelo tempo e pelo espírito.

A leitura cristã do Pentateuco. Com a dispersão do povo de Israel, o livro da Lei apareceu como fundamento de sua unidade, como aquilo que fazia dele um povo. A insistência recaiu sobre os aspectos jurídicos: é a fidelidade à Torá, a uma Lei reguladora da vida cotidiana, que permite aos judeus dispersos serem ainda um povo. Esta interpretação farisaica e rabínica não está fechada ao universalismo, mas seu universalismo centra-se no povo judeu e supõe a fidelidade à Lei. Nessa perspectiva, a atualidade da Lei é posta em evidência.
Ao lado da perenidade do judaísmo, a interpretação cristã abre-se o outro tipo de universalismo. Para o cristianismo, as promessas do Antigo Testamento já se realizaram, seu cumprimento deu-se em Jesus Cristo e a nova aliança consumou a antiga. A lei da primeira aliança aparece então como momento de uma história, e, com a abertura da Igreja aos pagãos, insiste-se na ideia de que a palavra de Deus se dirige ao mundo atravessando a continuidade da história. É uma etapa da constituição do povo de Deus, na qual não se deve parar, mas que se deve assumir até o pleno cumprimento.
Os dons de Deus não têm retorno. Por isso o povo judeu conserva aquilo que dele recebeu, mas não é o único a ouvir na Torá uma palavra de Deus. Os cristãos reconhecem a palavra de Deus encarnada em Jesus de Nazaré, que não veio abolir a lei, mas consumá-la (Mt 5,17). Na Lei, descobrem sua própria história. Eles também constituem uma comunidade a caminho, que vise da libertação realizada por Cristo no dia da Pascoa e da espera do reino de Deus. Eles sabem que sua vida está determinada por uma aliança, a aliança que Cristo selou para eles. Eles se alimentam da palavra de Deus e dos sinais de sua misericórdia e fidelidade. Os acontecimentos atestados pelo Pentateuco anunciam e prefiguram a obra que Deus realizou por Cristo na Igreja, do mesmo modo que as instituições da antiga aliança preparam e delineiam as instituições da nova. Para o cristão, o que se diz do Templo e da liturgia aplica-se ao corpo de Cristo, novo santuário sobre o qual resplandece a glória de Deus (Jo 2,21). É assim que o Pentateuco continua a ser uma fonte de vida para os homens de hoje, para aqueles que partilham a fé de Abraão e saúdam ao Cristo a consumação da promessa feita ao patriarca em favor da humanidade.

GÊNESIS

INTRODUÇÃO

Visão geral
Autor: Moisés.
Propósito: Ensinar aos israelitas o propósito de Deus para eles como uma nação, tendo como pano de fundo o início do mundo e a vida de seus patriarcas.
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
 Embora o pecado tenha corrompido o mundo ideal que o Deus de Israel tinha criado, a redenção víria por meio do povo escolhido por ele.
 As vidas de Abraâo, de Isaque e de Jacó fornecem muitos vislumbres da natureza da aliança de Deus com o seu povo, bem como das esperanças deles quanto ao futuro.
 A vida de José e a de seus irmãos revelam como o povo de Deus deve se relacionar entre si e com o mundo.

Público original
O livro de Gênesis foi escrito para encorajar os israelitas enquanto estes enfrentavam inúmeros desafios ao deixar o seu passado de escravidão no Egito e seguiam para conquistar a Terra Prometida. As narrativas fornecem um prólogo para as responsabilidades que a nação enfrentaria nos dias de Moisés. Por exemplo, Gênesis enfoca, explicitamente, o ritual da circuncisão (17,9-14) e a observância do sábado (2,2-3). E, o mais importante, Gênesis relata as origens de Israel, remontando ao início da história da humanidade e ao conflito entre o reino de Deus e o reino da serpente – conflito no qual a nação de Israel teve um papel crucial. Gênesis também relata a escolha de Israel para uma aliança de relacionamento exclusivo com o único Deus. De acordo com essa aliança, os descendentes dos patriarcas se tornariam uma grande nação na Terra Prometida, por meio dos quais os gentios seriam abençoados.

Propósito e características
Segundo o antigo costume de nomear livros de acordo com sua(s) primeira(s) palavra(s), a título hebraico é bereshith, “no princípio”. Com base no conteúdo do livro, o título grego é geneseos que significa “origens”. Os dois títulos são apropriados, uma vez que o livro versa sobre a origem da história sagrada.

CRISTO EM GÊNESIS
O que começou em Gênesis é cumprido em Cristo. A genealogia iniciada no cap. 5 prosseguiu no cap. 11 e termina com o nascimento de Jesus Cristo (Mt 1; Lc 3,23-38). Ele é o legítimo descendente prometido a Abraão (17,15-16; Gl 3,16). Os eleitos são abençoados nele porque somente ele, pela sua obediência ativa, satisfez as exigências da lei, e por sua disposição em desistir de seus direitos de igualdade com Deus, morreu no lugar deles. Todos os que são batizados em Cristo são descendentes de Abraão (Gl 3,26-29). As ousadas profecias e os sutis tipos em Gênesis mostram que Deus estava escrevendo uma história que se completaria com Jesus. No limiar da profecia bíblica, Noé predisse que os jafetitas encontrariam salvação por meio dos semitas (9,27), uma profecia que se cumpriu no Novo Testamento (Rm 11, cf. Nota sobre 9,27); e o próprio Deus proclamou que o descendente da mulher destruiria Satanás (3,15). Esse descendente é Cristo e sua igreja (Rm 16,20). A apresentação da noiva a Adão tipificou a apresentação da Igreja a Cristo (2,18-25; Ef 5,22-32); o sacerdócio de Melquisedeque é semelhante ao do Filho de Deus (14,18-20; Hb 7). O paraíso perdido pelo primeiro Adão é restaurado pelo último Adão. Essa história sagrada maravilhosamente unificada certifica que o foco de Gênesis é, em última análise, Cristo.

O Gênesis é o primeiro livro do Pentateuco (ver introdução ao Pentateuco); o livro conta, como seu próprio nome indica (gênese = começo), as origens do mundo e o início da ação de Deus entre os homens. Embora faça parte da Torá (ou lei de Moisés), contém essencialmente relatos que dizem respeito aos ancestrais do povo de Israel, reconhecidos como seus Pais por todos os que creem. O Gênesis inaugura uma história que se prolonga até os dias de hoje e diz respeito, juntamente com o povo judaico e a Igreja de Cristo, à humanidade inteira.
O Gênesis relata diversos episódios da vida dos patriarcas, agrupados de modo a mostrar que Deus intervém constantemente junto a Abraão e sua família com vistas a preparar a salvação do mundo. É por isso que os relatos patriarcas são precedidos de um prólogo que situa Abraão e seus descendentes no quadro dos povos da terra e contém alguns dos capítulos mais celebres da Bíblia: a criação, Adão e Eva, o Dilúvio, a torre de Babel… capítulos que constituem como que um resumo impressionante da caminhada da humanidade na terra, dos seus empreendimentos e dos seus fracassos…
Para bem compreender este livro e o sentido dos relatos nele contidos, é preciso considerá-lo no seu dinamismo e não dissecá-lo em pedaços destituídos de relação uns com os outros. Mesmo que o leitor se atenha especificamente a algumas das páginas célebres que o livro contém, há de se lembrar – como já o sublinhou a Introdução ao Pentateuco – que o Gênesis não constitui uma abra independente, uma espécie de história da época dos patriarcas, mas que ele representa o começo de um vasto conjunto que narra como Deus, no meio das nações, forma para si um povo sobre a terra para dar testemunho dele. Há que lembrar também que o Gênesis não foi composto de uma só vez, mas resulta de um trabalho literário que se prolongou durante várias gerações; o livro reflete, portanto, as experiências, por vezes dolorosas, dos filhos de Abraão, que nos contam a vida dos seus antepassados, pressupondo assim uma tradição viva que foi constantemente relida em função das vicissitudes da história de Israel. O texto atual só se compreende levando em conta as retomadas necessárias da obra divina dentro do povo de Israel. Temos reflexo disso nas sucessivas redações do texto sagrado, mas elas nunca anularam os primeiros esboços nos quais se baseiam. Elas enriqueceram os primeiros esboços com revelações novas.

A composição do livro. Costuma-se dividir o Gênesis em duas partes: Gn 1-11, que trata dos primórdios da humanidade no universo criado por Deus, e Gn 12-50, que apresenta a vida dos patriarcas e se subdivide em três ciclos de relatos, referentes a Abraão (12-25), a Isaac e sobretudo a Jacó (26-36), e, enfim, a José (37-50). A esta divisão “vertical” e cômoda – já que põe em evidência o conteúdo do Gênesis – pode-se preferir outra, “horizontal”, que destaca o fato de o primeiro livro da Bíblia constar de vários estratos ou camadas, que, aliás, vão além de Gn 50. Com efeito, o Gênesis, na sua forma atual, é formado por diversas tradições, denominadas, “javista”, “eloísta” e “sacerdotal” (ver introdução ao Pentateuco). Essas camadas foram se sobrepondo umas às outras no decurso dos séculos e voltam a se encontrar no conjunto do Pentateuco.
Efetivamente, aquilo que poderíamos qualificar como o Gênesis mais antigo, a narração “javista”, já fornece a estrutura do livro atual; segundo o “Javista”, Deus formou o homem da terra e o colocou no meio das plantas e dos animais. Mas o ser humano deu ouvido a vozes diferentes da de Deus e acabou sendo excluído do jardim do Éden, devendo viver a sua vida no sofrimento, na confusão e na divisão (2-4). A humanidade tenta constituir a própria unidade; fracassa (11), mas Deus preparará e realizará o verdadeiro congraçamento dos homens. Por isso salva Noé do diluvio (6-9) e chama Abraão, para que nele a bênção divina atinja todas as nações (12). O patriarca vai de uma localidade a outra e, de santuário em santuário, recebe as promessas de Deus, cujas garantias são o nascimento de Ismael (16) e o de Isaac (18-20). O ciclo de Abraão encerra-se com o casamento de Isaac com uma parenta da terra de Arâm, na Mesopotâmia (24).
As tradições relativas ao herdeiro de Abraão são pouco numerosas; têm menos relevo, embora estejam melhor enraizadas na terra e na história do que as relativas a seu pai (26). Desde o começo, a figura de Isaac é dominada pela de Jacó, o antepassado das doze tribos e referência da unidade delas sob a designação de Israel, Jacó, o homem que ao longo de toda a sua existência deveria lutar com Deus e com os homens (32), viveu sobretudo fora da Terra Prometida. Com efeito, ele tem brigas constantes tanto com os arameus – povo de origem das suas esposas – como Esaú, ancestral de Edom – o povo irmão de Israel – ou com os habitantes de Canaã (34). Jacó morrerá no Egito.
O Gênesis termina com a história dos filhos de Jacó, na qual, ao lado de Judá, José ocupa o papel principal. Ele salva os irmãos da fome acolhendo-os no Egito, apesar de os irmãos terem tentado liquidá-lo.
Antes de morrer, Jacó abençoa seus filhos, designando Judá como rei deles (49); sua morte precede de pouco a de José (50), que deixa os seus numa terra em que, breve, passarão por dura escrevidão.
A libertação dos descendentes dos patriarcas será o tema do livro subsequente ao Gênesis, o Êxodo.
A versão “javista”, composta sem dúvida no tempo da realeza, foi a primeira redação literária de tradições locais e tribais. Ela recorda às tribos de Israel as promessas do Deus de Abraão e as dificuldades com que as tribos deparam no caminho da realização dessas promessas.
A ruptura da unidade do povo de Deus e o período difícil que se seguiu causaram a Israel novos problemas, que exigiram, senão uma revisão, pelo menos uma complementação da história dos patriarcas. A tradição “eloísta” constitui um segundo estrato literário, cuja extensão e importância são difíceis de discernir: seu tom é mais sóbrio e menos otimista que o da tradição javista. Na eloísta, Deus intervém menos diretamente nos assuntos humanos e espera dos seus servos, antes de tudo, a obediência. Por vezes reconhece-se nesta tradição a influência do profetismo: Abraão, por exemplo, é saudado como um profeta (20,7), cuja fé é submetida à prova (22).
A dolorosa queda de Jerusalém em 587 a.C., exigiu uma nova revisão da gesta patriarcal. Ela foi obra dos círculos de sacerdotes exilados na Mesopotâmia. A versão “sacerdotal”, de tom geralmente abstrato, interessa-se pelos aspectos cultuais e legislativos da obra divina. Ela insiste na aliança de Deus com Abraão (17), que vem depois da aliança com Noé (9) e prepara a do Sinai.
A tradição “sacerdotal dá ao relato do Gênesis a estrutura definitiva: fazendo a História Sagrada começar com a criação do universo (1), ela mostra a continuidade do destino da humanidade através das indicações genealógicas e cronológicas, ao mesmo tempo que revela as diversas etapas deste destino, marcado pela instauração de alianças ou de estatutos particulares que, da criação a Noé e de Noé a Abraão, possibilizam a Israel torna-se, no meio das nações, o povo que prestará ao Deus único um culto verdadeiro.

As fontes do Gênesis. Ao contarem as origens do mundo e da humanidade, os autores bíblicos não hesitaram em haurir, direta ou indiretamente, das tradições do antigo Oriente Próximo, em particular da Mesopotâmia, do Egito e da região fenício-cananeia. As descobertas arqueológicas feitas de aproximadamente um século para cá mostram, com efeito, que existem muitos pontos comuns entre as primeiras páginas do Gênesis e determinados textos líricos, sapienciais ou litúrgicos da Suméria, da Babilônia, de Tebas ou de Ugarit. Este fato nada tem de estranho quando se sabe que a terra em que Israel se instalou estava amplamente aberta às influências estrangeiras: além disso, o próprio povo de Deus, pela sua história, manteve relações com os diversos povos do Oriente. Próximo. Mas os progressos da arqueologia revelam igualmente que os escritores que estruturaram e revisaram os relatos dos primeiros capítulos do Gênesis não foram imitadores servis. Souberam retrabalhar as suas fontes, repensá-las em função das tradições especificas do seu povo. Não se limitaram a salvaguardar a originalidade da fé javista: enfatizaram-na.
O fato é que a comparação entre o texto bíblico e os relatos concernentes à origem do mundo ou aos heróis da Antiguidade não está destituída de interesse para o leitor da Sagrada Escritura. Entre muitas outras testemunhas do passado literário do antigo Oriente Próximo, limitamo-nos a assinalar aqui a história babilônica “Enuma Elish”, as aventuras do herói Guilgamesh, que contêm uma versão babilônia do Dilúvio, ou ainda as grandes torres – construídas pelas cidades mesopotâmicas em honra das suas divindades – que lembram a história da torre de Babel.
Os relatos sobre os patriarcas, embora redigidos muito tempo depois dos acontecimentos aos quais se referem, atestam um enraizamento real no ambiente em que viveram os antepassados de Israel. Mais uma vez, os arqueólogos, sobretudo pelas descobertas relativamente recentes de Ugarit e de Mári, possibilitam reconhecer ao mesmo tempo a complexidade das tradições e sua integração na vida do segundo milênio antes da era cristã, tal como é conhecida hoje.
Os costumes de Abraão e dos seus descendentes lembram os de clãs de seminômades, proprietários de ovelhas e de cabras, que circulam ao longo do “Crescente Fértil”. Vivem mais ou menos em contato com populações sedentárias, com as quais mantêm relações ora pacíficas, ora belicosas. Os diversos grupos constituídos pelas famílias dos patriarcas – cujas relações exatas nos são desconhecidas – estão em vias de sedentarização na terra de Canaã, que se tornará a terra dos seus sucessores.
Não é possível escrever uma história contínua dos patriarcas, não só por causa do tempo que os separa dos documentos que deles falam, mas sobretudo porque viveram com os seus grupos à margem da história política, isto é, da “grande história”. As tradições a seu respeito refletem, antes de tudo, preocupações essenciais, como a de garantir a sobrevivência das famílias em uma região ameaçada pela fome, ou a de assegurar terras férteis para os rebanhos; finalmente, o que se conservou foram apenas certos episódios da sua existência.
Os relatos do Gênesis acerca dos antepassados de Israel são, pois, de origem popular e familiar, e guardam os traços da cultura do seu tempo. Exprimem também as crenças dos patriarcas em um Deus que caminha com eles quando dos seus constantes deslocamentos e lhes promete tudo o que lhes é necessário à vida.

Temas e figuras do Gênesis. O livro do Gênesis é rico em temas e figuras que se re-encontram em outras passagens da Bíblia e que a tradição – tanto judaica como cristã – não cessará de meditar. Ele se abre com o relato da criação decantada nos Salmos (Sl 8; 104), evocada pelo autor de Jó (Jó 38ss.) e pelo Dêutero-Isaías (Is 40ss.); a atitude de Adão no jardim do Éden será confrontada com a de Cristo, novo Adão, nas epístolas paulinas (Rm 5; 1Co 15); a história do Dilúvio servirá de pano de fundo para o drama do fim dos tempos (Mt 25) ou de figura do batismo (2Pd 3). O destino de Abraão começa com uma promessa, incessantemente confirmada por Deus, que explica e determina a sorte dos seus descendentes próximos e remotos, promessa cujo cumprimento os patriarcas aguardam, da mesma forma que Israel no tempo de Josué ou Davi, e cuja realização em Cristo é saudada pelo apóstolo Paulo (Gl 3). O sacrifício (ou o “amarramento”) de Isaac retém a atenção dos rabinos que celebram os méritos dos seus Pais; ele se tornará na Igreja dos primeiros séculos uma prefiguração do drama da Sexta-feira Santa.
A teologia, judaica ou cristã, irá reler, século após século, o primeiro livro da Bíblia, para aprender o mistério da origem do mundo e o sentido do seu destino, para descobrir as primeiras etapas da obra de Deus em favor dos homens. Com efeito, o Gênesis possibilita à teologia enraizar a vida dos indivíduos e das nações na vontade amorosa do Deus que se revelou a Abraão.
Alguns personagens chamam particularmente a atenção: o casal Adão e Eva, que o “Javista” pinta com tanta delicadeza e profundidade, no qual nos convida a reconhecer-nos a nós mesmos; Noé, que achou graça aos olhos do Senhor e obedeceu às suas ordens; e sobretudo os patriarcas: Abraão, pai dos crentes – ao qual se reportam ao mesmo tempo judeus, cristãos e muçulmanos – testemunha de uma fé e de uma esperança que o comprometem até o fim; Isaac, tão esperado, tão ameaçado e finalmente tão indefeso diante das intrigas dos seus; Jacó, em luta constante com os seus parentes próximos, enganador e enganado, disposto a tudo para usurpar a bênção divina e que permanecerá para sempre marcado, na sua carne, pelo encontro com Deus; José, a criança sábia, o inocente esquecido em sua prisão, o grande personagem da corte egípcia, cujo destino revela a sabedoria do Senhor capaz de fazer tudo concorrer para o bem dos seus eleitos.
Ao lado dessas figuras masculinas, não se deve negligenciar o papel da mulher ou da mãe na tradição patriarcal: Eva, seduzida pela serpente, mas apesar disso chamada a ser a mãe de todos os viventes (cap, 3); Sara, que ri ao saber que será mãe de Isaac, o filho da promessa (18); Rebeca, que trama intrigas em favor do seu filho preferido, Jacó; as brigas de Leá e de Raquel (29ss.); a mulher de Potifar (39)… umas e outras introduzidas, com Adão, Abraão, Isaac, no plano de Deus, tal como o apresenta a tradição bíblica.
A riqueza do Gênesis em temas e figuras é uma abertura para o mundo da Bíblia, diante do qual os crentes nunca cessarão de ficar maravilhados.

Bem, como estamos falando do “Principio…”. Gostaria de colocar um assunto, que se refere ao: “NOME DE DEUS”. – Como no “Principio”! (Que por tradições, etc. Foi esquecido…!). Ou seja, Seu Nome PESSOAL: (“Só que aqui, começaram os “erros” traduzindo o TETRAGRAMA como “senhor”. Veja só”):

YHWH

[Yahweh] (o Senhor). O vocábulo Yahweh, que geralmente é traduzido como “Senhor”, em nossas versões da Bíblia em Português, tem sido corretamente chamado de “o nome da aliança de Deus”. Foi por este título que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó escolheu revelar-se a Moisés (Êx 6,3). Sem dúvida, os seguidores fiéis do Senhor já o conheciam por este nome antes da revelação da sarça ardente, mas com Moisés há mais revelações da fidelidade de [Yahweh] à aliança e de sua comunhão intima com seu povo. O nome em si é derivado do verbo hebraico “ser”. Moisés imaginou pessoas que lhe perguntariam pelo nome de Deus que lhe apareceu, quando voltasse para seu povo. O Senhor lhe respondeu: ‘EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel : EU SOU me enviou a vós’ (Êx 3,14). Yahweh, portanto, significa algo como “Ele é” ou talvez “Ele traz à existência”.
Como o nome revelado de Deus, o título “[Yahweh]” trazia uma declaração da existência contínua do Senhor e sua presença permanente com seu povo. Foi Ele quem se apresentou a Moisés e ao povo de Israel através das gerações como o Deus da aliança, o que sempre seria fiel às suas promessas em favor de seu povo. Foi sob este nome que o povo da aliança adorou a Deus. No NT, os cristãos entenderam que o Senhor da aliança era Jesus Cristo e, assim, ideias e atributos do AT que pertenciam a Yahweh foram trazidos e aplicados a Jesus.

Senhor E SENHOR

Os nomes e o Nome

O antigo Testamento usa dois substantivos para “Deus”: um expressa “o Deus único e transcendente” (Heb. “El”: Is 40,18) e o outro “Deus na plenitude dos seus atributos divinos” (Heb. “Elohim”). De qualquer maneira, contudo, “Deus é um nome genérico para definir um certo Ser”, assim como o termo “homem” (Heb. Adam, Ish). O vocábulo “Senhor” tem dois significados: traduz o hebraico “Adonai”, que significa “soberano” (Is 6,1; cf. v. 5), e descreve uma certa qualidade do Ser divino, ou seja, Ele reina e governa como um “diretor executivo”, absoluto em sua supremacia sobre as pessoas e os eventos. Por outro lado, Senhor (em algumas versões com letras Maiúsculas – SENHOR) traduz o nome próprio [Yahweh]. É como se Deus fosse seu sobrenome. Senhor representa sua posição ou status na ordem das coisas e “[Yahweh]” é seu nome pessoal ou próprio. À medida que o relacionamento entre o grande Deus e o seu povo desenvolvia-se, Ele esperava ser reconhecido com [Yahweh].

[Yahweh] e Senhor

Mesmo no próprio texto do Antigo Testamento, claramente percebemos as hesitações quanto ao uso do nome divino. No Salmo 14,2 aparece o termo “o Senhor e no 53,2 utiliza-se o nome “Deus”! Geralmente isso é entendido como uma tendência dos escribas de evitar o uso do vocábulo “[Yahweh]”, considerado muito sagrado. Entre os testamentos, quando o judaísmo cresceu, esse processo se fortaleceu; quando os sinais massoréticos (sinais de vocalização) foram acrescentados aos textos hebraicos (século V d.C. Em diante), tornou-se impossível. Mesmo por acidente, pronunciar esse nome, [pois as consoantes YHWH receberam as vogais apropriadas para serem pronunciar-se “Adonai”]. Desta maneira, os leitores nas sinagogas, por exemplo, quando chegavam ao nome de Deus, na verdade substituíam o termo por “Senhor”; os tradutores da Bíblia em geral seguiram esta prática e distinguiram Yahweh (SENHOR) de Adonai (Senhor). Para acrescentar mais um elemento nesta questão complicada, se tentarmos pronunciar as consoantes YHWH com as vogais da palavra Adonai (em hebraico), surgirá algo semelhante a “Jeová” – um termo que na verdade NUNCA EXISTIU!

Nomes compostos

[Yahweh] (“Senhor”) é largamente utilizado em combinações com os nomes de Deus e outros termos divinos. Em Gênesis 2,4 a 3,23 encontramos “o Senhor Deus” 20 vezes. “Deus” aqui é o plural “Elohim”, ou seja, Deus na plenitude de seus atributos eternos. Desta maneira, a composição significa “[Yahweh] em toda sua plenitude como Deus”. Isaías 50,4.5.7.9 e muitas outras referências falam sobre “o Senhor Deus”, que no hebraico é “[Adonai Yahweh]” e quer dizer [Yahweh] em sua soberania. O salmo 50,1 tem uma composição tripla: “O Senhor Deus Todo-poderoso”, “[El Elohim Yahweh]”, e significa [Yahweh], o único Deus transcendente e pleno de divindade. A composição tripla em Isaías 1,24: “O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Poderoso”, às vezes simplesmente usada como “o Senhor dos Exércitos”, é abundante em todo o Antigo Testamento. É bem provável que “dos exércitos” tenha um significado de substantivo usado como oposto junto com [Yahweh], “[Yahweh], que é Exército”. Certamente este é o seu significado conforme aparece nos profetas: [Yahweh], que não simplesmente possui, mas Ele próprio é a fonte de todo poder concebível. Embora a maioria das versões traduza como “SENHOR Poderoso”, a expressão “o SENHOR Onipotente”, levemente mais enfática, seria preferível.

Desenhando o mapa

Emergindo das páginas da Bíblia, percebemos um padrão distinto concernente ao nome divino.

As bases

Êxodo 6,2.3 é uma linha divisória do nosso mapa. Neste ponto, Deus disse a Moisés: “Mas pelo meu nome, o SENHOR, não lhes fui conhecido”. O livro de Gênesis está repleto de referências ao “SENHOR”, e alguns tentam resolver o problema propondo que existem duas correntes diferentes de tradições em nossas Bíblias: de acordo com uma delas, o nome divino era conhecido desde os tempos remotos (Gn 4,26); de acordo com a outra corrente, o nome só foi revelado nos dias de Moisés. A solução, entretanto, é mais simples e nasce a partir de uma leitura mais cuidadosa de Gênesis. Em Êxodo 6,2.3 a ênfase é a revelação do caráter de Deus. “Apareci (me revelei) a Abraão…como (no caráter de ) o Deus Todo-poderoso (El Shaddai), mas (no caráter expresso) pelo meu nome, o SENHOR [(Yahweh)], não lhes fui conhecido…”. Isto é precisamente o que encontramos em Gênesis: o Nome é conhecido como uma designação de Deus, mas onde quer que haja uma revelação do caráter divino exista uma substituição de [Yahweh por El Shaddai] ou algum dos outros títulos patriarcais (veja a seguir). Gênesis 17,1 é um exemplo desses: “Apareceu-lhe o SENHOR e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-poderoso (El Shaddai)”.
Moisés, então, teve o privilégio de apresentar o significado do nome divino. [Yahweh], para Israel, e o fundamento foi estabelecido em Êxodo 3,13-15. Ele era um homem cheio de escusas. Não desejava retornar ao Egito e tentou esquivar-se de todas as maneiras. Sua segunda desculpa foi a ignorância. Visualizou que, quando chegasse ao Egito, seria confrontado com a pergunta: “Qual é o nome do Deus que enviou você?” O próprio Moisés não perguntou “ao Deus dos pais” qual era seu nome, mas sabia que de alguma maneira os hebreus lhe fariam esta pergunta. Será que a interrogação: “Qual é o seu nome?” poderia significar: “Que revelação você traz do nosso Deus?”. O nome de uma pessoa na Bíblia muitas vezes é uma expressão de seu caráter (1Sm 25,25!). Porventura, Moisés sabia que os hebreus guardavam um nome secreto para seu Deus, o qual eles precisavam conhecer, se desejassem ser ouvidos? Sua escusa é tão fascinante quanto misteriosa; mas, de qualquer maneira, é uma súplica por informação, à qual Deus respondeu: “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU ME ENVIOU A VÓS”. “Eu sou” é a primeira pessoa do verbo “ser”e “[Yahweh]” é a terceira do singular. Deus refere-se a si mesmo como “Eu Sou”; nós olhamos para Ele e dizemos: “Ele é”. Alguns eruditos entendem o verbo aqui como a forma “causativa” no hebraico: “Eu faço acontecer/Ele faz acontecer” e, como veremos, isso deve estar correto e não altera o sentido básico do nome. No hebraico, o verbo “ser”, embora expresse também existência (Eu sou/Eu existo), com mais frequência expressa uma presença ativa: Eu sou/Eu estou ativamente presente. Em si mesma, essa ideia não nos diz muito sobre o possuidor do nome, mas em Êxodo a ideia está ligada primeiro à revelação de Deus a Moisés (Êx 3 e 4) e depois à atividade pessoal do Senhor, que conduz seu povo para fora do Egito (Êx 5 a 12). É por meio desta “presença ativa” nos eventos do Êxodo que o SENHOR revela quem e o que Ele é. Por esta razão, mesmo que a expressão signifique “Eu faço acontecer”, a situação essencial não é alterada, pois ainda são eventos do Êxodo imediatamente “ocasionados”, nos quais a revelação de Deus dada a Moisés em palavras claras é confirmada na ação. Numa palavra, portanto, [Yahweh] é o Redentor (Êx 6,6.7).

Antecedentes: o Deus de Abraão , Isaque e Jacó

Abraão, Isaque e Jacó certamente chamaram Deus de [“El”], e adicionaram outra palavra descritiva para formar um nome composto. Assim, aprendemos sobre “El Elyon” (“Deus Altíssimo”: Gn 14,18); “El Roi” (“o Deus que me vê”: Gn 16,13): “El Shaddai” (“Deus Todo-poderoso”: Gn 17,1; 28,3; 35,11; 48,3; cf. 49,25); “El Olam” “o Deus Eterno”; Gn 21,33); e “El, Elohe Israel” (“Deus, o Deus de Israel”: Gn 33,20). Esses, porém, não são “muitos deuses e muitos senhores”. O Deus que se revelou em Betel, por exemplo, anunciou a si mesmo como [Yahweh], o Deus dos antepassados (Gn 28,13), chamado de [Yahweh] (v. 16) e Elohim (vv. 17,20) e, em Gênesis 48,3, identificado como “El Shaddai”. Existem muitas outras identificações cruzadas semelhantes.
Fundamentalmente, os patriarcas receberam o conhecimento de Deus por meio da revelação. Às vezes era por meio de uma palavra direta do SENHOR (Gn 16,13; 17,1; 31,13); em outras ocasiões, o conhecimento de Deus era adquirido por meio da experiência: quando Abraão se encontrou com Melquisedeque, imediatamente reconheceu o “Deus Altíssimo” com [Yahweh] (Gn 14,22); ou quando Abraão foi chamado por Abimeleque, rei de Gerar, para estabelecer uma aliança perpétua com ele, parece que a experiência abriu os olhos do patriarca para a natureza imutável de seu Deus (Gn 21,22.23.31.33). O texto de Êxodo 6,2, entretanto, certamente está certo em destacar El Shaddai como a revelação preeminente de Yahweh para os patriarcas. Infelizmente o significado de “Shaddai” permanece incerto; entretanto, onde as traduções falham, o uso prático proporciona tudo o que precisamos (veja Abraão). As referências dadas acima revelam El Shaddai como o Deus que faz as promessas (especialmente a concessão de terra e descendentes, centrais na aliança patriarcal), o Deus que intervém nas situações onde as forças humanas estão exauridas (cf. Gn 17,1 – “Abraão tinha noventa e nove anos de idade”) e age com poder e um propósito transformador (Gn 17,5 – não mais…Abrão, mas Abraão”). É o Deus que é capaz, quando nós somos incapazes. Era desta maneira que os patriarcas conheciam Yahweh. O nome divino não tinha ainda, em si mesmo, nenhum significado para eles. Porventura houve uma preparação mais adequada da revelação vindoura do que esta rica teologia em torno de El Shaddai?

Revelação Posterior

A seção acima, intitulada “Antecedentes”, explorou os fundamentos mosaicos apenas para afirmar que no Êxodo, por meio de palavras e obras, [Yahweh] revelou-se como o Redentor. Agora, avançaremos sobre esta base.
O título “Redentor” (Êx 6,6) é extremamente importante e estava destinado a tornar-se o elemento principal no conhecimento que Israel tinha do Senhor (Sl 74,2; 106,10; 107,2; Is 41,14; 43,14; 44,6; 47,4; 49,7.26; 54,5.8; 59,20; 63,16; etc.), Basicamente, a palavra tem o sentido de relacionamento e de pagamento de um preço. O “remidor” (heb. Go’el) era o parente mais próximo que tinha o direito de se levantar em favor de um parente desamparado, assumia todas as suas necessidades sobre si, como se fossem dele próprio, e pagava, dos seus próprios recursos, qualquer despesa que fosse requerida pela situação. O vigor e o dinamismo deste termo são ilustrados pelo seu uso da expressão “vingador do sangue” (Dt 19,6.12; etc.); sua dimensão de pagar um preço é vista em Levítico 25,25; 27,13.19.31; etc.;

O Êxodo e a Bíblia

Conforme vimos, há uma progressão através de Gênesis e Êxodo, à medida que a revelação de [Yahweh com El Shaddai] preparou o caminho para a revelação plena do nome divino, por meio de Moisés. Conforme revermos mais claramente, o clima da revelação mosaica foi a Páscoa; de maneira que, em Êxodo, duas grandes verdades são reunidas: a revelação do nome divino e a provisão do Cordeiro de Deus. É precisamente neste ponto que o Novo Testamento também começa. Cada um dos três primeiros evangelhos move-se através dessas preliminares essenciais e coloca o foco no batismo do Senhor Jesus. Em Mateus 3,13-17, quando Cristo se aproximou do Batista nas águas do rio Jordão, a primeira reação foi reverter seus papéis: “Eu preciso ser batizado por ti, e vens tu a mim?” Até aquele momento, o Batista não sabia que o Senhor Jesus era o Messias (Jo 1,31.33); suas palavras eram apenas um elogio ao caráter do primo – ou seja, ali estava um ser humano que não precisava submeter-se ao batismo de arrependimento. O Senhor Jesus, entretanto, o corrigiu: “Pois assim nos convém cumprir toda a justiça” – quer dizer, “Somente desta maneira cumpriremos toda a vontade justa de Deus”.
Foi neste ponto que o céu (de acordo com a vívida expressão de Marcos) foi aberto (Mc 1,10; cf. 15,38) como se o próprio Deus não pudesse mais se conter, mas tivesse de, naquele momento de identificação com o homem pecador em sua carência, não apenas autenticar a identidade de Jesus como seu único Filho e revesti-lo com o Espírito Santo, mas revelar pela primeira vez o significado pleno do nome divino – a Santa Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Foi em consequência do que viu e ouviu naquele momento que João Batista, mais tarde, apontou Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
Quando olhamos para trás, para o Antigo Testamento, vemos que o Deus revelado ali como [Yahweh], o SENHOR, não é o “Deus Pai”, mas sim a Trindade incógnita. O que foi concedido a Moisés para declarar aos israelitas era uma verdade eterna (Êx 3,15): [Yahweh] é o Redentor. Mas esta não é toda a verdade: o pleno significado do nome e a obra completa da redenção pertencem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Nenhuma pesquisa, por mais exaustiva que seja, descobriria no Antigo Testamento que Yahweh é a Trindade. Ele não é um único “Um” mas uma unidade diversificada; é o “[Yahweh] dos Exércitos” em quem podemos ver a Palavra ativa (Sl 33,6), o Espírito Santo vivo (Is 63,10.14).

“[BEM, DEVIDO A TODAS ESSAS ‘MUDANÇAS’ NO NOME DE “DEUS” – O TETRAGRAMA {YHWH} – FOI COMPLETAMENTE “ALTERADO EM SUA FORMA ORIGIANAL”. (PROCURAR EM: “DEUS”, “NOMES BÍBLICOS DE”. -, A FORMA CORRETA DE SE ESCREVER O SEU NOME PESSOAL; E, O PORQUE DE TUDO ISSO – YHWH – YAOHUH – UL). “TODAS AS FORMAS QUE ESTIVEREM COMO:YAHWEH – ESTÁ ERRÔNEAMENTE COLOCADA”; CONFORME OS DESCRITOS ACIMA]”.{“MESSIAS, CRISTO = YAOHUSHUA!!”}.
Bem, agora, vamos a um breve resumo das: “Principais personagens de Gênesis”:

ADÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro zoólogo – conferiu nome aos animais.
• Primeiro arquiteto de paisagens, designado para cuidar do jardim.
• Primeira pessoa feita a imagem de Deus (Yaohu), e o primeiro homem a partilhar um relacionamento íntimo e pessoal com Deus (Yaohu).

Fraquezas e erros:
• Fugiu à responsabilidade e culpou a outros; preferiu esconder-se a confrontar; inventou desculpas ao invés de admitir a verdade.
• Maior falta: juntamente com Eva trouxe pecado ao mundo.

Lições de vida:
• Como descendente de Adão, todos refletimos em algum grau a imagem de Deus (Yaohu).
• Deus (Yaohu) está à procura de pessoas que, embora sejam livres para fazer o mal, escolham amá-lo.
• Não devemos culpar outros por nossas falhas.
• Não podemos nos esconder de Deus (Yaohu).

Informações essenciais:

• Local: Jardim do Éden.
• Ocupações: Zelador, jardineiro e fazendeiro.
• Familiares: Esposa – Eva: filhos – Caim, Abel. Sete, e inúmeros outros. Único homem que nunca teve pai ou mãe terrenos.
Versículos-chave:

• “Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3,12). “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15,22).

A história de Adão pode ser encontrada em Gênesis 1,26 – 5,5. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,1; Lucas 3,38; Romanos 5,14; 1 Coríntios 15,22.45; 1 Timóteo 2,13.14.

EVA
Pontos fortes e êxitos:
• Primeira mulher e mãe.
• Primeira fêmea. Ao compartilhar um relacionamento especial com Deus (Yaohu), foi co-responsável com Adão pela criação, e demonstrou certas características de Deus (Yaohu).

Fraquezas e erros:
• Permitiu que sua satisfação fosse minada por Satanás.
• Agiu impulsivamente, sem consultar a Deus (Yaohu) ou a seu marido.
• Não apenas pecou, mas também partilhou seu pecado com Adão.
• Quando confrontada, culpou a outros.

Lições de vida:
• A mulher também foi feita à imagem de Deus (Yaohu).
• Os ingredientes necessários para um casamento sólido são o compromisso mútuo, o companheirismo, a unidade e a pureza (2,24.25).
• A tendência humana básica para o pecado remonta ao início da raça humana.

Informações essenciais:
• Local: Jardim do Éden.
• Ocupações: Esposa, ajudadora, companheira e co-gerenciadora do Éden.
• Familiares: Marido – Adão; filhos – Caim, Abel, Sete e inúmeros outros filhos.

Versículo-chave:
• “E disse o Messias Deus (Yaohu): Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2,18).

A história de Eva pode ser encontrada em Gênesis 2,18 – 4,26. Sua morte não é mencionada nas Escrituras.

ABEL
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro membro da Galeria da Fé em Hebreus 11.
• Primeiro pastor.
• Primeiro mártir pela verdade (Mt 23,35).

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) ouve os que se achegam a Ele.
• Deus reconhece a pessoa inocente e, cedo ou tarde, Ele pune o culpado.

Informações essenciais:
• Local: Fora do Éden.
• Ocupação: pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Adão e Eva; irmão – Caim.

Versículo-chave:
• “Pela fé, Abel ofereceu a Deus (Yaohu) maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus (Yaohu) testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb 11,4).

A história de Abel pode ser encontrada em Gênesis 4,1-8. Ele também é mencionado em Mateus 23,35; Lucas 11,51; Hebreus 11,4 e 12,24.

CAIM
Pontos fortes e êxitos:
• Primeira criança humana.
• Primeiro a seguir a profissão do pai, fazendeiro.

Fraquezas e erros:
• Quando contrariado, reagia com fúria.
• Assumiu uma posição negativa mesmo quando uma possibilidade positiva lhe foi oferecida.
• Foi o primeiro assassino.

Lições de vida:
• A raiva não é necessariamente um pecado, mas as atitudes motivadas por elas podem ser pecaminosas. A raiva deveria ser a energia por trás de uma boa ação, não uma ação maligna.
• O que oferecemos a Deus (Yaohu) precisa ser de coração – o melhor do que somos e possuímos.
• As consequências do pecado podem durar toda a vida.

Informações essenciais:
• Local: Próximo ao Éden, provavelmente onde se encontram hoje o Iraque ou Irã.
• Ocupação: Agricultor, depois peregrino.
• Familiares: Pais – Adão e Eva; irmãos – Abel, sete e outros não mencionados.

Versículo-chave:
• “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4,7).

A história de Caim encontra-se em Gênesis 4,1-17. Ele é também mencionado em Hebreus 11,4; 1 João 3,12 e Judas 1,1.

NOÉ
Pontos fortes e êxitos:
• Único seguidor de Deus (Yaohu) que restou de sua geração.
• Segundo pai da raça humana.
• Homem de paciência, consistência e obediência.
• Primeiro e mais importante construtor de barcos.

Fraquezas e erros:
• Ficou bêbado e desconcertado diante dos filhos.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) é fiel para com os que lhe obedecem.
• Deus(Yaohu) não nos protege sempre do problema, mas cuida de nós a despeito do problema.
• A obediência é um compromisso em longo prazo.
• O homem pode ser fiel, mas sua natureza pecaminosa sempre o acompanha.

Informações essenciais:
• Local: Não sabemos a que distância do jardim do Éden as pessoas se estabeleceram.
• Ocupações: Fazendeiro, construtor de barcos, pregador.
• Familiares: Avô – Metusalém; pai – Lameque; filhos – Sem, Caim e jafé.

Versículo-chave:
• “Assim fez Noé; conforme tudo o que Deus (Yaohu) lhe mandou, assim o fez” (Gn 6,22).

A história de Noé pode ser encontrada em Gênesis 5,28 – 10,32. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,3.4; Isaías 54,9; Ezequiel 14,14.20; Mateus 24,37.38; Lucas 3,36; 17,26.27; Hebreus 11,7; 1 Pedro 3,20; 2 Pedro 2,5.


Pontos fortes e êxitos:
• Foi um homem de negócios bem-sucedido.
• Pedro o chama de “justo” (2Pe 2,7.8).

Fraquezas e erros:
• Costumava fugir às decisões, e depois escolhia a saída mais fácil.
• Ao receber opção de escolha, sua primeira reação era pensar em si mesmo.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) requer de nós mais do que simplesmente seguir a vida; Ele deseja que sejamos uma influência para Ele.

Informações essenciais:
• Locais: A princípio morou em Ur dos Caldeus e depois mudou-se para Canaã com Abraão. Por fim, mudou-se para a perversa cidade de Sodoma.
• Ocupação: Rico fazendeiro de ovelhas e gado; uma autoridade na cidade.
• Familiares: Pai – Harã. Adotado por Abraão quando seu pai morreu. O nome de sua esposa, que foi transformada em estátua de sal, não é mencionado.

Versículo-chave:
• “Ele, porém, demorava-se, e aqueles varões lhe pegavam pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o senhor misericordioso, e tiraram-no e puseram-no fora da cidade” (Gn 19,16).

A história de Ló encontra-se em Gênesis 11 – 14; 19. Ele também é mencionado em Deuteronômio 2,9; Lucas 17,28-32; 2 Pedro 2,7.8.

MELQUISEDEQUE
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro sacerdote das Escrituras – um líder com o coração voltado para Deus (Yaohu).
• Hábil para encorajar as pessoas a servir a Deus (Yaohu) de todo o coração.
• Um homem cujo caráter refletia seu amor por Deus (Yaohu).
• Uma pessoa no Antigo Testamento que nos lembra Cristo, e a qual alguns realmente acreditam que era Cristo.

Lições de vida:
• Viva para Deus (Yaohu) e você provavelmente estará no lugar certo e no momento certo. Examine seu coração: Para quem ou para que é a sua maior fidelidade? Caso sua resposta honesta seja Deus (Yaohu), você está vivendo para Ele.

Informações essenciais:
• Local: Reinou em Salém, Local da futura Jerusalém.
• Ocupações: Rei de Salém e sacerdote do Deus (Yaohu) Altíssimo.

Versículo-chave:
• “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus (Yaohu) Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis; e o abençoou {…}. Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dos despojos” (Hb 7,1.4).

A história de Melquisedeque pode ser encontrada em Gênesis 14,17-20. Ele é também mencionado em Salmos 110,4 e Hebreus 5 – 7.

ISMAEL
Pontos fortes e êxitos:
• Um dos primeiros a experimentar o sinal físico do pacto de Deus (Yaohu), a circuncisão.
• Conhecido por sua habilidade como arqueiro e caçador.
• Pai de 12 filhos que se tornaram líderes de tribos guerreiras.

Fraquezas e erros:
• Não reconheceu o lugar de seu meio-irmão Isaque, e zombou dele.

Lições de vida:
• Os planos de Deus (Yaohu) incorporam os erros das pessoas.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Caçador, arqueiro e guerreiro.
• Familiares: Pais – Agar e Abraão; meio-irmão – Isaque.

Versículo-chave:
• “E ouviu Deus (Yaohu) a voz do menino, e bradou o Anjo de Deus (Yaohu) a Agar desde os céus e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus (Yaohu) ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o moço e pega-lhe pela mão, porque eu dele farei uma grande nação” (Gn 21,17.18).

A história de Ismael pode ser encontrada em Gênesis 16 – 17; 21,8-20; 25,12-18; 28,8.9; 36,1-3. Ele também é mencionado em 1 Crônicas 1,28-31; Romanos 9,7-9; Gálatas 4,21-31.

ABRAÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Sua fé agradou a Deus (Yaohu).
• Tornou-se o fundador da nação judaica.
• Foi respeitado pelos outros e corajoso ao defender a família a qualquer preço.
• Foi um pai cuidadoso não apenas para a sua família, mas praticou a hospitalidade para com outras pessoas.
• Foi um fazendeiro bem-sucedido.
• Tinha o costume de evitar conflitos, mas, quando estes eram inevitáveis, permitia que seu oponente estabelecesse as regras para a disputa.

Fraqueza e erros:
• Quando sob pressão, ele destorcia a verdade.

Lições de vida:
• Deus requer dependência, confiança e fé nEle, não fé em nossa habilidade de agradá-lo.
• Desde o princípio, o plano de Deus (Yaohu) tem sido permitir que todas as pessoas o conheçam.

Informações essenciais:
• Locais: Nascido em Ur dos Caldeus, passou a maior parte da vida na terra de Canaã.
• Ocupação: Rico e bem-sucedido criador de gado.
• Familiares: Irmãos – Naor e Harã; pai – Tera; esposa – Sara; sobrinho – Ló; filhos – Ismael e Isaque.
• Contemporâneos: Abimeleque e Melquisedeque.

Versículo-chave:
• “E creu ele no Messias, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15,6).

A história de Abraão pode ser encontrada em Gênesis 11 – 25. Ele é também mencionado em Êxodo 2,24; Mateus 1,1; Lucas 3,34; Atos7,2-8; Romanos 4; Gálatas 3; Hebreus 2,6.7.11.

SARA
Pontos fortes e êxitos:
• Foi intensamente leal ao seu único filho.
• Tornou-se mãe de uma nação e uma antecessora de Cristo.
• Foi uma mulher de fé, a primeira citada na Galeria da Fé, em Hebreus 11.

Fraquezas e erros:
• Teve dificuldade em crer nas promessas de Deus (Yaohu) para a sua vida.
• Tentou resolver os problemas por si mesma, sem consultar a Deus (Yaohu).
• Tentou encobrir sua falhas culpando a outros.
Lições de vida:
• Deus (Yaohu) responde à fé, mesmo em meio às falhas.
• Deus (Yaohu) não se limita aos acontecimentos comuns; Ele pode alargar os limites e realizar proezas nunca antes vistas.

Informações essenciais:
• Locais: Casou-se com Abraão em Ur dos Caldeus, e depois mudou-se com ele para Canaã.
• Ocupações: Esposa, mãe e administradora do lar.
• Familiares: Pai – Tera; marido – Abraão; Meios-irmãos – Naor e Harã; sobrinho – Ló; filho – Isaque.

Versículo-chave:
• “Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora de idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido”.

A história de Sara pode ser encontrada em Gênesis 11 – 25. Ela é também mencionada em Isaías 51,2; Romanos 4,19; 9,9; Hebreus 11,11; 1 Pedro 3,6.

ISAQUE
Pontos fortes e êxitos:
• Nasceu miraculosamente da união de Abraão e Sara, quando estes tinham 100 e 90 anos respectivamente.
• Foi o primeiro descendente no cumprimento da promessa de Deus (Yaohu) a Abraão.
• Parece ter sido um marido cuidadoso e consistente, pelo menos até o nascimento de seus filhos.
• Demonstrou grande paciência.

Fraqueza e erros:
• Costumava mentir quando era pressionado.
• Praticou o favoritismo entre os filhos e alienou a esposa.

Lições de vida:
• A paciência sempre produz recompensas.
• As promessas e os planos de Deus (Yaohu) são maiores que os das pessoas.
• Deus (Yaohu) cumpre suas promessas! Ele permanece fiel embora nossa fé seja pequena.
• Exercer favoritismo certamente produz conflitos familiares.

Informações essenciais:
• Locais: Vários lugares ao sul da Palestina, incluindo Berseba (Gn 26,23).
• Ocupação: Rico criador de gado.
• Familiares: Pais – Abraão e Sara; meio-irmão – Ismael; esposa – Rebeca; filhos – Jacó e Esaú.

Versículo-chave:
• “E disse Deus (Yaohu): Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele” (Gn 17,19).

A história de Isaque pode ser encontrada em Gênesis 17,15 – 35,29. Ele também é mencionado em Romanos 9,7 – 10; Hebreus 11,17 – 20 e Tiago 2,21.

AGAR
Pontos fortes e êxitos:
• Mãe do primeiro filho de Abraão, Ismael, que tornou-se o fundador das nações árabes.

Fraquezas e erros:
• Ao deparar-se com problemas, Agar costumava fugir deles.
• Sua gravidez suscitou fortes sentimentos de orgulho e arrogância.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) é fiel a seus planos e promessas, mesmo quando as pessoas complicam o processo.
• Deus (Yaohu) se revela como aquEle que nos conhece e deseja ser conhecido de nós.
• O Novo Testamento utiliza Agar como símbolo dos que procuram o favor de Deus (Yaohu) através dos próprios esforços, ao invés de confiar em sua misericórdia e perdão.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Serva e mãe.
• Familiares: Filho – Ismael.

Versículo-chave:
• “Então, lhe disse o Anjo do Messias: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos” (Gn 16,9).

A história de Agar pode ser encontrada em Gênesis 16,21. Ela também é mencionada em Gálatas 4,24.

REBECA
Pontos fortes e êxitos:
• Ao enfrentar qualquer necessidade, imediatamente tomava uma atitude.
• Orientava-se pelas realizações.

Fraquezas e erros:
• Sua iniciativa nem sempre era equilibrada pela sabedoria.
• Favoreceu um de seus filhos.
• Enganou o marido.

Lições de vida:
• Nossas ações precisam se guiadas pela Palavra de Deus (Yaohu).
• Deus (Yaohu) usa até os nossos erros ao cumprir seu plano.
• O favoritismo paterno ou materno fere a família.

Informações essenciais:
• Locais: Harã e Canaã.
• Ocupações: Esposa, mãe e administradora do lar.
• Familiares: Avós – Naor e Milca; pai – Betuel; marido – Isaque, irmão – Labão; filhos gêmeos – Esaú e Jacó.

Versículos-chave:
• “E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe, Sara, e tomou a Rebeca, e esta foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim, Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24,67). “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto: mas Rebeca amava a Jacó” (Gn 25,28).

A história de Rebeca pode ser encontrada em Gênesis 24 – 27. Ela é também mencionada em Romanos 9,10.

ESAÚ
Pontos fortes e êxitos:
• Ancestral dos edomitas.
• Conhecido por suas habilidades como arqueiro.
• Apto a perdoar após uma explosão de fúria.

Fraquezas e erros:
• Ao enfrentar importantes decisões, costumava escolher baseado nas necessidades imediatas e não nos efeitos em longo prazo.
• Endureceu os pais com as más escolhas de casamento.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) permite certos acontecimentos em nossas vidas para que seus propósitos sejam cumpridos, mas ainda assim somos responsáveis por nossos atos.
• É importante considerar as consequências.
• É possível sentir muita raiva e não pecar.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupação: Habilidoso caçador.
• Familiares: Pais – Isaque e Rebeca; irmão – Jacó, esposas – Judite, Basemate e Maalate.

Versículo-chave:
• “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Yaohu, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus (Yaohu), e de que nenhuma raiz da amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrima, o buscou” (Hb 12,14-17).

A história de Esaú pode ser encontrada em Gênesis 25 – 36. Ele também é mencionado em Malaquias 1,2.3; Romanos 9,13; Hebreus 12,16.17.

JACÓ
Pontos fortes e êxitos:
• Pai das 12 tribos de Israel.
• Terceiro na linhagem abraâmica do plano de Deus (Yaohu).
• Determinado, era disposto a trabalhar muito pelo que desejava.
• Bom homem de negócios.

Fraquezas e erros:
• Ao enfrentar conflitos, confiava em seus próprios recursos ao invés de buscar ajuda em Deus (Yaohu).
• Tendia a acumular riquezas para seu próprio bem.

Lições de vida:
• A segurança não está no acúmulo de bens.
• Todas as atitudes e intenções humanas – para o bem ou para o mal – são tecidas por Deus (Yaohu) no decurso de seu plano.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupações: Pastor e proprietário de gado.
• Familiares: Pais – Isaque e Rebeca; irmão – Esaú; sogro – Labão; esposas – Raquel e Léia; doze filhos e uma filha são mencionados na Bíblia.

Versículo-chave:
• “E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito” (Gn 28,15).

A história de Jacó pode ser encontrada em Gênesis 25 – 50. Ele é também mencionado em Oséias 12,2-5; Mateus 1,2; 22.32; Atos 7,8-16; Romanos 9,11-13; Hebreus 11,9.20.21.

RAQUEL
Pontos fortes e êxitos:
• Demonstrou grande lealdade a sua família.
• Deu à luz José e Benjamim após anos de infertilidade.

Fraquezas e erros:
• Sua inveja e competitividade atrapalharam o relacionamento com sua irmã, Léia.
• Era capaz de ser desonesta quando sua lealdade ia muito longe.
• Não reconheceu que o amor de Jacó era independente de sua capacidade de ter filhos.

Lições de vida:
• A fidelidade deve ser controlada pelo que é justo e certo.
• O amor é aceitado, não merecido.

Informações essenciais:
• Local: Harã.
• Ocupações: Pastora de ovelhas, esposa, mãe e dona de casa.
• Familiares: Pai – Labão; tia – Rebeca; irmã – Léia; marido – Jacó; filhos – José e Benjamim.

Versículo-chave:
• “Assim, serviu Jacó sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava” (Gn 29,20).

A história de Raquel pode ser lida em Gênesis 29 – 35.20. Ela é também mencionada em Rute 4,11.

LABÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Controlou duas gerações de casamentos na família abraâmica (Rebeca, Léia e Raquel).
• Esperto.

Fraquezas e erros:
• Manipulava as pessoas em benefício próprio.
• Não conseguia admitir os erros.
• Beneficiou-se financeiramente ao usar Jacó, mas nunca foi beneficiado espiritualmente de modo completo ao conhecer e adorar o Deus (Yaohu) de Jacó.

Lições de vida:
• Os que costumam usar as pessoas acabam sendo usados por outros.
• O plano de Deus (Yaohu) não pode ser impedido.
Informações essenciais:
• Local: Harã.
• Ocupação: Rico criador de ovelhas.
• Familiares: Pai – Betuel; irmã – Rebeca; cunhado – Isaque; filhas Raquel e Léia; genro – Jacó.

Versículo-chave:
• “Se o Deus de Meu pai, o Deus (Yaohu) de Abraão e o Temor de Isaque, não fora comigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus (Yaohu) atendeu à minha aflição e ao trabalho das minhas mãos e repreendeu-te ontem à noite” (Gn 31,42).

A história de Labão pode ser encontrada em Gênesis 24,1 – 31.55.

JOSÉ
Pontos fortes e êxitos:
• Saiu com poder da escravidão para governar o Egito.
• Ficou conhecido por sua integridade pessoal.
• Foi um homem de sensibilidade espiritual.
• Preparou uma nação para sobreviver a fome.

Fraquezas e erros:
• O orgulho juvenil provocou o atrito com seus irmãos.

Lições de vida:
• O importante não são apenas os acontecimentos ou as circunstâncias da vida, mas é a atitude com relação a eles.
• Com a ajuda de Deus (Yaohu), qualquer situação pode ser usada para o bem, mesmo quando as pessoas deseja utilizá-la para o mal.
Informações gerais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupações: Pastor de ovelhas, escravo, prisioneiro e governador.
• Familiares: Pais – Jacó e Raquel; onze irmãos e uma irmã; esposa – Asenate; filhos – Manassés e Efraim.

Versículo-chave:
• “E disse Faraó aos seus servos: Acharemos um varão como este em quem haja o Espírito de Deus (Yaohu)” (Gn 41,38).

A história de José pode ser encontrada em Gênesis 30 – 50. Ele é também mencionado em Hebreus 11,22.

RUBÉN
Pontos fortes e êxitos:
• Salvou a vida de José conversando com os outros irmãos sobre assassinato.
• Demonstrou grande amor por seu pai ao oferecer os próprios filhos como garantia de que a vida de Benjamim estaria a salvo.
Fraquezas e erros:
• Cedia rapidamente a pressões de grupo.
• Não protegeu José de seus irmãos diretamente, embora tivesse autoridade para fazê-lo, como filho mais velho.
• Dormiu com uma das esposas de seu pai.

Lições de vida:
• A integridade em público ou em particular precisa ser a mesma, se não uma destruirá a outra.
• A punição para o pecado pode não ser imediata, mas é certa.

Informações essenciais:
• Local: Canaã.
• Ocupação: Pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Jacó e Léia; sete irmãos e uma irmã.

Versículo-chave:
• “Rubén, tu é meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. Inconstante como a água, não serás o mais excelente, porquanto subsiste ao leito de teu pai. Então, o contaminaste; subiste à minha cama” (Gn 49,3.4).

A história de Rubén pode ser encontrada em Gênesis 29 – 50.

JUDÁ
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um líder natural, franco e decidido.
• Pensou com clareza e agiu em meio a situações de grande pressão.
• Mantinha a palavra e permanecia firme.
• Era o quarto de 12 filhos, e através dele Deus (Yaohu) traria Davi e Cristo, o Messias.

Fraquezas e erros:
• Sugeriu a seus irmão que vendessem José como escravo.
• Não manteve sua promessa para com a nora, Tamar.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) está no controle, muito além da situação imediata.
• A procrastinação costuma agravar os problemas.
• A atitude de Judá de oferecer a sua vida em troca de Benjamim é um exemplo do que seu descendente, o Messias, faria por todas as pessoas.

Informações essenciais:
• Locais: Canaã e Egito.
• Ocupação: Pastor de ovelhas.
• Familiares: Pais – Jacó e Léia; esposa – A filha de Sua (1Cr 2,3); nora – Tamar. Onze irmãos, pelo menos uma irmã e cinco filhos.

Versículo-chave:
• “Judá, a ti te louvarão os teus irmãos, a tua mão estará sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como um leão e como um leão velho; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos” (Gn 49,8-10).

A história de Judá pode ser encontrada em Gênesis 29,35 – 50.26. Ele é também mencionado em 1 Crônicas 2 – 4.

ÊXODO

INTRODUÇÃO

Visão Geral

Autor: Moisés.
Propósito: Confirmar a autoridade divina da liderança de Moisés e da aliança da lei, bem como das regras para a adoração.
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
 O Messias deu autoridade a Moisés como líder de Israel para trazer a bênção da libertação do Egito.
 As leis da aliança dadas por meio de Moisés foram divinamente autorizadas para levar bênçãos ao povo de Deus (Yaohu).
 As regulamentações de Moisés para a adoração no tabernáculo foram divinamente ordenadas para trazer bênçãos ao povo de Deus (Yaohu).

Propósito e características

O livro de êxodo tem vários temas importantes. O primeiro conta como o Messias libertou o povo de Israel do Egito para cumprir a aliança com os patriarcas. O segundo tema importante do livro é a revelação da aliança no Sinai. O terceiro é um resultado dos dois primeiros: o estabelecimento do tabernáculo com a morada de Deus (Yaohu) com os israelitas. Cada um desses temas apresenta um triunfo da graça de Deus (Yaohu). Ao libertar o seu povo, o verdadeiro Deus (Yaohu) julgou os deuses e os governantes do Egito, falou aos homens no Sinai e manifestou a sua presença no tabernáculo, o qual ele havia instruído o povo a construir. O desdobramento desses temas também revela a santidade e a graça do Messias na sua lei da aliança e no simbolismo cerimonial da vida e do culto de Israel.

Cristo em Êxodo:

Os cristãos podem aprender a respeito de Cristo ao longo de todo o livro de Êxodo de várias maneiras. Em primeiro lugar, numa escala maior, a maneira pela qual os israelitas foram libertos da dura escrevidão no Egito para a Terra Prometida de bênçãos divinas apresenta uma importante metáfora da obra da salvação de Deus (Yaohu) através da História. Deus (Yaohu) redimiu o seu povo escolhido dos poderes do mal do qual eles haviam se tornado escravos, julgou esses poderes e reivindicou o seu povo como o seu primogênito, a nação santa de sacerdotes em meio à qual ele habitou pelo seu Espírito. O modelo da divina vitória sobre os inimigos, o estabelecimento de um lugar para habitação divina e a abundância de bênçãos encontram a sua maior realização na primeira e na segunda vindas de Cristo (p. ex., 1Co 10,1-13; Ef 2,14-22; Ap 20,11 – 22,5).
Em segundo lugar, o tabernáculo e seus serviços apontavam para Cristo. Em termos gerais, assim como o tabernáculo era o local da presença acessível de Deus (Yaohu) na terra, o Messias “habitou” (lit., “tabernaculou”) entre nós (Jo 1,14.17). Além disso, a provisão de animais sacrificiais como solução temporária para o pecado de Israel antecipou o sacrifício da morte de Cristo no qual o pecado foi punido de uma vez para sempre (24,8; Mt 26,27-28; Jo 1,29; Hb 12,24; 1Pe 1,2). Assim, o importante acontecimento da Páscoa é cumprido em Cristo (1Co 5,7).
O papel principal que Moisés representou nesse livro também aponta para Cristo. Assim como os israelitas foram “batizados… com respeito a Moisés” (1Co 10,2), quando conduzidos através do mar Vermelho, os cristãos são batizados em Cristo. Moisés foi o grande servo do Messias que recebeu as palavras de Deus (Yaohu) diretamente dele. O Evangelho de Mateus, em especial, apresenta o Messias como aquele que enfrentou o seu próprio êxodo (Mt 2,14-15), ensinou a lei de Deus (Yaohu) num monte (Mt 5,1) e ficou lado a lado com Moisés no monte da transfiguração (Mt 17). Assim como Moisés estava disposto a morrer pelo bem de seu povo (32,10), Cristo serviu de substituto para o seu povo. A glória de Deus (Yaohu) que se refletiu na face de Moisés (34,29; 2Co 3,7) é agora refletida naqueles transformados pelo Espírito de Cristo (2Co 3,18).

Êxodo. A introdução ao Pentateuco mostrou como foram compostos os cinco livros da Torá e o que eles representavam para a fé de Israel. O Êxodo, segundo livro do Pentateuco, é, por vezes, chamado “Evangelho do Antigo Testamento”: como um evangelho, o Êxodo anuncia a “boa nova” fundamental da intervenção de Deus (Yaohu) na existência de um grupo de pessoas (4,31), a fim de fazê-las nascer para a liberdade e congregá-las em uma nação santa (19,4-6).
Para entrar no pensamento do livro, é preciso lembrar o que a saída do Egito significava para Israel.
1. A saída do Egito sempre foi considerada por Israel como um momento singular de sua história, acontecimento situado num plano diferente dos outros. É, na verdade, o evento criador de Israel, do qual dependerá toda a vida subsequente e ao qual inúmeras instituições, ritos e crenças deverão se referir; é também o evento ao qual, por sua vez, se reportarão as grandes esperanças nacionais. De fato, a rememoração da saída do Egito foi tão decisiva que passou o predominar sobre outros acontecimentos que, no plano estritamente histórico, tiveram a mesma influência sobre a vida do povo: a entrada em Canaã sob Josué e a progressiva tomada de consciência da unidade das doze tribos (Js 24), a instauração da realeza e a constituição de um Estado palestino sob Davi, bem como o exílio e a transformação de Israel em comunidade dispersa. Por mais importantes que tenham sido, esses fatos da história de Israel nunca suplantaram o acontecimento da saída do Egito e do tempo passado no deserto. Muito ao contrário, toda a reflexão teológica e histórica de Israel tem sido iluminada pelo “êxodo”. Foi, de fato, a época da juventude de um povo que Deus (Yaohu) tomou sob seus cuidados (Os 11,1-4; Dt 8,11-16), mas que logo manifestou suas primeiras revoltas (Êx 14 – 17). A quem procurasse compreender o sentido desta ou daquela instituição, o ponto de referência era muitas vezes oferecido pelos acontecimentos do Êxodo. Qual a razão de ser da Páscoa (12,26), da festa dos Pães sem fermento (13,8 e 12,39) ou da apresentação do primogênito (13,14-15)? A resposta não é: trata-se de um costume da terra onde moramos, mas: é uma recordação do que aconteceu por ocasião da saída do Egito. Outro exemplo: por que respeitar e ajudar os “imigrantes?”. Não é justamente porque nossa experiência em terra egípcia nos ensinou o que é a vida deles (22,20; 23,9)? Em suma, esse acontecimento tão importante, capaz de animar, através dos séculos, as instituições, ritos e leis de um povo, deve realmente ser considerado como o nascimento deste povo.
2. Além de ser o nascimento, o êxodo também foi para Israel o tempo privilegiado do encontro com Deus (Yaohu). A linguagem “miraculosa” do livro do Êxodo (cf. As “pragas” ou a “passagem do mar”) não deve enganar o leitor moderno, dando-lhe a impressão de estar diante de uma teologia ingênua, isto é, diante de uma teologia que concebesse a intervenção de Deus (Yaohu) como um evento necessariamente estrondoso e de adesão obrigatória. Lendo o livro com atenção, percebemos que é perpassado por uma série de questões essenciais, ou seja, de contestações. Será que vão acreditar (4,1; 6,9; 14,31)? O Messias está ou não no meio de nós (17,7)? Qual é seu nome (3,13-15)? [“Neste parágrafo, em:”Glossário resumido,” colocarei mais informações do nome PRÓPRIO – PESSOAL DE DEUS – YHWH”.]. É possível vê-lo (33,18-23)? Por que Moisés nos arrasta a esta aventura perigosa e fatal (14,11; 16,3; 17,3; 32,1)? A essas questões e dúvidas, o livro dá a resposta da fé do povo de Israel. Esta fé amadureceu incessantemente no decurso dos séculos, até a elaboração final do livro do Êxodo (cf. A Introdução ao Pentateuco). Desde o dia em que Moisés deu a conhecer ao seu povo o Deus (YAOHU) único a ser cultuado, o Deus (YAOHU) da Aliança, Israel meditou longamente sobre o evento primeiro de sua existência nacional: este êxodo e esta aliança. Compreendeu que Deus (YAOHU) interveio na história (cf. As pequenas “confissões de fé” em 13,9.16). Compreendeu quem era esse Deus (YAOHU), que havia suscitado e guiado a caminhada do povo, e qual era o seu nome. O MESSIAS, o Deus (YAOHU) de Moisés e de Israel, é aquele que, sendo fiel a uma esperança por ele mesmo suscitada, respondeu ao grito de homens insatisfeitos e reduzidos à servidão (2,2-25). É aquele que, ao final, foi capaz de vencer todas as resistência (cf. 7-11), encaminhando o seu povo para a liberdade (a tal ponto que a expressão Aquele que nos fez sair da terra do Egito tornou-se um de seus títulos principais, QUASE O SEU NOME). Desejando reunir a humanidade num povo que fosse o seu povo, ofereceu-lhe uma aliança e pediu-lhe que agisse de acordo com ela (19 – 24). Revelou sua paciência e sua misericórdia a um povo pecador (32 – 34). Tornou-se, enfim, presente junto ao povo pela mediação de Moisés, o profeta (33,7-11; 34,29-35), e mediante a liturgia celebrada pelo sacerdote Aarão no santuário legítimo (25,8; 40,34-35).
3. Assim, a saída do Egito não é apenas um acontecimento de outrora, mas uma realidade sempre viva. Tanto o Sl 114 como Js 4,22-24 reuniam na mesma celebração a passagem do mar realizada com Moisés e a do Jordão com Josué. O Sl 81 convidava a comunidade reunida “no dia da festa” a ouvir melhor do que os seus antepassados a voz que tinha ressoado por ocasião dos acontecimentos do Êxodo, e o Sl 95 acentuava que esta vós estava falando hoje. Na verdade, conforme o Sl 111,4, o Messias (Yaohushua). [BEM, COMO ESTAMOS EM “ÊXODO” – E, FOI ISSO QUE O MESSIAS FEZ POR NÓS – NOS LIBERTAR; DECIDI EM MINHA APOSTILA – DE QUE QUANDO VIR O NOME ‘SENHOR’ – QUE É UMA FORMA TRANSLITERADA “ERRÔNEAMENTE” DO TETRAGRAMA {“YHWH”}, PARA O PORTUGUÊS, QUANDO ENTRARAM AS VOGAIS {A,E}; VOU SIMPLESMENTE COLOCAR A FORMA CERTA, OU SEJA : “LÊ-SE” – YAOHU. ‘VERIFICAR: GLOSSÁRIO’ – PARA “INFORMAÇÕES ADICIONAIS!”.]. ANSELMO ESTEVAN. [Sl 114,4] – “Yaohu benevolente e misericordioso (cf. Êx 34,6) quis que seus milagres fossem lembrados”. Com suas festas litúrgicas, Israel tem, por conseguinte, o ensejo de participar plenamente da libertação pascal e de entrar incessantemente na aliança inaugurada no Sinai. Desse modo, a liturgia dava a cada um a possibilidade de reviver periodicamente os acontecimentos da saída do Egito. Além disso, Israel olhou para o passado de modo ainda mais intenso por ocasião das grandes crises que abalaram a comunidade. Lembremos, por exemplo, a peregrinação feita pelo profeta Elias ao monte Horeb, às fontes da fé israelita (1Rs 19), na época da crise cananéia, que, no tempo de Acab, conseguiu levar o reino do norte à apostasia. Da mesma forma, depois de Jeremias (Jr 31,31-34) e de Ezequiel (Ez 16,59-63; 37,20-28), que haviam anunciado uma nova aliança, o Segundo Isaías proclamava que tinha chegado o tempo de um novo Êxodo (Is 43,16-21): a libertação maravilhosa de uma terra de cativeiro (Is 48,20-22; 49) viria ainda mais maravilhosamente acompanhada por uma libertação dos pecados (Is 40,2; 44,21-22) e por um apelo a que todas as nações se voltassem para aquele que, tendo salvado Israel, é capaz de salvar a todos (Is 45,4-25). Portanto, para ler o livro de Êxodo, é preciso estar lembrado de que, na elaboração progressiva do texto, Israel foi guiado por sua fé. “Em cada geração, cada qual deve considerar-se como tendo ele mesmo saído do Egito”, dirá mais tarde o ritual judaico da Páscoa (cf. 13,8 nota).
4. Como livro de um povo a caminho, o Êxodo não é um livro acabado. Sendo um testemunho prestado à intervenção salvífica de Deus (Yaohu) na história dos homens, alimenta a esperança de uma liberdade mais fundamental e mais definitiva. Nessa perspectiva, os autores do Novo Testamento consideravam a salvação trazida por Cristo como um cumprimento do êxodo de Israel. E para exprimir a novidade da experiência cristã foi justamente utilizado a linguagem do Êxodo, aliás, tal como ele era reinterpretado pelo judaísmo na era cristã. A última ceia de Cristo, sua morte e sua glorificação foram compreendidas como sendo a sua Páscoa (Lc 22,14-20; Jo 13,1-3; 19,36). Outros textos (Jo 6; 1Co 5,7; 10,2-4) utilizam os conceitos maná, nuvem, travessia do mar, água do rochedo, páscoa, pão sem fermento para falar do batismo. O Apocalipse celebra Cristo como o Cordeiro pascal (Ap 5,6); no mesmo livro, os flagelos que se abatem sobre os adoradores da Besta são retomados das pragas do Egito (Ap 15,5-21); e os que participavam do triunfo de Cristo sobre a Besta cantam novamente o cântico de Moisés (Ap 15,3); enfim, para descrever o surgimento do mundo novo, alude-se a um desaparecimento do mar (Ap 21,1). Todos os temas de uma leitura cristã do Êxodo foram abundantemente explorados pelos Pais da Igreja – aliás, menos em comentários contínuos do que em homilias pascais. Tudo isso explica a presença difusa dos temas do Êxodo na liturgia cristã. Sem pretender fazer um levantamento completo, mencionamos apenas a leitura da travessia do mar e o canto do hino de Moisés (Êx 14-15), retomados na noite da Páscoa tanto na liturgia bizantina como na liturgia romana; ou então o lugar do decálogo no culto e na catequese das Igrejas.
5. O fato de o livro do Êxodo ter sido escrito para exprimir a fé do povo de Israel não significa que ele esteja baseado em fatos imaginários. Confrontando os dados da tradição bíblica com os dados agora melhor conhecidos da história do antigo Oriente Médio, percebemos que os estudos históricos não foram feitos em vão. Quanto a Moisés, hesitava-se em situá-lo entre o século XV (18º dinastia, especialmente no reinado de Tutmés/Tutmósis III) e o século XIII (19º dinastia: nos reinados de Seti I, Ramsés II ou Merneptá). Embora admitindo que a dominação egípcia da 18º dinastia pode ter deixado vestígios na narração “javista”, historiadores geralmente mantêm a assim chamada cronologia “curta” (Êxodo no século XIII). No contexto político da região e da época, podemos representar-nos os fatos da seguinte maneira:
No século XVI, o Novo Império egípcio expulsa os invasores hicsos, que cento e cinquenta anos antes vieram da Ásia. No século XV, especialmente com Tutmés III, o Egito fortaleceu a sua dominação sobre os países cananeus. O século XIV foi marcado por um enfraquecimento do Egito, que passa pela crise religiosa dita de El-Amarna (Amenófis IV, Tutankamon); seus vassalos cananeus estão sob a ameaça do crescente poderio hitita e da agitação fomentada por uma população de migrantes turbulentos chamados habiru pelos textos antigos. Par restabelecer a ordem, um general, Horemheb, funda a 19ª dinastia (século XIII), que instala sua capital no delta do Nilo, empreende a fortificação da costa do Mediterrâneo e, com Ramsés II, vê-se obrigado a enfrentar o poderio hitita. Foi nessa época – supõe-se – que os egípcios utilizarem mão-de-obra semita, encontrada na região e cujas intenções, aliás, deixaram preocupada a administração. No entanto, Moisés (que talvez tenha sido formado, como outros semitas, para o serviço da política asiática de Faraó) conseguiu levar seus irmãos de raça para o deserto e organizar sua vida religiosa, esperando que esta gente, pertencente sobretudo à “casa de José” (tribos de Efraim e de Manassés) e à “casa de Levi”, entrasse em Canaã sob Josué. Aí, outras tribos vão se unir a eles e ao “Deus (Yaohu) que fez subir o seu povo da casa da escravidão”.
Foi este o quadro humano em que Deus (Yaohu) interveio para revelar a um povo de migrantes o desígnio de fazer deles a sua propriedade pessoal, um reino de sacerdotes e uma nação santa (19,5-6). Enfim, é aí que se inicia o congraçamento de todos os homens na aliança de Yaohu.

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DO “ÊXODO”:

MOISÉS
Pontos fortes e êxitos:
• Educação egípcia; treinamento no deserto.
• Maior líder judeu. Promoveu o êxodo.
• Profeta e legislador; entregou os Dez Mandamentos ao povo.
• Autor do Pentateuco.

Fraquezas e erros:
• Não entrou na Terra Prometida em razão de sua desobediência a Deus (Yaohu).
• Nem sempre reconheceu e usou os talentos de outros.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) prepara, e então usa. Seu tempo oportuno dura por toda a vida.
• Deus (Yaohu) realiza seu maior trabalho através de pessoas frágeis.

Informações essenciais:
• Locais: Egito, Midiã, deserto do Sinai.
• Ocupação: Príncipe, pastor de ovelhas, líder dos israelitas.
• Familiares: irmã – Miriã; irmão – Arão; esposa – Zipora; filhos – Gérson e Eliézer.

Versículos-chave:
• “Pela fé, Moisés, sendo já grande recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado” (Hb 11,24.25).

A história de Moisés pode ser encontrada nos livros de Êxodo a Deuteronômio. Ele também é mencionado em Atos 7,20-44; Hebreus 11,23-29.

JETRO
Pontos fortes:
• Como sogro de Moisés, reconheceu o verdadeiro e único Deus (YHWH).
• Era um apaziguador e organizador prático.

Lições de vida:
• Supervisão e administração são esforços de equipe.
• O plano de Deus (Yaohu) inclui todas as nações.
Informações essenciais:
• Locais: Terra de Midiã e deserto do Sinai.
• Ocupações: Pastor de ovelhas e sacerdote.
• Familiares: Filha – Zipora; genro – Moisés; filho – Hobabe.

Versículo-chave:
• “E alegrou-se Jetro de todo o bem que Yaohu tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egípcios” (Êx 18,9).

ARÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Primeiro sumo sacerdote de Deus (Yaohu) em Israel.
• Comunicador eficiente; porta-voz de Moisés.

Fraquezas e erros:
• Personalidade flexível, cedeu ao pedido do povo e fez um bezerro de ouro.
• Uniu-se a Moisés em desobedecer à ordem de Deus (Yaohu) quanto a tirar água da rocha.
• Juntamente com Miriã, reclamou contra Moisés.

Lições de vida:
• Deus (Yaohu) concede às pessoas habilidades especiais e as usa em conjunto para fazer a sua vontade.
• As mesmas habilidades que fazem do individuo um bom membro de equipe podem torná-lo um mau líder.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e deserto do Sinai.
• Ocupação: Pastor; o segundo no comando depois de Moisés.
• Familiares: Irmão – Moisés; irmã – Miriã; filhos – Nadabe, abiú, Eleazar e Itamar.

Versículos-chave:
• “Então, se acendeu a ira de Yaohu contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem; e eis que ele também sai ao teu encontro, e, vendo-te alegrará em seu coração. E tu lhe falarás e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca e com a sua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca e tu lhe serás por Deus (Yaohu)” (Êx 4,14-16).

A história de Arão é encontrada nos livros do Êxodo a Deuteronômio 10,6. Ele também é mencionado em Hebreus 7,11.

LEVÍTICO

INTRODUÇÃO

Visão Geral

Autor: Moisés.
Propósito: Conduzir os israelitas nos caminhos da santidade para que eles se mantivessem separados do mundo e recebessem bênçãos em vez de julgamento, enquanto vivessem nas proximidades da presença especial de seu Deus santo. (Yaohu).
Data: c. 1446-1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Deus (Yaohu) é santo e exige santidade do seu povo.
• O povo de Deus (Yaohu) não conseguia cumprir perfeitamente as exigências de santidade, mas podia obter expiação temporária por meio do sistema sacrificial.
• Deus (Yaohu) chamou o seu povo para buscar a santidade em todos os aspectos da vida em gratidão pela misericórdia que ele havia demonstrado para com eles.
• Deus (Yaohu) ofereceu bênçãos maravilhosas e ameaçou trazer julgamento caso o seu povo não se arrependesse e se comprometesse com ele.

Público original
Levítico, a forma latina do título grego do livro, significa “acerca dos levitas”. Levi era a tribo de origem dos sacerdotes e cabia aos levitas manter o culto em Israel. O título é apropriado, uma vez que o livro trata principalmente do culto e do que era próprio para ele. No entanto, não é dirigido apenas aos levitas, mas também aos israelitas leigos, dizendo-lhes como oferecer sacrifícios e como ser puro, um requisito para entrar na presença de Deus (Yaohu) em adoração.

Propósito e características
Talvez nenhum outro livro do Antigo Testamento seja tão desafiador para o leitor moderno quanto Levítico, sendo necessário exercitar a imaginação para visualizar as cerimônias e os ritos que constituem grande parte do livro. No entanto, é importante entender os rituais de Levítico por dois motivos. Em primeiro lugar, de modo geral, os rituais preservam, expressam e ensinam os valores e os ideais mais preciosos de uma sociedade. Embora os vários aspectos dos rituais de Levítico pareçam obscuros para os leitores modernos, os israelitas do Antigo Testamento sabiam o motivo pelo qual determinados sacrifícios eram oferecidos em ocasiões específicas e que certos gestos significavam.

Cristo em Levítico:
Por meio de seus símbolos e ritos, Levítico apresenta uma descrição do caráter de Deus (Yaohu) que é pressuposta e aprofundada na mensagem do Novo Testamento sobre Cristo. Esse livro ensina que Deus (Yaohu) é a fonte da vida perfeita, que ele ama o seu povo e quer habitar no meio dele. Vemos nisso uma prefiguração da encarnação, na qual “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Levítico também mostra claramente a pecaminosidade humana: Tão logo os filhos de Arão haviam sido ordenados, eles profanaram o seu ofício sacerdotal e morreram, numa demonstração terrível de julgamento divino (cap,10). Aqueles que sofriam de doença de pele e fluxo, bem como aqueles que possuíam imperfeições morais, eram proibidos de participar do culto, pois suas imperfeições eram incompatíveis com o Deus (Yaohu) santo e perfeito (cap, 12 – 15). Por meio desse simbolo, Levítico ensina a universalidade do pecado humano, uma doutrina afirmada também por Cristo (Mc 7,21-23) e Paulo (Rm 3,23). Preso entre a santidade divina e a pecaminosidade humana, a maior necessidade do ser humano é receber expiação. É nesse ponto que o livro mostra mais instrutivo para o cristão, pois seus conceitos se cumprem na obra expiatória de Cristo. Ele é o Cordeiro sacrifical perfeito que tira o pecado do mundo (1,10; 4,32; Jo 1,29). Sua morte é o resgate por muitos (Mc 10,45) e o seu sangue purifica de todo pecado (4; Hb 9,13-14; 1Jo 1,7). Acima de tudo, Cristo é o sumo sacerdote perfeito que entra, não no tabernáculo terreno uma vez por ano no Dia da Expiação (Lv 16), mas no templo celestial para sempre. Cristo não ofereceu um mero bode pelos pecados de seu povo, mas sim, a sua própria vida (Hb 9 – 10). Quando o véu do templo se rasgou na crucificação de Cristo, ficou claro que sua morte ABRIU O CAMINHO PARA DEUS – YAOHU DE MODO QUE TODOS QUE CRESSEM TIVESSEM UM ACESSO MAIS PLENO (Mt 27,51; Hb 10,20). [POR ISSO, QUE É MUITO IMPORTANTE, SABER O NOME DESSE “DEUS” – NÃO UM TÍTULO SOMENTE OU PIOR, QUALQUER “deus”? MAS SIM O ÚNICO QUE SALVA YAOHU]. Além do mais, enquanto Levítico se concentra na importância de manter Israel separado dos povos vizinhos, o Novo Testamento abre o reino PARA TODAS AS NAÇÕES e desse modo, revoga a observância das leis alimentares (Mc 7; At 10) sem, no enanto, abrir mão dos princípios morais simbolizados nas mesmas (Jo 17,16; 2Co 6,14 – 7,1). O Deus (Yaohwh) santo de Levítico é mostrado nos Evangelhos como sendo CRISTO, que oferece vida, saúde e santidade a todos os que estão dispostos a segui-lo.
Sito as palavras de Paulo:
“Atos 17,23”: Porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. (YHWH – “Yaohu” – o Nome pessoal de “EL-ULHIM” = DEUS NO PLURAL = YAOHU UL.).

Levítico. (LUGAR E FUNÇÃO DO LIVRO):

O livro de Êxodo termina com a construção da Tenda do Encontro (40,16-33), que Yaohu imediatamente legitima, vindo instalar-se nela na nuvem (40,34-38).
As primeiras palavras do Levítico exprimem a seu modo esta legitimação: enquanto no Êxodo Yaohu falava a Moisés sobretudo no cume do Sinai, agora é “da tenda da reunião” que o faz (1,1).
Nos 27 capítulos deste livro, Deus (Yaohu) transmite a seu povo “suas leis e seus costumes”, pois “é pondo-os em prática que o homem tem a vida” (18,5). Em suma, vai explicar-lhes o bom uso dessa “tenda”, para que seja verdadeiramente um lugar de “encontro”: não aconteça que um erro ritual (1 – 10), uma impureza física (11 – 16) ou uma infidelidade moral (17 – 26) cause obstáculo a essa comunhão. Por isso tudo é descrito com tanta minucia.
Contudo, o Levítico não apresenta senão certos aspectos do culto israelita. É talvez no saltério que se devam procurar as orações e os cantos que acompanhavam os ritos. São sobretudo os profetas (p. ex. Jr 7,3-11; Os 6,6) que lembra a Israel que a execução dos ritos não basta para proporcionar a salvação. Mas o que o Levítico quer fazer penetrar na consciência dos fiéis, e isto com uma insistência incansável, é que a comunhão com o Deus (Yahu) vivo é a verdade última do homem!

Levítico. (DATAÇÃO, ORIGEM E CONTEÚDO DO LIVRO):

O texto, no seu estado atual e canônico, é de redação pós-exílica, embora reúna em um todo relativamente coerente elementos de origens diversas, alguns dos quais podem remontar a uma alta antiguidade. Na época em que o poder político do sacerdócio vai aumentando, já que não existe mais rei, e o profetismo está em vias de desaparecimento, os sacerdotes de Jerusalém reuniram e completaram, para as necessidades do Segundo Templo, diversas coleções de leis e de rituais.
Numa primeira seção (1 – 7), apresentam-se as diversas categorias de sacrifícios que o israelita pode (ou deve) oferecer a Deus (Yaohu), em certas circunstâncias. Não se trata de uma iniciação para o uso dos profanos, mas da codificação, para os iniciados, dos rituais, numa espécie de livro de referência. Em particular, nada se diz sobre a origem ou a significação dos sacrifícios e dos rituais. Só se pode constatar, por alusões ou comparações, que Israel hauriu o princípio dos sacrifícios das religiões do Antigo Oriente e que soube encher este quadro ritual com um conteúdo novo, correspondente a sua visão do mundo e ao seu conhecimento de Deus (Yaohu)
A segunda seção (8 – 10) descreve as cerimônias que se desenrolam por ocasião da investidura sacerdotal de Aarão e de seus filhos. Esses três capítulos talvez tenham constituído, na origem, a continuação direta do Êxodo, respondendo às prescrições do capítulo 29. Os sacerdotes aparecem ali com toda clareza na sua função de mediação, que implica uma exigência particular de santidade, já que devem servir de intermediários entre o povo de Deus (Yaohu) santo.
A terceira seção (11 – 16) elenca diversas categorias de impurezas que impedem o homem de entrar em contato com Deus (Yaohu) [praticamente: que o impedem de aproximar-se do santuário]: o consumo se alimentos impuros, a impureza da mulher depois do parto, a lepra, a impureza sexual do homem ou da mulher. O capítulo 16, de certo modo, constitui o coração do livro: descreve a majestosa liturgia do Yom Kippur, o Dia do Grande Perdão, que chegou a ser chamado de “Sexta feira Santa no Antigo Testamento”.
A quarta seção engloba os capítulos 17 – 26, que geralmente são agrupados sob o título de Lei (ou Código de Santidade. Uma vez que Yaohu é um Deus vivo e santo (qadosh, 11,44-45; 19,2; 20,26; 21,8), o povo que escolheu, que reservou para si, que lhe é consagrado (qadosh, 11,44-45; 19,2; 20,7.26; 21,6-8), deve procurar tudo o que facilita a comunhão com Deus [Yaohu] e evitar tudo o que, física ou moralmente, pôr obstáculo a essa comunhão vital: não consumir o sangue, que é a sede da vida dada por Deus [Yaohu]; recusar quaisquer relações sexuais anormais; respeitar a Yaohu entre único DEUS, e o homem enquanto criatura de Deus (Yaohu); garantir a dignidade do sacerdócio e dos sacrifícios e celebrar fielmente as festas e os anos santos.
O capítulo 27, apêndice ao conjunto do livro, trata dos problemas de tarifação dos votos e dos resgates.

PEQUENO LÉXICO DO LEVÍTICO

A leitura do Levítico não é fácil. O estilo é muitas vezes monótono e bastante árido. Encontra-se nele certo número de termos técnicos, cujo valor é importante conhecer. Também é preciso ter consciência de certos traços da mentalidade hebraica e de certas instituições do povo de Israel. Não se deve, por exemplo, imaginar os sacerdotes de Israel à semelhança dos sacerdotes nas Igrejas cristãs de hoje: embora a palavra seja a mesma, ela não designa duas realidades idênticas. O pequeno léxico que se segue quer agilizar a compreensão do livro. {As seções são tratadas na ordem das quatro seções do livro: sacrificais,sacerdócio, puro e impuro, santidade. Na primeira parte, os termos técnicos sacrificais estão classificados por ordem alfabética}.

1. Os sacrifícios. Em todas as religiões, o sacrifício é uma tentativa de entrar em relação mais íntima com a divindade; por isso a história das religiões o estudou essencialmente sob três pontos de vista: o sacrifício enquanto “dom” oferecido à divindade; o sacrifício operando uma “comunhão” com a divindade; o sacrifício visando a uma “expiação” dos pecados e ao perdão por parte da divindade. Os sacrifícios israelitas dividem-se com bastante facilidade entre essas três categorias; dom: holocausto, oferenda vegetal, primícias; comunhão: sacrifício de paz; expiação: sacrifício pelo pecado, sacrifício de reparação.
No decorrer dos séculos e sob o peso das circunstâncias, desenhou-se uma evolução: refletindo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o Exílio, Israel adquiriu uma consciência mais viva da força do pecado e da necessidade de perdão. Eis por que o Levítico enfatiza o papel reconciliador dos sacrifícios, dando grande importância à absolvição pelo sangue e reduzindo as oferendas vegetais a complemento dos sacrifícios sangrentos.
a) Aceitar: o verbo (sempre no passivo no Lv) e o substantivo correspondente (sempre em um sentido passivo) designam o escolhimento benévolo que Deus (Yaohu) dá a um ofertante sincero, aceitando e aprovando o seu presente, quando o oferente obedece às regras rituais.
b) Holocausto: sacrifício de uma vítima totalmente consumida pelo fogo sobre o altar (excetuada a pele, cf. 7,8). É o sacrifício que exprime por excelência a doação: o oferente não recebe nada da vítima sacrificada. Encontra-se o seu equivalente entre os gregos e em Ugarit, mas não entre os demais semitas.
c) Memorial: termo técnico que designa a parte de uma oferenda vegetal (com ou sem incensos) consumida sobre o altar. Quanto à significação da palavra, cf. 2,2 nota.
d) Oferenda consumida: termo geral que engloba tudo o que é queimado sobre o altar para Deus (Yaohu) e, por extensão, a vítima toda inteira de tais sacrifícios. Parece, todavia, que o termo nunca é utilizado explicitamente para as partes queimadas do sacrifício pelo pecado. A etimologia da palavra é desconhecida, mas evoca por assonância a palavra hebraica para “fogo”, donde a tradução: oferenda consumida. i.é. Pelo fogo.
e) Oferenda vegetal: a palavra minhá designava originalmente o conjunto dos sacrifícios da categoria do dom e da comunhão (Gn 4,3-5; Sm 2,17). Mais tarde, o termo especializou-se no sentido de oferenda não-sangrenta e foi substituído na acepção geral pelo termo presente (cf. Tópico J).
f) Paz (sacrifício de -): por vezes é chamado também de sacrifico de “comunhão”, ou sacrifício de “aliança”. As partes gordas da vítima são queimadas sobre o altar para Deus (Yaohu), uma parte da carne é reservada aos sacerdotes e o resto é consumido pelo oferente, sua família e seu amigos. O Levítico distingue três formas específicas desse sacrifício, que correspondem a disposições internas dos oferentes, mais do que a rituais próprios: o sacrifício de louvor (7,12-15), o sacrifício votivo (7,16) e o sacrifício espontâneo (7,16). O sacrifício de paz, assim como o holocausto, tem o seu equivalente em Ugarit e entre os gregos, mas não entre os demais semitas.
g) Pecado (sacrifício pelo -): ele é difícil de ser distinguido do sacrifício de reparação (cf. Tópico K): não se sabe se na origem se trata de dois sacrifícios diferentes, que pouco a pouco se teriam confundido, ou de um único sacrifício conhecido sob duas designações sinônimos, que os redatores teriam artificialmente distinguido no ritual ulterior.
A vítima varia segundo a qualidade ou os meios do delinquente; o sangue desempenha o papel mais importante, pois é ele que proporciona a absolvição; as gorduras são queimadas sobre o altar, como sacrifício de paz; as carnes são consumidas pelos sacerdotes, salvo no caso em que o delinquente é um sacerdote ou o povo no seu conjunto, pois não se pode ao mesmo tempo oferecer um sacrifício pelo pecado e tirar proveito dele.
Este sacrifício não serve para obter o perdão de um pecado deliberado, mas visa restabelecer uma relação com Deus (Yaohu) comprometida pelos pecados involuntários (cf. 4,2 nota) ou por um estado de impureza (cf. 14,19).
h) Perfume: no interior da tenda da reunião (e em Lugar santo do Templo) encontrava-se o altar dos perfumes (4,7), onde se queimava um perfume especialmente composto para este efeito (cf. Êx 30,34 e nota).
À mesma raiz está ligado o termo frequente no Lv e traduzido por “fazer fumegar” (1,9 etc.), que designa toda combustão de sacrifício sobre o altar dos holocaustos. O emprego deste verbo mostra como se entendia que Deus (Yahu) se beneficiava (na forma de “fumaça perfumada”) da doação que lhe era feita.
i) Perfume aplacador: esta expressão está o mais das vezes em estrito paralelo com a expressão oferenda consumida (cf. Tópico d) e, com exceção de um caso (4,31, qualificando o sacrifício pelo pecado), ela se refere a um sacrifício que se pode qualificar de oferenda consumida. Talvez na origem se trate do decalque hebraico de uma expressão acádica que aparece no relato babilônico do dilúvio, por ocasião do sacrifício oferecido pelo resgatado (cf. Gn 8,21). Ela exprime o desejo que o oferente sente de manter uma relação pacífica com um Deus (Yaohu) benevolente.
j) Presente (cf. Tópico e: oferenda vegetal): no “Código Sacerdotal” a palavra qorban designa qualquer espécie de sacrifício, e até oferendas não sacrificais (Nm 7). Significa literalmente aquilo que a gente “aproxima” de Deus (Yaohu) {ou do altar}, mas pouco a pouco a palavra adquiriu o sentido de “oferenda sagrada” ou de “objeto consagrado”, sentido que o termo tem na boca de Cristo – MESSIAS – (Mc 7,11).
k) Reparação (sacrifício de -): (cf. Tópico g: sacrifícios pelo pecado). Na época do Segundo Templo, apesar da identidade dos ritos, o sacrifício de reparação parece ter-se distinguido do sacrifício pelo pecado, essencialmente pelo fato de vir acompanhado de uma reparação do mal causado (restituição ou re-embolso com majoração de um quinto). Talvez ele diga respeito também a casos particulares e mais individuais que o sacrifício pelo pecado. Finalmente, ele não faz parte do ritual de nenhuma grande festa de Israel. Estes dois sacrifícios parecem constituir uma peculiaridade de Israel: não se encontra atestação certa de sacrifício deste tipo em nenhum dos povos vizinhos ou contemporâneos.
l) Santíssimo (ou coisa santíssima): enquanto a expressão qôdesh qodashim (lit. Santo dos santos ) tem muitas vezes um sentido local, designando especialmente a segunda parte do santuário (tenda ou templo), conhecida também sob o nome de debir (quarto sagrado, cf. 1Rs 6,16), o redator do Levítico só a emprega para designar uma coisa consagrada a Deus (Yaohu) e do qual, por conseguinte, não se pode fazer nenhum uso profano. Pare ele, são essencialmente as partes dos sacrifícios “expiatórios” e das oferendas vegetais, reservados exclusivamente aos sacerdotes, que são coisas ou oferendas santíssimas.
M ) Santo: a palavra qôdesh designa ou qualifica uma grande variedade de coisas: pessoas,lugares, tempos, objetos, oferendas. Cf. Abaixo §4.
2. O sacerdócio. A origem que o Levítico oferece do sacerdócio é o resultado de uma evolução de vários séculos, no qual se manifestaram influências diversas, religiosas, morais, sociais, políticas.
Na época mais antiga, as funções sacerdotais (garante a mediação entre o homem e Deus [Yaohu] pela execução dos ritos e pela comunicação da vontade divina) não parecem ser exercidas exclusivamente por uma classe de especialistas. Os patriarcas, na qualidade de chefes de família, oferecem eles mesmos os sacrifícios (Gn 8,20; 15,9-10; 22,1-14).
Contudo, em torno dos lugares de culto (p. ex. Shilô, 1Sm 1 – 3; Dan, Jz 18,19-20.27-31) estabelecem-se famílias sacerdotais que garantiam o serviço do santuário e conservavam as tradições e os ritos. Em Jerusalém, Davi encontrou uma família sacerdotal (a de Sadoq) que talvez tivesse ligações com Malki-Sédeq, o rei sacerdote da época patriarcal (Gn 14,17-20). A importância adquirida por Jerusalém atraiu muitos sacerdotes dos outros lugares de culto; foram, aliás, obrigados a se reagrupar ali quando Josias decidiu centralizar todo o culto israelita em Jerusalém: mas este aporte de pessoal não deixou de criar litígios entre o pessoal ali instalado e os recém-chegados (2Rs 23,8-9).
Já no reinado de Salomão, havia-se assistido a lutas de influência entre duas famílias sacerdotais, a de Ebiatar e o de Sadoq, cujas origens não são claramente conhecidas. Os sadoquitas teriam acabado excluindo quase completamente os seus rivais do exercício do sacerdócio hierosolimitano (1Rs 2,26-27). O Exílio pôs fim a essas rixas, quando os dois grupos foram genealogicamente ligados a Aarão, fazendo deste último, membro da tribo de Levi, o primeiro sumo sacerdote, no ponto de partida de todo sacerdócio (1Cr 24,1-6).
Depois da volta do Exílio (538 a.C.), não sendo restaurado a realeza, é o clero que assume as rédeas do destino do povo. Aquele que se acabará chamando ‘sumo sacerdote’ vai pouco a pouco ocupando uma função equivalente à do rei: traz insignias régias (8,9) e, como o rei pré-exílico, recebe a unção (8,12). A partir de Aristóbulo I (104-103 a.C.). tornou-se explícito o que era implícito: o sumo sacerdote assume o título de rei.
O que importa é o que permaneceu imutável ao longo de toda esta evolução, a saber o caráter mediador do sacerdote, o qual, introduzido pela sua consagração na esfera do sacro, pode desempenhar o papel de intermediário autorizado.
3. O puro e impuro. A noção de impureza é bem próxima à de “tabu”, tal como os historiadores das religiões a encontram nos povos mais diversos. Ela supõe que o homem deseja viver uma vida enquadrada por regras estáveis, protegida da angústia do desconhecido. Consequentemente, tudo o que é excepcional, anormal, insólito, tudo o que é mudança, passagem de um estado a outro, aparece como uma ameaça, como a manifestação de um poder que zomba das regras conhecidas, como uma mancha contagiosa da qual é preciso proteger-se, afastando-se dela, ou do qual é preciso libertar-se, purificando-se.
A Impureza não é um ato culpável: com efeito, as obrigações da vida (maternidade, toalete dos mortos, etc.) implicam necessariamente o homem num estado de impureza que o impede de entrar, pelo culto, em relação com o Deus (Yaohu) santo, estado do qual ele tem de se purificar. O ato culpável acontece quando, estando em impureza, a pessoa age como se estivesse em estado de pureza (Lv 15,31). Ezequiel utilizará o vocabulário da impureza para qualificar os pecados de Jerusalém, incluídos os que eram cometidos contra a moral propriamente dita (cf. Ez 22,7). O pecado é com efeito a grande impureza que compromete a relação entra o homem e Deus (Yaohu).
O fato de as proibições de Lv 11 – 15 serem codificadas é o sinal de que quase não são mais vividas espontaneamente; o Levítico as coloca em relação com o Deus (Yaohu) da aliança (11,44-45), o Yaohu da vida, para quem devemos manter-nos puros.
O Novo Testamento é testemunho de vários debates sobre o valor dessas proibições (Mc 7,1-23; At 10; 1Co 6,12-20).
4. A santidade. A santidade é uma das noções capitais do Levítico, e de todo o Antigo Testamento. Ela tem parentesco com a noção de pureza.
Fundal-mente, a santidade designa todo o mistério insondável do Deus (Yaohu) transcendente, do Deus (Yaohu) absolutamente diferente, incomparável, inapreensível, inefável, do Totalmente-Outro inacessível ao homem. Dizer que o Yaohu é santo é, pois, não tanto dar a Deus (Yaohu) uma qualificação moral, mas antes afirmar que ele é radicalmente dessemelhante de tudo o que o homem conhece ou imagina.
No entanto – e isto também é um elemento constitutivo da sua santidade – este Deus (Yaohu) transcendente permite ao homem aproximar-se dele (cap. 23); este Deus (Yaohu) incompreensível dá-se conhecer e comunica a sua vontade (cap. 19); ele faz irradiar a sua santidade e quer fazer a humanidade participar dela: “Sede santos, pois eu sou santo…” (19,2). Ao escolher o povo de Israel, Deus (Yaohu) o quer diferente dos demais; reserva-o para si, distinguindo-o e separando-o dos povos profanos, para que possa entrar em comunhão com o Deus (Yaohu) santo. Esta eleição traz consigo uma exigência moral, consequência da santidade do povo eleito, mas que o levou a santificar-se constantemente, para permanecer nessa COMUNHÃO vital e manifestar assim aos olhos das outras nações a santidade do seu Deus (Yaohu).
Os homens não são os únicos a ser chamados de santos: TUDO O QUE EXPRIME A PRESENÇA DE DEUS (YAOHU) PODE SER QUALIFICADO DE SANTO:
• Pessoas (p. ex. Os sacerdotes, que penetram mais profundamente na esfera de Deus (Yaohu) e que devem abster-se de diversas práticas legítimas, porém profanas, cap, 21 – 22);
• Tempos (p. ex. O sábado, dia do Yaohu, no decurso do qual se deve renunciar às ocupações profanas, Êx 20,8-11);
• Lugares (p. ex. O santuário, no qual não têm direito de penetrar nem os profanos nem os estrangeiros, Hb 9,7-8; At 21,28);
• Objetos (p. ex. O óleo de unção santa, que serve aos ritos de consagração e é proibido para qualquer uso profano, Êx 30,23-33).
Em suma, a noção de santidade comporta três ideias-força: Separação de tudo o que é profano, consagração para entrar em comunhão com Deus (Yaohu), compromisso para fazer a vontade Dele.

O LEVÍTICO NA BÍBLIA E NA VIDA DO CRENTE

O Levítico apareceu tarde demais na vida de Israel para poder influenciar de maneira sensível os demais livros do Antigo Testamento. Por outro lado, apresenta com exclusividade excessiva a “técnica” dos sacrifícios israelitas para ser citado com frequência no NT. As passagens citadas com maior frequência são tiradas sobretudo das leis morais do “Código da Santidade”. Mas a influência de um livro não se mede somente pelo número de citações que dele se fazem. Daí por que a influência do Levítico não é desprezível, embora indireta; com efeito, o culto praticado em Jerusalém consoante as regras codificadas no Levítico é o pano de fundo das reflexões do NT sobre o sacerdócio e o sacrifício de Cristo. Sem o Levítico, falta-nos iam muitos elementos para compreender como Paulo ou a epístola aos Hebreus (cf. Hebreus, Introdução § 8) interpretam teologicamente a morte de Cristo – Messias.
Hoje o Levítico é talvez, entre os livros do AT, o menos lido pelos cristãos. Com efeito, ele não é de acesso fácil, e parece só falar de práticas que caducaram em virtude da nova Aliança. Mas é preciso entender bem esta “caducidade”. Ao aproveitar gestos religiosos dos seus vizinhos ou ao criar novos para elaborar o seu ritual, Israel procurou fazer o culto que celebrava concordar com a fé que professava; o culto tinha a função de exprimir e realizar a reconciliação e a comunhão do povo santo com o Deus (Yaohu) santo, em nome do qual pelejavam os profetas e todos os que zelavam pela pureza da fé em Israel. As festas, os ritos, os gestos variam com os tempos e os lugares, de acordo com o que se quer expressar e de acordo com os meios de que se dispõe para fazer isso. Mas permanece o desejo de exprimir a fé pela festa comunitária e pela linguagem do corpo. Nem as investidas proféticas contra um culto mal celebrado, nem o abandono dos ritos levíticos por parte do judaísmo, privado do seu Templo, e por parte do cristianismo, que reconheceu o valor único e definitivo do sacrifício de Cristo, nada disso abole o fato de que o Levítico está presente na Bíblia. A presença dele responde à necessidade humana de exprimir a fé por gestos religiosos, ao mesmo tempo em que anuncia e prepara a vinda daquele que traz nas suas palavras e realiza na sua vida a reconciliação e a comunhão dos homens com Deus (Yaohu).

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DO “LEVÍTICO”

Nadabe/Abiú
Pontos fortes e êxitos:
• Filhos mais velhos de Arão.
• Primeiros candidatos a serem sumo sacerdote após seu pai.
• Envolvidos na consagração do Tabernáculo.
• Elogiados por fazerem “todas as coisas que Yaohu ordenara” (Lv 8,36).

Fraquezas e erros:
• Trataram as ordens diretas de Deus (Yaohu) de forma indiferente.

Lições de vida:
• O pecado traz consequências mortais.

Informações essenciais:
• Local: Península do Sinai.
• Ocupação: Aprendizes de sacerdote.
• Familiares: Pai – Arão; tios – Moisés e Miriã; irmãos – Eleazar e Itamar.
Versículos-chave:
• “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e puseram incenso sobre ele, e trouxeram fogo estranho perante a face de Yaohu, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante de Yaohu e os consumiu e morreram perante Yaohu” (Lv 10,1.2).
A história de Nadabe e Abiú pode ser encontrada em Levítico 8 – 10. Eles são também mencionados em Êxodo 24,1.9; 28,1; Números 3,2-4; 16,60.61.

NÚMEROS

INTRODUÇÃO

Visão geral

Autor: Moisés.
Propósito: Conclamar a segunda geração do êxodo a servir a Deus (Yaohu) como seu exército santo na conquista da Terra Prometida, evitando os erros do passado e permanecendo fiéis aos preceitos de Deus (Yaohu).
Data: c. 1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Deus (Yaohu) preparou o seu povo plenamente para servi-lo e ser bem-sucedido na conquista da Terra Prometida. Os membros da primeira geração fracassaram porque foram ingratos para com a graça que Deus (Yaohu) havia lhes demonstrado e temeram o poder dos cananeus.
• Deus (Yaohu) levantou outra geração para conquistar a Terra Prometida; mas, para que fossem bem-sucedidos, eles também teriam de ser fiéis a Yaohu.

Propósito e características

Na Bíblia hebraica, o título do livro é derivado da quinta palavra hebraica do primeiro versículo, que pode ser traduzida como “no deserto” – uma descrição apropriada do conteúdo do livro. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego (a Septuaginta), seus livros receberam títulos gregos. Nesse caso, foi adotada uma palavra grega que descreve apenas as listas dos homens de guerra: arithmoi ou “NÚMEROS”.
Pelo menos três temas são fundamentais na mensagem de Números. Em primeiro lugar, o livro descreve vividamente a misericórdia e a fidelidade de Deus (Yaohu) para com o seu povo. Ele mostra Deus (Yaohu) dirigindo o seu povo enquanto este se preparava para a jornada pelo deserto, consolando-o nas suas dificuldades, tratando de seus medos e castigando-o apenas depois de se mostrar extremamente paciente. Os erros dos isralitas – até mesmos dos melhores dentre eles, inclusive Arão, Miriã e Moisés – são contrastados com a perfeição do Deus (Yaohu) sempre fiel à sua aliança.
O segundo tema mais importante em Números é o poder soberano de Deus (Yaohu) de realizar os seus propósitos. O livro mostra o fracasso total da primeira geração e o julgamento severo de Deus (Yaohu) sobre ela. No entanto, também oferece esperança para a segunda geração do êxodo: Deus (Yaohu) continuava conduzindo a História rumo ao seu objetivo de levar Israel à Terra Prometida. Os propósitos de Deus não falharão, mesmo quando o seu povo fracassa.
O terceiro tema fundamental é a responsabilidade do povo de Deus (Yaohu) de ser fiel ao chamado que ele lhe fez. O livro termina de modo repentino, mostrando a segunda geração se preparando para entrar na terra, e não registra nenhuma das batalhas travadas do outro lado do Jordão. Ele foi escrito para chamar a segunda geração a avançar na conquista como o exército santo de Deus (Yaohu).

Cristo em Números:

Números apresenta um retrato histórico que aponta para Cristo de cinco modos principais. Em primeiro lugar, em termos gerais, à medida que o livro descreve Israel se preparando, fracassando e se preparando novamente para guerra santa em Canaã, os leitores cristãos são lembrados dos últimos estágios da guerra santa por meio da qual Cristo conquistará os novos céus e a nova terra. Cristo começou a última batalha contra os inimigos de Deus (Yaohu) quando morreu e ressuscitou dentre os mortos (Cl 2,15; Hb 2,14-15). Essa guerra tem continuidade por meio da pregação do evangelho pela igreja de hoje (At 15,15-17; Ef 6,10-18). Por fim, quando Cristo voltar, a batalha pelo mundo será concluída (Ap 19,11-21; 21,1-5). Em segundo lugar, o livro volta o seu foco repetidamente para a fidelidade do povo de Deus (Yaohu), lembrando aos cristãos não apenas da salvação que se dá por meio da obediência perfeita de Cristo (2Co 5,19), mas também do seu chamado para que seus seguidores busquem a santidade (Hb 12,14). Em terceiro lugar, Cristo também é revelado em alguns tipos específicos em Números. A obra de Cristo, por exemplo, é prefigurada pela tipologia da novilha vermelha (cap. 19; Hb 9,13), pela água que jorrou da rocha (20,11; 1Co 10,4) e pela serpente erguida, que da morte trouxe vida (21,4-9; Jo 3,14-15), Em quarto lugar, a profecia especifica sobre as conquistas de Davi, que derrotaria os inimigos de Israel (24,15-19), prefigura Cristo que, como o grande filho de Davi, um dia será reconhecido como o maior Rei de todos. Por fim, a centralidade do tabernáculo também prefigura Cristo. Em sua primeira vinda, Cristo veio habitar (lit. “tabernacular”) no meio da humanidade (Jo 1,14) e, por meio de sua morte e ressurreição, abriu caminho para que todo àquele que crê entre na presença de Deus (Yaohu) [Mc 15,38; Hb 6,19; 10,20]. O apóstolo Paulo ensinou que a igreja é o templo de Deus (Yaohu) e que o mesmo pode ser dito de cada cristão 1Co 3,16; 6,19-20; Ef 2,19-22). Na segunda vinda, a habitação de Deus (Yaohu) com a humanidade será plena e os cristãos não precisarão mais de um templo para Deus (Yaohu), pois o Cordeiro será o templo (Ap 21,3.22).

Números. O livro dos Números, assim chamado pelos tradutores gregos por causa dos recenseamentos que constituem o objeto dos primeiros capítulos, é o mais complexo dos livros do Pentateuco.

Plano do livro. Se nos ativermos às grandes linhas, descobriremos três partes:
 a primeira prolonga e completa a apresentação das instituições descritas no Êxodo e no Levítico: recenseamentos (cap. 1 – 4), dedicação do santuário (7), consagração dos levitas (8);
 na segunda, Israel deixa o Sinai (10) para atravessar o deserto, onde deverá andar errante durante quarenta anos (11 – 14; 16 – 17; 20). Finalmente, ele chega á Transjordânia, aos limites da terra de Moab (21); é lá que se situam os episódios das bênçãos de Bileâm (22- 24) e a apostasia de Bet-Peor (25);
 a terceira começa com um novo recenseamento (26) e contém sobretudo as disposições tomadas por Moisés para a partilha dos territórios conquistados (32) ou a conquistar (27; 34 – 36). Encontra-se ali também o relato de uma expedição contra a tribo de Midian (31) e o resumo das etapas da marcha de Israel do Egito às margens do Jordão (33).
Portanto, o livro tem a forma de um relato, mas o seu movimento de conjunto com frequência é encoberto pela complexidade dos detalhes. Além disso, contém numerosos elementos legislativos: alguns estão incorporados ao relato (17, 3-5; 31, 21-47); outros, de redação mais recente, são intercalados em diversos lugares sem que se veja qual a sua relação com o contexto (caps.5; 6; 15; 19; 28 – 30).
É possível esclarecer muitos detalhes e reconstituir em parte a história do texto com a ajuda das teorias modernas da pesquisa do Pentateuco (cf. Introdução ao Pentateuco). Elas não permitem, porém, explicar a unidade do livro. O princípio desta unidade deve ser buscado no tema tratado, resumido com muita exatidão pelo título hebraico do livro: Bamidbar, esto é, No deserto.

Israel no deserto. A maior parte dos textos reunidos em Números referem-se, efetivamente, ao período durante o qual Israel permaneceu nos desertos que margeiam a Palestina a sul e sudeste.
Os acontecimentos deste período não são facilmente compreensíveis para o historiador. O mais certo é que diversas tribos seminômades se encontraram na península do Sinai e ao sul da Transjordânia e foram se associando progressivamente para formar um povo. Algumas tribos haviam fugido do Egito (por volta de 1230), outras vinham de outras paragens. Se é impossível determinar a duração exata deste processo, é possível, com a Bíblia, relacioná-lo com lugares em torno dos quais gravitam os relatos das três artes dos Números: o lugar santo do Sinai (1 – 10), o grupo de oásis de Qadesh (13 – 14; 20), as planícies de Moab, no vale inferior do Jordão (21 – 36).
Quando um povo nasce dessa maneira, sobretudo numa região muito isolada, sua formação geralmente não deixa vestígio nos documentos dos povos vizinhos; os textos egípcios e os vestígios arqueológicos permitem apenas situar os movimentos das tribos israelitas no conjunto das migrações seminômades que se desenvolveram ao longo de todo o 2º milênio em direção à Palestina. Mas as origens de Israel deixaram lembranças duradouras na memória das próprias tribos: vitórias (21; 31), derrotas (20, 21; 21,1), incidentes diversos (11,1-3; 25,1-6), conflitos entre as tribos (que se podem adivinhar em 14, 23-24; 16,1; 32, 6) e mesmo aos pormenores dos itinerários percorridos (21,10-20; 33,1-49), que, aliás, coincidem com as rotas seguidas pelos nômades até época recente.
Quanto a este período, em que Israel começou a adquirir consistência, a Bíblia procura sobretudo dar-lhe o significado global. A estada no deserto foi para Israel ocasião de uma experiência religiosa privilegiada, que conserva valor para todas as gerações seguintes. Com frequência este período será apresentado com um ideal ao qual se deveria procurar voltar, ao menos parcialmente. A Bíblia dá muitas interpretações desta época excepcional: a de Oséias (tempo dos esponsais: Os 2,16-25; da mesma forma Jr 2, 2-3), a do Deuteronômio (período de educação: Dt 8, 2-6); a de Ezequiel (tempo de infidelidade: Ez 20). Números, único livro inteiramente consagrado a este tema, conserva sobretudo três aspectos: Israel era então um povo em que marcha, não estabelecido de modo permanente; era um povo isolado, subtraído a toda influência estrangeira; era um povo em formação, no qual subsistiam ainda muitos problemas fundamentais por resolver.

Um povo em formação. O livro consiste em uma série de relatos que continuam os do Êxodo. E aqui, como no Êxodo, podem-se distinguir três tramas narrativas: as tradições “sacerdotal” (P), “javista” (J) e “eloísta” (E). Mas elas estão melhor amalgamadas e, no conjunto, o relato é coerente e livre de repetições inúteis. É sobretudo por suas intenções teológicas que as três tradições se distinguem. Para J e E, trata-se de expor a história da primeira geração de Israel, deixando aos leitores a responsabilidade de extrair lições para a sua época. P, pelo contrário (da mesma forma que E em alguns casos), procura justificar as instituições que recomenda, narrando sua origem e descrevendo seu funcionamento.
As três tradições estão de acordo quanto aos acontecimentos essenciais da travessia do deserto, que aparece como um período de ajustamento, cujos fatos mais salientes são crises, frequentemente dramáticas. As duas primeiras crises figuram no Êxodo (17 e 32) e Números conta ao menos mais dez: duas no cap. 11, uma no cap. 12, uma em 13 -14, duas ou três em 16 – 17, uma em 20,2-13, uma em 21,4-9, uma ou duas em 25. O povo frequentemente se nega a caminhar, a persistir numa aventura que o amedronta e na qual não acredita mais; contesta a autoridade de seus chefes, suas decisões e até mesmo o plano de Deus (Yaohu). Os chefes, e sobretudo o próprio Yaohu, terão de tomar medidas drásticas com esse povo recalcitrante: uma geração inteira será condenada. Mas o desígnio de Deus (Yaohu) se realizará, ainda que seja na geração seguinte: o povo chegará à terra que Yaohu lhe destinou.
Este objetivo polariza todo o relato. Apesar das tentativas malograda (14, 39-45; 20,14-21), apesar dos cadáveres que juncam o deserto (14, 29; 26, 65), o povo avança para a Terra prometida (33); e a ocupação da Transjordânia (21, 21-35) é o prelúdio da entrada vitoriosa em Canaã.
Moisés. Impossível seria esta longa caminhada sem a presença do chefe, cuja importância as três tradições timbram em sublinhar: Moisés. Mas sua importância é enfatizada de maneira diferente em cada uma delas. A tradição “eloísta” (e em certa medida a “javista”) oferece-nos um retrato particularmente vivo e rico: o Moisés que ela apresenta é de uma grande verdade humana, com suas fraquezas (16,15; 20,10-12) e seus desalentos (11,11-15). Não há dúvida de que o traço dominante nele é sua fidelidade total a uma missão complexa e ingrata: Sua oração várias vezes salvará o povo em revolta contra ele (12,13; 14,13-19; 16, 22; 17,10-13). É homem de oração que vive com Yaohu numa intimidade excepcional (12, 6-8), o que o situa acima de todos os profetas, dos quais ele é protótipo.
Completamente diferente é a imagem que dele apresentam os textos “sacerdotais”. Nestes, com frequência. Moisés não passa de um porta-voz impessoal dos desígnios de Yaohu. Afinal de contas, seu nome não passa de um carimbo de autenticação oposto a uma regulamentação, sobretudo se ela é tarifada. Os textos “sacerdotais” põem-lhe ao lado a figura de seu irmão Aarão, o sumo sacerdote, cuja função muitas vezes consiste apenas em permanecer ao lado de Moisés, quando este comunica a Israel as ordens de seu Deus (Yaohu). O fato de que se faça questão de colocar o nome de Aarão ao lado do de Moisés, às vezes mesmo sem levar em consideração a correção gramatical (9,7; 20,10), indica claramente qual é o objetivo desses textos: Justificar a situação que os relatos mostram estabelecida desde a morte de Moisés: O sumo sacerdote (Eleazar, filho de Aarão) tem o monopólio da revelação divina a mais alta autoridade sobre o povo (27, 21).

A visão “sacerdotal” do povo de Deus (Yaohu). Esta maneira de escrever a história é característica dos textos “sacerdotais”. Sua intenção é descrever as instituições do povo de Deus (Yaohu) que corresponderão exatamente à sua teologia. Regulamentos, recenseamentos (1,4; 26), ordens de caminhada (10,13-32) ou de acampamento (2), relatos, tudo concorre para esboçar da maneira mais viva o quadro ideal do povo de Deus (Yaohu). O fato de que os textos P suponham a organização das instituições acabada antes da partida do Sinai (ao passo que para J e E quase tudo ainda está por criar) mostra bem que para eles a existência de Israel é impensável fora deste quadro, descrito frequentemente com minúcia impressionante.
A teologia que justifica estas instituições é particularmente rica, e aqui só podemos citar alguns de seus elementos:
1. Israel, em P, não é um povo em armas, uma nação engajada na vida política internacional, mas uma comunidade dedicada ao culto de Yaohu.
2. Nesta sociedade tudo é regulamentado, diretamente e nos menores detalhes, pelas decisões de Yaohu. Israel é literalmente governado pela palavra de Deus (Yaohu).
3. É um povo em marcha, ao menos até sua instalação em Canaã e nenhum texto prevê a fixação do santuário, concebido em visa da vida nômade. Nenhum lugar santo, nenhum templo fixo poderia monopolizar a presença de Yaohu. A única localização que o Deus (Yaohu) de Israel permite é habitar no meio de seu povo, numa tenda situada no centro do acampamento ou no centro da comunidade em marcha.
4. Esta presença permanente é, ao mesmo tempo, tranquilizadora e temível. Como é possível que o Deus (Yaohu) santo possa morar no meio de uma comunidade de pecadores, sem que eles, a cada instante, corram o risco de ser fulminados (17, 28)? A instituição dos sacerdotes e levitas permite contornar este perigo. Estes homens, especialmente escolhidos, são a parede entre o povo e a presença divina (1, 53; 17, 11); somente eles podem obter a absolvição dos pecados, que fazem pesar sobre a comunidade a ameaça da cólera divina (8, 19; 17, 12). São estas duas funções, sem as quais a comunidade não poderia sobreviver, que justificam seus privilégios (16, 3-8; 18, 8-19).

O povo de Deus (Yaohu) nas outras tradições. Mais difícil seria encontrar uma síntese tão acabada nos textos derivados das tradições “javista” e “eloísta”. Nelas se encontram muitos elementos importantes que completam o quadro do Israel ideal apresentado por P e iluminam o conjunto da história do povo.
Os textos “javista”, que seguem sobretudo as tradições das tribos do sul, estão mais atentos aos aspectos humanos da história. Como no Gênesis, insistem no alcance universal do destino do povo abençoado (Nm 22 e 24). E fixam balizas importantes para a introdução da monarquia davídica (24,7.17-19), que será a correção da história das origens de Israel.
Nos textos “eloístas”, mais fragmentários, pode-se notar um sentido mais claro da unidade do povo, a condenação de toda tendência separatista (16,12-34; 32) e, sobretudo, os primeiros esboços da instituição profética (11, 25-29; 12,1-6).

Atualidade dos Números. O livro de Números é, ao mesmo tempo, o quadro idealizado do povo santo e a história muito realista da primeira fase de sua existência. Esse duplo título confere-lhe um interesse permanente. Na descrição idealizada, o povo de Deus (Yaohu) poderá encontrar sempre um modelo. Não que deva imitar servilmente as instituições que foram a expressão concreta do ideal de Israel; mas pode ler ali alguns dos princípios aos quais deve adaptar sua vida. Assim a Igreja terá sempre necessidade de Números para lembrar-lhe que ela é um povo em marcha, um povo de profetas, regido pela palavra de Deus (Yaohu), dedicado ao culto de Yaohu.
No relato das revoltas do povo em formação, o povo de Deus (Yaohu) encontra uma advertência permanente. É neste capítulo que os profetas e os Salmos apelam para os acontecimentos do período do deserto (Mq 6, 3-5; Ez 16; 20; 23; Sl 78, 17-40; 81, 12-17; 95 ,8; 106, 14-33 etc.). É também o que faz Paulo quando remete os coríntios aos relatos do Êxodo e de Números: “Estes fatos lhes aconteciam para servir de exemplo e foram postos por escrito para instruir a nós” (1Co 10,11). É claro que a Igreja de hoje não deve procurar reconhecer sua própria história nos relatos de Números. Mas as múltiplas crises atravessadas por Israel no deserto são o efeito de leis que parecem valer para toda comunidade de crentes reunidos pela palavra de Deus (Yaohu); a reflexão de Números sobre estas crises poderia ajudar a Igreja a enfrentar melhor as que ela, por sua vez, deve atravessar.
O sistema de instituições dos textos “sacerdotais” baseia-se numa consciência aguda do pecado do povo; as revoltas ilustram este estudo de pecado, mas é uma realidade permanente, um mal crônico. Uma das mensagens mais notáveis de Números é a escolha deste povo de pecadores, separado para levar a bênção à humanidade inteira e para permitir que Deus (Yaohu) esteja presente no meio dos homens. É uma mensagem que a Igreja sempre deverá voltar a escutar para permanecer fiel à sua vocação à santidade, sem perder de vista a realidade dos homens que ela reúne.

PRINCIPAIS ‘PERSONAGENS’ – DE “NÙMEROS”

MIRIÃ
Pontos fortes e êxitos:
• Pensava rápido sob pressão.
• Era uma líder bem disposta.
• Era compositora.
• Era uma profetisa.

Fraquezas e erros:
• Teve inveja da autoridade de Moisés.
• Criticou abertamente a liderança de Moisés.

Lição de vida:
• As motivações por trás da critica costumam ser mais graves do que a própria critica.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e Sinai.
• Familiares: Irmãos – Arão e Moisés.

Versículos-chave:
• “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Yaohu, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro” (Êx 15, 20.21).

A história de Miriã pode ser encontrada em Êxodo 2,15 e em Números 12, 20. Ela também é mencionada em Deuteronômio 24, 9; 1 Crônicas 6, 3; Miquéias 6,4.

CALEBE
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um dos espias enviados por Moisés para averiguar Canaã.
• Foi um dos únicos israelitas que saiu do Egito e entrou na Terra Prometida.
• Foi a minoria que se posicionou a favor de conquistar Canaã.
• Expressou fé nas promessas de Deus (Yaohu), a despeito dos aparentes obstáculos.

Lições de vida:
• A opinião da maioria não representa a medida exata do certo e do errado.
• A coragem baseada na fé em Deus (Yaohu) é apropriada.
• Para que a coragem e a fé sejam eficientes, é preciso combinar palavras e ações.

Informações essenciais:
• Locais: Do Egito para o Sinai, depois para Canaã, especificamente Hebrom.
• Ocupações: Espia, soldado e pastor.

Versículo-chave:
• “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança” (Nm 14,24).

A história de Calebe pode ser encontrada em Números 13,14 e Josué 14,15. Ele também é mencionado em Juízes 1 e 1 Crônicas 4,15.

CORÁ
Pontos fortes e êxitos:
• Foi um líder popular, uma figura influente durante o êxodo.
• Foi mencionado entre os chefes de Israel (Êx 6).
• Foi um dos primeiros levitas a serem chamados para o serviço especial no Tabernáculo.

Fraquezas e erros:
• Não reconheceu a importante posição em que Deus (Yaohu) o havia colocado.
• Esqueceu-se que sua luta era contra alguém ainda maior do que Moisés.
• Permitiu que a ganância cegasse seu bom senso.

Lições de vida:
• Algumas vezes, existe uma linha tênue entre objetivos e ganância.
• Ao ficarmos descontentes com o que temos, em vez da ganhar algo a mais, podemos perder tudo.

Informações essenciais:
• Locais: Egito e Sinai.
• Ocupação: Levita (assistente no Tabernáculo).

Versículos-chave:
• “Disse mais Moisés a Corá: Ouvi, agora, filhos de Levi, porventura, pouco para vós é que Deus (Yaohu) de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a administrar o ministério do tabernáculo de Yaohu e estar perante a congregação para ministrar-lhe; e te fez chegar e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, contigo; ainda também procurais o sacerdócio?” (Nm 16, 8-10).

A história de Corá pode ser encontrada em Números 16,1-40. Ele também é mencionado em Números 26,9; Judas 1,11.

ELEAZAR
Pontos fortes e êxitos:
• Sucedeu seu pai, Arão, como sumo sacerdote.
• Completou a obra de seu pai, ajudando a guiar o povo até a Terra Prometida.
• Foi amigo de Josué.
• Agiu como porta-voz de Deus (Yaohu) para o povo.

Lições de vida:
• Concentração nos desafios presentes e responsabilidades é a melhor forma de preparar-se para assumir o que Deus (Yaohu) designou para nós no futuro.
• O desejo de Deus (Yaohu) é que obedeçamos a Ele em toda a nossa vida.

Informações essenciais:
• Locais: Deserto do Sinai e Terra Prometida.
• Ocupações: Sacerdote e sumo sacerdote.
• Familiares: Pai – Arão; irmãos – Nadabe, Abiú e Itamar; tios – Miriã e Moisés.
• Contemporâneos: Josué e Calebe.

Versículos-chave:
• “E falou Yaohu a Moisés e a Arão no monte Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo: Arão recolhido será a seu povo, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebeldes fostes à minha palavra, nas águas de Meribá. Toma a Arão e Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte Hor; e despe a Arão as suas vestes e veste-as a Eleazar, seu filho; porque Arão será recolhido e morrerá ali” (Nm 20,23-26).

Eleazar é mencionado em Êxodo 6, 23; Levítico 10,16-20; Números 3,1-4; 4,16; 16, 36-40; 20, 25-29; 26,1-4.63; 27, 2.15-23; 32, 2; 34,17; Deuteronômio 10,6; Josué 14,1; 17,4; 24, 33.

BALAÃO
Pontos fortes e êxitos:
• Muito conhecido por suas eficientes bênçãos e maldições.
• Obedeceu a Deus (Yaohu) e abençoou a Israel, a despeito do suborno de Balaque.

Fraquezas e erros:
• Ajudou a levar os israelitas a adorarem ídolos (Nm 31,16).
• Retornou para Moabe e foi morto durante a guerra.

Lições de vida:
• As motivações são tão importantes quanto às ações.
• Onde está seu tesouro também está o seu coração.

Informações essenciais:
• Locais: Viveu próximo ao rio Eufrates e viajou para Moabe.
• Ocupações: Feiticeiro e profeta.
• Familiares: Pai – Beor.
• Contemporâneos: Balaque (rei de Moabe); Moisés e Arão.

Versículos-chave:
• “Os quais [os homens carnais], deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça. Mas teve a repreensão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta” (2Pe 2,15.16).

A história de Balaão é relatada em Números 22,1 – 24.25. Ele é também mencionado em Números 31,7.8.16; Deuteronômio 23,4.5; Josué 24,9.10; Neemias 13, 2; Miquéias 6,5; 2 Pedro 2,15.16; Judas 11, Apocalipse 2,14.

DEUTERONÔMIO

INTRODUÇÃO

Visão geral

Autor: Moisés.
Propósito: Estimular uma renovação da aliança mediada por Moisés, quando Israel estava prestes a entrar na Terra Prometida sob a liderança de Josué.
Data: c. 1406 a.C.
Verdades fundamentais:
• Os israelitas que se encontravam nas campinas de Moabe deveriam aprender, a partir das experiências da geração anterior, a importância da fidelidade à aliança.
• As leis de Moisés foram estabelecidas com a finalidade de beneficiar o povo de Deus (Yaohu) em sua entrada na Terra Prometida sob a liderança de Josué.
• A fidelidade à aliança seria recompensada com bênçãos, enquanto a desobediência seria castigada com maldições.
• Os israelitas deveriam renovar o compromisso com a aliança enquanto esperavam nas campinas de Moabe e depois de entrar na Terra Prometida.

Propósito e características

Uma vez que a primeira geração do êxodo já não existia mais, Moisés precisou exortar a nova geração a evitar os pecados de seus pais e se sujeitar à lei a fim de receber bênçãos no futuro. Deuteronômio é constituído, em sua maior parte, de três grandes discursos e um compêndio legal fornecido por Moisés no final de sua vida.

Cristo em Deuteronômio:

Moisés, o fundador da teocracia de Israel, foi o mediador da antiga aliança e, como tal, prefigurou Cristo, o Filho de Deus (Yaohu) e o mediador da nova aliança (Jr 31 – 34). O conteúdo moral das alianças é o mesmo, mas os modos como são administradas apresentam diferenças significativas. Sua semelhança principal fica evidente na maneira como Paulo associou a mensagem do evangelho ao apelo de Moisés para que Israel renovasse a aliança (veja a nota sobre 30,11-14). Em deuteronômio, a graça precede a obrigação humana de exercitar a fé, e a obediência humana é a prova da fé autêntica. Essas mesmas verdades podem ser vistas nos ensinamentos do Novo Testamento.
Ainda assim, Deuteronômio representou um estágio da relação pactual de Deus (Yaohu) com seu povo que prefigurou as realidades mais exaltadas da aliança de Cristo (veja as notas sobre Hb 8,6-13). A antiga aliança foi selada com o sangue de animais; a nova aliança eterna foi selada com O SANGUE EFICAZ DE CRISTO (Jr 32,40; Hb 9,11-28). Moisés conclamou o povo para uma religião de coração (6,6; 30,6), mas ela falhou por causa da fraqueza humana e se tornou OBSOLETA (Rm 8, 3; Hb 8,13). Cristo por meio do Espírito Santo, transformou o coração humano (veja a nota sobre 10,16; cf. Jo 3,1-15).
Cristo também é antevisto em Deuteronômio em vários de seus temas específicos. Ele é o Cordeiro Pascal (veja 16,1-17 e suas notas) e o Profeta que havia de vir (veja a nota sobre 18,15-22). A preocupação de Deuteronômio com o estabelecimento do um único santuário (Cap. 12) antevê o conceito neotestamentário de Cristo como o único que PODE SALVAR. Os detalhes do sistema sacrificial prefiguram o sacrifício de (Jesus). “Aqui, eu quero abrir um [Parenteses] devido a ‘transliteração’ do nome {Jesus} das outras línguas…para a língua portuguesa em si. O qual, por esse mesmo motivo, evito a colocação desse nome! Bem vamos lá”:
JESUA:
(No hebraico, ou {transliterado erroneamente}. Esse foi o nome de muitos homens ou lugares, nas páginas do Antigo Testamento, a saber):
1. Uma cidade onde alguns descendentes de Judá vieram habitar, após retornarem do cativeiro babilônico (Ne 11,26). Talvez fosse a mesma Sema de Js 15,26, ou Seba, em Js 19,2. Tem sido identificada com o Tell Es-sa’weh.
2. Um sacerdote da época de Davi, que foi o chefe do nono curso de sacerdotes (1Cr 24,11) Ele viveu por volta de 1015 a.C. Etc.

JESUS (NÃO O CRISTO)
O Nome. Nas modernas línguas europeias, como em português, a palavra Jesus deriva-se da transliteração desse nome de origem hebraica para o grego, Ieosous. O nome hebraico é Jehoshua, cuja forma contraída é Josué ou Jesua (vide). Esse nome significa ou (Nm 13,17; Mt 1,21). A sua transliteração para o grego reflete a contração do nome, no aramaico, Yesu. Ver Ne 3,19. {“YAOHU” – forma correta do filho = [shua].
Há quatro personagens na Bíblia que são chamadas por esse nome, além do próprio MESSIAS – “Jesus”, que naturalmente, o imortalizou. [ESSE NOME “JESUS” – FOI INVENÇÃO DO POVO ROMANO. PORQUE, ESSE NOME NUNCA EXISTIU, E, SIM JOSUÉ – QUE TRANSLITERARAM PARA O NOME DE JESUS!].
Mateus 1,21; um anjo apareceu a José para anunciar o nascimento e disse: “E lhe porás o nome de (Jesus), porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. Pode parecer, entretanto, que as pessoas raramente se dirigiam a (Jesus) como “Salvador”. Em sua canção de gratidão pelo nascimento de (Jesus), Maria disse: “E o meu espírito se alegra em Deus (Yaohu) meu Salvador” (Lc 1,47); mas, com essas palavras, provavelmente referia-se de maneira geral à obra de Deus (Yaohu), que o enviou (Jesus) para salvar. Os anjos disseram especificamente aos pastores: “NA CIDADE DE DAVI VOS NASCEU HOJE O SALVADOR, O YAOHUSHUA” (Lc 2,11); os samaritanos, os quais creram que (Jesus) era o Messias, reconheceram: “ESTE É VERDADEIRAMENTE O SALVADOR DO MUNDO” (Jo 4,42).
Então pelos motivos da “transliteração”, e do verdadeiro significado do nome (Jesus) – SALVADOR – QUE NINGUÉM SE REFERE A ELE POR ESSE NOME “SALVADOR”. E NÃO JESUS = Josué – QUE SIGNIFICA OUTROS NOMES…..COMO É DESCRITO ACIMA… PREFIRO ME REFERIR AO NOME DELE COMO: “MESSIAS’! Jo 14,8. (Sendo que: aonde estiver o nome (Jesus) – estou colocando: “Messias”, ou “Salvador!!” = Yaohushua). Vide mais informações no final da apostila §

(Voltando ao texto). A ênfase de Deuteronômio sobre a vida na Terra Prometida antevê a esperança de novos céus e nova terra que Cristo oferece a todos os que creem nele. Assim como Moisés chamou os israelitas à fidelidade para que pudessem entrar na terra e tomar posse dela, Cristo também nos chama à fidelidade a ele para que possamos entrar no mundo vindouro e desfrutar de suas bênçãos eternas.

Deuteronômio. Um livro à parte no Pentateuco: O Deuteronômio constitui uma unidade de um gênero particular, pelo fato de conter a quase totalidade de uma das quatro grandes tradições do Pentateuco, a tradição D (ver a Introdução ao Pentateuco): traços das outras tradições aparecem no fim do livro, a partir do cap. 31.
Entre a primeira e a última página do livro, os acontecimentos históricos não progridem: desde o começo, situam-se além do Jordão, na terra de Moab (1,5), e é lá que Moisés morre (34,5). O conteúdo é, contudo, muito mais coerente do que no restante do Pentateuco: apesar de algumas rupturas ou retomadas, os caps. 1 – 30 se apresentam como um discurso de Moisés ao povo, uma espécie de testamento espiritual pronunciado antes de sua morte, no limiar da Terra Prometida. Enfim e principalmente, o estilo dessas exortações didáticas impressiona por sua unidade e originalidade. Expressões características retornam seguidamente, muito semelhantes, em todo o livro, embora nunca absolutamente idênticas. Por exemplo: entrar na posse da terra que Yaohwh jurou dar a vossos pais…; procurar Yaohu no lugar que Yaohu, vosso DEUS, escolherá entre todas as vossas tribos para ali estabelecer o seu nome…; guardar o mandamento, as leis e os costumes que eu vos dou para pô-los em prática…; amar e servir a Yaohu, teu DEUS, de todo o teu coração, de todo o teu ser…etc. Ora, muitas dessas expressões estilísticas reaparecem nos discursos e reflexões que pontuam os livros de Josué, dos Juízes, de Samuel e dos Reis. O parentesco literário com estes livros leva a duvidar da unidade entre o Deuteronômio e o restante do Pentateuco, ao qual, no entanto, a tradição ligou a Deuteronômio, para formar um grande conjunto literário dominado pela pessoa de Moisés.

Uma pregação da Aliança. O Deuteronômio se caracteriza por sua forma retórica. Os caps 12 – 26 contêm, é verdade, uma espécie de código de leis e costumes para pôr em prática, o que explica o título, “Deuteronômio”, isto é, “segunda lei”, que lhe deram os tradutores da Septuaginta (cf. 17,18). Mas este título não se ajusta bem à obra; pois nem mesmo a parte central tem a ordenação e a forma literária de um código de leis. Os diversos temas abordados, dos quais muitos são uma retomada do “Código da Aliança” de Êx 20 – 21, constituem antes o objeto de um ensino acompanhado de exortações, de apelos e de advertências. Assim, por exemplo, o ensinamento sobre a libertação dos escravos hebreus (15,12-18) retoma e desenvolve a lei de Êx 21, 2-6 numa linguagem de catequista ou de pregador, e não tanto de legislador.
O ensino se dirige a todo Israel (1,1; 34,12). Observa-se, entretanto, uma curiosa oscilação do discurso entre a interpelação em tu e em vós, frequentemente dentro de um mesmo desenvolvimento, até dentro de uma mesma frase, e isto sem razão aparente. Por exemplo, em 6,1-3, o discurso que começa em vós (v.1) passa ao tu (v. 2-3a) para cair no vós (v. 3c), atritos que a tradução não pensou dever atenuar. Eles seriam o resultado da combinação de duas tradições paralelas, do mesmo modo que se produziu entre as diversas tradições do livro do Gênesis? É pouco provável, porque, isoladas as passagens em tu, as passagens em vós não formam um conjunto contínuo. Parecem antes constituir uma camada secundária que reforça e desenvolve o texto em tu. Este fenômeno é um primeiro sinal que trai uma composição literária em etapas sucessivas.
E mais importante é que o discurso em tu não visa ao israelita individualmente, mas ao povo inteiro, interpelado como o parceiro pessoal de Yaohu (cf. Por exemplo, 6,4-5 ou 9,1). Esta interpelação coletiva poderia não ser mais do que uma forma estilística de ensinamento. É, porém, mais verossímil que ela tenha origem em certas cerimônias litúrgicas, nas quais Israel inteiro efetivamente se reunia em assembleia para escutar, como um só homem, a lei de seu Deus Yaohu. As alusões às celebrações litúrgicas do santuário de Siquém, ao pé dos montes Ebal e Garizim (27,11-14), e a ordem de ler esta Lei diante de todo Israel, no final dos sete anos, precisamente no ano da Remissão, durante a festa das Tendas, quando todo Israel virá ver a face de Yaohu, teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido (31,10-11), parecem conservar a lembrança de uma festa periódica, durante a qual o povo todo, reunido em Siquém, renova sua aliança com Yaohu, escutando a proclamação de sua lei e comprometendo-se a pô-la em prática. Js 24, que narra a assembleia de Siquém como um acontecimento único, talvez seja, de fato, a lembrança de uma celebração periodicamente renovada, cuja liturgia comportasse os seguintes elementos: Recordação da história do povo (vv. 2-13), exortação a servir apenas a Yaohu (vv. 14-15), compromisso do povo (vv. 16-24), e conclusão da aliança, acompanhada da proclamação da Lei (vv. 25-26a) e da citação de testemunhas (vv. 26b-27). Ora, o plano do Deuteronômio segue uma ordem muito semelhante: Recordação do passado e exortação (12,1 – 26,15), compromisso mútuo (26,16-19), promessas e ameaças (27,1 – 30,18), citação de testemunhas (30,19-20). Se, entretanto, os discursos do Deuteronômio não são situados em Siquém, é porque não se podia contradizer a tradição segundo a qual Moisés não atravessou o Jordão. Mas esta vasta pregação, situada antes da entrada na Terra Prometida, parece mesmo ser o eco das cerimônias celebradas em Siquém, antes do período real.
Com o surgimento da realeza, esta festa da aliança perdeu sua importância em proveito de outras celebrações, sobretudo em Jerusalém. Mas o ensino da lei da aliança se perpetuou. Provavelmente quando saiu de seu quadro litúrgico primitivo, abandonou o tu comunitário e começou a interpretar os israelitas usando o vós, como a indivíduos pessoalmente responsáveis.
Quanto ao portador deste ensino, sua maneira de falar mostra que seu papel não é exatamente o de um profeta. O profeta transmite uma palavra direta de Yaohu a seu povo; o Próprio Deus (Yaohu) se lhe apresenta num discurso em primeira pessoa. Aqui, pelo contrário, Moisés se serve da primeira pessoa para designar a si mesmo, enquanto evoca a Yaohu usando a terceira pessoa (por exemplo 9,9s.). Os textos insistem de bom grado no papel mediador de Moisés: É a ele que Yaohu se dirige para revelar sua lei, e é ele quem recebe a ordem de a transmitir e explicar ao povo (5, 5; 6, 1; 9, 9 – 10,5). Ora, essa atividade mediadora de Moisés parece ter sido mantida em Israel pelos levitas: A “bênção da doze tribos” lhes reconhece a tarefa de ensinar os costumes a Jacó e a lei a Israel (33,10): É a eles que Moisés encarrega da aliança (31,10-11); são eles os associados a Moisés na grande liturgia de Siquém (27,9). Moisés desempenhou, sem nenhuma dúvida, o papel de fundador no ensinamento da lei da aliança: Depois dele, os levitas prolongaram o seu ministério, velando ativamente pela transmissão desta tradição. Eles continuaram pondo o seu ensino na boca de Moisés, para conferir-lhe continuidade e autoridade. Mas as alusões às circunstâncias de épocas ulteriores mostram que os levitas desenvolvem e atualizam sempre de novo a tradição em função das tentações diversas que se apresentam: O orgulho que espreita o povo instalado na Terra Prometida (8, 11-20), a atração dos cultos cananeus (12, 2-3), o absolutismo dos reis (17, 14-20), a resignação passiva do Exílio (4, 25-31). Não se trata apenas de repetir uma lei que continua válida, mas de fazer compreender o seu fundamento e exigência central. Os recursos do ensino da sabedoria são postos em ação (cf. Dt 4,5-8 e Pr 2,6; Dt 4,40 e Pr 3,2; Dt 8,5 e Pr 3,11-12; Dt 16,19 e Pr 17,23 etc.) para abrir a mente e o coração dos israelitas e convencê-los a adotar um estilo de vida conforme a aliança que Yaohu concluiu com eles.
Assim o Deuteronômio é a vasta coletânea na qual se fixou progressivamente por escrito a pregação levítica, cuja fonte era Moisés, e que acompanhou Israel com suas exortações, admoestações e promessas desde o limiar da Terra Prometida até a hora do Exílio na Babilônia.

Um documento reformador. Quais são as etapas principais desta longa elaboração literária? Um importante acontecimento, já entrevisto pelos Pais da Igreja, permite precisar a época na qual o Deuteronômio conheceu sua primeira fixação. O livro dos Reis narra, em 2Rs 22, que no 18º ano do reinado de Josias, isto é, em 622, foi descoberto em Jerusalém o livro da lei (2Rs 22,8.11) ou livro da aliança (2Rs 23,2.21). Impressionado pelas ameaças contidas neste livro, o rei reuniu todo o povo, renovou solenemente a aliança e proclamou uma reforma do culto. Ora, o programa desta reforma (2Rs 23,4-20) corresponde à exigência básica do deuteronômio: A destruição de todos os santuários de província e a centralização do culto em Jerusalém (Dt 12). O documento publicado por Josias parece ser, pois, o Deuteronômio, muito certamente numa forma primitiva mais breve.
De onde vinha este livro? A surpresa provocada por sua descoberta mostra que ele não podia ser muito recente. Pensou-se na purificação do culto por Ezequias, menos de um século antes, que já tendia a centralizar o culto em Jerusalém (2Rs 18,4.22), mas tal hipótese não se funda ainda sobre nenhum documento escrito. A coletânea primitiva poderia então ter sido composta após o malogro desta primeira reforma, quando, sob o funesto reinado de Manassés, refloresceram os cultos idolátricos (2Rs 21), portanto, durante a primeira metade do século VII. A coletânea primitiva exprime as tendências reformadoras dos meios levíticos, que lutam contra o sincretismo religioso e o relaxamento social, apoiando-se nas tradições mais autênticas do antigo Israel.
Estes levitas eram, em sua maioria, refugiados que tinham escapado do reino de Israel do Norte, quando das invasões assírias, antes da queda de Samaria em 722. Eles levavam para Judá e Jerusalém uma tradição que havia sido singularmente negligenciada e que demorou quase um século para se fazer ouvir e, depois, ser oficialmente reconhecida. Fazendo do culto centralizado em Jerusalém uma retomada das primitivas cerimônias de aliança em Siquém, o Deuteronômio restaurou, em pleno período real, uma ética da aliança surgida da revelação a Moisés.

A obra acabada e seu plano. O documento que servira de base à reforma de Josias continuou a se enriquecer. Reforçaram-se as exortações em apoio a este ou àquele mandamento (cf. 28,45-68), intercalaram-se pregações (cf. 4,15-31 ou 9